Devil Slayer Chronicles

21 Yahren, a cidade dos encontros


Fenrir está escondido atrás de uma árvore, longe do portão. Ele está observando o movimento no local. "Claramente, o armamento anti-D.E.V.I.L daqueles guardas não é para enfeite. Não estão vistoriando as pessoas, então é óbvio que têm outro método de verificação." — O mordomo analisa o local com seus olhos. "Hmm… É apenas uma hipótese..." — Ele pega uma pedra e faz um leve corte em seu pulso com ela. Um pouco do seu sangue cai na pedra. Fenrir joga ela precisamente no cesto de um viajante.


Quando esse viajante passa pelo portão, um alarme toca. O viajante é imediatamente impedido de prosseguir pelas lanças dos guardas. Ele é escoltado para algum lugar.


"Foi o que pensei. Um sistema de detecção de D.E.V.I.L. Não muito diferente do que aqueles Primordials usavam." — Fenrir pensa. "Não há como passar por ele despercebido. Estou apenas fazendo um reconhecimento, chamar muita atenção não é uma opção. Mas como não tenho escolha, terei de me virar como puder lá dentro. Mato os guardas sorrateiramente, possuo um e conseguirei me infiltrar sem problemas." — Ele começa a ir em direção ao portão, com um olhar sério e focado. Quando passa por ele, o alarme começa a tocar.


Dois guardas se aproximam.


"Parado aí." — Um guarda alto diz.


"Vamos levar você para uma checagem." — Um guarda baixinho diz.


Fenrir ignora os dois e continua andando. O guarda baixinho soa outro alarme. O mordomo começa a correr. Mais guardas aparecem, com espadas e rifles laser, correndo atrás de Fenrir. Uma perseguição pelas ruas começa.


O mordomo começa a passar por uma multidão. Ele sente algo. "Essa sensação…" — Fenrir muda de caminho, seguindo seus instintos.


Alguns guardas se perdem, mas outros conseguem continuar o seguindo. Eles começam a atirar. Fenrir cria uma parede de gelo, mas alguns tiros passam. Um deles acaba acertando sua perna. Sangue começa a escorrer e deixar um rastro. O mordomo quase perde o equilíbrio, mas, mesmo com a dor ardente, consegue se manter em pé. Os guardas conseguem quebrar a parede e começam a seguir o rastro de sangue, até uma bifurcação.


"O desgraçado é inteligente. Criou uma bifurcação para nos distrair." — Um guarda Zenith diz.


Eles se separam em dois grupos. Um grupo segue o rastro para perto de uma padaria. Eles começam a procurar pelos arredores. Um dos guardas caminha lentamente até atrás da padaria, apontando sua arma para a frente, atenciosamente preparado para atirar. Um gato preto pula de uma parede, o assustando. Esse guarda solta um suspiro, aliviado. De repente, algo pega ele. O guarda atira, e, então, para. Um silêncio mortal toma o local. Os outros guardas se aproximam rapidamente.


Seu colega está bem, mas aparenta não agir de uma maneira normal, como se fosse um boneco controlado por cordas. "Fomos enganados. Devemos voltar para o outro rastro imediatamente." — Sua fala robótica e não natural.


Os outros guardas desconfiam, mas ignoram e voltam pelo caminho, junto do guarda esquisito. Fenrir está dentro do pequeno armazém da loja. Ele solta um suspiro, aliviado por ouvir os guardas irem embora.


De repente, uma menina Zenith, possivelmente pré adolescente, de pele pálida, como porcelana, com longos cabelos loiros, quase dourados com uma mecha castanho claro, olhos vermelho carmesim penetrantes, vestindo um chique vestido marrom, com babados dourados, como o vestido de uma princesa, longas luvas de renda e sapatilhas, ambas douradas, e usando uma coroa cheia de jóias valiosas pula do teto.


Essa menina e Fenrir se encaram. Eles se surpreendem com a visão um do outro. "Você !?"


