Devil Slayer Chronicles
18 Nova missão
Kuzuha começa a acordar em uma maca. Não há nenhum machucado em seu corpo. "Ugh… Tudo dói..." — Ele olha em volta e percebe que está em um quarto na ala hospitalar da empresa.
Não há mais ninguém no local.
O delinquente solta um suspiro. "Já não falei que tô de saco cheio dessas suas ilusões, Draugr ?"
Sem resposta.
"Ah, é..." — Kuzuha diz. Ele se levanta, caminha até o banheiro e se olha no espelho. O delinquente vê seu olho esquerdo normal. "Huh, esquisito… É tudo meio… quieto." — O Vizer dele começa a tocar. Kuzuha atende.
É King. "Agente Joker. Seu Vizer acabou de mostrar que finalmente acordou. Não o vejo à dois dias. Me deixou preocupado. Preciso que venha para minha sala."
"Tch. O que você quer ? Não tô afim de conversar agora." — Kuzuha diz.
"Não foi um pedido." — King diz, sério. Ele desliga.
"Ótimo. Como é que essa droga veio parar no meu pulso ?! Achei que tinha arrancado isso." — Kuzuha diz. Ele vai embora.
Minutos depois. O delinquente chega na sala de King.
Karma também está no local. Ela se levanta rapidamente e abraça Kuzuha. "Graças aos Criadores, você está bem. Ficamos preocupadas, no apartamento, quando você se trancou no quarto por um dia inteiro e não respondeu nenhuma de nós."
"Eu... tô melhor, agora. Foi mal." — Kuzuha diz.
A Zenith solta ele. "Que bom que ficou melhor."
"Tem mesmo certeza que melhorou ?" — King pergunta.
"Não enche meu saco." — Kuzuha diz. "O que eu vou precisar fazer pra você me deixar em paz ?! Quebrar esse negócio no meu pulso não adiantou, pelo jeito."
"Bom saber que ainda sente ódio. Vai precisar bastante na missão que tenho para vocês." — King diz.
"Eu não trabalho mais pra você !" — Kuzuha diz, bravo. "Acabou ! Já era ! Fim !"
"O que aconteceu ?" — Karma pergunta.
"Olha pra mim, Karma ! O Draugr se foi ! Eu sou normal, agora ! Fiquei completamente inútil !" — Kuzuha diz. Ele tenta usar seu Requiem, mas não consegue.
"M-Mas isso é impossível ! Você é-" — Karma diz, sendo interrompida pelo King, que limpa sua garganta bem alto.
"Senhorita Lestalum, creio que isso seja mais normal do que pensa." — King diz. "Por acaso, algum de vocês é familiarizado com Citologia ?"
"Não faço a mínima ideia." — Kuzuha diz.
"Nunca ouvi falar." — Karma diz.
"É o estudo das células." — King diz. "Uma parte da Citologia estuda o efeito das emoções nas células. Por exemplo, estresse causa mais cabelos brancos, acne e rugas. Depressão causa problemas alimentares e estomacais. Dentre outras coisas."
"E… ?" — Kuzuha pergunta.
"No fim do dia, todos os Requiems são apenas células." — King diz. "Em termo de leigo, alguma emoção sua não te deixa usar seus poderes."
"Isso é idiotice." — Kuzuha diz. "Que emoção faz perder poder ?"
"Boa pergunta. Todos reagem de maneiras diferentes à situações diferentes. A única pessoa que sabe essa resposta é você." — King diz.
"E… Eu… Eu não faço a mínima ideia…" — Kuzuha diz.
"Então vai ter de descobrir no caminho." — King diz. "Essa missão é extremamente importante. Vocês três precisarão estar na melhor condição possível."
"Três ?" — Kuzuha pergunta.
O líder concorda. "Exatamente. Kuzuha, essa não é uma simples missão de nível S. Na verdade, é tão secreta que apenas oito pessoas sabem dela."
"King estava me explicando, antes de você chegar." — Karma diz. "Nós vamos ter de ir para um reino em Azeroth."
"Eh !?" — Kuzuha diz, surpreso.
"Existe um reino chamado Yahren, em Azeroth. Antes, era um reino sob o tratado de paz, mas depois que o novo presidente entrou, saíram e decidiram voltar a usar tecnologia." — King diz.
"Ok… E… ?" — Kuzuha pergunta, confuso.
"Como se uma mudança política radical já não fosse o suficiente, esse novo presidente tem a estranha capacidade de realizar desejos. Qualquer desejo. Claramente, não preciso mencionar que um reino onde qualquer um pode ter o que quiser não é uma ótima ideia. Para deixar a situação pior, relatos da atividade de um D.E.V.I.L pela área começaram a se espalhar, junto da ascenção ao poder. São coincidências demais para serem ignoradas." — King diz. "Vocês quatro irão investigar se essas duas ocorrências têm alguma relação ou são mera coincidência."
"'Vocês quatro' ?" — Kuzuha pergunta.
"Patético." — ??? diz. Alucard chega. Seu braço direito voltou ao normal, e ele está usando um Vizer.
Acompanhado do jovem, está um mordomo alto, com músculos definidos, de cabelo branco bem longo e volumoso, olho direito de um tom puro de azul claro, com um olhar misterioso, vestindo uma camisa social branca um pouco desabotoada, mostrando um pouco de seu peitoral, um colete cinza, um paletó preto aberto, com detalhes dourados e azul escuro, calças também pretas, sapatos marrons, com suas unhas pintadas de preto e um pouco longas, como garras, algumas faixas azuis no seu pescoço e cobrindo seu olho esquerdo, e também usando um Vizer.
Karma e Kuzuha se viram, extremamente surpresos. "EH !?"
"Huh, esquisito. Não sinto mais a presença do meu irmão em você…" — O mordomo diz, confuso.
"Seu o quê ?" — Kuzuha pergunta, também confuso. Ele tem uma ideia. "I-Irmão !? Você é aquele D.E.V.I.L que tava dentro do Alucard !" — Ele aponta para Alucard. "E o que VOCÊ tá fazendo aqui !?"
