As garotas estão sentadas à uma mesa redonda. Elas acabaram de tomar café da manhã. Há uma lousa atrás de Excalibur.


A empregada se levanta e limpa sua garganta. "Garotas. Agora que estamos com o buchinho cheio, podemos começar a..." — Ela vira a lousa. Há alguns desenhos de lugares e das quatro garotas. "…Operação Resgatar a Noelle !"


As três comemoram, determinadas.


"Graças as minhas fontes confiáveis, eu descobri que a igreja que o evento vai acontecer será a Sainte-Chapelle. O que facilita nossa vida bastante, porque ela tem uma entrada nos fundos." — Excalibur diz.


Yasumi levanta sua mão. "O que vamos fazer primeiro ?"


"Que bom que perguntou." — Excalibur diz. "O casamento é amanhã, por isso, hoje, eu e a Teu vamos ter de fazer uma rota pra entrar e fugir do lugar com a Noelle.


"Isso não é justo ! E a gente ?" — Hanako reclama.


"Eu vou chegar lá." — Excalibur diz. Ela limpa sua garganta e volta a apontar para a lousa. "Obviamente, o lugar vai ter segurança máxima. Então, não podemos dar mole. Quando chegarmos, vamos ter de ir com tudo, pegar a Noelle, e fugir o mais rápido que conseguirmos. Então, Tsu, quando formos, se prepara pra brigar. Não tem volta."


Mitsuro parece assustada, mas se mantém determinada. "C-Certo."


"Assim que pegarmos a Noelle, nós vamos levar ela pra um galpão abandonado bem aqui." — Excalibur diz, circulando um desenho de um galpão. "Antes que perguntem o por quê, esse é um dos galpões de material antigos do meu pai, então ele tem segurança máxima contra Bestas do Caos. Isso vai proteger a gente por tempo o suficiente pre podermos chamar ajuda pelo Vizer."


Yasumi levanta sua mão de novo.


"Se isso tem a ver com sua parte no plano, eu já vou explicar." — Excalibur diz.


A garotinha abaixa sua mão.


"Antes de pegarmos a Noelle, vocês duas vão entrar no lugar e fazer o MAIOR escarcéu que conseguirem. Podem quebrar o que quiserem. Só precisam tirar todo mundo do lugar ou distrair as pessoas pra podermos pegar a Noelle." — Excalibur diz.


"Eba ! Eu vou poder quebrar o que quiser !" — Yasumi exclama, extremamente animada com a ideia de destruição.


"Eu, uh, também..." — Hanako diz, confusa com a felicidade de Yasumi.


"Esse é basicamente o plano." — Excalibur diz.


"Quando vocês vão ?" — Yasumi pergunta.


"Literalmente agorinha mesmo." — Excalibur diz, pegando Mitsuro pela mão e a puxando.


"M-M-Mas já !?" — Mitsuro pergunta, surpresa.


"Quanto mais rápido melhor." — Excalibur diz. "Se comportem, hein. Brinquem com as crianças e não comam muito doce. Ah !" — Ela tira seu Vizer e o entrega para Yasumi. "Eu não preciso disso aqui, já sei falar francês. E vocês podem usar pra falar com a gente. Agora sim estamos vazando." — A empregada vai embora, levando Mitsuro com sigo, que acena para as garotas.


Algum tempo depois. As duas chegam na cidade.


"O-O-Onde fica essa igreja que você falou ?" — Mitsuro pergunta.


"Não fica muito longe. Eu sei o caminho, mas não sei quanto tempo." — Excalibur diz, coçando sua nuca.


Mitsuro solta um suspiro e relaxa seus ombros. "T-T-Tomara que não seja l-l-longe..."


As duas caminham por uns minutos, mas são paradas por uma multidão.


Excalibur tenta passar pela multidão, mas é jogada para trás. "Ugh. É, deixa quieto. Passar por aqui não rola. Vamos ter de pegar outro caminho."


"V-V-Vamos ter de andar mais... ?" — Mitsuro solta um suspiro e segue Excalibur.


As duas chegam em um beco.


"Por aqui vai ser mais rápido." — Excalibur diz.


"V-V-Você já disse isso u-umas três vezes." — Mitsuro diz.


"Mas agora eu tô falando sério." — Excalibur diz. "Porque a gente vai matar a praga que tá no nosso pé."


