Devil Slayer Chronicles
19 A curiosidade quase matou a gata
Notas iniciais
O grupo está caminhando por uma floresta densa. Alucard está na frente, cortando o mato com uma espada, enquanto Karma navega em seu Vizer.
"Falta muuuito ?" — Kuzuha pergunta, cansado.
"Pela última vez, faltam algumas horas de caminhada." — Karma diz, irritada.
"Mas eu tô cansado…" — Kuzuha diz.
"Cala essa boca e continua andando." — Alucard diz.
O delinquente cutuca Fenrir. "Você é forte pra cacete, né ? Consegue me carregar no ombro ?"
"Temo que devo negar. Não quero fazer isso." — Fenrir diz.
"Pô, qual é, cara ! Faz esse favorzinho ! Juro que não peço mais nada !" — Kuzuha diz.
"Não precisarei carregá-lo porque teremos que fazer uma pausa em nossa caminhada." — Fenrir diz. Ele sobe em uma árvore habilidosamente e vai até o topo.
Uma tempestade está se aproximando, no horizonte.
O mordomo desce com um pulo. "Como eu temia. Uma forte tempestade está se aproximando. Pela velocidade do vento e a intensidade do cheiro de terra molhada que estou sentindo, creio que nos alcançará daqui alguns minutos."
"Ah, qual é ! Será que não dá pra gente só chegar nesse maldito lugar logo de uma vez ?!" — Kuzuha reclama, bravo.
"Você não queria parar de andar ?" — Karma pergunta.
"Querer, eu quero. Mas também quero chegar logo nesse reino aí e voltar pra casa." — Kuzuha diz.
"Bom, detesto ter que trazer as notícias ruins, mas não vamos conseguir navegar na floresta debaixo de uma chuva dessas. Se um D.E.V.I.L está preocupado, é porque não é pouca coisa." — Karma diz. "A melhor opção é pararmos de caminhar e acharmos, ou construirmos, um abrigo."
"Patético. Vão deixar uma simples chuva te impedir ? Eu vou continuar." — Alucard diz.
"Cara, é melhor não." — Kuzuha diz, preocupado.
"Não preciso da sua piedade, troglodita. É só uma chuva estúpida. Se não consegue dominar a natureza, fracassou como ser humano." — Alucard diz, friamente.
"Jovem mestre Alucard, eu não recomendo que-" — Fenrir diz, sendo interrompido por Alucard.
"Quieto, mordomo. Se está com medo, fique com eles. Não há lugar para covardes do meu lado." — Alucard diz. "Quanto mais rápido eu chegar nessa cidade, mais perto estou de ser liberado e ficar longe de vocês." — Ele continua andando.
"Tch. Carinha teimoso." — Kuzuha diz.
"Deixa ele. Vai voltar correndo, quando começar a chover." — Karma diz.
Fenrir faz um sinal para os dois ficarem quietos. Quando eles param de falar, o mordomo bate palmas com força. "O som está ecoando mais naquela direção. Há uma caverna por perto."
"Cara, odeio sua raça inteira, mas até que você é bem útil de ter por perto." — Kuzuha diz.
"Considero isso um elogio." — Fenrir diz.
"Mas, uh… vai demorar muito… ?" — Kuzuha pergunta.
Poucos minutos de caminhada depois. O trio chega em uma caverna úmida e escura. Cada movimento deles ecoa pelo local.
"Estaremos seguros aqui ?" — Karma pergunta.
"Em relação à chuva, sim. O local é alto o suficiente para podermos escapar de uma possível inundação." — Fenrir diz. "Em relação à criaturas, não sinto nada que não possam ser derrotado facilmente."
Kuzuha solta um suspiro, aliviado. "Finalmente… Não aguentava mais andar."
Alguns pingos começam a escorrer pelas folhas das árvores. Logo, mais e mais, até que uma tempestade muito forte começa. Uma forte ventania começa a soprar e água começa a se juntar no chão.
"Pelo jeito, vai alagar." — Kuzuha diz. "Será que essa caverna vai mais fundo ? Tá pingando aqui."
"Não é melhor irmos muito fundo, pode ter algum gás venenoso ou ninho de Besta do Caos." — Karma diz. "Mas… Esse respingo realmente me incomoda. Então, vamos."
O trio começa a se aprofundar na caverna.
"Então... Eu tava me perguntando aqui. Por que o povo daqui fala japonês ?" — Kuzuha pergunta.
"Uh… Não falamos. Falamos Zeniano." — Karma diz.
"Eh !? Mas como é que eu entendo o povo daqui ?" — Kuzuha pergunta, confuso.
"Tira seu Vizer." — Karma diz.
Kuzuha o faz. "Pronto. E agora ?"
"Mi parolas en perfekta Zenian kaj vi ne povas kompreni min. Estas pro via horloĝo." — Karma diz.
O delinquente não entende absolutamente nada. Ele põe seu Vizer de volta. "Você jogou alguma praga em mim !? O que foi isso !?"
"Seu Vizer traduz automaticamente Zeniano." — Karma diz.
Kuzuha inclina sua cabeça, ainda confuso. "Como ?"
"Não faço a mínima ideia." — Karma diz. "Não sou muito boa com tecnologia, muito menos tecnologia humana."
"Aproveitando que você tá aqui, Fenrir, tenho uma pergunta." — Kuzuha diz. "Como é que vocês ficam zanzando nos corpos dos outros ? Tipo, eu tenho certeza que o Draugr não era só um olho, mas arrancando o olho de mim, ele foi embora. Então ele é um olho ?"
"Não exatamente." — Fenrir diz. "Toda a vida, tanto na Terra quanto em Azeroth, é diferente, mas similar. Mesmo que os corpos sejam diferentes, todo tipo de ser vivo tem um córtex, um 'núcleo', que os comanda. Nós, D.E.V.I.L, ou até as Bestas do Caos, não somos tão diferentes."
