Dhampir

2 Os Indícios de um Desejo


Notas iniciais
Tentei deixar o capítulo com uma linguagem mais fácil, porém confesso que o último diálogo entre Kristell e Betsy ficou um tanto complicado, perdoem-me.
Boa leitura!

Janeiro, 1890

- Conte-me mais, como você se descobriu uma Dhampir? – Betsy perguntou curiosa à garota de cabelos flamejantes.

- Bem, não é uma coisa a qual se descobre, se é que me entendes... São simples extintos, dons, eu nasci assim convivi numa metamorfose lenta e indolor. Hoje me tornei o que sou. – Kristell respondeu claramente a pergunta da amiga de longa data.

Elas andavam pelo mercado agitado do pequeno vilarejo, esbarravam em uma ou outra pessoa, no entanto não se importavam, nenhuma delas estaria ouvindo a conversa das duas amigas inseparáveis.

Conheceram-se aos quinze anos, Betsy era nova no recinto e Kristell mostrou de bom grado o local para ela. Desde então não se desgrudaram, e após tantos anos, particularmente nesse inverno Kristell tomou coragem suficiente para contar seu segredo a amiga. Agora três pessoas sabiam o que ela era, e a mesma não pretendia que mais ninguém soubesse, nem mesmo sua mãe.

- Agora te perdoo por não ter me contado antes. – Betsy dizia quando chegavam à mercearia.

- Eu lhe disse que era um assunto complicado. – a outra murmurou pegando uma maçã nas mãos e salivando ao ver a cor vermelha viva atrair sua atenção.

- Ainda assim, não acredito que nunca notei sua falta de sombra.

- Jura? – levantou a mão em direção aos miúdos raios de Sol com a intenção de projetar a sombra da mesma, mas nada apareceu.

- Isso é fascinante. – Betsy disse e tocou com a ponta dos dedos a mão branca da amiga.

- Fascinante mesmo seria ter asas. – Kristell viajou nos pensamentos de voar e Betsy estremeceu, se alguém descobrisse seu segredo ela seria expulsa pelo ser superior.

- Oh sim, voar seria como estar no paraíso. – agiu com naturalidade e a ruiva ao seu lado nem percebeu seu leve tremor anterior.

- Vamo-nos tenho que passar no maldito bar do Stunley e apanhar a garrafa de vinho tinto que mamãe me pediu. – Kristell disse saindo da mercearia e a garota de cachos castanhos acobreados a seguiu.

- O que tua mãe quer com vinho? – perguntou a garota de estatura média e postura imponente.

- Perguntes para a mesma, nem eu sei. – a outra deu de ombros e seguiram para o bar.

- Ora, ora Stunley se não temos a presença de duas ilustres damas no moribundo bar. – sr. Sanders recebeu as damas com uma breve vênia.

- Bom dia senhores. Vim apanhar o vinho tinto que minha mãe encomendou dias atrás. – o garoto de cabelos castanhos, e olhos de um verde cristalino observava os movimentos da ruiva detalhadamente.

- Só um minuto srta. Kristell. – Stunley disse mostrando os dentes amarelados por conta do tabaco e enfiando-se pela pequena passagem que ligava aos fundos do bar.

- E então Sanders em que estado sua mãe se encontra? – Kristell perguntou enquanto a amiga olhava para o teto, absorta nos próprios pensamentos.

- Já lhe pedi mais de mil vezes que me chamasse de Matthew. – o cavalheiro exibiu um belo sorriso que foi ignorado pela moça que o perguntava – Pois então, mamãe está pior, parece que a morte já lhe envolveu nos braços.

- Já lhe disse mais de mil vezes que uma dama não o trata desse modo vulgar, desculpe-me se o senhor está acostumado às mulheres que transitam pelo bar. – ela jogou os cachos perfeitos para trás exibindo o colo num decote discreto e os olhos do homem seguiram o caminho de pele descoberta – Desejo melhoras a sua mãe.

