Dezembros Marcantes
1 Dezembro, 2016
Notas iniciais
HAHHAHAHAAHAHHA eu sei gente, muito estranho, né? Parece ideia de girico, mas é que eu simplesmente não aguento mais guardar essa história só pra mim. Por três dezembros (assim como os três dezembros dessa história hahahaha) eu perdi a data de postagem e esse ano aconteceu a mesma coisa. Entretanto, tomei vergonha na cara e finalmente agora vai.
Porque assim, essa é minha primeira história com o tema e eu simplesmente sou apaixonada por ela. Em todas as vezes que reviso, a diversão é a mesma e eu gostaria muito de compartilhar tudo isso com vocês.
Nasce aqui mais um trabalho ShikaTema, desse shipp que eu amo de paixão e sempre me divirto demais escrevendo. Eu nunca imaginei que conseguiria escrever sobre eles desse jeito mais intuitivo, como se entrar na mente dos personagens fosse mais fácil, como se a gente se acostumasse a escrever sobre eles mesmo, sabem?
Sem mais delongas, espero que gostem e que possam matar as saudades do recente fim de ano DIAHDAUIHDIUDH e acalentar o coração de alguma forma.
Quem gostar e quiser compartilhar com outros ShikaTemers para engajarmos essa pequena historínea solitária de Natal fora de época nessa plataforma HHAHAHAHAHAAH ficarei muito feliz. ♥
E quem quiser compartilhar impressões, serei toda ouvidos e olhos ♡
Espero que façam uma boa leitura ;)
Festas, 2016
23 de dezembro
A música irritante tornou a tocar pela milésima vez.
A cada badalada do sino musical, Shikamaru sentia a cabeça latejar. Uma criança gritou do seu lado, dois minutos após um bebê de colo cismar com a bola felpuda de seu gorro listrado de verde e de vermelho.
Pandemônio natalino poderia muito bem ser o nome daquilo. Se pudesse voltar no tempo, não teria gasto tanto dinheiro no aparelho novo de videogame, pois foi por esse motivo que precisou sucumbir à oferta de Naruto, que estava começando no ramo dos velhinhos barbudos e companhia. Bufou, ao lembrar de como o amigo o convencera a aceitar o bico.
— É um trabalho temporário de fim de ano, o que costuma dar mais dinheiro do que um mês de trabalho normal. E depois, você se enquadra bem como duende.
— Estou mais para doente… doente de preguiça dessa tortura — lamentou-se, ainda pensando na proposta. Acabou por suspirar, vencido. — Fazer o quê, pode me confirmar — resmungou.
Olhou para os pais na fila, dispostos a aguardar o tempo que fosse para tirar a tal foto. Pior, haviam deixado para a última hora, causando toda aquela aglomeração horrível. “Ter filhos é problemático… pais são problemáticos”, constatou em pensamento, desejando ardentemente se sentar. Entregou um saco de doces para o garotinho que havia sentado ao lado do Papai Noel para a foto e que agora descia da larga cadeira vermelha.
Como que fazendo parte da composição musical, um ruído semelhante a um chiado peculiar se infiltrou em sua cabeça. Junto a isso, o calor da roupa incomodou mais do que o normal e ele percebeu que não conseguia raciocinar a respeito dessas mudanças, pois o corpo foi amolecendo, os sentidos perdendo a cognição, a tontura crescente tomando conta do resto.
Momentos antes, próximo de sua vez, Tenji se agitava em euforia, divertindo a mãe e a amiga dela.
— Considere isso como um treino, Tema, para quando tiver seus próprios filhos. Olha o lado positivo da situação, aí.
Tenten alisou os cabelos do filho, alinhando os longos fios. Temari riu, balançando a cabeça em negação.
— Ou isso pode ser um teste de resistência para não sentir vontade de ter filhos tão cedo. Olha a euforia dessa criança, Tenten…
Tenji mal prestava atenção às duas, tamanha a empolgação. Os olhinhos iam e vinham, acompanhando cada movimento do Papai Noel e dos seus assistentes, os duendes.
