Devil Slayer Chronicles

20 Yahren, a cidade dos sonhos


Notas iniciais
Eu voltei :) Não tinha morrido, só quebrei meu celular mesmo.

Está de dia, e o sol está brilhando no céu de Azeroth, com poucas nuvens. Kuzuha, Karma, Alucard e Nyra estão caminhando por uma estrada de terra, em um campo verdejante. O jovem está segurando sua raiva, enquanto a Viridy pergunta diversas coisas incessantemente.


"Se serve de consolo, eu tenho que aguentar duas dessas." — Kuzuha diz.


Alucard apenas solta um suspiro, cansado.


"Estamos quase chegando." — Karma diz.


"Por que mandaram o moço que me dá uma sensação ruim ir primeiro ?" — Nyra pergunta, curiosa.


"Fenrir é a melhor pessoa para escanear a área." — Karma diz.


"E, se ele morrer, ninguém liga." — Kuzuha diz.


"Por quê ?" — Nyra pergunta.


"Porque ele é uma pessoa ruim." — Kuzuha diz. "Aquele cara ali também, mas ele tá na reabilitação."


"Ei ! Meu irmãozão num é mau, seu bobo ! Ele acaba com ocê com um socão só !" — Nyra diz, brava.


Alucard limpa sua garganta. "Nyra, esse troglodita não merece sua atenção." — A Viridy se aproxima dele, e o jovem sussurra para ela. "…Mas você fez o certo."


De repente, Karma para de andar. "Ótimo. Aqui vai dar."


"Qual o problema agora ?" — Kuzuha pergunta.


"Nenhum. Estamos quase chegando. Eu só quero revelar um plano que fiz." — Karma diz. "Se olharem nos seus Vizers, vão ver que Yahren é um reino grande, e tem uma muralha enorme com três portões: o portão do leste, o portão do oeste, e o portão do sul. Minha ideia é cobrirmos o máximo de solo e adquirirmos o máximo de informações possíveis. Para isso, seria melhor se nos separasse-mos pelos portões e explorasse-mos o máximo que conseguirmos, e nos juntar para revisar-mos as informações adquiridas. Também porque seria estranho se cinco pessoas chegassem juntas perguntando sobre um D.E.V.I.L."


"Num vô sai de perto do meu irmãozão !" — Nyra reclama.


"Isso não vai ser necessário." — Karma diz. "Fenrir já está cobrindo o portão do sul. Só precisamos decidir sobre os outros."


"Ficaremos com o portão do leste." — Alucard diz.


"Mas eu queria o portão do leste..." — Kuzuha diz.


"Certo. Nós ficaremos com o portão do oeste, então." — Karma diz. "Existe uma torre com um sino, na praça central, que toca toda manhã, tarde e noite. Toda noite, quando o sino tocar, vamos nos juntar e revisar as informações."


Kuzuha levanta sua mão. "Pergunta. Por que não tem portão do norte ?"


"Você vai entender quando chegarmos lá. Mas, para resumir, norte é onde fica o castelo." — Karma diz.


"Não tenho mais nenhuma pergunta." — Kuzuha diz.


"Então é melhor nos separarmos por aqui. Quanto menos formos vistos juntos, melhor." — Karma diz.


Alucard vai embora sem pensar duas vezes. Nyra o segue, mas ela acena e sorri enquanto vai.


"Bom, sobrou só nós dois." — Kuzuha diz. Ele respira fundo. "Simbora."


Os dois começam a caminhar. Vários minutos depois. Conforme vão andando, uma enorme cidade em formato de espiral, com um castelo exuberante no topo e rodeada por uma enorme muralha com portões imensos, vai aparecendo no horizonte. Há alguns navios com asas, pernas e balões neles voando sobre a cidade.


"Eu, uh… Whoa... Eu não faço a mínima ideia do que falar…" — Kuzuha diz, impressionado com o lugar. "Essa é a cidade mais 'cidade importante de RPG' que eu já vi."


"O que é isso ?" — Karma pergunta.


"Eu tenho muita coisa pra te mostrar, quando voltarmos pra casa." — Kuzuha diz.


Eles continuam sua caminhada, a cidade ficando cada vez maior, até chegarem no portão destinado. Diversas pessoas de diversas raças estão entrando e saindo do local. Os dois entram e começam a caminhar pelas ruas movimentadas. Conversas, aromas de comida, e diversas coisas pairam sobre o ar. Algumas televisões e carros podem ser vistos pelo local. Cavaleiros com armaduras tecnológicas marcham por todos os lados.


"É, definitivamente é uma cidade movimentada." — Kuzuha diz.