Uma mulher Zenith de olhos pretos, com um olhar gentil e uma pinta debaixo de seu olho direito, cabelos castanhos, amarrados em uma trança jogada em seu ombro, vestindo um simples vestido velho azul, com detalhes brancos, um avental marrom e sapatilhas também azuis chega, assustada. Ela pega uma vassoura e se prepara para atacar, com suas mãos trêmulas. "V-Vid, para trás !"


"E-Espera-" — A menina Zenith diz, sendo interrompida pela mulher batendo a vassoura na cabeça de Fenrir.


"E-E-Eu não vou deixar vocês levarem ela !" — A mulher Zenith diz, numa tentativa falha de parecer mais intimidadora do que realmente é enquanto bate no mordomo.


A menina Zenith pega a vassoura. "Yselda ! Calma !"


A mulher Zenith dá alguns passos para trás, recupera seu fôlego e se acalma. "Hah... Que susto..."


"Tá tudo bem... Eu estou bem... Olha só. Inteirinha." — A menina Zenith diz, dando um rodopio.


Yselda se acalma mais. "Ainda bem..."


A menina Zenith solta um suspiro. "Não é você que devia ser a adulta da situação… ?"


Fenrir limpa sua garganta.


"Você ! O que você tá fazendo aqui ?! E 'desse jeito' ?" — A menina Zenith diz, olhando o mordomo de cima à baixo.


"Idem." — Fenrir diz.


"Algum conhecido seu, Vidofnir ?" — Yselda pergunta.


"Infelizmente, sim." — Vidofnir diz, com desgosto. "Pode não parecer o mesmo, mas eu reconheço essa presença nojenta de matança e carnificina de longe. Esse é Fenrir, um dos meus irmãos."


A mulher Zenith nota o ferimento na perna de Fenrir e se surpreende, preocupada. "Essa não ! Você foi ferido !" — Ela tenta se aproximar do mordomo, mas é parada por Vidofnir.


"Calminha aí." — Vidofnir diz. "Esse é um dos caras que matou 70% da sua raça, uma vez. Não dá pra confiar nele."


Yselda se solta, se aproxima de Fenrir e começa a analisar o machucado. "Vai ficar tudo bem."


Vidofnir solta outro suspiro. "...Essa mulher não tem absolutamente nenhum instinto de sobrevivência..."


"Eu vou encontrar alguma coisa para poder lavar a ferida e estancar o sangue." — Yselda diz. Ela vai embora com pressa.


O clima do ambiente fica mais pesado.


"Escuta aqui. Não sei o que você veio fazer aqui, mas se encostar um dedo na Yselda, eu vou destruir seu núcleo pouco à pouco, até não sobrar uma partícula sequer." — Vidofnir diz, extremamente séria.


"Acalme-se. Não vim aqui lhe causar nenhum mal, se é com isso que está preocupada." — Fenrir diz. "Nosso encontro é uma mera coincidência do destino."


Vidofnir relaxa seus ombros, aliviada. "Ótimo. Eu não quer ter que lutar contra você."


"O que fez depois do Ragnarok ? O que está fazendo aqui ?" — Fenrir pergunta.


"Eu pergunto a mesma coisa." — Vidofnir diz.


"Muitas coisas. Mas, resumindo de uma maneira breve: eu fui encontrado por um humano com minhas células, e agora sou o mordomo dele." — Fenrir diz. "Temos uma relação complicada, mas algum dia ele irá aceitar que é meu filho."


Vidofnir começa a rir.


"Qual a graça ?" — Fenrir pergunta.


A menina Zenith caminha até Fenrir e senta do seu lado. "Nada. Eu só não achei que a próxima vez que vesse meu irmão destruidor de mundos ele estaria com o coração mole."


"Continuo o mesmo de sempre. Apenas... não me sinto com vontade de destruir nada… por enquanto." — Fenrir diz. "E você também não é uma rosa sem espinhos. Qual sua história ?"