— Droga, o Neji está com problemas na loja de brinquedos — sussurrou Tenten, olhando para a tela do celular.
— E você tem dúvidas de que isso é um teste de resistência? Não quero pensar em filhos em dez anos, pelo menos. — Temari espalmou as mãos à frente, em negação.
Ambas riram baixinho, enquanto Tenten pensava em uma forma de ajudar o marido.
— Vocês deviam ter deixado eu ir até lá, não perderia o brinquedo para ninguém. Também não estou mais aguentando ficar parada aqui, nesta fila infernal. — Temari bufou, abanando-se com um panfleto do shopping.
— Acalme-se, mulher! Bem se vê que nasceu de oito meses. — Tenten abriu a bolsa e retirou dali um pacotinho de bolachas de água e sal. — Come um desses.
Fingindo uma carranca, Temari aceitou o pacote. Foi no mesmo momento em que um duende caiu sobre o Papai Noel, alarmando todas as crianças e os pais do local. Quem chamou a atenção para o fato foi Tenji, que vira tudo primeiro.
Com a agilidade de alguém experiente em tal situação, ela correu em direção ao incidente.
— Afastem-se, sou enfermeira!
❄
Cheiro estranho e forte, parecia álcool. A visão foi voltando, ainda que turva.
A primeira coisa que viu foi um borrão vermelho, que, gradualmente, transformou-se em um chapéu vermelho, encaixado na cabeça do Papai Noel, que trazia um semblante bastante espantado. Ao apertar a vista, notou algo ainda mais próximo do que o senhor sentado à cadeira: uma cabeça de cabelos loiros, olhando-o com extrema atenção.
Shikamaru percebeu que estava deitado no chão, com as pernas para cima e algo apertando o seu braço. A mulher continuava o olhando. Confuso, tentou falar, quando ela o interrompeu, firme.
— Fique quieto um minuto, por favor. Estou aferindo sua pressão.
Quem seria a tal mandona, que nunca o havia visto na vida, mas que parecia não ligar o mínimo para esse detalhe?
Ouviu ao longe uma voz infantil gritar:
— Tia Tema! O duende do Papai Noel morreu?
Em seguida, outra voz adulta distante:
— Não, as renas comeram o jantar do duende. Vai ficar tudo bem agora.
— O que aconteceu? — Sentiu um aperto incômodo no braço, que logo o soltou.
— Sua pressão baixou bastante — constatou ela, olhando para o aferidor. — Então, você desmaiou por poucos segundos e eu o reanimei. — Fechou levemente o tecido da camisa masculina, que se encontrava aberto. — Que horas fez a sua última refeição? — Perguntou, enquanto o ajudava a se sentar e recolher as pernas de cima da banqueta de madeira, lentamente.
Shikamaru se deu conta de que não se alimentava desde o almoço.
— Faz algumas boas horas. — Esfregou os olhos, em uma tentativa inconsciente de normalizar a visão e a tontura.
A mulher à sua frente bufou, para então o encarar novamente. Tentou disfarçar a irritação pela falta de responsabilidade do outro, sem muito sucesso.
— Existe algo simples que pode te fazer não desmaiar por aí em cima de idosos. Comer!
Shikamaru tomou um susto, diante da antipatia daquela mulher desconhecida. Não gostou nada daquela chamada de atenção na frente de todos, enquanto as coisas ainda tentavam voltar ao normal na cabeça dele. Foi ele quem bufou dessa vez.
— Para quê essa grosseria? Ainda nem sei direito quem eu sou, quando, do nada, uma mulher rabugenta “brota” aqui? Pior, estou vendo duas de você!
Ela não parecia facilitar. Pelo contrário. Retirou bruscamente um pacote da bolsa e o estendeu a ele.
