Devil Slayer Chronicles
26 A chama vermelha da justiça
Notas iniciais
Está tarde, quase noite. Kuzuha, ainda criança, está sentado em frente à um lago, jogando pedras nele. "…Mamãe… Papai… Tô com saudade…"
Uma das pedras acerta o reflexo dele. O pequeno delinquente põe a cabeça entre as pernas e começa a chorar.
"Seu saco de carne patético desgraçado ! Você não tem mais nada a perder ! Me entregue esse corpo !" — Draugr exclama.
"Ei ! Para de falar palavrão ! Isso é feio !" — Kuzuha reclama, bravo.
Uma pedra acerta a água, que acaba respingando nele.
"Eh… ?" — Kuzuha olha para trás e vê um garoto um pouco maior que ele de cabelo e olhos pretos, vestindo uma camiseta cinza, um shorts verde escuro e chinelos.
"Ei ! Qual é a sua ?!" — O garoto pergunta, bravo.
"Vai embora, Hiro..." — Kuzuha diz, triste.
Hiro se senta ao lado dele. "Mamãe tá procurando você."
"Fala pra ela que eu não vou voltar." — Kuzuha reclama, fazendo birra.
O garoto solta um suspiro. "Qual é, Kuzu. Você não pode ficar assim pra sempre."
"Tem que ter um jeito de trazer meus pais de volta !" — Kuzuha diz. "E nem vem me dizer que é impossível ! Ninguém sabe o motivo do meu olho ser assim, e nem porque minha irmã é doente ! Então, nada é impossível ! Além disso, a tia não é minha mãe, pra mandar em mim."
"Não é sua mãe, mas você me chama de irmão." — Hiro diz.
"Você é diferente. Não tem como eu ficar bravo com você." — Kuzuha diz.
"Vô descobrir isso agora." — Hiro diz.
"Eh-" — Kuzuha diz, se interrompendo quando Hiro o pega pelo braço e começa a arrastá-lo. "Ugh ! M-Me solta !"
"Foi mal, mas tá ficando tarde e a gente tem de voltar pra casa." — Hiro diz.
Minutos depois. Kuzuha e Hiro estão parados em uma porta.
"Chato." — Kuzuha diz, emburrado.
Hiro bate na porta.
Rinko a abre. Ela solta um suspiro, aliviada. "Que bom que você encontrou ele, filho."
"Não é tão difícil assim, ele sempre vai pro mesmo lugar." — Hiro diz.
"Kuzuha ! Você não pode ficar na rua até essas horas !" — Rinko repreende.
"Nem ligo." — Kuzuha diz.
"Ei ! Deixa de ser idiota ! Mamãe só tava preocupada com você !" — Hiro reclama.
"Deixa, filho." — Rinko solta outro suspiro. "O que importa é que você tá bem. Vem, vamos entrar."
Kuzuha se senta na frente da porta e cruza os braços, fazendo birra. "Eu não vou sair daqui ! Humpf !"
"Para com isso-" — Hiro diz, sendo interrompido por sua mãe.
"Deixa, filho." — Rinko diz.
"M-Mas, mamãe !" — Hiro diz.
"Você não devia se preocupar tanto. Agora, seu eu fosse ele, aí sim ficaria preocupada." — Rinko diz.
"Eh ?" — Kuzuha e Hiro dizem, confusos.
"Sabia que, à noite, um monstro anda por essas redondezas pegando criancinhas como você e devorando elas inteiras ?" — Rinko pergunta. "Inclusive, ele arranca a pele delas primeiro, daí come osso por osso… Mas já que você é tão corajoso, não vai ter problema com isso. Vamos, filho."
Os dois entram.
"E-Eu não tenho medo de monstros !" — Kuzuha diz, claramente com medo. Ele escuta um barulho em uma lata de lixo.
Dentro da casa.
"Você é malvada, mamãe ! Por que contou isso pra ele ?" — Hiro pergunta.
"…Três… Dois… Um…" — Rinko conta.
O pequeno delinquente começa a bater na porta rapidamente. "T-Tia ! Foi mal ! Me deixa entrar, por favor !"
"…Você é muito maldosa..." — Hiro diz.
Rinko abre a porta.
Kuzuha cai dentro da casa. "Ugh !" — Ele se levanta.
"Agora, vão tomar um banho, e depois dormir. Amanhã, VOCÊS têm aula." — Rinko diz.
"E-Eu também !?" — Kuzuha pergunta, surpreso.
A diretora concorda. "Exatamente. Consegui uma vaga na escola que trabalho como diretora. Você começa amanhã." — Ela se ajoelha, ficando na mesma altura que Kuzuha, e olha nos olhos dele. "Escuta, eu sei que você recebeu aulas em casa até agora, então vai ser um pouco difícil de se acostumar. Mas eu tenho certeza que você vai gostar."
"Legal ! A gente vai estudar junto, Hiro !" — Kuzuha diz, animado.
"Uh… Você se acostuma rápido..." — Rinko diz.
"Claro que não, idiota. Eu sou um ano mais velho que você." — Hiro diz. "Mas nossas salas são perto uma da outra."
"Maneiro ! Eu vou fazer um monte de amigos !" — Kuzuha se anima ainda mais.
"Pode apostar que vai. Eu posso te apresentar pros meus amigos, no recreio." — Hiro diz.
"Vocês conversam depois que tomarem banho." — Rinko diz.
"Tá bom…" — Kuzuha e Hiro dizem.
No dia seguinte. Kuzuha e Hiro estão na frente da escola.
"Hiro, leva seu irmão pra sala. Eu tenho que ir pra diretoria." — Rinko diz.
"Tchau, mamãe ! Bom trabalho hoje. E pode deixar comigo." — Hiro diz.
"Tchau, meus lindinhos~♥" — Rinko dá um beijo na testa dos dois e vai embora.
O pequeno delinquente e o garoto entram na escola. Os alunos estão olhando para os dois pelo canto dos olhos e cochichando.
"Hora de fazer amigos !" — Kuzuha diz. Ele se aproxima de uma garota e se apresenta. "Oi, meu nome é Kuzuha. Esse lugar é grandão, né ?"
"Você tá doente ?" — A garota pergunta.
"Não... ?" — Kuzuha diz, confuso. "Ah ! Esse meu olho é assim desde que eu nasci."
"Eca ! Eu não quero pegar isso." — A garota diz, enojada. Ela vai embora.
"M-Mas eu disse que não tô doente..." — Kuzuha diz. Ele começa a andar e acaba esbarrando em uma garota de cabelo longo ruivo, olhos verdes, com sardas no rosto, vestindo o uniforme da escola e usando óculos redondo vermelho. "O-Opa ! Foi mal !"