"Tipo… ?" — Kuzuha pergunta, confuso.
"Para nós, um Núcleo é mais importante do que seu córtex." — Fenrir diz. "Se eu arrancasse seu cérebro ou seu coração, morreria instantaneamente, mas eu funciono de uma maneira diferente. Um Núcleo é localizado em diferentes partes do corpo, dependendo da criatura. Meu Núcleo fica no meu braço esquerdo. Enquanto meu núcleo estiver intacto, pode destruir qualquer parte do meu corpo que não fará diferença alguma."
"Saquei !" — Kuzuha diz. "O Núcleo do Draugr era o olho, por isso que ele ainda tava vivo."
"Exatamente." — Fenrir diz.
"Bom saber da sua fraqueza." — Karma diz.
"Pode saber de todas as fraquezas que quiser, ainda não significa que consegue alcançá-las para atacar." — Fenrir diz, num tom ameaçador.
"Ok... Mudando de assunto…" — Kuzuha diz.
Enquanto isso, na floresta. A chuva está ainda mais pesada. O chão está inundado por uma água grossa e lamacenta, que está se movendo com força, derrubando árvores pelo caminho.
Alucard está caminhando por essa água, todo sujo e molhado, cobrindo seu rosto com seus braços. "Ugh ! Essa maldita tempestade está mais forte do que eu antecipei. Nesse ritmo, terei de fazer um abrigo."
Uma árvore voa na direção dele.
O jovem cria uma katana e corta essa árvore rapidamente. "Eu já estou ficando de saco cheio desse maldito lugar." — Ele corta outra árvore. Uma pedra acaba acertando sua nuca. "Ugh ! D… Droga… !" — Alucard desmaia. O corpo do jovem é arrastado pela enchente.
Algum tempo depois.
Alucard começa a acordar. "Ugh…" — Ele nota que está em um abrigo improvisado, feito de folhas e gravetos. Ao lado dele, há uma fogueira com uma fraca chama. Imediatamente, o jovem começa a olhar ao seu redor, analisando o local. Alucard vê uma silhueta atrás do abrigo, comendo alguma coisa. Ele silenciosamente se levanta, cria uma adaga de gelo e começa a se espreitar para fora do abrigo, focado na sombra, com sua respiração presa. O jovem prepara um golpe. Mesmo com todo o cuidado que tomou, Alucard acaba pisando em um graveto, o quebrando.
A sombra se assusta e, em um rápido movimento, se esconde em uma moita, mas acaba deixando duas orelhas felinas de pelo verde chartreuse para fora.
"Eu vou lhe dar dez segundos para sair daí ou vai se arrepender de ter nascido." — Alucard diz, se preparando para um possível confronto. "Dez-"
"Eeekkk !" — ??? diz.
Da moita, sai uma garotinha Viridy raposa de cabelo verde chartreuse, amarrado em maria-chiquinha e presos com ossos, seu olho direito é azul claro e seu olho esquerdo é laranja, ambos animalescos, caninos maiores que o normal, como presas, com uma cauda peluda, pelos em seus braços e pernas, unhas pretas afiadas, como garras, tatuagens tribais vermelhas por todo seu corpo, uma jóia roxa cravada em sua testa, vestindo um simples pedaço de couro improvisado como um top, cobrindo um pouco do seu peito, uma tanga de couro também improvisada, um manto chique branco, com detalhes dourados e espaços para suas orelhas, está descalça, e segurando uma bolsa de couro familiar.
"Uma Viridy... E uma criança, ainda por cima." — Alucard pensa. "Qual seu nome, idade e tribo ?"
A Viridy começa a rodear ele, se movimentando como um animal com cautela. "Num te interessa."
"Responda minha pergunta. Agora." — Alucard diz, friamente.
"De novo, num te interessa." — A Viridy diz.
"Do jeito difícil, então." — Alucard diz. Ele cria uma katana. "Ela parece estar desarmada, a não ser por aquela… bolsa.." — O jovem examina mais a bolsa e vê que é sua bolsa de remédios. Alucard imediatamente se desespera. "Porra !" — Ele tenta atacar a Viridy, mas ela é mais hábil e consegue desviar. O jovem ataca mais uma vez, mas a Viridy repentinamente materializa uma lança feita de pura energia roxa e se defende. "Armamento contra D.E.V.I.L !?"
Os dois forçam e a Viridy consegue empurrar Alucard para trás.
"Num te salvo mais, moço malvado !" — A Viridy diz, brava. Ela começa a fazer birra.
"Tch. No meu estado atual, melhor não gastar energia desnecessariamente. Além disso, essa criança tem um armamento contra D.E.V.I.L, e isso não é normal. Ainda mais nas mãos de um Viridy." — Alucard pensa. Ele desfaz sua katana. "Não estou mais armado. Vamos apenas conversar. Essa coisa nas suas mãos é extremamente importante para mim. Me devolva."
A Viridy começa a ponderar. "Hmm…" — Ela pondera por mais alguns segundos, mede os prós e os contras, e finalmente chega à uma conclusão. "Num."
"Você não está entendo. Isso não é comida, são medicamentos. Não vão te fazer nenhum bem." — Alucard diz.
"Ah… Bem que eu achei que esses negócios tinham um gosto ruim. Fiquei toda tonta e vomitei um montão depois de come eles." — A Viridy diz.
"VOCÊ COMEU ELES !?" — Alucard pergunta, completamente desesperado.
"Por que tá ficando maluco, moço malvado ? Só comi uns três ou quatro." — A Viridy diz.
O jovem solta um suspiro, extremamente aliviado. "Ainda bem…"
"Enfim. Tô com sua bolsa de negócios importantes e salvei tua vida. Então ocê me deve um favorzão." — A Viridy diz.
"Eu não te devo nada-" — Alucard diz, bravo, se interrompendo. Ele respira fundo e se acalma. "Quanto mais rápido cooperar com essa fedelha, mais rápido isso tudo termina..."
