Devil Slayer Chronicles
25 Em frente
Notas iniciais
Ymir desfere alguns golpes em Astrarion, mas não consegue sequer ferir a pele dele. Nyra joga algumas lanças, mas algumas erram, e as que acertam não causam muito estrago. A Viridy se aproxima o suficiente para começar a desferir golpes violentos com o máximo de força que consegue, mas tudo que faz é empurrar o homem para trás. Astrarion acha uma abertura nos golpes e revida com um soco tão forte, que imediatamente tira a armadura de Nyra. Ela tosse sangue e cai de joelhos.
"Nyra !" — Ymir exclama, preocupado. Ele entra na frente da garotinha e a defende com sua espada.
"É inútil. Sua lâmina já se provou inútil contra mim. Apenas desista e se ajoelhe perante seu fim." — Astrarion diz.
O príncipe força mais. "Ugh... Nunca... ! Eu irei… resgatar meu reino… das mãos deste... tirano maligno… e irei… trazer a verdadeira paz... de volta... à Yahren... !"
"Não manche a imagem do paraíso perfeito de Vossa Eminência com teus ideais imundos, herege !" — Astrarion diz, bravo. Ele força ainda mais. A espada de Ymir acaba se quebrando e o príncipe recebe um golpe que também o põe no chão. "Por sua difamação, eu lhes sentencio a uma morte dolorosa e agonizante." — O homem enfia suas mãos no chão e puxa um pedaço de terra enorme para cima.
Esse pedaço cai em cima de Nyra e Ymir, os esmagando. Penas douradas cobertas por sangue estão espalhadas no chão.
Astrarion volta ao normal. "Hereges patéticos. Não há espaço para vocês na utopia de Vossa Eminência."
"E nunca haverá." — ??? diz.
Antes mesmo que pudesse se virar para trás, Astrarion recebe um golpe, que acaba pegando em seu livro, o destruindo. Ymir está atrás dele, com algumas de suas asas faltando várias penas.
O homem se desespera. "N-Não ! NÃO !"
"Acabou para você, Astrarion. Renda-se, ou sofra as-" — Ymir diz, sendo interrompido por Nyra, que sai dos escombros usando sua armadura e decapita Astrarion com sua lança.
O corpo decapitado morto de Astrarion cai no chão.
"N-N-Nyra !" — Ymir diz, chocado.
Nyra tira sua armadura e começa a balançar seu rabo, animada. "Resolvi o problema~"
"Matar é a última das opções ! Além disso- Esqueça. Só vamos ajudar os outros." — Ymir diz, soltando um suspiro.
Os dois começam a correr para a cidade.
"A propósito, como sabia que o Requiem dele era falso ?" — Ymir pergunta.
"Era ?" — Nyra pergunta.
"Uh... O plano de distração que você bolou para destruirmos o livro deu certo. Você não planejou nada ?" — Ymir pergunta.
"Eu só senti que o cheiro do livro era o mesmo do corpo." — Nyra diz.
"Daí, você deduziu que o livro era a fonte do poder, certo ?" — Ymir pergunta.
A Viridy apenas olha para ele e inclina sua cabeça, confusa.
"Você, uh…" — Ymir limpa sua garganta, força um sorriso e faz carinho na cabeça de Nyra. "Você fez bem. Ehehehe..."
Os dois aproveitam a multidão caótica e entram na cidade.
"Moço chique sabe o caminho ?" — Nyra pergunta.
"Como a palma da minha mão." — Ymir confirma.
De repente, Nyra para e começa a cheirar o ar.
"Algum problema ?" — Ymir pergunta.
"Tô sentindo o cheiro da moça reclamona e mais uma perto dela. Num tão muito longe." — Nyra diz.
"Hmm... Você pode ir ajudá-la ? Eu virei para o castelo enfrentar Fafnir." — Ymir diz.
Nyra concorda e corre em outra direção. Ymir volta a correr. A Viridy se aproxima mais e mais, até que encontra Kala correndo, segurando a mão de uma jovem humana de cabelo curto preto, olhos azuis, com uma tatuagem do número "789" no antebraço, descalça, coberta por um manto velho e sujo. Há alguns guardas correndo atrás dela. Nyra rapidamente pula entre os dois e elimina os guardas.
"Nyra ! O quê você tá fazendo aqui ? Cadê o Ymir ?" — Kala pergunta.
"Moço chique foi pro castelo bater no moço velho." — Nyra diz.
"Grr ! Mas é óbvio que ele foi ! Depois de todo o trabalho que eu tive pra entrar e sair de lá, ele me dá uma dessas !" — Kala reclama, furiosa.
"V... Vamos precisar voltar ?" — A jovem pergunta.
"Não. Infelizmente, não tem o que eu fazer, nesse estado." — Kala diz. Ela se lembra de algo. "A gente precisa tirar todo mundo daqui o mais rápido possível ! A cidade inteira é uma fonte de energia pra uma-"
Tudo se estremece. Iron Maiden se ergue, na distância.
"N-Nossa ! Que moço grandão !" — Nyra exclama, boquiaberta.
"E vai ser um problemão, se chegar mais perto daqui." — Kala explica. "Precisamos tirar todo mundo desse lugar o mais rápido possível."
"Infelizmente, pra vocês, ninguém aqui vai pra lugar nenhum." — ??? diz.
