Dezessete e... Grávida?
15 Capítulo Quinze
Notas iniciais
POV Christian
Algumas horas antes...
A cada passo que eu me aproximava mais da sala de tv, onde se encontrava minha mãe e meu pai vendo algum programa favorito deles na televisão, sentia o meu coração acelerar e minhas mãos suarem frio. Mas eu tinha que contar logo. E eu ia contar.
Minha mãe levantou a sua cabeça que estava encostada no peito do meu pai e quando me enxergou, a sua boca se abriu como se tivesse surpresa por me ver ali.
"Carrick, querido! Eu estou vendo mesmo o Christian em casa ou é uma miragem?"
"Estou surpreso tanto quanto você, querida." ele entrou na brincadeira dela também.
"Vão lá, fazem brincadeira a vontade, porque depois que eu contar uma coisa, duvido muito se vão continuar com essas piadinhas." eu falei, sorrindo dessa vez e assistindo o sorrisinho no rosto deles morrerem pelo caminho.
"O-o que você quer dizer com isso, Christian?" minha mãe perguntou, franzindo a sua testa e já ficando em alerta.
Eu olhei para os dois, respirando fundo e enfiei minhas mãos dentro do bolso da minha calça.
Era agora.
"Para com esse suspense, garoto! Quer nos matar do coração?" meu pai falou sério.
"Eu... Hum, meio que engravidei uma garota!" eu fiz uma careta.
"Você o que?!"
"Ai meu santo Deus!"
Os dois falaram juntos ao mesmo tempo. Minha mãe levou sua mão próximo ao coração e abriu a sua boca, surpresa, mas dessa vez a reação era pra valer. Meu pai não sabia se rendia a esposa ou se me olhava ou se tivesse a reação dele própria, o homem estava dividido.
"Que brincadeira é essa Christian? Você ficou maluco?" meu pai falou, seu tom seriamente bravo comigo.
"Ele não está brincando." Elliot falou se aproximando da gente e eu olhei para ele. Meu irmão parou do meu lado, me olhou e depois olhou para os nossos pais."A garota está mesmo grávida!"
"Céus... E-eu nem sei o que falar... Eu estou sem reação, meu Deus!" minha mãe levantou as suas mãos. "Por favor, Christian, só não me diga que é aquela garota Sydney?"
"O que tem de errado com ela?" eu cruzei os meus braços, como se tivesse defendendo Sydney, só para ter mais um gostinho de provocar minha querida mãe.
"Isso é pior do que eu pensava." meu pai murmurou, balançando a sua cabeça."Você tem uma gaveta de camisinha dentro do seu quarto, qual a merda do seu problema Christian?"
"Ele está brincando, gente. Não é Sydney, certo Christian?" meu irmão falou, virando-se para mim.
"É, se acalmem." eu bufei, concordando com ele. "Não é Sydney, ok? É uma outra garota."
"Que garota é essa? Eu a conheço?" minha mãe perguntou.
"Cheguei família!" Mia falou alto, chamando nossas atenções quando eu ia responder, fechando a porta de entrada e deixando suas bolsas de compras no chão. Ela caminhou até onde estávamos e percebeu que o clima não estava pra sorrisos. "Nossa, que caras são essas? O que aconteceu?"
"O seu irmão aconteceu, Mia. Você vai ser titia!" meu pai respondeu ela, seu tom irônico no final.
Mia tampou a sua boca com as próprias mãos e arregalou os seus olhos, me olhando.
Ótimo! Que bom que agora todos vocês sabem..."
"Quem é a garota, Christian? Responda a minha pergunta!" minha mãe me cortou.
"Ana. Seu nome é Anastásia. Amiga de Katherine." eu respirei fundo.
...
Depois daquela inesperada notícia que eu lancei nas mãos da minha família, percebi que o melhor que eu poderia fazer naquele momento era dar tempo a eles pra deixar até que se acostumassem a com nova realidade que todos nós teriam que encarar a partir daquele dia em diante. Eu subi de volta para o meu quarto, precisando ter o meu tempo também, até que poucos minutos depois, Elliot bateu na minha porta com uma outra notícia: aniversário de Ana.
Eu não entendia porque ela não deixou que eu soubesse que era o seu aniversário quando nos falamos mais cedo na escola. Eu realmente estava pensando que estávamos bem depois daquele acontecimento na biblioteca, mas talvez eu estivesse errado porque é simplesmente um enigma entender as mulheres, principalmente e especificamente uma chamada Anastásia.
