Devora-me

18 O lobo e a Serpente


Notas iniciais
E ai lindas, como vão? Então gostaria de agradecer a todas que comentam nos meus capitulos! Nada disso seria possivel sem vocês

No outro dia Skyller estava aos pedaços. Aquela maldita vozinha de “eu te avisei” insistia em lhe tirar a paz. Agora se sentia acuada, com uma nova dor no peito, uma dor perigosa que nunca tinha sentido.

“Preciso arrumar uma forma de esquecê-lo. Antes que seja tarde, tarde demais...”.

Ela ajeitou seus cabelos em frente ao espelho e desceu rumo ao gramado, onde um aconchegante sol banhava tudo. Ela conseguia sentir cada gotícula de orvalho, cada textura que escorria por entre os dedos, deixando escapar a boa energia que era transferida. Sky jogou a cabeça para trás enquanto o sol lhe abraçava, mesmo com aquele maravilhoso e raro dia, tudo lhe pareceu nublado.

— Olha, parece que encontrei uma tempestade nesse céu! – A voz soou conhecida, fazendo com que Skyller olhasse para trás, tendo a visão de um enorme e radiante sorriso.

— Remo! – Ela levantou-se sorridente dando um forte abraço nele.

— Uou, — Ele riu, — Que delicia de abraço! Mas diz ai, porque está triste?

Ela olhou nos fundos dos olhos castanhos dele, e lá viu a oportunidade de esquecer Severo. Ela não soube dizer se o que estava prestes a fazer era certo, esquecer um nos braços de outro, mas dessa vez seria sem jogos, naturalmente ela deixaria rolar.

— Nada importante! – Ela disse dando de ombros, — Mas e ai, o que faz aqui?

— Como assim, o que faço aqui? – Ele fingiu magoa, — Hoje tem jogo, Grifinoria x Sonserina! Vai dizer que não sabia?

Skyller balançou os ombros, ela não era muito ligada a jogos, na verdade a ultima vez que ela tentou subir em uma vassoura, parou no hospital com alguns ossos quebrados e um pai extremamente nervoso. Mas lembrou-se que foi em um dos raros jogos que assistiu que conheceu Victor Krum, seu primeiro namorado.

— Bom de toda forma você gostaria de me acompanhar nesse jogo? – Ele pediu fazendo uma reverencia exagerada.

“Lobo safado!”

— Ah, claro! – Ela sorriu.

E quando finalmente Skyller se deu conta ela e Lupin estavam sentados na arquibancada da Griffinoria, conversando e rindo das varias historias que ele contava. Ele definitivamente era uma boa companhia, e se quisesse podia talvez ocupar o lugar que Severo teimava em ficar. Lupin era exatamente ao contrario de Snape. Ele era engraçado, amigável e extremamente gentil, sabia conquistar uma mulher como um verdadeiro cavaleiro.

“Ele era perfeito. E quem me dera apaixonar sempre pelos príncipes. Eu era errada, e completamente ao contrario. Apaixonava-me pelos vilões, por aqueles que assim como eu eram feitos de negror. O que me atraia de verdade era o indecifrável, a voz que arrepiava cada centímetro do meu corpo era aveludada e sarcástica. Isso doía, doía mais do que pancadas em um hematoma, mas eu precisava esquecê-lo, precisava esquecer cada centímetro daquele corpo másculo, esquecer como os lábios finos se moviam em um sorriso safado... Esquecer o abismo que eram seus olhos. Droga!”

Então de repente as arquibancadas começaram a se encher de alunos e professores. E do outro lado, Skyller viu a serpente lhe fuzilando com os olhos. Por um momento ela se sentiu acuada, como uma criança prestes a correr do bicho papão, e Lupin pareceu perceber isso, tocando de leve sua mão e a segurando logo em seguida. Sky sorriu ao ver a famosa carranca se formar, Snape nem prestava a atenção no jogo a sua frente, havia algo mais intrigante pra ele do lado direito da arquibancada.

