Dhampir

5 Escura Salvação


Notas iniciais
Esse capítulo é para comemorarmos o Halloween!
Feliz Halloween leitores *-*
Boa leitura!

Betsy correu a toda velocidade para a casa de Kristell, as lágrimas secavam em seu rosto com o vento cortante que a perturbava na noite fria. Seu casaco de pele já havia sido jogado no chão e ela segurava a saia do vestido fortemente torcendo para que seus joelhos não falhassem.

Chegou à casa de Kristell quase que sem ar, jogou-se na grama sentindo uma leve pressão nos pulmões. A casa da amiga era longe demais da de Zacky, mas isso não importava. Ainda não estava completamente recomposta quando andou em direção à janela do quarto da amiga, jogou algumas pedras no vidro, mas sem a intenção de quebrar e logo Kristell aparecer.

- Betsy? – perguntou sonolenta enrolada na coberta.

- Kristell, preciso de sua ajuda. – a amiga murmurou enquanto via Kristell desaparecer.

- Venha cá. – ela pulou de susto ao ver que amiga já estava com a porta da frente aberta.

- Creio que não precisarei entrar, apenas diga-me, existe algum vampiro pelas redondezas? – Betsy perguntou com a respiração falhando.

- Por qual razão queres saber isso? – Kristell estava assustada com a pergunta da amiga.

- Apenas responda, e me diga a exata localização dele! – Betsy disse entredentes com os olhos arregalados.

- Ok. – Kristell fechou os olhos e concentrou-se não demorou muito e já tinha um vampiro – Oh, tem um na casa dos Sanders, mas isso é muito intrigante, pois... – Betsy deixou a amiga falando sozinha e voltou a correr pela fileira de árvores.

A corrida era longa até a casa de Matthew e ela faria tudo mais rápido se se libertasse dos sapatos apertados, assim os tirou jogando para qualquer lado. Pegou a barra do vestido e levantou até a cintura, esse era o único jeito de ganhar uma mobilidade maior com as pernas. Ela salvaria o corpo inerte de Zacky, mesmo que para isso tivesse que abrir mão de suas asas.

- Estará encarregado de minha criação também James, espero que não me decepcione com seus ensinamentos. – Harrison dizia ao vampiro Sullivan enquanto saia da mansão dos Sanders.

- É uma pena não poderes ficar meu amigo.

- Já estive muito tempo nessa vila, não posso me arriscar, no entanto se precisar de algo já sabe onde me encontrar. – ele sorriu perverso.

- Oh sim, como sei, França onde as melhores carnes estão escondidas. – os dois riram maleficamente e James acenou para seu amigo que partia deixando o vampiro cuidando de dois novos vampiros.

James voltou para o quarto onde os garotos estavam jogados, um em cada cama, sua criação e de a Harrison já retorciam de dor enquanto cada órgão deles ia parando e a alma se desprendia do corpo, mais algumas horas e eles acordariam.

No canto da quarto, duas serviçais estavam desacordadas, elas seriam a primeira presa de ambos. O pequeno vilarejo voltaria a ser aterrorizado, pois James nunca foi um vampiro de boas intenções ele adorava ver o desespero nos olhos das pessoas, e os gritos de agonia a cada gota de sangue que sugava.

Ele é um dos primeiros vampiros que surgiu na face da terra, pode ser difícil de acreditar, mas James tinha a alma pura parecia até um anjo, a única coisa que lhe diferia era que havia nascido humano. Nesse tempo a terra era infestada de demônios que procuravam abrigo nos corpos dos mortais vulneráveis.

Um dia James acabou por perder seu único filho, a tuberculose havia matado o pobre. James não aguentando viver mais um dia na terra tentou cometer o suicídio, jogou-se do terraço de sua enorme mansão. Mas por ironia do destino seu corpo foi amparado por um demônio sádico que ocupou o mesmo, jogando sua alma fora, transformando-o em vampiro.

James recordava desse dia claramente e sorriu ao lembrar-se de sua primeira presa, a própria esposa, coitada a pobre mulher nem chegou a lutar contra ele. Estava enterrado em seus pensamentos quando sentiu a presença de um anjo pelos cômodos da casa.

