Devora-me
40 Pra você guardei o amor

Sweet dreams are made of this
(Doces sonhos são feitos disso)
Who am I to disagree?
(Quem sou eu para discordar?)
Travel the world and the seven seas
(Eu viajo o mundo e os sete mares)
Everybody's looking for something
(Todo mundo está procurando alguma coisa)
Some of them want to use you
(Alguns deles querem te usar)
Some of them want to get used by you
(Alguns deles querem ser usados por você)
Some of them want to abuse you
(Alguns deles querem abusar de você)
Some of them want to be abused
(Alguns deles querem ser abusados)
— Protego Horribilis!
A conhecida voz antes suave agora apresentava uma pontinha de nervosismo. Ela se sentiu protegida por um instante da mesma forma que se sentia quando estava perto de Snape.
“Será que estou morta? – Ela pensou sem nem mesmo abrir os olhos, — Será que isso é morrer?”
— Você está bem Sky? – Perguntou Lupin fazendo-a abrir os olhos. Ela se deparou com olhos castanhos grandes a fitando com preocupação. Ele ainda segurava forte a varinha nas mãos enquanto o feitiço de proteção aos poucos se desfazia. Fora o feitiço de proteção mais forte que ela já presenciara. Sky apenas balançou a cabeça afirmando que estava bem, enquanto Bellatrix continuava estática, observando o dono de tal feitiço.
— Ora, vejam só! Se não é o último dos marotos! – Bellatrix riu estridentemente, — Parece que você tem mesmo algum charme não é mesmo garota? Quantos pretendentes morreriam por você? – Ela encarou os olhos prateados de Skyller e logo a menina entendeu o que realmente ela estava prestes a fazer. Seu coração parecia uma bomba no peito prestes a explodir a qualquer momento. Seus pedaços ainda colados doíam como facadas em uma ferida viva. — Você é imune aos meus feitiços, — Continuou Bellatrix, — Mas é imune também à dor?
Skyller viu exatamente o momento em que Bellatrix apontou certeiramente a varinha para Lupin. Em seus olhos enegrecidos havia nada mais que morte e o sorriso amarelado formaram-se em seu rosto junto com as palavras:
— Avada Kedavra!
I wanna use you and abuse you
(Eu quero te usar e te abusar)
I wanna know what's inside you
(Eu quero saber o que tem dentro de você)
Um jato verde cortou o ar quase cegando as pessoas que estavam perto, seu feitiço fora tão forte que a sensação de morte acometeu todos ali. Sua risada ecoava pelos cantos do castelo, entrando pelos tímpanos de Skyller e a destruindo por dentro. Então o mundo se fechou em dor e semi-escuridão. Skyller viu Lupin enterrado até a metade nos destroços de um corredor onde o feitiço o lançou. O ar frio anunciou que parte do castelo tinha sido explodida, e algo quente e pegajoso em sua bochecha anunciou que ela também estava sangrando muito. Ela não soube dizer se o corte em seu rosto feito pela explosão era sua real dor.
— NAAAAO! – Skyller berrou enquanto as lagrimas escorriam cortantes sem pudor algum. Junto aos destroços Lupin jazia desfalecido, ensanguentado, morto, e viu novamente seus pedaços expostos, ali no chão. Ela olhou com ódio para a bruxa que sorria para ela e deixava o castelo aos poucos, como se ainda a provocasse. O sangue de seu rosto misturou-se com suas lagrimas e tudo que Skyller viu foi à oportunidade de matá-la. A única coisa que sentiu vontade foi de torturá-la, até que ela pedisse pela morte, ansiasse por ela. Tudo que ela queria naquele momento era libertar-se daquela dor que lhe sufocava. Skyller levantou-se ainda cambaleante, suas mãos também apresentavam cortes. O sangue escorreu fino pela varinha que ela mantinha em punho. Ela não sentia dor. A dor não era física.
Skyller viu a assassina desaparecer e subitamente tentou correr até ela, mas sentiu-se presa. Alguém a segurava pela cintura fortemente.
— Me solta! Eu tenho que... — debateu-se, chorosa.
— Você não tem que nada! Você não é uma assassina Skyller! – Disse Dumbledore.
Então um segundo jato de luz acertou-o, fazendo um grande corte na mão do velho diretor. Skyller caiu no chão, visto que Dumbledore parecia incapaz de continuar apoiando-a. Ela paralisou um último grito preso na garganta, desesperada, dolorida, diante de si, como em um filme em câmera lenta, a guerra continuava, jatos de luz reluziam no céu escuro. Pessoas eram atingidas, gritos de dor ecoavam em todo o castelo, sangue.
