Dezessete e... Grávida?
11 Capítulo Onze
Notas iniciais
Mamãe se engasgou com a comida e começou a ficar com a sua face vermelha. Eu pensei que não deveria ser nada demais, ela só estava tendo essa reação por causa do baque que foi de receber a notícia, mas quando ela não vou voltou ao seu estado normal logo, eu me levantei do meu lugar e corri até ela, já preocupada, batendo em suas costas e oferecendo água.
"M-me desculpa, querida..." ela tossiu mais um pouco. "Acho que tive algum tipo de alucinação por um segundo..." falou, achando graça e bebeu mais um pouco de água.
Eu fechei os meus olhos e balancei a minha cabeça, negando.
"Não, mãe. Você me ouviu direito... Eu disse que estou grávida..."
"Não, não..." ela riu, nervosa. "Você não está grávida coisa nenhuma, Ana! Você está brincando comigo, certo?"
Eu tentei falar alguma coisa, mas simplesmente não conseguia. Parecia que tinha algo engasgado dentro da minha garganta que não me deixava falar.
"Anastásia?" ela me chamou, parando de sorri. Eu continuei em silêncio e me sentei na cadeira próxima a ela. Os seus olhos curiosos seguiram o movimento do braço e quando eu puxei a foto da ultrassom do meu bolso e coloquei em cima da mesa, em sua frente, o seu peito arfou.
Boquiaberta, ela segurou a foto no alto para ver melhor, como se realmente não acreditasse e os próximos minutos que se passaram, conseguiram ser piores do que quando eu tinha feito o teste de farmácia e tive que esperar depois pelo resultado. Mamãe não falou mais nada, ela só entrou num silêncio angustiador, o que me deixou aflita, nervosa e imaginando mil coisas ao mesmo tempo. Ela apoiou a sua cabeça na mão aberta e quando me olhou, eu pude ver o desapontamento estampado em seus olhos e isso me matou completamente por dentro.
"Porra, Ana! O que você foi fazer? " ela xingou. Ela estava realmente brava comigo e eu sabia disso porque ela só xingava quando estava em seu limite. "Você só tem dezessete anos... Você é muito nova para engravidar. Meu Deus, é muito nova para até mesmo estar tendo relações sexuais! Como pôde deixar isso acontecer, Anastásia?!"
"E-eu não sei..." abaixei a minha cabeça, envergonhada.
"A culpa é minha..." mamãe falou baixo e decidida, aceitando levar a culpa. "Eu nunca achei necessário falar sobre sexo com você e sobre os meios de prevenir uma gravidez indesejada e as doenças transmissíveis... Sobre tudo!" ela balançou a cabeça. "O que mais vemos hoje em dia é adolescentes sendo pais tão cedo, mas nunca pensamos que isso pode acontecer com os nossos filhos até realmente... acontecer."
"Mãe, para! Você não tem culpa de nada, ok?" eu peguei em suas mãos e segurei. "Mesmo com todas as dificuldades que teve em me criar após o falecimento do meu pai, a senhora sempre foi uma mãe maravilhosa para mim e nunca falhou em nada!"
"Ah, Ana..." ela arfou e os seus braços me rodearam, me pegando de surpresa no início. Sem saber o que deveria dizer, eu deitei a minha cabeça em seu peito e uma vez que todas as minhas emoções estavam chegando á cabeça, de novo, eu tive dificuldade em conter ás lágrimas. Eu sabia que ela estava desapontada e obviamente triste comigo, mas ali, encontrando conforto em seus braços, soube que de algum jeito ela não ficaria triste por tanto tempo.
"Querida, eu tenho que te perguntar isso..." eu afastei a minha cabeça e olhei-a. "Quem é o pai?"
Ah, não...
Eu olhei para baixo, desfazendo o contato visual e mordi o meu lábio, sentindo tanta vergonha como nunca antes.
"Um idiota da escola que eu pensei por um momento que gostava de mim... Eu sou tão estúpida mesmo!"
Ela respirou fundo, pesado, mas não comentou e nem fez mais pergunta sobre.
"Eu não sei o que fazer, mãe. Não estou pronta pra nada disso. Não posso ser mãe agora..."