Vidofnir solta um longo suspiro. "Você sabe como eu nunca fui muito de lutar. Matar nunca foi minha vontade, mesmo que tenhamos sido criados para isso. Eu era... imperfeita. Escapei o Ragnarok me escondendo, e assim fui vivendo. Mas esse corpo aqui não é um dos meus milhões de homunculus. Esse é… um corpo de verdade."


"Você matou alguém ?" — Fenrir pergunta.


Vidofnir nega, com seus olhos carregados de tristeza e sofrimento. "Quem dera fosse. Eu teria dado um fim menos doloroso para ela..." — Ela respira fundo, se recuperando. "Há alguns anos atrás, eu me encontrei com uma das Raízes e dois jovens Primordials. Eles me ensinaram que não importa quantos anos passem, sempre vai ter algum canto do mundo para explorar." — A menina Zenith dá um sorriso nostálgico. "Huh, eu me pergunto o que eles estão fazendo agora..." — Ela limpa sua garganta. "Depois disso, vaguei por aí, até ser descoberta pelo exército daqui e ser atacada. No confronto, Linne, a verdadeira dona desse corpo, acabou morrendo por estar no lugar errado, na hora errada. Eu coloquei meu núcleo nela e peguei seu corpo para mim. Acontece que ela era filha da Yselda. Expliquei a situação para ela. Claro, Yselda ficou muito triste, mas já se conformou um pouco com a situação. E agora nós vivemos juntas, trabalhando em uma padaria. Isso pode soar esquisito, mas... até que é legal ser assim."


"…Eu te entendo." — Fenrir diz.


"Jura !?" — Vidofnir pergunta, surpresa.


Fenrir limpa sua garganta. "Sem mais comentários."


Vidofnir limpa sua garganta, ignorando o mordomo. "Yselda é uma mulher incrível. Mesmo sabendo o que eu sou, o que fiz com a filha dela, ela me acolheu, me deu um teto, comida... esperança." — Ela sorri. "Devo minha vida pra ela, e eu vou fazer de tudo possível pra mantê-la segura, custe o que custar."


Yselda chega, com algumas ataduras em mãos. "Me desculpem a demora. Tive de fechar a loja, e alguns guardas vieram me fazer perguntas." — Ela se aproxima de Fenrir e começa a tratar sua ferida. "Me avisa se eu apertar demais, por favor."


"Não se preocupe. Uma simples atadura jamais-" — Fenrir diz, sendo interrompido quando Yselda acaba apertando demais. "Ugh !"


"O-Oh ! Perdão, perdão, perdão, perdão !" — Yselda diz, desesperada.


Fenrir limpa sua garganta. "Não foi nada. É apenas um arranhão."


Yselda termina. "Pronto. Infelizmente, esse é o máximo que consigo fazer por você."


"Por absolutamente nada." — Fenrir diz. "Não que eu não seja grato pela sua ajuda, mas, logo, minha ferida irá se cicatrizar. Seus esforços foram em vão."


"Está doendo agora ?" — Yselda pergunta.


"Não." — Fenrir diz.


"Então não foi em vão." — Yselda diz. "Se eu consegui fazer a dor passar, nem que seja por segundos, não foi um esforço em vão."


O mordomo não consegue achar palavras para argumentar contra.


"Bom, agora que tá tudo resolvido, você tem de abrir a loja de novo. As contas não vão se pagar sozinhas." — Vidofnir diz.


"Tem razão. Mas antes, me ajuda a limpar o sótão, por favor, Vid ? Não podemos deixar ele aqui." — Yselda diz.


"Isso não será um problema." — Fenrir diz. "Minha ferida já está se fechando, quase não a sinto mais. Além disso, eu jamais iria poder me considerar um mordomo de qualidade se não retribuir um favor."


"Oh, não ! Jamais ! Eu jamais pediria ajuda para alguém ferido." — Yselda diz.


