Dhampir

6 Um Novo Sabor


Notas iniciais
Boa Leitura!

James observava todos seus recém-criados, Zachary e Johnny ainda agonizavam de dor enquanto os outros dois Matthew e Brian encontravam-se no sono profundo, quase que desmaiados.

De repente os dois corpos ao chão pararam de retorcer e entraram em sono profundo também, assim como os outros que estavam na cama, levantaram assustados, como se levantassem de um pesadelo, respirando ofegantes e com os olhos arregalados.

- Vejo que acordaram. – James disse enquanto se desencostava do batente da porta, os amigos se entreolharam, olharam para os outros dois homens jogados ao chão e voltaram-se para seu criador.

- O que aconteces aqui? – perguntou o de olhos claros.

- Ah meu caro, muito aconteceu, mas bastas saber que agora és um vampiro. – ele fitou James por um longo tempo e caiu na gargalhada, acompanhado de Brian.

- Igual nas histórias que nossos avós contavam! – exclamou o moreno.

- Podem rir, há muito com o que se aprender nessa nova vida que ganharam. – o homem parecia sério para com os dois.

- Seu nome? – perguntou Matthew.

- James Owen Sullivan, chamem-me apenas por James. E vocês como se chamam? – Brian levantou-se seguido de Matthew e andaram em direção ao homem.

- Brian Elwin Haner Jr., ou apenas, Brian. — estendeu a mão para James que o cumprimentou.

- Matthew Charles Sanders, ou Matthew. – cumprimentaram-se também enquanto o recém-criado exibia um sorriso.

- Enfim conheci o sr.Sanders! – exclamou o homem de olhos azul feito um mar cristalino — Sabes antigos amigos meus comentavam muito sobre seu nome, és bem conhecido no mundo dos mortos! – ele riu pesadamente fazendo com que os outros dois se entreolhassem assustados – Irei lhe contar tudo, mas antes, precisam alimentar-se, afinal, não gostaria de ver minhas mais belas criações morrerem de fome. – dirigiu-se para as duas criadas jogadas no canto.

- Estás louco? – Brian perguntou esquivando-se para trás, enquanto o vampiro erguia uma das moças.

- O único louco é você em recusar carne tão fresca. – ele rasgou a jugular da mulher com a unha afiada e ergueu o pescoço da mesma em direção aos garotos.

Matthew salivou com o sangue que escoava da pobre criada, admirou a mulher a sua frente, morena de cabelos castanhos e lábios grossos... Parecia mais suculenta ainda. Em um reflexo mais rápido que o normal ele a teve em seus braços e cravou os dentes na fissura que havia sido aberta por James.

- Por Deus! O que festes com meu amigo? – exclamou Brian enquanto observava Matthew degustar-se da moça.

- Eu lhe dei uma vida melhor, assim como você. – Brian avançou em direção a porta.

- Oh não, isso não é vida! – disparou a correr para fora da casa numa velocidade maior que a normal.

Queria apenas um lugar quieto para refletir e a mansão antiga de seus bisavós parecia uma ideia ótima. Correu sem parar por mais de duas horas, percorreu um trajeto que antes levaria dias apenas com suas pernas, ele estava certo de que não era mais um humano, porém ainda sim, não aceitaria essa condição de viver à custa dos outros. Dirigiu-se a grande mansão desabitada.

- Então você quer dizer que nós somos suas criações? – Johnny perguntava sentado na cadeira forrada com tecido italiano, todos haviam se alimentado e agora estavam na sala, sentados em uma roda, abarrotando James de perguntas.

- Sim, apenas Brian que não, ele foi criação de meu amigo que partiu mais cedo.

- Mas porque eu tenho esses dois furos no pescoço e eles não? – Sanders perguntou intrigado.

- Pois essa é a história que mais terei prazer em contar. Acreditem ou não uma anja me procurou esta noite e obrigou-me a transformas Zachary e Johnny em vampiros, quando os encontrei vocês estavam quase que mortos e bem ela salvou a vida dos dois, ou não, depende do ponto de vista. No entanto deve estar sendo castigada por tal ato, recomendaria que rezassem para que ela encontrasse piedade com Deus, mas não adiantaria de nada, afinal, Deus não ouve as preces de um demônio. – ele riu alto enquanto os outros o observavam atentamente.

- Quer dizer que tenho um anjo da guarda? – Zachary perguntou segurando o queixo entre as mãos.

- Tinha meu caro, agora não tem mais, esqueceu-se é um demônio, sem alma, estripador? E bem, ela era uma beleza, e era visível que estava apaixonada por ti. – Zachary pôs-se a pensar na ideia de ter uma anja apaixonada por ele, parecia ser adorável.

