Devora-me

31 A ascensão


Notas iniciais
Nesse capitulo esclarecerei algumas coisas pra vocÊs, como o famoso interesse de Voldemort em Sky... E aqui começa um novo drama, vocês sabem qual é ;/

As amoreiras abafavam os sons dos passos rápidos e precisos de Snape. A mascara de indiferença desenhava seu rosto pálido.

Um belo casarão se destacava na escuridão ao final do caminho estreito, com luzes piscando nas janelas brilhantes do térreo. Em algum lugar no jardim escuro, atrás dos arbustos, uma fonte soava curta e grave abaixo de seus pés, enquanto Snape se apressava em direção à porta da frente, que se abriu para dentro com a sua aproximação, embora não houvesse ninguém visível capaz de abri-la.

O hall de entrada era grande, pouco iluminado, e suntuosamente decorado, com um magnífico carpete cobrindo a maior parte do chão de pedra. Os olhos dos retratos nas paredes o seguiu assim que ele passou.

A sala de estar estava cheia de pessoas em silêncio, sentadas em uma grande e ornamentada mesa. Os móveis costumeiros da sala foram empurrados bruscamente em direção às paredes. A iluminação vinha de uma fogueira estalante acesa em uma bela lareira de mármore cercada de um espelho banhado a ouro. Snape demorou por um momento na entrada. À medida que seus olhos se acostumaram à falta de luz, ele tomou consciência do detalhe mais estranho da cena: uma figura humana aparentemente inconsciente estava pendurada de cabeça para baixo acima da mesa, girando vagarosamente como se estivesse suspensa por uma corda invisível, refletida no espelho e na superfície polida da mesa abaixo. Nenhuma das pessoas próximas a essa situação singular estavam olhando para ela, exceto por um jovem pálido sentado praticamente abaixo dela. Ele parecia incapaz de evitar olhar para cima de minuto em minuto.

Em frente à lareira Voldemort podia ser distinguido. Sua face brilhante através da penumbra parecia assustadoramente pálida, careca, um rosto ofídico, com rasgos estreitos no lugar de narinas e olhos vermelhos e brilhantes cujas pupilas eram verticais.

— Sente-se aqui, Severo! – Disse Voldemort mostrando o lugar a sua direita. — E então?

— Alvo fugiu com o menino! Ninguém sabe para onde ele foi...

O interesse ao redor da mesa mudou perceptivelmente. Alguns enrijeceram, outros ficaram inquietos, todos olhando para Snape e Voldemort. Draco abaixou a cabeça amedrontado, diferentemente de Snape ele não conseguia colocar mascaras.

— Fugiu... — repetiu Voldemort. Seus olhos vermelhos fitando os pretos de Snape com tanta intensidade que alguns dos observadores desviaram o olhar, aparentemente receosos que eles mesmos seriam atingidos pela ferocidade do olhar. Snape, no entanto, olhava calmamente no rosto de Voldemort, e após alguns momentos, a boca sem lábios de Voldemort se curvou no que parecia ser um sorriso. — Bom, muito bom. Estão com medo! – Ele sorriu, um sorriso amarelo e maldoso. — Deixaram então a escola desprotegida, quero que vocês tomem conta do lugar, preparem o terreno para quando o menino voltar... Porque ele vai voltar, e quem o matará será eu!

O grupo em volta da mesa observou Voldemort apreensivamente, cada um deles, através de sua expressão,com medo de serem culpados por Harry Potter continuar existindo. Voldemort, no entanto, exibiu um olhar de pura luxuria.

— E a menina, o velho a escondeu também?

— Não senhor! – Respondeu Snape fazendo com que Draco se remexesse desconfortável, — Ela continua em Hogwarts.

Ele passou de leve a língua entre os lábios.

— Bom. Ela continua bonita?

— Maravilhosamente bela senhor! – Apressou-se um dos comensais. — Eu a vi quando nós atacamos a escola, ela lançava feitiços muito poderosos, um deles quase me acertou! Ela é movida pela raiva, eu pude sentir.