Em cima do telhado de uma casa, um jovem Viridy leopardo-das-neves, com pelos cinza nos braços e pernas, garras nas mãos e pés, dentes afiados, cabelo prateado, olhos verde azulado, vestindo uma camiseta branca simples, um colete acolchoado azul, shorts cinza e descalço está sentado, com um sorriso convencido em seu rosto.
"Merda ! A gente tem de sair daqui, rápido !" — Kala exclama, preocupada.
A jovem imediatamente "se esconde" atrás de Kala, assustada.
"Qual o problema ? Moça reclamona conhece o moço esquisito ?" — Nyra pergunta.
"Aquele é Boreanis, um dos generais mais temidos." — Kala diz.
"Então ele é um moço do mal !" — Nyra diz.
Boreanis solta um suspiro. "Você tinha que inventar de fugir, né ? Agora, eu tive de parar de não fazer nada pra vir atrás de você. Perda de tempo." — Em um piscar de olhos, ele desce do telhado.
"N-Nossa ! Moço malvado é rápido !" — Nyra diz, surpresa com a velocidade do Viridy.
"Não sou só isso, não." — Boreanis aparece na frente de Nyra e tenta socar ela, mas a Viridy consegue desviar no último segundo. O soco dele cria uma cratera no chão. "Huh, até que você pensou rápido."
A Viridy cria uma lança e põe na frente da jovem e Kala. Ela dá um olhar sério e mostra suas presas. "Eu num vô deixa ocê machuca minhas amigas."
"Olha só, uma arma anti-D.E.V.I.L. Por acaso a menininha sabe usar o brinquedinho dela ?" — Boreanis pergunta, zombando de Nyra.
Nyra faz um gesto provocativo. "Vem descobri."
"Grr ! Tá brincando com a sorte, sua pirralha desgraçada !" — Boreanis cobre seus braços com um gelo prateado e avança na direção de Nyra.
Isolde está preso em uma cela, apenas com sua armadura. O Zenith está sentado no chão, encostado em uma parede. Ele parece estar completamente sem nenhuma esperança em seu rosto. "…Eu ainda não entendo... Eu nunca vou conseguir entender..."
Alguém joga algo dentro da cela. O Zenith nota que é seu florete dourado. Ele rapidamente pega sua lâmina, confuso. Quem jogou foi Vanadiel.
"…Veio terminar o trabalho com honra ? É bem a sua cara..." — Isolde diz, evitando contato visual.
"Me desculpe." — Vanadiel diz.
Isolde se surpreende, ao ouvir isso. "Perdão… ?"
"Todo esse tempo, fui um tolo. Deixei as palavras aveludadas e a persuasão maquiavélica daquele monstro me controlarem, mas não mais. Agora que sei da verdade, não deixarei mais isso acontecer." — Vanadiel diz. "Sei dos pecados que cometi, e estou pronto para arcar com as consequências. Mas, primeiro, preciso da ajuda do meu pupilo promissor." — Ele estende sua mão.
O Zenith considera, reconsidera, e até hesita, mas acaba segurando a mão dele e se levantando. "Se me apunhalar pelas costas novamente, não terei piedade."
"Você tem minha palavra." — Vanadiel dá um raro sorriso. "O reino está um caos. Precisamos ajudar o povo a escapar sem casualidades."
"Mas, juntos, podemos vencer Fafnir." — Isolde diz.
"A segurança do povo é prioridade." — Vanadiel diz. "Além disso, já tem alguém de confiança para dar conta da situação no castelo."
O local começa a tremer. Momentos antes.
Vanadiel chega à sala do trono, onde Fafnir está sentado, claramente ainda furioso. "Fafnir !" — Ele se aproxima mais, bravo. "O que é isso ?! Os soldados e generais estão sendo mobilizados apenas para matar os invasores, enquanto o povo está em desespero completo nas ruas e uma criatura gigantesca se aproxima !"
"Se bem me lembro, te dei uma ordem. Onde está a cabeça dos invasores ?" — Fafnir pergunta, sério.
"Eu não vou obedece uma ordem que me der, enquanto o povo não estiver em segurança !" — Vanadiel exclama.
"Silêncio !" — Vossa Eminência bate seu cajado no chão, o barulho e sua voz forte ecoando pelo local. "Não ouse me desafiar, a não ser que queira perder a única família que lhe restou !" — Ele cria um holograma de uma cela vazia. "O-O quê ?! Grr ! Como foi que aquela desgraçada escapou ?!"
Vanadiel fecha seus punhos.
"Não pense que venceu ! Eu ainda posso achá-la e acabar com sua vida !" — Fafnir exclama.
O Ürok pega sua espada. "Não sei como isso aconteceu, mas eu não vou mais deixar que faça como bem entender." — Ele dá um passo à frente, mas é impedido, quando alguém atira em sua frente.
Karma e Ymir chegam no local.
"Vossa Alteza !?" — Vanadiel diz, surpreso.
"Que bom ver que está bem, Vanadiel." — Ymir sorri.
"Vossa Alteza, eu... Depois de tudo que fiz, não mereço sua compaixão…" — Vanadiel abaixa sua cabeça.
"Levante sua cabeça. Desde o início, eu soube que esse monstro horrendo deve ter feito algo com você. Não lhe culpo de nada." — Ymir diz.
"Vossa Alteza..." — Vanadiel diz.
