Devora-me

24 Surpresas de Aniversario.


Notas iniciais
LEMBRANDO QUE EU NÃO FAÇO E NUNCA FIZ APOLOGIA A NENHUM TIPO DE DROGA.

Skyller correu o máximo que pôde, até o gramado que dava visão para a floresta proibida, aquele por algum motivo era um lugar que ela podia ficar em paz. Ela sentou-se na beira da fonte, aspirando o ar daquela noite, tentando não sufocar com sua própria dor, com sua angustia. Tudo que ela temia estava acontecendo, a volta de Voldemort,a morte do pai, e Draco ter se tornado um deles. Ela não soube dizer o que naquele momento lhe doeu mais, tudo estava acontecendo tão rápido e ela mal conseguia absorver.

“Quantas pessoas eu ainda perderia, para finalmente ter alguma paz?” – Pensou.

Um fio de lagrima escorreu pelo rosto delicado enquanto ela retirava de dentro da capa, algo que andava evitando por muito tempo. O maço deslizou pelas delicadas mãos, que deram uma leve batida retirando um fino cigarro negro. Ela o colocou na boca o acendendo e dando leves tragados.

Havia se passado tanto tempo, desde a primeira vez que precisou de um para suportar as feridas. Ela tragou mais um pouco e soltou a fumaça vendo-a perder-se no ar, sentindo cada pedaço seu ser tomado por aquela maldita droga. Ele a acalmava, mas também a destruía.

Do corredor escuro Snape viu uma garota de cabelos prateados sentada observando a floresta proibida. E por algum motivo seu coração deu sinais de vida, e ele sentiu uma vontade enorme de abraça-la e tira-la de toda aquela guerra de todo àquele mal, que acabava com a luz natural que Sky sempre emanava. Ele semicerrou os olhos, tentando entender o que era a fumaça que a garota brincava soprando.

“O que aquela maluca está fazendo?”

— Skyller? – Ele disse cautelosamente fazendo-a virar-se para ele.

E então ele viu o que ela estava fazendo, e isso o deixou furioso. Snape finalmente entendeu o porquê ela tinha a irritante mania de estar sempre com algum doce na boca. Quando estava nervoso ele se refugiava na bebida e ela nos cigarros. Ele ficou imaginando o quanto ela estaria mal a ponto de fumar. Pelo que ele observara da garota, ela evitava o vicio, por isso sempre mantinha a boca ocupada com algum misero doce, tentando não refugiar suas dores no cigarro.

— Que diabos significa isso? – Ele disse irritado.

“E ele também era como os meus cigarros. Sempre me acalmavam, e me perseguiam como um verdadeiro vicio, mas também me destruíam.”

— Estou fumando, e não estou em local proibido! – Disse ela com desdém.

— Acha que afogar-se nessa merda toda vai lhe tirar a dor? Acha que tragar isso, lhe trará a paz? Não seja ridícula!

— Me deixa Severo, por favor!

Um silencio constrangedor pairou ali, entre os dois. Vê-la assim daquela forma tão entregue lhe machucou, não fazia o jeito dela.

— Não posso! Não mais... – Ele disse com a voz baixa e rouca.

Ela tragou com força o cigarro, já tirando outro do maço.

— O que pensa que esta fazendo? Você mal sabe fumar garota, largue isso! – Disse tomando o maço de suas mãos.

— As outras pessoas fumam para se distrair, ou para sustentar o vicio. Eu fumo para morrer! – ela respondeu monotonamente. — Eu não tenho mais nada Severo...

— Você tem a mim! – Disse ele tocando de leve no seu rosto para que ela o olhasse, — E eu quero ter a certeza que também terei você!

Ele a encarou pela primeira vez a luz que a lua refletia. Ela estava diferente, mudada. O rosto não tinha mais a maquiagem pesada, ele estava naturalmente perfeito. E se antes Severo ouvisse algo sobre se apaixonar pela segunda vez ele certamente riria de tanta babaquice. Mas naquele momento ele teve a certeza que havia se apaixonado pela segunda vez.

Os olhos antes quase escondidos por uma pesada sombra agora o olhava, serenos com a costumeira nuvem cinza que sempre os cobria, mas que às vezes mudava para um azul cintilante. Era o céu dos olhos dela, que se abriam. Hoje estavam enevoados, mas belos, como nunca estiveram. Algumas leves sardas enfeitavam as bochechas coradas pela proximidade dos dois. E ele amou cada manchinha naquele perfeito rosto, que era uma estrela de seu céu. Ele as amou naquele momento e para sempre.

— O que é isso, são sardas? – Perguntou ele alucinado

— O que foi? –Disse tentando esconde-las com as mãos, — Não queria que me visse assim... Ah algum tempo estou tentando eliminá-las com magia, e pegar um maldito bronzeado...

— E porque está fazendo isso?

— Eu me camuflo demais, — Disse se referindo a não ter sido antes notada por ele, acho que as pessoas preferem as morenas! Você sabe; algumas coisas não são belas de perto.

— Você é.

E sutilmente os lábios se tocaram em um beijo casto, que como sempre se tornou faminto. Faminto porque pertencia um ao outro, e como almas que foram feitas para amar, precisavam mais do que nunca fundir-se e tornarem um só.