"Você é tão incompetente, que tiveram de implorar pela minha ajuda." — Alucard diz, com um sorriso presunçoso.
"Na verdade, apenas perguntaram se o jovem mestre Alucard gostaria de te auxiliar nesta missão e ele aceitou." — Fenrir diz.
"Fenrir !" — Alucard diz, bravo.
Fenrir se curva. "Perdão, jovem mestre Alucard."
"O que está acontecendo !? Por que isso está acontecendo !?" — Karma pergunta.
"Acalmem-se, todos. Tenho uma explicação para essa situação." — King diz. "Claramente, não ia deixar um D.E.V.I.L vivo. Então, o arranquei de Alucard e o matei. Ou, pelo menos, pensei que matei. Essa coisa voltou para cá com um corpo novo."
"Permitam-me contar meu lado da história." — Fenrir diz. Ele limpa sua garganta. "Depois da sua tentativa falha de me eliminar, achei um novo hospedeiro e voltei ao lado do jovem mestre Alucard."
"Tá, mas virou um mordomo por quê ?" — Kuzuha pergunta.
"O jovem mestre Alucard assistiu um filme com um mordomo que cuida de um homem animalesco como se fosse seu filho. Sendo o mordomo do jovem mestre Alucard, poso cuidar dele como se fosse o meu." — Fenrir diz. "Além disso, ser um humano por algum tempo pode ser uma ótima atividade, até eu me cansar e devorar todos vocês." — Um dos braços dele é coberto por pelos azuis e cria garras. "Esse hospedeiro não combina comigo, e o jovem mestre Alucard ficou com uma boa parte das minhas células D.E.V.I.L, mas ainda consigo transformar uma parte ou duas para combate e usar um pouco do meu gelo."
"E você deixou esse troço voltar, cara ?!" — Kuzuha pergunta, bravo.
"Por enquanto, ele ainda não cometeu nenhum crime." — King diz. "Mas se cometer, será o último." — Ele limpa sua garganta. "Voltando ao assunto. Kuzuha, Karma. Esses dois irão te auxiliar na missão."
"Ambos temos conhecimento sobre Azeroth, e eu consigo rastrear células D.E.V.I.L. Uma ótima combinação." — Fenrir diz.
"Se eu ver QUALQUER ação suspeita, farei questão de acabar com você no exato momento." — Karma diz.
"Eu já falei que não tô com cabeça pra essas coisas." — Kuzuha diz.
"Mas você vai." — King diz, sério. "Além disso, o que tem a perder ? Ou fica de luto aqui pelo resto da sua vida, ou conhece alguém que consegue realizar QUALQUER desejo. Isso inclui… 'eliminar' um certo relacionamento matrimonial."
O delinquente pensa, por alguns segundos. "Mudei de ideia. Tô dentro."
"Que bom que decidiu cooperar." — King diz. "Agora, vão. Quão mais rápido forem, melhor. E falem com a Sora. Ela tem um presente para vocês."
"Beleza." — Kuzuha diz.
O grupo vai embora.
"Então... Como vai a vida ?" — Kuzuha pergunta.
"Se mate. Deixaria minha vida melhor." — Alucard diz.
"Que isso, cara !? Eu só fiz uma pergunta !" — Kuzuha diz, surpreso.
"Arruinou meus planos e me colocou em uma maldita prisão. Como acha que minha vida está ?" — Alucard pergunta.
Kuzuha pausa, por alguns segundos. "…Tranquila ?"
O jovem tenta estrangular o delinquente, mas se segura e solta um suspiro. "Seu palito de fósforo desgraçado ! Seu cérebro é do tamanho de um amendoim !"
"Eu só te fiz uma pergunta, seu cubo de gelo ignorante !" — Kuzuha diz, bravo.
Karma solta um suspiro. "Isso vai ser um desastre..."
Eles se aproximam da mesa da Sora.
"O senhor King os mandou aqui, não foi ?" — Sora pergunta.
"Foi, Sora. Qual são os presentes ?" — Kuzuha pergunta.
"QUAIS são os presentes, palito de fósforo analfabeto." — Alucard diz.
"Vai a merda." — Kuzuha diz.
"B-Bom, os presentes estão naquela sala." — Sora diz, apontando para uma sala no final de um corredor. Ela se vira para Fenrir. "Desculpe, mas não sei quem você é, e não pude te preparar um presente."
"Isso não será um incômodo." — Fenrir diz.
O grupo caminha até a sala e entra nela. É um quarto normal. Em cima da cama, há três caixas, cada com um nome de alguém. Eles abrem as caixas com os respectivos nomes. São roupas.
"Legal ! Roupas novas !" — Kuzuha diz, animado.
"Não vou vestir esses trapos." — Alucard diz.
"Será melhor usarmos roupas que nos façam se misturar com a multidão. Quanto menos atenção atrairmos, melhor." — Karma diz.
"Pra mim, tudo bem." — Kuzuha diz. Ele entra em uma porta.
Minutos depois.
Kuzuha sai, vestindo um sobretudo preto aberto, com detalhes vermelhos e prateados, uma camiseta vermelha, uma calça preta, botas também pretas, usando luvas sem dedos que também são pretas. Ele se olha. "Agora sim tô parecendo um protagonista de anime."
Alucard é o próximo a sair, vestindo uma jaqueta chique azul, com detalhes pretos e dourados, uma camisa social branca, calças marrons, botas pretas, luvas também brancas e com um saco de couro em sua cintura. "Me sinto ridículo."
"Mais do que o normal ?" — Kuzuha pergunta, zombando de seu colega.
"Eu vou deformar seu rosto, se não ficar quieto !" — Alucard diz, bravo.
"Jovem mestre Alucard, não dê ouvidos." — Fenrir diz.
Chega a vez de Karma. Ela sai usando apenas um manto a cobrindo completamente. Os três olham para ela. A Zenith limpa sua garganta. "Isso… é moda."
"Ok…" — Kuzuha diz.
"Enfim, vamos." — Karma diz.