Karma está olhando ao redor, estranhando o lugar. "Definitivamente mudou, desde a última vez que estive aqui… O que ele está pensado… ?" — Ela acaba tropeçando em outro Zenith.


"Oh, perdão !" — O Zenith diz. Ele se levanta e ajuda Karma a se levantar. Uma manga do manto que ela está vestindo vai um pouco para trás, e o homem puxa sua mão, com nojo, e limpa ela. "Tch. Devia ter ficado no seu lugar." — O Zenith vai embora, reclamando.


"Você tá legal ?" — Kuzuha pergunta.


"N… Não foi nada…" — Karma diz, triste. "Vamos." — Ela começa a andar.


Kuzuha a segue. Os dois chegam em uma praça com um grande cristal branco, em um pedestal, decorado com adornos de ouro.


"Eu já vi um desses em alum lugar…" — Kuzuha diz, pensativo.


"É a Eliryth daqui. Você viu uma parecida com essa quando chegamos aqui, naquele primeiro reino." — Karma diz.


"Uh... Pra que serve esse troço ?" — Kuzuha pergunta.


"Lembra que antes de virmos para cá eu abri uma fenda com meu Vizer ? Basicamente, um Eliryth serve para guiar essas fendas." — Karma diz. "É como se o mundo fosse um rio que se dividisse diversas vezes e as fendas fossem uma canoa. Os Eliryth servem como uma bússola para fazerem os barcos saberem que caminho tomar."


"Você podia só ter falado que servem como fast travel pra uma cidade." — Kuzuha diz.


"Eu, uh, não sei o que é isso." — Karma diz.


"Como eu faço pra usar isso aí ?" — Kuzuha pergunta.


"Primeiro, você só pode viajar para um Eliryth que está sintonizado. Segundo, para se sintonizar com um Eliryth, só precisa ficar perto dele por alguns segundos e pronto." — Karma diz.


"Então eu já tô pronto ?" — Kuzuha pergunta.


"Pode testar." — Karma diz. "Abra a função de fendas no seu Vizer e veja se consegue."


O delinquente mexe em seu Vizer e abre uma fenda na sua frente. "Whoa ! Eu consegui !"


A Zenith bate palmas, feliz pelo seu amigo. "Meus parabéns pela sua primeira fenda !"


"Que maneiro ! Agora eu posso fugir da escola quando quiser !" — Kuzuha diz, animado.


Karma solta um suspiro. "Por que eu não estou surpresa… ?"


"O que a gente faz agora ?" — Kuzuha pergunta.


"Bom, a melhor coisa a fazer é começarmos a procurar informações." — Karma diz.


"Por onde ?" — Kuzuha pergunta.


"Por onde a informação melhor flui: uma taverna." — Karma diz.


"Nada melhor do que álcool pra soltar a língua das pessoas." — Kuzuha diz.


Eles caminham até a taverna mais próxima e entram. O lugar está lotado. Mal se pode ouvir os próprios pensamentos, com tanta conversa alheia acontecendo. Garçonetes estão por todos os lados, equilibrando bandejas com caneco de madeira cheios de cerveja e pratos de comida fartos.


"Se a gente não ficar sabendo de nada aqui, pelo menos descobrimos alguma coisa sobre a vida dos outros. Ô povinho que fala." — Kuzuha diz.


Karma se aproxima do balcão, onde um goblin está limpando uma caneca. "Boa manhã, Ürok."


O bartender continua limpando a caneca, sem olhar para Karma. "Quer o quê ?"


"Direto ao ponto, então." — Karma diz.


Kuzuha se aproxima. "Opa, amigo. Seguinte, você andou ouvindo falar sobre um D.E.V.I.L-"


A Zenith imediatamente tampa a boca dele. "Eu conduzo a conversa, pode ser ?"


"Uh… Ok..." — Kuzuha diz, confuso.


"Perdoe meu amigo humano, ele não sabe do que fala." — Karma diz.


"Disse a Orgen." — O goblin murmura, com um tom de desgosto.


Karma limpa sua garganta e continua a conversa, fingindo que não ouviu o comentário. "Notou alguma atividade estranha na cidade, ultimamente ? Algum visitante incomum ?"


"Informação também é um produto da minha taverna. Se quiser, vai ter de pagar." — O goblin diz.


A Zenith rola seus olhos. "Mas é claro." — Ela pega uma bolsa de couro e põe algumas moedas de prata na mesa.


O bartender pega uma das moedas e morde ela. "Heh, só por garantia. Não dá pra confiar nesse seu tipo."


"Apenas me responda." — Karma diz.