Voldemort gargalhou, e alguns o acompanharam.

— Uma serpente na pele de leão! – Disse ele, — Do jeito que eu gosto!

— Millorde! – Disse Bellatrix, — Eu, eu... Poderia ter lhe trago ela! Eu estive com ela nas mãos, muito nervosinha!

— Mais precisamente com os cabelos dela nas mãos não é Bellatrix? – Disse Snape seco.

Voldemort a olhou com seus olhos vermelhos de pura fúria, e ela se encolheu na cadeira.

— EU DISSE PARA NÃO TOCAREM NELA! — Ele alisou a varinha, logo se acalmando, — Nenhum de vocês, é digno! Ela não me servirá para nada agora! Quando chegar o momento certo, ninguém precisará trazê-la, ela virá até mim! — Muitas de nossas mais tradicionais árvores genealógicas se tornam um pouco doentes com o passar do tempo, — ele disse enquanto Bellatrix olhava para ele, sem fôlego. — Vocês devem entender, o quanto ter a garota é importante... O sangue da família dela, nunca foi sujado, eu posso até sentir tamanha pureza! Entendem agora porque só ela poderá ocupar esse lugar?

— Sim, meu Lorde. Sussurrou Bellatrix em um misto de inveja e dor.

Voldemort levantou a varinha, apontou ela diretamente para a figura que rodava vagarosamente, suspensa acima da mesa, e deu um pequeno giro. A figura voltou à vida com um grunhido e começou a lutar contra barreiras invisíveis.

— Você reconhece nosso convidado, Severo? — Perguntou Voldemort

Snape ergueu seus olhos para o rosto virado de cabeça pra baixo. Todos os

Comensais da Morte estavam olhando para o prisioneiro agora, como se lhes tivesse sido dada a permissão para demonstrar curiosidade. À medida que girava para encarar a luz do fogo, a mulher disse em uma aguda e aterrorizada voz.

— Severo, me ajude!

— Ah sim, disse Snape enquanto a prisioneira virava de devagar de volta.

— E você, Draco? — perguntou Voldemort, acariciando o focinho da cobra com a mão livre.

Draco concordou com sua cabeça de maneira boba. Agora que a mulher havia acordado, ele parecia ser incapaz de continuar olhando para ela.

— Para aqueles que não sabem, nós estamos reunidos aqui hoje à noite, por Charity Burbage que, até recentemente, lecionava na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!

Houve pequenos barulhos de compreensão ao redor da mesa. Uma mulher brega, de dentes pontudos gargalhou.

— Severus... Por favor... Por favor... — Lágrimas saíam de seus olhos e escorriam em seus cabelos.

— Silêncio, disse Voldemort

Snape olhou de volta pra ela, praticamente impassível, enquanto ela girava para longe dele novamente.

— Avada Kedavra.

Um flash de luz verde iluminou cada canto da sala. Charity caiu, com um barulho ressoante, na mesa abaixo, que rachou e quebrou. Vários dos Comensais da Morte pularam para trás em suas cadeiras, Draco caiu da sua própria cadeira e foi para o chão.

— Jantar Nadgini — disse Voldemort suavemente, e a grande cobra rastejou de seus ombros em direção ao chão de madeira polido.

***

Sky observava os destroços no chão ainda abalada. O rosto manchado por lagrimas denunciava sua dor. Ela sentiu sendo envolvida por braços fortes e quentes e por um momento torceu para que fossem os de Snape.

— Você está bem? – Sussurrou Lupin em seu ouvido.

Ela apenas assentiu com a cabeça, enquanto ele a guiou por trás, passando por um aglomerado de pessoas. Vozes incompreensíveis a bombardearam, soluços, gritos e lamentos perfuraram a noite, mas Lupin e Sky seguiram andando, subiram os degraus de pedra para o saguão: rostos flutuavam na periferia da visão de Skyller, pessoas a espiavam, sussurrando, se questionando, e os rubis da Grifinória cintilavam no chão como gotas de sangue quando se dirigiram à escadaria de mármore.