"Onde exatamente a gente tem de ir ? Eu meio que não faço a mínima ideia." — Kuzuha diz.
"Eu sou a única que tem um Vizer sintonizado com um Eliryth, então..." — Karma diz. Ela encosta em seu Vizer.
Uma fenda se abre em pleno ar, na frente de todos.
"Whoa ! Que legal !" — Kuzuha diz, maravilhado.
"Pessoas banais se encantam com coisas banais." — Alucard diz. Ele passa pela fenda.
Fenrir acompanha seu mestre. Karma vai, em seguida.
Kuzuha fecha seus punhos e respira fundo. "Aguenta aí, Noelle. A gente já tá indo." — Ele também passa pela fenda, que se fecha. O delinquente sai na praça de um vilarejo da idade média com vários Zenith para todos os lados, poucos humanos, pessoas com características de animais, criaturas verdes grandes e musculosas, e pequenas e magricelas. Há uma fonte nessa praça, com um grande cristal branco flutuando sobre ela. "Whoa… Parece uma coisa direto de um RPG…"
"Um o quê ?" — Karma pergunta.
"Deixa quieto." — Kuzuha diz. "Huh, esse lugar é esquisito. Parece velho e novo, ao mesmo tempo. Tenho certeza que a Itália deve ter umas casas assim."
"Também não sei o que é uma Itália, mas deve ser." — Karma diz.
"Se terminaram sua conversa inútil, temos mais o que fazer." — Alucard diz.
"Calma lá, cubo de gelo. Eu ainda preciso de uma arma." — Kuzuha diz.
"Verdade… Você perdeu seu Requiem." — Karma diz.
"Pfftt ! Ahahaha ! É tão incompetente que nem isso consegue fazer, palito de fósforo." — Alucard diz, zombando do delinquente.
"Me deixa, cubo de gelo !" — Kuzuha diz. "Onde eu arranjo uma, Karma ? Acabei não trazendo a Tyrfing."
"Se é com uma ameaça D.E.V.I.L que estamos lidando, creio que as armas forjadas aqui serão extremamente fracas." — Fenrir diz. "Jovem mestre Alucard, poderia fazer a caridade de criar uma arma para ele ?"
"Sem chances." — Alucard diz.
"Ora, não seja teimoso. Quanto mais rápido terminarmos o serviço, mais rápido voltará a sua vida normal." — Fenrir diz.
"Tch. Tanto faz." — Alucard diz. Ele cria uma espada de gelo com seu gelo roxo avermelhado e a entrega para Kuzuha.
"Não se preocupe em quebrá-la. Meu gelo é mais resistente que o aço mais forte encontrado nesse lugar, e ele não derrete." — Fenrir diz.
Kuzuha balança sua nova arma. "Huh, nada mal. Gostei do corte dela."
"Heh, como se seu cérebro minúsculo entendesse a qualidade da minha arte." — Alucard diz.
"Fazendo eu me arrepender de não ter te matado dia após dia, huh." — Kuzuha diz.
"Acabamos de chegar aqui ! Parem de brigar !" — Karma diz. Ela limpa sua garganta e mexe em seu Vizer. "Pronto. Mandei a localização do objetivo para o Vizer de vocês."
O delinquente mexe em seu Vizer. "Tem um mapa nisso aqui !?"
"Você USA seu Vizer para alguma coisa ?" — Karma pergunta, incrédula.
"Só pra moda." — Kuzuha diz.
"Mas é óbvio…" — Karma diz. "Vamos. Quanto mais cedo formos, melhor."
"A pé !?" — Kuzuha pergunta, surpreso.
"Acha mesmo que um reino com todo esse poder deixaria qualquer um entrar e fazer o que bem entender ?" — Fenrir pergunta.
"Faz sentido." — Kuzuha diz.
O grupo vai embora.
"Mas aqui tá falando que vai demorar uns dois dias de caminhada, até lá." — Kuzuha diz.
"Exatamente." — Karma diz.
"Não quero andar dois dias…" — Kuzuha reclama.
"Vai ser divertido. Eu finalmente vou poder te mostrar meu mundo." — Karma diz, animada. "Vai demorar um pouco, mas tenho certeza que você vai se acostumar."
O delinquente solta um suspiro, desapontado. "Pode ser…"
"Por acaso o jovem mestre gostaria de adicionar algum assunto para a conversa ?" — Fenrir pergunta.
"Odeio conversas. Principalmente as que envolvem esse palito de fósforo." — Alucard diz.
"Ninguém queria conversar com você mesmo." — Kuzuha diz.
"Humpf. Como se você soubesse manter uma conversa." — Alucard diz, claramente se sentindo provocado.
"Eu converso melhor que você !" — Kuzuha diz, irritado.
O jovem solta um bocejo. "Me sinto entediado só de ouvir essas palavras saindo de sua boca."
"E eu me sinto entediado só de ficar perto de você !" — Kuzuha diz.
Karma solta um suspiro. "Vai ser uma longa viagem..."
Horas depois. O sol está se pondo.
"O sol está se pondo, é melhor descansarmos." — Karma diz.
"Parar ? Mas a gente ainda tem muito chão pra andar." — Kuzuha diz.
"Azeroth é mais perigosa à noite." — Karma diz. "Além disso, precisamos estar no nosso melhor para combatermos o que quer que seja que estamos indo combater."
"É, você tá certa…" — Kuzuha diz, desapontado.
"Será melhor se nos abrigar-mos naquela…" — Karma diz, apontando para um pequeno vilarejo. "…floresta ?"
"Sua Zenith patética. Aquilo é claramente um vilarejo." — Alucard diz.
"M-Mas o Vizer diz que é um vilarejo !" — Karma diz, surpresa.
Fenrir nota algo. "Huh…"
"Algum problema ?" — Kuzuha pergunta.
"Nada em particular." — Fenrir diz.
A Zenith solta um suspiro. "O Vizer deve estar desatualizado. Vamos."
Todos vão para o vilarejo. É um lugar com casas simples. Alguns habitantes estão caminhando, indo para suas casas, ou conversando pelas janelas. Todos aparentam ter tatuagens pretas pelo corpo.