Fafnir bate seu cajado no chão novamente, o som interrompendo todos. Karma atira nele, mas Vossa Eminência põe seu cajado na frente e a bala ricocheteia.
"Tch. Seu pé no saco." — Karma diz.
"Fafnir..." — Ymir aponta sua espada para ele, bravo. "Por tomar meu reino, alienar meus súditos, e por todos os outros crimes hediondos que cometeu, eu te sentencio à morte."
"Suas palavras são tão cegas quanto sua lâmina." — Fafnir diz. "Eu vou queimar cada pessoa... Destruir cada estrutura... Tornar o mundo inteiro em cinzas, se isso me deixar mais perto do meu paraíso."
Pilares de chamas azuis se erguem do chão. Os três conseguem desviar deles.
"Começando com vocês…" — Fafnir ameaça.
"Eu não vou deixar que machuque a Vossa Alteza-" — Vanadiel é impedido por Ymir.
"Não." — Ymir diz.
"Deixa que a gente cuida dele, grandão. Vai ajudar as outras pessoas a não se machucarem." — Karma diz.
"Mas eu posso-" — Vanadiel é interrompido novamente.
"Isso é uma ordem do seu rei, Vanadiel D'Argenteine." — Ymir diz.
O Ürok permanece em silêncio, por alguns segundos, até que concorda e vai embora, determinado.
"Seu verme patético ! Sua arrogância será seu fim !" — Fafnir exclama.
Ymir corre na direção de Fafnir, enquanto Karma os circula na distância. O príncipe ataca, mas Vossa Eminência consegue defender com seu cajado. Ele o joga para trás e roda seu cajado, ricocheteando de alguns tiros da Orgen. Um tiro passa e o acerta na perna, fazendo Fafnir fraquejar. Ymir aproveita essa oportunidade e também ataca. Vossa Eminência consegue desviar, mas um leve corte é feito em seu braço.
"Heh, não é tão imortal assim, 'Vossa Eminência'." — Karma diz, zombando de Fafnir.
"Besta vil. Seus dias de caos e desgraça terminam hoje." — Ymir diz.
As veias no corpo de Fafnir começam a saltar. Ele está extremamente furioso. "Seus vermes insignificantes ! Eu matar vocês ! Ferver sua carne ! REDUZIR SEUS OSSOS À MERAS CINZAS !"
O chão começa a tremer. Karma atira em Fafnir, mas suas balas derretem antes mesmo e encostarem nele. A pele de Vossa Eminência começa a borbulhar, derreter, e se rasgar, enquanto Fafnir começa a se transformar. Ele vira um wyvern de escamas azul claro, dois olhos vermelhos, quatro asas e presas e garras afiadas. O D.E.V.I.L dá um rugido forte, jogando os dois para trás e voa para fora do castelo, destruindo o teto. Fafnir enche sua boca com chamas e as cospe, causando uma explosão tão intensa que derrete o castelo por completo. Nuvens negras começam a cobrir o céu.
Iron Maiden começa a vir na direção da cidade, caminhando lentamente, seus passos rítmicos e pesados estremecendo tudo. Quando o colosso levanta sua perna para mais um passo, um enorme espinho de gelo se forma debaixo dele, mas Iron Maiden ativa propulsores em seus pés e voa para trás em segurança.
Fenrir está no portão da cidade.
O mordomo se curva. "Mil perdões, mas não irei permitir que interfira. Ordens do meu jovem mestre."
Iron Maiden solta um rugido alto. O autômato soca o chão com força, fazendo ele abrir, e levanta sua mão, jogando diversas pedras para cima. Essas pedras começam a cair na direção de Yahren. Uma gigantesca parede de gelo se ergue do chão, defendendo a cidade.
"Faz um certo tempo que não enfrento um desses. Creio que eu ainda esteja um pouco enferrujado." — Fenrir diz. Ele dá um leve sorriso confiante e começa a forçar. As veias em seu corpo começam a saltar e pulsar intensamente. O chão em volta dele começa a afundar com a pura pressão do seu poder. A parede e gelo se estoura, jogando os pedaços em Iron Maiden. Atrás dela, não está mais Fenrir, mas sim um lobo gigantesco com pelo azul e branco, com marcações pretas, seis olhos vermelhos, presas e garras afiadas, e três caudas. Mesmo gigantesca, a criatura ainda é menor que o golem colossal, chegando até a metade da altura do autômato.
Em meio à toda a confusão na cidade, Yselda está vendo essa criatura emergir na distância, sua sombra escurecendo a cidade. Ela fecha seus olhos, junta suas mãos e começa a rezar. Depois de terminar, dá uma última olhada na criatura e volta a ajudar as pessoas.
Iron Maiden joga mais pedras. Fenrir dá um rugido alto, que estremece o lugar e destrói as pedras. Ele começa a correr na direção do autômato rapidamente e pula para o atacar. O colosso cria um escudo de energia em volta de si e se defende. Isso surpreende tanto o D.E.V.I.L, que ele não vê um soco de Iron Maiden chegando e acaba sendo acertado direto no peito e sendo jogado para trás. Sangue negro começa a escorrer por sua boca. Fenrir se recupera e parte para cima do colosso novamente. Ele começa a correr em volta do autômato e a cuspir esferas de gelo nele. Iron Maiden se defende de algumas, mas começa a ser acertado pela rajada de ataques. O escudo do colosso recarrega e ele volta a se defender. O D.E.V.I.L ataca novamente, seu ataque mais uma vez impedido. E, mais uma vez, Iron Maiden o soca. Mas, dessa vez, Fenrir morde seu braço e se agarra nele. O autômato tenta puxar seu braço, mas o D.E.V.I.L congela suas patas no chão, se prendendo. Fenrir se solta do chão, começa a rodar o colosso e o joga para trás, o corpo de Iron Maiden causando uma enorme cratera onde cai.