A garota ruiva encara ele. "…Olho estranho… Você… Estranho..." — Ela vai embora rapidamente.
O pequeno delinquente olha a garota ir. "Woah... Ela é bonita…"
Algumas garotas começam a cochichar.
"Você viu aquele garoto novo ?" — Uma garota loira pergunta.
"Ele veio com o Hiro, né ? Deve ser aquele irmão que ele disse que tem. Aquele que sobreviveu aquela explosão." — Uma garota morena diz.
"Será que ele é um mutante ?" — A garota loira pergunta.
"O Hiro disse que a irmã dele também é doente. É melhor a gente falar pra todo mundo que ele é doente. Vai que pega na gente, né." — A garota morena diz.
Hiro se aproxima do seu irmão. "Tudo legal ?"
"Claro. Fala onde fica minha sala que eu vou lá." — Kuzuha diz.
"Sua sala é o 5-A. Fica lá em cima." — Hiro diz.
"Valeu !" — Kuzuha vai embora.
Minutos depois, na sala de aula.
Kuzuha está sentado em seu lugar. "Eu preciso achar alguém pra virar meu amigo, não quero perder pro Hiro !"
"Turma, hoje nós temos um aluno novo conosco." — A professora diz. "Kuzuha, gostaria vir aqui e se apresentar ?"
O pequeno delinquente se levanta, vai até a lousa e escreve seu nome. Ele limpa sua garganta. "Oi ! Meu nome é Kuzuha ! Bom, na verdade, é Kuzuha Solace Allwise, mas minha mãe me chamava só de Kuzuha Solace ! Eu gosto de, uh… vários animais. Minha mãe trabalhava com animais. Gosto de abacaxi, gosto de azul, gosto de coisas salgadas, e adoro fazer amigos. Eu quero ser amigo de todos vocês e ser um rei, quando eu crescer !"
"Muito bem. Agora, alguém tem alguma pergunta ?" — A professora pergunta.
Vários alunos levantam a mão.
"Eu tenho, professora !" — Um garoto moreno diz. "Esse demônio vai estudar com a gente por muito tempo ?"
"…Eh… ?" — Kuzuha diz, confuso e um pouco desapontado.
A professora repreende o aluno. "Takeshi ! Isso não é jeito de se falar com seu colega."
"Professora, por que vai deixar essa coisa nojenta estudar com a gente ? Ele é esquisito. E doente." — Uma aluna ruiva diz.
"Olha pro olho dele, professora ! Ele é um demônio !" — Um aluno loiro diz.
Os alunos começam a falar mal de Kuzuha.
"Parem com isso ! Se não, eu chamo a diretora !" — A professora diz, brava.
Eles continuam.
"Vocês pediram por isso !" — A professora se levanta.
A garota em que Kuzuha esbarrou entra pela porta, carregando alguns livros debaixo de um braço. Todos param.
"Oh. Satsuki. Olá." — A professora diz.
"…Biblioteca..." — Satsuki diz, baixinho.
"Como sempre. Uma aluna tão exemplar, de poucas palavras e com apenas dez anos. Realmente, um dos maiores orgulhos desta escola." — A professora diz, orgulhosa. "Pode se sentar, por favor."
Satsuki vai para seu lugar, encarando Kuzuha pelo canto dos olhos. "…Olho estranho…"
"Vai pro seu lugar, Kuzuha. Eu preciso ir falar com a diretora." — A professora diz. Ela sai da sala.
"Eu… Eu ainda consigo fazer amigos." — Kuzuha pensa, esperançoso. Ele vai para seu assento. Quando vai se sentar, alguém puxa a cadeira. O pequeno delinquente acaba caindo e batendo sua cabeça na mesa. "Ugh !" — Kuzuha se levanta, pega a cadeira de volta e se senta. "Ahahaha ! Boa piada. Vocês são engraçados. Querem ser meus amigos ?"
"Eca ! Não olha pra mim, seu demônio nojento !" — Uma aluna loira reclama.
"F-Foi mal. Ehehehe..." — Kuzuha diz, sem saber o que fazer. Ele olha para frente, nervoso.
Do lado dele está Satsuki. Ela está lendo um livro.
"E-Eu não tinha visto ela do meu lado !" — Kuzuha olha para a capa do livro. "'O Mundo de Sofia. Um livro sobre… filo… sofia… ?' O que é filososofia ? Deve ser alguma coisa de comer. Agora é minha chance." — O pequeno delinquente limpa sua garganta. "É-É... E-Esse livro é-é legal ?"
A garota continua lendo o livro, o ignorando.
"É-É melhor e-eu não te i-interromper, né ? F-Foi mal." — Kuzuha diz, envergonhado. Ele volta a olhar para a frente. "Meu coração tá batendo muito rápido. Depois, eu vou orar para Deus e ver se ele me ajuda a virar amigo dela." — Uma bolinha de papel acerta a cabeça dele. "Eh ? Deve ser alguém pedindo pra ser meu amigo, tipo naqueles desenhos da TV." — O pequeno delinquente abre o papel.
Nele, está escrito em vermelho: "Era melhor você não ter nascido. Some daqui, aberração."
Ao ler isso, Kuzuha começa a tremer um pouco. Ele respira fundo, se acalmando, e se vira com um sorriso. "M-Muito obrigado, quem mandou isso aqui. A-Acho que agora s-somos amigos, né ? Ehehehe..." — O pequeno delinquente olha para o lado e vê Satsuki olhando para ele pelo canto do olho.
Quando percebe que foi vista, ela esconde seu rosto no livro.
"Ela é bem tímida… e fofa." — Kuzuha pensa, envergonhado.
Um garoto mais forte que os outros dá um tapa na cabeça de Kuzuha. "E aí, Demônio. Tá afim de ser meu amigo ?"
"Ugh ! Precisava disso ?" — Kuzuha pergunta.
"Você tá me desafiando ?!" — O garoto ameaça Kuzuha.
"N-Não ! Eu quero ser seu amigo." — Kuzuha diz. "Somos amigos agora ?"
"Não. Você precisa fazer o que eu mandar por um ano inteiro pra sermos amigos." — O garoto diz.
"M-Mas isso é muito tempo-" — Kuzuha diz, sendo interrompido quando o garoto bate a mão na mesa dele. "T-Tá bom."
"Ótimo. Eu quero uma água. Vai pegar." — O garoto diz.
"B-Beleza…" — Kuzuha se levanta.
"Mais rápido !" — O garoto empurra Kuzuha.
Kuzuha anda mais rápido e sai da sala.