"Eu sei, querida, eu sei." suas mãos tocaram em meu rosto e eu olhei em seus olhos, acreditando em cada palavra dela. "Mas nós vamos descobrir alguma coisa, eu prometo."
Eu concordei. Era compreensível a sua reação, ela estava confusa, surpresa e obviamente desapontada, como eu ainda me sentia comigo mesma, mas estava aliviada que agora ela sabia de toda a verdade e não surtou completamente como eu imaginava que iria.
Nós duas perdemos a fome depois daquela conversa e mamãe não me deixou ajudá-la com a louça, preferiu fazer tudo sozinha para respirar e pensar um pouco, então eu respeitei a sua decisão e me recolhi para o meu quarto mais cedo do que o normal. Eu desliguei a luz, deixando todo o cômodo escuro, e me rastejei para a cama, deixando a foto da ultrassom no meu lado. E durante todo o resto da noite, minha cabeça trabalhou em milhares direções diferentes sobre como eu iria conseguir passar por aquilo. E a única e clara resposta era: Eu não tinha a miníma ideia.
...
No dia seguinte, de manhã.
Quando o meu celular vibrou em cima do criado mudo ao lado da minha cama e eu despertei, sabia que era mais um novo dia e uma nova oportunidade para fazer tudo diferente, mas eu não estava exatamente em meu melhor momento para nada daquilo e nem para sair debaixo daquelas cobertas. E eu não ia sair mesmo, se não fosse a minha bexiga apertar e me obrigar a levantar correndo para o banheiro.
Obrigada, bebê!
Dois minutos depois, voltei para o quarto de novo e decidir não enrolar mais na cama e sim, ir matar logo a minha fome de uma grávida mãe adolescente. Mas antes de sair, arrumei a minha bagunça e abrir as janelas, deixando o sol brilhar e arejar através delas, iluminando o ambiente.
Encontrei minha mãe de costas preparando o seu café matinal de todos os dias na pia, assim que cheguei na cozinha. Eu ainda não conseguia acreditar que tinha finalmente contado a ela sobre a gravidez na última noite, mas vendo-a ali, sabendo que agora tinha acabado a necessidade de inventar mentiras para fugir do café da manhã por causa dos enjoos, me deixava com um peso a menos na consciência.
Ela virou de frente, distraída e cantando, mas quando os seus olhos bateram em mim, todo o seu corpo estremeceu e deu um passo para trás.
"Que susto, Ana!" ela levou sua mão ao peito. "Se continuar assim, você vai me matar do coração antes dos quarenta anos!"
Eu sorri.
"Olha, mãe... Hum, sobre a noite passada..."
"Está tudo bem." ela me cortou. "Quero dizer, tudo bem entre aspas, porque não é exatamente fácil saber que minha única filha está grávida, mas aconteceu não é? E vamos lidar com isso."
"Então... Eu estava pensando sobre o que a senhora acha de hoje a noite, depois do jantar, conversarmos sobre as..." encolhi os meus ombros, hesitante. "Opções?"
"C-como?" ela franziu o cenho. "Você está falando sobre... aborto, Anastásia?!"
Eu puxei uma cadeira da mesa e sentei, ou praticamente me afundei nela, sem saber o que fazer com aquela situação embaraçosa.
"É obvio que é a sua escolha se quer manter o bebê ou não."mamãe se sentou de frente para mim. "Mas aborto não é algo que me deixa necessariamente confortável, Ana..." ela coçou a cabeça, visivelmente desconfortável também com tudo aquilo."Hoje em dia, aborto é a primeira opção mais procurada que ocorre o tempo todo em nossa sociedade... Mas querida, pense melhor sobre isso. É realmente o que você quer fazer?"
"Eu só estou pensando no meu futuro, mãe..."
"Escuta, Ana. Eu vou ser bem sincera, ok?" eu concordei, mordendo o meu lábio. "Não é fácil ter um bebê e ainda mais na sua idade, mas independentemente do que você decidir, os seus estudos vão continuar sendo prioridade, e você não vai desistir do seu futuro, nunca, porque eu não vou permitir que isso aconteça. Estamos conversadas?"
"Sim." confirmei.
