Dhampir

7 A Caçadora


Notas iniciais
Boaaa leitura!

Fevereiro, 1890.

Sheryl acordou coberta por folhas, levantou num salto, meio tonta e se viu cercada de árvores desconhecidas. “Ótimo além de ter aqueles sonhos, virei sonâmbula” pensou consigo mesma enquanto começava a caminhada entre as árvores tentando, sem sucesso, identificar o local.

Para sua sorte ela saiu da floresta caindo num enorme descampado, que não fazia jus a palavra, pois havia uma casa no meio a tanta solidão. Ela começou a caminhar até a casa erguendo a barra do vestido para que não tropeçasse, ia em busca de ajuda, até que um homem de cabelos negros porte grande e sorriso intrigante surgiu em sua frente como um raio.

- O que uma dama dessas faz aqui em minhas terras? – enfim ela havia encontrado o dono das terras.

- Eu não sei, acordei na floresta e vim pedir ajuda. Estou perdida. – a moça se aproximou e Brian amaçou os lábios em uma linha reta hipnotizado no som melódico das batidas do coração da morena ele queria prova-la.

- A moça então quer dizer que não sabes como veio parar aqui? – perguntou com as mãos seguras atrás de seu corpo.

- Sim, não me lembro de nada, acho que me tornei sonâmbula.

- Creio que uma sonâmbula não se vestiria do mesmo modo que a senhora. – ela sorriu olhando para o vestido verde que não recordava ter colocado.

- Creio que se estivesse em sã consciência não haveria esquecido de vestir-me com o espartilho. – ela revelou ao homem que estremeceu ao olhar seu decote e perceber que os seios da moça estavam empinados, como se ela usasse o espartilho, umedeceu os lábios imaginando como seria vê-la sem todo aquele tecido.

- Porque não entras e vejamos o que podemos fazer a seu respeito. – ele convidou de súbito enquanto fixava o olhar nos lábios definidos da moça.

Seguiram em direção a mansão. Sheryl sentia-se incrivelmente atraída pelo homem, e o vento esvoaçando os cabelos curtos e negros dele a faziam querer experimentar o gosto de seu beijo. Ela tinha se intrigado nos olhos hipnotizantes dele que a atraíram como um caçador atrai sua presa para o covil.

- Fique a vontade, irei servi-lhe alguma bebida. – Brian disse enquanto deixava Sheryl na sala, logo depois voltando com duas taças de vinho – Desculpe-me, mas é só o que tenho a oferecer.

- Não se preocupe. – ela respondeu sorrindo e bebendo do vinho.

- Ainda não me dissestes teu nome. – ele olhou para ela curioso.

- Sheryl. E o seu?

- Brian, Brian Haner. – respondeu prontamente andando em direção a ela.

- E então sr. Brian, tens uma carruagem ou algo do tipo que possa levar-me de volta a pequena vila que moro? – ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas.

- Na verdade não, mas posso arranjar-te um cavalo, sabes cavalgar?

- Não. – ela respondeu envergonhada.

- Pois então eu te levarei. Mas preciso saber onde moras...

- Moro no pequeno vilarejo de Aurora. – Brian estremeceu logo se recordando dos olhos castanhos a sua frente, ela era filha de Dayse, a renegada.

- Conheço bem o caminho, creio que a viagem será um pouco longa. – os músculos dele retorciam e ansiavam pelo sangue da mulher, e sua mente batalhava com seu lado sensato em prol de fazê-lo desistir de não arrancar a vida dela.

- Tudo bem, mas se não for incomodar eu necessito ir-me o mais rápido o possível, minha mãe deve estar aflita. – ela pediu colocando a taça em cima de um aparador qualquer ao seu lado, Brian fez o mesmo e aproximou-se mais um passo da garota.

- Perdão pela audácia, mas não pude deixar de notar essas belas sardas rosadas que banham teu rosto. – ele disse apalpando o rosto quente da menina e seu coração, por incrível que pareça, bateu mais rápido, se é que ele pudesse bater.