Passos podem ser ouvidos. Um Orgen de cabelo espinhoso verde menta, olhos azul marinho, vestindo uma camisa social branca um pouco desabotoada, uma jaqueta azul que parece derretida, calças marrons, e sapatos pretos chega. Ele bate palmas. "Tô surpreso. Sua mamãezinha disse que você nem ia perceber eu chegando."


"E-Eeekkk ! T-T-Tinha alguém seguindo a-a gente !" — Mitsuro exclama, surpresa e assustada.


Excalibur solta um suspiro enquanto revira os olhos. "Eu não esperava menos daquela praga. Anda, chega mais perto pra eu acabar com a tua raça." — Quando ela percebe, vê que sua mão está tremendo um pouco. "Eh... ? Tem alguma coisa errada com esse cara..."


"Tá com medinho, né ? E deveria ter." — O Orgen diz. Ele desabotoa sua camisa e mostra uma grande cicatriz no seu coração. "Isso aqui é um presentinho da sua mamãe. Uma Singularidade das Trevas. Essa gracinha tem força o suficiente pra destruir até aquela velha, se ela não ficar esperta."


"Singularidade das Trevas... ? Porra. Era isso que ela tava fazendo em segredo esse tempo todo. Provavelmente, vai fazer um exército." — Excalibur murmura para si mesma.


"N-N-Nós não temos medo de você !" — Mitsuro diz. Ela pega sua foice.


"M-M-Mas deveriam." — O Orgen diz, zombando da gagueira da bruxa.


"Vai, fala aí seu nome pra eu ter o prazer de cuspir na sua lápide depois." — Excalibur estrala seus punhos e pescoço.


"Tom. Tom Jobim." — O Orgen diz.


"Tom Jobim, é ? Nomezinho feio do cacete." — Excalibur provoca, avançando um passo. Ela nota que uma das mãos de Tom está escondida atrás dele. "Põe as mãos pra cima, otário."


Tom mostra que não tem a mão que estava escondendo. Ele dá um sorriso maligno. Antes que qualquer uma delas pudesse reagir reagir, a mão decepada se move com uma velocidade absurda, atrás de Mitsuro. Os dedos dela se moldam rapidamente no formato do cano de uma arma, feitos de pura pressão hidrodinâmica, e disparam três vezes, o som ecoando belo beco.


"M-Mitsuro !" — Excalibur arregala os olhos.


Mitsuro é atingida três vezes no abdômen por projéteis de água em alta pressão, que perfuram suas roupas e sua pele como balas de verdade. A dor e surpresa são tantas para o cérebro dela, que a bruxa cai de joelhos, inconsciente, sua foice escapando de suas mãos e batendo no chão com um som metálico. Uma poça de sangue se forma debaixo.


"Desgraçado !" — O grito de Excalibur ecoa pelo beco deserto.


"Menos uma." — Tom continua sorrindo.


A empregada avança como um trem desgovernado. O chão de pedra sob seus pés racha com o impulso. Ela dá um soco com força o suficiente para demolir um prédio inteiro, mirando direto na cabeça do Orgen. O punho de Excalibur atinge o rosto de Tom, mas, em vez do som de ossos quebrando, há apenas um som de "splash". A cabeça dele se transforma inteiramente em água corrente, absorvendo o impacto sem sofrer dano nenhum.


O soco de Excalibur passa direto, atingindo a parede de tijolos atrás dele e a explodindo em pedaços. Ela nota algo. "O que !?" — A empregada se vira rapidamente, mas Tom já recuperou a forma normal, deslizando pelo chão como uma poça viva antes de se materializar novamente atrás dela, desferindo um chute coberto de água pressurizada que a joga contra a parede oposta.


A mão de Tom volta para ele e se gruda de volta no pulso. "Patético. É com isso que aquela velha tava preocupada ? Pfftt ! Achei que fosse mais forte que isso."


Excalibur limpa um pouco de sangue da boca, os olhos queimando de ódio. "Eu vou te matar."


"Quero ver tentar." — Tom diz.


