Devora-me

19 O silencio que ficou


Notas iniciais
Bom dia geente! o// Esse capitulo tá um pouco tenso, como todo mundo sabe depois de um capitulo em que os forninhos caíram sempre vem um para mexer com as nossas cabeças :/ ele é um pouco triste e espero que entendam que ele é fundamental para a trama. Esse acontecimento marca a mudança de Skyller. Ela não será mais a mesma depois dos fatos ocorridos, é exatamente nesse capitulo que o humor de Sky muda, e junto com ele suas brincadeiras. Ela precisará mais do que nunca agora da ajudinha de um certo mestre para juntar seus pedaços e mais a frente voltar a ser o que era.

Aquele fora o 24 de dezembro mais agitado da vida de Skyller, Gina acordara todos, logo cedo totalmente empolgada arrumando a mala. Sky perdeu as contas de quantas vezes a menina a chamou para passar o natal em sua casa.

— Você vai perder Sky... – Dizia ela, — Mamãe sempre prepara um banquete para o natal! E todos estarão lá!

— Eu sei, eu sei Gina! Mas já havia prometido para Dumbledore que passaria aqui! E alem do mais, nós convidaremos papai para passar conosco! Não daria certo na sua casa, você sabe... Harry tem certa implicância...

Gina a olhou tristonha. Ela queria muito que elas passassem o natal juntas, mas de certa forma Sky tinha razão. Esse ano Harry havia tomado uma implicância com qualquer um que já tenha tido algum contato com Voldemort,e a ultima coisa que ela queria era o garoto brigando e fazendo interrogatórios ao pai de Sky.

— Jorge e Fred irão ficar arrasados! – Disse a ruiva, — Eles estavam planejando lhe mostrar algumas de suas invenções, para você “aplicar” aqui... Em alguém é claro!

Skyller deu uma gargalhada. Ela definitivamente sentia falta dos garotos extrovertidos que conhecera no começo do ano letivo. Pena ela não ter tido oportunidade de tê-los conhecido antes.

— Gina, você acaba de me dar uma ideia mirabolante! – Ela disse em tom maldoso, retirando do bolso de sua capa vermelha um pequeno frasco.

— Menina, você é louca? Não me diga que...

— Agradeça Jorge e Fred por mim! Esse negócio me será muito útil!

— Sky! Estamos na véspera de natal, o que diabos você irá fazer com um poção de “cresce furúnculos”?

Skyller riu, só de pensar no que faria com o presente dos gêmeos.

— Digamos que irei tratar dos porcos! – Ela deu uma piscadela sapeca para Gina saindo dos aposentos e indo em direção as masmorras.

***

Severo adentrou nervoso na sala do diretor. Em um baque a porta fora batida, e nos olhos do mestre havia uma estranha cor assassina.

— Não dá para acreditar! –Disse Severo impassivo, — Em plena véspera de natal e ainda não consigo me livrar desses irritantes e problemáticos Grifinorios!

Dumbledore riu sem nada entender.

— Do que está falando meu filho?

— Crabble me apareceu agora a pouco, com o rosto cheio de furúnculos! – Ele rosnou.

— Se não me falha a memória, Crebble é de sua casa Severo! Não entendo porque tanta implicância com a Grifinoria!

— Ora! Não é possível que não vê! O menino comeu algo enfeitiçado com alguma poção idiota! Fiquei horas tentando desfazer o maldito feitiço!

— E? – Perguntou Dumbledore ainda sem entender.

— Quem seria a única pessoa capaz de fazer tal atrocidade? – Severo levantou uma sobrancelha.

— Eu não faço a menor ideia meu filho, seja mais claro!

— Skyller Jane Lannyester, Gryfinoria! – Ele se remexeu incomodado.

— Deixe de bobagens Severo, a Senhorita Skyller não seria capaz disso!

— Você a protege demais Alvo! Não sabe do que aquela garota é capaz, mas eu sei! E se não vai dar um jeito nela, eu vou!

Dumbledore deu uma leve piscadela para o homem a sua frente, em sua cabeça mil e umas más intenções perambulavam.

— É claro que vai! – Respondeu o diretor.

Um leve bater na porta não deixou que Severo o rebatesse. Com apenas um mover das mãos Dumbledore fez com que a porta se abrisse exibindo uma conhecida silueta.