Nyra é jogada para trás violentamente. Ela enfia uma lança no chão, se recuperando, e rapidamente a usa para se defender de um ataque de Boreanis. O Viridy vai atacando e ela vai se defendendo, ocasionalmente recebendo um golpe ou dois, até que os dois se empurram para direções.
"Heh. Se não fosse por esse seu armamento anti-D.E.V.I.L, você já era, pirralha." — Boreanis diz.
"Eu... Eu num vô caí… fácil assim... !" — Nyra diz, ofegante. Ela se cobre com sua armadura.
"Aww... Que bonitinha~ Ela acha que botar uma roupa mais durinha vai adiantar de alguma coisa~" — Boreanis zomba de Nyra. Ele dá um sorriso macabro. "Não vai rolar, pirralha." — O Viridy congela o chão. "Aqui vai uma dica..."
Nyra tenta se mexer, mas escorrega. Ela se apoia em sua lança para se levantar. Boreanis aparece na frente dela e a soca. A Viridy põe um braço na frente para se defender. O soco quebra a armadura dela. Todos se espantam.
"…eu sou superior a esse seu brinquedinho aí, sua peste." — Boreanis continua, ainda sorrindo. Ele começa a esmurrar Nyra, quebrando sua armadura pouco a pouco, até não restar mais nada.
Nyra está ainda mais ofegante agora, com hematomas e feridas por todo o seu corpo e com sangue escorrendo pelo seu nariz. Mesmo assim, ela ainda tenta atacar novamente, mas está muito fraca para fazer qualquer coisa.
"Sabe, olhando assim de perto, sua cara me irrita mais do que eu achava." — Boreanis soca a cabeça de Nyra, a jogando no chão.
"C-Chega !" — A jovem diz. "Eu me entrego, mas pare de machucar ela ! É só uma criança !"
"Pfftt ! Ahahaha ! Você acha que manda em mim, verme ? Depois que eu acabar com ela, essa nanica é a próxima. E, depois, você." — Boreanis diz. Ele chuta Nyra. "Minhas ordens foram beeem claras: te trazer de volta VIVA. Isso não significa INTEIRA. Então, espera sua vez quietinha, como a boa menina que você é." — O Viridy espanca Nyra um pouco mais, até que começa a se cansar. "Meh. Já tá perdendo a graça." — Boreanis chuta Nyra para perto das outras e estala seus dedos. Vários espinhos de gelo se formam em cima do grupo. Ele boceja, entediado. "Qual é. Vocês não são uma resistência ? Achei que iam resistir mais." — O Viridy dá de ombros. "Meh. Isso foi uma perda de tempo." — Boreanis joga os espinhos no grupo.
Todos fecham seus olhos, aceitando a tragédia iminente. O barulho de algo caindo no chão pode ser ouvido, mas o grupo percebe que ninguém está machucado. Quando abrem seus olhos, há uma barreira de gelo roxo em cima deles, os defendendo. Alucard está no local.
"…I... Irmãozão... !" — Nyra diz, com seus olhos lacrimejando.
Sem dizer nenhuma palavra, o jovem retira o pedaço de gelo prendendo a perna dela ao chão e rapidamente congela a ferida.
"Eu ia matar eles, seu arrombado !" — Boreanis diz, bravo. Ele cobre seus braços com gelo, avança rapidamente na direção do jovem e o soca.
Ainda de costas para ele, Alucard cria uma katana e se defende do soco.
"Grr ! Vamos ver se você vai continuar se achando quando eu quebrar todos os ossos no seu corpo, seu merdinha !" — Boreanis exclama, furioso. Ele força mais. De repente, o impossível acontece. Uma minúscula rachadura aparece no gelo cobrindo o punho dele. O Viridy pula para trás, mais confuso do que surpreso. "E-Eh !? Não… Eu tô imaginando coisas. É, deve ser isso..."
"Eu retiro o que disse. Você não é tão imprestável assim." — Kala diz, aliviada.
"O... Obrigada..." — Anne diz.
Alucard ajuda Nyra a se levantar e olha nos olhos dela com um olhar gentil e orgulhoso, enquanto faz carinho em sua cabeça. "Fez bem em aguentar por tanto tempo. Estou orgulhoso de você."
Mesmo com toda a dor que está sentindo, isso faz Nyra sorrir. "Brigada, irmãozão."
"Tirem ela daqui. Eu lido com aquela escória." — Alucard diz.
"Escuta aqui, filho da puta ! Não sei que truquezinho você fez, mas-" — Boreanis cobre seus braços com gelo e se defende de um ataque de Alucard, que aparece rapidamente na frente dele, com uma expressão de pura furia em seu rosto e fumaça saindo de sua boca, por causa do frio.
O jovem força mais sua katana. A lâmina começa a rachar quanto mais força ele aplica.
