Devora-me

35 A fênix


Harry tinha acabado de colocar a mão na frente do rosto para arranjar um jeito de aquecer seus dedos congelados pela nevasca, quando aconteceu. Uma luz prateada brilhante apareceu logo do seu lado, se movendo entre as árvores.

Seja o que fosse, estava se movendo silenciosamente. A luz parecia simplesmente sair de dentro dele. Ele se levantou rapidamente, sua voz congelou na garganta, e levantou a varinha de Hermione.

Ele apertou os olhos assim que a luz se tornou cegante, as árvores na frente dele deixavam aparecer uma silhueta preta, que ainda estava chegando mais perto...

E então a fonte da luz se escondeu atrás de um carvalho. Era um prateado claro, brilhante como a lua e deslumbrante, mandando sua imagem longe do chão, ainda silenciosa, voando baixinho. Ela voou em direção a ele, sua bonita cabeça com penachos grandes, que parecia cintilar, assim como a calda que chicoteava a neve, imponente, sedutora.

Harry olhou a criatura, maravilhado, não com sua estranheza, mas com sua inexplicável familiaridade. Olhando-a ali, ele sabia que ela jamais apareceria para nenhum de seus amigos, ela estava ali por ele, somente por ele. Eles se contemplaram por um momento, então ela virou e voou mata adentro.

— Não! — disse ele com a voz rachada por falta de uso... — Volte!

Ela continuou voando por entre as árvores, e ele a seguia sem nada temer. A neve era pisoteada com força por seus pés, mas a fênix não fazia nenhum barulho quando ela atravessava as árvores, porque ela era nada mais do que luz. Ele pensou que talvez aquela fênix não fosse à de Dumbledore, primeiro porque sua fênix sempre piava ao vê-lo, mesmo sendo um patrono, e segundo não havia justificativa plausível para o próprio Dumbledore que dormia tranquilamente na barraca ter lhe mandado seu próprio patrono.

A fênix dirigiu a cabeça bonita em direção a ele e saiu voando ainda mais rápido Harry tentou falar algo, mas antes que seus lábios pudessem abrir, ela havia desaparecido. Embora ela tivesse sido engolida pela escuridão, a imagem dela ainda estava gravada em sua retina; obscurecendo sua visão. Então o medo apareceu. A presença dela tinha o livrado desse sentimento.

— Lumus! — ele sussurrou e a varinha acendeu.

A impressão da fênix havia diminuído com todas as piscadelas de olho. E ele estava de pé, escutando os sons da floresta, as crepitações dos ramos, a neve macia. Ele ia ser atacado? Ele tinha sido atraído para uma emboscada?

Ele vislumbrou um pequeno feixe de luz da fênix girar e afundar-se no lago congelado que havia ali. Harry avançou cautelosamente e olhou para baixo. Um estranho e conhecido brilho, cintilava dentro do lago congelado, já não era mais o feixe de luz que emanava do patrono, mas algo que estava nas profundezas esperando para ser liberto.

Ele mergulhou sem hesitar, pegando a espada que se encontrava no fundo. Ainda congelante e tremulo ele a examinou cautelosamente, cada brilho que cintilava de sua lamina, cada rubi que estava incrustado aumentando sua beleza. Ao longe passos na neve fofa puderam ser ouvidos, Hermione acompanhada por Dumbledore corriam na penumbra a procura do garoto.

— Harry! – Disse Hermione exacerbada indo em direção ao garoto. — O que você... Mas o que é isso?

— A espada de Griffindor! – Respondeu Dumbledore a analisando, — Vista suas roupas Harry, nós temos muito trabalho a fazer, — Ele disse enquanto a mantinha em suas mãos, seus olhos azuis brilhavam na noite escura.

— Senhor?! – O senhor sabia? Digo, foi o senhor que conjurou o patrono? – Perguntou Harry.

— Que patrono Harry?

— A fênix! Havia uma fênix aqui, eu a segui, e ela me levou até a espada!

— Mas Harry, — Disse Hermione, — Nós estávamos dormindo, acordamos porque ouvimos um estranho barulho! O professor Dumbledore não conjurou nada!

— Impossível... – Disse Harry sem nada entender, — Conheço apenas duas pessoas que tem esse patrono! Você e Sky! Mas não pode ser a Sky, não tem como ela saber, não é?

Dumbledore analisou por um tempo o que Harry havia dito, e um estranho e enigmático sorriso surgiu em sua face.

— Não Harry, quem o conjurou não foi à senhorita Lannyester! – Disse Dumbledore sorridente, mas alguém que está mais nela do que em si próprio!