"Gente vem, gente vai. Não dou a mínima, se um sujeito é esquisito ou não. Só quero saber quanto Mynt têm." — O goblin diz.


Karma solta um suspiro. "Claro que você não sabe de nada. Só mais uma pergunta. O que aconteceu com Ymir ? Por que ele está fazendo isso ?"


"Não faço a mínima ideia do que está falando. Nunca ouvi esse nome." — O goblin diz.


A Zenith fica chocada. "C-Como assim !? Há quanto tempo você trabalha aqui ?"


"Mais de vinte anos, e nunca ouvi esse nome." — O goblin diz.


"I… Isso não é possível..." — Karma sussurra para si mesma. Suas pernas ficam bambas, e ela se senta.


"T-Tudo legal com você !? O que tá rolando ?" — Kuzuha pergunta, surpreso.


Karma respira fundo e se recompõe, mas ainda continua visivelmente um pouco abalada. "Só... Só vamos sair daqui…"


"Tá bem…" — Kuzuha diz, confuso.


Os dois vão embora.


Kuzuha nota que sua amiga continua perdida nos pensamentos. "Karma, tem certeza de que tá tudo bem ?"


"Precisamos achar um local para dormir. Tem uma pousada aqui por perto. Vamos." — Karma diz, completamente distraída.


O delinquente não diz nada, só segue sua amiga em silêncio. Os dois alugam um quarto simples, com duas camas, e vão para ele. Karma se joga na cama e encara o teto com um olhar vazio.


Kuzuha se senta na cama e solta um suspiro. "O que tá rolando, Karma ? Você não é assim."


"Tá tudo bem. Eu só..." — Karma diz. Ela também solta um suspiro. "Deixa quieto…"


"Foi mal, mas eu não posso 'deixar quieto'. A gente tá no meio de uma missão importante, lembra ? Se você ficar olhando pro nada o dia inteiro, não vai conseguir fazer nada." — Kuzuha diz. "Por que as pessoas te tratam assim ? Quem é esse tal de Ym-sei-lá-o-que que te deixou abalada desse jeito ?"


"Eu… não posso contar." — Karma diz.


"Karma, você pode confiar em mim, nós somos amigos. Tá na cara que precisa de alguém pra conversar." — Kuzuha diz.


A Zenith solta outro suspiro, esse de desistência. Ela também se senta na cama, de frente para seu amigo. "Você tem razão… Infelizmente, eu só posso te contar o necessário. Mas o dia em que vou ser completamente honesta com você vai chegar. Até lá, peço apenas que confie em mim."


"E eu confio." — Kuzuha diz, com um sorriso amigável.


Karma retribui o sorriso com outro. "Obrigada. Não sei o que faria sem você."


"Vai, me fala aí o que tá rolando." — Kuzuha diz. "Qual a desse povo te olhar estranho ?"


"Eu... meio que menti para você. Bom, não foi necessariamente uma mentira, eu só não contei toda a verdade." — Karma diz. "Lembra de quando eu disse que Azeroth tinham só três raças ? Não são necessariamente SÓ três."


"Tipo... ?" — Kuzuha pergunta, curioso.


"São só três: Zenith, Viridy, e Ürok. Mas essas três tem meio que raças diferentes nas próprias raças." — Karma diz.


"Subespécie, variação, etc." — Kuzuha diz. "Sei do que você tá falando."


"Existem diversas variações de uma espécie. Tipo, muitas mesmo. Por exemplo, os Viridy variam de tribo à tribo. Os Ürok variam dependendo do ambiente onde eles nascem. E os Zenith variam dependendo da linhagem deles." — Karma diz. "…E esse é o meu caso. Eu sou uma Orgen, uma 'variação' de Zenith."


"Variação tá em aspas por quê ?" — Kuzuha pergunta.


"Porque tecnicamente, os outros Zenith é que são variações minhas." — Karma diz. "Os Orgen não são muito raros de se ver, mas também não são comuns. É tipo um circo: você não vê todos os dias, mas não é uma coisa rara." — Ela limpa sua garganta. "Um Orgen é definido pelo tom de pele escuro, diferente dos Zenith que têm o tom de pele bem mais claro. A questão é, Orgen são descendentes diretos dos Zenith originais."


Kuzuha inclina sua cabeça, confuso. "Uh... Mas Zenith não é Zenith ?"


"Não necessariamente." — Karma diz. "Lembra quando eu disse que Yggdrasil voltou uma segunda vez, com os Zenith ? Aqueles foram os primeiros Zenith, os parecidos comigo. Esses são a segunda leva de Zenith, que veio depois."


"Saquei..." — Kuzuha diz.