"Lugarzinho confortável." — Kuzuha diz.
"Espero que tenham uma pousada, e que não esteja toda ocupada." — Karma diz.
"O príncipezinho aqui deve querer uma cama cheia de rosas e penas de ganso." — Kuzuha diz, zombando de Alucard.
"Ele já dormiu em piores lugares-" — Karma diz, imediatamente tampando sua boca.
Alucard olha para ela, sério, mas não diz uma palavra.
A Zenith limpa sua garganta. "Vamos perguntar para os locais." — Ela se aproxima de uma Zenith loira. "Com licença, madame. Meus companheiros de viagem e eu gostaríamos de saber onde fica a pousada."
"Oh ! Bem-vindos à Sylph !" — A Zenith loira diz, cumprimentando o grupo. "É um pequeno vilarejo, mas vão adorar a estadia. Vão até a praça, por essa rua, virem à direita e vão ver a pousada. Não há como não ver."
"Muito obrigada, e uma boa noite." — Karma diz.
"O prazer foi meu. Recomendo que façam uma refeição na taverna. É próxima à pousada. Não vão se arrepender." — A Zenith loira diz. "Se precisarem de mais ajuda, podem me chamar. Me chamo Doir."
"Não vamos nos esquecer disso." — Karma diz. Ela volta ao grupo. "Pronto. Temos a informação necessária."
"Você é boa com isso." — Kuzuha diz.
"Não seria uma boa espiã se não fosse~" — Karma diz.
"Isso foi uma mera conversa. Nada demais." — Alucard diz.
Eles seguem o caminho que foi informado e chegam na pousada. Na recepção, está uma criatura com corpo de mulher e pernas, asas e cabeça de morcego.
"Uh… Uma Besta do Caos-" — Kuzuha diz, sendo imediatamente interrompido por Karma, que tampa sua boca.
"Shh ! Ela é uma Viridy, não uma Besta do Caos." — Karma diz.
"Palito de fósforo patético." — Alucard diz.
"Vai lá para fora, enquanto resolvemos isso." — Karma diz.
"Beleza. Foi mal aí…" — Kuzuha diz, desapontado consigo mesmo. Ele sai da pousada, solta um suspiro e olha para o céu crepúsculo, anoitecendo. "Tenho que colocar a cabeça no lugar. O que tem de errado comigo ?" — O delinquente nota algo. Ao lado de uma árvore, ele vê uma jovem Zenith de corpo frágil, com algumas linhas pretas pelo seu corpo, com cabelo longo loiro, olhos num tom claro de verde, com olheiras e um olhar cansado, vestindo apenas um simples vestido branco, descalça, usando um óculos redondo, e com um caderno de desenhos e um carvão em mãos, fazendo algum rascunho enquanto olha para Kuzuha. O delinquente decide se aproximar, enquanto a jovem Zenith está distraída rabiscando algo, e a cumprimenta com um sorriso caloroso. "Oi !"
A jovem Zenith se assusta de vergonha e tenta fugir, mas acaba batendo com força na árvore e caindo no chão. "Ugh..."
"Uh… Tudo legal com você ?" — Kuzuha pergunta, confuso. Ele ajuda a jovem Zenith a se levantar. "Foi mal aí, se eu te assustei. Não queria fazer isso. Meu nome é Kuzuha. Qual o seu ?"
A jovem simplesmente pega seu caderno de desenhos e vai embora o mais rápido que consegue, de uma maneira atrapalhada.
"Ok… Reação extremamente dramática por motivo nenhum." — Kuzuha diz.
Karma chama por ele, e o delinquente volta para a pousada. O grupo vai para a taverna. O local está um pouco movimentado, com de clientes bebendo, comendo e conversando de maneira alta. Eles se sentam à mesa.
Uma garçonete se aproxima. "Bem-vindos ! Qual seu pedido ?"
Kuzuha não consegue ler o cardápio. "Uh… Carne ?"
"Ele vai querer um pedaço de Mamushi." — Karma diz. "Eu gostaria de um ensopado Jyeun."
"Wyda. E traga rápido." — Alucard diz.
"Carne crua. Qualquer carne." — Fenrir diz.
"Certo…" — A garçonete diz, indo embora.
"Lugarzinho animado, pra um vilarejo com umas quarenta pessoas." — Kuzuha diz.
"O que mais esses incompetentes tem para fazer em um lugar patético desses a não ser vir a um bar ?" — Alucard diz.
Minutos se passam, e a comida chega. Alucard recebe um prato com carnes e vegetais variados, muito bem organizados. Karma recebe uma tigela com um ensopado que parecer conter apenas vegetais. Fenrir recebe um grande pedaço de carne crua. Kuzuha recebe um simples bife.
"Uh… Eu achei que comida de um mundo de fantasia fosse mais… fantástica ?" — Kuzuha diz, confuso e um pouco desapontado.
"Se estiver insatisfeito, podemos trocar seu pedido." — A garçonete diz.
"Nah. Um bife é o suficiente." — Kuzuha diz. "Huh, o serviço de vocês até que é bom. De onde eu venho, não se troca um prato fácil assim."
"Não nos importamos com o que o cliente coma, desde que coma." — A garçonete diz. "Nossa comida é feita com tanto amor, que jamais vai querer sair daqui, ou comer em outro lugar."
"Você tá animando demais isso. É melhor ser boa mesmo." — Kuzuha diz.
"Dou minha palavra de confiança." — A garçonete diz.
Mais clientes chegam, e a garçonete vai atendê-los.
"Bom, é isso." — Kuzuha diz. Ele morde um pedaço do seu bife e imediatamente o cospe e limpa sua língua. "Ugh ! Que merda é essa !? Essa é a pior coisa que eu já comi na minha vida !"
"Humpf. Troglodita inútil. Seu gosto é muito inferior para sentir os sabores ricos de outro local." — Alucard diz. Ele come um pouco de sua comida. O jovem elegantemente limpa sua boca e põe seu talher na mesa. De repete, ele congela seu prato e o quebra em pedacinhos. Alucard limpa sua garganta. "Minha fome foi saciada."