- Aqui está o vinho senhorita. – o velho de cabelos grisalhos entregou o vinho num pacote para moça e passou a mão na camisa de linho suja.

- Muito obrigada Stunley. Com sua licença devo ir agora. – curvou-se com a saia nas mãos e Betsy seguiu seu movimento, as duas saíram do bar.

Matthew encantava-se com os movimentos da jovem garota de cabelos de fogo, ele que foi sempre o grande galanteador da cidade nunca a teve, nem mesmo que num flerte. Breves conversas como essa que acabaram de ter eram quase que um alarde entre a população, levando em conta que os mesmos nunca se deram muito bem. A não ser em um tempo distante, quando ainda não tinham noção de seus atos e sr. Sanders ainda se lembra desses dias de glória.

As duas crianças corriam entre as árvores sem medo de tropeçarem em algum pedregulho escondido na terra. Corriam num pega-pega onde a garota ruiva nunca era a pegadora, afinal o pequeno menino de olhos verdes sempre a deixava ganhar. Passavam o dia brincando, correndo, empoleirando-se nas árvores, as mães deles eram como irmãs e os criavam do mesmo jeito. Eles não tinham noção do futuro, e nem era de se esperar que tivessem afinal, eram apenas crianças de 7 anos.

Matthew despertou-se de seus devaneios, mas logo estava preso na mesma linha de pensamentos novamente. Meditando sobre como haviam deixado que as coisas chegassem a esse ponto, antes amigos inseparáveis, agora agiam feito desconhecidos. Pediu mais uma bebida para Stunley, logo voltaria para casa e cuidaria da enferma mãe.

- Vistes como Sanders a olhava? – Betsy comentou enquanto caminhavam pela trilha calma em direção a suas casas.

- O que tens? – respondeu a outra lançando outra pergunta.

- Ele olhava-te tão intensamente, jurava que poderia possuí-la ali mesmo, em cima de uma das mesas podres. – Kristell parou de andar e indignada fitou a amiga.

- Possuir-me? Enlouqueceu Bestsy? Nem na sua fértil imaginação sr. Sanders e eu poderíamos ter algum relacionamento que não fosse de pura cortesia. Somos de mundos completamente diferentes. – voltaram a andar.

- Talvez você esteja certa... No entanto não podes discordar de mim quando lhe digo que ele é um belo par. – ri com a afirmação dela.

- É uma bela decepção também... Esse não precisa nem de Lilith para cometer um adultério. – caímos na gargalhada – Aliás, eu sempre preferi o filho mais velho dos Baker. – admirei a macieira lembrando-me dos lindos olhos de Zachary.

- Oh sim, Zachary. – uma pontada de ciúme atingiu o estômago de Betsy enquanto a amiga falava de seu protegido, aquele o qual ela alimentava uma paixão profunda e secreta.

- Ele sim é um homem para casar. Garanto-lhe que nem em pensamento cometeria um adultério, bem educado e de família renomada... Com certeza um belo marido. – suspirou e logo avistou sua casa não muito longe de onde estavam.

- Concordo com você. Preciso seguir o caminho... Até breve Kristell. – depositou um beijo na bochecha da amiga e seguiu seu caminho.

Kristell não se preocupou em apressar as passadas até chegar a casa, até porque o vestido pesado que carregava no corpo não lhe ajudaria numa caminhada rápida. Assim, em passou lentos e despreocupados ela chegou até a porta de casa e não foi de grande surpresa ao encontrar Loiran sentada debaixo do pinheiro grande e robusto que se encontrava há alguns metros da casa, acenou brevemente para a irmã e adentrou em seu lar.

Notas finais
*vênia - cumprimento*
Espero que tenham gostado e podem reclamar quanto a linguagem estou prestando mais atenção agora na hora de escrever e tentando substituir por palavras mais fáceis (:
Comenteeem please *-*
Beeeijos ;*