Devora-me
3 A menina de Beauxbatons
Notas iniciais

Quando tudo finalmente parou de girar, Harry notou que já não estavam mais na rua dos Alfeneiros. O lugar era terrivelmente gélido.
— Senhor, deculpe-me, mas... Onde nós estamos?
— Ah sim, claro. Não lhe contei. – Disse Dumbledore admirando o local, — Estamos em Budleigh Babberton.
— E o que exatamente viemos fazer aqui?
— Estamos aqui para convencer um velho colega meu a suspender a aposentadoria e voltar a Hogwarts.
Harry manteve-se silencioso. Não sabia exatamente como o ajudaria, mas resolveu não perguntar. Logo se aproximavam de uma casinha de pedra, bem cuidada, no meio do jardim. Dumbledore retirou sua varinha das vestes abrindo o portão.
— Lumus!
A ponta da varinha do diretor acendeu, iluminando um corredor estreito. À esquerda, havia outra porta aberta. Empunhando a varinha acesa, Dumbledore entrou na sala de estar com Harry logo atrás. A sala estava completamente destruída, com cacos de vidro e papeis espalhados pelo chão. No canto da sala, uma poltrona intacta jazia. Dumbledore sorriu vitorioso, e apontou a varinha para o objeto o desfigurando-o.
— Boa noite, Horácio — cumprimentou Dumbledore, tornando a se erguer.
— Não precisava enfiar a varinha com tanta força — reclamou mal-humorado, pondo-se de pé. — Doeu.
— Quer minha ajuda para arrumar a sala? — perguntou Dumbledore educadamente.
— Por favor — disse o outro.
Eles se postaram de costas um para o outro, e acenaram com as varinhas, num gesto amplo e idêntico. E em questão de segundos tudo estava novamente intacto e arrumado, como se nada tivesse acontecido. Então finalmente seus olhos pousaram no garoto a sua frente.
— Oho — exclamou os grandes olhos redondos fixando a testa de Harry e a cicatriz em forma de raio.
— Este — disse Dumbledore, adiantando-se para fazer as apresentações — é Harry Potter. Harry, este é um velho amigo e colega, Horácio Slughorn.
O bruxo virou-se para Dumbledore, com uma expressão astuta no olhar.
— Então foi assim que você pensou que ia me convencer? Pois bem, a resposta é não, Alvo.
Dumbledore riu, ainda tinha uma carta na manga.
— Talvez possamos tomar uma bebida! – Disse Dumbledore.
Horácio acenou com a cabeça e em um mover de varinha, os serviu com um vinho tinto que havia no armário.
— Eles vieram te buscar Horacio? – Questionou o diretor.
O homem pareceu nervoso, e hesitou por um momento, antes de disparar.
— Não importa aonde eu vá! Eles sempre estão atrás de mim! Por isso sempre me mudo, não quero ter o desagrado da companhia deles!
— Você estaria seguro conosco, meu amigo! Eles também procuram por Harry, eles também procuram por Skyller!
Horacio o encarou incrédulo. Sua face havia ganhado um tom diferente, e seus olhos o fitaram vidrados.
— V-oce, quis dizer Skyller Lannyester? Filha de Pitter Lannyester?
— Sim, — Respondeu Dumbledore, — Estou indo agora buscá-la, ela ficará na toca com Molly até o retorno das aulas. Mas infelizmente pelo que vejo você se aposentou mesmo! Que pena! Bom, vamos então Harry!
Harry nada entendia daquela conversa. Até o momento não sabia que Molly receberia hospedes e nem sabia quem era Skyller. Ele seguiu silencioso atrás de Dumbledore que já havia saído da casa. E antes mesmo que pudessem chegar ao portão à porta fora escancarada em um baque.
— Quando mesmo que começam as aulas? – Perguntou Horacio.
***
Quando Harry chegou à casa dos Weasley’s Hermione já se encontrava lá. Dumbledore o havia deixado lá para depois buscar Skyller. Quando eles chegariam e o porquê ela estariam indo para lá, ainda era um mistério.
— Quem é essa garota? – Perguntou Harry.
— Quem é Skyller Lannyester? – Disse Hermione, — Não acredito que nunca tenha ouvido falar dela! Pelo menos dos pais, é claro!
Harry negou com a cabeça, não fazia nem idéia de quem era ela.