Segundos depois. Satsuki fecha seu livro com força, fazendo um barulho alto, e solta um suspiro. "…Ar fresco..." — Ela também sai da sala.
Kuzuha está caminhando pelo corredor com um copo em mãos. Ele passa pela diretoria. "Será que a tia tá bem ? Dá pra ver. É aqui que ela fica, eu acho." — O pequeno delinquente volta e começa a abrir a porta, mas para, quando escuta uma conversa.
"Eu sei disso, mas por quanto tempo vai durar ?" — A professora pergunta.
Rinko solta um suspiro. "Você leciona muito bem. Tenho certeza de que consegue lidar com um bando de crianças descontroladas. Logo, elas esquecem."
"Não é com as crianças que eu vou ter que lidar. Aquele garoto fez alguma coisa com elas. Eu sei que você é a guardiã dele e tudo mais, mas tem certeza de que não tem nenhuma radiação ou doença esquisita nele ? Ele pode não ter sido testado direito. Que tipo de médico se vai para ver uma coisa dessas ?" — A professora diz.
Kuzuha decidi não continuar ouvindo a conversa e vai embora. Ele chega em um bebedouro. "…Eu tenho que levar essa água, rápido." — O pequeno delinquente diz para si mesmo, tentando não pensar demais nas coisas. De repente, ele sente uma dor em sua cabeça e deixa o copo cair.
"…Mate todos…" — ??? sussurra.
"Ah ! É você, voz da minha cabeça." — Kuzuha diz.
"…Mate todos eles…" — Draugr sussurra.
"Eu não posso, lembra ? Mamãe e papai sempre me disseram que machucar gente não me dá amigos. E se eu não tiver amigos, não posso ser rei." — Kuzuha diz.
"Grr ! Sua prisão de carne patética ! Você sabe que precisa matá-los ! Construa um trono com o cadáver daqueles que lhe humilharam ! Me liberte e eu farei isso para você !" — Draugr reclama, bravo.
"Não, eu não quero." — Kuzuha diz.
"Você quer, e você vai !" — Draugr reclama.
Kuzuha começa a se irritar. Algumas brasas brancas começam a sair do punho dele.
"Não vou !" — Kuzuha reclama, bravo.
"VOCÊ VAI !" — Draugr grita.
"EU NÃO VOU !" — Kuzuha grita, furioso.
O bebedouro, e a parede em que ele estava encostando, imediatamente derretem. O cano estoura e o alarme de incêndio começa a tocar. Kuzuha se desespera e procura um lugar para se esconder. Ele vê Satsuki correndo para um corredor e segue ela. O pequeno delinquente corre, até entrar em uma porta que Satsuki também entrou. Ele está em uma sala cheia de papéis. Não há ninguém no local. A porta se fecha sozinha.
"E-Eh !?" — Kuzuha tenta abrir a porta, assustado, mas não consegue. Quando se vira, Satsuki está extremamente perto dele. O pequeno delinquente pula para trás, ainda mais assustado. "A-Assombração !"
Satsuki se aproxima ainda mais dele e começa a cheirá-lo. Ela a cutuca Kuzuha algumas vezes.
"Uh... O-Oi... ?" — Kuzuha diz, confuso e envergonhado.
A garotinha para. "…Você..."
"A-Agora é minha chance." — O pequeno delinquente engole seco e respira fundo. "V-Você é bem bonita e fofinha."
"…Você… não tem água…" — Satsuki diz.
"…Eh ? Ah ! Tá tranquilo." — Kuzuha diz.
"…Mas... vão te bater..." — Satsuki diz, confusa.
"Nah. Nem ligo. Pode não parecer, mas é bem difícil de me machucar." — Kuzuha diz.
Satsuki começa a se concentrar. De repente, um copo e uma jarra começam a levitar. Eles se aproximam de Kuzuha, a jarra enche o copo com água e volta para o lugar.
"Whoa…" — Kuzuha diz, maravilhado. "Como você fez isso ?"
"…Eu sou mágica... igual você..." — Satsuki diz. "…Mexo coisas com a mente..."
"Por que você fala tão baixo assim ?" — Kuzuha pergunta.
Satsuki se envergonha. "…Desculpa... É que-" — Ela cobre sua boca com uma mão e começa a tossir bem forte.
"Tudo bem ?" — Kuzuha pergunta, preocupado. Quando ele tenta se aproxima da garotinha, ela o afasta.
A garotinha finalmente para e se recupera. Há um pouco de sangue na mão que estava tapando sua boca. "Hah... Hah... Eu estou bem..."
"I-Isso aí é sangue !? Você precisa de ajuda !" — Kuzuha exclama, preocupado.
"…Não tem ajuda..." — Satsuki diz, um pouco triste.
"Como assim ?" — Kuzuha pergunta.
"…Eu nasci ruim..." — Satsuki diz. "…Papai me disse que eu sou assim por causa dos meus poderes... Se eu continuar usando eles, não vou viver por muito tempo... Por isso, quase nunca saio de casa... Comecei a vir pra escola só no ano passado... Não tenho nenhum amigo... Todo mundo me evita, como se eu fosse feita de percelana, ou, só porque sou mais inteligente que o resto, me tratam como se eu fosse diferente de todo mundo... Como se eu não fosse uma pessoa que nem todo mundo..."
"P-Por que usou seus poderes só pra pegar água !? Podia só ter me dito que eu pegava." — Kuzuha diz.
"…Desculpa... Eu confio em você..." — Satsuki diz. "…Você é especial, como eu, mas não se machuca... Como ?"
"Uh... Não sei. Eu só não me machuco." — Kuzuha diz. "Mas... meus poderes são o contrário dos seus. Você se machuca, eu machuco os outros."
"…Não tá me machucando..." — Satsuki diz.
"Eu meio que não controlo isso. Se ficar bravo demais, vou acabar machucando." — Kuzuha diz. "Você viu o bebedouro... E, pra ajudar, tem uma voz chata na minha cabeça que não para de me atormentar. E ele não gosta de você. Nem um pouco. Tá te xingando há um bom tempo."
"Ok..." — Satsuki diz, um pouco confusa. "É melhor voltarmos. Você vai primeiro."
"É... Melhor irmos mesmo." — Kuzuha diz. Ele para, antes de abrir a porta, e dá o sorriso mais sincero do mundo. "Valeu pela água." — Terminado de dizer isso, o pequeno delinquente vai embora.
Satsuki fica envergonhada. Mas isso logo acaba, quando ela tosse um pouco mais de sangue.
Kuzuha volta para a sala. Antes de entrar, ele respira fundo e abre aporta com um sorriso. "Desculpa a demora."
