Devil Slayer Chronicles
22 Yahren, a cidade dos pesadelos
Notas iniciais
Alucard e Nyra estão caminhando por uma estrada de terra. Algumas outras pessoas estão caminhando pela mesma estrada, conversando. Yahren pode ser vista na distância.
"Tamo quase lá !" — Nyra exclama, animada.
"Contenha-se. Isso não é uma brincadeira." — Alucard diz.
"Admite, ocê também tá animado, irmãozão." — Nyra diz, com um sorriso presunçoso.
"Muito pelo contrário, odeio cidades grandes." — Alucard diz, enojado. "Toda essa agitação e conversa me irrita."
"Mas esse que é o melhó !" — Nyra diz. "Gente feliz pra todo lado é legal."
"Esses idiotas ignorantes, gastando dinheiro com o que vêem pela frente, como se não houvesse amanhã. Ignorando a realidade à sua volta." — Alucard diz, amargamente.
"Mas ainda tem amanhã." — Nyra diz, confusa.
"Foi uma figura de linguagem-" — Alucard suspira. "Esqueça. Apenas ignore."
"Ignora o quê ? Que num tem amanhã ?" — Nyra pergunta.
"Ainda tem um amanhã, Nyra." — Alucard diz, começando a ficar aborrecido.
"Mas ocê disse que num tinha, irmãozão." — Nyra diz.
"Não leve tudo que eu digo a sério." — Alucard diz.
"Mas se ocê tá falando pra num leva a sério, então isso é mentira ?" — Nyra pergunta. "Se isso é mentira, então é pra levar a sério ?"
O jovem solta um longo suspiro. "Eu não tenho paciência para isso... Muito menos, num dia com essa neblina fedorenta."
Nyra inclina sua cabeça, confusa. "Que neblina ?"
Minutos de caminhada depois, eles chegam no portão. Yahren está coberta por uma fraca neblina branca. Não forte demais para obstruir a visão, mas não tão fraca para não se notar.
"Ugh. Odeio neblina." — Alucard diz, abanando seu rosto com sua mão.
"Mas num tem nada aqui." — Nyra diz.
"Viveu tanto tempo na floresta que seus instintos estão ficando fracos." — Alucard diz.
Uma pessoa coberta por um manto branco, com detalhes prateados, observa o jovem, à distância. Essa pessoa desaparece na neblina.
"Enfim. Precisa se focar mais na missão." — Alucard diz. "Vamos."
Os dois passam pelo portão. O alarme toca e Alucard é interceptado. Mas, de repente, o alarme para de funcionar.
"O que foi isso ?" — Um dos guardas pergunta. "Nunca aconteceu."
"Deve ter sido uma falha." — O outro guarda diz. "Perdão. E sejam bem-vindos à Yahren."
Pelo canto dos olhos, Alucard consegue ver uma pessoa usando o mesmo manto que a de antes se esgueirando por trás dos guardas sorrateiramente e fugindo. Essa é menor, do tamanho de uma criança. Ele ignora. "Tirem suas mãos de mim."
A dupla entra na cidade.
"Essa é sua próxima lição. O que devemos fazer agora ?" — Alucard pergunta.
Nyra põe a mão em seu queixo, pensativa. "Hmm... Hmmmmmmm... Hmmmmmmmmmmmmmmm..." — De repente, ela tem uma ideia. A Viridy olha para seu amigo com um inocente sorriso em seu rosto e com sua cauda peluda abanando. "Comer ?"
Alucard apenas solta um suspiro, cansado. De tudo.
"Qual o problema com ocê, irmãozão ?" — Nyra pergunta.
"Vamos apenas perguntar para os habitantes sobre informações daqui." — Alucard diz.
"Sem problema !" — Nyra diz, animada.
Os dois se aproximam de um homem Zenith parrudo sozinho, varrendo a porta de sua casa.
"Bom dia. Somos viajantes distantes, é nossa primeira vez em uma cidade como essa. Por acaso, moraria por aqui ?" — Alucard pergunta.
