Dhampir
8 Torturando o Inimigo
Notas iniciais
Boa leitura!
- Para a primeira noite até que se saíram bem! – James exclamou para os garotos enquanto Johnny terminava com a última mulher do vilarejo.
- Ainda me forço a acreditar que destruímos um vilarejo em algumas horas do começo da madrugada. – Matthew murmurou limpando os cantos da boca.
- Meus caros, por serem novos nisso, perdem o melhor da caçada...
- O que James? – perguntou Zacky curioso.
- A dor. – todos se entreolharam e ele logo entendeu que de nada compreendiam – Sempre estão tão preocupados em sugar o sangue de suas vítimas que se esquecem de olhá-las nos olhos, de sentir tuas emoções, pelo menos alguma vez tentem se concentrar nos sentimentos das vítimas... Dor, dor preenche o ser de todas elas, e o desespero é mais saboroso que o sangue em si.
Mais uma lição aprendida com o grande Sullivan, os recém-criados o veneravam, era como Deus próprio deles. Partiram para a saída do vilarejo, com o corpo repleto de sangue novo, com a virilidade tomada ainda pela fera que habitava cada um deles.
Johnny ficou um pouco para trás, preocupado em verificar se suas vestes estavam sujas de sangue... Apenas alguns botões da camisa e os punhos da mesma, mais uma roupa que teria de jogar fora, pensou consigo mesmo.
Ele estava distraído demais quando foi atacado. A mulher nem se limitou em esconder o rosto, apareceu para que ele visse seus olhos totalmente negros, até a parte branca... E de repente ele a sentiu enfiar as presas em seu pescoço.
A alegria de Kristell durou pouco, pois logo sentiu seu corpo ser arremessado longe do vampiro que atacava, obviamente por um dos três que seguia mais a frente. Ela não se importou, agora já estava abastecida com o sangue que precisava, levantou-se e encarou a legião de vampiros movimentando-se até ela... Viu Matthew.
Por um minuto sua respiração falhou, e notou que ele estava com os olhos arregalados... Como ela, Matthew havia tomado um grande susto, ver sua pequena Kristell, sua adorável amada, tão feroz... Ele estava excitado pelo perigo que ela tinha se tornado.
A dhampir voou num chute alto contra o peito de Zachary o arremessando para o outro lado da trilha em que estavam, retirou a adaga e cravou no coração de James, sabia que isso não o mataria, mas retiraria suas forças por alguns minutos e isso era tudo que precisava...
Andou com passos dançantes até Matthew que observava tudo alheio, com o real medo pairando sobre ele. Sem esperas ela aplicou um golpe a fim de desmaiá-lo o golpe era entre sua clavícula e o pescoço. Para arrematar, enfiou uma estaca no pulmão de Zachary que em segundos estava ao seu lado, recuperado do arremessamento.
Pegou o corpo do grande e colocou-o sobre seu ombro, ele era pesado, mas não o bastante para ela que aguentaria mais um dele sobre si... Não satisfeita enfiou uma estaca no ombro de James também, tentando mantê-lo ocupado por um longo tempo.
Seguiu o caminho de volta ao vilarejo de Aurora, mas não para casa, e sim para seu esconderijo, o lugar onde apreciava sua caça...
Brian não sabia por quantas horas esteve ao lado da garota morta, ela estava jogada sobre o tapete da sala e ele sentado ao lado dela com a cabeça entre as mãos, nunca havia experimentado um sabor tão bom quanto dela, um sabor tão... Humano.
Ele queria enterrar-se em si próprio, queria não ter matado a pobre garota... Queria apenas lhe dar a vida que tinha, ressuscitá-la com a alma que não possuía, agarrou os cabelos negros bagunçando-os e virou-se para a moça repousando as mãos sobre os cabelos dela.
Viu-se debruçado sobre ela e sua face roçando na dela, sentindo a gelidez de sua pele morta, olhou de novo para a face da garota admirado com tanta beleza “Ela teria filhos lindos” pensou dentro de sua mente solitária, “Ela podia ser a mãe de meus filhos” completou rindo, vampiros não podiam ter tal sonho.