"Hah ! Uma vez um inseto, sempre um inseto." — Boreanis dá um sorriso convencido. "Sua raça inferior nunca vai aprender seu lugar é abaixo-" — Uma rachadura aparece no gelo dele. O Viridy se desespera e cria uma onde de espinhos e gelo para frente, mas Alucard desvia, com um pulo para trás. "I... Isso não é possível ! M... Meu gelo não pode ser quebrado... NUNCA foi quebrado !"
O jovem continua a não esboçar nenhuma expressão que não seja ódio. Ele concerta sua katana e começa a correr na direção de Boreanis rapidamente. O Viridy também corre. Alucard se defende de um ataque com sua katana. Ele cria outra lâmina e se defende de um ataque de outra garra de Boreanis. Os dois começam a trocargolpes rápidos e precisos, até que chegam em um empasse e começam a forçar. O jovem fraqueja e o Viridy aproveita a oportunidade para dar uma cabeçada nele, o jogando para trás violentamente. Alucard finca suas katanas no chão, se recuperando, sua testa sangrando com o golpe. Ele volta a correr na direção de Boreanis.
"Peste desgraçada ! Por que não morre de uma vez ?!" — Boreanis põe suas mãos no chão e cria espinhos no chão.
Alucard desvia desses espinhos de maneira hábil. Então, ele pula por eles, também pulando por cima de Boreanis, cria um pedaço de gelo para se segurar em uma parede acima e rapidamente se joga no Viridy, acertando um golpe de raspão no braço dele que causa uma ferida.
Boreanis desvia de um ataque e se joga para trás, se afastando. Ele acaba fincando uma de suas pernas em um de seus espinhos. "Ugh ! Desgraçado-" — O Viridy rapidamente cria uma barreira de gelo e se defende de um golpe de Alucard. "Seu verme insignificante ! Eu vou te esmagar-" — Uma rachadura também aparece nesse gelo. "I-Isso não é possível !"
Mais e mais a rachadura se abre, até que Alucard quebra a barreira. Boreanis está tão incrédulo que acaba não desviando do ataque, e o jovem o soca no rosto com força. Antes que o Viridy fosse jogado para trás, Alucard agarra sua perna e soca sua nuca com força, afundando a cabeça dele no chão. Então, ele gira Boreanis e o joga contra uma parede. Antes que ele pudesse se recuperar, Alucard pega sua cabeça e começa a arrastá-lo violentamente pela parede, a quebrando por onde arrasta. O jovem joga o Viridy em uma casa, a derrubando em cima dele.
Ymir está segurando Karma em seus braços, voando sobre o castelo arruinado.
A Zenith solta um suspiro, aliviada. "Essa foi por pouco... Ainda bem que você consegue voar."
O príncipe parece estar com um pouco de dificuldade para voar. "Ugh... Você certamente ganhou um pouco mais de peso..."
"Agora não é hora pra isso, Ymir." — Karma diz, segurando sua raiva.
"C-Claro que estou dizendo isso como uma brincadeira. É por causa das minhas feridas." — Ymir diz, nervoso.
"Grr ! Seus sacos de carne desgraçados ! Ainda vivem ?!" — Fafnir rosna.
"Nós nunca seremos derrotados por seres malignos como você !" — Ymir exclama.
Karma é segurada por uma mão só. Com sua mão livre, ela pega uma de suas pistolas e começa a atirar. Suas balas não passando de um incômodo graças a pele e escamas grossas de Fafnir.
"Tch. Se eu conseguisse chegar perto o suficiente pra usar a Yoko…" — Karma murmura, irritada.
O D.E.V.I.L bate suas asas, criando uma forte ventania. Ymir luta contra, mas suas asas estão machucadas demais para aguentar e ele e Karma acabam sendo jogados em cima de uma construção.
Karma se levanta, mas acaba caindo. "Ugh !" — Ela torceu seu tornozelo. "Agora não, corpo idiota." — Mesmo no chão, a Orgen atira em Fafnir.
Ymir está caído. Algumas de suas penas douradas estão espalhadas pelo chão. Suas asas estão em péssimo estado, um pouco de carne pode ser visto. "Eu não vou cair… tão fácil... assim... !" — Quando ele percebe, Fafnir está com um enorme pedaço da rua em suas garras.
Boreanis se recupera e sai dos destroços. Ele põe a mão em seu rosto ensanguentado, como se fosse a primeira vez que vê seu sangue desde que nasceu. "Ugh ! Mas que porra ! Eu vou congelar sua pele e arrancar ela fora pedacinho por pedacinho, SEU FILHO DA PUTA !"
Uma nevasca de gelo prata começa. As construções começam a congelar rapidamente, assim como Alucard. Mas o jovem consegue quebrar o gelo formando em si. Logo, a nevasca se torna tão densa que nada pode ser visto. Não que isso importe, já que as pálpebras do jovem se congelam juntas, o cegando. Ele abaixa sua cabeça, assume uma posição de defesa com suas katanas e começa a murmurar algo, como se estivesse contando. Alucard ouve passos vindo de uma direção e se defende de um golpe.
A voz de Boreanis ecoa pelo local. "Tch. Eu admito que você não é um humano normal. Mas um inseto maior que os outros continua sendo um inseto."
O jovem o ignora, voltando a murmurar. Ele ouve mais passos e se defende novamente, mas o golpe o acerta por outro lado, fazendo um corte profundo em seu braço. Sangue começa a derramar.