— Come isso daqui! Caso não saiba, está assustando dezenas de crianças, o que poderá constatar olhando ao redor. Consequentemente, além do trauma causado a elas, está parando uma fila quilométrica e impedindo pessoas de irem para casa, quanto antes. — Olhou para o Papai Noel; depois, de volta para o duende insolente, impaciente. — Se não quiser que a “mulher rabugenta” piore, por favor, coma essas bolachas direitinho, beba uma água, fique algum tempo sentado aqui, para só então voltar ao seu posto.
Um bombeiro do shopping se aproximou, dirigindo-se a Shikamaru, entretanto, atento à mulher.
— Olá, como está se sentindo?
Temari levantou, guardando o aparelho aferidor.
— Oi! Sou enfermeira e realizei os primeiros socorros no rapaz.
— O que houve com ele?
— Hipotensão arterial. — Temari olhou atravessado para Shikamaru, que continuava sentado no chão, depois voltou a atenção ao bombeiro. — É bom ficar de olho, ele não se alimenta faz horas, seria bom que alguém pudesse substituí-lo, enquanto ele repõe as energias.
Shikamaru estava muito incomodado com toda a atenção sobre ele. Maldita a hora em que deixara de comer, para poder cochilar no intervalo da refeição. “Naruto vai me matar”, pensou, em desânimo. De toda forma, estava envergonhado por chamar tanta atenção. A esquentadinha podia até ser insuportável e mandona, mas tinha razão sobre as crianças, que o olhavam, preocupadas. Os outros integrantes da equipe vieram verificar seu estado após um tempo, acatando a ordem do bombeiro.
— Shikamaru, vai lá que eu seguro as pontas. O bombeiro exigiu que vá comer e a mulher loira ali parece que vai soltar fumaça pelo nariz…
Shikamaru suspirou, resignado.
— Obrigado Sasuke… pode me ajudar a levantar?
— Sim…
— Isso, vá logo, ou as crianças vão sair com cara de assustadas nas fotos. — Sakura suspirou, por detrás do tripé equipado com câmera.
Auxiliado pelo casal — que também estava ali por insistência de Naruto —, levantou e seguiu até a praça de alimentação. As bolachas haviam feito uma boa diferença em sua vitalidade, de modo que conseguiu se mover rápido até lá.
❄
Temari voltou para a fila, atualizando Tenten dos acontecimentos. Percebeu que mais pessoas ali se interessaram em ouvir também.
— O que foi que deu nele?
— Pressão baixa. Não come faz horas, a roupa grossa e as luzes quentes só pioraram tudo. Vê se eu mereço tanta irresponsabilidade, francamente! — praguejou Temari.
— A rena comeu mesmo o jantar dele, tia Tema?
Temari abafou um riso. Tenji olhava para cima com curiosidade.
— Sim, meu bem, mas o Papai Noel já deu uma folguinha para ele poder comer alguma coisa.
Tenten balançou a cabeça em aprovação.
— Isso mesmo, a Tema cuidou do duende e ele ficou bem.
Tenji olhou orgulhoso para as outras crianças. A amiga de sua mãe havia salvo o Natal de todos ali.
Quando chegou a vez dele, o menino entregou uma carta ao Papai Noel e pediu que ficasse de olho nas renas famintas, levando toda a equipe aos risos. Posou tímido para a foto e recebeu um saco de doces de outro duende. Tenten tirava fotos, inebriada.
Temari assistia a tudo, tirando algumas fotos do momento pelo seu celular e agradecendo pelo duende irresponsável não poder aparecer em nenhum registro. Planejava emoldurar uma delas e presentear a família, nutria um carinho enorme por eles e Tenten era sua melhor amiga.
Enquanto olhava o resultado das fotos, abafou uma risada.
— Amiga, me perdoe, mas esse garoto está cada dia mais igual ao pai.
Tenten suspirou, risonha.
— Os pés dele são iguais aos meus! — reconheceu, num lampejo.
Ambas riram audivelmente.
— Que alívio, não? — ironizou Temari, entre risos.