"Tem certeza disso ? A loja anda bem movimentada, recentemente. Nós bem que precisamos de uma ajuda." — Vidofnir diz. "Além disso, sabe que nos curamos bem mais rápido do que vocês."


"Eu..." — Yselda diz, indecisa. Ela solta um suspiro de desistência. "Certo. Mas não se esforce demais."


"Nah. Ele vai ficar legal." — Vidofnir diz.


O barulho de um sininho pode ser ouvido, distante.


"Eh ? Que esquisito... Eu jurei que tinha fechado a loja." — Yselda diz, confusa.


"Provavelmente se esqueceu. Pela quarta vez no mês." — Vidofnir diz. "Anda, Fenrir. Você vem junto. Vai aprender a servir clientes."


Os três saem do estoque e vão para a loja. É um local pequeno, com um balcão com quitutes à mostra e cinco mesas, mas com uma atmosfera aconchegante. O aroma de café e pão fresco paira no ar. No meio do salão, está uma jovem Orgen elegante de longos cabelos com uma metade preta, com listras brancas, e outra branca, com listras pretas, olhos amarelo âmbar, com olheiras, vestindo um vestido gótico preto, com babados cinza e correntes espelhadas por ele, longas meias brancas, salto plataforma agulha também pretos, usando brincos de caveira, piercings pelas orelhas, com suas longas unhas pintadas de preto, também com caveiras, e com rosas num tom de vermelho sangue espalhadas pelo seu cabelo, vestido e correntes. Ela está checando o local com seus olhos, enquanto lentamente vaga pelo salão. Vidofnir e Yselda se assustam, ao ver a jovem.


"Qual o problema ?" — Fenrir pergunta.


"…Merda..." — Vidofnir murmura.


"Pensei que isso fosse uma padaria. Onde está a recepção ?" — A jovem Orgen pergunta, sua voz comandante e fria.


"S-Sim, senhorita Grieth !" — Yselda diz, tentando disfarçar seu medo.


Vidofnir se aproxima da jovem. "O que gostaria ?"


"Café preto. Puro. E ponha grãos nele." — Grieth diz.


"Certo." — Vidofnir diz, se curvando e indo embora.


Grieth permanece sentada, olhando fixamente para Fenrir sem quebrar contato visual. Em questão de poucos minutos, Vidofnir traz uma xícara com café e põe na mesa.


A jovem Orgen toma um gole. "Hah... Perfeito. Devo dizer, poucos estabelecimentos têm grãos e um preparo dessa qualidade. Talvez eu volte aqui mais vezes."


"S-Seria uma honra, senhorita Grieth !" — Yselda diz.


"…Isso é, se continuarem abertos." — Grieth diz.


Yselda congela de medo.


"Fui avisada de que meus homens perseguiram um alvo até aqui, mas que ele sumiu repentinamente. Não saberia nada sobre isso, não é ?" — Grieth pergunta.


"E-E-Eu... E-Eu..." — Yselda diz, extremamente nervosa.


Vidofnir interrompe. "Não vimos nada, senhorita."


"Certo..." — Grieth diz, desconfiada. Ela aponta para Fenrir. "Quem seria aquele ? Nunca vi aqui antes."


"É nosso novo garçom, senhorita." — Vidofnir diz.


"Estranho. Me disseram que acertaram a perna do alvo. E, o que seria aquilo ?" — Grieth pergunta, apontando para o curativo na perna de Fenrir.


"Aquilo é…" — Vidofnir diz, sem saber o que dizer.


"Me machuquei há alguns dias. Já disse que estou bem, mas a senhorita Yselda insiste em continuar com essas ataduras." — Fenrir diz.


"É mesmo ?" — Grieth pergunta. "É o que veremos." — Ela estala os dedos.


De repente, vinhas de sombra agarram Fenrir com força e o trazem para perto de Grieth. Ela rasga o pano amarrado na perna do mordomo. Não há nenhuma ferida.


"Huh, estava falando a verdade." — Grieth diz.


As vinhas desaparecem.


