Devora-me
23 Palavras ao vento
Notas iniciais

NO FINAL DA TARDE, POUCOS DIAS DEPOIS do Ano-Novo, Harry, Rony e Gina se enfileiraram ao lado do fogão da cozinha para regressar a Hogwarts.
— Se cuidem meninos! – Disse Molly chorosa, — Não se metam em confusões!
Os três entraram nas chamas verde- esmeralda e gritaram:
— Hogwarts! Rodopiaram velozmente, e tiveram a visão de toda a escola antes de caírem de joelhos na sala da professora McGonagall.
Ela mal ergueu os olhos do jornal quando eles saíram engatinhando da lareira. Minerva estendeu o jornal para os meninos, enquanto uma fina linha se formava em seus lábios. Os meninos se entreolharam sem entender, havia um estranho brilho nos olhos da professora, um misto de compaixão e tristeza. Mais uma morte se estendia na primeira pagina, mas essa definitivamente os afetou.
O MASSACRE DA RUA GRINTON
“Mais uma assustadora e misteriosa morte se arrasta por entre as frestas do mundo bruxo. Na tarde de anteontem o senhor Pitter Althoff Lannyester fora brutalmente assassinado em sua própria residência. Fontes confirmaram que ele fora torturado até a morte (...) A verdadeira causa do assassinato ainda é desconhecida, — Disse Rita Skeeter, — Mas não é segredo para ninguém que ele era um “ex” comensal! Certamente foi queima de arquivo, eu apostaria meus glitters nisso! A questão agora é, — Continuou ela, — Quem ficará com a pobre menina órfã, Skyller? Ela será capaz de perdoar o assassino?”
Uma foto de Skyller tirada forçadamente estampava a primeira capa.
— Merlin! – Disse Gina tapando a boca, completamente chocada.
Harry amassou com raiva o jornal. Rita fizera com Sky o mesmo que sempre fazia com ele, espalhar noticias dolorida como se fossem mais uma, sem nenhuma importância.
— Foi ele não foi? – Perguntou Harry a professora.
— Harry, nós não sabemos ao certo! – Respondeu Minerva, — Quando Skyller chegou a vê-lo ele já estava morto! Alvo e Severo estavam com ela, e eles não encontraram nada que ligasse a morte de Pitter com Voldemort!
— O que Snape estava fazendo lá? – Ele praticamente cuspiu o nome dele, — Vocês não veem? Ele está do lado de Voldemort, não duvido que ele tenha culpa no cartório!
— HARRY! – exclamou Gina, — Não seja cruel! Nem sequer pense em dizer isso perto da Sky!
— Ginerva tem toda razão Harry! – Disse Minerva o repreendendo, — Todos nós sabemos que Severo trabalha como espião para Dumbledore! E se Dumbledore confia nele, todos nós devemos confiar! Agora sugiro que vão ver como a amiga de vocês está sem falar baboseiras!
Os três acenaram com a cabeça e seguiram rumo à torre da Grifinoria, no hall de entrada Hermione ainda tentava colocar todas as suas malas. Ela correu em direção ao trio.
— Então, os boatos são verdadeiros? – Ela perguntou preocupada.
— Infelizmente sim! – Respondeu Harry seco.
— O que vamos fazer?
— Só nos resta estar com ela! – Disse Gina, — Nem consigo imaginar como foi o natal de Sky! O que podemos fazer agora é estar com ela!
***
Quando amanheceu Skyller voltou para os seus aposentos. Como sempre saiu sem que Snape se dessa conta. Ela se jogou na cama ainda não acreditando na turbulência de acontecimentos que haviam acorrido em sua vida em tão pouco tempo. Ela fechou os olhos e pensou em seu pai. Pensou no que ele diria se soubesse que ela estava apaixonada por um professor, e que o mesmo dizia corresponder a esses sentimentos. O que ele diria se soubesse que a noite passada ela passou com ele, sendo amada por ele, de todas as maneiras possíveis.
“Ele não é homem pra você Skyller! – Ela sorriu imaginando o que ele diria — Você ficou louca? Snape? Severo Snape? Eu a proíbo! Ele, só quer te usar menina! (...) O que? Aquele cafajeste tocou em meu anjinho?”
Pitter jamais aprovaria, ele era orgulhoso demais, assim como Snape. Eles jamais dariam certo.
Perdida em devaneios ela nem notou quando seus aposentos fora tomado pelos amigos, curiosos, ela só se deu conta, quando Gina sentou próxima a sua cama.
— Como está se sentindo?