"Oh, sim, sim. Eu moro por aqui. Quer alguma informação ?" — O Zenith parrudo pergunta, com um sorriso.
"Qual a taxa de criminalidade do local ?" — Alucard pergunta.
"Uh... Não muito alta... ?" — O Zenith parrudo diz, confuso. Ele olha para o lado e concorda com algo. "Foi o que minha esposa disse."
Nyra cumprimenta o ar, ao lado do Zenith parrudo. "Prazê em te conhecê. Meu nome é Nyra."
"Nyra, com quem está falando ? Não há ninguém aqui." — Alucard diz.
"Isso não é legal, jovem. Vai magoar minha esposa, assim." — O Zenith parrudo diz, repreendendo Alucard.
"Desculpa meu irmãozão. Ele ficou meio esquisito quando entrô aqui." — Nyra diz.
Alucard vai embora. "Vamos embora, Nyra."
"M-Mas... Tá bem..." — Nyra diz, confusa. Ela se despede do Zenith e acompanha seu amigo. "Aquilo num foi legal, irmãozão."
O jovem está perdido em seus pensamentos, ignorando tudo e todos à sua volta. De repente, uma daquelas pessoas encapuzadas em branco esbarra em Nyra e coloca um pequeno dispositivo nela. A Viridy perde um pouco do seu equilíbrio, mas não cai. Ela se vira para reclamar, mas o dispositivo dá um choque nela e a paralisa. Nyra acaba sendo sequestrada pela pessoa. Alucard nota o silêncio e vê a situação. Ele imediatamente começa a persegui-la. O jovem joga alguns espinhos de gelo na pessoa, que cria um escudo de energia azul em volta de si. A pessoa pega algo e joga no chão. Esse algo explode, causando um clarão que cega todo mundo, incluindo Alucard. Quando o jovem se dá conta, a pessoa não está mais lá.
Minutos depois. Em uma cabana, numa floresta perto da cidade. A pessoa põe Nyra no chão.
"Grr ! Meu irmãozão vai pegar ocê, e vai doer !" — Nyra diz, brava.
A pessoa pega uma adaga e se aproxima de Nyra. De repente, Alucard arrebenta a porta e joga um estilhaço de gelo na mão dela, fazendo um corte e fazendo a pessoa largar a adaga.
"Ha ! Sabia ! Falei, num falei ? Meu irmãozão vai te arrebenta !" — Nyra diz.
Alucard cria uma katana e ataca, mas seu ataque é rapidamente impedido pelo primeiro encapuzado, segurando uma florete dourado.
"Por favor, peço que se acalme ! Não é o que parece !" — Uma voz masculina diz.
O encapuzado força, empurrando Alucard para trás.
"Você tem trinta segundos." — Alucard diz.
Das sombras, sai um homem juvenil de aparência humana de cabelo longo vermelho, olhos verde esmeralda gentis e cansados, com uma pinta debaixo do olho esquerdo, usando roupas que parecem que um dia foram chiques, mas agora estão velhas e gastas, com oito asas douradas abraçadas pelo seu peito, e uma bainha com uma espada de duas mãos larga em sua cintura. Esse homem se curva. "Eu sou o príncipe Ymir Rcules Oakrim III, e humildemente imploro que me empreste sua ajuda para minha causa."
O encapuzado segurando o florete dourado limpa sua garganta. Sua voz masculina, mas definitivamente com um tom afeminado. "Vossa majestade. Não deveria ficar se curvando para qualquer um."
"Tudo bem, Isolde. Ele é um potencial aliado. E, mesmo que não seja, ainda é alguém que teve interesse em vir para Yahren. E eu jamais sentiria vergonha de me curvar diante de alguém que ama meu reino tanto quanto eu." — Ymir diz.
"Um meio humano, meio Viridy. Extremamente raro, mas não impossível." — Alucard diz, avaliando Ymir. "E um da realeza, ainda por cima."