Quando Tenji voltou, encontrou as duas trocando tapinhas de mentira. Animado, contou tudo o que havia acontecido, como se elas não tivessem visto. Foram então ao encontro de Neji, que já havia escondido o presente no carro — por pouco não havia conseguido o último modelo da loja — e seguiram todos para um dos restaurantes.
❄
Quando Shikamaru percebeu que a mulher na outra escada rolante — no sentido contrário — era a mesma que havia comido o seu fígado momentos antes, era tarde demais para voltar. Levou uma mão ao rosto, com o antebraço sustentado pelo outro braço, na tentativa de passar despercebido.
Temari mal acreditou quando viu o duende na outra escada rolante, que descia. Parecia se esconder. “Piada!”, pensou, rindo em deboche.
Shikamaru pensou que seu plano daria certo, quando ambos se cruzaram e não apenas ele, mas diversas outras pessoas ouviram a provocação seguinte.
— Como se alguém tão discreto pudesse disfarçar alguma coisa.
Era ela. “Um poço de discrição”, pensou. Não contente, o garotinho ao lado dela, no colo do pai, também o olhava com curiosidade.
— Papai, esse é o duende que ficou fraquinho porque a rena comeu toda a comida dele. — Acenou para Shikamaru. — Você tá melhor? — gritou, pois não estavam mais alinhados na escada.
Shikamaru pularia dali, se pudesse. Decidiu, enquanto acenava sem jeito para o garotinho, assentindo com a cabeça, que não aceitaria aquele trabalho novamente nos próximos anos, por mais que Naruto insistisse.
Voltou para seu posto, informando que estava melhor. A fila continuava cheia, faltavam ainda algumas horas para que aquele turno terminasse. Espreguiçou-se lentamente, pronto para reassumir a cesta de doces.
❄
31 de dezembro
— Bem… nem sei como agradecer, pessoal. O sorriso dessas crianças me faz crer que o Papai Noel faz hora extra, sim, se todos nos unirmos. — Naruto sorriu como uma criança, erguendo sua taça para um brinde.
Shikamaru seguiu o movimento dos outros, bebendo um gole do champanhe.
Haviam realizado uma entrega de presentes com um intuito social para crianças necessitadas, assistidas por uma ONG local. Após pagarem o senhor que se caracterizou como Papai Noel — o único que recebeu um honorário modesto, pois pediu apenas o valor do combustível — e se despedirem dele, abriram mais uma garrafa para comemorar o fato de tudo ter saído como planejado.
— Um brinde ao Naruto, que acabou de abrir sua empresa e já está incluindo os trabalhos sociais! — bradou Sakura.
— Nah… estou feliz por terem topado tudo isso.
— Quando é que alguém disse não ao Uzumaki? — provocou Shikamaru, sorrindo. — Brincadeira, foi uma experiência bem bacana. Achei que jamais diria isso, mas conte comigo para os próximos.
— Para quem nunca mais aceitaria trabalhar para o Naruto de duende, você mudou de ideia bem rápido — provocou Sasuke, debochado.
— Só para trabalho social! — frisou Shikamaru, levando todos aos risos.
Até Hinata — namorada de Naruto, que não trabalhava com eles, mas havia ido ajudar — juntou-se à chacota, tranquilizando Naruto.
— Daqui a pouco ele muda de ideia também! — sugeriu ela.
— Se ele não desmaiar de novo, garanto a vaga. — Naruto prometeu, distribuindo batidinhas nas costas do amigo.
Em meio a risos e conversas, Sasuke chamou a atenção de todos.
— Não é por nada… mas se quisermos chegar na Times Square ainda, a tempo de ver a bola descer, precisamos correr. Faltam 20 minutos.
— Merda! — exclamou Naruto. — Esquecemos!
— Não vai dar tempo de nos trocarmos — gemeu Sakura, agitada, sem saber se pegava a carteira ou o casaco, primeiro.
— Não mesmo, vamos logo, vai! — Apressou Shikamaru.
— Vamos criar a tendência dos duendes da Times Square! — divertiu-se Naruto, notando que era o único a rir da situação. — Ah! Qual é? Vão dizer que isso não vai ser divertido?