"Os novos Zenith culpam minha raça por tudo que meus ancestrais fizeram." — Karma diz, triste.


O delinquente fecha seus punhos, angustiado. "Isso é ridículo ! Você não é nem um pouquinho diferente deles !"


"Se todo mundo pensasse feito você, o mundo não seria tão ruim assim." — Karma diz, com um leve sorriso. "Não conseguimos arranjar emprego, e se conseguirmos, mal somos pagos direito, SE formos pagos. Se tentarmos nos rebelar, somos executados em público. 'Não é uma execução, só estamos lembrando o lugar deles.' Ouvi mais vezes do que ouvi um obrigado..."


Kuzuha está tão chocado que não consegue achar palavras.


As mãos de Karma começam a tremer e seus olhos a lacrimejar. "Eu amo Azeroth, juro. Mas não é esse mundo que queria te apresentar."


O delinquente respira fundo e solta um longo suspiro. "Surpreendentemente, não é tão diferente do meu mundo. Ia ficar surpresa, se desse uma estudada na história humana. Gente ruim tem em todo o canto."


"E é aí que o Ymir entra." — Karma diz. "Esse lugar não costumava ser assim, anos atrás. O rei daqui, Ymir, era um protetor de todas as raças. Todos podiam se unir sob uma só bandeira, como um povo unido. Quando ouvi que esse Yahren estava assim, fiquei em choque. Achei que ele tinha perdido sua cabeça. Mas tem alguma coisa errada aqui. Ninguém mais se lembra dele..."


"Esse cara parece importante." — Kuzuha diz.


"Eu não consigo entender... Ele é uma figura amada por todos. Por que ainda não fez nada, ou pediu por ajuda ?" — Karma pondera, preocupada. Ela solta um suspiro. "Desculpa se eu estou agindo estranhamente de novo. Ymir... é meu melhor amigo. Ele me conhece desde bebê. É praticamente família. Eu só estou preocupada que o pior tenha acontecido..."


"Relaxa. Ele parece ser um cara forte. Tenho certeza de que está bem." — Kuzuha diz, acalmando sua amigl


"Obrigada." — Karma diz.


"Acho melhor a gente descansar por hoje. Voltamos a investigar amanhã." — Kuzuha diz. "Você precisa desse descanso. Tá preocupada demais, e isso não dá bem. E a gente tá andando faz dias."


"Mas ainda precisamos nos encontrar com Alucard, Nyra e Fenrir." — Karma diz.


"Qual é, Karma. É óbvio que eles não vão vir." — Kuzuha diz. "Nyra é extremamente distraída, Alucard é teimoso, e Fenrir é o Fenrir. Acha mesmo que algum deles vai seguir uma ordem ?"


A Zenith tenta contrariar, mas não acha nenhum argumento. "Justo." — Ela se deita. "Vamos começar a busca por pistas amanhã. Até."


"Até amanhã." — Kuzuha diz, também se deitando.


Os dois dormem. Na manhã seguinte.


Karma é acordada abruptamente por Kuzuha a balançando. "O-O que foi !?"


"Fudeu ! Fudeu muito !" — Kuzuha diz, desesperado.


"E-Eu não estou te entendendo-" — Karma diz, sendo interrompida quando o delinquente a puxa para fora da cama e começa a arrastá-la para fora da pousada. "Kuzuha !"


"Sem tempo !" — Kuzuha diz. Ele arrasta sua amiga até uma multidão em uma grande praça.


"Ugh ! Respira fundo e me explica o que tá acontecendo." — Karma diz.


O delinquente aponta para a multidão. Karma caminha até o meio, passando pelos moradores, e se choca com o que vê. Há um Zenith idoso com uma postura ereta intimidadora de cabelo e barba longos e grisalhos, olhos completamente negros e vermelhos, com um olhar poderoso, marcas azuis por toda sua pele, vestindo um robe negro, com detalhes brancos e dourados, e segurando um cajado feito de ossos, com uma caveira segurando um orbe vermelho em sua boca, em cima de um palco. Também há guardas armadurados rodeando o palco. No meio do palco, está Fenrir, com seus braços e pernas acorrentados e seu corpo todo surrado e cheio de hematomas. Dois guardas estão segurando lanças apontadas para seu pescoço.


O idoso levanta seu cajado e o bate no chão. Todos ficam em silêncio imediatamente.


"Será que é verdade ?" — Uma Viridy loba pergunta.


"Tem de ser. Vossa Eminência Fafnir jamais mentiria para nós." — Um Zenith ruivo cochicha. "Mas um D.E.V.I.L decidiu aparecer, depois de tantos anos de paz…"


"…Vossa Eminência Fafnir... ?" — Karma sussurra para si mesma, confusa.