"Ouça o que tenho a pedir, e tire suas conclusões, por favor." — Ymir diz. "Mas primeiro, permita-me perguntar. O que faz de sua pessoa tão especial ?"
"Vai ter de ser mais específico que isso. Eu sou exemplar em tudo que faço." — Alucard diz.
"Disso não tenho dúvidas. Mas meus dois cavaleiros me disseram que você não é afetado pela fumaça." — Ymir diz.
"Eu sabia que aquela neblina não era normal..." — Alucard murmura para si mesmo. "Me conte mais sobre essa fumaça."
"Yahren foi tomada por um D.E.V.I.L chamado Fafnir. Ele é capaz de criar chamas cujo a fumaça produzida por elas causa ilusões nas pessoas. Fafnir usou isso para tomar controle de Yahren, e planeja criar um exército para achar Bifrost e ascender ao reino dos Criadores." — Ymir diz. "Isso não pode acontecer. Se Fafnir ascender, ele será capaz de espalhar suas chamas por toda Azeroth, colocando todos sobre suas ilusões. Não só isso, como, se usar Bifrost, vai acabar causando outro Ragnarök. Azeroth não está preparada para confrontar Yggdrasil novamente. Isso seria o fim do mundo."
"Eu não dou a mínima para seu mundo patético. Se sua raça inteira for aniquilada, é porque não passam de meros vermes." — Alucard diz, friamente.
"Ora, seu-" — Isolde diz, furioso, mas sendo imediatamente interrompido por Alucard.
"Contudo. Por coincidência, minha missão é exatamente eliminar esse D.E.V.I.L. Então, irei cooperar. Momentaneamente." — Alucard diz.
"Muito obrigado. Fico grato por ter emprestado sua ajuda." — Ymir se curva novamente. "Podem se revelar."
Os dois encapuzados tiram seus mantos. Um é um Zenith andrógino de cabelo longo verde musgo, com as pontas cacheadas, olhos amarelo mel, vestindo luvas, um peitoral, e botas de ferro, calças de cota de malha preta, com uma capa roxo claro nas costas, e com o florete dourado em mãos. A outra é uma Ürok pequena de pele preta acinzentada, como cinzas de carvão, sardas brancas, cabelo curto e bagunçado preto, olhos azul-petróleo, vestindo uma camiseta bege suja de graxa, um macacão vermelho escuro, botas de couro, e com óculos de proteção em sua cabeça.
"Como já dito antes, meu nome é Ymir Rcules Oakrim III, e eu sou- FUI o príncipe de Yahren, até aquele monstro tirano destruir meu reino e a mente dos meus súditos, há anos atrás." — Ymir diz, com um tom de tristeza e amargura. "Esse jovem cavaleiro ao meu lado é Isolde Valcroix. Ele é… peculiar, mas é leal até o fim."
"Olhando de perto, você é um humano bem bonitinho~ Já tem alguém, gracinha ? Meu coração já tem dono, mas sempre cabe mais um, se estiver interessado~❤️" — Isolde pisca para Alucard e joga um beijo para.
"Se mate." — Alucard diz, friamente.
Ymir limpa sua garganta. "A outra jovem é Kala Khromius. Ela é uma inventora engenhosa e criativa."
"E aí. Fui eu que fiz o alarme do portão parar de tocar, quando você passou." — Kala diz, orgulhosa de si. "Também fui eu quem inventou o aparelho que paralisou sua amiga."
"Nyra, diga alguma coisa." — Alucard diz.
Nyra permanece em silêncio.
"Ela ainda tá paralisada. Eu IA tirar o aparelho, mas ALGUÉM quase arrancou minha fora." — Kala diz, jogando indiretas para Alucard.
"Retire. Agora." — Alucard comanda.
Kala solta um suspiro. "Eu já ia fazer isso mesmo." — Ela retira o aparelho grudado em Nyra.
A Viridy se levanta com um pulo. "LIBERDADE !" — Ela se esconde atrás de Alucard, sua cauda fica eriçada e Nyra começa a sibilizar para o trio.