Skyller os encarou. Provavelmente todos já sabiam. Uma coruja havia lhe trago o jornal dessa manha, o jornal que ela deixara na escrivaninha de Snape. Algumas gotas de lágrimas molharam o jornal e as letras ficaram borradas... Borradas de dor, borradas de uma ferida ainda não cicatrizada. Ela conhecia Rita, e sabia o quão cruel àquela mulher poderia ser somente pelo prazer de estampar a primeira pagina.
“Minha vida, meus pedaços estampados para todos sentirem pena!”– Ela pensou.
— Quebrada! – Disse em tom melancólico, — Com todos os meus pedaços ainda espalhados no chão da sala onde meu pai estava!
Eles a abraçaram, enquanto uma fina lagrima desenhava o rosto de Skyller. Naquele dia, para Harry choveu. Uma tempestade terrível que manchava o céu a sua frente, Sky, um nome de céu, mas não como sempre fora, limpo e ensolarado, agora estava nublado e tristonho. Eles ficaram lá por algum tempo, tentando consola-la da melhor maneira possível, então depois foram obrigados a descer para assistiram as aulas.
Skyller não soube dizer por quanto tempo ainda permaneceu em seus aposentos, mas não estava com animo nenhum para assistir alguma aula. Só decidiu descer quando a fome não mais lhe permitiu permanecer ali.
Ela andava pelos corredores quando ouviu conhecidas vozes.
— Ele a quer e você sabe disso! – Dizia Draco em tom melancólico
— Eu não vou leva-la, você vai? – Perguntou Snape o pressionando contra a parede.
— Você sabe que ele confiará essa tarefa a você Snape! Deixará de ser o braço direito dele?
Snape bufou irritado. O circo estava cada vez mais fechado e ele não sabia o que fazer. Voldemort não podia tê-la, isso significaria inúmeras coisas, um herdeiro poderoso, uma batalha perdida, e perder Skyller, para sempre.
Draco sorriu sarcástico.
— Péssimo momento para se apaixonar professor!
— Se você contar a alguém eu... – Snape ameaçou, suas orbitas estavam negras de puro ódio.
— Não vou contar! Não por você, mas por ela!
Skyller viu quando Snape deu as costas para Draco, provavelmente seguindo rumo às masmorras. O garoto permaneceu ali inerte, com seu terno elegante e bem alinhado. Skyller se aproximou, temendo que o pior já tivesse acontecido.
— Draco?! Você está bem?
Ele a olhou, diferente, a olhou como se ela fosse qualquer outra pessoa, arrogante.
— E porque não estaria?
— O que está pegando heim? – Disse ela, — Porque está agindo assim, como um imbecil? – Ela tentou tocá-lo, mas ele desviou.
— É melhor você voltar para o seu dormitório... Não quero que me vejam aqui... Com você! – as palavras soaram pesadas e difíceis de dizer.
Ela o olhou, incrédula. O Draco que conhecia jamais diria aquilo. Há algum tempo ela notou que o garoto havia mudado. Afeiçoes tristes, olhar vazio, distante de tudo e de todos, cheio de segredos. Mas havia algo naqueles olhos azuis que o denunciava. Ele jamais soubera mentir, muito menos esconder algo dela.
Skyller se aproximou, e rapidamente puxou a manga do paletó que ele usava, Draco tentou se afastar mas já era tarde.
Ela sentiu como se sua respiração fosse falhar a qualquer momento. O coração bateu no peito dolorido, despedaçado, ela mal conseguiu segurar o braço tatuado do garoto.
— Eu não acredito que v-oce... – Ela hesitou, enquanto as lagrimas escorriam pelo rosto, Draco preferiu a morte, a vê-la naquele estado, por ele.
— Eu não pude evitar Skyller! Eu não tive escolha!
Draco se aproximou tentando consola-la, ela se esquivou.
— NÃO ME TOQUE! – Gritou, — VOCE PROMETEU DRACO! Você prometeu que não faria, que não seria um deles! Não me venha com essa de escolha! Eu poderia ser um deles, mas não sou!
— ACHA QUE ESTOU FELIZ? – Ele disse irritado, — Acha que a minha vida está mil maravilhas? Estou tentando proteger as pessoas que amo, Skyller, e caso não tenha notado, você está inclusa! Por isso seja mais agradecida, o que o seu pai diria? – Ele disse sem perceber.
Ela o olhou, com os olhos marejados. Havia perdido tudo.
— Ele não está mais aqui Draco! Ele não está mais aqui!
E saiu em disparada, rumo a qualquer lugar que lhe desse paz. Ela não queria ouvi-lo, estava farta de explicações, justificativas dos erros cometidos.
— SKYLLER! Eu não quis dizer isso! – Draco gritou arrependido, mas já era tarde, e ela já estava longe.
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