Dezessete e... Grávida?
16 Capítulo Dezesseis
Notas iniciais
POV Christian
"Ai meu Jesus amado! Christian, acorda!" eu escutei de longe a voz de Lindsay chamando pelo meu nome e balançando o meu corpo.
"Hum! Me deixa dormi em paz, garota!" eu murmurei, virando para o outro lado, de costas pra ela.
"Ei, seu abusado!" ela deu um tapa no meu braço, e eu sorrir ainda de olhos fechados, mas o que me fez mesmo despertar de vez e literalmente pular com o meu corpo para fora dali, foi o que ela falou em seguida. "Você está na minha cama ok e sugiro que levanta a sua deliciosa bunda dela agora se não quiser sentir a pressão do sapato do meu pai!"
"Porra, Lindsay! Você falou que os seus pais só voltariam semana que vem!" eu falei, vestindo a minha calça com pressa.
"Fala baixo, seu maluco!" ela gesticulou e atravessou o seu quarto, desfilando com a minha blusa em corpo, para olhar na janela. "Foi o que eles me falaram, não tenho culpa! E coloca essa roupa logo que eles estão entrando!"
"Por onde diabos eu vou sair?" eu perguntei, enquanto tentava me equilibrar em pé colocando o meu sapato.
"Pela janela é obvio!" Lindsay balançou os seus ombros.
"Você só pode estar zoando com a minha cara!" eu gargalhei, sem conseguir acreditar naquela doideira. Lindsay continuou quieta, com as mãos na cintura e eu percebi que não era brincadeira nenhuma, aquela maluca ia mesmo me fazer fugir pela janela e era só o que me faltava! "Nunca que eu vou passar por essa brecha! Sem chances!"
"Querida!" nós dois escutamos a sua mãe bater atrás da porta trancada. "Chegamos! Você está acordada?"
"Vai, Christian, vai!" ela sussurrou e correu para abrir a janela. Eu olhei para aquele minúsculo buraco e não tive nem tempo de pensar no segundo seguinte, porque Lindsay me empurrou pra ela e quando dei por mim, metade do meu corpo já estava praticamente pro lado de fora. "A sua camisa..."
Eu a calei com um beijo, segurando-a pela nuca e quando estávamos quase esquecendo dos seus pais, a mãe dela a chamou de novo e dessa vez forçou a fechadura da porta.
Lindsay me empurrou no mesmo momento.
"Só um segundo, mãe!" ela gritou. "Já estou indo!"
"Deixa a camisa de recordação pra você, sua maluca!" eu falei e pisquei para ela, antes de sair fora de vez daquela maluquisse.
Tinha um jardineiro cuidando das flores e árvores do jardim de uma casa na frente, que quando me viu pulando da janela, parou o seu trabalho e ficou me olhando como se não tivesse acreditando no que estava vendo. Eu abaixei a minha cabeça e andei mais depressa possível até ao meu carro estacionado no outro lado da rua, algumas casas depois da de Lindsay.
Uma vez que entrei para dentro do carro, respirei fundo e comecei a achar graça sozinho, passando minhas mãos pelo meu rosto. O meu celular vibrou dentro do bolso da minha calça e quando o peguei pra ver, tinha mensagens dos meus pais, de Sydney, dos meus amigos e ainda aquela de Anastásia.
Ontem a noite, quando estacionei com o meu carro e logo em seguida chegou em meu celular uma mensagem de Ana, eu não acreditei. Primeiro me perguntei como ela tinha conseguido o meu número, mas a resposta veio rápido: Katherine. E depois pensei que tipo de jogo era aquele. Uma hora ela me afastava, outra hora me deixava se aproximar e então, me afastava de novo e por assim era.
Aquela situação já estava beirando o ridículo. Eu já estava beirando o ridículo. E pra que? Pra Ana ainda pensar que eu não era capaz de ter sentimento? De sentir também?
Eu já estava cansado de ter sentir todas aquelas merdas de sentimentos e de todo o drama incluído no pacote.
Eu desliguei o meu celular, deixei o meu carro e atravessei a rua. Lindsay me recebeu em sua porta de casa antes mesmo que eu chegasse na própria. Ela me puxou para dentro pela gola da minha jaqueta e noite a dentro, me fez esquecer de tudo, de inclusive Ana.