"Ok então." ela respirou fundo e me avaliou, pela primeira vez prestando atenção nas minhas vestes. "Ei, o que é isso? Por que você ainda está de pijamas?"
"Não quero ir para escola hoje..." fiz uma careta.
"Desculpa, querida, mas você vai para escola sim. Você está grávida, não doente. Tome o seu café e se apresse, eu vou te levar." ela terminou de falar e se retirou da mesa. Eu bufei e joguei o meu rosto contra a madeira da mesa, revirando os olhos.
...
A aula de História já tinha começado quando eu cheguei, pedir licença e entrei, mesmo sob o olhar contragosto do professor. Eu olhei para a turma, procurando por Kate e a encontrei de cabeça baixa, escrevendo em seu caderno ou fingindo estar para não ser chamada atenção. Eu aproximei dela e coloquei a minha mochila em cima da bancada, sentando ao seu lado. Ela me olhou por cima dos cílios e me ignorou.
"Podemos conversar?" Eu perguntei, sussurrando.
Ela suspirou e largou a caneta, me dando atenção pela primeira vez.
"Sorte sua que eu não consigo ficar mais de um dia sem falar com você."
Eu sorri.
"Tenho uma coisa pra te contar."
"Eu também." Kate sussurrou de volta.
"As duas mocinhas aí, estão prestando atenção na aula?" o professor perguntou, nos dando um susto.
Nós duas balançamos a cabeça que sim e quando ele se virou de volta para o quadro, rimos disfarçadamente e eu escrevi na folha do seu caderno:
"Eu contei pra minha mãe!"
Ela leu e abriu a boca, surpresa. Depois me olhou.
"Finalmente, meu Deus!"
O professor olhou pra gente de novo, fazendo cara feia, e eu tampei a boca dela com as minhas mãos, sorrindo para disfarçar.
...
"Hey, Ana?" Kate entrou na minha frente e estalou os seus dedos perto dos meus olhos, me fazendo despertar dos pensamentos. "Céus, já está você pensando de novo? Não cansa disso não?"
"Eu, hum..." cocei a minha cabeça, me sentindo insegura. "Eu não consigo parar de pensar ainda se fiz a decisão certa."
"É claro que fez!" ela inclinou a sua cabeça para o lado. "Ana, você ter desmarcado aquela consulta e decidido manter o bebê, foi mais sensata decisão que já tomou na sua vida!"
Eu bufei e joguei o meu corpo para trás no sofá da loja do shopping, onde Kate nos carregou depois da escola, para comprarmos vestidos e máscaras como o tema da festa de aniversário de dezoito anos solicitava.
"Não exagera, Kate. Manter o bebê não significa necessariamente que vou ficar com ele depois que nascer." levantei os meus ombros.
O sorriso dela morreu na hora como se eu tivesse acabado de jogá-la um balde de água fria.
"Vamos ver, Steele. Eu continuo apostando que no primeiro instante que você segurar o seu bebê no colo e os olhinhos dele se abrirem e te olharem, você não vai resistir. Ninguém consegue resistir a um bebê."
"Tá bom, vamos deixar pra pensar isso depois ok, primeiro o bebê tem que nascer." eu encerrei o assunto, já ficando desconfortável.
"Então, o que você está pensando em vestir hoje a noite? Alguma preferência?" ela me perguntou.
"Desde que não seja nada muito extravagante, estou bem." afirmei.
"Deixa comigo que eu vou encontrar a melhor máscara para nós duas. Ah, e você." Kate apontou para mim e para o sofá. "Continua aí, não quero que faça esforço."
"Meu Deus, eu só estou grávida, não inválida, Kate!" rebati de volta para que ela se lembrasse mais um vez daquilo e parasse de me tratar como se de repente eu fosse quebrar igual uma boneca de vidro. Mas também, não fiz questão de acompanhá-la na procura dos looks e nem reclamei por ter ficado o tempo todo sentada, porque estava sentindo uma cólica enjoada desde a hora que havia acordado.