"Tá achando que eu sou idiota ? Se você tá ouvindo de onde eu tô chegando, só preciso não pisar no chão." — Boreanis diz.
De repente, Alucard sofre outro ataque, causando outra ferida. Mais um. Outro. Mais outro. O jovem sofre diversos ataques silenciosos, mas, mesmo com seu corpo completamente ensanguentado, continua parado. Ele consegue desviar de um ataque, mas acaba sendo uma distração e Boreanis enfia sua mão na barriga do jovem, que cospe muito sangue no Viridy.
"Eu avisei. Um inseto não deixa de ser um inseto, independente de quanto trabalho dê para matar." — Boreanis diz, menosprezando Alucard com um sorriso sádico em seu rosto. Ele começa a torturar o jovem mexendo em seus órgãos. "Que órgão será esse ? Será que é importante ? Será que você consegue viver sem ele ? Vamos descobrir~"
Mesmo com todas as feridas, sangue, e a tortura, Alucard levanta sua cabeça e continua apenas com ódio em seu rosto.
Lentamente, expressão sádica some do rosto de Boreanis e se torna desgosto. "Depois de tudo isso, você ousa se achar superior ?! EU VOU ACABAR COM VOCÊ, VERME DESGRAÇADO !" — Tomado por fúria, ele... não faz nada. O Viridy tenta esmagar um órgão, mas não consegue fechar sua mão. Assim que percebe, Boreanis não consegue mexer seu corpo inteiro. "Q-Q-Que merda tá acontecendo !? O-O-O que você fez comigo !?"
Alucard retira o braço de Boreanis de seu estômago e se aproxima dele, lentamente.
"N... Não ! Sai de perto de mim !" — Boreanis suplica, aterrorizado. A única coisa que consegue mexer são seus olhos e sua boca. Sem que percebesse, uma lágrima começa a escorrer de seu rosto. O Viridy começa a chorar. "P-P-Prometo que nunca mais olho na sua cara ! E-Eu não quero morrer... !"
Alucard se aproxima mais, até que fica cara a cara. O jovem força seus olhos a abrirem, e ele acaba chorando sangue. Alucard olha profundamente nos olhos inchados de Boreanis e abre sua boca para dizer um simples "Boo". Isso é o suficiente para fazer o Viridy se assustar tanto que acaba se mijando e desmaiando. O jovem cai de costas e começa a fechar seus olhos novamente. A nevasca começa a desaparecer.
Yselda e Vidofnir vêem toda essa luta acontecer, na distância. A menina Zenith está tremendo. Não por causa do medo, mas sim, incerteza, indecisão.
A mulher Zenith põe a mão em seu ombro e olha nos seus olhos com uma expressão de preocupação, mas determinação. "Faça o que precisa ser feito. Eu vou estar te esperando aqui. Sempre."
"Mas..." — Vidofnir vê a determinação nos olhos de sua mãe e não termina sua frase. Ela dá um sorriso gentil e vai embora, correndo.
Propulsores se abrem nos braços de Iron Maiden e o autômato se levanta. Compartimentos se abrem nos braços e pernas do colosso e mísseis são lançados em Fenrir. O D.E.V.I.L consegue desviar de alguns, mas, quando vê que não vai desviar dos outros, cria uma barreira e gelo em volta de si. Usando seus propulsores, Iron Maiden se move para perto da barreira com uma velocidade impressionante para seu tamanho. O colosso enfia suas mãos no gelo e começa a abri-lo. Fenrir desvia de um ataque, mas acaba tendo de sair da barreira e é acertado pelo mísseis. Iron Maiden se aproxima do D.E.V.I.L, o pega pelo pescoço e começa a batê-lo no chão repetidamente. O colosso para, cria uma lâmina de energia em sua mão e se prepara para dar o golpe final. De repente, uma rajada de agulhas vermelho carmesim o acerta. Iron Maiden ergue sua barreira de energia novamente.
Um guincho estridente pode ser ouvido. No céu, voando acima da luta, está um pássaro majestoso, um pouco maior que o lobo, de penas douradas reluzentes e exuberantes, com detalhes vermelho carmesim, olhos verdes, como esmeraldas gigantes, pernas longas, apêndices pretos longos nas asas, como chicotes, e um tufo de penas também vermelho carmesim em seu peito. Esse pássaro dá um rasante rápido no colosso, mas é impedido pela barreira. O autômato segura as garras do pássaro, abre um compartimento no seu peito e começa a carregar um lazer. Fenrir se recupera e joga seu corpo contra a barreira. Isso desestabiliza Iron Maiden e faz o autômato errar o lazer, que acerta uma montanha e abre um buraco nela.
O pássaro se solta de Iron Maiden e começa a voar. O colosso soca o chão, fazendo pedras se erguerem na direção de Fenrir, que pula para trás e se desvia. O autômato dispara mais mísseis, que começam a seguir o pássaro, e volta sua atenção para o D.E.V.I.L. Iron Maiden enfia suas mãos no chão e joga mais pedras em Fenrir, que facilmente se desvia delas e de um soco do colosso, quando se aproxima, e revida com uma cabeçada em seu peito, que faz o autômato perder o balanço. O D.E.V.I.L prepara outro ataque, mas Iron Maiden se estabiliza com seus propulsores e usa eles para impulsionar um soco na cabeça de Fenrir. Um soco tão forte, que afunda a cabeça do D.E.V.I.L no chão e cria uma cratera. O colosso pega Fenrir pelo pescoço, levanta seu corpo fraco e o eleteocuta.