Aos poucos, o clima foi amenizando, trazendo realmente momentos de diversão pelas fantasias indiscretas, enquanto se deslocavam até o local.
Chegaram lá em tempo recorde, faltando apenas sete minutos para a virada do ano. A revista feita pelos policiais foi relativamente rápida, porém rigorosamente minuciosa. Encontravam-se muito distantes do palco, na última seção separada por grades. O último show se encerrava, pois começariam os preparativos para a contagem.
❄
Temari ponderou se bebia mais um gole de água ou se preservava a bexiga, considerando que não haveria maneira de sair dali antes da virada e de toda a dissipação da multidão. Ao seu lado, Tenten fotografava o movimento do local, o palco e Neji, com Tenji sentado em seus ombros. Os dois estavam na frente delas e riam de algum detalhe naquela imensidão de pessoas.
— Nossa, parece que faltam dez anos para o ano que vem — ironizou Temari, entediada, observando as próprias unhas.
Tenten riu.
— Olha, até eu que sou mais paciente não aguento mais. Que frio! E olha que viemos mais tarde de propósito. — Alisou os próprios braços do casaco. — Filho, esse capuz está direito? — Gritou para cima, ao que Tenji se voltou para a direção da mãe, checando a cabeça. A criança se assemelhava a um pacote, pois vestia casaco grosso, touca, capuz, botas, luvas e segurava um cobertor em volta do corpo.
— Sim, mamãe. Ah! — Tenji arregalou os olhos, em surpresa.
— O que foi, menino? — Assustou-se Tenten.
— Os duendes do Papai Noel! — Apontou para o grupo uniformizado, extasiado.
O susto foi geral. Ninguém no grupo de “duendes” esperava ter que se explicar para uma criança naquele momento.
Já do outro lado, Temari não soube o que fazer quando olhou para o duende que havia desmaiado no outro dia, vestindo um sobretudo e capuz por cima de toda aquela parafernália de roupa colorida. Olhando para baixo, era possível ver meias listradas e botas exageradamente vermelhas.
Na tentativa de contornar a situação, Tenten sorriu amarelo para o grupo e olhou novamente para Tenji.
— Que legal, filho! Eles estão de folga hoje. Dê tchau a eles.
Tenji poderia fazer tudo naquele momento, com exceção de obedecer ao pedido de sua mãe.
— Cadê o Papai Noel? — indagou aos duendes.
— Tenji… — Tenten arqueou uma sobrancelha.
— O Papai Noel já voltou para o Polo Norte, estamos aqui para tirar fotos e mostrar para ele. — Empolgou-se Naruto, que adorava crianças. — Duende Sasuke, onde a nossa rena estacionou o trenó para nos esperar?
Sakura abafou um riso e Sasuke olhou mortalmente para Naruto. Shikamaru fingiu desentendimento para não ser a próxima vítima, já que agora era praticamente impossível passar despercebido pelo grupo, principalmente pela tal da enfermeira enfezada de dias atrás. Aliás, ainda não acreditava na insanidade daquele acontecimento. Qual a chance?
— Deve estar na esquina — resmungou Sasuke, forçando uma simpatia quase inexistente, em respeito à criança.
Hinata, que havia chegado mais perto de Naruto, exclamou ao avistar o casal:
— Neji e Tenten?! Nossa, mas que coincidência é essa?
Ninguém entendeu quando eles se cumprimentaram, surpresos e sorridentes, como se já se conhecessem há anos.
Como que imaginando a confusão de todos os outros, Hinata soltou a mão de Tenji e se voltou para os amigos.
— Pessoal, esse é o meu primo Neji, sua esposa Tenten e o meu priminho Tenji, filho deles.
Tenten e Neji cumprimentaram a todos com a cabeça, educadamente. Temari trocou olhares com a amiga, olhares de descrença pelo que estava acontecendo.
— Não sabia que vocês se conheciam — disse Neji, ligando-os gestualmente com os dedos.
