Devora-me

36 Antes do amanhecer


Ela não soube ao certo como os outros comensais ficaram sabendo o que tinha acontecido tão rapidamente.

“Provavelmente, — Pensou, eles tem algum tipo de rastreador, e no momento em que lancei o feitiço em Alecto eles já souberam”.

Ela correu por entre o amontoado de gente que lhe cercava. Havia curiosos, alunos que tentavam fugir dos comensais, pessoas da AD que desesperadamente procuravam a entrada da sala precisa, e ela que se sentia sufocada do meio de todos. Skyller corria o máximo que suas pernas conseguiam suportar, mas tudo parecia estar em câmera lenta naquele momento. Seu coração palpitava acelerado quase chegando a doer no peito, e ela pôde ver o exato momento em que seu corpo quase desfaleceu ao sentir seus cabelos serem puxados para trás, parando-a em um baque, o suor escorreu em sua face, e tudo pareceu estar escuro.

“É o fim, — Pensou.”

***

— Bombarda! – Amycus sibilou nervoso, pela terceira vez. Quando a poeira causada pelo feitiço finalmente baixou ele percebeu que mais uma vez havia sido em vão. — Inferno! – Ele gritou exacerbado.

Ao longe Minerva observou o desespero do comensal, ele usava inúmeros feitiços tentando abrir a porta, um fino sorriso surgiu em seus lábios finos. Seja quem for que tenha pregado uma peça nele, fora bem feito. Ela passou com dificuldades por entre os alunos assustados, era difícil imaginar o que de fato havia acontecido, todos eles estavam em tempos loucos.

— Posso perguntar o que você está fazendo Professor Carrow? – A voz saiu levemente tremula devido à excitação do momento.

— Tentando – passar – por essa droga – de porta! — gritou Amycus. — Vá e chame o professor Flitwick! Traga-o para abri-la agora!

— Mas a sua irmã não está aí? — Perguntou a professora McGonagall. — Digo, ela estava dando aulas ai, foi a ultima a estar nessa sala! Talvez ela possa abrir a porta para você! Assim você não precisará chamar a atenção da metade do castelo! – Ela disse com um ar de desgosto e irritação.

— Ela não está atendendo, sua velha! Você abre! Bolas! Faça-o, agora!

Minerva o olhou incrédula.

“Ora, grande comensal você é, nem consegue desfazer um mero feitiço!”

— Certamente, se você o deseja! — Disse a professora McGonagall, numa frieza horrorosa.

Ela apontou a varinha para a entrada sibilando algo que não pode ser ouvido, e subitamente a porta se abriu. Ela o olhou como se esperasse ao menos algum agradecimento, mas ele nada fez apenas ajeitou sua enorme capa adentrando o local. E aos poucos os alunos que estavam amontoados ali, correram para as escadas já prevendo o que poderia acontecer caso algum deles cruzasse o caminho de um comensal furioso. Amycus estourou sobre o ponto inicial, brandindo a sua varinha. Assim como sua irmã, tinha um rosto pálido, macilento e olhos minúsculos, que recaíram sobre Alecto, inerte no assoalho. Ele deixou sair um grito de fúria e medo.

— O que eles fizeram os pestinhas? -ele gritou. — Eu vou torturá-los até que me falem quem fez isso!

— E o que dirá o Lord das Trevas? – Disse outro comensal mais alto e muito mais gordo que Amycus, ele agachou tentado animar Alecto que jazia desfalecida.

Amycus tremeu parado sobre sua irmã ao ouvir o nome do mestre, as coisas estavam saindo de seu controle, e o Lord das Trevas não iria gostar nada em saber disso.

— Nós não pegamos o menino, — Disse Amycus exacerbado, — E nem tivemos o controle sobre os outros, agora eles vieram e a mataram!

— Ela só está desmaiada, — disse a Professora McGonagall impacientemente, que tinha se abaixado para examinar Alecto. — Ela ficará perfeitamente bem!

— Não, com certeza ela não ficará! — urrou Amycus. — Não depois que o Lord das Trevas pegá-la! – Disse com medo, se referindo à irmã ter sido nocauteada por simples garotos.