"Então... ?" — A Viridy pergunta, esperando uma resposta ansiosamente.
"Certo. Diga o que você quer e devolva logo minha bolsa." — Alucard diz.
As orelhas e cauda peludas da Viridy se levantam ao ouvir uma resposta positiva. Ela abre um sorriso genuíno. "Muito, muito, muuuito brigada, moço esquisito !"
"Foco. O que você quer ?" — Alucard pergunta.
"Preciso da tua ajuda. Uma Besta do Caos tá aterrorizando meu vilarejo tem vários verões, e ninguém conseguiu caçar ela. Quero tua ajuda pra matar a criatura de uma vez por todas." — A Viridy diz.
"Caçar é a especialidade dos Viridy. Se vire." — Alucard diz.
"Eu sei !" — A Viridy diz. Ela olha para baixo. "É só que… ninguém nunca me ensino…" — A garotinha fecha seus punhos.
"Seu povo é ensinado a caçar desde nascença. Só não são aqueles que…" — Alucard diz, percebendo a situação. "Você é uma Exilada, não é ?"
"Num quero falar sobre isso." — A Viridy diz.
"Tch. Se é isso que eu tiver que fazer para conseguir minha bolsa…" — Alucard diz.
"Oba ! Brigada !" — A Viridy diz, pulando de alegria. Ela pega as mãos de Alucard. "Meu nome é Nyra Kitsuya. Qual o teu ?"
Alucard se solta da garotinha. "Não perguntei seu nome. Apenas me aponte para a direção do inimigo."
"Uh… Mas ocê perguntou-" — Nyra diz, sendo rapidamente interrompida por Alucard.
"Foco." — Alucard diz, num tom sério e ameaçador.
Nyra aponta para uma direção. "Vi algumas pegadas por ali."
Alucard silenciosamente começa a caminhar na direção, ignorando Nyra.
A Viridy o segue. "Tenho vinte e dois verões. E ocê, moço estranho ?"
O jovem permanece em silêncio.
"Gosto muito de carne e de dançar." — Nyra diz. "Nuca vi um Zenith feito ocê, moço estranho. De onde é ? Tem bastante comida gostosa lá ?"
Alucard se aborrece. Ele para de andar. "Cale essa maldita boca, sua fedelha irritante !"
Nyra fica um pouco assustada. "D-Desculpa..."
"Eu não quero ouvir mais uma palavra-" — Alucard diz, se interrompendo quando alguém suspira em seu ouvido de uma maneira macabra. O jovem imediatamente congela de medo.
Uma voz feminina começa a ecoar pelo local. "...Você não consegue ajudar ninguém, nem a si mesmo… Inútil... Desgosto… Falha… Você nunca deveria ter nascido... Ela também vai morrer… É tudo sua culpa…"
Alucard começa a hiperventilar.
"T… Tudo bem com ocê, moço estranho ?" — Nyra pergunta, ainda um pouco assustada com a repreensão.
O jovem volta a se mexer. "U… Uma pílula ! Só uma ! Não precisa ser a bolsa !"
A Viridy inclina sua cabeça, confusa. "O que é uma ílua ?"
"Qualquer coisa dentro da minha bolsa !" — Alucard diz, desesperado.
Nyra pega a bolsa e a abre.
O jovem rapidamente enfia sua mão, pega o máximo de pílulas que consegue e as engole. Ele põe as mãos na cabeça e começa a sussurrar, afirmando para si mesmo. "…Não é real… Não é real… Não é real… Não real…"
A voz para. Alucard solta um suspiro, aliviado.
Nyra assiste tudo isso acontecer, confusa e assustada. Mesmo assim, ela estende sua mão para Alucard. "Quer que eu faça alguma coisa procê melhora, moço estranho ?"
O jovem dá um tapa na mão dela e continua andando. "Não preciso da sua ajuda."
A Viridy o segue, estranhando a situação.
Na caverna. O trio está explorando o local.
Kuzuha está iluminando o caminho com seu celular. "É, só tem inseto nesse lugar."
"Será que a chuva já parou ?" — Karma pergunta.
"Boa pergunta. Já tem uma boa hora que a gente tá andando aqui." — Kuzuha diz. Ele se vira para Fenrir. "A chuva acabou ?"
"Na o olhe para mim como se eu tivesse todas as respostas." — Fenrir diz.
"Sei lá, cara. Você é o esquisitão que bate palma e acha caverna." — Kuzuha diz.
Eles caminham por mais alguns minutos, até acharem um espaço muito largo com o teto da caverna aberto, cheio de cogumelos de diversas cores e tamanhos que emitem um leve brilho, iluminando o local. Há uma grande rocha redonda cheia de musgo e cogumelos, no meio do local.
"Nem um sinal de Besta do Caos. Nem um sinal de Alucard. Mas pelo menos agora a gente já sabe que não tá mais chovendo." — Kuzuha diz.
"Podemos descansar nessa gruta. Estamos andando há algum tempo." — Karma diz.
"Eu topo." — Kuzuha diz.
"Sou indiferente." — Fenrir diz.
"Então hora de descansar-mos." — Karma diz.
O trio caminha até a pedra e se senta perto dela.
"Sabe, pra um lugar que tenta invadir meu mundo toda hora, aqui até que é tranquilo." — Kuzuha diz. "Claro, tirando aqueles zumbis. Mesmo assim, achei que ia estar infestado de Bestas do Caos pra todo lado."
"Nem todas as Bestas do Caos são daquele jeito." — Karma diz. "Olha a Yoko, por exemplo." — Ela faz carinho em Yoko.
"É só que eu nunca parei pra pensar nisso." — Kuzuha diz. "Eles são tipo animais. Tem uns mais agressivos que outros na Terra também."
"Como eu." — Fenrir diz.