"Jovem mestre Alucard, peço que não cause uma cena em público. Não gostaríamos de atrair olhares." — Fenrir diz. Ele morde um pedaço de sua carne e permanece em silêncio, por alguns segundos. O mordomo soca a carne com força, quebrando a mesa e a afundando muito no chão, criando um buraco. "Peço perdão pela comoção. Apenas me exaltei um pouco."
Karma conseguiu salvar sua tigela. "Qual o problema com vocês, idiotas ?!" — Ela come um pouco de seu ensopado. "Whoa… Isso é maravilhoso." — A Zenith continua comendo, até terminar. Ela dá um leve tapa em seu estômago, satisfeita. "Hah… Uma culinária digna dos Criadores. Aqueles elogios não eram brincadeira."
Os três olham para ela, incrédulos.
A garçonete se aproxima. Kuzuha tenta se desculpar, mas é imediatamente interrompido quando a garçonete se curva na frente deles. "Peço desculpas por não gostarem !"
"E-Eh !? C-Calma lá ! A culpa é nossa. Nós que quebramos o lugar." — Kuzuha diz, surpreso.
"Você está certa, deveria se desculpar. Essa comida patética não serve nem para os porcos." — Alucard diz. Ele se levanta e vai embora.
Fenrir se levanta, se curva e segue seu mestre.
"Foi mal mesmo." — Kuzuha diz.
"Não se preocupe. Clientes já fizeram coisas piores com o estabelecimento." — A garçonete diz. "Sinto muito que nossa comida não tenha sido do seu gosto. Por causa disso, não iremos cobrar nada. Não queremos deixar o cliente insatisfeito."
"O-Ok..." — Kuzuha diz. Ele vai embora.
Karma o segue. "Vocês têm que se acostumar melhor com a cultura daqui."
"É... Deve ser isso." — Kuzuha diz.
A Zenith simplesmente para de andar e encara o horizonte com um olhar vazio.
O delinquente percebe a ação de sua amiga. "Uh… Karma ?"
Karma volta a si continua andando, seu tom muda para um monótono. "Estou perfeitamente bem. Peço desculpas pela minha parada repentina."
"Tá ok..." — Kuzuha diz, confuso.
"Uma pergunta, meu estimado companheiro de viagens. Por que acha que você e os outros dois não conseguiram ingerir a comida ?" — Karma pergunta.
"Eu sei lá. Não como aqui nunca mais." — Kuzuha diz. A barriga dele ronca. "Tch. Dormir com fome é um saco. Amanhã mesmo, vamos sair daqui, ou eu morro de fome."
"Não precisamos sair imediatamente. Tenho certeza que terá algum alimento que comerá." — Karma diz, demonstrando um pouco mais de emoção.
Os dois chegam na pousada.
"Nah. Deixa esse assunto pra amanhã. Vamos só dormir, que já tá ficando tarde." — Kuzuha diz. Ele solta um bocejo. "Onde é meu quarto ?"
"Todos os quartos são separados. Deduzi que todos gostariam de privacidade." — Karma diz.
O delinquente dá de ombros. "Pra mim, tudo bem." — Ele vai embora. "Você precisa ir dormi também, porque tá com uma cara meio esquisita."
Karma apenas observa Kuzuha ir embora, passo por passo, intensamente. Ela olha para a recepcionista e faz um sinal com sua cabeça. Todos os habitantes do vilarejo fazem o mesmo sinal, ao mesmo tempo. Horas depois. Já é madrugada.
Kuzuha está completamente acordado. O estômago dele continua roncando. "Merda de fome… Se continuar desse jeito, vou comer a madeira desse lugar." — Ele se levanta, sai de seu quarto e começa a andar por aí. "Deve ter alguma coisa pra comer em algum canto." — O delinquente ouve alguns barulhos. Ele sai da pousada e vai para trás dela.
Em uma pequena floresta, perto da pousada, Alucard está treinando, fazendo alguns abdominais. Fenrir está com ele, o ajudando.
O jovem escuta Kuzuha se aproximar, para seu treinamento e se levanta. "Hah… Hah… O que quer aqui, troglodita imprestável ?"
Kuzuha rola seus olhos. "Com uma recepção calorosa dessas, fica difícil te odiar, sabia ?"
"Se não tem nada melhor para fazer, recomendo que se enforque. Vi uma corda aqui por perto." — Alucard diz.
"Desculpe a atitude do meu jovem mestre. Ele está apenas cansado." — Fenrir diz.
"Não ponha palavras na minha boca." — Alucard diz, repreendendo seu mordomo.
"Qual é, cara. Ele só tava tentado ser legal." — Kuzuha diz. "Mudando de assunto…" — Ele aponta para o saco de couro na cintura de Alucard. "Que troço é esse aí ? Tá com ele desde que a gente veio pra Azeroth."
"Bem lembrado." — Fenrir diz. "Jovem mestre Alucard, já passou da hora de se medicar."
"Inútil ! Podia ter me avisado antes !" — Alucard diz, bravo. Ele pega algumas pílulas e as engole.
"Sem água, nem nada !? Cara, você é um psicopata." — Kuzuha diz, pasmo com a ação do jovem.
"É mais fácil engolir elas do que ficar na sua presença." — Alucard diz.
"Pra que servem ?" — Kuzuha pergunta.
"Para fazerem você perguntar." — Alucard diz.
"São os antidepressivos do jovem mestre Alucard-" — Fenrir diz, sendo imediatamente silenciado por Alucard.
"Silêncio." — Alucard diz, sério. "Você não deve informação nenhuma para esse troglodita."
"Antidepressivos... ?" — Kuzuha pergunta, um pouco surpreso. Ele fica preocupado. "Tá… Tá tudo legal com você, cara ? Quer conversar sobre isso ?"
"As únicas coisas que quero conversar sobre são as diversas possibilidades que tenho para te causar agonia e sofrimento." — Alucard diz. Ele vai embora. "Não quero mais ver seu rosto hoje, troglodita imundo."