Betsy invadiu o quarto onde James estava e viu os dois moços estatelados cada um em sua cama, retorcendo de dor. Indignou-se rezando mentalmente para que a alma deles descansasse em paz, e então olhou para o vampiro ao seu lado que estava surpreso.

- Como entrou aqui? – o homem de olhos azuis e pele branca feito as paredes do quarto perguntou assustado.

- Do mesmo modo que você, pela porta da frente. – James já aguardava por sua morte enquanto a menina de cabelos castanhos se aproximava.

- O que queres? – perguntou com a esperança de que não fosse morto pela anja de olhos desesperados.

- Não vim aqui para te matar, embora essa seja minha vontade, preciso que venha comigo e transforme um garoto em vampiro. – ele se reteve por um tempo observando a dama a sua frente.

- Então quer dizer que a anjinha deseja que eu transforme um mortal. Por Lúcifer, sabes que perderá as asas! – Sullivan exclamou levantando-se e gesticulando com as mãos.

- O que vai acontecer comigo não é de sua conta, apenas me siga antes que eu arranque seu coração. – ele estremeceu com as palavras ríspidas de Betsy.

Seguiram para a casa de Zacky e adentraram pela janela no quarto do garoto, que estava desacordado na cama. James rasgou um pedaço do pulso e pingou as gotas de seu sangue na boca do pobre menino que logo seria um vampiro.

Besty sentiu que havia mais um morto na casa, e assim saiu do quarto de Zachary indo para o quarto vizinho, o de Jonathan, ou apenas Johnny. Ao chegar lá o menino estava nas mesmas condições de Zacky, morto. Os olhos dela encheram-se de água e ela voltou para o quarto de seu amado, onde James já o segurava no ombro.

- Preciso que transforme mais um. – ela murmurou envergonhada de seus atos e Sullivan repousou Zacky em sua cama.

- Olhe se essa anjinha não está endiabrada. – sorriu de canto e a seguiu até o quarto de Johnny.

Repetiu o mesmo processo com o irmão de Zacky e depois saíram da casa dos Baker, James com os garotos nos ombros e Betsy cabisbaixa prevendo seu destino. Sullivan avisou a anja que levaria os irmãos para a mansão dos Sanders, e que cuidaria deles a sua maneira. Ela apenas assentiu e sentou na sarjeta da calçada, enquanto via o vampiro desaparecer pelas sombras.

Enterrou a cabeça em sua saia respirando o cheiro da renda nova misturada a terra e grama, sabia que não demoraria muito e estaria no céu tendo sua sentença aplicada. Não sabia se doeria ter as asas arrancadas, mas isso não importava. Ela não teve tempo de pensar em mais asneiras, pois logo foi enviada para o céu.

- Bela conduta para uma anja, atrair um vampiro para o seu protegido. – um arcanjo exclamava ao outro enquanto Betsy punha-se de pé, ela já não vestia o vestido pesado, mas sim uma túnica branca.

- Qual será o meu castigo? – perguntou curvando-se diante aos arcanjos.

- Tem sorte minha cara, Deus te deu duas opções. – o primeiro deles disse com um sorriso no rosto.

- A primeira delas é: ter sua posição rebaixada a mensageiro, e passar por dois séculos aqui no céu, sem contato algum com a humanidade. – esse era um castigo horrível, no entanto merecido.

- E qual minha segunda opção? – perguntou elevando o olhar para o arcanjo de feições suaves.

- Ter suas asas arrancadas e fazer parte do grupo de anjos caídos. – o outro mais carrancudo esbravejou e logo depois riu como se rebaixasse anjos caídos a pior das categorias.

O dilema havia sido lançado, passar dois séculos condenada no céu ou ter as asas arrancadas e viver como uma humana imortal, desprovida de qualquer poder, desprovida até de morrer? Betsy tinha o resto de sua imortalidade posta em jogo, e ainda assim só conseguia pensar em Zachary, parecia que ela já havia tomado uma decisão.

Notas finais
E então gostaram? Deixem seus comentários!
Beijinhos ;*