Independente do quão rápido a criatura voe, os mísseis continuam a seguindo e se aproximando cada vez mais. O pássaro cria mais das agulhas vermelhas e as atira nos mísseis. Elas destroem a maior parte, mas um míssil acaba escapando e acerta o pássaro em cheio no peito, causando uma grande explosão. A criatura começa a cair. Enquanto cai, vê Fenrir ser eletrocutado e Iron Maiden abrindo o lazer em seu peito. Juntando suas forças, o pássaro se recupera e avança na direção do colosso. Mas, em vez de atacá-lo, a criatura toma o lugar de Fenrir e recebe o lazer diretamente no seu corpo à queima roupa, sendo jogada em Yahren e explodindo.
Fenrir percebe que Iron Maiden precisa recarregar depois de disparar e, nesse breve momento, consegue se soltar. O D.E.V.I.L morde um braço do autômato e o arranca fora. O colosso soca Fenrir novamente, mas o D.E.V.I.L se esforça ao máximo para aguentar e enfia sua pata dentro do buraco do braço que arrancou. Iron Maiden começa a congelar de dentro para fora e implode.
Fenrir é pego na explosão e jogado para longe. Seu corpo cai, sem esforços para se levantar. Lentamente, ele começa a voltar ao normal. "…Ugh... Parece que... me esforcei… um pouco demais..." — O mordomo começa a se rastejar até a cidade, com o resto de forças que sobraram. "…J... Jovem mestre... Alucard..." — Fenrir desmaia.
Pouco a pouco, as nuvens negras começam a se limpar. Os raios de sol voltam a aparecer. Uma multidão está em volta do corpo do pássaro, caído no meio da cidade destruída. O pássaro também começa a lentamente voltar ao normal e se transforma em Vidofnir, não inconsciente, mas muito fraca para se mexer. Uma pessoa pega uma pedra e joga nela. Mais pessoas fazem isso. Elas começam a linchar a menina Zenith com qualquer lixo e objeto que conseguem encontrar por perto.
"Monstro !" — Uma Viridy coelha exclama.
"Criatura nojenta ! Abominação !" — Um Ürok exclama, jogando uma pedra que acerta a testa dela em cheio.
Sangue começa a escorrer da ferida. "…P... Por quê… ? Por que eu... não posso... ser aceita... ?" — Tomada pela rejeição e desespero, Vidofnir não pode fazer nada que não seja chorar.
"PAREM !!!" — ??? grita. Yselda aparece e se joga em Vidofnir sem pensar duas vezes, a protegendo com seu corpo.
"…Y... Ysel... da... ?" — Vidofnir diz, surpresa.
A mulher Zenith faz carinho na cabeça dela, com lágrimas em seus olhos e um sorriso em seu rosto. "Shh... Vai ficar tudo bem. Eu prometi que sempre estaria aqui por você, não prometi ? Não precisa se preocupar." — Uma pedra acerta cabeça dela, mas Yselda continua com seu sorriso no rosto.
As pessoas lincham um pouco mais, mas param quando percebem a presença de Yselda.
"Sai daí, moça do pão ! A gente vai acabar com essa coisa nojenta !" — Um Zenith diz.
"Coisa nojenta ?! Como vocês têm coragem de fazer uma coisa dessas ?!" — Yselda se levanta e abre seus braços, ainda protegendo Vidofnir. "Se quiserem jogar mais coisas, vão ter de jogar em mim !"
"A gente não quer te machucar." — A Viridy coelha diz.
"Mas têm coragem de machucar ela ?!" — Yselda exclama, furiosa.
"Mas ela é uma-" — O Ürok diz, sendo interrompido por Yselda.
"Uma o quê ?! Uma pessoa inocente ? Uma cidadã dessa cidade, assim como todos nós ?" — Yselda pergunta. "Vidofnir não pediu para nascer uma D.E.V.I.L, mesmo assim, ela foi criada. Vocês realmente vão julgar alguém pelas condições de nascença dessa pessoa ? Eu conheço muitos de vocês que nasceram em condições baixas ou foram criminosos. Mesmo assim, abandonaram seu passado em busca de uma vida melhor, e acabaram se vendendo por um pedaço de esperança falso. Enquanto isso, tudo que ela sempre quis foi poder ficar em um lugar onde não seria julgada, onde pudesse ser feliz. Se ela não tivesse absorvido a explosão com o próprio corpo, metade dessa cidade teria sido destruída. Mesmo sendo caçada dia após dia por incontáveis exércitos, Vidofnir se agarrou nessa esperança por séculos, até que finalmente foi acolhida aqui. Desde então, ela vem fazendo o máximo que pode para ajudar o máximo de pessoas que consegue. Todas as manhãs, ela acorda, me ajuda no trabalho e vai dormir. Uma rotina tediosa que todos vocês iriam odiar, mas que ela sempre sonhou em ter e sempre faz com um sorriso no rosto. Então, o que faz dela tão diferente de vocês ? O que faz dela mais especial ? O que faz dela menos especial ?"
A multidão está quieta. Uma ou duas pessoas ameaçam jogar mais pedras, mas desistem. A multidão larga suas pedras e começa a ir embora, murmurando.