Um mês depois já tinha se passado voando e eu já estava entrando mais cedo do que esperava que fosse chegar, no segundo mês de gestação. Estar grávida e ser adolescente, era muita informação ao mesmo tempo. Quando decidir manter o bebê, eu sabia que a rotina não ia ser como antes, eu teria que aprender a conciliar os meus estudos com as consultas do pré-natal, trocar fast-food por comida saudável e também lidar com as mudanças que o meu corpo já estava passando, sem se desesperar quando a minha roupa favorita não fechasse mais em mim.
Claro que eu ainda tinha os dias de crise de desesperos, preocupações e inseguranças de que aquilo não ia dar certo, mas no final do dia, eu era sortuda por ter minha mãe me aconselhando e me apoiando, o que estava sendo extremamente importante naquele momento.
...
Quando a noite chegou, eu deixei o meu banheiro já vestida com a roupa que Kate havia escolhido para mim. Eu andei até em frente ao espelho e encarei a minha imagem refletida nele para ver como tinha ficado o vestido em mim. Ele era cinza cintilante, de alças finas e longo. O acabamento no busto valorizava tão bem os meus seios que por causa da gravidez estavam começando a ficarem inchados e com isso, volumosos, que não me importei se iria chamar muito atenção ou não, só me sentia bonita e bem nele. Eu também estava bem com todo o resto para baixo, apesar de conhecer o meu corpo e ter percebido que o meu quadril estava mais largo e minha barriga já tinha uma leve sombra.
Mamãe bateu na porta do quarto no momento que eu estava calçando as minhas sandálias.
"Entra!" eu falei alto.
"Ah, você vai para festa?" ela me perguntou, parecendo um pouco hesitante e fechou a porta atrás dela. "Querida, no seu estado não é melhor você ficar em casa, não?"
"Mãe, eu preciso um pouco distrair a mente. A senhora sabe como esses últimos meses estão sendo difíceis." eu terminei de calçar um par do sapato e olhei pra ela. "Vou me cuidar e não tomar nada além de suco, prometo tudo bem?"
"Tá, tudo bem então. Se divirta e juízo." ela balançou a cabeça, dando-se por vencida.
Logo depois que ela foi embora, eu voltei a me concentrar na minha arrumação, mas assim que me ergui para pegar o outro sapato no chão, sentir uma fisgada em meu ventre, que me fez se curvar sobre as minhas pernas e perder o fôlego. Eu fechei os meus olhos e esperei até que a dor se fosse, mordendo o meu lábio para não gritar e aí causar um desespero sem necessidade na minha mãe por uma coisa que nem deveria ser nada demais.
...
Eu dei um laço na minha máscara atrás da minha cabeça e olhei para Matteo ao mesmo tempo que ele me olhou também e sussurrou um "linda". Eu segurei em seu braço e as cortinas feitas com fitas metalizadas se abriram, e um fotógrafo veio para o nosso lado e começou a tirar fotos de nós dois, enquanto observávamos cada detalhe daquela festa esplendorosa.
A decoração era misteriosa, com bastante máscaras, plumas, flores, jogo de luzes e um cenário com projeções especiais que remetiam à Veneza. Tudo estava bastante elegante e típico Kate.
"Eu vou pegar uma bebida pra gente." Matteo falou."Volto logo."
"Ah, eu vou querer apenas água, por favor." sorri fraco.
Ele franziu o cenho, mas questionou a minha escolha e foi buscar as nossas bebidas. Eu soltei uma respiração e olhei em volta, encontrando Kate e Elliot num canto, falando e gesticulando um com o outro parecendo alterados. Elliot falou mais alguma e foi embora, deixando Kate boquiaberta. Ela depois se virou de costas e puxou a sua máscara do rosto com grosseria.
"Hey, você está bem?" eu perguntei chegando por trás dela e tocando as suas costas. "Eu vi Elliot indo embora, o que aconteceu?"
"Ana, me desculpa..." ela pediu, mordendo o seu lábio.
"Desculpa pelo o quê? O que foi que aconteceu, Katherine?"
"Elliot leu as nossas conversas quando eu emprestei o meu celular a ele e aí descobriu que você está grávida de Christian!"
"Como é que é?" Matteo perguntou, por trás de nós duas.
Nós duas levamos um susto com a presença inesperada dele e quando eu levantei o meu rosto olhei para ele, todo o meu corpo enrijeceu.