...
"Christian?" minha mãe falou, arqueando as suas sobrancelhas, assim que eu passei pela porta. "Você não deveria estar na escola a essa hora? E por que está sem roupa?"
"Bom dia Grace, pra você também. Como vai o seu dia?" eu fechei a porta atrás de mim e andei até a mesa onde ela estava tomando o café da manhã sozinha.
"Nem adianta mudar de assunto!" ela me olhou de canto de olho e bebericou de sua xícara de café.
"Contratempos, mãe." eu sorri de canto e beijei o topo de sua cabeça.
"Hum, sei bem esses contratempos. Você precisa começar a cria juízo meu filho. Você vai ser pai. Ter um filho requer muita responsabilidade."
"Tá mãe, eu sei ok?" eu peguei uma das maçãs expostas na mesa pra comer e tirei uma mordida generosa. "Conversamos depois, senhora Grey porque agora estou atrasado."
"Só pra você saber, eu estou pensando em fazer um grande almoço no dia de ação de graça pra você apresentar a mãe do seu filho a família, queremos conhecê-la!" ela aumentou a sua voz quando eu alcancei as escadas para subir pro meu quarto.
"Como é que é?" o pedaço da maçã desceu arranhando pela minha garganta.
"Algum problema com isso, Christian?" ela me olhou desconfiada.
"A senhora não acha que está muito cedo pra isso acontecer não?"
"Bem, estava muito cedo pra você ser pai, mas aconteceu não é?"
Touchdown pra você, mãe.
"Que seja. Faz o que a senhora quiser." eu balancei os meus ombros e subir as escadas.
...
"Christian?" uma voz de Ana soou por trás das minhas costas. Eu parei de andar no meio do caminho para a minha sala, fechei os meus olhos e deixei que todo o ar dos meus pulmões saíssem pela minha boca, e então virei-me de frente para ela e fiquei em silêncio.
"Oi". Ela parece não saber o que falar, desconfiada. "Eu te mandei uma mensagem ontem ..."
"Eu sei, eu vi." eu falei, cortando-a.
"E você não me respondeu." ela concluiu, mordendo os seus lábios naturalmente rosados.
"Estive ocupado ontem." eu fui direto e curto na minha resposta.
Ana franziu a sua testa, criando uma linha de expressão bem no meio dela. Dava pra ver claramente que ela estava estranhando o meu novo jeito de tratá-la, mas era o que era. Eu simplesmente cansei de continuar bancando o idiota e daquele dia em diante, o meu plano era apenas de cumprir com as minhas obrigações como pai do filho dela, mas sem tentar mais aproximamento com ela. "Escuta Ana, eu tenho que ir agora, nos falamos depois."
"Espera!" ela quase gritou e novamente eu parei no meio do caminho quando estava prestes a sair dali. "Eu... Hum, eu vou ter uma consulta hoje... Pensei que gostaria de ir junto."
"Ok. Que horas está marcado?"
"Duas e meia da tarde."
Porra! Eu quase me engasguei. Aquele horário eu deveria estar em campo treinando com o time. Pensa em algo, pensa em algo, pensa Christian!
Eu não podia simplesmente dizer a Ana que não ia dar para ir, porque já eu tinha deixado muito bem claro a minha vontade em participar das próximas consultas até que fosse a última e agora ela estava me chamando para participar.
Era o meu bebê, a primeira consulta que eu iria estar presente, a primeira vez que iria vê-lo e saber como estava dentro da barriga da sua mãe.
Não. Eu não podia faltar.
"Tudo bem. Eu vou estar lá. Depois me passa o endereço."
Eu ia ter que dar um jeito de resolver a situação com o treinador, só não sabia ainda como, mas perder aquela consulta estava fora de questão.
"Ok." Ana concordou.
...
POV Anastásia
Primeiro Christian começou não me respondendo ontem a noite e agora, parado ali na frente, sendo curto e grosso em suas palavras, usando o mesmo tom de voz comigo como usou naquele dia que brigamos depois que sentir as tonturas na sala, eu tive a certeza. Ele estava definitivamente estranho e sabia que tinha alguma coisa e era por minha causa.