- Achas que ela terá um destino ruim? – perguntou preocupado.

- A respeito de Deus não sei de nada, pergunte-me sobre Lúcifer e lhe darei todas as respostas. – ajeitou as mangas da camisa e sorriu simpático.

James percebeu que a conversa ira longe, e não se incomodou, há anos não tinha companheiros numa roda de conversa, e com certeza havia se familiarizado com esses, jovens vampiros dignos de um. Com certeza formariam um belo grupo de matadores.

Betsy acordou com a face de encontro à terra úmida, estava jogada no chão como se fosse um lixo, pensou consigo mesma. Levantou-se batendo as mãos no vestido, estava perto da macieira que via todas as vezes que acompanhava a amiga Kristell até em casa. Ajeitou os cabelos para trás e já ia começar o caminho para casa, quando se lembrou de que não tinha mais um lar, ela não tinha mais nada, era apenas uma anja-caída, que na verdade, não tinha nem onde cair morta.

Foi até a macieira e apoiou-se a mesma, tentando refletir os fatos das últimas horas, já era manhã, porém o sol não iluminava a cidade gélida. Um pequeno mosquito pousou em suas costas e com esforço ela bateu a mão no mesmo para espantá-lo, na mesma hora sentiu a cicatriz, e a dor, a dor que sempre seria presente de quando teve as asas arrancadas apenas com a força do olhar de um dos arcanjos.

Ela queria ver Zachary, afirmar-se de que seu plano havia dado certo e de que ele era um vampiro. Mas antes, precisava de um lugar para ficar, assim seguiu para casa de Kristell, na esperança de lá encontrar seu refúgio.

- O que te acontecestes Betsy? – Kristell perguntou enquanto punha a amiga para dentro de casa e a levava para seu quarto.

- É uma longa história, uma longa e maçante história. – Betsy resmungou enquanto se sentava na bela cama, à moda vitoriana, ao lado da amiga.

- Pois comece, sou toda ouvidos. – Betsy abriu a boca e não parou de falar até que enfim chegasse a suas asas arrancadas – Oh meu Deus Betsy! Eu sinto tanto... – ela abraçou a amiga.

- Não sinta Kristell, eu fiz esta escolha, tenho que aprender aceitar e conviver com isso. – a menina de cabelos castanhos disse dando de ombros.

- Sinta-se a vontade para ficar em minha casa, mamãe te acolherá como uma filha tenha certezas disso! E se quiseres pode ficar em meu quarto, hei de arranjar uma cama para te abrigar. – ela sorria reconfortando a amiga.

- Muito obrigada Kristell. – a outra agradeceu.

- Não há de que! E antes que eu me esqueça, podes usar meus vestidos enquanto não compramos novos para você. – elas sorriram uma para outra – Agora te deixarei a sós, descanse e quando acordar me encontre na sala, iremos ao alfaiate encomendar vestidos para você! – ela levantou–se da cama e saiu pela porta deixando a pobre anja-caída sozinha.

Brian arremessou o terceiro coelho de que se alimentava em meio aos arbustos, não sabia o porquê de ter que cravar suas presas no pobre animal, mas era melhor que fosse assim, pois era o melhor a se fazer do que ter a mesma atitude canibal de seu amigo e deliciar-se de um humano.

A sede ainda era grande e ele teria que caçar mais coelhos, ou talvez animais maiores para saciá-la, nas redondezas da propriedade dos bisavós havia uma extensa camada de florestas, e onde há florestas, há bichos, ou seja, um banquete para um vampiro que contradiz suas necessidades.

Após consumir seu segundo cervo ele se sentia com menos sede, mas não satisfeito por completo. Voltou para a mansão velha e empoeirada e jogou-se contra o assoalho consumido por cupins, ele era um canibal demoníaco queria a morte, mas não tinha o poder de se matar.

Meditou por mais alguns segundos e fechou os olhos tentando cair no sono, mas não era possível, ele também não tinha esse privilégio. Sentiria falta do sono, dos sonhos, sentiria falta do “humano”. Ele se achava uma aberração e queria cometer suicídio, mas isso era luxuoso demais para ser dado a um vampiro infeliz.

Levantou-se e seguiu para os fundos da mansão, queria ver os retratos de sua antiga família, pinturas, livros, qualquer coisa que remetesse ao seu lado humano. Porque apesar de todos os seus instintos quererem convertê-lo em um “animal” sua alma inexistente lutava com todas as forças para que o humanismo prevalecesse. E até agora, estava conseguindo.

Notas finais
E então gostaram? Comentemmm *-*
Quem ficou com dózinha do Brian? kkkkk
Beeeeeeijos ;*