Fenrir se curva e segue seu mestre.
"Tch. Cubo de gelo cuzão." — Kuzuha diz. Algo cai perto dele. Ele pega. É uma folha com um rascunho bem detalhado dele, Alucard e Fenrir, mortos, enquanto Karma segura uma faca. "Uh… S-Se isso for uma piada, não é legal !"
Barulhos de algo se movendo no mato podem ser ouvidos. Parece que algo está correndo, até que os barulhos param, e são substituídos pelo som da natureza.
"E-Eu vou é vazar daqui !" — Kuzuha diz, assustado. Ele vai embora com pressa.
Minutos depois. Alguém bate na porta do quarto de Alucard. Ele abre. É Karma. Ainda com o sua expressão monótona.
"O que quer aqui, Zenith ?" — Alucard pergunta.
"Gostaria que saísse do seu quarto para conversarmos. Tenho informações importantes para adquirir." — Karma diz.
"Eu também tenho informações para adquirir com você." — Alucard diz. Ele sai de seu quarto, imediatamente cria um pedaço de gelo e o aponta para a garganta de Karma. "O quanto você sabe ?"
A Zenith não reage a ameaça. "Não faço ideia do que está falando."
"Não se finja de idiota. Você sabe que já estive aqui antes. O quanto mais sabe sobre meu passado ?" — Alucard pergunta, sério. Ele enfia a ponta do pedaço de gelo no pescoço de Karma.
Uma gota de sangue escorre pelo pescoço de Karma, mas ela continua completamente sem nenhuma expressão. "Não faço ideia do que está falando."
Os dois se encaram intensamente, por alguns segundos, até o jovem retirar o pedaço de gelo da Zenith e desfazê-lo.
Alucard volta para seu quarto. "Qualquer menção a qualquer coisa, e eu farei questão de que seu cérebro nunca mais funcione." — Ele fecha a porta.
Karma encara a porta, parada. Ela pega uma faca. Enquanto isso. Um lenhador Zenith musculoso entra no quarto de Kuzuha, segurando um machado. Ele levanta sua arma e prepara um golpe.
O delinquente começa a acordar. Ele vê o Zenith e se assusta. "P-Puta que pariu !"
De repente, o lenhador trava e cai completamente imóvel no chão. Yoko se desliza até em cima da cama.
Kuzuha solta um suspiro, aliviado, e faz carinho no animal. "Valeu, garota. Tô te devendo essa." — Ele se levanta e pega sua katana.
Yoko sobe em Kuzuha e vai até seu pescoço.
"Os outros devem estar em perigo também." — Kuzuha diz, preocupado. "Vamos, garota !" — Ele sai de seu quarto correndo.
Uma porta se arrebenta. Karma é jogada para fora, contra uma parede.
Alucard sai, com uma faca em mãos. Ele a joga no chão. "Você é patética, se acha que sou tão fácil de enganar como aquele troglodita." — O jovem se prepara para atacá-la.
Kuzuha consegue se aproximar a tempo e impedir Alucard. "Se liga, cara ! Ela não tá normal !"
"Acha que eu me importo ?!" — Alucard pergunta, bravo. "Normal ou não, ela tentou me ameaçar. Vai pagar por isso."
"Em vez de ficar reclamando, me ajuda com essa situação !" — Kuzuha diz. "Tem alguma coisa errada com todo mundo desse lugar. Agora a pouco, um lenhador tentou me atacar."
"Tch. É óbvio que você só atrai problemas." — Alucard reclama. Ele gruda Karma na parede com seu gelo. "Que isso seja rápido."
Mais moradores do vilarejo começam a aparecer, encurralando a dupla no corredor.
"Nem pense em matar eles ! Esse povo não sabe o que tá fazendo !" — Kuzuha diz.
"Como sabe disso, troglodita idiota ?! Acabou de chegar aqui !" — Alucard diz, bravo.
"Só fica na sua e deixa eles quietos !" — Kuzuha diz. Ele olha para os lados, procurando uma saída. "Tem muitos. Não dá pra fugir."
O jovem aponta para uma janela. "Por ali."
"Ficou maluco !? Aqui é alto !" — Kuzuha diz, surpreso.
"Pare com essas frescuras. No máximo, vai quebrar uma perna." — Alucard diz. "Se eu der sorte, você cai de cabeça e morre." — Ele corre até a janela e pula ela, a quebrando.
"S-Só pode ser brincadeira !" — Kuzuha diz. Ele fecha seus olhos e também pula a janela.
Na verdade, não era uma queda tão alta.
O delinquente se levanta, ileso. "Huh, quem diria. Nem era tão alto assim."
Ainda há vários habitantes por perto, todos armados e se movendo como zumbis.
"Eu odeio Resident Evil !" — Kuzuha diz.
"Foco no que importa, troglodita idiota." — Alucard diz. "Precisamos achar a fonte disso."
"Fonte de quê ?" — Kuzuha pergunta.
"Seu cérebro serve para enfeite ?! Precisamos achar a fonte dessa mutação !" — Alucard diz, bravo.
"Mas como é que a gente vai fazer isso ?" — Kuzuha pergunta.
Alucard estala seus dedos.
Fenrir rapidamente cai na frente do jovem, afundando um pouco o chão, e se curva. "Sim, jovem mestre Alucard ?"
"Dê um jeito na situação." — Alucard diz.
"Tenho informações para compartilhar." — Fenrir diz. "Descobri que os moradores não estão possuídos por algo, mas sim, por um parasita."
"Se é um parasita, precisamos achar quem está controlando tudo." — Alucard diz, pensativo. "Depois, precisamos achar uma maneira de descobrir como o parasita se reproduz, para não sermos infectados."
"Você quer quer EU faça uma coisa dessas !?" — Kuzuha pergunta, preocupado.
"Muita presunção da sua parte achar que eu confiaria em você para uma tarefa dessas." — Alucard diz.
"E isso significa… ?" — Kuzuha pergunta, confuso.
Fenrir e Alucard encaram ele.