"…Yselda..." — Vidofnir diz.
"Eu falo deles, mas também sou culpada..." — Yselda diz, com remorso em seus olhos. "Tenho uma confissão para fazer." — Ela se senta ao lado de Vidofnir e respira fundo. "No fundo, eu sei que você não é minha filha. Só estava te usando para poder ficar perto da minha filha de verdade. Quando vi você pela primeira vez depois de tudo que aconteceu, senti um ódio ainda maior que o deles. Eu queria te destruir. Acabar com a sua vida com as minhas próprias mãos, pelo desrespeito que você teve com o corpo da Linne."
"…T... Tudo bem... estou acostumada... com mentiras..." — Vidofnir diz, fingindo não estar triste.
"…Daí, você me chamou de mamãe. Foi falso. Extremamente forçado. Minha Linne nunca ia agir daquele jeito. Mas eu senti desespero na sua voz. O desespero de alguém que não sabia o que fazer. E, por um momento extremamente breve, eu senti pena, porque percebi que você realmente não queria me machucar. E isso foi crescendo em mim, até que toda minha raiva desapareceu e começou a virar amor. Eu realmente comecei a gostar de você como uma filha de verdade." — Yselda diz. Ela dá uma leve risada. "É estranho. Às vezes, quando imagino o que aconteceria se eu tivesse agido naquele dia, a imagem da Linne vem na minha cabeça, brigando comigo por te machucar. Vocês seriam boas amigas, se pudessem se conhecer."
"...P... Posso te fazer... uma pergunta... ?" — Vidofnir pergunta.
"Claro, querida." — Yselda sorri.
"…P... Posso te chamar… de mãe... ? De verdade... Não como... uma farsa..." — Vidofnir diz.
"Aw~ Mas é claro que pode. Eu ia amar isso mais do que tudo nesse mundo." — Yselda diz, dando um sorriso honesto. "Agora, descanse bem para a sua regeneração entrar em efeito logo. E não precisa se preocupar. Não vou sair do seu lado nem um segundo."
Vidofnir força o melhor sorriso que consegue. "…Obrigada... mãe…"
Kuzuha pula para trás, desviando de uma vinha que sai do chão. Ele faz isso mais algumas vezes, até que elas param.
"Fique parado para que eu possa eliminá-lo." — Grieth diz seu tom monótono como sempre.
"C-Como é que você consegue dizer uma coisa dessas com essa cara de paisagem !?" — Kuzuha exclama, enquanto desvia de mais ataques. Uma das vinhas pega a perna dele, fazendo Kuzuha cair.
Grieth começa a se aproximar. "Tudo que preciso fazer é tocá-lo uma vez e será transportado para seu subconsciente, onde irei lhe torturar com suas piores memórias."
O delinquente bate várias vezes na vinha com sua espada, até que consegue cortá-la e se afasta da Orgen. "Valeu pela dica, mas isso não vai rolar."
"Não foi uma dica, mas sim, um aviso. Eu vou tocá-lo. Você irá sofrer." — Grieth diz.
"Uh... Eu acho melhor você refazer essa frase aí…" — Kuzuha diz, um pouco envergonhado.
"Silêncio." — Grieth faz alguns movimentos com suas mãos, cercando Kuzuha com vinhas, e outros movimentos, fazendo essas vinhas começarem a se fechar.
Kuzuha consegue se jogar para fora antes que as vinhas o prendessem. "Quase... Só preciso segurar por mais um tempinho, até todo mundo conseguir terminar o que estiverem fazendo." — Ele nota algo. "Heh, meu cérebro me impressiona, de vez em quando." — O delinquente começa a correr.
"Sua tática é inútil. Correr apenas prolonga o inevitável." — Grieth diz.
"Só pra você saber, eu tô te distraindo pros meus amigos poderem acabar com tudo !" — Kuzuha diz.
"Eu sei muito bem disso. Você é que ainda não percebeu que eu estou sempre um passo à frente." — Grieth diz.
Uma vinha escondida atrás de uma mureta se agarra na perna de Kuzuha, o derrubando no chão com um baque alto. O delinquente deixa sua espada cair. Ele tenta se levantar, mas outra vinha segura sua outra perna. Grieth se aproxima mais e mais, até que o alcança. Ela se abaixa e se prepara para encostar no rosto dele. Kuzuha dá um sorriso confiante. Ele soca uma viga velha perto. Essa viga de madeira velha e gasta se rompe, fazendo uma parede de blocos robustos desmoronar em cima de Grieth.
A vinha no pé de Kuzuha desaparece. "Desculpa aí, mas foi necessário. Prometo que aviso pra alguém vir te ajudar !"
Algo agarra a perna dele novamente. Foi Grieth. As vinhas protegeram ela e a tiram dos escombros. "Patético."
Kuzuha cai em um joelho, depois no outro. Ele começa a soar frio. Sua visão começa a ficar turva e se escurecer. O delinquente tenta dizer alguma coisa, mas um nó em sua garganta não deixa. Ele tenta vomitar. Nada sai. Kuzuha tenta lutar contra seu sofrimento, mas infelizmente seu corpo fica mole e se entrega. Sangue começa a escorrer pelo seu nariz e seu olhos começam a virar, enquanto ele sofre espasmos no chão. Depois de sofrer intensamente por alguns segundos, o delinquente finalmente desmaia.
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