"Certo..." — Isolde diz, ignorando a situação. Ele se cobre com o manto de novo. "Voltarei ao meu posto, vossa majestade." — Dito isso, o cavaleiro se curva e vai embora.
"Você deve ter algum plano." — Alucard diz.
"Sim. Mas deixarei a parte técnica com quem entende. Devo admitir que não sou tão versado em tecnologia quanto gostaria." — Ymir diz.
Kala pega um papel e espalha pela parede. Está cheio de detalhes sobre construções da cidade, atalhos, passagens escondidas, maquinários, entre outras coisas. A Ürok limpa sua garganta. Ela parece muito confiante em si mesma. "Yahren é composta por três portões, cada portão separando uma parte da cidade. Como dá pra ver aqui, os sistemas dos portões se conectam com o castelo. 'Por quê' vocês me perguntam ? Porque fui eu quem fez eles assim. Aquele desgraçado, maldito, safado, cafajeste, maltrapilha do Fafnir roubou MINHAS plantas, que EU inventei para melhorar a cidade, e reformou elas para alguma outra coisa. E, o pior é tudo, foi feito sem supervisão, por mãos amadoras nojentas."
"Direto ao ponto, antes que corte sua garganta. Odeio pessoas que falam demais." — Alucard ameaça.
"Dá pra ver que você é amável." — Kala diz, rolando seus olhos. Ela limpa sua garganta novamente. "A questão é: não foi exatamente assim que eu desenhei a planta. Alguém mudou alguma coisa nela. E essa mudança provavelmente é o que está causando a fumaça alucinógena. Eu fiz a planta usando o castelo como ponto de controle. O controle de todos os sistemas está lá dentro. Então, se conseguirmos entrar, eu posso ver como as coisas estão funcionando e desligar tudo."
Nyra inclina sua cabeça, confusa. "E num fez ainda por quê ?"
"Não se engane. A segurança pode parecer fraca, mas, na verdade, a maioria dos soldados está concentrada no castelo. Os generais também. Não só eles, como os melhores soldados estão lá." — Ymir diz. "E, mesmo que consigamos ultrapassar todos eles, ainda temos Fafnir para lidar. Um D.E.V.I.L não é brincadeira."
"Patéticos. Se não fosse por aquele palito de fósforo maldito me atrasando, eu já teria matado essa coisa e ido para casa." — Alucard reclama.
"Você tem companhia ?" — Ymir pergunta.
"Não. São pesos, me atrasando. Dois idiotas e meu mordomo incompetente." — Alucard diz.
"Num fala assim dos seus amigo, irmãozão." — Nyra diz. Ela se vira para Ymir. "É melhor ocê toma cuidado com o que fala ! Meu irmãozão é super forte, e o moço alto que ajuda ele é um D.E.V.I.L."
"Um D.E.V.I.L ?" — Ymir pergunta, com uma curiosidade incomum.
"Você parece interessado demais nisso." — Alucard diz, suspeitando do príncipe.
"Talvez eu tenha péssimas notícias…" — Ymir diz, receoso. "Isolde reportou notícias sobre um D.E.V.I.L que foi capturado por Fafnir e será executado publicamente amanhã. Não temos muitas informações sobre, mas o D.E.V.I.L supostamente tem uma forma humana."
Alucard suspira bruscamente. "…Eu estou cercado por incompetentes..." — Ele limpa sua garganta. "Sim, conheço esse D.E.V.I.L. É Fenrir, meu mordomo."
"S-Seu mordomo !?" — Ymir e Kala exclamam, surpresos.
"Pelos Criadores... Você deve ser um indivíduo extremamente poderoso para não só ter triunfado contra um D.E.V.I.L, como também tê-lo subjugado a um serviçal." — Ymir diz, com seus olhos arregalados por surpresa e descrença.