"Você não conta, esquisitão." — Kuzuha diz. Ele se levanta. "Bom, eu preciso usar o banheiro. Vou ir atrás dessa pedra, então fiquem aí." — O delinquente vai embora.
"Será que dá pra comer algum desses cogumelos ?" — Karma pergunta, analisando o local. "Alguns deles são venenosos, mas outros eu não reconheço."
"Não estou com fome, então não me importo." — Fenrir diz.
"Não pedi sua opinião." — Karma diz.
"Hah… Eu precisava disso." — Kuzuha diz. "Bom-"
De repente, o chão começa a tremer.
"O-O que está acontecendo !?" — Karma pergunta, preocupada.
Pedaços da pedra grande começam a se mexer. Na verdade, não é uma pedra, mas sim, um caranguejo azul usando a pedra como armadura.
"E-Era só o que me faltava !" — Kuzuha diz, vendo a enorme criatura levantar.
"Huh, esse corpo deve estar interferindo com meus sentidos. Não senti a presença dessa criatura." — Fenrir diz, pensativo.
"Agora não é hora disso, cara !" — Kuzuha diz. "Vizer, analisar inimigo !"
"Análise completa." — O Vizer do jovem diz. "O inimigo é um Vyrnn. Vyrnn são pequenas Bestas do Caos de peça Rook que se assemelham a caranguejos. São herbívoros pacíficos, até que se sintam perturbados ou ameaçados. Sua carapaça é dura como aço. As criaturas se enterram profundamente, onde hibernam até a época de acasalamento chegar. Vyrnn podem viver por séculos, e, quanto mais vivem, maiores ficam."
"Então a gente tá lidando com um idoso." — Kuzuha diz.
"Por que você tinha de provocar ele ?!" — Karma reclama.
"Qual é ! Eu só fui mijar !" — Kuzuha diz, bravo. "Pelo jeito, o velhote aí não vai voltar a dormir por bem." — Ele pega sua espada. "Então, vai ser por mal."
Alucard se aproxima de um galho quebrado e o inspeciona. "Hmm…"
"Achou alguma coisa ?" — Nyra pergunta, curiosa.
"Esse galho não foi quebrado pela enchente. Está muito despedaçado para ter só sido arrastado por água." — Alucard murmura, pensativo. "Alguma coisa grande passou por aqui e derrubou esse galho, pisando nele e o quebrando. Agora…" — Ele vasculha um pouco mais o local e acha outro galho no mesmo estado. "Sabia. A criatura veio nessa direção. Possivelmente estava voltando para o ninho. Como os galhos estão espalhados de uma maneira aleatória, provavelmente estava arrastando alguma caça consigo."
"Whoa… Moço esquisito é realmente bom em caçar. Parece até um Viridy." — Nyra diz, maravilhada com as habilidades de Alucard. "Onde aprendeu ? Quem ensinô ?"
"Tch. Se você ficasse quieta e se concentrasse, ia aprender uma coisa ou duas." — Alucard diz, irritado.
Nyra se anima. Suas orelhas e cauda começam a balançar. "Jura ? Você vai me ensina ?"
"Não tenho tempo pra isso. Aprenda sozinha." — Alucard diz.
"Vô fica quietinha, só vendo meu irmãozão caçar. Prometo aprendê direitinho." — Nyra diz.
O jovem franze uma sobrancelha. "S-Seu o quê ?!"
"É, irmãozão." — Nyra diz. "É costume da tribo Blanka Vosto os pais ou guardiões ensinarem os mais joven a caçar. Como num tenho ninguém, então ocê vai se meu mestre, meu irmão mais velho."
Alucard se irrita ainda mais. "Primeiro, eu não sou mestre de ninguém ! Segundo, não ouse falar da minha irmã-" — Ele imediatamente se interrompe abruptamente.
"O que foi, irmãozão ?" — Nyra pergunta, preocupada.
"…Nada…" — Alucard diz. Ele limpa sua garganta e volta ao normal. "Tch. Faz o que você quiser, eu não ligo." — Ele volta a inspecionar o local.
A Viridy começa a imitar os movimentos do jovem. Alucard mexe em um pouco de terra e em algumas folhas. Depois, ele se levanta, põe a mão em seu queixo e começa a andar em círculos, pensando. Nyra também. O jovem faz isso por alguns segundos, até que se irrita e para.
Nyra bate nele e cai. "Ugh !"
"Por que está me seguindo ?!" — Alucard pergunta, bravo.
A Viridy se levanta. "Ocê disse que eu podia fazê o que quisesse."
"Isso não significa-" — Alucard diz, se interrompendo com um suspiro. "Tanto faz."
Nyra fica um pouco inquieta.
"Se quiser dizer algo, diga." — Alucard diz.
"Uhm… A gente pode para pra descansa ?" — Nyra pergunta.
"Não. Pelo que consegui juntar, estamos quase no ninho da criatura." — Alucard diz.
"Então é uma ótima hora para descansa. Vamo estar de barriga cheinha, quando formos mata aquela coisa." — Nyra diz.
O jovem solta um suspiro novamente. "Por que eu ainda tento ? Descanse."
"Brigada, irmãozão !" — Nyra diz, contente.
"Eu não sou seu parente !" — Alucard reclama.
Minutos depois. Alucard está sentado em volta de uma fogueira.
Nyra chega e se senta ao lado dele. O estômago dela ronca. "Ugh… Num consegui acha nada."
"Com suas habilidades de caça, isso não me surpreende." — Alucard murmura.
"Ei ! Consigo te ouvi muito bem, irmãozão !" — Nyra diz, brava. Ela limpa sua garganta. "Quer sabe como eu consegui isso aqui na minha testa ?"
"Não." — Alucard diz, friamente.
"Faz um tempão." — Nyra diz.
Alucard dá um tapa em seu rosto, claramente incomodado. "Óbvio que minha resposta não importa..."