"Kuzuha, você não deve sair da sala sem minha permissão ! Agora, vá se sentar." — A professora diz.
"Desculpa, professora. Ehehehe..." — Kuzuha senta em seu lugar. "Eh ?"
Na carteira dele, há várias ameaças escritas, como "Vai embora, demônio !", "Ninguém te quer aqui, aberração !", "Demônios não podem viver !", "Nunca mais volte !"
"Ahahaha. Brincadeira engraçada, pessoal." — Kuzuha diz. Ele começa a fazer a lição. "Muito engraçado mesmo…"
Algum tempo depois. O sinal do intervalo toca.
A barriga de Kuzuha ronca. "Que fome !" — Ele pega uma marmita enrolada em um pano. "Ainda bem que eu tive tempo de fazer isso." — O pequeno delinquente sobe até o terraço vazio da escola. "Woah… Aqui é bem calmo mesmo, e dá pra ver tudo. Legal. Bom, hora de comer !" — Ele se senta, abre sua marmita e pega uma colher. Dentro da marmita, há um pouco de arroz e um peixe frito que definitivamente queimou um pouco. "Eu me superei nessa." — Kuzuha junta suas mãos e ora. Quando termina, se prepara para comer
Duas garotas chegam e o interrompem.
"Um demônio orando ? Essa é nova. Ahahaha !" — Uma garota alta diz.
"Minha mãe sempre falava pra eu orar, antes de fazer alguma coisa importante." — Kuzuha explica. "Ela dizia que devemos sempre sermos gratos por tudo que temos."
"E o que você tem aí ?" — Uma garota baixa pergunta.
"Isso aqui ? Eu que fiz." — Kuzuha diz.
"Então, você sabe cozinhar, demônio ?" — A garota baixa pergunta.
"Sim. Eu pesquei o peixe num riozinho perto de casa, fritei ele, fiz o arroz e juntei tudo. Deu um trabalhão." — Kuzuha explica. Ele dá um sorriso caloroso. "Bom, eu tô com muita fome, mas eu posso dividir com vocês, se quiserem."
"Nah, eu passo. Não quero pegar nenhum verme." — A garota alta diz. de repente, ela tem uma ideia. "Ei ! Eu sei um jeito divertido pra você comer isso."
O pequeno delinquente inclina sua cabeça, confuso. "Jeito divertido de comer ? Qual ?"
A garota alta joga a comida dele no chão. "Um animal como você tem que comer no chão. Ahahaha !"
"É ! Você não tem direito de agir como a gente, demônio ! Você é um animal sujo e nojento !" — A garota baixa dá uma risada sádica.
Kuzuha começa a tremer um pouco. "…M... Mas eu tive tanto trabalho pra fazer isso…"
As duas garotas ficam rindo do sofrimento de Kuzuha. De repente, alguns livros caem em cima da cabeça delas.
"O-O que é isso !?" — A garota alta pergunta, assustada.
"E-E-Ele é mesmo um demônio ! Começou a chover livros !" — A garota baixa diz.
As duas saem correndo.
Satsuki sai de trás da porta de entrada. "…Idiotas…" — Ela tosse um pouco, mas passa rápido.
Kuzuha está juntando sua comida, em silêncio.
A garotinha se aproxima. "Por quê ?"
"Por que o quê ?" — Kuzuha perguntas, confuso.
"Você é muito mais forte que eles. Podia muito bem bater em todo mundo." — Satsuki diz.
"Não é pra isso quer ser forte serve." — Kuzuha diz.
Satsuki inclina sua cabeça, confusa. "Não ?"
O pequeno delinquente nega. "Ser bem fortão não é pra machucar as pessoas, é pra proteger elas. Igual um rei."
A garotinha se anima. "Você quer ser rei ? Eu posso ser a rainha ? Deixa."
"O que é uma rainha ?" — Kuzuha pergunta.
"Eu li que é tipo um rei, só que mulher. Ela deixa todo mundo feliz, eu acho." — Satsuki diz.
"Rei mulher !? Legal ! Então tá feito. Você é minha rainha." — Kuzuha diz. "E, já que você também é parte do meu reino, eu prometo te proteger também. Custe o que custar." — Ele estende o dedinho.
Satsuki junta seu dedinho ao dele. "E eu prometo te deixar feliz todos os dias." — Terminando de dizer isso, ela faz uma reverência.
Os dois começam a rir. Desse dia em diante, Kuzuha continuou sofrendo todos os tipos de discriminação que conseguiam fazer com ele, mas nada importava, pois Satsuki estava sempre ao seu lado, e Hiro também. Kuzuha a apresentou para sua família adotiva, e Yasumi, que ainda tinha poucos meses de idade, na época. Não importava o quão difícil a vida fosse para os dois, eles sempre estavam ao lado um do outro, crescendo dia a dia e tendo aventuras juntos. Satsuki até fugia de casa algumas vezes, quando sua condição não estava tão boa, porque independente da sua situação, Kuzuha sempre a deixava melhor. Eram praticamente inseparáveis.
Um ano depois de se conhecerem. A dupla está andando em uma floresta, subindo um morro.
"E tinham mais coisas esquisitas." — Satsuki diz. "Eram coisas sobre bichos estranhos, e tinham uns desenhos assustadores. Eu queria que você tivesse lá, pra eu poder segurar sua mão."
"Ninguém mandou mexer nas coisas do seu pai em segredo. Viu o que não queria." — Kuzuha diz.
"Não foi tão assustador assim... Mas eu ainda quero saber o porquê do papai ter aqueles livros esquisitos. Eu nunca ouvi falar de uma Besta do Caos antes. Será que ele gosta de histórinhas também ?" — Satsuki pondera.
"Eu nunca nem conheci sua família." — Kuzuha diz.
"Se conhecesse, sabe muito bem que eles iam saber quem você é e não íamos mais nos ver." — Satsuki diz.
"Isso sim é assustador." — Kuzuha diz. Ele nota que a garotinha está um pouco mais atrás dele, com problemas para respirar. O pequeno delinquente para.
"Já chegamos ?" — Satsuki pergunta.
"Quase lá." — De repente, Kuzuha põe ela nos ombros.
"E-Ei ! Me põe no chão ! Pra que isso ?" — Satsuki pergunta, envergonhada.
"Não quer dar uma volta de Kuzuhamóvel ?" — Kuzuha brinca.
"E-Eu não…" — A garotinha gagueja. "…Eu quero..."
"Então pronto." — O pequeno delinquente volta a andar. "Eu nasci mais forte que o normal foi pra isso mesmo. Você é leve, pra mim."
Satsuki se debruça na cabeça dele, com um olhar triste. "…Não é justo..."