Grieth vai embora, mas para na porta. "Fiquei sabendo que seu negócio começou a esquentar, recentemente. Tome cuidado para não ESQUENTAR demais." — Terminando de dizer isso, ela vai embora.


Vidofnir confirma que a jovem Orgen se foi e volta para dentro. Ela solta um suspiro, aliviada. "Ainda bem..."


"Quem era aquela ? Mesmo com sua aparência calma, conseguia sentir sua sede de sangue de longe..." — Fenrir diz.


"Grieth Rosfield, uma dos quatro generais de Fafnir." — Yselda diz.


"Fafnir..." — Fenrir pondera.


"Isso mesmo." — Vidofnir diz, confirmando qualquer dúvida que o mordomo tem. "Nosso irmão tá tramando alguma coisa."


"Por coincidência, é exatamente isso que vim fazer." — Fenrir diz. "Amanhã, o meu grupo chegará. Eu vim primeiro para adquirir mais informações sobre o que estamos lidando. Qualquer informação que tiverem será útil."


"Bom, acho que você já viu que eles têm muita defesa contra D.E.V.I.L, e já sabe quem tá no comando." — Vidofnir diz.


"Me falem mais sobre esses generais." — Fenrir diz, curioso.


"São quatro generais: Grieth Rosfield, a que você acabou de conhecer, Boreanis Warrick, Astrarion Logus, e Vanadiel D'Argentine." — Yselda diz.


"Pro nosso azar, três deles têm Requiem Ancestral." — Vidofnir diz. "A Grieth conseguiu o Requiem do Umbros, caso aquelas vinhas não refresquem sua memória, Astrarion, de alguma maneira inacreditável, conseguiu o Requiem do Zodiark, Vanadiel nem precisa de Requiem, ele tem uma armadura impenetrável, e o Boreanis, bem..." — Ela hesita.


"Algum problema ?" — Yselda pergunta.


"É que... Bem..." — Vidofnir diz, ainda hesitante. Ela respira fundo e toma coragem. "Boreanis tem o Requiem do Silvanus."


Imediatamente, ao ouvir esse nome, Fenrir é tomado por um surto de ódio descontrolado e soca uma parede, abrindo um buraco nela e nas casas do lado.


"P-Pelos Criadores !" — Yselda diz, aterrorizada.


Fenrir está fumegando de ódio.


"C-Calma ! Não é ELE ! Ele já morreu !" — Vidofnir diz.


"Não faz diferença. Enquanto existir uma célula daquele desgraçado viva, eu não vou descansar até destruí-la." — Fenrir diz, com um ódio anormal para sua postura formal e calma.


"Dá pra fazer isso sem destruir a loja, primeiro ?!" — Vidofnir diz, brava.


O mordomo se acalma e percebe o estrago que causou. "Mil perdões. Irei concertar meu estrago agora mesmo." — Ele vai até o buraco e começa a remendá-lo com pedaços de madeira quebrados e gelo.


Vidofnir puxa Yselda para um canto. "Desculpa meu irmão. Ele normalmente é mais calmo que isso. E é melhor não mencionar o nome do Silvanus perto dele."


"Quem é Silvanus ?" — Yselda pergunta, preocupada.


"Lembra de como eu disse que somos criados pra matar, que todo nosso propósito é matar, e se não conseguimos matar somos dados como inválidos e 'descartados' ?" — Vidofnir pergunta. "Bom, acontece que Fenrir nem sempre foi o destruidor de mundos das lendas. Na verdade, quando fomos criados, ele foi considerado o mais fraco entre nós e ridicularizado por isso. Desde então, meu irmão foi treinando e treinando, até ser o que é hoje. Mas teve sempre um obstáculo que ele nunca conseguiu ultrapassar: Silvanus. Silvanus era uma Besta Ancestral mais forte que meu irmão, mais rápida que meu irmão, mais esperta que meu irmão, com um gelo mais poderoso que o do meu irmão. Basicamente superior a ele de todas as maneiras. Não importa quantas vezes Fenrir o desafiava, Silvanus sempre vencia, e meu irmão sempre escapava às beira da morte. Óbvio que isso só fazia dele ainda mais motivo de chacota. O coitado nunca conseguiu vencer seu inimigo, e nunca mais vai..."