Contudo, Christian querendo ou não estar perto de mim, como eu sentir mais cedo, quando o relógio marcou duas e meia da tarde, e o meu nome foi chamado para entrar pra sala, ele chegou para a consulta, cumprindo com a sua palavra.
Christian ficou o tempo todo em silêncio, apenas eu que respondia as perguntas de Ray. E quando ele me pediu para ficar pronta e deitar na cama, enquanto observávamos se preparar para a ultrassom, Christian fez a última coisa que eu esperava que ele fizesse.
Ele pegou em minha mão e segurou-a todo momento.
E então, logo uma imagem apareceu na tela.
O pequeno esboço do meu bebê e o som dos seus batimentos cardíacos ecoando pelo cômodo.
De acordo com Ray, o bebê estava se desenvolvendo muito bem, ganhando cada vez mais peso e tamanho. O bebê já tinha as suas mãozinhas e os pés totalmente formados e a bexiga urinária também, e a cada trinta minutos fazia xixi e engolia, mas não tinha nenhum mal nisso, era completamente normal.
Ray foi falando outras coisas depois também que eu acabei não prestando atenção e nem Christian, porque eu me virei para o seu lado e fiquei observando-o.
Christian parecia hipnotizado olhando para o nosso bebê na tela do monitor.
"Está tudo bem com o bebê de vocês. Não foi notado nenhuma anomalia cromossômica ou problemas cardíacos, como podem escutar, o coração do bebê está perfeitamente normal." Ray falou, encerrando a ultrassom. "E agora posso dizer que podem começar com a fase divertida: descobrir o sexo do bebê."
"Já dá pra saber?" Christian perguntou logo, parecendo surpreso em sua reação.
"As perninhas estão fechadas então ainda não posso garantir nada com cem por centro de certeza, mas na próxima consulta se o bebê colaborar, vocês já poderão sair daqui e começar as compras."
"Estou ansiosa por isso!" eu falei e soltei do contato da mão de Christian para me levantar.
Ele olhou pra mim como se nem lembrava mais que segurava a minha mão até então, e para o clima não ficar mais estranho entre nós dois, eu me levantei da cama logo e fui me trocar.
...
"Você está bem, Christian?" eu perguntei assim que as portas do elevador se abriram.
Não aguentava mais aquele silêncio atormentador dele. Eu queria saber o que estava acontecendo com Christian. O que ele estava pensando. O que ele estava sentindo. O que eu tinha feito pra ele. Ou pelo menos, escutar mais a voz dele.
"É, claro. Estou." ele me olhou. "Por que?"
"Não sei. Você está falando pouco ou não falando nada..." eu encolhi os meus ombros.
"Só estou pensando..." ele me respondeu, mas eu sentir que ainda tinha ficado alguma coisa de fora e que ele não quis terminar de falar.
"Você está com medo." eu falei, confirmando.
"E você não?"
"Mas é claro que sim! Eu também fiquei assustada no começo e ainda fico as vezes, mas é normal, eu te entendo." eu falei, na intenção de tentar tranquilizá-lo.
"Não, Ana." ele negou, balançando a sua cabeça. "Depois dessa consulta, o que eu tinha em mente mudou tudo. Estou um pouco aterrorizado... E se eu não for bom o suficiente como você já é? E se eu não conseguir lidar com isso? Ana, eu não sei se posso..."
"Christian." eu entrei em sua frente e apesar das nossas diferenças de altura, eu segurei em seu rosto para conseguir a sua atenção. "É claro que você pode e vai ser suficiente tanto quanto eu, que o nosso bebê vai amá-lo incondicionalmente e ser orgulhoso do pai que tem ok?"
Christian olhou em meus olhos, aqueles conhecidos pares de olhos cinzas intensos que me deixava sem fôlego, por tanto tempo todo que o meu corpo traíra começou a agir por conta própria, transpirando e o meu coração a bater em palpitações desregulada.
Ele respirou fundo e mais uma vez naquele dia, me surpreendeu quando me puxou para o seu corpo, passando os seus braços ao redor da minha cintura e escondeu o seu rosto no vão do meu pescoço.
...
POV Christian
A lembrança de ter pego Ana conversando próxima a Matteo me fez desejar não ter que passar por aquele dia, porque, céus, aquela só poderia ser última a gota d'agua que faltava.