— Ah, esse é o meu namorado, Naruto. Faz tanto tempo que não nos falamos, que nem contei a novidade. Estes são Sasuke, Sakura e Shikamaru, os assistentes da empresa do Naru.
— Que mundo pequeno, não? Ontem mesmo levei meu filho para ver o Papai Noel — observou Tenten, sorridente. — Ah, a propósito, esta é minha amiga Temari.
Novamente, cumprimentaram-se. Temari evitou olhar para o irresponsável à sua frente, lamentando profundamente todo aquele "circo". Queria apenas um fim de ano em paz e recebera aquilo no lugar.
Estava profundamente irritada com aquela coincidência tosca e até pensou em ignorá-los e fingir que nada daquilo era relevante para ela, porém, se antes já estava difícil do filho de sua amiga colaborar para que fossem embora, agora que a tal prima havia aparecido apresentando a todos, seria impossível. Para piorar tudo, estavam frente a frente, tão próximos que era difícil se locomover. Olhou então para o tal do Shikamaru, a contragosto, resmungando em seguida.
— E aí, melhorou?
Shikamaru passou a acreditar em carma naquele momento. Por que justo na virada do ano aquela mulher precisava aparecer, e pior, com ele vestido de duende? E, pior ainda, com amigos em comum?
— Sim.
— Ótimo. Pelo menos se alimentou decentemente, hoje? — provocou ela, surpreendendo-se por ainda estar irritada com o acontecimento. Sentia receio, também. Tudo o que ela não precisava era de outro desmaio ali, no meio de toda aquela multidão. "Dizem que o que acontece na virada se repete o ano inteiro. Deus me livre", pensou.
Impaciente, Shikamaru suspirou pesadamente.
— Fique tranquila, segui suas ordens direitinho — ironizou.
Temari quis morrer. Respirou fundo, antes de devolver.
— Não sabia que agora sou babá de marmanjo. E que bom que eu posso curtir a virada em paz, sem ninguém perdendo a consciência.
Ele não respondeu. Apenas a olhou com o maior desprezo que pôde.
— Que é? Está me olhando torto por quê?
Shikamaru bufou, exausto do frio e daquele reencontro de péssimo gosto do destino.
— Moça, moça. Finja que eu desapareci, certo? — Olhou para os lados, procurando qualquer lugar vago. — Quer saber? Vou ali procurar o "trenó do Papai Noel". Haja saco para você! — ralhou ele, indignado.
Maldita a hora em que havia cruzado com aquela mulher maluca.
Foi quando, num rompante, uma contagem regressiva começou. Com toda aquela conversa, ninguém havia percebido que a contagem havia começado no telão às 23h59 e agora atingia seus segundos finais.
— Deeeeez... — vociferou a artista, no palco, seguida pelo público.
O telão acompanhava a contagem.
Shikamaru ia virar de costas para Temari, quando algo o puxou de volta, bruscamente.
— Que isso? — gritou Temari, assustada. — Sai daqui!
— Alguma coisa enganchou aqui! — gritou ele de volta, visceral.
Ambos olharam para baixo, desesperados, tentando encontrar a fonte do problema.
— Seteeeee… — gritava a multidão.
— O que deu no Shika? — indagou Sakura, confusa.
Tenten olhou na mesma direção, percebendo que Temari participava da confusão.
— Amiga!
Shikamaru apontou para o pulso de Temari.
— Sua pulseira enganchou no pompom da minha luva!
— Ah! A culpa é toda sua! Droga! — praguejou Temari, tentando soltar o fiapo do pompom da luva do outro, sem que estragasse sua pulseira favorita.
— Quatroooo…
— A culpa foi sua e dessa pulseira cheia de trecos!
— Cala a boca, eu preciso beijar alguém e você está me atrapalhando!
— Ha, ha, ha… E você não, né! — ironizou indignado, tentando não mexer o braço, pois ela tentava encontrar onde o fiapo poderia ser arrebentado.