"O quê ?" — Kuzuha pergunta.
"…Eu... Eu posso te fazer uma pergunta ? Tem de responder de verdade. Não valhe mentir." — Satsuki diz.
"Manda." — Kuzuha diz.
A garotinha respira fundo. "Eu sou um peso pra você ?"
"Que nada. Você é bem magrinha-" — Kuzuha diz, sendo imediatamente interrompido por Satsuki.
"Você sabe que não é disso que eu tô falando." — Satsuki diz, num tom sério.
"Uh... Eu não sei do que você tá falando, então." — Kuzuha diz.
"Você tem de me carregar de um canto pro outro. Eu só te atrapalho e te atraso. Minha tosse não para de piorar, e isso te deixa mais preocupado. Sem contar que você já deixou de fazer um monte de coisas só pra poder ficar perto de mim, quando eu começo a ter um ataque." — Satsuki diz. "Às vezes, eu acho que seria melhor se você nunca tivesse me conhecido-"
"Chegamos." — Kuzuha diz, interrompendo a garotinha. Ele passa por uma moita densa e os dois saem no final do barranco, onde se pode ver uma a cidade. Nesse barranco, há uma cama de flores azuis. O pequeno delinquente põe a garotinha na cama de flores.
Satsuki passa suas mãos delicadamente pelas flores. "São…"
"Surpresa ! Suas flores favoritas. Um cara em uma lojinha me deixou trabalhar lá por umas horas e me deu os pacotinhos com as sementes. Eu plantei elas e fiquei cuidando, em segredo." — Kuzuha diz, orgulhoso de si. "Você tava meio triste tem um tempo, então fiz isso."
"…Kuzuha..." — Lágrimas começam a escorrer pelo rosto da garotinha.
Kuzuha se desespera, pega um lenço e começa a secar elas. "Ainda bem que eu sempre ando com isso. Lembra do exercício. Respira fundo, se concentra em mim e se acalma."
"Não é um ataque, seu bobo ! Eu só… Eu nem sei o que falar. É a melhor coisa que alguém já fez pra mim antes." — Sagsuki diz.
O pequeno delinquente solta um suspiro, aliviado. "Ainda bem... Achei que não tinha gostado. Esse pode ser nosso lugar secreto, agora. Ninguém vem aqui mesmo. E os animais não gostam de chegar perto de mim, por algum motivo. Então, a gente tá sempre seguro."
"O lugar é perfeito." — Sagsuki diz. Ela começa a tossir. Kuzuha imediatamente entrega o lenço para ela. "Obrigada." — A tosse termina, deixando o lenço ensanguentado.
"Piorou muito..." — Kuzuha diz, preocupado.
"Você acha ? Eu... Eu já nem percebo mais..." — Satsuki diz, dando uma leve risada sem nenhuma graça.
Um silêncio desconfortável toma o local.
"Então..." — Satsuki tenta achar alguma coisa para dizer.
"Você tem certeza que tá bem ? Tá tremendo." — Kuzuha diz.
"Você também." — Satsuki diz.
Os dois percebem que estão tremendo.
"Huh, eu tô mesmo." — Kuzuha diz.
"Até nisso, combinamos." — Satsuki dá uma leve risada.
"…Você... já parou pra pensar no futuro ?" — Kuzuha pergunta. "Além de ser minha rainha, é claro."
"Você sabe que talvez eu não tenha um futuro..." — Satsuki diz. "Mas, se eu pudesse, ia ser muito legal não estar doente."
"Só isso ?" — Kuzuha pergunta.
"Eu não preciso de mais nada, no futuro." — Satsuki enrola seu braço no de Kuzuha e encosta sua cabeça no ombro dele. "Já tenho tudo que quero no agora."
Kuzuha encosta sua cabeça na dela. A brisa fresca matinal sopra, carregando o cheiro de orvalho na grama. O sol brilha num céu com poucas nuvens. Os sons de insetos e pássaros na floresta ecoa pelo barranco. Há uma coisa no céu.
"Olha que estrela esquisita." — Kuzuha aponta.
"Esquisita mesmo. Não era pra dar pra ver estrelas de dia..." — Satsuki diz. "Ainda mais uma estrela daquele tamanho. E... ela tá ficando maior ?"
A estrela realmente está ficando maior. Ou melhor: mais perto. Mais e mais perto, até que ela cai na cidade, causando uma explosão enorme. Fogo rapidamente se espalha pelo local e fumaça negra começa a subir. Do fogo, emerge uma criatura parecida com uma tartaruga, com seu corpo completamente feito de pedras e lava, dois olhos amarelos penetrates e ameaçadores, e com dois vulcões em seu casco. Essa criatura solta um rugido forte, quebrando as janelas dos prédios em volta. Chamas se juntam na boca da criatura e ela cospe uma rajada de chamas na cidade, aumentando ainda mais o incêndio já existente.
"O-O-O que é aquilo !?" — Kuzuha pergunta, aterrorizado.
Satsuki não consegue parar de olhar para a criatura. De repente, ela se lembra de algo e fica chocada.
"E-Eu não sei o que é aquilo, mas não vou deixar machucar você." — Kuzuha diz.
A garotinha aponta para a criatura com sua mão trêmula. "E-Eu vi aquele bicho antes, num livro do papai... ! É-É uma coisa super forte !"
Mesmo aterrorizado, Kuzuha junta sua coragem. "E-Eu preciso ir ajudar todo mundo."
Satsuki segura a mão dele. "Não…"
"Se eu vou ser um rei, não posso deixar um bicho daqueles machucar meu povo." — Kuzuha diz. "Você vai ficar bem. Ninguém sabe desse lugar."
A garotinha luta, mas, vendo a determinação nos olhos dele, desiste e solta sua mão.
"Prometo que já volto." — Kuzuha sorri. Ele pula do morro e começa a descer dele. O pequeno delinquente corre até a cidade, passa por uma multidão de pessoas desesperadas e logo se aproxima da criatura. Kuzuha a soca, mas mal faz cócegas, sequer sendo notado.
A criatura continua sua destruição.
O pequeno delinquente tem uma ideia. Ele sobe em cima de um prédio. "AÍ ! É MELHOR VOCÊ PARAR DE MACHUCAR TODO MUNDO !"
Novamente, ignorado.
"Se não vai me ouvir por bem..." — Kuzuha pula de cima do prédio, na direção da criatura. Ele fecha seu punho e soca a cabeça da criatura com o máximo de força que consegue.
A criatura bate sua cabeça no chão, fazendo uma cratera com o impacto.
"Hah... Hah... Agora vai me ouvir, né ?" — Kuzuha diz, ofegante.