Eu não sabia o que tinha acontecido com eles, mas que os dois estavam afastados isso era. Então por que diabos de um dia pro outro, os dois estavam lá, conversando?
Por que Ana olhava pra ele daquela forma diferente de quando me olhava?
Essa garota estava definitivamente mexendo com a minha cabeça, queimando cada maldito neurônio meu.
E isso não era ciúmes, não. Era muito pior.
Era uma frustração completa.
Eu abracei mais ainda o corpo de Ana, sentindo a sua temperatura do corpo se misturar com a minha, e inspirei até o meu peito ficar estufado de ar, o perfume dos seus cabelos.
"Eu não quero desapontar vocês dois, Ana." eu murmurei.
"Eu sei, Christian. Nós dois vamos fazer o que for necessário fazer por nós e pelo o nosso pequeno Blip."
"Blip?" eu levantei as minhas sobrancelhas interrogativamente e me afastei para olhar em seu rosto.
"É, Blip.” ela confirmou, sorrindo.
"Pois eu acho que é uma menina e Blip não é nome de menina até onde sei." eu apenas falei para desafiá-la.
"O que? Não mesmo! É um menino!"
"Você não sabe disso!" eu rebati de volta.
"É claro que eu sei! O bebê está dentro de mim!"
"Graças a mim que o colocou dentro de você!"
O sorriso confiante em seus lábios naturalmente rosados morreu e as suas bochechas ficaram ruborizadas na hora.
Eu não tinha preferência, depois que soube que seria pai, apenas desejava que viesse saudável, porque era somente isso que importava para os pais. Mas foi inevitável não imaginar numa mistura nossa versão feminina.
Uma menininha gordinha, de cabelos e olhos iguais de Ana e bochechas rosadinhas.
A nossa pequena garotinha.
"Pronto! Já voltou ele ao seu estado normal!" Ana falou, disfarçando a sua timidez na minha frente.
Eu sorri.
"Então Anastásia Steele fica tímida quando fala de sexo, huh?"
"Ah Christian, não enche!" ela falou, revirando os seus olhos e saiu andando na minha frente.
Ana tentou, mas no final, eu fui mais firme e conseguir levá-la pra comer. E fiquei o tempo todo assistindo-a devorar todas as coisas que pediu no menu.
Ana estava comendo como tinha visto antes, com tanto entusiasmo, apreciando realmente a comida e gemendo no percurso, o que a deixou muito fodidamente sexy e uma séria consequência dentro das minhas calças.
"É muito mal educado ficar olhando uma mulher grávida comer, Grey." ela murmurou, de cabeça baixa.
"Por que? Eu estou gostando da vista." eu sorri de canto.
"Até parece!" Ana bufou. "Você só está tentando amenizar o fato de que me levou num restaurante onde uma de suas exes trabalha e ela deu em cima de você na cara de pau mesmo me vendo no seu lado."
"Eu já falei que não sabia!" eu me defendi de novo daquela acusação.
"Será que sempre quando eu sair com você, vamos encontrar uma ex em cada esquina?"
"Ana..."
"É muito embaraçoso, mas não me importo com isso, não me importo se você está namorando com Sydney, agora eu só não vou tolerar mais ficar sendo ameaçada por essa multidão de fãs obcecadas pelo seu pau!"
Ana respirou fundo e abaixou a cabeça, encarando o chão para esconder o seu rosto vermelho pela alteração.
E eu?
Ah, eu fiquei boquiaberto, completamente sem reação.
"Ana..." eu limpei a minha garganta. "O que você quis dizer estar sendo ameaçada?"
"Tem uma maluca me enviando mensagens de ameaças por sua causa, Christian. Ela quer que eu fique longe de você, eu e o bebê!"
Eu fiquei em silêncio depois disso, olhando para a janela no meu lado esquerdo, para as pessoas que passavam ali em frente no lado de fora. Mas enquanto isso, a minha cabeça processava aquelas palavras de Ana e pensando em diversas opções sobre quem poderia estar enviando aquelas merdas de mensagens.
Ana levantou a sua cabeça e mordeu os lábios, quando eu olhei pra ela e fiz uma decisão.
"Eu não sei quem pode estar por trás disso, Ana. Mas eu vou descobrir e manter você e o nosso bebê seguro."
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