Devora-me

27 Chão de giz


Notas iniciais
Gostaria de agradecer a leitora Brienna Milléo que recomendou minha fic!!!! Geente, serio meu coração quase parou... A primeira recomendação a gente nunca esquece! Muito obrigada flor, esse cap é presente para você!!!!!!

No outro dia Harry contou tudo o que descobriu na sala de Dumbledore aos amigos.

— E então, vocês virão comigo? – Perguntou Harry.

— Mas é claro Harry!- Disse Hermione prontamente, — Nós não abandonaríamos você!

— Mamãe vai pirar! – Disse Rony, — Serio!

— Ela não precisa saber! – Respondeu Gina, — Digo, ninguém precisa contar de imediato pra ela, ela terá um infarto!

— Acho que não seria prudente todos nós irmos! – Disse Sky, — Dumbledore acompanhará você Harry, não há melhor ajuda! A escola ficará desprotegida sem ele, sabe-se lá o que acontecerá após!

— Sky tem razão... – Disse Harry, — Com a saída de Dumbledore, Snape ficará livre para fazer o que quiser aqui!

— HARRY! – Repreendeu Sky. — Não foi isso que eu quis dizer e você sabe bem! Se quiser ter ainda a possibilidade de ter filhos, sugiro que pare de gracinhas!

Todos riram, Rony fez uma careta de dor e medo.

— Você dá medo Sky, serio! – Disse Rony.

— Sky e eu ficaremos! – Disse Gina, — Mamãe não precisa de dois motivos para ter um ataque do coração! Ficaremos aqui, e se for preciso montaremos novamente a Armada de Dumbledore!

E foram com esse pensamento que eles desceram rumo as suas aulas.

***

A sala das masmorras como sempre se encontrava fria e escura. Era dessa forma que Snape preferia, e dava sempre um ar de tensão e medo no ar.

— Só falta começar a sair fumaça debaixo das portas! – Disse Rony aflito, — Isso daqui é sinistro, igual ao Sebos...

— Posso saber de quem o cabeça de fósforo está falando? – A voz rouca e levemente assassina soou atrás deles.

Rony estremeceu ao ouvi-lo. Snape tinha essa terrível mania de embrenhar-se na escuridão, confundir-se com as sombras e pegar os alunos no flagra.

— Ah... eu ... eu.. esqueci! — Disse fazendo com que os sonserinos caíssem na risada.

— É claro que esqueceu! – Disse ele com desdém, — Menos 20 pontos para a Grifinoria, pela sua falta de memória! Talvez agora o senhor consiga se lembrar das coisas!

Hermione amarrou a cara para Rony, desgostosa. Esse ano eles certamente não ganhariam a taça das casas.

— Antes de começarmos, quero ver os seus trabalhos sobre dementadores — ordenou o professor, acenando displicentemente com a varinha e fazendo vinte e cinco pergaminhos levantarem voo e aterrissar em uma pilha ordeira sobre sua escrivaninha. — E espero, em seu benefício, que estejam melhores do que o chorrilho que tive de ler sobre a resistência à Maldição Imperius. Agora, queiram abrir seus livros na página... Que foi, Sr. Finnigan?

— Senhor — disse Simas —, como é que se pode diferenciar um morto-vivo ou Inferius de um fantasma? Por que saiu no Profeta uma notícia sobre um Inferius...

— Não saiu! – Disse Snape entediado.

— Mas, senhor, ouvi comentários...

— Se o senhor tivesse lido corretamente a notícia em questão, Sr. Finnigan, saberia que o assim chamado “Inferius” não passava de um ladrãozinho infecto chamado Mundungo Fletcher.

— Pensei que Snape e Mundungo estivessem do mesmo lado, não? — murmurou Harry para Rony e Hermione, fazendo com que Skyller desse um beliscão nele. — AII, Sky! – Berrou sem ver Harry.

— Parece que Potter tem muito a dizer sobre o assunto — falou Snape, apontando subitamente para o fundo da sala, seus olhos negros fixos em Harry. — Vamos perguntar a Potter como ele descreveria a diferença entre um morto-vivo e um fantasma, já que ele está tão por dentro do assunto!

