Devora-me

41 Nascemos para morrer


Notas iniciais
Boa tarde queridas leitoras, estamos a 1 capitulo do tão temido epilogo kkk é poise, tudo tem passado tão rapido, que parece que foi ontem que comecei a fic! Acredito que esse seja um dos mais esperados capítulos, segurem os fornos, peguem os lenços, e preparem os desfibriladores!! beijoo

Feet don't fail me now

(Pés, não me falhem agora)

Take me to the finish line

(Leve-me até a linha de chegada)

All my heart it breaks every step that I take

(Todo o meu coração se rompe a cada passo que dou)

But I'm hoping that the gates

(Mas eu estou esperando que os portões)

They'll tell me that you're mine

(Digam-me que você é meu)

A escuridão havia a engolido de uma forma jamais experimentada. Ela não sabia onde seus pés cansados estavam a levando, mas sabia que de alguma forma eles saberiam aonde chegar. Porque não importava onde Severo estivesse, ela sempre o acharia. A ligação que existia entre os dois não poderia jamais ser cortada, nem por suas palavras duras, nem pela maldade.

“Me vi no chão, sozinha, meus amigos estavam definhando na guerra e a pessoa que eu amava não estava do meu lado. Então fiz o que qualquer pessoa perdidamente apaixonada pela vida faria: caminhei para a morte. Não apaixonada pela minha vida, porque quando se ama; a vida da gente se torna o mínimo perto daqueles que você tem que proteger.”

Ela caminhou por entre as folhagens, seus passos se tornaram duros e pesarosos. A chuva começava a cair mansa, gélida tocando cada parte de seu corpo, devorando-o. As gotas lhe atingiam a face com fúria e logo já estava encharcada e o sangue já não mais lhe manchava a pele. Ao longe o Salgueiro Lutador balançava suas folhas lançando longe mais gotículas de chuva. Skyller parou por um momento enquanto o fitava, segurando com força sua varinha. Ela respirou fundo, como se precisasse desesperadamente de mais ar, olhou de relance pela ultima vez para o castelo que havia ficado para trás. Conseguiu por um momento sorrir de leve, então apontou a varinha para o salgueiro.

— Petrifucus Totatulus! – Disse e então subitamente ele parou de se mexer, petrificado. Ela correu pela pequena entrada do salgueiro e embrenhou-se novamente em mais escuridão.

***

Entre os destroços do castelo Harry ofegava. Sua aparência de cansado não se comparava a dor que parecia estar sentindo. A cada Horcrux destruída ele parecia de alguma forma ser afetado. O suor escorria em sua face desesperada, enquanto calafrios percorriam seu corpo. Ele fechou os olhos enquanto entrava em um outro mundo.

“— Você não está com medo meu Lorde Potter pode morrer por intermédio de outras mãos? – Perguntou Malfoy com a voz tremula. — Não seria mais pudente parar essa batalha, entrar no castelo e pegá-lo?

—Não seja tolo Lucius! Você quer que a batalha termine para que você possa verificar se seu filho está bem! Não estou preocupado com Potter, ele virá até mim, não precisarei procurá-lo!

— Mas meu Lorde, — Continuou Lucius receoso, — E a menina?

Voldemort sorriu com escárnio fitando com seus olhos vermelhos a varinha que tinha em mãos.

— Antes que a noite termine, ela me procurará! Agora vá e me traga Snape!

— S-nape, meu senhor?

— Snape, agora! Eu preciso dele. Ele ajudará a atrair a menina! Vá!.”

Com sufoco Harry voltou e abriu seus olhos e ao mesmo tempo em que seus ouvidos escutavam gritos e choros da batalha.

— Ele está na casa dos gritos! A cobra está com ele, com algum tipo de proteção! Ele acabou de mandar chamar Snape!

— Na casa dos gritos? – Perguntou Hermione, — Mas ele não irá lutar?

— Ele acha que não precisa que eu irei até ele!

— Mas porque faria isso?

— Ele está mantendo a cobra sobre sua proteção! Ele sabe que estou atrás das Horcruxes... Onde está Skyller?

— A-ah, ela disse algo sobre “A batalha dela era em outro local!” – Disse Rony, — E desde então não a vimos!

Harry olhou para os dois e em seus olhos não havia mais nada do que puro desespero. Ele sabia que ela havia ido atrás dele, como Voldemort havia previsto. Ele fechou as mãos em punho, completamente descontrolado. Snape sabia, desde o começo. Fora apenas um plano para atrair ela até eles. Skyller estava cega de amor, e não via que quem ela havia entregado o coração seria o mesmo a despedaça-lo.

— Droga! – Disse Harry, enquanto corria no meio dos destroços.

***

Walking through the city streets

(Andando pelas ruas da cidade)

Is it by mistake or desire?