Skyller tentou mais uma vez em meio à dor correr, para onde ela nem sabia mais, mas Dumbledore agarrou-a, puxando de volta. Ele murmurou palavras tentando acalmá-la, quando ele próprio não poderia estar mais nervoso. Os gritos desesperados ao longe não ajudaram Skyller sair de seu estado de choque. Algo havia acontecido lá. O barulho de guerra havia cessado, mas os apelos ainda podiam ser ouvidos. Skyller se levantou devagar mente caminhando ainda dolorida até a próxima sala. O chão estava coberto de corpos desfalecidos que eram carregados por outros alunos. Ela não soube dizer em quantos pedaços seu coração estava partido. Quantos amigos teriam morrido pela guerra? Quantos ainda morreriam? Skyller virou-se, caminhou desajeitada até onde Dumbledore estava e deixou-se cair perto dele. Dumbledore levantou o olhar para observar o rosto da garota, antes de abraçá-la, deixando as lágrimas escorregarem pelo rosto. Ela sentiu a adrenalina sendo substituída pela dor e cansaço.
— Eu preciso... — ela tentou.
— Você nos ajudará muito, Skyller... Mas sua batalha não será travada aqui! Por aqui deixe que eu resolva — pediu Dumbledore, — Na guerra minha filha, mesmo que não saibam cada um tem seu papel vital! Quem moverá massas será Neville. – Ele apontou para o garoto que estava sentado na escadaria, o olhar estava baixo, ensanguentado, parecia exausto com uma espada na mão, mas ao mesmo tempo existia algo dentro dele, algo forte que seria capaz de fazer todos ali lutarem novamente. — Quem destruirá o mal será Harry travando uma batalha tão solitária quanto sua vida, quanto suas perdas! E a única pessoa capaz de acender a luz para aqueles que já se encontram encobertos pela escuridão é você! – Ela o olhou certa de que ela tinha uma missão que envolvia mais sentimento do que alguém pudesse imaginar. Seu caminho era escuro, mas o negror lhe pareceu familiar aconchegante.
Dumbledore se levantou calmamente. O calor da compreensão deixou lugar para um estranho frio, a solidão. Ela sabia o que deveria fazer. Skyller limpou a sujeira da roupa, como se deixasse para trás a dor e o medo, caminhou sem receio para fora do castelo, ao longe ainda podia se ver comensais e Dementadores.
— Avada keda... Skyller ouviu uma conhecida voz estridente que logo fora abafada por outro feitiço.
— Protego!
Ela se virou dando-se de cara com Bellatrix totalmente enlouquecida, que tentava a todo custo lhe matar. Ela estava completamente presa à ideia de matar Skyller, enciumada. No meio da penumbra mais alguém podia ser visto. O terno negro antes tão bem alinhado agora estava sujo e amarrotado. Os cabelos loiros quase brancos sempre tão bem arrumados estavam ensopados de suor. Draco mantinha firme em suas mãos a varinha apontada para Bellatrix, ele havia desviado o feitiço. Havia protegido Sky.
— O que pensa que está fazendo Draco? Está tentando matar sua titia? – Ela riu, e sua risada causou espasmos nas mãos tremulas dele.
— Draco o que você tá fazendo? Saia daqui! – Disse Skyller.
— Fique atrás de mim Sky! – Ele respondeu apenas.
— Olha só! – Disse Bella enquanto tocava a varinha no queixo pensante, — Você está colecionando muitos pretendentes! Gostaria de saber o que tem de tão especial à senhorita sem graça! Bom, vamos direto ao que interessa saia daí Draco, ela está na minha mira!
Ele permaneceu intacto com a varinha firme nas mãos. Se morresse, morreria por uma boa causa, por alguém que sempre esteve ao seu lado, e tudo finalmente teria valido a pena.
— Não! – Respondeu ele, — Você não a machucará!
— Não seja idiota garoto! Tão influenciável como seus pobres pais! Lorde vai adorar saber que tem mais traidores do que pensava! — Incarcerous!
Grossas cordas foram em direção ao garoto prendendo suas pernas, e em um baque surdo ele caiu no gramado, gemendo. Os olhares se cruzaram em fração de segundo. Skyller sentia a raiva dominar seu corpo de uma forma incontrolável, ela a odiava, tanto quanto isso era recíproco.
— Incarcerous Nerus – cordas negras saíram da ponta da varinha de Bellatrix em direção a Skyller.