Todos se viraram para Harry, que virou um pimentão tentando inutilmente lembrar-se do que Dumbledore havia dito sobre aquilo.

— Ah... bem... Fantasmas são transparentes... — respondeu ele.

— Oh, muito bem — interrompeu-o Snape, encrespando desdenhosamente os lábios. —Sim, é fácil verificar que não desperdiçamos quase seis anos de estudos de magia com você, Potter. Fantasmas são transparentes.

Pansy Parkinson soltou uma risadinha aguda, e irritante. Sky fechou a cara para a garota da Sonserina que logo abaixou a cabeça temendo que a leoa fizesse alguma coisa. Vários outros alunos sorriram debochados. Harry inspirou fundo e continuou calmamente, embora fervesse por dentro:

— Sim, fantasmas são transparentes mas Inferi são corpos sem vida, certo? Então seriam sólidos...

Hermione afundou o rosto nas mãos, não compreendia como o amigo poderia ser tão ignorante às vezes.

— Uma criança de cinco anos poderia ter nos dito isso — zombou Snape. — Um Inferius é um morto que foi reanimado por meio de um feitiço das Trevas. Não está vivo, é meramente usado como uma marionete para cumprir as ordens do bruxo. Um fantasma, como espero que a esta altura todos saibam, é uma impressão deixada por um morto na terra... e é claro, como diz Potter tão sabiamente, é transparente.

— Bem, o que Harry disse é muito útil para diferenciarmos os dois! — comentou Rony. — Quando nos defrontarmos com uma aparição em um beco escuro, vamos olhar depressa para ver se é sólido, não é não vamos perguntar: "Com licença, o senhor é uma impressão deixada por uma alma que partiu?”.

Uma onda de risos percorreu a sala, mas foi imediatamente paralisada pelo olhar que Snape lançou à turma.

— Outros dez pontos a menos para a Grifinória — disse o professor. — Eu não esperaria nada mais sofisticado do senhor, Ronald Weasley, um rapaz tão sólido que é incapaz de aparatar dois centímetros em uma sala. Surpreenda-me que certas pessoas ainda ande com vocês dois! – Ele olhou mortalmente para Skyller que nem ligou para a cutucada. Estarei falando com Dumbledore sobre a retirada daquele velho chapéu seletor!- Zombou ele, — Algumas pessoas não deveriam ter sido selecionadas para casa alguma!

Rony afundou-se na carteira a tentativa de ajudar o amigo havia sido desastrosamente falha. Harry cerrou as mãos em punhos, nervoso. Já ia abrindo a boca para dizer algo a Snape mas Skyller deu-lhe uma cotovelada na costela com força.

— Harry se você perder mais pontos para a nossa casa, eu juro que farei você se arrepender! – Murmurou ela.

Ele a alhou incrédulo.

— O que foi? – Disse ela, — Esse posto é meu e não seu!

***

— Uhrr! Morcego injusto de uma figa! – Disse Rony após terem saído das masmorras.

— É a primeira vez que perdemos 30 pontos e não é culpa da Sky! – Riu Gina.

— Ah, mas eu tenho certeza que aquela indireta foi pra ela: “Não sei como algumas pessoas ainda andam com eles”... Puff! Quem ele pensa que é? – Disse Rony.

— Pelo menos com ela ele não é tão... Indigesto! – Disse Harry nervoso, — Qual é o segredo Skyller?

Rony riu.

— O segredo é ter seios! – Disse ele.

Gina passou por ele dando um coque em sua cabeça.

— Não me mate de desgosto Ronald! Não basta ter seios para amansar o morcego! É preciso SER Skyller Lannyester!

Skyller balançou a cabeça em forma de negação, enquanto entravam no grande salão. Ela ainda ria do quanto Gina podia ser travessa às vezes, e logo concluiu que tudo que precisava para sentir-se bem era estar próximo deles. Ela passava tranquilamente por entre as mesas quando alguém lhe segurou pelo braço a assustando.

— Sky eu... Nós precisamos conversar! – Disse Draco.

— Não temos nada para conversar Malfoy! — Ela disse arrogante, se desviando do contato entre eles.

— Você não entende! Eu... Eu preciso te contar algo, eu preciso de você agora....