- Ér, obrigada. – agradeceu sem jeito corando e Brian levantou o queixo da menina com uma das mãos fazendo-a olhar em seus olhos.

Ele aproximou seus rostos lentamente e então pousou seus lábios gélidos sobre os dela, desceu uma trilha de beijos pelo maxilar e finalmente chegou a jugular, lambendo o local e fincando suas presas alia. Sheryl urrou de dor enquanto desfalecia nos braços de seu assassino.

- Sabe Betsy, ainda me pergunto por que é que naquela noite senti a presença de um vampiro a casa do Sanders. – Kristell dizia a sua amiga enquanto admiravam a paisagem sentadas no quintal de sua casa.

- Já lhe disse Kritell, era apenas James, vive perambulando por vilarejos.

- Eu deveria tê-lo matado. – murmurou entredentes.

- Não entendo Kristell, você disse-me que sente a presença de vampiros, não poderia sentir a presença dos mesmos se houvesse algum no vilarejo?

- É mais difícil do que parece, preciso me concentrar para rastreá-los, há um mês não paro para rastreá-los, do mesmo modo que há um mês não me alimento.

- Não se alimenta, como assim? – Betsy estava surpresa.

- Sabes que sou metade vampira, e essa metade precisa de sangue, mas não, eu não me alimento de humanos, muito menos de animais, tomo o sangue de vampiros, a propósito irei rastreá-los está noite, então não se assuste se não me encontrar pela manhã em casa. – a ruiva balançou os cabelos no ar e sorriu perversamente, mostrando seu lado severo para a amiga.

- Por favor, tente não devorar o Zachary. – Betsy pediu olhando piedosamente para a amiga.

- Tentarei, mas não serei dona de meus atos se ele se meter em meu caminho. – a anja-caída suspirou pesadamente e por um minuto pensou em rezar por Zacky, mas com certeza de nada adiantaria Deus não vela por demônios, muito menos atende aos pedidos de traidores.

- Mas pense duas vezes antes de devorá-lo.

- Está bem Betsy, eu cuidarei para que seu amado não se machuque apesar dele ser repugnante para mim. Agora o que não entendo, é porque não fostes falar com ele.

- Ainda não estou pronta para conviver com um demônio, talvez nunca esteja.

- Eu sinto tanto por tudo Betsy. – Kristell a abraçou de lado.

- Graças a... a uma força superior, eu te tenho como amiga. Não sei o que seria de mim sem teu apoio. – elas sorriram e continuaram a admirar o céu que estava chamuscado de nuvens cinza.

As duas viram ao longe Theodore se aproximar, ele era um anjo-caído, assim como Betsy e havia perdido suas asas para poder ficar com sua amada Dayse. Eles estavam juntos havia dois anos e Dayse não sabia o que ele era, e nunca aceitou seus pedidos de casamento, ela não achava que ele merecia o desgosto de tê-la ao seu lado.

Theodore estava ajudando Betsy em seu pesadelo de ser uma recém anja-caída, embora está já não se martirizasse tanto por ter traído os seres que tinha além de sua sabedoria.

Ele andou em direção as meninas no jardim admirado em quão radiante Betsy estava, pensou que a pobre garota não superaria tão cedo a perca das asas, ele demorou mais de dois meses para se recompor.

- Olá Theodore. – elas disseram em coro.

- Como estão moças? – perguntou beijando as costas da mão das duas.

- Bem e o senhor? – respondeu Betsy por ambas.

- Ótimo. Vim encontrar-me com sua mãe, nos vemos mais tarde. – ele disse e saiu andando em direção a casa.

- São belas não são? – James disse apontando para as cicatrizes expostas em seus braços e peito.

- Sim, mas ainda sim, prefiro as minhas. – rebateu Matthew olhando para seus músculos desenhados – Não entendo como cicatrizes podem ser tão bonitas.

- Na verdade não são bem cicatrizes, são como marcas feitas pelo Diabo, ele as desenhou em seu corpo marcando-o como um demônio. – nenhum dos dois sabia ao certo distinguir os desenhos.