Fafnir limpa sua garganta. O barulho ecoa pelo local. A multidão fica ereta, e todos os olhares se viram para o palco.


Vossa Eminência abre sua boca, sua voz rouca e potente ecoando pelo local. "Cidadãos de Yahren. Sei como a notícia de que um D.E.V.I.L infiltrou nosso precioso bastião de paz começou a se espalhar, mas graças a nossa competente força militar, conseguimos achar a ameaça e rapidamente lidamos com ela." — Ele aponta para Fenrir. "Este humano é a serpente que se infiltrou em nosso lar e corrompeu nossos cidadãos. Essa aberração abriga um D.E.V.I.L dentro de si."


"Morte ao D.E.V.I.L ! Morte ao D.E.V.I.L !" — A multidão começa a cantar.


"Isso não é bom..." — Karma sussurra, nervosa.


"A gente precisa fazer alguma coisa." — Kuzuha sussurra.


"Não podemos simplesmente pular em um palco com centenas de olhares voltados para nós. Isso é o contrário do que fazer em uma espionagem." — Karma sussurra.


"Mas se não fizermos nada, Fenrir já era." — Kuzuha sussurra.


"Com uma multidão tão apaixonante assim, não há como rejeitar." — Fafnir diz. "Executores, por favor, prossigam."


Um dos executores pisa na cabeça de Fenrir com força e a prende contra o chão. Um pouco de sangue começa a escorrer pela boca do mordomo. "Últimas palavras, escória ?"


Fenrir permanece em silêncio, apenas olhando com um intenso ódio para Fafnir. Vossa Eminência percebe o olhar e retribui com um sorriso presunçoso. Os dois executores levantam suas lanças e se preparam para atacar. Antes que pudessem fazer qualquer coisa, eles são interrompidos pelo chão tremendo. O tremor começa a ficar mais e mais forte, como passos pesados.


"ANFÍBIO NÃO IDENTIFICADO ! SÃO OS JOTUNS !" — Um guarda grita.


De repente, um daqueles navios com pernas e asas aparece, pulando por cima de um prédio atrás da multidão. Esse é branco, com detalhes azuis e prateados. Ele aterriza atrás do palco, fazendo o chão estremecer com tanta força que as pessoas são jogadas para cima. Três figuras cobertas por mantos brancos, com detalhes prateados, e uma armadura de ferro negra, com detalhes com uma energia pulsante roxa, um capacete parecido com uma caveira, e orelhas e uma cauda peludas verde chartreuse, pulam da proa desse navio, caindo no palco. Sem dizer uma palavra, os três derrubam os dois executores. A pessoa de armadura agarra as correntes de Fenrir e separa elas com o máximo de força que consegue, até arrebentá-las.


O mordomo se levanta. "Sempre gostou de fazer uma entrada espetacular, huh ?"


"É um ataque dos rebeldes ! Protejam a Vossa Eminência !" — Um guarda grita.


Todos os guardas no local se juntam em volta de Fafnir. A pessoa armadurada põe Fenrir em seus ombros e pula com ele para o navio. Oito asas com pernas douradas aparecem nas costas de um dos encapuzados. Ele pega os outros dois e voa com eles até o navio.


"Não fiquem parados ! Atirem !" — Fafnir diz, furioso.


Os guardas pegam rifles e armas de plasma e começam a atirar. Os tiros acertam o navio, mas não fazem nenhum efeito aparente. Com outro grande pulo, a embarcação desaparece. Os soldados marcham atrás dela. Pânico começa a tomar conta da multidão.


Karma pega uma pena dourada no chão, chocada com toda a situação. "…Eu sabia..."


"A gente precisa sair daqui !" — Kuzuha diz, preocupado.


"Kuzuha... Era ele..." — Karma diz. Seus olhos começam a lacrimejar. "…Era o Ymir..."

Notas finais
Hora da comida favorita de todo mundo. A comida favorita do Kuzuha é Strogonoff. A "comida" favorita da Karma é sopa... publicamente. Secretamente, ela ama torta de morango. Alucard adora um bom chá mate, com uma pitada de limão, mel e baunilha, misturado com uma colher pequena de prata três vezes, e uma fatia de bolo sem absolutamente sabor nenhum. Exatamente. Bolo sabor farinha. Fenrir come desespero. Não vou elaborar. E nossa querida Nyra, como a jovem requintada que é, prefere comer tudo e qualquer coisa que caiba dentro de sua boca. E até o que não cabe, de vez em quando.