Dez Chamas

6 Capítulo 006 - Chamas Douradas


Notas iniciais
Bem, esse foi rápido, pois pretendia pensar na história após esta parte da casa da xamã, então precisava acabá-la logo. Por fim, está ai o mais novo capítulo, espero que gostem!

Chamas douradas começaram a envolver Aka, enquanto algumas agulhas que foram expelidas de seu corpo faziam pequenos cortes em Kaila, devido a sua velocidade. A xamã sentia que as chamas se tornaram quentes, ao passarem de verde para dourado, somada a seu espanto de ver não só uma chama dourada, a qual nunca vira, mas uma explosão forte de chamas como essa, que envolvia o jovem.

– AAAAA! — grita a jovem mulher ao sentir seu braço no qual segurava o jovem queimando, com uma intensidade bem forte – essa chama é muito mais forte e está aumentando muito mais rapidamente do que o normal, além disso, essa cor...

Kaila rapidamente para se defender, solta o rapaz enquanto cria uma vara de fogo verde, empurrando assim Aka para dentro do lago, e ao mesmo tempo empurra a si mesma para cima. A vara de chama verde vinha da direção de Aka para Kaila, porém seu tamanho aumentou muito mais rapidamente do que o esperado pela mulher, jogando-a muito mais alto do que ela pretendia, enquanto afundava Aka. Em seguida, a mulher gira para trás no ar, ao extinguir sua chama, para que ficasse de frente ao fogo, tendo uma melhor visão do que ocorria, enquanto ainda era jogada para cima.

Rojo estava deitado e dormindo quando algo caiu em cima de seu corpo, acordando-o. Estranhamente, ele estava com dificuldade para abrir os olhos, assim como para mover qualquer parte de seu corpo. Somado a isso, sua memória estava meio confusa, ele não lembrava o que estava fazendo antes de dormir, totalmente desnorteado, além disso, várias partes de seu corpo estavam formigando ou doloridas, mas a que mais doía no momento era sua cabeça, mais precisamente, sua testa. Enquanto ouvia alguém gemer, como se tivesse acabado de sentir dor, finalmente ele consegue abrir seus olhos, mas não consegue identificar de primeira o que estava olhando, até que aquilo em que estava se focando começa a se mexer, era um par de olhos, olhos esses que se abriam a sua frente, um rosto estava praticamente colado ao seu. Esta pessoa se levantou, enquanto levava suas mãos a própria testa reclamando de um pouco de dor. Rojo conhecia aquela jovem que se levantava de cima de seu corpo, mas não se lembrava exatamente de onde. Enquanto a jovem se agita, como se lembrasse de algo importante, e corre para a saída de trás da casa.

Mas o que...– Rojo tenta pensar em alguma coisa para organizar suas ideias, e como uma rajada, toda sua memória volta a sua cabeça, e enquanto esta tenta se organizar, ele lembra que aquela era Aiyra, e se envergonha, ficando corado, ao se lembrar do processo ao qual se submetera alguns minutos atrás – espere! — tenta dizer o rapaz, mas a palavra não sai por sua boca. Ele fazia força para tentar se levantar então, e nesse momento, ouve um grito e logo um clarão dourado vem da direção em que a ajudante da xamã correu, antes de sair de seu campo de visão – mas o que está acontecendo?! — era a única pergunta para as diversas situações que o perturbavam no momento.

Aquele clarão dourado veio do lado de fora, atrapalhando completamente a visão de Aiyra, que por extinto tenta criar uma proteção com suas chamas verdes, porém, uma enxurrada de emoções e lembranças vêm a sua mente ao sentir o calor daquelas chamas cor de ouro.

O que aconteceu com ela? Como ela está? – se perguntava Aiyra desesperadamente, tentando não pensar no pior, mesmo sendo impossível, e finalmente quando lágrimas surgem em seus olhos, ela consegue expressar essa frustração em um único grito – MÃÃÃÃÃEEE! — finalmente caindo de joelhos.