A criatura se recupera e rosna novamente. Kuzuha é atordoado pelo rosnar. A criatura levanta sua pata e desce nele. O pequeno delinquente não consegue desviar a tempo e a segura, imediatamente se fundando no chão. Ele começa a forçar o máximo que consegue, suas veias saltando e ficando todo vermelho. Um pouco de sangue escorre pela sua boca. Mesmo assim, Kuzuha não desiste e força mais, conseguindo levantar a pata e empurrando a criatura um pouco para trás. Infelizmente, isso esgotou todas as suas forças.
O pequeno delinquente começa a cambalear. Ele se apoia em um joelho. "…E... Eu não... vou deixar... você machucar... mais ninguém... ! Eu... VOU... proteger... meu... povo... !" — Kuzuha junta o restante das suas forças para se levantar.
A criatura começa a encher sua boca com chamas. Kuzuha não tem forças para se mexer. De repente, uma pedra acerta o rosto da criatura. Uma pedra pequena, mas um encômodo mesmo assim. O pequeno delinquente olha para cima de um prédio. Satsuki foi quem jogou essa pedra, usando seus poderes. Há sangue espalhado por suas mãos e peito, e ela está suja de terra.
A garotinha começa a tossir mais sangue, mas não faz questão de limpar. Ela joga mais pedras e lixo aleatório que consegue. "...E... Eu vou... ser uma... rainha... ! Vou... Vou fazer... todo mundo... sorrir... ! Eu prometi... pro meu... rei... !"
A criatura se vira para Satsuki, já com sua boca cheia de chamas. A garotinha não tem forças para fazer mais nada, a não ser aceitar seu destino.
"N... Não... !" — Kuzuha exclama.
Satsuki se vira para Kuzuha com o maior sorriso que consegue e com lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
"SATSUKI !!!" — Kuzuha grita, seu grito sendo abafado pelo caos da cidade.
A criatura cospe as chamas, reduzindo o prédio à uma poça de aço, cimento e qualquer coisa que estava dentro dele derretidos. Kuzuha cai de joelhos e começa a chorar, desesperado. A polícia finalmente chega. Eles pegam Kuzuha e o tiram do local. O pequeno delinquente tenta se soltar, mas não tem forças nem para isso.
No presente, Kuzuha está sentado em um local completamente escuro, com a cabeça entre as pernas. As imagem de Satsuki morrendo repetem várias e várias vezes na cabeça dele, em um looping sádico de sofrimento eterno.
Grieth aparece. "Levante-se."
O delinquente não se mexe, ou responde. Grieth dá um tapa nele, o derrubando no chão. Mesmo assim, o jovem continua sem responder, com um olhar distante e vazio em seus olhos. Até que ele abre sua boca, sua voz saindo em um tom monótono. "…Só acaba com isso logo de uma vez... É tudo minha culpa…"
"É isso que pensa ?" — Grieth pergunta.
"...De quem mais seria ? Se eu não fosse tão fraco e patético, Satsuki ainda ia estar viva..." — Kuzuha murmura, apático.
"Vejamos se tem coragem de dizer isso em frente à ela." — Grieth diz. Ela dá um passo para o lado.
Para a surpresa do delinquente, Satsuki está lá. Um pingo de esperança aparece em seu rosto, mas rapidamente some. "…É óbvio que é uma versão falsa..."
"E se eu for ? Isso importa ?" — Satsuki pergunta.
Kuzuha levanta sua cabeça. Ele tenta responder, mas não consegue. A garotinha caminha até ele e, já que está no mesmo nível que Kuzuha, ela o abraça. A ação repentina choca o delinquente.
"Desculpa por quebrar nossa promessa." — Satsuki diz, triste. "Eu prometi que ia sempre fazer você sorrir, mas dá pra ver que não consegui. Eu sinto muito."
"N-Não ! A culpa é minha ! Se eu não tivesse sido tão patético e fraco, você ainda ia estar aqui." — Kuzuha diz.
"Você nunca foi nada disso, e nunca vai ser. Se aquilo aconteceu, foi porque eu quis que acontecesse. Nada que você fizesse ia mudar minha decisão. Eu QUIS te proteger, e foi o que eu fiz. Foi uma das poucas decisões que pude tomar eu mesma, e não me arrependo nem um pouco." — Satsuki diz, sorrindo.
"Eu... Eu não sabia o que fazer sem você…" — Kuzuha diz.
Satsuki nega. "Isso é mentira. Você sempre soube. Não estaria aqui, se não soubesse. Essa é a verdade."
"Eu... Mas..." — O delinquente não sabe o que diz.
"Eu sei o quanto a Noelle é importante pra você. Quase como eu. Mas você tem medo de perder ela também, não tem ?" — Satsuki pergunta. "Não adianta mentir para mim. Eu sou feita das suas memórias, sei do que você sabe."
"Eu..." — Kuzuha nem tenta argumentar. Ele só abaixa sua cabeça e concorda. "Eu tô cansado de perder as pessoas importantes pra mim."
"Infelizmente, existem coisas que não podemos controlar. Se eu pudesse, não ia morrer naquele dia, mas foi a consequência que tive de pagar para te salvar. Essa é a realidade." — Satsuki diz. "Mas... não precisa ser assim."
O delinquente levanta sua cabeça. "Eh ?"
"Você mesmo disse que nasceu forte exatamente pra isso. Você pode proteger as pessoas, ser o rei que sempre sonhou." — Satsuki diz.
"Mas sem meu Requiem eu sou só um idiota balançando uma espada..." — Kuzuha diz.
"E isso foi o suficiente para dar trabalho para ela." — Satsuki aponta para Grieth.
"Huh, parando pra pensar por esse lado..." — Kuzuha diz, pensativo.
"Você se considera patético, mas olha quantas coisas já conquistou, quantos amigos já fez." — Satsuki diz. "Noelle... Excalibur... Karma… King... Mitsuro... Hanako... Yasumi... Até o Alucard começou a mudar para melhor por causa da sua influência. Você está longe de ser fraco. Só sendo um 'idiota balançando uma espada' você mudou a vida de tantas pessoas. E eu posso não ser real, mas tenho certeza de que a Satsuki estaria super orgulhosa de você, se estivesse viva."
"Eu... Huh, eu nunca parei pra perceber isso. Eu meio que só… sou eu, e isso já é o suficiente." — Kuzuha pondera.
A garotinha concorda. "Agora você tá entendendo. Kuzuha. Você só precisa achar sua chama. Uma chama que queima para proteger. Uma chama que queima para cuidar. Uma chama que queime as raízes do mau."