***

NO DIA SEGUINTE, HARRY CONFIDENCIOU A Rony , Hermione e Skyller o dever que Dumbledore lhe passara, e as varias memórias que o diretor havia lhe confidenciado.

— Acho que não será difícil! – Disse Rony com a boca cheia de comida, — Voce sabe, o professor Slughorn ama você! Ele dirá fácil!

— Acho que não seja exatamente por ai Rony! – Disse Hermione, — Se ele modificou as memórias é porque não quer que ninguém as veja! Não será fácil!

— Bom não custa tentar não é? – Disse Sky movendo os ombros.

***

— Quero que cada um de vocês venha apanhar um dos frascos sobre a minha escrivaninha. E deverão criar um antídoto para o veneno que o frasco contém antes do fim da aula. Boa sorte, e não se esqueçam das luvas protetoras! – Disse Slughorn.

Hermione tentava a todo custo impressionar o professor e sair no posto de terceira melhor da sala. Skyller não fez muito esforço em se sair bem nessa aula, ela sabia que Harry precisava se sobressair para perguntar Horacio sobre a lembrança. Mas o menino não sabia o que fazer nem com o livro do “Príncipe mestiço”

— Ei, cochichou Sky para Harry, — Porque não está fazendo o antídoto?

— Faltam cinco minutos! – Disse Horacio.

— Não sei o que fazer! – Respondeu, — Não tem nada escrito aqui!

Skyller pensou. Faltavam poucos minutos para a aula se encerrar, não daria mais tempo de fazer algum antídoto. Ela precisava pensar em algo mais pratico e rápido.

— três minutos!

— Já sei! – Disse Skyller sorridente, — Bezoar Harry! Pegue logo o maldito Bezoar!

O menino correu até a gaveta pegando uma pequena pedrinha e voltando ao seu lugar.

— Acabou o tempo! – Gritou o professor.

Horacio soltou um muxoxo ao ver que Skyller não havia feito nada.

— Sinto muito por seu pai querida! – Disse ele dando leves tapinhas nas costas de Sky, — Sei que está muito afetada ainda, por isso não conseguiu fazer a poção! Não se preocupe da próxima conseguirá!

— Com certeza senhor! – Disse entediada.

Horacio não chegou a olhar as outras poções, ele enxergava apenas dois alunos naquela turma, e apenas um se sobressaiu.

— Parabéns Harry! Ótimo raciocínio em pensar no bezoar! Se parece muito com sua mãe! Oho, ela era muito lógica também!

Então todos saíram da sala ficando apenas Harry e a esperança de descobrir algo.

***
— E então? – Perguntou Skyller para Harry.

— Nada. Ele não me disse nada! – Respondeu.

— Voltamos ao ponto de partida! – Disse Hermione cansada.

— Nós pensaremos em algo! – Disse Sky.

A neve em torno da escola derreteu com a chegada de fevereiro e foi substituída por uma umidade fria e monótona. Nuvens cinza-arroxeadas pairavam a baixa altitude sobre o castelo, e uma chuva gelada contínua deixava os gramados escorregadios e lamacentos.

Era 14 de fevereiro, e aquele dia não passou despercebido.

— Aaah FELIZ ANIVERSÁRIO SKY! – Gritaram os meninos pulando na cama, tentando acordá-la.

Ela sorriu com a bagunça. Sentiu-se feliz e aconchegada, pois na outra escola ninguém nunca se lembrava de seu aniversario.

— Como vamos comemorar? – Perguntou Rony.

— Cerveja! – Disse Gina, — Vamos à Hogsmeade!

— Mas hoje tem aula! – Disse Hermione.

— E quem liga? – Disse Sky sorridente.

Eles seguiram rumo ao Três Vassouras sorridentes, e lá ficaram até anoitecer. Pela primeira vez naquele ano, não se preocuparam com nada, e nem pensaram na tensão de uma guerra próxima.

— Um brinde a branquela mais casca grossa que já conheci! – Disse Harry subindo na mesa.

— Um brinde a sorte! – Disse Sky.

E então ela percebeu o que havia dito.

— Sorte! É isso pessoal! É isso que precisamos para falar com Slughorn.

— Ah mas isso é certeza, riu Harry.

— Não, vocês não entenderam! O frasco que você ganhou de Felix Felicis Harry! Isso nos ajudará!

Todos se entreolharam surpresos. Skyller era extremamente lógica, e aquela conclusão era brilhante. Eles saíram cantarolantes do bar rumo a Hogwarts, por hoje aquilo era mais do que suficiente.

Na escuridão do castelo Sky cambaleava sorridente, quando sentiu fortes mãos a agarrando, ela já ia gritar assustada, quando um halito quente lhe sussurrou.

— Posso saber onde esteve Senhorita Lannyester? Estive lhe procurando a manhã inteira!

Ela engoliu em seco. Ele estava perto demais.

— Eu estava comemorando, hoje é o meu...

— Aniversário! – Ele interrompeu, — Eu estou ciente! Acho que os seus amiguinhos já ficaram o suficiente com você!

Ele lambeu o lóbulo dela.

— Agora é a minha vez!

— S-ua vez?

— Sim, minha vez de lhe dar os meus presentes! Ele mordeu o pescoço dela, fazendo-a gemer.

— Que tipo de presente? – Ela provocou.

— Do tipo grande!