***

Pelo corredor a capa esvoaçava. Por onde ele passava um rastro de negror ficava, e ele gostava disso. Adora ver o medo estampado no rosto dos alunos ao vê-lo, adora vê-los abrir caminho sem que ele sequer precisasse pedir. Severo comprimiu os lábios em um sorriso maldoso. Estava louco para ver as Serpentes esmagarem os leões... Seria um real massacre, e ele já formulava mil e uma frases sarcásticas para dizer a Potter. Ele caminhou até a arquibancada, sentando-se no melhor lugar enquanto os outros professores e alunos se acomodavam. Então ele a ouviu. Uma risada que ecoou a longa distancia.

“Maldita, porque ela tem que ser tão escandalos...”

Ele hesitou, quando viu quem estava com Skyller.

“O que diabos esse lobo dos infernos está fazendo aqui?

Snape bufou irritado, quando viu Lupin pegar na mão de Sky, a outra mão logo achou o caminho dos ombros da garota.

“ Ah, Skyller você irá se arrepender amargamente de...”

— Você está bem Severo? – Perguntou Horacio.

— Estou ótimo! Porque não estaria?

— Bom, você parece incomodado com algo! Não para de se remexer! – ele disse risonho.

— É que existem algumas coisas que eu não aceito! Como toda aquela pouca vergonha, que até me fere os olhos!

Horacio seguiu com os olhos o caminho que os de Snape fizeram, encarando Lupin e Skyller.

— Oho! Não seja tão ranzinza Severo! Todos nós já fomos jovens! Deixe o casal em paz!

— C-asal? – Ele olhou incrédulo para Horacio.

— Bom, parecem um não?

“MAIS UM GOL PARA A SONSERINA!” – Gritou Lino, fazendo a arquibancada das Serpentes irem à loucura. Snape nem sequer se ergueu, ainda olhava raivoso para o “casal”.

“Isso não vai ficar assim, Dona Sky.”

***

Era difícil dizer os motivos que levaram Harry a perder o pomo tantas vezes. Ele definitivamente não estava focado no jogo, parecia imerso em seus pensamentos. Agora recebia as vaias e as brincadeiras de mau gosto do time adversário que havia ganhado com orgulho. Skyller não ligava para jogos, mas ficou preocupada quando viu Harry sair bufando do campo.

— Que pena que a Grifinoria perdeu! – Disse Skyller já se levantando.

— É uma pena mesmo! Mas eu ganhei algo muito melhor do que uma vitoria! Sua companhia acabou tomando o lugar da derrota! – Ele disse galante, enquanto enlaçava devagarmente o braço na cintura de Skyller. — Agora senhorita, — Continuou ele a fitando nos olhos, — poderia me dar à honra de sua companhia mais tarde... Quem sabe para jantarmos?

Ela sorriu, logo corando.

— Não poderá não! – A voz soou assassina atrás de Lupin, fazendo com que os dois se virassem assustados.

— Snape? – Lupin riu sem graça, — Como vai? – Ele estendeu a mão para cumprimenta-lo.

— Perfeitamente bem. – Ele disse pausadamente nem ligando para a mão que ficara estendida.

— Ah, então, eu estava convidando a Sky para sair mais tarde e...

— Ela não poderá! –Ele respondeu seco encarando nos olhos do lobo.

Skyller formou um “o” com os lábios, incrédula.

“O que esse idiota está fazendo? Lá se vai a minha chance de molhar o biscoito... Digo, de esquecer esse maldito!”

— E porque não? – Lupin perguntou também o encarando, estavam a um palmo de distancia um do outro.

“Se rolar beijo eu vomito!”– Pensou Sky.

— Porque a Senhoria Lannyester estará de detenção comigo!

— Detenção? – Ela disse.

— Calada! – Rosnou Snape.

— Bom, nesse caso, — Disse Lupin, — Talvez possamos marcar para Sexta Sky, as oito!

— Ela também não poderá! – Disse Snape com um sínico sorriso no rosto, já a pegando pelo braço.

— Quando ela sairá dessas detenções? – Perguntou o lobo já irritado.

— Ela não sairá! – Respondeu Snape virando-se rumo aos corredores, com Skyller ao seu encalço.