— Ah! Ainda bem que chegou senhorita! Estávamos falando de você! – Disse Dumbledore sorridente.

— Serio? E o que estavam falando? – Perguntou Sky.

— Ah, sim! Severo falava que daria um “jeito” em você!

Ando tendo minhas duvidas sobre a masculinidade desse homem – Ela praticamente sussurrou, mas não passou despercebido por Snape.

— O que disse? – Snape rosnou aproximando-se nervoso da garota.

Skyller sorriu sem graça enquanto enrolava uma mecha de cabelo demonstrando seu embaraço.

— Nada não!

— Estamos todos prontos? – Disse Dumbledore tentando quebrar à tensão que ficou.

Todos acenaram com a cabeça e então tão subitamente quanto se possa imaginar, Skyller sentiu como se tivesse sido sugada, e a visão de uma conhecida casa se fez presente.

A garota de cabelos prateados ainda gargalhava pela piada que o diretor havia contado. Snape revirava os olhos em perceber como ela era de riso fácil, as piadas do velho eram piores do que as de Horacio. Eles se aproximaram de uma elegante porta de entrada, onde Skyller tocou de leve na maçaneta dourada, hesitando por um breve momento. A maçaneta sempre em perfeito estado encontrava-se naquele momento com vestígios de arrombamento.

Memories seep from my veins

(A lembrança vaza das minhas veias)

Let me be empty

(Deixe-me ficar vazia)

Oh and weightless and maybe

(E sem peso e talvez)

I'll find some peace tonight

(Eu encontrarei alguma paz esta noite)

Ela parou ainda segurando a maçaneta, um estranho frio atingiu seu peito, e ela temeu que talvez algo tivesse acontecido. Snape olhou preocupado para Dumbledore que retirou a varinha das vestes. A porta rangeu com o toque leve de Skyller enquanto o riso antes tão fácil não saiu completamente de seu rosto, mas seus olhos se arregalaram em choque. A casa estava totalmente revirada, com objetos quebrados espalhados pelo chão, e por um momento ela pensou que talvez estivesse novamente em um de seus pesadelos.

Apesar do vento forte, que ainda balançava as cortinas brancas algo naquele local pareceu morto e silencioso.

So tired of the straight line

(Tão cansado de andar na linha)

And everywhere you turn

(E para todo lugar que você se vira)

There's vultures and thieves at your back

(Há abutres e ladrões as suas costas)

And the storm keeps on twisting

(E a tempestade continua se retorcendo)

You keep on building the lies

(Você continua construindo as mentiras)

That you make up for all that you lack

(Que você inventa por causa de tudo que você não tem)

It don't make no difference

(Não faz nenhuma diferença)

Escaping one last time

(Escapar uma ultima vez)

It's easier to believe in this sweet madness oh

( É mais fácil acreditar nessa doce loucura, oh)

This glorious sadness that brings me to my knees

(Esta gloriosa tristeza que me deixa de joelhos)

— Pai, — Skyller gritou, — Pai!

As lagrimas já escorriam pela face cortante, e por entre os entulhos ela tentava se mover, mas não ouve resposta, e como em seus pesadelos ela se sentiu sozinha. Dumbledore olhava cauteloso a procura de algum perigo e de leve tocou em uma porta que se abriu com facilidade. Ele arfou com o que viu e nada precisou ser dito, Skyller olhou para o velho e ela soube naquele momento que naquele quarto havia algo do qual ela jamais se recuperaria.

A garota correu em direção à porta, não dando ouvidos aos apelos de Snape que pedia para que ela não entrasse no quarto.

Ela se estendeu no chão, sua respiração veio em cauterizadas arfadas. Mas enquanto se alcançava o chão e corria a toda velocidade até o corpo desfalecido de seu pai, Snape a agarrou pelo peito, puxando-o de volta.

— Não há nada que você possa fazer, Sky... – Ele disse a segurando por trás com força, o coração estava aos pedaços.

— NAAO! SOLTE-ME! – Ela se debateu dura e cruelmente, mas Snape não a deixaria ir, ele jamais quisera que ela presenciasse aquilo. — Pegue-o! Salve-o, ele está machucado! Eles o feriram!

“Malditos, como puderam? – Ele pensou, Eles o mataram, porque a querem... Retiraram dela as poucas lembranças boas que ela guardava... Por Deus se eu pudesse fazer com que ela não sofresse...”