— Skyller é filha de Pitter e Bia Lannyester! – Continuou ela, — O pai foi um dos poucos Sonserinos que ajudou a ordem, da ultima vez que Voldemort retornou ao poder! Ele era espião, como Snape e passou informações preciosas naquele tempo!
— E o que houve com eles?
— Voldemort desconfiou que ele trabalhasse para os dois lados, e matou sua esposa, Bia! Dizem que ele nunca se recuperou... Agora dedica a vida para cuidar de sua filha Skyller! Ele deve estar apavorado por ter transferido ela para Hogwarts! Agora que Voldemort voltou, ele certamente não deixará barato a sua traição, e sabe mais lá o que fará!
— Se parece com a sua historia Harry! – Disse Rony.
— É, a diferença é que pelo menos ela ainda tem pai! –Respondeu.
***
Não demorou muito para que Dumbledore retornasse a casa dos Weasley’s acompanhado de Skyller. Os meninos desceram curiosos, enquanto a senhora Weasley abraçava a garota quase a sufocando-a. Harry e Rony pararam nas escadas hesitantes. Havia uma jovem parada na sala de estar, e sua beleza era tão sufocante que o local pareceu ficar estranhamente abafado. Ela era de estatura baixa, mas era deveras esguia e tinha cabelos compridos e prateados com leves cachos nas pontas a pele era tão branca que poderia se confundir facilmente com um floco de neve. Os olhos também tinham uma coloração prateada, e algumas vezes variavam com um leve tom azul claro. Skyller parecia um tipo excêntrico de roqueira, ela usava um short preto combinando com sua meia calça toda furada, a jaqueta jeans negra dava um sutil contraste em sua pele tão branca. Eles juraram que jamais tinham presenciado tamanha beleza.
— Bom, crianças! – Disse Molly, — Essa é Skyller, e ela ficará conosco, sejam bonzinhos!
— Olá, sou Hermione Granger, mas pode me chamar de Mi, ou Mione! – Disse em um aperto forte de mãos.
— Sou Gina! – Disse a ruiva sorridente.
Ela sorriu, contente em fazer amigos.
— Bom, não tenho apelidos! – Disse encabulada, — Pode me chamar como quiser!
— E eu sou...
— Harry Potter! – Interrompeu ela, — Papai me contou sobre vocês, — O quarteto inseparável!
— Agora um quinteto! – Disse Hermione a abraçando.
Skyller se sentiu aconchegada, de uma forma que jamais havia sentido. Eles subiram para seus quartos, e logo se juntaram, conversando sobre como achariam que seriam o ano letivo, agora que Voldemort estava mais forte.
— Este ano Dumbledore vai me dar aulas particulares — informou Harry em tom descontraído.
— Caramba... Aulas particulares com Dumbledore! — Rony ficou impressionado. — Porque será que ele...
Ele hesitou tristonho, todos ali sabiam o porquê Harry teria aulas particulares, tudo naquele ano era por causa dele, de Voldemort.
— Porque foi transferida Skyller? Não gostava da antiga escola? – Perguntou Rony.
— Papai esta com medo! De tudo que anda acontecendo... Ele acha que em Hogwarts estarei mais segura! Beauxbatons era legal, mas as meninas não eram muito simpáticas! – Skyller riu, — Também não era um exemplo de comportamento!
— Alguém disse mau comportamento? – Perguntaram os gêmeos Weasley’s assustando a todos.
— Olhem só! – Disse Fred, — A garota parece mesmo uma boneca de porcelana! Uma bela boneca por sinal – Disse beijando a mão de Skyller de um jeito cortês.
— Papai me chamava de anjo de neve! – Ela riu, — Mas definitivamente não me definiria como anjo! – Disse em tom sapeca.
— Ande comigo Sky e logo pegará uma corzinha! Nem que seja rubra! – Disse Gina.
Todos riram, e aquele momento se tornou único e descontraído. Gina sempre fora sapeca e do tipo safada, mas aquele comentário não havia feito com que Skyller se encabulasse, ela parecia ter se familiarizado muito com a garota de cabelos de fogo. De certa forma Skyller também se parecia muito com os Gêmeos. Era extrovertida, e parecia adorar quebrar regras. Eles se dariam muito bem, e aquela escola não seria mais a mesma.
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