Excalibur usa toda a sua força, desferindo golpes brutais que criam ondas de choque no beco, afundando paredes e pedaços do chão. Ela chuta, soca e tenta esmagar Tom, mas cada ataque físico apenas atravessa o corpo líquido dele. O Orgen flui entre os golpes dela como se fossem previsíveis e surge de ângulos impossíveis para contra-atacar com chicotes e jatos de água que cortam um pouco a pele da empregada. Excalibur está fisicamente exausta de socar o nada, enquanto a Singularidade no peito de Tom brilha com uma energia sombria.


O Orgen nota o leve brilho e percebe que a briga vai demorar mais do que pensava. "Tch. Preciso acabar com isso, e rápido." — Ele se transforma em uma onda, flui rapidamente até o corpo estirado de Mitsuro e a envolve completamente em uma bolha de água. "A brincadeira tá boa, mas já tá dando a hora." — Seu corpo inferior se transforma em uma torrente de água, o impulsionando para cima dos telhados com uma velocidade incrível.


"VOLTA AQUI, SEU MERDINHA !" — Excalibur pula atrás dele, rachando o chão. Ela o persegue saltando de teto em teto, destruindo as telhas por onde passa por causa de sua força e fúria.


Tom foge até uma área de construção desolada, cheia de andaimes retorcidos, poeira, vigas de ferro, e sacos de cimento, areia, etc. Ele joga o corpo de Mitsuro num canto afastado, perto de uma parede de concreto.


Excalibur cai no centro da obra, levantando uma cortina de poeira. Ela está ofegante, com as roupas rasgadas pelos cortes de água, mas a determinação em seu rosto não diminuiu. "Acabou o espaço pra correr, arrombado."


"Quem disse que eu tô correndo ?" — Tom avança, transformando seus dois braços em grandes serras de água e girando na direção dela.


A empregada desvia de uma serra, pega uma viga e se defende de outro ataque, essa serra cortando a viga de aço ao meio como se fosse manteiga. Ela tenta agarrar ele, mas suas mãos só encontram líquido viscoso. O Orgen aproveita a guarda aberta e acerta Excalibur no estômago com um jato comprimido, a mandando contra uma pilha de sacos de cimento.


Tossindo por causa da poeira, Excalibur olha ao redor desesperadamente enquanto Tom se aproxima, deslizando pelo chão na forma de uma poça. "Ugh... Esse desgraçado é um problema." — Ela assume uma posição de defesa, cansada.


"Já viu que não consegue me vencer, né, aberração ? Meu Águas de Março é uma habilidade que me torna superior a todos !" — Tom se materializa bem na frente dela, rindo alto. "Vou acabar com isso agora !" — Ele se transforma inteiramente em uma torrente de água de alta velocidade, avançando como um torpedo contra o peito de Excalibur para perfurá-la de vez.


No último segundo, Excalibur dá um sorriso confiante. "Mas não aumenta seu cérebro minúsculo." — Ela se joga para o lado.


O Orgen passa voando por ela e acerta um barril e ferro vazio que Excalibur estava escondendo com seu corpo. "Ugh ! Merda !" — Antes que ele pudesse sair, a empregada tampa o barril, pega uma viga de ferro e torce ela em volta da tampa, lacrando o barril.


O barril começa a chacoalhar violentamente de um lado para o outro. Sons abafados de água batendo contra o metal ecoam, junto com os gritos abafados e furiosos de Tom. Como o espaço é confinado e totalmente isolado, ele não consegue gerar momento ou fluxo para escapar, ficando completamente preso em sua própria forma líquida.


"EU VOU SAIR DAQUI !" — Tom grita, abafado.


"Tenta a sorte, otário. Eu percebi que você absorve coisas quando tá na forma de água. Percebi quando soquei a parede e você absorveu um pouco da poeira." — Excalibur diz. Ela começa a socar o chão, cavando um buraco muito fundo. Ela enche o fundo com areia e cimento e joga o barril dentro. "Não sei se ainda tá me ouvindo, mas se tentar sair, vai absorver areia e cimento e seu corpo vai endurecer na hora. Você se fudeu no momento que me irritou, arrombado." — A empregada termina jogando ainda mais areia e cimento em cima, tapando o buraco de uma vez por todas.


Mitsuro está gemendo de dor inconscientemente.


Excalibur se arrasta até sua amiga. "Você aguentou bem, Tsu. Eu vou ver o que consigo fazer pra te-" — Quando ela percebe, não há feridas nenhuma em Mitsuro. "O quê... ? Que regeneração é essa ? Nem eu me viro tão rápido e tão bem assim..."