— Impedimenta! – Ela respondeu com extrema rapidez, e as cordas se desfizeram como se fossem pó.
Não houve tempo para que Draco pudesse ter feito algo e muito menos para que Bellatrix se desviasse, e em questão de minutos algo pareceu ressurgir de dentro de Skyller. Seus olhos chegavam a cintilar o mais puro azul, o céu estava em tempestade, escuro e vazio, e de sua varinha uma enorme chama surgiu, com um piado forte a fênix se reergueu abrindo as enormes asas e delas mais labaredas surgiram. As chamas rodeavam Skyller e chegavam a estalar de tão intensas, e logo a fênix explodiu em fumaça que se reformou e se solidificou em segundos para se transformar num enxame de adagas. Elas foram rapidamente em direção a Bellatrix que tentava a todo custo se desviar das cortantes facas.
— Sky! – Gritou Draco, vá! Anda, você precisa ir!
Ela se ajoelhou no chão ao lado do amigo tentando libertá-lo das apertadas cordas, completamente desesperada.
— NÃO! Eu preciso te ajudar! Vamos Draco, me ajude com isso!
Ele segurou o rosto dela já machado de lagrimas.
— Sky, vá salvar Severo! Ele precisa de você, eu me viro!
Ela balançou a cabeça freneticamente tentando enxugar as lagrimas disposta a não mais ir. Então assim como o vento que acalma as nuvens, uma garota de cabelos vermelhos correu até eles, enquanto gritava:
— Corra Skyller! – Disse Gina, — Anda, vá!
Ela virou-se, as marcas das lagrimas ainda desenhavam seu rosto. Gina aproximou-se tentando soltar Draco,
Ela o olhou. Ele estava visivelmente cansado, machucado, mas ainda tentava a todo custo protegê-la de tudo que estava acontecendo. Ela afrouxou a varinha em suas mãos, a sensação de não tê-la tão presa entre os dedos lhe pareceu inédita. Ao longe ela viu quando Bellatrix finalmente pode se recompor, levantando-se do chão cheia de cortes.
Sky beijou o rosto de Draco, como se dissesse um breve até logo, como se fossem se ver novamente no próximo intervalo de qualquer aula. Ele sabia que não, ele sabia que dessa vez seria para sempre. Os olhos azuis de Draco se tornaram um mar de dor derramando-se de uma só vez. Ela tinha uma forma sutil de dizer adeus.
“Enquanto o mundo desmoronava, cada um de nós desmoronava junto. Era difícil saber quem estava mais louca, eu ou todos os outros.”
Ela correu, sendo engolida pela escuridão, e ele não mais pode ver o prata que lhe acalmava. Gina se reergueu rapidamente e quase fora atingida por uma maldição da morte que passou tão próximo que errou por um dedo. Draco se levantou confiante, indo de encontro a Bellatrix, mas antes que ele pudesse dar alguns passos ele sentiu algo passando a sua lateral.
— A MINHA FILHA NÃO, SUA VADIA!
A Sra. Weasley jogou fora seu casaco enquanto corria, deixando os braços livres, Bellatrix deu um giro, rindo estridentemente ao ver a nova desafiante.
— FIQUEM FORA DO MEU CAMINHO! — A Sra. Weasley berrou para os dois e com um simples balançar de varinha ela começou a duelar. Os jatos de luz voavam de ambas varinhas, o chão em volta dos pés das bruxas rachou; as duas estavam duelando para matar.
— O que acontecerá com seus filhos quando eu tiver te matado? — provocou Bellatrix
— Você -- nunca -- mais -- irá -- tocar -- nos – meu --- filhos -- novamente! — A Sra. Weasley gritou.
Bellatrix gargalhou de uma forma sarcástica. O feitiço de Molly passou por debaixo do braço de Bellatrix e a acertou em cheio no peito, exatamente sobre seu coração. O sorriso zombeteiro de Bellatrix congelou, seus olhos pareceram esbugalhar: Em um pequeno espaço de tempo que ela soube o que havia acontecido, e então ela tombou no chão, e a multidão de pessoas assistindo rugiu com furor. Draco manteve-se apoiado aos ombros de Gina e soube naquele momento que não estaria só, não mais.
Sweet dreams are made of this
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Travel the world and the seven seas
(Eu viajo o mundo e os sete mares)
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(Todo mundo está procurando alguma coisa)
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(Alguns deles querem te usar)
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(Alguns deles querem ser usados por você)
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(Alguns deles querem abusar de você)
Some of them want to be abused
(Alguns deles querem ser abusados)
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