Eu definitivamente era a pior pessoa do mundo pra essa tarefa de entender as mulheres e simplesmente não me entendia porque eu ainda continuava insistindo, continuava passando por cima do meu orgulho. Por que eu não conseguia tirá-la do meu sistema? Por que eu não podia simplesmente gostar de uma dessas outras garotas que sempre estão disponível quando eu quero foder? Por que eu tive logo que cismar com a garota mais marrenta e complicada do mundo?
Eu sabia tinha que deixá-la seguir em frente, mas céus, por que era tão difícil? Por que eu tinha que sentir uma espécie de obsessão por ela? O que aquela garota tinha? Ou melhor, o que ela me fazia sentir? Eu deveria ser mesmo um masoquista ou algo do tipo, porque em algum lugar dentro de mim, gostava muito daquilo.
Talvez por isso que eu era um filho da mãe egoísta. Pois, é. Egoísta demais para merecê-la e mais ainda para conseguir deixá-la livre.
Contudo, ainda sabendo que não deveria fazer, novamente eu passei por cima do meu orgulho e quando dei por mim já estava arrancando com o meu carro da garagem e indo até onde ela estava, depois de exigir que Elliot me desse mais informação.
...
Depois que Ana mexeu em seu celular, observei que ela ficou distante, nervosa e cismada, olhando para todos os lados. Eu insistir em perguntar se havia acontecido alguma coisa por causa do seu silêncio repentino e o rosto pálido, mas Ana apenas me deu uma de suas respostas curtas e grossas, depois respirou fundo, me pediu desculpas e que eu a levasse de volta.
Eu estava a caminho de voltar para o meu carro logo depois que deixei Ana no restaurante e decidir ir abastecer o carro no posto de gasolina próximo dali e passei na loja de conveniência para comprar alguma coisa pra comer, quando escutei barulho de passos no chão como se tivesse me perseguindo e em seguida chamar pelo meu nome como um sussurro.
"Christian?"
Eu olhei para trás e por uma fração de segundos, vi a imagem de Leila parada de baixo da luz do poste apenas poucos centímetros longe de mim, seus cabelos bagunçados e os olhos borrados de maquiagem, me olhando. Eu franzi os meus olhos para ter certeza do que estava vendo e dei dois passos para frente, mas assim que fiz isso, um carro passou na minha frente e quando o caminho estava livre de novo, não sequer um rastro mais dela naquele mesmo lugar. Eu ainda olhei para os lados procurando por Leila, mas ela já tinha ido, então andei de volta para o meu carro em passos largos e quando já estava dentro dele, o meu celular acendeu com uma mensagem.
"Por que não eu? Por que não a gente?"
...
POV Anastásia
Eu poderia suportar qualquer mensagem me ameaçando, mas desde que li aquelas malditas palavras e entendi que não se tratava mais de mim e sim de mais uma outra ameaça e dessa vez diretamente para o meu bebê, cada gota de sangue do meu corpo gelou. Eu olhei para todos os cantos, suspeitando até mesmo da minha própria sombra porque se alguma coisa acontecesse com o meu filho, eu nem gostaria de imaginar o que seria de mim. E aquilo não podia mais ser tratado como um descaso, já estava ficando sério e eu tinha que pôr um fim o mais rápido possível. E pensando assim, pedi para Christian me levar de volta para o restaurante. Nós dois não nos falamos mais depois e nem durante o caminho, eu sem querer agir grosseiramente com ele e depois me arrependi e o clima ficou estranho mais uma vez entre a gente.
Eu assumia que a culpa era toda minha dessa vez, mas eu só tinha ficado nervosa na hora e com raiva, porque era apenas por causa dele que aquilo estava acontecendo. Mas enfim, Christian me deixou em frente ao local e uma vez que eu estava de volta, pedi ajuda para Kate e ela me prometeu que o seu irmão iria descobrir já que ele é bom nessas coisas de rastreamento e etc.
O restante da noite foi agradável, Kate praticamente me proibiu de tocar em meu celular outra vez e não ficar pensando sobre a mensagem para não estragar o pouco que ainda restava de horas do aniversário.
...
No outro dia seguinte, já na escola, eu estava conversando com Kate sobre o mesmo assunto porque simplesmente não conseguia parar de pensar e especulando sobre as possíveis exes de Christian da escola, que poderia estar por trás daquilo, quando Sydney passou por nós duas e curvou a sua cabeça para trás, mais precisamente em minha direção e me olhou de cima em baixo, como se fosse algum tipo de aviso e aquilo não saiu mais da minha cabeça.
"É ela, com certeza!" eu falei para mim mesma, absorta com os meus pensamentos.