(É por engano ou desejo?)

I feel so alone on a friday night

(Sinto-me tão sozinha numa noite de sexta-feira)

Can you make it feel like home

(Você pode chegar e se sentir em casa)

If I tell you you're mine

(Se eu te disser que você é meu)

It's like I told you honey

(É como eu te disse querido)

“Não tenho medo de altura. Eu me jogaria de qualquer andar só para sanar essa dor. Não tenho medo do escuro. As luzes se apagaram dentro de mim há muito tempo. Não tenho medo de agulha. Cada desenho do meu corpo conta uma história diferente. Não tenho medo de chuva. Gosto do cheirinho de terra molhada e da calmaria que ela me traz. Não tenho medo de vassouras. Queria estar voando agora. Não tenho medo de nada. Até me apaixonar. Então senti pela primeira vez o maior de todos os medos: Perde-lo!”

Skyller se viu em um corredor escuro. Seus passos chegavam a ranger no chão de madeira, o lugar era velho e cheirava a mofo, cheirava morte. Ela teve a certeza que Harry já havia lhe falado de um local parecido com o que ela estava, mas por algum motivo ela não conseguia se lembrar. Ela continuou caminhando a cada passo seu coração parecia se romper, ao longe ela viu uma fresta de luz e uma voz abafada e rouca. Ela estava chegando, seu corpo resetava a todo momento.

— Ela não virá meu Lorde!

Era ele. – Pensou Skyller. O som da voz aveludada e arrastada fez seu coração disparar. Ele estava lá, com suas roupas negras e seu ar imponente, com sua costumeira mania de disfarça o sorriso, o transformando em uma linha fina, com seus olhos de ônix.

— Eu não teria tanta certeza disso Severo! – Disse Voldemort com um sorriso no rosto enquanto a porta rangia com o toque de Skyller.

Ela adentrou o local, assustada e totalmente encharcada. Seus olhos se encontraram imediatamente com os de ônix e congelaram. Ela sentiu o tremor que veio dos olhos dele ao vê-la, o medo, a dor. Ele deu dois passos para trás como se não acreditasse no que estava vendo, como se não cresse que ela poderia ser tão imprudente. Os cortes espalhados por todo o seu corpo a denunciavam, quantas vezes ela havia tentado se matar? Quantas e quantas vezes mais ela tentaria, na simples expectativa de vê-lo? As costas de Severo resetaram ao se encontrar com a gélida parede, e por um momento ele perdeu o ar. Ela abaixou os olhos enquanto uma fina lagrima desenhava seu rosto, para depois encarar os olhos vermelhos de Voldemort que os encarava com certa desconfiança.

“Então finalmente eu entendi as canções de amor, elas finalmente fizeram sentido”.

— Olha quem finalmente veio até mim! – Ele disse, — Não parece feliz minha querida! – Ele passou de leve as mãos no rosto dela, — E nem você Severo! – Ele o encarou, — Não está feliz por seu mestre?

Severo o encarou assustado, atordoado.

— Não meu lorde... É claro que estou feliz! E-u só....

— Pois não me parece muito satisfeito! Você a quer?

Ele sentiu-se desmoronar. Quase não conseguia encarar os olhos cinza, agora tão entregues. A dor que lhe atingia o peito quase o esmagava, o sufocava. Indescritível sensação de morte, de perda, de impotência.

“Eram 4 da manhã, ela estava entregue e eu, morto.”

Don't make me sad, don't make me cry

(Não me deixe triste, não me faça chorar)

Sometimes love's not enough

(Às vezes o amor não é suficiente)

When the road gets tough

(Quando o caminho se torna difícil)

I don't know why

(Eu não sei por quê)

Keep making me laugh

(Continue me fazendo rir)

Let's go get high

(Vamos ficar loucos)

Road's long, we carry on

(Vamos ficar loucos)

Try to have fun in the meantime

(Tente se divertir nesse meio tempo)

Ele não respondeu, não podia, nem se quisesse. Seu tempo de comensal jamais lhe ensinou como lhe dar com aquilo. Como lhe dar com as dores que os olhos não veem, que o tempo não cura. Ele continuou impassível, em seu rosto ele mantinha a velha mascara a posição de comensal, mas seu olhar expressava dor.

“Sabe como é difícil não dizer nada? Quando seu corpo inteiro quer fazer o contrário?”

— Você poderá tê-la, Severo! Quando ela não for mais útil para mim, lhe darei ela de presente! – Ele riu. — Mas hoje é uma noite especial, e agora temos assuntos inacabados para resolver! – Voldemort pegou com força nos cabelos prateados de Skyller sem nenhum cuidado, enquanto a levava para uma sala próxima. Ela olhou com os olhos rasos pela última vez, encontrando com as orbitas negras dele.