Fitava os olhos fechados dela, implorando para que ela os abrisse, implorando para ver o mar de chocolates de novo, querendo ver o tom harmônico das sardas rosas contrastantes com seus olhos marcantes... E como em um milagre ela se mexeu sob ele e lentamente foi abrindo os olhos. Brian pulou para trás.
- O que passas? – perguntou Sheryl olhando para o homem, ele permaneceu em silêncio, e nesse silêncio ela recobrou a breve memória de horas atrás – Tu me mataste! – exclamou estupefata pulando para trás afastando-se do homem.
- E como estás viva? – perguntou ainda sem expressão, pois o susto levado o deixará com a face paralisada.
- Assassino! – ralhou enquanto levantando-se e batendo a mão pelo vestido empoeirado – Ainda tens a audácia de perguntar-me como estou viva? Pergunte a Deus ele deve ter respostas à tua pergunta. – os olhos da morena fitavam o vampiro.
- Deus não teria clemência por tua alma, ou melhor, tu nem alma possuístes. – apareceu um homem vindo de fora, na porta.
- Dominic? – perguntou Brian arqueando uma das sobrancelhas.
- Sim sobrinho sou eu, e lhe esclarecerei sobre o recém “milagre” que tu achas que presenciou. – o homem de cabelos negros iguais aos do vampiro, mas, porém com os olhos de um mel encantador, disse dirigindo-se a Brian.
- E você garota, trate de escutar o que tenho a dizer para ele, ajudarás também a entender porque ainda estás viva. – Sheryl deu passos para trás batendo com as costas no armário que abrigava as porcelanas da casa.
- Tio, o que fazes aqui?
- Vim pegar um quadro antigo, e deparei-me com a cena. – mentiu Dominic, o mesmo já previa todos os fatos que haviam acontecido na mansão.
- E o que tens a me dizer sobre a mor... Sobre Sheryl?
- Temos uma súcubo aqui Haner. – o tio mostrou um sorriso nos lábios enquanto via a morena seduzida por seus olhos.
Kristell organizou a coleção de estacas de madeira sobre a primeira mesa que tinha em seu galpão afastado de todo o vilarejo, no meio da floresta, depois limpou sua adaga que continha o sangue de James.
Apoiou-se na mesa contemplando o rosto do vampiro desacordado... Matthew estava sentado sobre a cadeira de madeira que era fixada ao chão, além de possuir os pulsos presos à cadeira com amarras de grosso metal, as mesmas amarras prendiam seus tornozelos.
Sorriu observando o lugar que havia conseguido no meio do mato afastado de tudo, de qualquer civilização que pudesse ouvir os gritos do torturado... Ela encontrou um galpão abandonado sem querer, e deu-se o trabalho de fixar a cadeira no chão e arrumar as algemas de ferro nos pés e braços dela.
O vento uivava lá fora e estremecia as paredes de madeira, o lugar era precário, assustador... E Kristell adorava isso.
Matthew deu seus primeiros sinais de que acordaria remexendo-se na cadeira e um sorriso abriu-se nos lábios dela, andou sorrateiramente até o homem e apoiou-se nos joelhos, saltando os seios para fora e encarando seu rosto próximo ao dele.
Ao abrir os olhos, Sanders deparou-se com um par de esmeraldas o encarando e pulou na cadeira, sendo segurado por seus pulsos e tornozelos que estavam presos... Feito um imã seus olhos foram para o decote da moça e ele instantaneamente salivou.
- Kristell... – sussurrou com o medo sufocando-o.
- Não, não... Para tu, Srta. Kristell exijo respeito! – ela sorriu fazendo o estremecer e voltou o dorso de seu corpo para trás na posição normal.
- O que queres comigo?- perguntou puxando os pulsos do que impedia seus movimentos, suas mãos fecharam-se em punho.
- Apenas algumas perguntas... – ela foi até a mesa e pegou uma pequena e fina lança de madeira, bem pontiaguda – Quem é seu criador? – perguntou próxima dele e o mesmo manteve os lábios reprimidos em uma linha fina.