As chamas começam a diminuir, mas ainda queimavam vindo do corpo de Aka, segundos após ser jogado dentro do lago. Essas chamas consumiram parte da casa, com pedaços de madeira, pegando fogo, caíram no lago e boiaram. O fogo consumia a madeira por todas as direções, inclusive na parte submersa. Nesta parte a chama parecia mais um fluido, uma gosma, chegando a pingar, e a chama viscosa afundava até se apagar. Finalmente as chamas pararam de sair do jovem garoto, assim como a xamã acreditou que aconteceria, mas aquelas que já haviam sido produzidas, e não se tornaram gelatinosas, se apagavam abaixo d'água.

Devo descer rápido, mas amenizar o impacto – sabia Kaila, que já descia haviam alguns segundos, mas tinha pressa, além de ter que salvar Aka, sua filha ainda estava preocupada com ela. Assim que a bela mulher começou a materializar uma chama em forma de pano, para que fosse utilizado para diminuir sua velocidade com a ajuda do vento, como um paraquedas, uma dor intensa voltou em sua queimadura no braço esquerdo, o que atrapalhou seu plano, em um primeiro momento, mas alguns segundos depois conseguiu concretizá-lo. Foi ai que ela percebeu: Aka estava saindo da água, envolto pelas chamas que ainda restavam. O fogo começou a se juntar a sua volta, sendo compressado, e começando a tomar forma. Logo já estava claro para a Kaila que forma as chamas estavam tomando – isso não faz sentido – argumentava para si mesma – essas chamas não são magentas, então como...? – mas mesmo que fosse ilógica a cena a sua frente, ela estava ocorrendo. A chama dourada andava com Aka em seus braços, uma chama de quase dois metros de altura, que continuava absorvendo chamas douradas. A chama andava pela água, quando pisava, parte de sua chama submersa se tornava gelatinosa e afundava, mas em seguida era sugada de volta para o corpo principal, o que não se tornava fluído, se apagava. Ela ia em direção a porta da casa, quebrada e queimada em volta, quando parou, e o que poderia ser uma cabeça se virou para Kaila, que estava caindo e ganhando velocidade em sua direção. Notando que sua situação era perigosa, a mulher criou uma corda de chamas verdes, a partir da árvore até sua direção, e foi enrolando-a na árvore, enquanto apagava sua extremidade, também na árvore, mantendo assim a mesma quantidade de chamas no galho, mas também puxando a si mesma para sua direção. Ao chegar próximo o suficiente, ela solta a corda, caindo na água.

Aiyra estava ali, encarando aquele fogo dourado andando em sua direção, carregando o pequeno cliente, e finalmente viu a xamã caindo na água, após usar suas chamas verdes, o que indicava que ela estava aparentemente bem, aliviando um pouco do peso em sua consciência. Mesmo assim, a garota não sabia se aquela chama era perigosa, então tentou materializar um escudo, e conseguiu, porém menor a mais fino do que desejava. A chama dourada finalmente chegou nos poucos degraus da escada, e então, na casa. Por uns cinco segundos, a chama ficou lá, com Aka em seus braços, encarando Aiyra. Em seguida, Aka foi apoiado em apenas um dos braços da chama, cuidadosamente por ela, enquanto seu braço esquerdo se levantava e ficava estendido em direção a ajudante da xamã, com sua mão aberta. Claramente energia estava sendo concentrada naquela mão. Aiyra não acreditava naquilo, aquele fogo era forte, ela tinha que fortificar sua defesa.

– Ei, deixe ela em paz! — gritava Kaila, se apoiando num caminho que fizera de chamas até o meio do lago – ela não fez nada! Não queremos mal para o Aka!

A chama dourada continuava a concentrar energia, mas logo parou, afinal, seu alvo mudara. Em sua frente estava uma garota, apoiada com um dos joelhos no chão, atrás de um fino escudo de fogo verde, que por sua vez estava atrás de um garoto que mal se aguentava e pé. Este garoto encarava a chama, e também estendeu seu braço como ela.