A Viridy solta um suspiro, triste. Ela abraça suas pernas, descansa seu queixo em seus joelhos, e encara as chamas com um olhar distante. "Tá na cara que num so como os outro. Num so super forte, rápida, alta, musculosa, ou inteligente, como os outro... Num so boa em combate... Num sei caçar… Meus olho são diferente do de todo mundo... Sei que falo tudo errado… Essa coisa na minha testa é o único motivo de está viva." — Suas orelhas se abaixam e ela põe sua cauda para perto de seu corpo. "Um dia, quando era bem menos menor, tava brincando, quando Paldea, a criatura que estamo rastreando, atacou o vilarejo. Recebi um ataque tão forte, que o chão acabo se quebrando e eu cai numas ruína dos Primordiais. Quando acordei, tava com essa coisa em mim, e com aquela roupa de ferro esquisita." — Ela se lembra de algo. "Nunca te mostrei, né ? Não se assusta."
De repente, uma armadura de ferro negra, com detalhes feitos da mesma energia pulsante roxa, e um capacete parecido com uma caveira cobrem Nyra.
"Realmente é uma unidade N.I.R.V.A.N.A contra D.E.V.I.L. Essa criança não sabe o poder que tem nas mãos, e o usa como uma mera ferramenta qualquer…" — Alucard pensa.
A armadura some. "Isso salvo minha vida. Se num fosse por essa roupa estranha, ia estar mortinha. Num só isso, como também consegui fazê um machucado feio em Paldea. Mas, depois de tudo isso, meus pais sentiram nojo de mim e me jogaram fora, e o ancião decidiu me exila porque eu num era só inútil, como também tava 'coagindo com tecnologia proibida'. O que quer que isso signifique. Desde então, tô vivendo aqui, tentando caçar Paldea. Mas nunca consegui achar o ninho." — Ela solta mais um suspiro. "Se conseguir derrotar a criatura que aterroriza o vilarejo, eles vão me aceitar de volta. Sei disso… Sei… Sei que vão." — A Viridy começa a ficar sonolenta e solta um bocejo.
"Eles não vão." — Alucard diz.
"Ocê... Ocê não sabe disso… !" — Nyra diz, sonolenta. Ela solta outro bocejo.
"…Eu entendo mais sobre isso do que você imagina…" — Alucard diz, um pouco triste.
A Viridy inclina sua cabeça, confusa. "Eh… ?"
"Durma logo para podermos acabar com isso de uma vez." — Alucard diz.
"Beleza…" — Nyra diz, fechando seus olhos. Ela abraça sua cauda e começa a dormir.
Alucard observa a garotinha dormindo. Ele vê sua bolsa. O jovem aproveita essa oportunidade e lentamente começa a se aproximar dela. De repente, Nyra agarra sua mão. Num ato de reflexo, Alucard cria uma adaga e aponta para a cara dela, mas para, quando vê que a Viridy ainda está dormindo. Ele cuidadosamente retira a mão dela de si e consegue pegar sua bolsa de volta.
O jovem vai embora. "Finalmente posso continuar essa maldita missão e acabar logo com isso." — Ele para e olha para Nyra dormindo tranquilamente. Alucard se força a voltar a andar. "Não. Ela não passa de uma pedra no meu caminho. Uma pedra irritante." — Pelo canto do olho, ele vê a garotinha dormindo. "Por que estou checando se ela está bem ?! Eu não me preocupo com aquela criatura. Ela é descartável, inútil. Só me causou problemas. É tão irritante quanto aquele maldito troglodita. Não vou voltar por ela. Eu… não vou…"
Algum tempo depois.
Nyra acorda. Ela esfrega seus olhos e solta um longo bocejo enquanto se espreguiça. "Hah… Dormi gostosinho. E ocê, irmãozão-" — A Viridy nota que Alucard não está mais no local e se desespera. Ela começa a procurar a bolsa e não acha. Sem saber o que fazer, Nyra simplesmente se senta e começa a chorar. "…Isso sempre acontece… Ou correm de medo de mim, ou me chamam de aberração e corro de medo deles… So idiota por achar que dessa vez ia se diferente... Por que eu tinha de ter nascido… ?" — Ela continua chorando.
"Menos barulho. Quer morrer ?" — ??? pergunta.
A Viridy ouve a voz familiar e fica surpresa. Ela se vira para trás e abre um enorme sorriso, quando vê Alucard chegando, segurando uma lança de gelo com cinco peixes nela. Nyra se levanta e o abraça, ainda chorando. "Irmãozão !"
"Ugh ! Eu já falei que não sou seu parente !" — Alucard reclama. "Me solte !"
Nyra o solta. "Eu achei que ocê…"
Alucard vira seu rosto, um pouco envergonhado, e limpa sua garganta. "N-Não me entenda mal. Não voltei por você. Apenas queria testar minha força contra essa criatura." — Ele finca os peixes em galhos e os põe perto da fogueira. "E pare de chorar. Além de ser um barulho irritante, compromete seu posicionamento em uma caçada."
"S-Sim, irmãozão !" — Nyra diz, sorrindo. Ela enxuga suas lágrimas.
"Depois que nos alimentarmos, vamos resumir a caçada. Iremos direto para o ninho." — Alucard diz. "Sem distrações, de preferência."
Nyra confirma. "Prometo me focar nas aulas."
Alucard se senta perto da fogueira. Nyra se senta ao lado dele. Sua cauda começa a balançar e ela começa a cantarolar.
"Qual o motivo dessa felicidade estúpida ?" — Alucard pergunta.
"Nadinha~♥" — Nyra diz, piscando para o jovem.
Alguns minutos se passam. Os dois terminam de comer e continuam caminhando. Alucard continua seguindo os rastros da criatura, enquanto Nyra o observa, imitando suas ações. Eles caminham por mais alguns minutos, até conseguirem ver uma caverna. O jovem para, em uma moita. A Viridy também para, atrás dele.
"Chegamos." — Alucard diz.
"Mas essa é uma caverna normal. Já entrei aí." — Nyra diz.