"Alguém que não é afetado pela fumaça ilusória e consegue dominar um D.E.V.I.L… Eu posso falar que já vi de tudo." — Kala diz, igualmente surpresa. "Falando nisso..." — Ela se aproxima de Alucard e começa a olhar ele de cima à baixo, procurando algo especial. "Qual teu segredo, hein ? Mágica ? Requiem ? Genética ?"
"Afaste-se de mim, criatura horrenda. Sua presença perto de minha pessoa é indesejada." — Alucard reclama, enojado. "Além disso, não há nada especial em mim. Eu sou apenas superior. Simples."
"Eu tô perdendo minha paciência com esse cara, vossa majestade !" — Kala diz.
"Acalmem-se, por favor." — Ymir diz, tentando apaziguar a situação. "Temos de nos focar no plano." — Ele limpa a garganta. "Senhor Alucard, tenho ótimas notícias. Parte do nosso plano incluía resgatar esse D.E.V.I.L e convencê-lo a se unir à nossa causa. Saber que você o controla é gratificante e encorajador. Com ele ao nosso lado, nossas chances serão muito maiores."
"Pare de me bajular e termine de contar o plano." — Alucard diz.
"Perdão. Enfim, amanhã, iremos resgatar Fenrir com o Anfíbio que Kala construiu. Apenas isso." — Ymir diz. "Um simples ato, eu sei, mas irá causar comoção com o povo e com Fafnir em si. Isso já é o suficiente para abalar a estrutura da cidade e abrir mais opções para planos futuros. Uma das coisas que pretendo fazer é um ataque direto, assim que a infiltração no castelo for bem sucedida."
"Mais algo ?" — Alucard pergunta, impaciente.
"Creio que não." — Ymir diz.
"Certo." — Alucard diz, indo embora.
Nyra segue ele e acena, específicamente para Ymir. "Tchau~"
"O-Onde vai ?" — Ymir pergunta, surpreso com a atitude do jovem.
"Para a floresta, treinar e acampar. Não recomendo que me siga, a não ser que queira ser decepado por 'engano'." — Terminando de dizer isso, Alucard desaparece.
Kala solta um suspiro, aliviada. "Finalmente… Carinha nojento. Eu já tinha arregaçado ele na porrada, se não precisamos da ajuda dele."
O príncipe permanece em silêncio, olhando para o caminho que Alucard foi embora com um estranho olhar de familiaridade.
Horas depois, já é tarde. Alucard está treinando com uma de suas katanas, enquanto Nyra está estirada no chão, cansada. Há várias árvores caídas e/ou com cortes.
A Viridy se senta. "Ei, irmãozão…"
"Diga." — Alucard diz, sem parar de se focar em seu treino.
"…Tá tudo bem com ocê ?" — Nyra pergunta, preocupada.
O jovem faz um corte em uma árvore. "Nunca estive melhor."
"Tem certeza disso ? Ocê tava falando meio esquisito com aquele moço com asas." — Nyra diz. "Parecia que num gostava dele. Os dois já se conhece ?"
Alucard ataca uma árvore e a corta com um golpe limpo e rápido. Ela cai no chão, causando um barulho alto e um leve tremor. O jovem solta um suspiro, se aproxima de Nyra e se senta ao lado dela. "Seu cérebro é pequeno demais para entender isso, mas... O que acha que é necessário para liderar um reino ?"
"Mandar nos outro... ?" — Nyra pergunta, incerta.
"Surpreendentemente, sua linha de raciocínio não está tão distante da verdade." — Alucard diz.
A Viridy imediatamente se anima e abre um sorriso bobo enorme. "Jura !? Eba !"
"Para liderar um reino, precisa que as pessoas te obedeçam, seja por vontade própria ou não. Linhagem nobre não significa nada, se o reino não te ouve. E aquele Ymir não parece entender isso." — Alucard diz. "Você viu que a resistência se consiste de apenas três pessoas. O próprio disse que foi destronado há anos. Significa que ninguém quis se juntar."
"Por quê- Ah, é ! A fumaça deixa todo mundo esquisito." — Nyra diz.