—...É muito tarde Sky. – Ele a apertou mais contra o seu corpo sentindo as lagrimas gélidas da garota lhe molhar os braços.

— Naao! Nós ainda podemos salvá-lo... Me solte! – Ela amoleceu diante o aperto do mestre, — Ele vai ficar bem! Diga que ele ficará bem!

— Não ha nada que você possa fazer, pequena... – Ele a virou de frente, a abraçando com força, como se quisesse a todo custo transferir toda aquela dor pra si, — Nada... Ele se foi.

— Ele não se foi! — gritou Sky. Ela não acreditava; não podia acreditar; tentava lutar na busca de sair daquele abraço apertado e tocar seu pai, salvar ele, mas ela não podia... Snape havia a laçado e ela sentiu-se amolecer, o abraço quente e terno a envolveu, e Skyller sentiu que poderia morrer.

— Pai! — ela exclamou fraca. — Pai!

Na penumbra que se tornou o local Dumbledore tocou de leve o ombro da garota, comovido. Ela chorava como uma criança, e a dor dela podia ser sentida a quilômetros dali. Ele via ainda a sua frente, dois corpos ajoelhados e abraçados, e ele soube naquele momento que os dois se uniram pela dor. Ela segurava fraca, o pescoço de Snape, enquanto ele a sufocava com um abraço desesperado, como se quisesse unir-se a garota e retirar aquela dor que ela não merecia. Dumbledore viu ali pela primeira vez algo começar do fim.

In the arms of the Angel

(Nos braços de um anjo)

Fly away from here

(Voar para longe daqui)

From this dark cold hotel room

(Deste escuro e frio quarto de hotel)

And the endlessness that you feel

(E da imensidão que você sente)

You are pulled from the wreckage

(Você é arrancado das ruínas)

Of your silent reverie

(De seu devaneio silencioso)

You're in the arms of the Angel

(Você esta nos braços de um anjo)

May you find some comfort here

(Talvez você encontre conforto aqui)

Sem dificuldades o mestre a carregou para longe do cômodo, e ela apontou ainda chorosa para o acervo de livros que o pai conservara. Do lado esquerdo da porta um de capa preta e letras douradas chamou a atenção de Dumbledore e ele o pegou sabendo que o mesmo seria sua salvação. Logo ao lado assim como na sala de Snape, Pitter guardava com carinho algumas poções e ervas raras, como bom apreciador de poções. Skyller caminhou cambaleante, ainda amparada por Snape e pegou um estranho frasco lilás e o entregou ao diretor. As mãos trêmulas dela foram cobertas pelas mãos grandes e firmes de Snape, e logo eles aparataram dali, mas ela não voltou para seus aposentos, agora se via em um quarto luxuoso com detalhes verdes. Aos poucos a casa tornou-se vazia e gélida novamente mas um velho porta retrato com Skyller criança e seu pai ainda sorriam no chão estilhaçados, como se o tempo tivesse parado e nada nesse mundo pudesse destruir aquele momento.

“Eu sempre soube que um dia voltaria a estas ruas para contar a história do homem que perdeu a alma e o nome entre as sombras de seus arrependimentos submersos nas falhas promessas dos erros cometidos. As mágoas o definharam e ele se tornou medroso de um tempo de cinzas e silêncio. São páginas escritas com fogo, mas eu ainda era feita de gelo, e o gelo ali me consumiu. Eu deveria saber que ele jamais esqueceria. Jamais esqueceria que meu pai fez e disse tudo que podia para me proteger. As palavras sempre ficaram gravadas na memória daquele que retornou de entre os mortos com uma única promessa cravada a fogo no gelo, ele voltaria e o mataria, assim como minha mãe, porque o monstro me queria. A cortina se abre, o público silencia e, antes de a sombra que espreita logo ao lado descer sobre o palco e levar tudo consigo você ainda está jogada no mesmo lugar, esperando que o manto negro também te cubra, e te leve para longe. Naquele dia a comedia em meus lábios morreu junto com uma bendita inocência de quem, começara a narrar um conto de natal sem saber que, ao virar a última página, a tinta de sua alma a arrastaria, lenta e inexoravelmente, ao coração das trevas.”

Notas finais
E então ficaram com pena da Sky? Parece que as coisas vão mudar nao é mesmo? :/