"Você está grávida e de Christian?" ele deu um passo para trás e jogou as bebidas no chão. "Quer saber, não precisa nem responder. É claro que você está!" Matteo me olhou com desdém, e balançando a cabeça, saiu andando.
"Me desculpa, Ana. Meu Deus, eu realmente sinto muito..." Kate segurou no meu braço.
"Depois conversamos sobre isso, Kate."
Eu me soltei da sua mão e fui atrás de Matteo, entrando e saindo e pedindo licença para passar entre os convidados da festa. O encontrei em frente a porta do banheiro masculino, de costas e com a cabeça encostada na porta.
Eu parei alguns passos longe dele e o chamei, hesitante,
"Matteo?"
"Nem comece."
"Por favor, vamos conver..."
"Você não tem ideia de como animado eu estava em vir nessa festa com você, Anastásia..." ele falou por cima de mim e socou a porta do banheiro. Eu cambaleei para trás, surpresa com aquela reação, porém era compreensível dadas as circunstâncias. "Eu sou tão estúpido mesmo!" ele riu dele próprio e passou as mãos no rosto. "Eu deixei que as minhas esperanças falassem mais alto sobre que nós dois poderíamos ter algo a mais além de amizade e que essa noite seria a chance perfeita para finalmente contar te como eu me sentia, mas olha só! Eu estava completamente enganado!"
Eu engoli seco, sem saber o que realmente deveria falar. Acho que naquele momento se eu falasse alguma coisa, só iria piorar mais ainda a situação. Então calada, eu abaixei a minha cabeça e comecei a chorar, deixando que as minhas emoções falassem mais alto. Mas não estava chorando só por causa de Matteo, era também por causa de toda aquela situação que minha vida tinha se tornado desde que descobrir a gravidez.
As fisgadas em meu ventre retornaram enquanto eu ainda estava chorando, e dessa vez insuportável de aguentar. Porém, me mantive em silêncio sobre ela, aceitando suportar aquela dor como se fosse um castigo por eu ter já decepcionado tantas pessoas que se importavam comigo.
"Eu prefiro que nós dois fique um tempo sem se falar um com o outro, Ana." ele respirou pesado e passou por mim, mas antes de ir embora, falou uma última coisa por cima do seu ombro. "Vai ser melhor assim."
Eu escorreguei o meu corpo para o chão e encostei as minhas costas na parede fria, sem força e vontade nenhuma de voltar para a festa. Eu curvei todo o meu corpo quando veio outra fisgada forte e em algum desses momentos, mesmo receosa eu olhei para baixo e todo o meu corpo entrou em pânico quando avistei o meu vestido manchado de sangue.
Eu fiquei tão desesperada e com medo como nunca havia ficado antes em toda a minha vida, que nem sabia dizer quanto tempo exatamente levou para até que alguém me encontrasse ali e chamasse por ajuda. Eu só queria saber de como o bebê estava e nervosa por aquela situação que não sabia o que fazer.
"Meu Deus, Ana!" Kate entrou em estado de desespero também quando se abaixou na minha altura e viu a mancha de sangue. "E-eu vou chamar ajuda, por favor fique quietinha ai, eu já volto. Meu Deus!"
Ela correu de volta para a saída e um minuto depois voltou. Ela falou mais algumas coisas na minha frente que eu conseguia escutar, porém não reagi de volta, porque era como se todo o meu corpo tivesse entrado em estado de transe.
"Kate?" Christian chamou por ela, os seus passos se aproximando. Ele parou com os seus pés perto de mim e deu um passo para trás acho que quando percebeu a minha presença ali no chão. "O que está acontecendo aqui?"
"Por favor, Christian. Ajuda a minha amiga, por favor!" Kate implorou, chorando.
"Se acalma, Kate!" Christian pediu e se abaixou no meu lado, me olhando. "Meu Deus, por que ela está sangrando?"
Kate segurou em seus cabelos e balançou a cabeça, mordendo o seu lábio e chorando.
"Por que diabos Ana está sangrando, Katherine?" ele perguntou de novo, já ficando nervoso.
"Ela está perdendo o bebê. O seu bebê, Christian!"
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