***

— Ora, ora, ora, o que temos aqui?! Se não é a senhorita encrenca? – Disse Greyback, — Do que está fugindo?

Ela gemeu quando ele puxou-lhe mais os cabelos, como se quisesse vê-la mais de perto, ver seus olhos cinza manchados de medo.

— Responda garota!

— Não estou fugindo!

— Ah, não? – Ele passou as mãos ásperas com suas unhas imundas no rosto dela, aproximando-se sentindo seu aroma, sentiu cheiro de mentira. — Então porque está tão ofegante? É pela minha presença? – Ele sorriu com escárnio enquanto lambia sem pudor algum um vestígio de suor que escorria na lateral da face de Skyller. Ela fechou os olhos, enquanto o nojo e a repugnância dominava cada pedaço de seu ser, consumindo-a por inteiro.

— O que você quer heim? – Ela disse nervosa, — Vai me entregar para o Amycus? Vai me castigar também?

Ele sorriu um sorriso amarelo e sem graça.

— Te entregar? Tsc... tsc... Tenho em mente algo melhor! Porque não fica boazinha e me mostra o porquê o Lord a quer tanto, heim? Do que a garota cinzenta é capaz?

— Ora seu idiota, imbecil, imundo de uma figa! – Ele gritou, — Porque não pega esse meu dedo, — Sky mostrou o dedo do meio quase o encostando na cara do lobisomem, —e enfia no...

— O que significa isso? – A voz soou rouca e levemente irritada.

Greyback o olhou ainda mantinha a expressão desejosa no rosto.

— Essa garota dará trabalho ao Lorde! – Ele disse, — Acho que talvez eu deva ensiná-la bons modos!

Snape o olhou, sua expressão era dura e gélida. Uma muralha intangível onde nenhum sentimento era expresso além de tédio.

— Não me lembro do Lord ter lhe convocado essa missão, você não deveria estar... – uma fina linha formou-se no rosto pálido de Severo, — Roubando, e mordendo pessoas como um homúnculo?* — Snape levantou a sobrancelha, sarcástico.

— O que quis dizer com isso? – Ele soltou Skyller, — Acha-se muito importante não é, Snape?

— Infelizmente não tenho tempo para dar aulas particulares a pessoas de mente inferior, Grayback! E acredito eu que talvez você tenha que discutir isso não comigo e sim com a pessoa que me põe nesse cargo, o Lord das Trevas! Quer que eu leve sua dúvida até ele? Ou talvez chegue até os ouvidos dele, o quanto está se achando importante tocando na escolhida?

Grayback engoliu em seco, o olhar de Snape era mortal algo que ele jamais havia presenciado. Ele olhou para Skyller que ainda se encontrava imóvel na parede com seus grandes olhos acinzentados, cheios de algo que nada se parecia com medo ou ódio. Ele sorriu mostrando os dentes pontiagudos manchados de sangue de alguma possível presa. Havia algo ali, ele podia sentir, era perceptível no ar entre os dois. Havia algo que fazia com que Snape sempre aparecesse para evitar que algo acontecesse à “prometida”. Teria sido Voldemort o responsável por pedir que seu querido braço direito sempre a protegesse? Ou estaria Snape fazendo isso por conta própria, enfeitiçado pelo aroma que ela exalava?

— Eu sinto ter-me intromedito! – Disse Greyback se afastando, — Talvez seja você quem deva ensinar modos a essa garota. – E sumiu na penumbra o sorriso ainda havia ficado no ar, como uma mancha imunda que invade cada partícula de sua mente, evitando que você não se esqueça de que ele esteve ali.

Snape a pegou pelo braço com força lhe arrastando pelos corredores sem nada dizer. Ele precisava resolver algumas coisas com ela, precisava resolver alguns assuntos inacabados antes do amanhecer, antes que fosse tarde demais.

*Individuo insignificante de caráter mesquinho.

Notas finais
So digo uma coisa, proximo cap lagrimas irão rolar. Uhum.