Draco pareceu constrangido e levemente abatido. O garoto estava mais pálido do que de costume, com olheiras desenhando seu rosto. Por um momento Skyller se compadeceu pelo amigo. Esse era um de seus defeitos, não importava o que acontecesse ela sempre perdoava. Mas então subitamente o loiro pareceu mudar de cor, e em seus olhos uma mancha de desespero brotou ali. Skyller olhou para trás acompanhando os olhos de Draco e viu de longe, Harry o encarando nervoso, o menino caminhava em direção a eles, impassivo.

— Depois a gente conversa Sky! – Disse Draco virando-se de costas e sumindo por entre os corredores.

Harry passou por ela como um vulto, e também sumiu por entre a penumbra. Skyller mordeu o lábio, ansiosa, havia de imediato perdido a fome, e uma leve sensação de perda lhe acometeu a alma, abraçando-a novamente. Ela odiava essa sensação, porque sempre que a sentia algo ruim acontecia após. Resolveu não esperar que a dor viesse ao seu encontro, e perde-se também a procura dela.

***

Skyller correu ofegante sem saber ao certo para onde estava indo. Ouviu de imediato um forte barulho vindo do banheiro. Ela entrou e de repente sentiu que suas pernas não podiam mais lhe sustentar. O sangue escorria pelo úmido banheiro, manchando a camisa branca de Malfoy. Skyller soltou um urro, de dor e magoa.

— NAAAAO! – Disse ela cambaleante, tentando chegar até ele.

Skyller caiu de joelhos, as lagrimas queimando-lhe o rosto enquanto tocava no rosto brilhante escarlate de Malfoy.

— Não... eu não... – Tentava dizer Harry de longe.

— Draco! Fala comigo! – Chorava Skyller sem se dar conta da presença de Harry, — Por favor... Não me deixa, você não...

E de repente o mundo pareceu parar para Harry e ele sentiu um enorme remorso em ter lançado aquele feitiço. A frente dele uma garota de cabelos prateados chorava sem pudor algum, tentando a todo custo aconchegar o garoto que tremia em sua própria poça de sangue.

A porta se escancarou e Harry ergueu a cabeça, aterrorizado: Snape invadira o banheiro com o rosto lívido. A primeira coisa que o mestre vira fora o sangue e Skyller. E por um momento ele sentiu que seu coração não fosse aguentar. Ele empurrou Harry com força ajoelhando-se ao lado de Skyller e percebendo que não era a garota que estava machucada, não por fora. As lagrimas dela caiam com força sobre o rosto de Draco, e então seus olhos manchados de nevoa se encontraram com os de lince.

— Por f-avor! – Disse ela soluçando, — Ajude-o!

Ele retirou a varinha prontamente e passou-a por cima dos profundos cortes que o feitiço de Harry produzira, murmurando um encantamento que parecia quase uma canção. O fluxo de sangue pareceu diminuir; Snape limpou o coágulo do rosto do garoto e repetiu o encantamento. Agora os cortes pareciam estar fechando. Depois de executar o contra-feitiço pela terceira vez, Snape e Skyller ajudaram Malfoy a se levantar.

— Você precisa da ala hospitalar. Talvez fiquem muitas cicatrizes, mas, se tomar ditamno imediatamente, talvez possamos evitar até isso... venha...

Ele olhou para o rosto manchado da garota que também o segurava e sorriu, sincero para ela.

— Agora também tenho desenhos pelo corpo Sky... – A voz soou baixa e fraca, fazendo com que ela também sorrisse, ele havia se lembrado de um tempo mórbido e antigo.

“— Porque não toma alguma poção para essas cicatrizes Sky? – Disse Draco.

Ela riu, como se ele tivesse lhe contado uma piada.

— Não seja bobo Draco! Não são apenas cicatrizes... São desenhos... Desenhos que contam histórias por mim! – Respondeu ela, e ele a olhou pela primeira vez com admiração e respeito.”

Eles ampararam Malfoy pelo banheiro, Snape virou-se à porta para dizer com a voz gelada de fúria:

— E você, Potter... Você espere por mim aqui.

Notas finais
Dissertem :D