Determinação começa a voltar aos olhos de Kuzuha. "Você tem razão... Eu não tenho tempo pra ficar moscando aqui, meus amigos precisam de mim."
Satauki começa a se desfazer.
"Não !" — Kuzuha se desespera e segura ela. "Faz alguma coisa."
"Ela é feita das suas memórias. Uma parte do seu subconsciente. Querendo ou não, seu próprio subconsciente está começando a superar a perda dela. Eu não posso fazer nada." — Grieth diz.
"M-Mas..." — Kuzuha não sabe o que dizer.
"Assim é melhor. Cedo ou tarde, você tem de aceitar que não foi sua culpa. Se não quiser fazer isso por você, faça por mim- ela." — Satauki diz.
O delinquente segura a mão da garotinha mais forte. "Eu... Eu não prometo que vai ser fácil, mas vou tentar." — Ele sorri.
Satsuki também sorri. "Obrigada..." — Ela desaparece por completo.
Kuzuha respira fundo e para por alguns segundos, processando tudo. "Hah... Eu tô melhor, agora. Já digeri tudo."
As coisas começam a tomar cor e voltar ao normal. Ele vê Fafnir lutando, na distância, contra seus amigos. Grieth começa a ir embora, mas para, quando o delinquente chama sua atenção.
"Por que fez isso ?" — Kuzuha pergunta.
"Eu conheço muito bem sua dor. Você me lembra de alguém que conheci, há muito tempo atrás. Apenas isso." — Grieth diz.
"Bom, uh, você ainda é minha inimiga, não ? Não vou deixar você ir embora." — Kuzuha diz.
"Eu já aceitei que meu destino é servir. Sirvo o rei, independente de quem seja." — Grieth aponta para Fafnir. "Tecnicamente, aquela criatura não é mais o líder deste reino, então não sou obrigada a servi-lo. Vou simplesmente voltar para o castelo e esperar que alguém seja coroado novamente."
"Hmm... Então, como um futuro rei, eu ordeno que você proteja as pessoas daqui." — Kuzuha ordena.
Grieth se vira lentamente para ele, com sua feição sem expressão. Surpreendentemente, ela dá o mais vago sorriso possível, se é que pode ser chamado de um sorriso, e se curva. "Certo, vossa senhoria." — Dizendo isso, ela desaparece em algumas sombras.
"Eu, uh, não tava achando que isso ia funcionar. Tô meio surpreso..." — Kuzuha diz. Ele começa a correr na direção da luta. "Minha chama, huh ? Eu tô cansado desse ciclo vicioso de morte. Com as minhas mãos, eu vou fazer isso acabar, de uma vez por todas..."
Fafnir finca suas garras no chão e joga um pedaço imenso da rua na dupla.
Ymir tenta o destruir, mas mau tem forças para ficar em pé e acaba caindo de joelhos. "D… Droga... !"
Karma fecha seus olhos, aceitando o fim iminente, e começa a rezar. "…Me desculpe, Meina... pessoal…"
De repente, Kuzuha entra na frente dos dois.
"Kuzuha ! Não !" — Ymir diz, surpreso.
"Kuzuha !? Agora não é hora de fingir que é um herói !" — Karma diz, preocupada.
O pedaço de chão se aproxima mais. O punho de Kuzuha é coberto por chamas vermelhas. Ele soca o pedaço de chão, o despedaçando. Todos ficam boquiabertos vendo os pedaços voarem para todos os lados.
"FAFNIR !" — Kuzuha grita, bravo.
"Humano desgraçado ! Como ousa me desafiar ?! Eu sou um ser perfeito, um Criador !" — Fafnir diz, furioso.
"Eu não vou deixar um deus decidir meu destino ! Eu não vou deixar um deus me dizer que não sou capaz de alcançar minhas meus objetivos ! EU NÃO VOU DEIXAR UM DEUS COLOCAR LIMITES NO MEU POTENCIAL !" — Kuzuha grita, determinado. Uma aura intensa de chamas vermelhas o cobre.
"Eu jamais vou desistir da realidade perfeita !" — Fafnir diz.
"Realidade perfeita ?! Uma realidade onde todos se ajoelham, se sacrificam e são usados por você, como bem entender, está longe de ser perfeita !" — Kuzuha exclama, bravo. "Se essa realidade é tão importante assim, você pode morrer junto dela ! Em nome do povo de Yahren- Não… de todas as dimensões, eu vou acabar com você aqui, e agora !"
"Eu sou o D.E.V.I.L mais forte que já existiu ! Todos irão se ajoelhar diante à mim !" — Fafnir diz, abrindo suas enormes asas e enchendo sua boca com chamas azuis.
O delinquente se vira para seus amigos, determinação em seus olhos queimando tão forte quanto suas chamas. "Saiam daqui o mais rápido que conseguirem. Eu não vou me segurar contra aquilo." — Terminando de dizer isso, Kuzuha pula de cima do prédio. Ele cai no chão e começa a correr na direção de Fafnir.
Fafnir bate suas asas, criando uma forte ventania que joga diversos destroços na direção de Kuzuha. Ele pula em um destroço e começa a pular por eles, indo na direção de seu inimigo. A criatura cospe uma rajada de chamas azuis em um destroço perto do delinquente, o explodindo e fazendo chover pedaços flamejantes. Kuzuha desvia dos pedaços, pega um, o cobre com suas chamas vermelhas e joga em Fafnir, acertando a cabeça da criatura.
Fafnir começa a soltar várias chamas pela sua boca, furioso. "Grr ! MORRA !!!" — A criatura enfia suas patas no chão.
As ruas começam a derreter e lava começa a surgir. Kuzuha sobe em cima de um pedaço do chão e cria uma explosão atrás de si, impulsionando o pedaço para a frente. Pilares de lava começam a surgir. O delinquente soca o pedaço em que está, o quebrando em dois. Ele joga o outro pedaço para a frente e pula nele. Um pilar de lava se forma debaixo desse pedaço, o jogando para cima.
Kuzuha se joga desse pedaço na direção de Fafnir e cobre seu punho com chamas vermelhas. "FAFNIR !!!" — Ele se aproxima da criatura e soca seu rosto com força.
Fafnir aguenta e força, mas acaba cedendo e sendo jogado para trás, destruindo o chão por onde passa, e cai, estremecendo o local. A criatura rapidamente se recupera. "HUMANO DESGRAÇADO ! COMO OUSA IR CONTRA A VONTADE DIVINA ?"
"Vontade divina o caralho ! Você não é um deus ! É só um parasita na vida de todos, se alimentando da fraqueza e vulnerabilidade das pessoas ! Não passa de mais um verme !" — Kuzuha diz.