“Eu o amava tanto que doía.”

Voldemort a arrastou para uma pequena sala, onde conjurou rapidamente uma cama. A sala era tão fria e vazia quanto ele, não havia luxo nem conforto algum, estava tudo sendo às pressas.

Ele aproximou-se dela lentamente, tocou-lhe os cabelos prateados enquanto aspirava o aroma que deles exalavam. Skyller sentiu repugnância com o toque, estava com medo, estava com frio.

— Não tenha medo Skyller... – Ele sussurrou. — Prometo que serei cuidadoso, — Ele riu novamente enquanto retirava a varinha das vestes, — Sinta-se honrada por logo carregar um filho meu!

Skyller fechou os olhos esperando apenas que tudo tivesse logo um fim. Com um leve mover de varinha Voldemort balbuciou um feitiço para que qualquer tipo de magia que a garota estivesse rodeada fosse quebrado.

— Vire-se.

Ela moveu-se lentamente enquanto as lagrimas escorriam, se encontrado com os olhos vermelhos dele que a encaravam. Skyller viu o momento exato em que o sorriso amarelo dele morreu em seus lábios, dando lugar a nada mais do que o que o mais puro ódio. O feitiço de desilusão fora quebrado por ele, dando a visão clara de sua avançada gravidez.

“Ela havia sido tocada. Ela não mais lhe servia.”

— Se parece muito com seu pai Skyller. É uma verdadeira inútil. – Ele disse, sua face havia perdido a cor e sua expressão era a mais assustadora que qualquer um já vira. Ele pareceu cogitar matá-la ali mesmo, sem delongas, mas havia algo que ele precisava saber antes. — Diga-me quem teve a audácia de torna-la impura e sairá ilesa!

Ela o encarou com firmeza enquanto limpava as lagrimas. Não contaria, nem que isso lhe custasse à vida, jamais entregaria Severo. Ela então apenas balançou a cabeça em negação em forma de protesto e rebeldia. Os olhos de Voldemort se tornaram duas fendas escuras, ele apontou a varinha para ela e durante muito tempo, a única coisa que ela conseguiu se lembrar fora das últimas palavras dele.

— Crúcio!

***

Os berros de dor de Skyller invadiram todo o local. Severo sentiu-se descontrolado e totalmente sem rumo. Era como se seu coração tivesse sido esmagado e estilhaçado em mil pedaços. A cada grito dela, era como se ele também fosse atingido.

— Dane-se Alvo, e dane-se essa guerra! – Disse Snape tirando rapidamente a varinhas das vestes negras, e em uma extrema maestria sibilou. — Bombarda Máxima!

Come and take a walk on the wild side

(Venha e dê um passeio pelo lado selvagem)

Let me kiss you hard in the pouring rain

(Deixe-me te beijar na chuva)

You like your girls insane

(Você gosta de garotas insanas)

Choose your last words

(Escolha suas últimas palavras)

This is the last time

(Essa é a ultima vez)

Cause you and I

(Porque você e eu)

We were born to die

(Nós nascemos para morrer)



A porta abriu em um baque e tudo que passou por ela não passou de uma sombra. Ele arfou como se buscasse o ar que lhe faltou naquele momento. Skyller estava jogada no chão, cortes se distribuíam sobre sua pele tão delicada, no canto de seus lábios uma fina linha de um liquido vermelho caia. Ele se encontrou com os olhos quase sem vida dela, os cinzas quase apagados ainda conseguiram sorrir, como se vê-lo mesmo naquele estado tivesse lhe feito tão feliz. Snape encostou-se na parede tentando manter-se em pé, tentando não chorar, mesmo sentindo que o nó que lhe apertava a garganta seria fatal. Voldemort limpava tranquilamente a varinha no canto da sala. Ele se virou com um sorriso vitorioso nos lábios, e fitou o desatino de Snape, a muito ele não mais mantinha a máscara de comensal.

— Você foi muito ardiloso Severo! Bella havia me prevenido disso, mas não dei ouvidos as loucuras dela! O que achou? Que se deitando com essa vadia, impediria que eu ganhasse essa guerra? – Ele riu enquanto Nagini aproximava-se do mestre. — O amor de vocês é comovente! Espero que consiga aproveitar seus últimos momentos de pai!

Snape franziu o cenho não entendendo o que Voldemort havia dito. A dor de ver sua amada naquele estado o impediu de notar a saliência de seu ventre.

— O que, ela não te contou? – Disse Voldemort.

“Então, meu coração se partiu, em tantos pedaços que soube naquele momento que jamais me recuperaria. Meu rosto se contorceu, perdi o controle, apertei-o com força enquanto sentia algo quente molhar minha face. Não me importei que Voldemort me visse naquele estado, que ele sentisse meu corpo estremecer com soluços. Aquilo me sobrecarregou, partiu meu coração, meu estômago, minha cabeça, me invadiu e não pude aguentar. Achei que, sinceramente, não aguentaria.”