"Oi? O que você falou, Ana?" Kate perguntou, franzindo a sua testa. E poucos segundos depois, estava vindo correndo atrás de mim e entrou na minha frente. "Ei, o que você está fazendo? a onde está indo?" ela virou a sua cabeça na mesma direção para onde Sydney estava, próximo a entrada do vestiário feminino. "Você acha que pode ser ela?"
"Você não viu o modo como ela me olhou?"
"Tá. Mas qual é o seu plano? Ir até ela e arrumar briga? Está doida? Você não pode brigar."
"Eu só vou deixar um aviso a Sydney pra não atravessar o meu caminho." eu respondi e passei por Kate, sentindo o meu sangue ferver a cada passo que me aproximava mais de Sydney. O sinal da primeira aula tocou assim que eu pisei para dentro do local e Kate teve que ir para a aula dela, então só foi eu e a minha raiva deixar um recado para Sydney.
Ela entrou para dentro do vestiário e eu a seguir. Algumas meninas do time das cheerleaders me cumprimentaram, mas eu só tinha olhos e foco numa única pessoa. Quando Sydney abriu a porta do seu armário, eu coloquei a minha mão no meio e fechei com força, encarando-a.
"Ficou doida garota? Você quase prendeu a minha mão junto!" ela deu dois passos para trás.
"Eu quero falar com você." eu falei, sem rodeios.
"Não temos nada pra conversar. Você ficou doida, só pode!" ela me deu as costas e começou a mexer em sua mochila em cima do banco de ferro. "Ah, já sei! você está se remoendo só porque eu substituir o seu lugar no time?" ela se virou para mim de novo, com um sorrisinho cínico em seus lábios. "Não fica assim não, Steele. Soube que estresse não faz bem para a criança."
"Vamos meninas! Quero todos lá fora em menos de cinco minutos!" a treinadora avisou, batendo na porta e saiu depois.
Sydney deu a volta pelo o outro lado e eu a segurei pelo ombro, entrando em sua frente.
"Você já soube da nova notícia obviamente e sabe que Christian é o pai do meu filho, assim como eu também sei que vocês estão juntos ou sei lá o que, enfim, só quero deixar claro que eu realmente não me importo com nenhum dos dois, mas agora não tente se meter comigo e muito menos com o meu filho, Sydney, se não você vai se arrepender."
Ela sorriu, como se duvidasse da minha capacidade e tirou a minha mão de cima de seu ombro, passando por mim em seuida, como se nada tivesse acontecido. Quando eu me virei, encontrei as mesmas meninas que me cumprimentaram, olhando para nós duas. Eu respirei fundo e fui embora dali.
...
Kate estava certa. Eu não podia brigar. Não que havia sido realmente uma briga, mas toda aquela tensão com Sydney, tinha sido o suficiente para me deixar nervosa e com o meu coração disparado.
Sydney tinha praticamente admitido que quem estava por trás daquelas ameaças era ela e eu queria fazer alguma coisa para me vingar, mas pensei e acabei por decidindo que o melhor a se fazer seria esperar pelo momento certo. Porque eu também não queria fazer nada que desse a entender que estava brigando por causa de Christian, porque eu não estava mesmo.
Nunca que eu iria sair nos tapas com alguma garota por causa de homem e especialmente se é logo um chamado Christian Grey, porque isso inflaria o seu ego num tamanho insuportável.
O meu celular vibrou em meu bolso com uma mensagem de Kate aparecendo na tela.
"E ai? Você está bem?"
"Estou me sentindo ótima!"
"Até parece. Eu te conheço Ana. O que sua mente diabólica está planejando?"
"Nada, por enquanto. Mas não vamos pensar nisso, um problema foi resolvido mas eu ainda tenho mais outros para se ocupar."
"Hum, certo. Depois conversamos."
"Ok. Tchau."
Eu desliguei o meu celular e abaixei a minha cabeça para baixo pra guardá-lo dentro da minha bolsa, enquanto ia andando em direção para a sala que eu ia ter aula, quando o meu corpo bateu em outro corpo e eu dei dois passos para trás.
"Ai meu Deus, descul..." eu olhei para cima e encontrei com aqueles conhecidos pares de olhos já me olhando também. "Matteo?"
"Oi." ele me respondeu, sem demonstrar qualquer emoção em sua voz. "Foi mal, eu não te vi."
"Tudo bem, não foi nada demais." eu sorri fraco e balancei a minha cabeça.
"Certo..." ele respirou fundo e desviou os seus olhos do meu. "Acho melhor eu ir então..."