O jovem limpa sua garganta. "Voltando ao que interessa. Fenrir, elimine todos enquanto penso em algo."
"M-Mas sem matar !" — Kuzuha diz.
"Não prometo nada." — Fenrir diz. Ele corre na direção da multidão de habitantes e começa a derrubá-los violentamente.
Alucard começa a pensar.
"Alguma ideia ?" — Kuzuha pergunta.
"Se calasse essa boca, ficaria mais fácil." — Alucard reclama, bravo.
"Pra que isso, cara ?! Eu só tô tentando ajudar !" — Kuzuha reclama. Ele cruza seus braços. "Se eu tivesse com o Draugr, ia te arregaçar na porrada."
"Grr ! Fique quieto-" — Alucard grita, se interrompendo, quando tem uma ideia. "É isso !"
"Uh… Ok… ?" — Kuzuha diz, confuso.
"Sabia que aquela maldita comida tinha algo de errado." — Alucard diz.
"Dá pra esclarecer as coisas ?" — Kuzuha diz.
"A única atividade que fizemos juntos foi comer naquele maldito lugar. A única que gostou daquela alimentação podre foi a Zenith." — Alucard diz.
O delinquente inclina sua cabeça, ainda confuso.
Alucard tenta ficar bravo, mas apenas solta um suspiro. "Você não vale meu tempo. O que eu, você e Fenrir temos em comum ?"
"Homens ?" — Kuzuha pergunta. "Fenrir conta como homem, né ?"
"Ambos nós três temos células D.E.V.I.L. A Zenith não." — Alucard diz. "O parasita pode não conseguir possuir um D.E.V.I.L."
"Legal... E o que a gente faz com essa informação ?" — Kuzuha pergunta.
"Descubra sozinho." — Alucard diz.
"Você sabe que eu não sirvo pra ser detetive !" — Kuzuha reclama. Ele pega o desenho que achou na floresta. "Eu só tenho isso !"
"O que é isso ?" — Alucard pergunta.
"Sei lá. Um desenho esquisito que eu achei na floresta. Aqui tá mostrando a gente morrendo pra Karma com uma faca." — Kuzuha diz. Ele começa a inspecionar o desenho. "Vai ver, tem uma dica de quem tá por trás disso tudo."
O jovem nota algo. Ele fecha seus punhos, furioso, mas tenta segurar seu ódio. "Troglodita… Por acaso, você já decidiu olhar ATRÁS desses rabiscos ?"
"Atrás ?" — Kuzuha pergunta. Ele vira o desenho. Atrás, tem outro desenho, da jovem Zenith que o delinquente viu mais cedo, com várias flechas apontando para ela. "Isso, uh, não tava aí, da última vez que eu vi…"
"Já viu ela antes ?" — Alucard pergunta.
"Quando vocês estavam vendo os quartos." — Kuzuha diz. "Ela tava até desenhando."
"E VOCÊ NÃO DISSE NADA ATÉ AGORA POR QUÊ ?!" — Alucard grita, furioso.
"E-Eu esqueci, cara ! Foi mal aí !" — Kuzuha diz, assustado.
"Tch. Você é imprestável." — Alucard diz. Ele estala seus dedos.
Fenrir chega. "Sim, jovem mestre Alucard."
"Rastreie quem fez isso." — Alucard diz, mostrando o desenho.
O mordomo cheira o papel. "Sinto três cheiros. Dois deles estão aqui. O outro está…" — Ele começa a cheirar o ar. Fenrir aponta para a taverna. "…naquela direção."
"Debaixo dos meus olhos..." — Alucard murmura.
"Então vamos !" — Kuzuha diz, correndo.
Alucard e Fenrir o acompanham. Os três são impedidos pelos habitantes, mas rapidamente os tiram de seu caminho. Eles chegam na taverna, arrebentando as portas. O local está cheio de habitantes.2
"Quanta gente tem nesse maldito vilarejo ?!" — Kuzuha reclama, bravo.
"Há diversos aromas por aqui, mas consigo discernir que o que procuramos está abaixo." — Fenrir diz.
"Eu cuido dela. Vocês seguram esse povo daqui." — Kuzuha diz.
"Não me dê ordens !" — Alucard diz, bravo.
Um habitante tenta bater uma cadeira neles, mas os três desviam.
"Eu tô mais perto~" — Kuzuha diz. Ele começa a correr pelo salão, desviando dos habitantes, até chegar na cozinha. Uma Zenith o ataca com um cutelo, mas o delinquente consegue se defender com sua katana. Kuzuha empurra essa Zenith para trás e a joga no chão. "Foi mal aí, tô com pressa !" — Ele olha para todos os cantos. "Não tem porta nenhuma aqui. Se o Fenrir disse que tem alguma coisa em baixo, deve ter uma passagem secreta. Agora, onde é que ela tá ?" — O delinquente nota um fogão meio torto. Ele dá de ombros. "Funciona pra mim." — Kuzuha pega a Zenith caída e a puxa para fora da cozinha. Depois, ele joga sua katana no fogão, o explodindo.
A explosão destrói completamente a cozinha. Fogo voa para todos os lados. Há um buraco no chão.
"Sabia !" — Kuzuha diz, confiante. Ele corre até esse buraco e pula dentro. O delinquente cai em um corredor iluminado por tochas. "Clássico." — Kuzuha começa a caminhar pelo corredor, seus passos ecoam pelas velhas paredes. "Huh, lugarzinho cabreiro. Não leva pra nada."
Sussurros incompreensíveis podem ser ouvidos, distantes.
Um arrepio corre pelo corpo de Kuzuha. "C-Credo ! E-Eu não quero ter que chegar perto disso." — Conforme ele vai andando, algumas inscrições negras começam a aparecer nas paredes.
As inscrições dizem "Saia da minha cabeça", "Saia da minha boca", "Saia da minha pele", "Saia da minha mente" repetidamente. Mais e mais inscrições começam a aparecer, repetindo as mesmas frases e tomando conta das paredes, chão, e até teto do corredor, mas ficando cada vez mais brutas e ilegíveis, como se tivessem sido escritas desesperadamente. Os sussurros começam a ficar mais altos.