"Esse é o problema, não é a fumaça." — Alucard diz. "Nyra, o que faria se alguém dissesse que, num estalar de dedos, você se tornaria a melhor caçadora do mundo e sua tribo iria te aceitar de volta ?"
"…Eu... ia voltar para casa..." — Nyra diz, relutante e triste.
"Esse é o problema. Você ignorou completamente o que eu disse e só focou no que queria. A família, e vida, que você teria seria perfeita, mas não real. Seus sentimentos seriam reais, mas não seriam recíprocos." — Alucard diz. "Aquela é uma cidade de pessoas iguais a você. No fundo de suas mentes, eles sabem que não é real, mas decidem ignorar. Têm a vida perfeita que querem. Não precisam questionar nada, se, no final do dia, as coisas vai acontecer do jeito que querem, como querem. Desde que eles ACHEM que têm o controle sobre suas vidas, não querem saber é mais nada."
"…Ah..." — Nyra diz, triste.
"Ymir quer tirar isso daquelas pessoas. Ele quer liberar um povo que não quer ser liberado. Por isso, jamais vai vencer. Pode matar todos os D.E.V.I.Ls existentes, conquistar paz mundial, atingir um estado transcendental, e, mesmo assim, vai continuar sendo rejeitado por aquelas pessoas." — Alucard diz.
"Isso é triste..." — Nyra diz, triste.
"Não, é patético." — Alucard diz, friamente. "Aqueles subalternos malditos se entregam por qualquer migalha patética de endorfina e dopamina que conseguirem. Eles se seriam capazes de se arrastar por um campo de vidro, se isso significasse que iriam conseguir o que desejam, mas jamais iriam levantar um dedo para a causa de outro."
"Todo mundo tem alguém importe que gosta." — Nyra diz. "Ocê tem alguém importante que gosta, irmãozão-"
Alucard imediatamente cria uma katana e a aponta para o pescoço de Nyra. "Está descansando por tempo demais. Volte a treinar."
"T-Tá bom, irmãozão !" — Nyra diz, assustada. Ela se levanta e começa a atacar uma árvore.
O jovem fecha seu punho, frustrado com algo. Horas depois. Já é madrugada, mas Alucard continua treinando. Nyra está dormindo profundamente, roncando. Uma moita começa a se mexer. O jovem imediatamente joga um estilhaço de gelo nela.
Da moita, sai Ymir, com suas mãos para cima. "Acalmem-se. Sou apenas eu."
"Pensei que tinha deixado claro quando mandei não me seguir." — Alucard diz.
"Pensei em garantir que esteja bem, até amanhã." — Ymir diz.
"Isso responde sua pergunta. Agora suma daqui." — Alucard diz.
"Na verdade, há outra coisa que eu vim fazer. Uma pessoal." — Ymir diz. "Por acaso, você seria Alucard Von Vladi ?"
O jovem fica sério e aponta sua katana para Ymir. "Não te contei meu nome inteiro. Explique-se."
"Então é mesmo você…" — Ymir sussurra para si mesmo, num tom de surpresa e esperança.
Alucard se prepara para um ataque. "Mandei se explicar."
"Eu sei quem você é porque Meina me contou." — Ymir diz.
O jovem arregala seus olhos, surpreso ao ouvir esse nome, e imediatamente dá um passo para trás e abaixa sua arma. "…Meina... Um nome que eu não ouço há anos, mas jamais esquecerei..."
"Ela me contou tudo sobre você em uma carta que me mandou, no dia em que te salvou." — Ymir diz. "Eu... Eu confesso que sinto sentimentos confusos, por você. Por um lado, sinto tanta pena. Se tivesse passado por metade das coisas que passou, teria me matado há muito tempo. Mas, por outro lado, sinto... inveja. Alguém que, mesmo que a própria existência estivesse contra, conseguiu agarrar o destino com as próprias mãos e tomar o controle dele. Eu admiro isso... Como conseguiu ?"