Eu fiquei em silêncio e mais uma vez, concordei balançando a minha cabeça e desejando com todas as minhas forças enfiar a minha cabeça num imenso buraco por causa daquele clima completamente embaraçoso. Eu não sabia por que, mas me sentia como se devesse a ele alguma explicação ou pelo menos desfazer todo e qualquer mal entendido que ficou entre nós dois desde aquele dia. Nunca foi a minha intenção dar falsas esperanças a ele ou iludi-lo, e era por isso que queria me explicar.
Matteo passou por mim e eu olhei para trás, olhando ele se afastar até que sumisse do meu campo de visão. E quando me virei de volta, Christian bateu com certa força a porta do seu armário e passou no outro lado do corredor, não olhando pra mim em nenhum momento. Eu respirei fundo, passei a minha mão em cima da minha barriga e murmurei "que você não seja tão complicado como os seus pais, bebê."
Quando entrei na sala de aula, a professora reclamou do meu horário, mas mesmo assim me deixou entrar e participar da aula. Ninguém estava me dando qualquer tratamento especial só porque estava grávida e por mais estranho que isso poderia parecer, eu gostava porque era o único lugar e momento que não me sentia como uma planta, um ser humano inútil.
...
Já a noite, depois do jantar. Eu tentei ficar na sala, ver um pouco de televisão e comer pipoca como antigamente fazia com a minha mãe, mas eu não aguentei ficar por mais de cinco minutos depois que Ray ligou e os dois iniciaram uma conversa entediosa demais para mim. Parecia estranho se referir ao meu médico pelo seu nome, mas estava trabalhando para se acostumar com a ideia conforme ele mesmo havia pedido para deixar as formalidades de lado quando estivermos fora do seu consultório.
Assim que eu me recolhi para a minha cama e peguei um livro para ler, Kate me chamou para uma chamada de vídeo.
"Acabei de falar com Ethan, Ana. Amanhã ele pode rastrear as mensagens."
"Ah, não precisa mais. Já descobrir que era Sydney."
Kate torceu os meus lábios.
"Não sei não, Ana. Eu ainda acho melhor você contar pra ele."
"Como assim?" eu me sentei na cama. "Você acha que pode não ser Sydney?"
"Olha, eu realmente ainda tenho as minhas suspeitas e se eu fosse você tomava muito cuidado, porque sendo Sydney ou não, com certeza é uma ex e ela não parece estar blefando nas ameaças."
"Acontece que eu não acho que Christian vai querer falar comigo..." eu mordi os meus lábios.
"Por que ele não iria querer falar com você, Steele?" ela levantou as suas sobrancelhas. "O que você já foi fazer?"
"Eu meio que fui grossa com ele ontem." eu fiz uma careta. "Mas depois pedi desculpas, em minha defesa! E hoje na escola, eu acho que ele me viu falando com Matteo."
"Matteo?!" Kate quase gritou. "Por que diabos você estaria falando com Matteo, Ana? Eu pensei que..."
"Céus, Katherine!" eu cortei-a. "Nós dois se esbarramos um no outro e pedimos desculpas, se acalma! Não foi nada demais e nada além de disso!"
"Eu não sei mais o que fazer com vocês dois, é sério!" minha amiga suspirou, como se tivesse cansada. "Eu vou te passar o número de Christian e você vai resolver isso com ele, ok?"
"Eu não vou correr atrás de ninguém, Katherine."
"Anastásia Rose Steele!" Kate aumentou a sua voz exatamente como uma mãe chamando atenção de seu filho.
"Ai tá bom! Não precisa me deixar surda! Me passa logo esse número antes que eu me arrependa."
...
Dez minutos depois...
Tudo bem, eu ia escrever apenas uma mensagem com poucas palavras e depois não criar qualquer expectativa, aquilo não poderia ser tão difícil assim.
Cinco minutos depois...
Eu ainda não tinha enviado a bendita mensagem. Eu estava realmente travada sobre o que mandaria pra Christian, quais as palavras eu poderia usar e se estava mesmo certa em fazer aquilo.
Eu peguei o meu celular em cima do criado mudo e sem pensar mais duas vezes, adicionei o número de Christian e digitei as palavras.
"Oi,
Sou eu, Ana.
Christian, eu acho que devemos conversar. Não foi legal na minha parte ontem com você e sinto muito.
Boa noite."
Dois minutos que passaram depois que enviei a mensagem, Christian visualizou e eu quase não acreditei.Por três vezes eu pensei que ele ia me mandar alguma coisa de volta, mas acabou desistindo e não ficou mais online. E eu nunca que iria admitir em voz alta e para alguém, mas fiquei profundamente frustada e irritada comigo mesma, porque a culpa daquilo, no final, era somente minha.
Fale com o autor