O delinquente chega até uma porta grossa de metal entre aberta. Ele engole seco. "É agora ou nunca." — Kuzuha entra no local.
Não há chão, teto, ou paredes. O local inteiro está coberto apenas por palavras de ódio e desespero. A Zenith de antes está sentada, segurando suas pernas e balançando para frente e para trás de uma maneira macabra, enquanto sussurra palavras completamente sem sentido.
"O-Oi... ?" — Kuzuha diz, assustado.
A Zenith para de se mexer. Ela rapidamente joga uma faca em Kuzuha, mas ele consegue se defender com sua katana. A Zenith se levanta, pega duas machadinhas, corre na direção do delinquente e o ataca.
Kuzuha se defende do ataque. "Ugh ! O que rolou com você !? Tava calminha, hoje cedo !"
A Zenith não o responde. Ela continua o atacando, desferindo vários golpes.
O delinquente se defende dos golpes e empurra ela para trás. "Não quero ter que machucar você !"
A Zenith derruba as tochas iluminando o local, apagando elas. Não há como enxergar nada. Kuzuha se defende de um ataque. As faíscas do impacto das armas iluminam o local, por um breve segundo. Nesse rápido momento, ele vê que a Zenith está segurando apenas um machado. De repente, o outro machado acerta Kuzuha no ombro em cheio, fazendo ele agonizar de dor e soltar sua katana. O delinquente cai para trás. Kuzuha tenta usar seu Requiem, mas não consegue. Então desespero toma conta dele, e o delinquente começa a se rastejar até a porta com seu braço bom, criando um rastro de sangue. A Zenith caminha na direção dele, arrastando seu machado no chão, se iluminando com as faíscas que saem. Kuzuha consegue rastejar para fora, mas é facilmente alcançado pela sua inimiga. A Zenith levanta sua machadinha para um golpe final e certeiro na cabeça. Sem opções, o delinquente acaba cedendo ao medo e cobre seu rosto, aceitando sua morte iminente. Um silêncio perturbador toma o local. Kuzuha abre seus olhos e se espanta, quando vê a machadinha à poucos centímetros do seu rosto. A Zenith solta sua arma e começa a ter convulsões e espumar pela boca. Ela começa a chorar e seus olhos viram para trás, ficando completamente brancos. A Zenith começa a tombar para trás. Antes dela tombar, dá um leve sorriso, e finalmente cai no chão, imóvel. Yoko sai do vestido dela.
"…Yo… ko… ! V… Valeu… ga… r… o… t… a…." — Kuzuha diz, desmaiando.
Algum tempo depois. Está amanhecendo.
Kuzuha acorda, na cama de um dos quartos da pousada. Seu ombro está enfaixado. "Ugh ! Ainda não tô acostumado a me machucar fácil..." — Ele nota Karma no quarto.
A Zenith está sentada em uma cadeira, quase dormindo. Kuzuha limpa sua garganta, assustando ela. "E-Eu estou acordada !" — Karma esfrega seus olhos e vê o delinquente. Ela solta um leve suspiro e relaxa seus ombros. "Ainda bem que está bem."
"O que rolou ?" — Kuzuha pergunta. "Só lembro da Yoko me salvar e mais nada."
"Honestamente, eu não sei direito..." — Karma diz. Ela fecha seus punhos. "Mais uma vez, eu não consegui fazer nada…"
"Não é sua culpa. Não tinha o que fazer numa situação dessas." — Kuzuha diz.
"Tudo foi tão... bizarro. Quando eu estava infectada pelo parasita, conseguia ouvir duas coisas: voz tentando me consumir e uma voz… triste." — Karma diz. "Não, triste não é uma palavra forte o suficiente para descrever aquilo. Era mais como uma completa falta de esperança. Como se não houvesse saída ou fim para o sofrimento. Daí, tudo simplesmente parou, e eu me senti estranhamente feliz e grata. Depois disso, desmaiei."
"Provavelmente era da Zenith que eu encontrei." — Kuzuha diz. Ele olha para suas mãos. "Sofrendo por ser fraca demais para controlar seus poderes..." — O delinquente fecha seus punhos, frustrado.
Alucard entra no local. "Tch. Já era hora de acordar, seu peso morto."
Kuzuha rola seus olhos. "Um bom dia pra você também."
"Se tem forças para abrir sua boca, tem forças para andar. Vamos." — Alucard diz.
"Calma lá, cara ! Não tá vendo que todo mundo tá cansado ?!" — Kuzuha reclama. "E a gente tem de ver se o povo do lugar tá precisando de alguma ajuda-"
"Estão todos mortos." — Alucard diz, friamente, cortando Kuzuha abruptamente.
"E-Eh !? Você matou eles !?" — Kuzuha pergunta, surpreso.
"Aqueles imbecis não valiam meu precioso tempo." — Alucard diz.
"Eu disse que eram só duas vozes. Provavelmente dessa Zenith e do parasita. Todo o resto deviam ser corpos que o parasita estava usando como disfarce." — Karma diz.
Kuzuha solta um longo suspiro. "Só tô feliz disso ter finalmente acabado."
"Mas o Alucard tem mesmo razão. É melhor partirmos o mais cedo possível para Yahren." — Karma diz.
"Odeio ter que admitir que ele tá certo." — Kuzuha diz.
Minutos depois. O grupo está na frente do vilarejo.
"Não vou sentir falta desse lugar." — Kuzuha diz.
"Na próxima vez que escolher um lugar para ficarmos, vou te degolar, Zenith." — Alucard diz.
"C-Como eu ia saber que aqui era assim !?" — Karma diz, assustada.
"Quanto tempo falta para chegarmos em Yahren ?" — Fenrir pergunta.
"Hmm… Um dia e algumas horinhas." — Karma diz, pensativa.
"Tudo isso !?" — Kuzuha diz, surpreso. Ele solta um suspiro, desapontado. "Que falta que um Uber faz…"
Dando uma última olhada no vilarejo, o grupo continua sua jornada.
Fale com o autor