— Dooois…
— Ai, meu Deus! — Temari viu a bola descer, rumo à virada do ano.
— Temari! — gritou Tenten.
— Droga! — lamentou Shikamaru, possesso.
— Uuuum! Happy new year!
Tudo aconteceu muito rápido. Neji beijou Tenten com cuidado, equilibrando o pequeno Tenji nos ombros. Sakura fez o mesmo, puxando Sasuke e colando os lábios aos dele. Naruto e Hinata trocaram beijos e votos para o ano que viria, enquanto os artistas no palco gritavam felicitações ao microfone, a multidão vibrava e… Shikamaru havia puxado o braço, trazendo Temari para muito mais perto, mas a pulseira não soltou e, no desespero, em uma conversa de olhares, ele pediu permissão para beijá-la. Ninguém queria ficar sem a tradição do beijo. Então Temari concedeu e ele juntou os lábios frios aos dela, numa sequência de movimentos que foram do superficial ao profundo em questão de segundos. Sobre eles e toda a multidão, uma chuva de papéis coloridos caiu do céu, anunciando o ano de 2017.
Trocaram um beijo escolhido a contragosto, no entanto, muito bem aproveitado pelos dois, em nome da tradição de Ano-Novo na Times Square. Era só o que havia restado, por puro azar ou carma, algo do gênero. O que era engraçado, pois aquele beijo era curiosamente bom, em gênero, número e grau, como Temari pudera raciocinar rapidamente, ali.
Shikamaru concordava com ela, mesmo sem saber. Ao menos, com a boca ocupada, ela não tinha tempo de mandar nos outros e transferia toda aquela energia para beijar incrivelmente.
As línguas se entrelaçaram com facilidade em uma troca que havia começado estranha, mas que logo tomara seu rumo certo.
Separaram-se apenas porque precisavam de ar e morreram de vergonha ao se verem novamente.
— A tia Temari tá namorando o duende do Papai Noel, papai? — Tenji perguntou, espantado.
Neji o desceu dos ombros e pegou no colo, pois virar de costas não estava adiantando nada, o menino havia visto de relance.
— Ih, filho, não sei não. Olha a bola ali, que grande! — Apontou para a bola reluzente, na tentativa de distrair Tenji.
Temari e Shikamaru desviaram os olhos e voltaram a soltar o fiapo da pulseira, mortificados.
— Não acredito que beijei um duende ridículo — resmungou ela, enfim.
— Muito menos eu acredito nessa insanidade. E tudo por culpa desses penduricalhos aí — retrucou Shikamaru, ainda mexido pela situação.
— Olha, fica quietinho aí! Espero que esse sacrifício pelo menos me traga sorte.
— Espero não ver você nunca mais — devolveu ele, afrontoso.
— Que coincidência! — retorquiu ela, puxando o fiapo bruscamente e causando a ruptura do mesmo. — Tenten, Neji, feliz Ano-Novo! — Saiu dali, tentando se aproximar da amiga e ignorando completamente todos aqueles duendes e o acontecimento anterior.
Naruto se aproximou de Shikamaru.
— O que foi isso, hein? Destino?
— Carma!
Sasuke riu, discreto.
— Tinha que ser com você.
Sakura e Hinata riram também.
— Eu falei pro Shika que a solteirice dele estava ameaçada. Nada como uma virada na Times.
— Ah, para de viajar, vai, Hinata. Hoje não é meu dia de sorte, mesmo.
— Esse final de ano todo, você quer dizer — provocou Sakura, divertindo a todos.
Perto dali, Neji e Tenten riam de Temari.
— Como conseguiu essa proeza? — indagou Neji, zombeteiro.
Tenten completou:
— Você nem me contou que tinha se interessado pelo cara.
— Me errem, não me interessei por ninguém. Foi aquele idiota que enganchou a roupa patética na minha pulseira.
Neji gargalhou.
— Espera, deixa ver se entendi. A roupa enganchou e vocês tiveram que se beijar para soltar?