"Este é o ninho da criatura, ou já foi, em algum ponto." — Alucard diz. "Observe bem. O mato em volta está amassado em padrões, como se passos grandes e pesados tivessem o amassado. Além disso, chuva e vento podem mascarar vários rastros, mas nunca apagar eles da existência." — Ele pega um pelo negro. "Sempre existem evidências perto dos lugares."
"Certo. E agora ?" — Nyra pergunta.
"Eu que pergunto." — Alucard diz. "Identificou que uma criatura passa/vive, no local. O que você faz agora ?"
"Uh… Eu… Eu…" — Nyra diz, confusa. Ela fecha seus olhos, se preparando para receber uma bronca. "…Eu… num sei se Paldea vive aí..."
"Correto." — Alucard diz.
A Viridy relaxa seu corpo, tirando um peso de seus ombros com um longo suspiro.
"Você só pode ter certeza de que sua presa passa por um lugar se ver ela passando por lá." — Alucard diz.
"Eba ! Finalmente fiz uma coisa certa !" — Nyra diz, extremamente feliz.
"Quieta, sua idiota ! Vai alertar nossa presença para o inimigo !" — Alucard reclama, também falando alto.
De repente, um rugido alto vem de dentro da caverna.
Nyra se foca. "Num tem como esquecer desse rugido nem se eu quisesse…"
Um lobo grande com pelo negro, quatro olhos vermelhos e com uma cauda longa, com a ponta no formato de uma foice feita de pedra, sai da caverna. A criatura olha diretamente na direção dos dois.
Alucard cria uma katana de gelo. "Tch. Pelo menos, me salvou o trabalho de te encontrar."
A Viridy rosna para a criatura, mostrando suas presas. "Ocê vai me pagar por tudo que fez !" — Ela cria uma lança e corre na direção a criatura.
Kuzuha é jogado para trás, contra uma parede. "Ugh…" — Ele limpa um pouco de sangue em sua boca e se recompõe. "Ainda tô em pé..."
Vyrnn corre na direção dele com suas garras no chão, criando uma parede de terra e a empurrando em Kuzuha simultaneamente. Karma amarra seu chicote no delinquente e o puxa da frente do ataque.
"Valeu." — Kuzuha diz.
"Essa coisa não é brincadeira. Temos de prestar atenção, ou vamos ser derrotados." — Karma diz.
A criatura avança na direção dos dois novamente. Quando se aproxima mais, pula e prepara um ataque com sua garra.
Fenrir entra na frente e os defende, com seus braços transformados. O mordomo força, até que consegue jogar Vyrnn para trás. A criatura cai de costas. "Huh… Esse corpo não é tão forte quanto pensei. Normalmente, isso seria o suficiente para matar essa criatura."
"Valeu, cara." — Kuzuha diz.
Karma aponta para a barriga da criatura, que não está coberta por pedras. "Se acertarmos um golpe ali, ele vai morrer !"
"Isso terminará em um segundo." — Fenrir diz. Ele transforma suas pernas, rapidamente pula na direção de Vyrnn e ataca.
A criatura rapidamente recolhe suas pernas e garras, se transformando em uma esfera de pedra. Fenrir a chuta, mas só causa uma pequena rachadura. O impacto do chute lança Vyrnn para a frente com tanta força, que a criatura começa a rodar pelo local. A caverna começa a tremer. Estalactites começam a cair para todos os lados.
O delinquente se defende de uma estalactite com sua espada. Ele se vira para Fenrir, furioso. "Valeu, Fenrir ! Muito obrigado mesmo, viu !"
"Reclama com ele depois que sairmos daqui !" — Karma reclama.
Alucard pula para trás. Paldea cai onde ele estava, fincando sua cauda no chão. Nyra joga sua lança na criatura, que rapidamente tira sua cauda do chão e se defende do ataque.
"Não se precipite. No momento que achar que venceu, sua derrota estará garantida." — Alucard diz.
"Essa coisa destruiu minha vida ! Eu não nunca vou perdoar ela !" — Nyra diz, brava. Ela ignora qualquer aviso de Alucard e corre na direção de Paldea. Quando se aproxima, soca a criatura, mas não causa muito efeito e é jogada para cima com um ataque.
Paldea rasga o chão com sua cauda e joga pedras para cima. Essas pedras ficam suspensas no ar, como se estivessem voando. De repente, essas pedras são jogadas na direção de Nyra, que não tem como se defender. Alucard consegue criar uma parede de gelo a tempo de defender a Viridy.
Nyra cai em pé. "Brigada, irmãozão."
"O que eu falei sobre tomar mais cuidado ?! Não vê que você não vai conseguir matar aquilo, assim ?!" — Alucard diz, bravo.
A Viridy abaixa suas orelhas, triste. "M-Mas-"
"Sem desculpas ! Você é inútil-" — Alucard diz, se interrompendo quando se lembra de duas silhuetas dizendo a mesma coisa. Ele volta a realidade e vê que está assustando a garotinha. O jovem limpa sua garganta. "Preste mais atenção."
"C-Certo…" — Nyra diz, ainda um pouco apreensiva.
Paldea joga seu corpo contra a parede, rachando ela. A criatura usa sua cauda e consegue destruir a parede de gelo, fazendo estilhaços voarem para todos os lados.
"Merda !" — Alucard diz, preocupado. Ele empurra Nyra e cobre ela com uma barreira. Alguns estilhaços acabam acertando o corpo do jovem, se fincando em seus braços e pernas. Sangue começa a escorrer dele.
Paldea aproveita essa oportunidade e bate com sua pata em Alucard, o jogando contra uma árvore.
A barreira em volta de Nyra se quebra. "E-Essa não ! Irmãozão !"
Nenhuma resposta. Paldea prepara outro ataque em Alucard.