"Tch. Patético. Não preciso da sua pena." — Alucard diz, friamente. "E não existe essa coisa banal de destino. Um pedaço de papel ou uma fábula não vão decidir quem eu sou e que caminho sigo, apenas EU posso decidir isso."
"Se fosse tão fácil..." — Ymir murmura para si mesmo, em um suspiro.
"Meina... Como ela está ?" — Alucard pergunta, nostálgico.
Ymir permanece em um silêncio mortal.
"Eu te fiz uma pergunta." — Alucard diz.
"…Morta." — Ymir diz, cabisbaixo.
Com o choque, Alucard vai para trás. "O-O quê !?"
"Meina era minha melhor amiga de infância, e minha esposa." — Ymir diz, triste. "Um dia, uma das Raízes de Yggdrasil, Genesis, atacou Lovreth e matou todos. Foi tão rápido e fatal que ninguém teve tempo de reagir. Em questão de minutos, o reino inteiro foi congelado. Ninguém sobreviveu. Meina, os mordomos dela, sua irmã mais nova, súditos... Todos congelados até a morte em instantes." — Ele fecha seus punhos com força e aperta. "Você deve entender minha dor. Na carta, ela me disse que você perdeu sua irmã mais velha, Celeste. Se eu fosse mais forte, talvez-" — O príncipe é interrompido, quando Alucard soca seu rosto com tanta força que é jogado para trás.
Alucard está com seus punhos tremendo, e fisicamente abalado. "Não se atreva a dizer o nome da minha irmã !"
Ymir se levanta, aceitando o soco. "…Perdão. Eu não sabia o quanto isso ainda te afetava."
"Não tente se simpatizar comigo ! Não somos iguais !" — Alucard exclama, bravo. "Por dois anos, eu tive de sobreviver do lixo dos outros ou da carcaça de alguma Besta do Caos que conseguia encontrar ! Por dois anos, eu tive de aprender uma língua completamente nova, em um ambiente onde eu era visto como uma aberração e uma ameaça ! Por dois anos, eu tive de vagar sozinho sem rumo dia e noite, sem saber para onde estava indo ! Por dois anos, eu fui forçado a matar para não morrer ! Tudo isso, antes mesmo e eu atingir uma idade com dois dígitos e com um corpo decadente, cheio de células D.E.V.I.L injetadas à força dentro de mim ! Você nunca vai saber o que é viver em um corpo que rejeita a própria vida ! Poder não te leva a lugar nenhum ! Pare de ser um verme patético que olha para os outros e se pergunta o que ele pode imitar, e comece a olhar para si mesmo e se perguntar o que você pode melhorar !"
"…Eu... sinto muito que você tenha de passar por isso." — Ymir diz, cabisbaixo. "…Mas... tem razão." — Ele levanta sua cabeça. "Por muito tempo, eu sempre quis agradar todos os pedidos dos meus súditos. Mas de que bom é uma nação onde um líder lhe dá tudo que quer, em vez de liderar ? Assim que tomar meu reino de volta, farei uma nova Yahren. De agora em diante, serei um rei que ouve seu povo, não um que agrada." — O príncipe olha intensamente nos olhos e Alucard. "Alucard Von Vladi. Como verdadeiro rei de Yahren, eu considero sua ajuda como de extrema importância, e ordeno que me ajude a reconquistar meu reino."
"Não sou seu súdito, seu verme insolente. Você não tem poder sobre mim." — Alucard diz.
Ymir limpa sua garganta. "Talvez eu tenha me empolgado um pouco."
"Como dito anteriormente, com ou sem você, irei matar Fafnir. Então não faz diferença." — Alucard diz.
"Certo. Encontre-nos amanhã, na cabana. Iremos começar a revolução." — Terminando de dizer isso, Ymir se curva e vai embora.
O jovem da o menor sorriso do mundo, se é que pode ser chamado de um sorriso. "Heh, talvez você não seja tão ruim, afinal de contas..."
Daí o resgate do capítulo 20 acontece. Bla, bla, bla.
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