Matthew tinha uma caveira alada desenhada no centro do abdômen e os braços cobertos por outros desenhos, James tinha algemas no pescoço e mais alguns desenhos espalhados pelo corpo. Todos os vampiros tinham suas próprias cicatrizes, ou melhor, desenhos, marcas definitivas feitas pelo demônio enquanto passavam pela fase de transição.

- E o que teremos para hoje à noite? – perguntou Matthew indo para o bar de sua mansão e despejando whisky num copo.

- Um mês é o suficiente de treinamento, hoje começaremos nossa matança no vilarejo ao lado do de Aurora. – o vampiro tinha um sorriso maroto nos lábios.

- Gostaria que Brian estivesse aqui conosco.

- Em breve ele estará, e eu não me engano ao dizer isso.

Os vampiros habitavam a mansão de Sanders, a mãe dele faleceu no mesmo dia em que ele recebeu o sangue de vampiro em seus lábios, ele, porém não compareceu o enterro, pois se não seria capaz de devorar o padre.

A legião de vampiros que seguia James se alimentava todas as noites em regiões distantes ao vilarejo, perambulavam junto ao seu criador pelos arredores da cidade numa espécie de treinamento para controlarem seus instintos. Não queimavam no sol como em muitas história contadas, talvez por isso a população nem se dava conta dos demônios que os cercava.

- Onde estão Zachary e Johnny? – perguntou o mais velho.

- Disseram-me que sairiam para comprar mais vinho, aqueles dois viciaram na bebida a base de uva. – os dois riram.

- Espero que estejam de volta antes do anoitecer, irei arquitetar todo o plano de invasão para eles. – o os olhos de Matthew brilharam.

- Acredito que nosso primeiro ataque a um vilarejo merece comemoração! – ergueu um copo de whisky para o amigo e os dois brindaram.

Kristell colocou em cima da cama as roupas e armas que usaria esta noite, um vestido preto de couro brilhante justo ao corpo e que ia até a metade das coxas. Ela mesma havia mandado o alfaiate fazer, disse a ele que usaria como peça debaixo e o mesmo aceitou a história. Usaria cinta liga e uma bota preta de cano longo, todo esse visual apenas para esconder-se nas sombras e ter mais mobilidade.

As armas não eram tantas, uma pequena adaga de prata com sua inicial cravada que ela prenderia na coxa e um conjunto pequeno de estacas de madeira apenas para enfraquecer o inimigo. Ela gostava de mata-los com seus golpes mesmo, ou apenas deliciando-se do sangue dos mesmos.

- Nossa nunca vi dessas roupas, nem mesmo nas mulheres que frequentam o bar do Stunley. – disse Betsy enquanto via a amiga já pronta.

- Eu sei realmente pareço uma vagabunda, mas é esse o alvo fácil de vampiros, não há melhor jeito de atraí-los. – ela sorriu ajeitando o cabelo vermelho liso para trás, pelo menos não precisava fazer aqueles cachos irritantes para sair à noite.

- Desejo-lhe boa sorte em sua caçada amiga e, por favor, lembre-se de deixar Zachary vivo. – a outra disse enquanto a amiga se preparava para pular a janela.

- Oh, eu me lembrarei disso. – lançou um beijo no ar e pulou caindo nos arbustos.

Correu para as árvores longe de sua casa e lá se concentrou em seu ritual, localizando quatro vampiros dirigindo-se para o vilarejo ao lado do de Aurora. Sorriu perversamente e sem pressa começou sua caçada, caçada que levaria um bom tempo por sinal, mas ela não precisava ir rápido, na verdade, gostava de apreciar o rastro de suas presas.

Notas finais
Eae gostaram? Deixem comentários!
Fiquem ligados, logo mais postarei história nova dos garotos aqui no nyah em parceria com a bru_mcr *-* chamará "Erase This" espero encontrar vocês por lá, mas avisarei vocês aqui quando postar!
Beeeijos ;*