"Esse mundo que vocês foram criados parece ser horrível." — Yselda diz, sem saber o que dizer.


"'Vid, ninguém escolhe onde nasce, mas pode escolher para onde vai.'" — Vidofnir diz, imitando alguém. "Minha irmã me ensinou isso, uma vez. Eu... sinto falta dela..."


"Aquela que você disse que viajou junto, não é ? Eu também sentiria. Pelo que você me diz, ela era muito legal." — Yselda diz.


"A melhor..." — Vidofnir diz, um pouco triste.


Fenrir chega. "Pronto."


O buraco na parede foi remendado da melhor forma possível, usando as madeiras quebradas e o gelo, mas ainda continua claramente fora do lugar.


"Aquilo tá horrível-" — Vidofnir diz, sendo interrompida por Yselda.


"Está perfeito do jeito que é." — Yselda diz, olhando especificamente para Fenrir com um sorriso de aceitação em seu rosto. Ela limpa sua garganta e desvia o olhar. "A-A parede, é claro."


Fenrir sente algo. Ele não sabe o que é, mas sabe que, em todos os seus séculos de vida, nunca sentiu isso antes. Logo, não consegue achar uma resposta.


Vidofnir limpa sua garganta. "Sem querer interromper esse romance definitivamente normal entre meu irmão e minha mãe, mas, Yselda, ele já melhorou, e a gente tem de trabalhar."


"Oh ! Perdão. Você tem razão. Temos de abrir o café." — Yselda diz.


"Ficarei grato em ajudar." — Fenrir diz.


"Normalmente, eu cuido dos clientes e a Yselda fica na cozinha. Você pode limpar e organizar as coisas, e ajudar quando precisarmos." — Vidofnir diz.


"Não vejo problemas." — Fenrir diz.


Todos começam a trabalhar. Horas depois. O sol está se pondo.


"Mais um dia de trabalho..." — Vidofnir diz.


Yselda está maravilhada com a limpeza do local. "Whoa... Confesso que nunca vi a padaria assim. Você tirou até a poeira da poeira."


"Detalhes que aprendi com o jovem mestre." — Fenrir diz.


"Você fez muito mais do que devia. Eu não sei como posso te recompensar." — Yselda diz.


"Eu peço apenas um local para ficar, por hoje. Amanhã, irei me reunir com o jovem mestre e companhia, e continuarei a investigação." — Fenrir diz.


"Pode dormir aqui, se quiser. Tem um quarto 'vazio'." — Vidofnir diz. "Você não liga, né, Yselda ?"


"Não vejo problemas." — Yselda diz.


"Fico muito agradecido." — Fenrir diz.


Yselda o leva para um quarto mobiliado, com os móveis cobertos por panos. "Precisa só tirar um pouquinho de poeira da cama e ela fica perfeita. Por favor, não mexa em mais nada, só a cama."


"Certo." — Fenrir diz. "Mais uma vez, obrigado pela hospitalidade."


"Eu que deveria agradecer. Você está arriscando sua vida por pessoas que te tratam como uma escória. Poucos têm a mesma coragem e honra que você." — Yselda diz.


"Huh..." — Fenrir diz, pensativo.


"Dito isso, até amanhã. Ambos vamos ter um dia cheio." — Yselda diz, indo embora. "Se ficar com fome, pode comer o que quiser."


O mordomo limpa a cama e se deita nela. Na manhã seguinte. Fenrir é acordado pelo som da conversa de uma multidão, gritos, chamas e fumaça. A padaria está pegando fogo.


Fenrir rapidamente se levanta e usa seu gelo para apagar o fogo no quarto. "Que droga está acontecendo ?!" — Ele sai e começa a apagar o fogo onde consegue. O mordomo ouve um gemido de dor e desce para o salão.


