Devora-me
32 A muralha

Tudo parecia nebuloso, devagar. As nuvens pesadas pairavam no céu quase negras, depois que Dumbledore partira até o gramado havia perdido a cor, agora não exibia mais o mesmo verde cintilante, que contrastava com os lírios. Foi então que em meados de setembro as coisas ficaram piores. Como Skyller havia previsto eles voltaram. Os seguidores de Voldemort invadiram o castelo de Hogwarts amedrontando a todos e cobrindo de negror desde os campos floridos até a floresta proibida.
A marca negra ainda cobria o céu latente, e o frio que os atingiu quase lhe quebravam os ossos. Quase todo o corpo docente fora trocado por comensais que estavam prontos para porem em pratica todas as atrocidades que faziam lá fora.
Até o céu enfeitiçado no salão principal não era o mesmo, agora esbanjava grossas nuvens negras e às vezes relâmpagos clareavam todo o local. Gina estremeceu só com a visão do local, mas fora rapidamente reconfortada pelo toque amigável de Skyller em sua mão.
Todos estavam enfileirados no grande salão, na mesa dos professores Minerva se mantinha ereta, mas com uma visível preocupação desenhada em seu rosto, ao seu lado o professor Flitwick mantinha a mesma expressão.
— É primeira vez que vejo essa escola nos eixos! – Começou Snape em voz alta, enquanto caminhava displicente no salão, — E espero eu que continue assim, ou graves consequências acometerão aquele que desobedecerem! – Ele parou demoradamente os olhos de lince em Skyller, que sustentou o olhar frio, sem medo. — As coisas irão mudar por aqui, — Continuou ele, — Começando pelo meu novo cargo como, Diretor! – Ele disse com um sorriso sarcástico.
Ouve um muxoxo por todo o salão, todos se entreolharam assustados e incrédulos. Menos a mesa da Sonserina que sorria com desdém.
— M-as você não pode! – Gritou Dino enlouquecido, — Você não tem esse direito! Dumbledore não morreu!
Snape o olhou com um olhar mortal.
— Ora, vejamos o que temos aqui! – Os comensais riram, — Mais um grifinoriozinho irritante! O que sabe sobre o que posso ou não fazer, garoto insolente? Responda!
Dino olhou para os lados procurando ajuda em algum olhar, mas todos mantinham suas cabeças baixas, ele fechou as mãos em punho criando coragem.
— Você nunca será como ele! Vocês – ele apontou para os comensais, — Nunca serão como Dumbledore! Ele é o maior bruxo de todos os tempos e...
Snape riu o cortando.
— O maior bruxo de todos os tempos que fugiu na primeira oportunidade que teve! Vocês devem entender apenas uma coisa! Dumbledore não voltará, assim como o famoso trio de ouro que partiu com ele! Existem comensais por todos os lados a procura dos fugitivos!
Um “o” audível formou-se no salão. Minerva segurou o peito com as duas mãos, chocada. Skyller fechou os olhos na tentativa de não desmoronar ali mesmo. Era difícil acreditar que tudo aquilo não passava de um plano, que Dumbledore planejou tudo saindo pelo mundo com Harry à procura das Horcruxes, deixando seu inestimado amigo Snape ao cargo que sempre ocupou tão bem, fingir. Era difícil acreditar que o homem a quem ela atormentara tanto e depois lhe dissera palavras tão doces agora ali a sua frente, usava sua mascara de indiferença, não podendo ser diferenciado dos outros comensais.
— E aqueles que quebrarem as regras serão duramente... Punidos.
***
Todos ficaram chocados depois que Snape se pronunciou. O vestígio de esperança que ainda restavam em seus corações fora brutalmente arrancados pelas palavras duras e frias dele. O medo se alastrou por entre as frestas das paredes, arrastando todos para um abismo na imensidão do silencio. E todos se calaram diante dos dias frios que vieram, e o céu não clareou nem por um segundo e nem por um momento parou de exibir a velha marca de caveira que parecia estar desenhada nas nuvens.
Todos desceram silenciosos para as masmorras onde seriam suas próximas aulas. O medo que os calou foi o mesmo que silenciou Skyller por tanto tempo. Ela sabia que não seria fácil, mas não imaginou que Dumbledore e seus amigos demorariam tanto para destruírem as Horcruxes. Havia se passado tempo demais, havia tido silencio demais.
Ninguém imaginou que a sala das masmorras poderia ficar mais gélida com a entrada de Amycus. O comensal de sorriso amarelado e dentes pontiagudos poderia ser o mais cruel e sádico dentre os que estavam ali no corpo docente. Suas vestes negras e sua varinha sempre em punho causava medo em todos, e ninguém jamais ousou desafiá-lo. Mas com o decorrer dos dias, tudo pareceu ficar monotomo para Amycus, então ele resolveu animar um pouco suas aulas.