Tenten quase cuspiu a água que bebia naquele momento, rindo.
— Nossa, verdade, amiga. Isso aí não tá colando não.
Temari bufou, irritada.
— Ué, gente! A maldita tradição do beijo, parem de se fazer de sonsos. Quem não tem cão, caça com gato. Bem que tentei me soltar daquela praga de roupa, mas quem disse que deu?
Neji ajeitou Tenji no colo.
— Bom, pelo menos ele retribuiu a sua ajuda no dia do shopping.
Temari ajustou o capuz sobre a touca de lã que usava, tremendo de frio.
— Olha aqui, Hyuuga, não mereço mais nem um segundo dessa humilhação, ok?
Tenten terminava de checar os agasalhos e enrolar novamente o cobertor em Tenji.
— Amor, deixa a Tema em paz. Ela só virou o nosso assunto eterno de Réveillon, oras.
Neji gargalhou, pois Temari quase agradeceu à amiga, até descobrir a cilada.
— Vocês se merecem!
— Tia Tema, pede pro seu novo namorado apresentar o Papai Noel pra gente.
Temari sorriu amarelo e o casal não pôde evitar fartas risadas.
— Tetê, foi apenas uma tradição. Os duendes também participam.
— Ai Temari, você é única — elogiou Tenten, rindo, diante da carranca da amiga.
Neji checou o relógio.
— Ei, vamos pegar alguns papeizinhos para fazer os pedidos na Wishing Wall do museu, semana que vem?
Concordaram e Tenji foi ao chão, para recolher também. Foi quando Hinata gritou o nome de Neji, em meio ao fluxo contrário que rumava para a saída do evento. Ela tentava se aproximar.
— Neji! Primo!
— Oi, Hina. — Neji acenou, atento ao chamado.
— Vim avisar que vai ter uma comemoração lá em casa, vamos? — Apontou para trás, indicando seus amigos.
Tenten e Neji se entreolharam, ponderando.
— Ah, acho que se ficarmos um pouquinho não tem problema, mas não até tarde, por causa do Tenji.
Temari não podia acreditar naquilo. Não bastassem todos os revezes da noite, a prima de Neji precisava aparecer com a “cereja do bolo”.
— Pessoal, vou ficar por aqui mesmo e seguir para casa — avisou, educadamente.
— Ah, não, Tema! — insistiu Tenten. — Juro que não vamos demorar.
Temari puxou Tenten de canto.
— Não é por questão de tempo, você sabe. Só me faltava isso agora, né!
— Temari, desde quando um beijo entre estranhos na virada da Times Square é um bicho de sete cabeças?
Temari bufou.
— Ele não é qualquer estranho. É um estranho com quem tive desavenças duas fucking times!
Hinata, que imaginava o motivo do dilema, aproximou-se das duas, cautelosa.
— Vamos meninas, será divertido. Se o problema for o nosso amigo ali — apontou discretamente com o queixo —, já aviso que é sempre o primeiro a dormir.
Temari abraçou a si mesma, soltando vapor pela boca, pensativa. Talvez, Tenten tivesse razão e ela pudesse fingir que nada aconteceu. Até porque, nada mais normal que um beijo da meia-noite, sem maiores explicações ou conclusões a respeito. Olhou então para as duas.
— Certo, vamos.
x-x-x-x
Continua…
Notas finais
Aliás, é oficial: Tenji é o meu novo personagem canônico, filho do Neji e da Tenten ok? HAAHAHAHA eu nunca vou superar que esse casal não existe e farei a minha parte por aqui, nas minhas histórias. Eu to escrevendo uma outra história em que esse nome aparece. hehee ♥
Quem aposta no que vai acontecer? Alguém concorda comigo que o Shikamaru é a pessoa perfeita para um trabalho fantasiado de duende? E que o Naruto é a pessoa perfeita pra ter uma empresa de duendes e Papai Noel? ahahahaha desculpem eu to muito ansiosa pra postagem dessa fic.
Beijos e até o próximo!
Fale com o autor