A bruxa começa a acordar, um pouco confusa. "O... O que aconteceu... ?"


"Eu arrebentei a cara dele por você, Tsu." — Excalibur diz.


Algum tempo depois. As duas estão de volta na mansão, conversando com Yasumi e Hanako.


"E foi isso que aconteceu." — Excalibur diz.


"Isso não vale ! Por que é que vocês duas tem uma aventura legal e a gente tem de ficar aqui brincando com aquelas crianças catarrentas ?!" — Yasumi reclama.


"Sua hora vai chegar, relaxa." — Excalibur diz.


Hanako está preocupada com Mitsuro. "Tá tudo realmente bem, mamãe ? Realmente ? Não tem nada doendo em nenhum lugar ?"


"E-Eu tô bem, filha. Pode ficar tranquila." — Mitsuro diz, acalmando sua filha.


"Se você diz..." — Hanako diz, se acalmando.


"O que importa é que estamos bem, e que conseguimos assegurar uma rota de fuga, quando pegarmos a loirinha." — Excalibur diz.


"A-A-Amanhã, huh..." — Mitsuro diz.


"Amanhã, vamos resgatar a loirinha. E isso tudo vai acabar." — Excalibur diz, com um sorriso esperançoso em seu rosto.


Noelle está dentro de um quarto espaçoso e chique, sentada na frente de um espelho. Ela está ofegante. Atrás dela, há vários objetos quebrados. "…Agora... Agora deve dar..." — A jovem cria um pedaço de cristal e o joga no espelho, o despedaçando. Estilhaços voam na direção dela. Noelle cria uma barreira com seus cristais e se defende. A barreira se abaixa e a jovem começa a chorar. "…Eu não aguento mais... Alguém, por favor, me mate..."


"Aw~ Você ainda não aprendeu, não é ?" — ??? diz. Madeleine entra no quarto. Ela limpa as lágrimas de Noelle, e carinhosamente segura o rosto dela, como uma mãe gentil. "Você é uma mercadoria importante demais para deixar que se danifique. Não importa como, não importa com o que, você NUNCA vai conseguir se matar. Eu não vou permitir. Depois desse casamento, vou pegar todas as reservas de ferro do seu querido marido legalmente e aumentar a produção em massa das minhas Singularidades das Trevas, criando um exército de super soldados bem obedientes, graças ao meu controle mental. Você deveria estar orgulhosa. Vai presenciar uma nova era, onde eu domino o mundo."


Já sem forças, Noelle não pode fazer nada a não ser chorar.


"Tch. Peste nojenta." — Madeleine diz, agora com uma expressão de desgosto. "A única coisa que serve para fazer é chorar. Sabia que suas amigas vieram aqui para te salvar ?"


A jovem arregala seus olhos, surpresa.


"MAS... é óbvio que eu já sabia que isso ia acontecer. Por isso, mandei um dos meus protótipos para matá-las." — Madeleine diz.


"Isso não vai ficar assim... ! Você vai ter o que merece... !" — Noelle ameaça, com o pouco de forças que ainda tem.


"Eu sei que vou. Sempre tenho o que mereço~" — Madeleine diz, com um sorriso confiante. "E, não se preocupe. Caso aquele idiota falhe, eu tenho um plano extra. Sempre estou um passo à frente." — Ela enfia suas unhas no pescoço de Noelle. Um líquido negro viscoso entra na jovem. "Noelle, me escute. Assim que suas amigas te levarem para um local seguro, você vai matá-las da maneira mais brutal que conseguir pensar. Cada uma delas, e então, vai voltar para mim." — A madame retira suas unhas.


Noelle recupera seu fôlego. "Ugh ! O que fez comigo dessa vez ?!"


Madeleine dá de ombros. "Só o tempo vai dizer. Ooohohoho~" — Terminando de dizer isso, a mandame vai embora cantarolando.


A jovem se deita no chão em posição fetal e começa volta a chorar e murmurar para alguém matá-la.

Notas finais
Kuzuha: *Em outra dimensão impedindo uma criatura tirana de dominar o mundo e derrubando um governo.* As garotas na França: *Um episódio de JoJo e um casamento arranjado.*