Devora-me
21 Impeça de partir

Skyller cobriu-se com sua capa na penumbra. Passou pelos corredores sem ser notada, aquele seria um dia perfeito para fazer o que estava planejando, todos estavam ocupados com a festa de natal e suas trocas de presentes. Ela olhou de um lado para o outro para atravessar o pátio, não viu ninguém, apenas sentiu leves flocos de neve molhar suas botas. Há alguns metros a frente ela viu a floresta proibida, uma estranha e assustadora nevoa pairava naquele lugar, ela engoliu o medo, enquanto esfregava os braços, não havia espaço para ele naquele momento. Então subitamente ela parou, sentiu que não estava só. Skyller apenas esperou com os olhos fechados e então o toque veio; um toque forte e gélido em seus braços.
— Onde pensa que vai senhorita Lannyester? – A voz soava arrastada e levemente nervosa.
Um arrepio passou pela espinha de Skyller, ela sentira tanta falta daquela maldita voz rouca, daquele maldito toque agressivo e forte, então ela virou-se para encarar as orbitas negras.
— Estou indo até ele! – Ela disse firme, — Não é isso que Voldemort quer? Não foi por isso que ele matou meu pai? Estou indo acabar com essa merda toda! – As lágrimas escorreram pela face.
— VOCÊ FICOU MALUCA GAROTA? PERDEU O ULTIMO RESQUICIO DE JUIZO? – Ele praticamente gritou desesperado ainda a segurando, — Acha mesmo que Pitter morreu para que depois você fosse lá e se entregasse a ele? A guerra não vai acabar se você se entregar, ele não vai parar!
— ME SOLTA! Pare de ficar atrás de mim como uma babá! Qual é a sua heim? Não vê? Aquele monstro matou minha família, ele me tirou tudo, — Ela continuou com a voz embargada, — A única coisa que não quero é continuar aqui, com as pessoas me olhando com pena, apenas esperando que ele mesmo venha me buscar! Acha que não sei o que ele quer? Vou poupar esse trabalho a ele, e com sorte no final ele me faça um imenso favor tirando minha vida!
Severo a encarou nos fundos dos olhos cinza dela, e ela sentiu que havia algo diferente com ele. Algo no modo intenso como ele a fitou, sim isso era algo que ele realmente era; intenso. Algo na forma como o lábio dele tremeu, e ela percebeu que ele queria ter dito algo, mas o momento havia passado e como tal as palavras haviam morrido em seus lábios.
— Eu não p-osso deixar que vá! – Ele disse com dificuldades, enquanto se sentava a beira de uma fonte.
Skyller se sentou próxima a ele, não entendendo o porquê ele insistia tanto em interrompê-la nas coisas que fazia.
— E porque não?
Ele pareceu hesitar, como se fosse de extrema dificuldade dizer o que estava prestes a dizer, como se cada palavra fosse destruí-lo e expô-lo de tal forma que não mais houvesse volta.
— Porque desde o maldito dia em que você entrou nessa escola todas as suas energias foram gastas para me provocar! Todos os dias suas piadas e investidas, o seu olhar enigmático, o seu sorriso... Me destruíam aos poucos, sem que eu percebesse, e de repente naquele dia, em que eu fui castigado por Voldemort, o toque de seus lábios me pareceu a coisa mais sincera que eu já havia vivido... E aquele toque me pareceu o mais próximo do céu que eu poderia chegar!
Ele retirou devagarmente o capuz que cobria o rosto dela, e seus olhos lhe parecera surpresos e enigmáticos.
“E de repente o cinza se tornou minha cor favorita”
— Te amar dói, machuca. Causa-me dor, angústia. — Ele continuou, — Me faz pensar se fiquei louco a ponto de te deixar entrar, assim sem permissão, sem bater na porta! Fico doente, louco em pensar em que situação nos encontramos, se haverá algum futuro lá fora! Desejar-te assim, de corpo e alma me faz mal... Eu gostaria de dizer que odeio essa sua falta de juízo, esses seus palavreados e rebeldia! Eu adoraria dizer: — Vá! Faça esse serviço por mim, e se entregue a ele! – Severo fechou as mãos em punhos, — Mas eu não posso...