***

O tempo se arrastou por entre as frestas das portas e janelas, e o silencio que tomou conta de todos pareceu devastador. A cada dia que se passava se tornava mais frio e mais difícil de suportar, a marca se tornava mais intensa no céu escuro e vazio, toda vez que alguém desaparecia, toda vez que alguém era levado. Os castigos não cessaram, nem tão pouco Skyller e seus amigos deixaram de ser castigados por infligirem às regras, ou por tentarem defender algum aluno. Mas naquele dia as canções foram silenciadas e os clamores abafados, mais um havia sido levado, silenciando os inocentes, mais um deles.

— O que faremos agora Skyller? – Sussurrou Neville.

Ela fechou a mão em punho tentando se conter. Parecia que tudo que eles faziam era rapidamente descoberto e alguém sempre pagava. Eles haviam levado Luna, e era perceptível a preocupação e o medo de todos.

“O que fariam com ela? Para onde a levaram? Porque diabos Dumbledore estava demorando tanto? E quanto mais eles poderiam suportar?

Ela segurou as lagrimas tentando não demonstrar a Neville seu medo. Pela primeira vez ela não sabia o que fazer, temia que mais um deles fosse levado.

— Eu não sei Neville, eu não sei! – Respondeu ela monotonamente.

A fila silenciosa caminhava até as masmorras, nada era dito enquanto o medo lhes consumia, devastador, devorador. O frio se instalou ali, em cada tijolo em cada fresta no momento em que Alecto adentrou o local.

— Bom, parece que meu irmão Amycus, tinha mesmo razão sobre como controlar os infratores! – Ela disse em um misto de sorriso e sarcasmo, — “Leve um deles, e a massa se acalmará!” Ele me disse!

Colin chorou baixinho no canto esquerdo da sala. Luna sempre fora uma de suas melhores amigas, e agora ninguém sabia ao certo o que lhe havia acontecido. Alecto fitou o garoto que soluçava baixinho tentando não ser notado. Ela odiava choros, com todas as suas forças, o odiava.

— Olha vejam só, — Disse ela se aproximando do garoto que estremeceu, — Temos mais um bebe chorão aqui! Ela era sua namoradinha? – Ela disse enquanto lhe fincava a varinha no rosto.

— Deixe – o em paz! – Disse Neville, Suas mãos estavam esbranquiçadas pela força que exercia nelas, ele não podia mais, não podia suportar tudo aquilo sem nada fazer, havia chegado a hora de tudo mudar, mesmo que isso significasse sua vida. Alecto se virou para o garoto que havia dito aquilo, deixando de lado Colin.

— Garoto corajoso! – Disse ela com um sorriso amarelo no rosto, — Mas seus pais também eram! Agora me responda, onde eles estão agora? Hum, onde eles estão que não podem proteger seu filhinho? Ela apontou a varinha para Neville pronta para sibilar algum feitiço quando é surpreendida por um jato de luz vindo da ultima fileira.

— Estupefaça! – A garota que se escondia em baixo de uma capa vermelha a atingiu com um forte feitiço, lançando Alecto contra a parede, fazendo-a perder os sentidos.

Todos olharam para trás tentando entender de onde veio aquele feitiço e quem teria sido insano o suficiente para atingir um comensal. Ela caminhou até Neville e só então retirou a capa dando a todos a visão de longos cabelos prateados. Todos ficaram eufóricos e gritaram viva, sorridentes pela coragem da garota.

— É a segunda vez que me salva! – Disse Neville sorridente.

— Amigos são sempre amigos! – Respondeu lhe oferecendo uma piscadela.

— Nós não podemos mais ficar aqui! – Disse Cho, — Quando os outros souberem o que aconteceu, estaremos todos mortos!

Colin enxugou as lagrimas com a manga do casaco, enquanto se aproximava.

— Mas o que faremos? – Ele perguntou com a voz ainda embargada.

— Não há tempo agora para explicações nem para arrependimentos! – Disse Skyller, — O que está feito, está feito! Cho tem razão, quando os outros souberem não hesitarão em nos machucar! Não podemos mais voltar, não enquanto os comensais comandarem Hogwarts, iremos para a sede da AD que Neville encontrou! Somente lá, estaremos seguros!

Todos saíram da sala, correndo em direção a cede, enquanto Skyller selava a porta da sala onde a comensal ainda se encontrava desmaiada. Quanto mais tempo eles levassem para encontrar Alecto mais tempo eles teriam para fugir sem serem perseguidos. Ao longe ela escutou quando passos rápidos vieram em sua direção.

– Droga! – Pensou. – Terminando rapidamente o feitiço e desaparecendo por entre a penumbra das masmorras.