Devora-me
28 Poeira no vento
Notas iniciais

Era cedo quando Dumbledore entrou nos aposentos de Severo. Ele parecia cansado apesar de sua mão já estar curada.
— Como está Malfoy? – Perguntou ele.
— Bem... Ainda está sobe medicamentos, mas acredito que amanha poderá sair da enfermaria! – Respondeu Severo enquanto enchia seu copo de Uísque.
— Vejo que está incomodado com algo Severo, seria porque uma certa garota passou a noite inteira na enfermaria?
Dumbledore sorriu, enquanto Severo suspirou solvendo mais um gole de sua bebida.
— Draco se tornou um...- Ele hesitou, — Eu não consegui protegê-lo Alvo! Como conseguirei protegê-la? O circo está fechando, sei que Voldemort sempre pergunta a Draco sobre Skyller... Ele parece não confiar tanto em mim! Eu não posso deixar que ele a tenha... Eu não...
— Claro que não Severo! Nós não deixaremos isso acontecer! Draco se tornou um comensal por escolha própria, e não por sua culpa! E os motivos dele são iguais aos seus meu filho... Ele quer que os que ama estejam vivos no final! Você não está sozinho! Harry também me pareceu arrependido Severo...
— Aquele moleque metido e arrogante! – Ele praticamente cuspiu aquelas palavras, — Acha que sabe de tudo e que o mundo gira por ele! O deixarei tanto tempo em detenção que quando sair à guerra já terá acabado! Severo deu um leve sorriso, pensando seriamente no que havia acabado de dizer.
— Quero que se prepare Severo, desconfio de onde esteja a outra Horcrux... Sairemos amanha cedo!
— Sairemos? Não irá sozinho dessa vez?
— Não, levarei o trio comigo! E acredito que com a minha ausência, Voldemort tentará tomar a escola!
Snape o olhou incrédulo.
— E o quer que eu faça?
— Quero que use sua mascara Severo pela ultima vez! Quero que ajude Draco nessa missão, e no tempo em que eu estiver fora, faça o que for preciso para que Voldemort não desconfie dos meus planos!
Severo passou as mãos nos cabelos, nervoso.
— Isso não dará certo Alvo, sem você aqui a escola está completamente desprotegida, e assim Skyller será alvo fácil de Voldemort, ele dominará tudo e todos!
— Você continua tão egoísta quando ama quanto antes! A sua única preocupação é com a senhorita Lannyester? Ela estará mais protegida ao seu lado e não é do fetiche de Voldemort tomar a escola dessa maneira, sem primeiro causar sofrimento!
— Porque confia tanto naquele garoto? Um menino arrogante que mal sabe usar oclumencia e tem poderes tão limitados? Ele só lhe dará trabalho!
— Harry não deve saber, não até o último momento, não até que esteja necessário, se não como poderia ter a força para fazer o que deve ser feito?
— Mas o que ele deve fazer?
— Isto é entre o Harry e eu. Escute com atenção, Severo, não discuta, não interrompa! Virá uma época em que Lorde Voldemort temerá pela vida de sua serpente.
— A Nagini? — Snape olhou atônico.
— Precisamente. Se vier uma época em que Lorde Voldemort pare de mostrá-la como um troféu e começar a escondê-la, então esse é o momento certo de dizer a Harry!
— Dizer a ele o quê?
Dumbledore respirou fundo e fechou os olhos.
— Dizer a ele que na noite em que Voldemort tentou matá-lo, quando Lily colocou sua própria vida entre eles como um escudo, a maldição da Morte se voltou para Lorde Voldemort e um fragmento de sua alma foi separado do resto e se alojou na única alma viva naquele local. Uma parte de Lorde Voldemort vive dentro de Harry, e é isso que dá a ele o poder de falar com as cobras. E enquanto esse fragmento de alma perdido por Voldemort continuar atado e protegido em Harry, Lorde Voldemort não pode morrer!
— Então o garoto... O garoto deve morrer? — perguntou Snape calmamente
— E o próprio Voldemort deve fazer isso Severo. Isso é essencial.