— Porque vem me dizer isso agora? – As lágrimas escorriam sem pudor pela face, enquanto ela se levantava ficando de frente a ele, — Acha que isso é um jogo? Você vem me evitado e me feito desistir desde o meu primeiro dia aqui, e agora nesse momento em que estou completamente destruída, você quer brincar? Não estou suficientemente aos pedaços pra você?
Skyller abaixou a cabeça tentando conter as lágrimas, ela não podia encará-lo, não mais. Então veio novamente o toque suave em seu rosto o erguendo para ficarem a milímetros de distancia um do outro.
— Não sua branquela, isso não é um jogo, nunca foi pra mim! A vida também não é justa, e com o tempo a dor diminui... Pode ser que não desapareça, mas não fica tão esmagadora como antes... Eu farei passar Sky, eu farei passar! – Ele disse roçando os lábios nos dela, atiçando o desejo em seus corpos.
— Olha, não ofereça o que você não tem certeza se pode entregar! – Ela disse extasiada pelo aroma daquele homem.
— Não há o que entregar você já roubou há muito tempo!
Então ele a beijou. Inconstante, necessitado. E seus lábios pareciam ansiar por isso desde outra era, desde os tempos de outrora. Severo explorou com a língua os lábios famintos da garota de olhos cinza e ela deu passagem sem hesitar. Seu gosto era agridoce, e viciante e podia facilmente ser comparado a um pequeno pedaço do céu. E logo suas mãos pousaram na cintura fina de Skyller a aproximando mais de si, sentindo o calor que emanava da garota. O coração dela estava a mil, ele sabia como deixa-la amolecida sem chão. Skyller mordeu de leve o pescoço de Snape arrancando dele um gemido, que ela sempre quis ouvir.
Ela sorriu, finalmente ele havia perdido o controle, e seu beijo era inexplicavelmente possessivo e safado. Ela adorou senti-lo assim, sem mascaras somente dela.
— Não se afaste. Não me prive de você, da sua presença. – Ele sussurrou com a testa colada a dela, — Fique, mesmo que não tenha a intenção de estar ao meu lado... Mesmo que as minhas palavras frias a tenham feito se afastar para sempre de mim, mesmo que eu só tenha agora o seu silencio...
Skyller sorriu enquanto uma lembrança tomava conta dela.
“— é assim que você se sente papai? – Perguntou Skyller ainda com os olhos marejados.
— Sim meu amor, é exatamente assim que me sinto! Mas são nesses momentos, é que notamos que sempre há alguém a nossa frente em que podemos nos apegar, alguém que está de alguma forma ou por pequenos detalhes lhe mostrando um novo caminho! Uma nova chance de amar! Quando se sentir assim meu céu, apegue-se a alguém que está lhe mostrando esse amor, sabe por quê?
Ela fez que não com a cabeça.
— Porque quando a chuva passa o sol sempre vem! Confie naquele que lhe entrega o coração quando você por algum motivo perder o seu!”
Ela o olhou vendo nos olhos de ônix nada mais que luxuria, e esperança. Skyller se aproximou mais enlaçando seus braços no pescoço dele.
— Esse vinho por acaso era para nós professor? – Ela disse em tom sensual, — O que está pretendendo fazer?
— Estou prestes a te responder duas perguntas senhorita! – Ele disse enquanto aspirava o perfume do pescoço dela, — A primeira é porque o símbolo da Sonserina é uma serpente!
Ela arfou já sabendo o que iria acontecer.
— E a segunda, é o quão “Grosso” posso ser!
Sky gemeu, excitada com duas perguntas suas agora prestes a serem respondidas.
— Quando foi que ficou tão safado?
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