–Agradeço sua ajuda, deixe que cuidaremos de meu irmão agora – dizia Rojo, tentando parecer firme, mas não estava em condições de continuar em pé por muito tempo, nem nunca havia usado sua chama, sequer sabia como ela era, estava apenas blefando ali. Mas algo lhe dizia que a chama não era má, só estava cuidando de Aka – por favor.

A chama encarou por mais alguns segundos Rojo, e deitou Aka na entrada da porta, enquanto se extinguia. Tudo que o rapaz queria era correr até seu irmão, mas seu corpo não aguentava mais, e ele cai sentado, e em seguida, para trás, perdendo a consciência.

Rojo? Ele não deveria conseguir levantar até amanhã! Mas mais importante que isso...– pensava Kaila enquanto corria pelo caminho até alcançar Aka. Ele não respirava, quando ela chegou próximo o suficiente para perceber – ele ingeriu muita água! — grita a mulher, que começa a fazer uma respiração boca a boca, e massagem cardíaca. Aiyra observava sem saber como ajudar, torcendo para que tudo desse certo, e verificando a respiração de rojo, que felizmente estava normal. Após algumas tentativas, e mais de dez segundos, Aka cospe bastante água, e finalmente é reanimado. A Xamã não esconde sua felicidade, corando, e sorrindo, e ajudando o jovem a se inclinar, apoiado sobre seu braço, para tentar levantar, ela o abraça fortemente. O jovem não entende nada, mas já não estava entendendo antes, então tenta juntar seus pensamentos, até notar seu irmão caído mais a frente.

– Rojo, mas o que acont... — começa, mas acaba dormindo de novo o irmão mais novo. Kaila levanta e o leva no colo.

– Como estão Rojo e você? — pergunta a xamã, preocupada, mas ainda sorrindo, para sua filha.

– Ele está bem, só dormindo – diz Aiyra, antes de correr para Kaila e a abraçar.

– Não se preocupe, estou bem – diz a xamã.

– Bem? Olhe seu braço! — diz a mais nova, ao notar a queimadura no braço esquerdo da mais velha.

– É só uma queimadura, venha, vamos levar os dois para a cama – diz a mulher. Enquanto a filha carrega Rojo até a cama, a mãe pega um pano para secar Aka, tirando-lhe o que ainda vestia de roupa, por estar molhada, colocando-o do lado de seu irmão na cama, e cobrindo-o finalmente com um pano limpo e seco.

– E você está com um galo na testa, como se machucou? — pergunta a mais velha.

– Quando você saiu correndo e me empurrou, eu bati cabeça na cabeça do Rojo — responde, ficando um pouco irritada ao ouvir a mãe rindo disso, mas acaba rindo junto.

– Mas o que foi essa chama de cor de ouro? — finalmente pergunta Aiyra, ao ver que sua mãe acabou de se secar também.

– Eu não sei – responde Kaila – mas ela tinha propriedades de fogo laranja, magenta e vermelho – continua, enquanto passa uma mistura pastosa de ervas em sua queimadura – argh, pelo menos... foi o que pareceu – termina.

– Propriedades de outros tipos?! Mas isso não é possível – questiona a filha, enquanto via a outra tirar suas roupas molhadas.

– Mas acabou de acontecer. Preciso pensar, e descansar... — diz a xamã ao olhar o entorno da porta dos fundos de sua casa – isso será trabalhoso... — reclama, enquanto a mais jovem forrava com diversos panos uma parte do chão do quarto, para que ambas deitassem – Boa noite... — diz, pegando no sono alguns segundos depois.

Após pensar em diversas teorias sobre o que ocorreu neste dia, a mais jovem também cai no sono, uma vez que ambas gastaram energia e concentração no procedimento de mais cedo.

Notas finais
Todos os tipos de críticas, elogios e sugestões são bem-vindos, agradeço por acompanharem a história, e até a próxima!