Um longo silêncio tomou conta do local, Snape parecia absorver tudo que estava lhe sendo confidenciado.
— Eu pensei que... Todos esses anos, porque então estamos o protegendo?
— Nós temos o protegido porque é essencial ensiná-lo, a crescer, a deixá-lo tentar suas forças! Dumbledore abriu seus olhos. Snape olhou para ele horrorizado.
— Nós o temos mantido vivo para que ele possa morrer em qualquer momento?
— Não entendo porque está tão chocado, Severo. Quantos homens e quantas mulheres ele já matou?
— Somente aqueles que eu não pude salvar, disse Snape. — Você me usou.
— como?
— Eu tenho espionado para você e mentido por você, posto minha vida em perigo por você, colocado minha felicidade de lado por você! Cada coisa foi supostamente para manter o filho de Lílian Potter seguro. Agora você me diz você tem o mantido como um porco para o abate.
— Mas isso é necessário Severo, — disse Dumbledore gravemente. — Todos esses anos você esteve protegendo ele por Lily....
— POR LILY? Gritou Snape. — Expecto Patronum!!
E de sua varinha saiu um fluido prateado. Ela saiu da varinha e voou pela sala, soltando um piado triste e agonizante. Dumbledore olhou para a fênix voando e se afastando, e com um brilho de prata desvanecendo, ele tornou a olhar para Snape, e seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Skyller? Desde quando? – Dumbledore perguntou se referindo a Severo não mais sentir nada por Lily.
— Desde o momento em que a vi, e para sempre! — disse Snape.
***
Skyller olhava o jardim pela janela enquanto segurava a mão de Draco. Lá fora a vida passava como se nada nunca pudesse abala-la. A luz que a lua refletia banhava o gramado dando-lhe um ar displicente. Tudo parecia tão bonito e calmo perto de seu coração estilhaçado, e por incrível que pareça ela era a única a estar ali ao lado dele. Nenhum de seus “supostos” amigos veio lhe visitar. Ela enxugou a lagrima quente que lhe aqueceu o rosto e logo fora tirada de seus devaneios.
— Sky? – A voz soou fraca e cansada.
— Draco! – Disse ela exacerbada, — Você está melhor? Como se sente?
Ele riu com dificuldades.
— Sinto como se tivesse sido perfurado por inúmeras facas!
Skyller lhe deu um leve soco no braço, irritada.
— Não brinque com isso, seu imbecil! Não tem graça!
— Você perdeu seu senso de humor Skyzinha! E sem ele você é só mais uma grifinoria irritante!
— Você me assustou Draco! Eu pensei que... Que fosse te perder também! Se não fosse por Severo, eu não...
— Pare de chorar sua chorona! Seu rosto fica mais bonito com um sorriso safado! Ela riu, — Isso assim mesmo! Sky, agora é serio, quero que preste a atenção. As coisas irão mudar por aqui... Eu, eu realmente sinto muito não ter conseguido cumprir minha promessa! – Ele passou a mão na tatuagem de serpente, — Tenha certeza que não me orgulho nem um pouco disso! Mas foi preciso, e espero que um dia você entenda e possa me perdoar!
— Draco, eu ...
— Não Sky, eu realmente preciso dizer isso! Algumas mudanças ocorrerão aqui, em Hogwarts... E eu serei o principal responsável por elas... Espero que me perdoe antes mesmo que eu faça! Coisas ruins acontecerão, e peço que se mantenha tão calma quanto está esses dias!
— Draco, do que você está falando?
— Eu não posso te contar! Ele saberá, e não quero te por em risco! Peço apenas que quando acontecer fique com seus amigos, nada de travessuras, de provocações... Você pode fazer isso?
Skyller apenas acenou com a cabeça, mas Draco sabia que a garota era exatamente como o mar. As pessoas que a viam assim, como ela se encontrava jamais imaginavam que de uma hora para a outra uma onda a invadia e levava tudo e todos para um grande abismo. Ele apenas rezava para que toda essa calmaria que vinha dela devido às dores, permanecessem ali, até que tudo se acabasse.
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