A Viridy cria uma lança e a joga com força, para distrair a criatura. A lança acaba se fincando em uma das patas de Paldea. "Num vô deixar ocê machucar mais ninguém importante pra mim !"
Paldea vira sua atenção para Nyra e vai na direção dela.
Kuzuha desvia de uma estalactite. "Não dá pra continuar fazendo isso pro resto da vida ! A gente tem de fazer alguma coisa pra parar aquele troço !"
"Fazer o quê ? Não conseguimos chegar perto, e o Fenrir não consegue quebrar aquela armadura de pedra. Mesmo se quebrasse, viu como Vyrnn se defendeu rápido ?" — Karma diz. "Precisamos de um plano, e rápido. Não é como se a resposta fosse cair do céu."
"Tch. Pior que você tem razão." — Kuzuha diz. De repente, ele tem uma ideia. "É isso ! Você é um gênio, Karma !"
"Eu sou ?" — Karma pergunta, confusa.
"Se conseguirmos colocar essa coisa em baixo daquela estalactite, podemos derrubar ela em cima do ponto fraco e matar esse troço." — Kuzuha diz.
"Isso… Huh, até que isso pode servir." — Karma diz.
"Fenrir, consegue fazer isso ?" — Kuzuha pergunta.
"Considere feito." — Fenrir diz.
"Quão forte a Yoko é ?" — Kuzuha pergunta.
"Muito mais do que parece. Por quê ?" — Karma pergunta.
"Pode me emprestar ela, por favor ?" — Kuzuha pergunta.
"Ok..." — Karma diz, confusa.
O delinquente estende uma mão. A Zenith faz o mesmo. Yoko rasteja de Karma até Kuzuha, se enrolando carinhosamente no pescoço dele.
"Você vai salvar o dia, garota." — Kuzuha diz para a cobra. "No meu sinal, pessoal." — Ele alerta. Os olhos do delinquente observam Vyrnn rolando, procurando uma oportunidade. "Três... Dois… Um… Agora !"
Fenrir transforma suas mãos e agarra Vyrnn o mais forte possível. Os dois começam a competir. Lentamente a criatura começa a girar mais devagar, até que para. O mordomo a soca, jogando Vyrnn no local combinado. A criatura se abre, ficando de barriga para cima. Rapidamente, Kuzuha joga sua espada o mais forte que consegue, fincando ela na estalactite e a rachando. Karma atira na espada, a afundando ainda mais. A estalactite se quebra e cai. Vyrnn rapidamente se recolhe, se transformando em uma esfera novamente.
"Essa não ! Essa coisa é mais rápida do que esperávamos-" — Karma diz, se interrompendo quando vê um brilho de determinação nos olhos de Kuzuha.
"É exatamente isso que eu queria." — Kuzuha diz. Ele corre na direção da criatura. O delinquente pega sua espada, que ainda estava caindo, e ataca Vyrnn.
"Não vai adiantar-" — Karma diz, sendo interrompida por um grito de dor da criatura. "E-Eh !?"
Sangue azul começa a escorrer por onde Kuzuha atacou.
"Agora é com você, garota !" — Kuzuha diz.
Yoko desliza pela espada dele e entra na ferida. Vyrnn começa a agonizar e se abre.
"Fenrir !" — Kuzuha diz.
Fenrir imediatamente pula para cima da criatura e cai a socando com o máximo de força que consegue. O impacto causa uma onda de choque tão forte que empurra Kuzuha um pouco para trás, e um pouco da armadura de pedra racha. A criatura dá um último urro de dor e finalmente para de se mexer. Tendo vencido a luta, o trio relaxa.
"Ainda bem que acabou…" — Karma diz. "Como sabia que ia funcionar ?"
"Bom, minha mãe era bióloga. É tipo alguém que estuda animais, caso não saiba." — Kuzuha diz. "Lembro dela falar que nenhum animal ou inseto que vira uma bola está completamente seguro porque eles precisam de aberturas pra respirar, e que essas aberturas normalmente ficam nos lados."
"Interessante…" — Karma diz. Ela dá um olhar de desconfiança, mas volta ao normal.
"Então... Dá pra comer isso ?" — Kuzuha pergunta.
"Creio que, com os temperos certos, o povo daqui considera uma iguaria." — Fenrir diz.
"Sério !?" — Kuzuha pergunta, surpreso.
"Carne de Vyrnn é uma iguaria. Posso confirmar." — Karma diz.
"Uhu ! Hoje, a gente come feito reis e rainhas, rapaziada !" — Kuzuha diz, animado.
Nyra é jogada contra uma árvore, em um penhasco. Ela está cheia de machucados pelo corpo e ofegante. A Viridy se esconde atrás de uma árvore e prende sua respiração. Paldea se aproxima, farejando o local. Suas patas amassando o barro com seu peso. A criatura se aproxima cada vez mais da árvore que Nyra está escondida, até a achar. Mas, quando se aproxima, é interrompida por um gemido de Alucard acordando. Paldea vira sua atenção para o jovem e corre na direção dele.
"O irmãozão ainda tá vivo !" — Nyra pensa. Ela começa a se desesperar. "Essa num ! Paldea vai mata o irmãozão, se eu num fizer nada ! Mas… Mas e se eu salva o irmãozão e ele me abandona que nem todo mundo… ?" — A Viridy se recompõe. "Não ! Se o irmãozão precisa da minha ajuda, vô ajuda !" — Nyra começa a se concentrar. "Foco, Nyra ! O irmãozão sempre fala procê ter foco ! Já sei !"
Paldea se aproxima mais de Alucard. Nyra joga uma lança na criatura e acaba errando, mas consegue a atenção dela. Paldea corre na direção da garotinha. Nyra se aprofunda mais na floresta do barranco e se esconde atrás de uma árvore. A criatura quebra essa árvore. A Viridy se esconde em outra, e Paldea faz o mesmo. Isso acontece mais algumas vezes, até sobrarem muito poucas árvores. Nyra vê uma árvore maior e mais grossa que as outras e se esconde atrás dela. Com dificuldade, Paldea também corta essa árvore. Não tem mais para onde a Viridy correr. A criatura arranca as árvores do chão, as eleva e aponta para Nyra.