— Não chore Sev — murmurou ela, com um sorriso forçado pela dor que sentia. Senti meu corpo desabar sobre o chão. — Por favor. Não faça isso.

— Mate-o Nagini! – Sibilou Voldemort enquanto deixava a sala.

A cobra se aproximou rapidamente de Severo, e ele não se moveu nem um milímetro, já estava morto desde o momento em que a viu naquele estado. Skyller viu o rosto de Snape perder a pouca cor que havia ficado e o branco de seus olhos negros ampliados, enquanto os dentes da cobra perfuravam seu pescoço. A cobra saiu de cima de Snape e o sangue escorreu de seu pescoço onde antes as presas estavam cravadas. Skyller rastejou com dificuldades até Snape que mantinha os olhos vidrados. Ela tocou-lhe o pescoço fazendo pressão, vê-lo assim, a destruiu de todas as formas possíveis.

“Cheguei o rosto tão perto do dele que suas feições ficaram confusas e comecei a me perder nelas. Passei a mão nos seus cabelos lisos, no seu rosto pálido, na sua testa com a ponta dos dedos, as lágrimas escorrendo por meu rosto, meu nariz encostado no dele e ele não parava de me olhar em silêncio, atento como se guardasse cada molécula minha. Ele já estava indo para algum lugar impossível de alcançá-lo. Beijei-o, tentando trazê-lo de volta. Deixei meus lábios nos dele de maneira que nossa respiração se misturou e minhas lágrimas viraram sal na sua pele, e as dele na minha. Disse a mim mesma que, em algum lugar, pequenas partículas dele virariam pequenas partículas de mim, ingeridas, engolidas, vivas, eternas. Em algum lugar finalmente poderíamos estar juntos, e ninguém nunca mais nos atormentaria. Queria apertar cada parte minha nele, deixar alguma coisa minha nele, dar a ele cada pedaço da minha vida e obrigá-lo a viver. Percebi que sempre tive medo de viver sem ele, mas não estava agora com medo de morrer com ele.”


— Porqu-e, não me contou? – Ele disse com dificuldade, como se cada palavra tivesse se tornado um eterno martírio, — Porque os romances sempre terminam assim?

Estávamos destinados a uma vida de desapontamentos, a ficar eternamente do lado de fora olhando pela janela, enquanto lá dentro o restante do mundo vivia feliz. ”

— Não poderia te atrapalhar! Agora entendo o quão importante era a sua missão, o seu foco! E essa não é uma história de amor qualquer Severo, e eu amo você, de verdade. – Disse pela primeira vez, e aquilo soou tão perfeito aos ouvidos dele, que até conseguiu sorrir, pela última vez.

Snape a abraçou de leve, finalmente estava junto a ela.

Eu morreria por ela se pudesse. Mas ela queria que eu vivesse, e isso não estava mais em minhas mãos.”

E de repente tudo pareceu tão frio e tão escuro para ela, e ele sentiu que Skyller tremia de leve, e o que ele poderia fazer se a vida dele estava diretamente ligada na dela?

— Eu vou ficar bem – ela sussurrou em um último esforço, mas de alguma forma ele sabia que dessa vez ela não ficaria. — Esse lugar é tão vazio- disse ela, suas palavras já estavam quase inaudíveis, a voz soou rouca e cansada.

— Eu estou com você meu anjo... Sempre

“Aos poucos senti que a pressão que ela fazia no meu pescoço diminuiu, e eu ainda vi quando o brilho daqueles belos olhos cinza sanou junto com o sorriso. Uma última lagrima escorreu por meu rosto, mas eu sabia que nos encontraríamos novamente.”

— Snape, Skyller? – Disse Harry ofegante. Hermione tapou o rosto com as mãos, enquanto abraçava chorosa Rony.

Snape agarrou as roupas de Harry o puxando para mais perto. Um terrível ruído gaguejado saiu da garganta de Snape.

— Lev-e... Leve-as!

Algo mais do que sangue estava pingando de Snape. Algo azul prateado. Um frasco conjurado por Hermione foi colocado em suas mãos, e depois rapidamente colheu o liquido. Snape sorriu pela última vez ainda olhando para os três que choravam.

— Estou indo Sky! – Disse, e tudo ficou escuro.

A mão que segurava Harry foi ao chão, e Snape não se moveu mais.

Algumas coisas terminam com a morte, outras não.

We were born to die

(Nós nascemos para morrer)

We were born to die

(Nós nascemos para morrer)

We were born to die

(Nós nascemos para morrer)

Notas finais
e ai? tem alguem ainda vivo nessa fic????