- Não sei. – respondeu transmitindo a mentira por seu olhar.
- Mentiroso. – ela rasgou sua coxa com a estaca e ele urrou de dor – E agora, dirá a verdade? – ela olhou em seus olhos que passavam um pavor imenso.
- Deixe-me embora. – pediu suplicante e ela riu.
- Não mude de assunto Sr. Sanders... Irás ou não dizer a verdade? – perguntou segurando outra estaca, mais grossa, em suas mãos ele permaneceu em silêncio – Interpreto teu silêncio como um desafio a minha pessoa...
Ela andou até a ele e brincou com a estaca jogando-a para o alto, ele tremia de vê-la tão diabólica, ao mesmo tempo em que queria desfazer-se daquelas amarras e pega-la em seus braços amando-a intensamente.
Sem clemência a madeira foi enfiada em seu abdômen atingindo o estômago dele, ele gritou mais ainda de dor enquanto retraia-se na cadeira, Kristell tinha se tornado o mais belo pesadelo que um homem, ou melhor, vampiro pode ter.
- Eu ainda não consigo entender o que te aconteceu... – ele murmurou com a nostalgia atingindo-lhe o cérebro.
- O que me aconteceu? – Kristell perguntou enquanto escolhia qual das estacas usar.
- Lembra-se do tempo em que corríamos pela mata? Do tempo em que éramos amigos... Diga-me o que eu lhe fiz, o que te levou para tão longe de mim? – Matthew perguntou encarando-a enquanto a mesma continuava de costas para ele contendo as emoções que ele trazia a tona.
A dhampir voltou para si com um nó enchendo a garganta, sentia-se uma tola por ter se afastado do homem que antes era seu grande amigo... Mas garotas da idade dela na época cometiam as piores besteiras, e afastar-se de Matthew foi uma das dela.
Respirou fundo e pegou qualquer estaca nas mãos, precisava se recompor após o breve momento de lembranças...
- Eu faço as perguntas aqui... Repito quem é seu criador? – ele não tinha conhecimento sobre o olhar que ela lhe lançava.
- Queria tanto poder voltar ao que éramos. – consumida pela rajada de sentimentos, pela raiva do destino tê-lo transformado em vampiro, ela enfiou a estaca em seu ombro, ele gritou mais uma vez.
Ela virou de costas sem poder olhar nos olhos dele, sem querer ouvir a respiração ofegante, e o enfraquecimento de seu corpo... Maldita hora que ela o escolheu para a fase de torturas.
No fundo Kristell tinha consciência de que ele foi o escolhido, pois parte de seu corpo, a humana, queria ter mais um momento com ele, mesmo que fosse o último, mesmo que fosse breve... A garota precisava ter a presença dele ao lado dela mais uma vez.
- Ainda tento raciocinar sobre como deixamos chegar a esse ponto. – a voz rouca e fraca dele era torturante aos ouvidos dela, que seguiu para a mesa tentando escolher outra estaca.
- Kristell! Você precisa vir comigo, é a mamãe, ela teve um... Ataque cardíaco! – Loiran entrou apavorada no galpão fazendo o coração da outra disparar.
- Oh meu Deus! Já vou indo, espere-me lá fora! – ela pediu para a irmã que lançou um olhar curioso ao torturado e logo abriu a boca surpresa identificando Matthew, mas preferiu calar-se.
Ele viu a mulher se aproximar de seu corpo, a mesma retirou as estacas que perfuravam seus músculos, e a cada estaca foi presenteada por um gemido abafado de dor.
Depois observou ela rasgar o próprio pulso e estender para ele, no início ele pensou em rejeitar, mas antes que pudesse suas presas cravaram-se no pulso da moça que o retirou de sua boca quando não queria mais ser sugada. O sangue dela era amargo, mas ainda assim tinha a parte humana que refrescava o corpo fraco de Sanders.
Ela apenas fez isso porque o queria acordado para quando voltasse... Porém subconscientemente, havia o feito, pois não teria coragem de deixa-lo naquelas condições assim que partisse.