— Já que vocês reclamaram antes que Dolores não permitia “praticas” em suas aulas, eu serei bonzinho lhes dando a oportunidade de mostrarem o que sabem! – Ele riu mostrando toda a arcada imunda.
Ele acenou com a varinha trazendo para mais perto e para o campo de visão de todos cerca de 10 alunos presos com feitiços de imobilização. Eram alunos que por algum motivo ficaram de detenção, a maioria pertencia a Lufa-lufa e a Grifinoria. Em seus rostos estava estampado apenas medo do que lhes podia acontecer.
— Quero que vocês pratiquem a maldição Cruciatus neles! – Ele riu como se alguém tivesse contado uma piada.
Skyller arregalou os olhos completamente chocada. Dentre todas as coisas do mundo, jamais imaginou presenciar tal atrocidade. Ela forçou tentando segurar as lágrimas quando imaginou quantas maldiçoes dessa seu pai havia sido alvo.
— Você! – Amycus apontou para a fileira da Grifinoria. — Você, o esquisito!
Neville assustou-se por um momento, mas então suspirou tentando criar coragem.
— EU? – Ele disse engolindo em seco.
— Eu? – Amycus repetiu imitando a voz do garoto fazendo com que a mesa as Sonserina caísse na risada, — É claro que é você seu garoto idiota! – Aproxime-se.
Neville fechou os olhos na tentativa que tudo aquilo se espairecesse num piscar de olhos como em um pesadelo. Mas ao abri-los tudo que encontrou foi à mesma cena aterrorizante de antes, ele caminhando rumo a um comensal sádico, que com certeza o obrigaria a fazer atrocidades.
— Qual o seu nome garoto? – ele praticamente cuspiu as palavras.
— Neville! Neville Longbottom Senhor!
— Longbottom? – Ele exibiu os dentes sujos. — Tenho boas lembranças dos gritos de seus pais, Neville! Eles ainda ecoam nos seus ouvidos como ecoam nos meus? – Ele riu sarcástico.
O menino fechou as mãos em punho, nervoso. A lembrança dos pais sempre o atormentou, mas estar frente a frente com um dos torturadores deles era como estar em um pesadelo do qual você sabe que não vai acordar, nunca.
— Tá esperando o que para usar a maldição? – Ele disse com impaciência.
Neville apontou a varinha para os alunos menores tremulo. Nos olhos deles ele se viu quando também era só uma criança assustada e desajustada no meio de tantos.
— NÃO! – Disse Neville sustentando o olhar.
O comensal se aproximou desafiante.
— O que disse seu idiota? – Ele apontou a varinha. — Crúcio!
Da varinha do bruxo emergiu um raio, e logo Neville encontrava-se no chão, contorcendo-se de dor. Todos ao redor olhavam completamente chocados e amedrontados a cena.
— Faça! – Ele disse ainda sorrindo.
— Naao! – Gritou Neville tentando suportar a dor.
Ele se contorcia no chão enquanto o comensal sorria se divertindo. Skyller fechou as mãos em punho nervosa, mas quando se deu conta havia perdido todo seu controle.
— PARE SEU IMBECIL! NÃO VÊ QUE ESTÁ MACHUCANDO ELE? – ela gritou com a varinha em punho ficando na frente de Neville.
— Olha vejam só, — disse Amycus com desdém, — Se não é a amada filhinha de Pitter, é tão corajosa quanto seu pai, docinho! Mas não se esqueça qual foi o fim dele! – Ele riu.
— Ora seu desgraçado de uma figa! – Ela tentou esmurra-lo, completamente enlouquecida, era movida pelo ódio, era movida pelo turbilhão de sentimentos que a atingia.
Amycus a segurou pelos cabelos com força.
— Gosto de menininhas bravas como você querida! Que tal nos acertarmos?
Ele forçou o rosto para tentar encará-lo e cuspiu com escárnio.
— Nunca!
Ele a olhou com ódio, enquanto todos da sala os observavam petrificados. Ele pegou sua varinha fazendo um corte profundo no rosto dela. Nem por um segundo ela gritou, nem enquanto o sangue lhe escorria pela face. Ela era uma muralha, e uma muralha de gelo não sentia.
— Você está louco? – Gritou Draco entrando na sala completamente perplexo. A aula já havia acabado e ninguém havia notado. — Esqueceu a quem ela pertence?
Amycus a soltou fingindo indiferença.
— Não estou fazendo nada demais, apenas... Ensinando! – ele riu passando a língua nos dentes.
Ele caminhou impassivo até a saída, sendo seguido pelos alunos, antes de partir Draco fitou Skyller por um longo período, e ela soube sem ele nada dizer que a procuraria.
— Sky, precisamos fazer alguma coisa! – Disse Neville tirando Skyller do transe que os olhos do loiro lhe causaram.
Ela limpou o sangue que escorria do corte profundo em sua face.
— O gigante precisará acordar Neville, ela disse segurando uma velha moeda.
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