A Viridy dá um sorriso confiante. "Isso é por todo mundo do vilarejo, criatura feia !"
De repente, o barranco começa a desmoronar. Nyra põe sua armadura. Paldea tenta se salvar, mas acaba fincando preso no barro e deslizando junto dele. A criatura é soterrada. Nyra sai da terra, tira sua armadura e respira fundo. "Hah... Hah… Consegui ! Matei Paldea ! Consegui !"
Palmas podem ser ouvidas. É Alucard. "Meus parabéns."
Nyra abraça Alucard. "Irmãozão ! Que bom que ocê tá bem !"
O jovem se solta do abraço. "Ugh ! Me solte ! Odeio contato físico !"
"Consegui, irmãozão ! Matei Paldea !" — Nyra diz, comemorando com pulos e risos.
"Tem certeza ?" — Alucard pergunta.
"Eh ? Mas eu matei. Paldea tá debaixo da terra." — Nyra diz.
"Me siga. Quero te mostrar uma coisa." — Alucard diz.
Nyra estranha, mas o segue. Os dois entram na caverna. Eles caminham até chegarem no ninho de Paldea. O local está cheio de ossos e carne podre por todos os lados. Há uma grande pedra anormal no lugar.
"Eu te trouxe aqui para te mostrar uma coisa." — Alucard diz. "Quando sai de perto de você, vim checar a área e descobri isso." — Ele destrói a grande pedra com um pedaço de gelo.
A Viridy fica sem palavras ao ver o cadáver em decomposição de Paldea, só que maior e com uma ferida exatamente onde ela descreveu. "…M… Mas…"
"Todo esse tempo, você estava perseguindo um fantasma." — Alucard diz. "Quem atacou seu vilarejo foi a mãe. A ferida que você fez nela foi tão forte, que acabou a ferindo gravemente. Então, ela veio para cá e ficou presa dentro da caverna. O filho dela achou que a mãe estava dormindo ou doente, então começou a juntar comida para ver se ela reagia." — Ele volta a bater palmas. "Meus parabéns."
Nyra se ajoelha e começa a chorar muito. Tanto, que até começa na soluçar. "…Tudo… Foi tudo pra nada…"
Alucard simplesmente se senta ao lado da jovem sem dizer nada. Alguns minutos se passam, e Nyra finalmente começa a se acalmar.
"Finalmente parou com esse choro inútil ?" — Alucard pergunta.
A Viridy permanece em silêncio, cabisbaixa.
"Vingança é um veneno que corrói a si mesmo, deixando apenas uma casca vazia." — Alucard diz. "Não importa quantas pessoas você mate ou quanto poder adquira, só vai se sentir satisfeito quando não tiver mais nada sobrando."
"…O que eu faço agora… ? Num tenho pra onde ir… Num tenho ninguém..." — Nyra diz.
"Pensei que voltaria para seu vilarejo." — Alucard diz.
"É óbvio que ninguém me quer lá..." — Nyra diz.
"Vingança é mais do que só derramar sangue." — Alucard diz.
Nyra levanta sua cabeça. "Eh… ?"
"Quer se vingar do povo do seu vilarejo ? Faça eles se arrependerem de te abandonar." — Alucard diz. "Faça com que eles escutem seu nome por onde quer que vão. Torne-se a melhor caçadora e dançarina de Azeroth."
"…Ocê... Ocê acha que consigo… ?" — Nyra pergunta, com um tom de esperança.
Alucard põe uma mão no ombro dela e olha em seus olhos. "Nyra, quando olho para você, não vejo uma falha, mas sim, uma jovem com potencial infinito que pode fazer o que ela quiser. Uma jovem que eu sentiria orgulho de chamar de minha aluna."
A Viridy abre um enorme sorriso e abraça Alucard. "Irmãozão ! Brigada, irmãozão ! Brigada mesmo !"
"Ugh !" — Alucard diz, incomodado. Ele pensa em afastar Nyra, mas hesita, repensa e acaba abraçando a garotinha.
Os dois se soltam.
"Estou em uma missão com meus… companheiros de viajem idiotas para ajudar um reino. Vai ser um bom começo para sua jornada." — Alucard diz.
"Pra onde o irmãozão for, eu vou junto." — Nyra diz, animada.
"Primeiro, preciso encontrar eles. Se perderam de mim depois de… algumas desavenças." — Alucard diz.
Nyra sente o cheiro de alguma coisa. "Huh… Esquisito…"
"O que foi ?" — Alucard pergunta.
"Tô sentindo um cheirinho de fumaça beeem longe, dentro daqui." — Nyra diz.
"É a melhor pista de civilização que temos. Vamos." — Alucard diz.
Os dois vão embora. Eles passam por bifurcações e corredores estreitos até chegarem na área aberta em que Kuzuha, Karma e Fenrir estão. Os três estão assando Vyrnn em uma grande fogueira.
Fenrir nota Alucard. "Jovem mestre Alucard. Que bom ver que está bem."
"Yo ! Finalmente deu as caras, cubo de gelo. Aproveita que o churrasco começou e vem comer." — Kuzuha diz. "Eh ? Quem é essa criança aí ?"
"São os companheiro de viajem idiotas que ocê falo, irmãozão ?" — Nyra pergunta.
Todos se surpreendem. "I-IRMÃOZÃO !?"
Alucard limpa sua garganta. "N-Nyra. Já disse para não me chamar de irmãozão."
"Mas ocê é." — Nyra diz.
O jovem solta um suspiro de desistência e caminha até o trio. Nyra o acompanha. Eles se sentam e começam a comer. Conversa e risadas tomam o local, enquanto comem, se divertem e compartilham suas aventuras recentes uns com os outros.
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