— Vamos à ala hospitalar.

— Não estou ferida— respondeu ela.

— São ordens da McGonagall — argumentou Lupin. — Todos estão lá, Gina, Neville, todo mundo...

Ela deixou ser guiada sem pestanejar, pois queria vê-los se realmente estavam bem. Quando chegaram à ala hospitalar, e empurraram as portas, Skyller viu Neville deitado, aparentemente adormecido, em uma cama próxima. Gina, Minerva, Luna, e Tonks estavam agrupados em torno de outra cama, no extremo oposto da enfermaria. Ao ouvirem as portas se abrindo, todos se viraram. Minerva correu para Skyller preocupada com sua pupila e a abraçou.

— Você está bem, querida?

— Estou ótima... Como estão vocês?

— Todos bem minha filha! Neville precisou tomar uma poção para dormir, porque estava muito agitado!

Skyller suspirou aliviada vendo todos que amavam, bem ali a sua frente, bem.

— Então no fim eram mesmo eles! – Disse Tonks, — Draco e Severo!

— É tudo minha culpa — disse subitamente a professora McGonagall. Ela parecia desorientada, torcia o lenço molhado nas mãos. — Minha culpa. Mandei Filio chamar Snape esta noite, mandei buscá-lo para vir nos ajudar! Se eu não tivesse alertado Snape para o que estava acontecendo, talvez ele nunca tivesse se reunido aos Comensais da Morte. Acho que ele não sabia que estavam na escola até Filio lhe contar, acho que Snape não sabia que eles vinham.

— Não é sua culpa, Minerva — disse Lupin com firmeza. — Todos queríamos mais ajuda, ficamos contentes quando soubemos que Snape estava a caminho. – Ele abraçou mais Skyller.

— O que acham que acontecerá agora? – Perguntou Luna.

— Eles voltarão! Respondeu Skyller se levantando e olhando pela janela, — Dumbledore deixou a escola desprotegida quando partiu!

— Não! – Disse Minerva, — Nós podemos protegê-la!

— Talvez não seja isso que Dumbledore quisesse professora! Digo, Voldemort deve estar contente em saber que o ataque foi um sucesso, deve estar achando que Dumbledore fugiu para salvar Harry... Enquanto ele e os comensais perdem suas energias aqui, conosco, Harry e os outros estão procurando as horcruxes e as destruindo!

Todos pareceram pensar sobre o que Skyller dizia, ela sempre fora extremamente lógica, mas apesar de tudo estava sendo brilhante. Todos ali com exceção de Gina achavam que Snape e Draco eram culpados. Apesar de estar magoada, ela sabia mais do que ninguém que tudo não passava de um plano, e que os dois poderiam ser no final os heróis, se tudo desse certo.

— Mas então o que faremos? – Perguntou Minerva preocupada, — Nós nos entregaremos?

— Quando eles voltarem, nada será o mesmo! – Disse Sky, — Se lutarmos agora, estaremos desperdiçando forças, e eles não hesitarão em nos machucar! Devemos esperar um sinal de Dumbledore para agirmos!

— Mas você não poderá ficar aqui! – Disse Lupin enciumado, — Digo, Alvo nos contou que Voldemort tem total interesse em você! Quando os comensais voltarem, você estará no circulo deles... Eu não permitirei que nenhum deles a toquem, nem mesmo Severo!

— Talvez você possa ficar com Lupin na ordem! – Concluiu Minerva.

— Eu não vou sair daqui! – Disse Sky. — Já passei muito tempo fugindo e me lamentando das coisas que me aconteceram! Se eles querem vir, que venham! Mas já vou logo dizendo a vocês, que não facilitarei pra eles! – Ela riu com malicia, — Acham que eu quebrava as regras antes? Esperem pra ver agora!

Gina a olhou com respeito. A amiga finalmente havia voltado a ser como era antes. A perda do pai, e as decepções que se seguiram lhe roubaram o humor, e a vontade de irritar o mestre de poções. Mas algo a instigou novamente, fazendo com que ela voltasse muito pior do que era antes.