Sheryl era uma súcubo e só agora podia entender o porquê de todos os sonhos estranhos, e a sensação de vigor ao acordar... Ela matava pessoas durante a noite.
Dominic deixou Brian e ela sozinhos na sala, num breve minuto de silêncio. Agora com tudo esclarecido ela já não tinha tanto medo do vampiro, ele era um demônio, como ela.
- Peço mil desculpas pelo o que lhe fiz. – disse o homem quebrando o silêncio.
- Tudo bem, creio que consigo entender-te agora. – um sorriso pairou no rosto da morena.
- Consegue? – perguntou aproximando-se dela de modo que pudesse tocar sua bochecha.
- É... pensando bem, já matei vários homens, enquanto eu fui sua primeira vítima... Não se sinta culpado, eu sou a assassina aqui. – nos olhos dela lágrimas queriam sair – Pois bem, preciso ir-me será que tu poderias levar-me?
Brian estava fascinado nos contornos angelicais do demônio em sua frente, ela era filha de Lilith “E que filha...” pensou consigo mesmo antes de atacar os lábios dela. No início Sheryl se reteve, mas bastou suas línguas se entrelaçarem e ela deixou que seus instintos a guiassem.
Ele apertou a cintura dela por cima do vestido e a trouxe para perto... Enquanto a mesma enfiou a mão por debaixo dos cabelos negros do moço, encontrando a nuca descoberta dele. Separaram-se por um momento e olharam um ao outro ofegantes.
- O que foi isso? – perguntou o homem já retirando as mãos da cintura dela, mas a mesma o trouxe mais para perto o apertando num abraço.
- Te ajudarei, venha comigo para Aurora e eu te ajudarei... – ele sentia segurança nas palavras dela, segurança que nunca um outro alguém lhe proporcionou.
- Um belo casal devo admitir. – disse o íncubo aparecendo na sala novamente fazendo com que os dois se soltassem e olhassem para Dominic – Queres que eu leve-te para Aurora comigo? – perguntou esbanjando um sorriso digno de prêmio.
- Não será necessário, eu a levarei. – afirmou Brian fazendo com que Sheryl o encarasse.
- Certo... Vemo-nos pelo vilarejo qualquer dia desses. – ele se aproximou e beijou as costas da mão da moça, apertou a mão do sobrinho e saiu.
Sheryl sempre seria grata ao homem que lhe contou sua verdadeira identidade, ela mal podia esperar para contar à irmã... Sabia que a mesma ficaria mais transtornada do que qualquer outro, mas mesmo assim merecia saber a verdade.
Brian saiu para aprontar os cavalos, arregaçou as mangas da camisa para mais mobilidade e de repente deparou-se com a garota o observando ao longe, ele sabia que ela estava fascinada com os desenhos em seus antebraços... Desde que se tornou vampiro adquiriu estas marcas, marcas que eram permanentes a qualquer tipo de lavagem.
- São bonitas. – disse passando a mão nos desenhos, quando já estava ao seu lado – Tenho uma também...
- Tens? – perguntou intrigado.
- Tenho, mas não é colorida como as suas muito menos cheia de desenhos... – ele parou de arrumar os cavalos e voltou-se para ela, enrolando uma mecha do cabelo longo entre os dedos.
- Como é então? – ela levou a mão dela para a dele e tocaram-se os dedos.
- É uma cruz invertida. – disse umedecendo os lábios.
- Onde? – ela se aproximou dele deixando a boca a milímetros da do outro.
- Seria perversão de minha parte contar-te. – um sorriso malicioso tomou conta no rosto dela e a mesma virou-se e saiu andando.
Brian observava o corpo da morena mover-se para a mansão, ele apenas conseguia pensar na cruz invertida e em como descobriria em que lugar ela se encontrava... Ele poderia despi-la com os olhos, mas ainda sim não sabia onde a marca estava. E a ideia de descobrir parecia tentadora.
Notas finais
http://www.fanfiction.com.br/historia/173403/Erase_This
É em parceria com uma das minhas leitoras, e agora escritora favorita, então por favor, deem uma passadinha lá!
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