Vidofnir está jogada no chão, coberta por machucados e queimaduras. "…Fenrir..."


O mordomo rapidamente apaga o fogo e pega a jovem em seus braços "O que houve aqui ?"


A jovem Zenith parece derrotada. Ela está com dificuldade para falar, por causa da fumaça e do cansaço. "…Grieth… Ela pegou a Yselda..."


Fenrir fica claramente enfurecido, mas tenta manter sua calma. "Eu vou pegá-la de volta." — Ele leva Vidofnir para fora, onde uma multidão está reunida em volta do local, e a entrega para um Ürok. "Ela precisa de cuidados. Imediatamente." — O mordomo estala seus dedos. A padaria imediatamente se congela.


Grieth desaparece em um beco. Fenrir a segue. A Orgen não está mais no local. O mordomo se joga para o lado, desviando de uma vinha sombria. Ele joga um espinho de gelo em uma parede, a destruindo.


Grieth sai da sombra dos escombros. "Não pode enganar uma sombra... D.E.V.I.L."


"Vou perguntar isso apenas uma vez. Onde ela está ?" — Fenrir pergunta, sério.


"No calabouço do castelo da Vossa Eminência, sendo preparada para sua execução amanhã por ajudar um D.E.V.I.L." — Grieth diz. "E você irá se juntar a ela."


Fenrir respira fundo e... põe suas mãos para cima, se rendendo. "Eu me rendo, mas com um acordo."


"Não pensei que o poderoso Fenrir se renderia tão fácil." — Grieth diz, desconfiada. "Certo. Irei ouvir sua demanda."


Algum tempo depois. Yselda está em uma cela suja e úmida, sem janelas ou camas. Seu cabelo está bagunçado e suas roupas rasgadas. Ela solta um suspiro, triste.


De repente, um guarda abre a cela. "Suma daqui, lixo."


"O-O que vão fazer comigo, agora !?" — Yselda pergunta, tremendo de medo.


"Vossa Eminência foi misericordioso demais com você. Foi liberada." — O guarda diz.


"M-Mas..." — Yselda diz, ainda não conseguindo acreditar que seu pesadelo acabou. Infelizmente, para o azar dela, outra visão deprimente começa, quando ela vê Fenrir ser jogado na mesma cela. Seus braços e pernas estão algemados com algemas negras. A mulher Zenith se aproxima do mordomo segura seu rosto gentilmente com suas mãos. "Essa não ! Você está bem ?"


O guarda puxa Yselda para fora à força. "Eu falei para sair daqui !"


"Diga para Vidofnir que eu sinto muito..." — Fenrir diz.


"Fenrir, não !" — Yselda diz, triste.


Outro guarda chega e arrasta ela para fora.


O primeiro guarda dá um sorriso maligno. "Nunca devia ter pisado no solo sagrado da Vossa Eminência, verme. Mesmo que você vá morrer amanhã, vamos fazer questão de te fazer lembrar o significado de dor."


No dia seguinte. A mesma coisa do capítulo anterior acontece. Fenrir quase é executado, mas é salvo por um grupo de gente encapuzada, que se chamam de Jotuns. Fim. Até o próximo capítulo :3

Notas finais
Aqui vão os fatos curiosos sobre os personagens nesse capítulo. Vidofnir odeia doces porque ela sofre de hipogeusia e não consegue sentir o gosto de coisas doces. Yselda começou a fazer bolos, pães, e etc., para ajudar um orfanato a ganhar dinheiro. O povo gostou tanto deles, que ajudaram ela a fazer uma padaria. Fenrir gosta do café dele da maneira mais simples: grãos puros. Ele come feito amendoim. E quanto mais forte, melhor. Os sobrenomes dos três generais, tirando Vanadiel, são referências a Final Fantasy XVI A cor favorita da Grieth é preto azeviche. E por hoje é só :3