"GRR ! SUA FORMA DE VIDA INSIGNIFICANTE ! VOU FAZER VOCÊ SE ARREPENDER DE TER NASCIDO !" — Fafnir urra, furioso. A criatura joga outro pedaço em Kuzuha.
O delinquente quebra esse pedaço. Fafnir estava se escondendo atrás dele, e consegue se aproximar de Kuzuha. Ele tenta reagir, mas não há tempo, e a criatura o agarra em sua boca. Fafnir enche sua boca com chamas, queimando o delinquente. Kuzuha se recupera e começa a forçar a boca a abrir. Fafnir balança sua cabeça e o joga contra uma torre. O delinquente acerta a torre em cheio, se afundando na parede. Antes mesmo dele poder se recuperar, a criatura aparece rapidamente em sua frente e o segura com uma de suas garras. Fafnir arrasta Kuzuha na parede para cima, destruindo a torre. A criatura o joga nos destroços com força, quebrando eles mais ainda. Fafnir junta várias chamas azuis em sua boca, as cospe para baixo e começa a bater suas asas ainda mais forte. Um furacão de chamas azuis começa a se formar, sugando as coisas e destruindo tudo que encosta. Kuzuha é sugado pelo furacão e se agarra em um destroço da parede de uma casa. Ele é levado para cima pela ventania. Há destroços flamejantes voando descontroladamente para todos os lados. Um telhado voa na direção dele.
Kuzuha o soca, quebrando o telhado, mas alguns pedaços acabam o acertando, fazendo cortes em seu corpo. "Ugh !"
De repente, Fafnir aparece e quebra o pedaço em que Kuzuha está. A criatura joga ele para cima e começa a cuspir bolas de fogo na direção do delinquente. Kuzuha cobre seus punhos com suas chamas e soca essas bolas de fogo, mas acaba sendo acertado por uma. Ele é jogado para perto das chamas do furacão. O delinquente se recupera e cria uma explosão, se jogando para longe da borda. Ele cria outra explosão, se jogando na direção de Fafnir. A criatura abre sua boca para outro ataque, mas Kuzuha consegue se aproximar e soca a cabeça de Fafnir com força, a afundando no chão. Ele pega a criatura por sua cauda e começa a levantá-la com dificuldade. O delinquente joga Fafnir para fora do furacão, cobre seu corpo com suas chamas vermelhas, como um escudo, e também sai do local. A criatura se recupera, voa para o céu, cobre seu corpo com suas chamas azuis, e desce rodando rapidamente na direção de Kuzuha. Quando Fafnir chega perto, o delinquente segura o golpe com suas mãos e é arrastado para trás, até que para. Ele começa a forçar. Fafnir para de rodar lentamente, até que não está mais rodando. Kuzuha dá uma cabeçada na criatura, a jogando para trás.
Fafnir se recupera e voa alto novamente. "GRR !!! MORRA !!! MORRA !!! POR QUE VOCÊ NÃO MORRE ?!!" — A criatura junta várias chamas em sua boca e cospe uma rajada enorme em Kuzuha. As coisas em volta começam a derreter.
A cortina de chamas começa a abaixar.
Kuzuha está completamente intacto, envolto pelas suas chamas vermelhas. Ele olha seriamente nos olhos de Fafnir. "Enquanto existirem lixos como você, eu vou continuar lutando."
"SEU SER INFERIOR DESGRAÇADO !!!" — Fafnir berra, furioso. A criatura começa a bater suas asas fortemente.
Uma violenta ventania começa a soprar. Uma outra torre é arrancada do chão, levantada ao céu e apontada para Kuzuha.
"MORRA !!! MORRA DE UMA VEZ POR TODAS !!!" — Fafnir urra.
A torre é jogada em Kuzuha. Ele fecha seus olhos e respira fundo. A torre se aproxima mais. O delinquente abre seus olhos e pula bem alto, desviando do objeto. A torre se finca no chão. Kuzuha cai nela e começa a subí-la, correndo na direção de Fafnir.
"I-Isso não é possível ! Uma forma de vida inferior como você não deveria poder me desafiar ! Eu sou o D.E.V.I.L mais forte, um Criador !" — Fafnir exclama, completamente assustado com a resiliência de Kuzuha.
"Todas as vidas que você tirou… Todo sofrimento que você causou…" — Kuzuha diz. Ele cobre um punho com suas chamas e pula na direção de Fafnir.
A criatura tenta se mexer, mas não consegue. Pela primeira vez em sua longa vida, Fafnir sentiu medo e insignificância. "N-N-Não se aproxime de mim ! E-Eu sou um Criador, uma divindade ! Meu poder é supremo !"
Kuzuha se aproxima e soca a criatura. "Eu vou fazer você pagar por tudo !"
"MEU PODER É-" — Fafnir berra, sendo interrompido quando uma gigantesca explosão de chamas vermelhas acontece, incinerando completamente a criatura.
A explosão é tão grande e poderosa que cria um buraco nas nuvens negras sobre a cidade, deixando os raios de sol passarem. As nuvens começam a desaparecer.
Kuzuha cai, ofegante. "Hah… Hah... Ugh !" — Ele se apóia em um joelho. "…Obrigado pela força... pessoal…" — O delinquente nota algo que caiu perto dele, pega e guarda em seu bolso. Ele desmaia.
Alucard acorda, em uma cama improvisada. Ele vê que está em um saguão enorme, com diversas pessoas em camas a deitadas em camas improvisadas no chão. Várias pessoas estão correndo de um lado para o outro, atendendo os feridos. Nyra está ao seu lado, também em uma cama improvisada. Os dois estão com faixas e curativos. O jovem solta um suspiro, aliviado. Ele se vira para o lado e vê Kuzuha, também deitado ao seu lado.
O delinquente está sorrindo para ele. "Você tá preocupadinho com ela, não tá ?"
"Silêncio, palito de fósforo. Antes que eu congele sua boca." — Alucard ameaça, seco.
"Aww~ Não me ameaçou de morte, dessa vez. Viu como estamos ficando mais amigos ?" — Kuzuha provoca. "Foi uma luta e tanto. Todo mundo tá destruído. Mas a gente conseguiu." — Ele olha para o teto. "Fiquei sabendo da sua luta contra Boreanis. Tô orgulhoso de você por não ter matado ele. De verdade."
Alucard também olha para o teto. "Eu senti tanto ódio daquele ser patético pelo que ele fez com Nyra que… morte… não era o suficiente. Tirar a vida dele com um golpe preciso seria muito fácil. Foi exatamente por isso que eu decidi quebrar seus membros e enfiar cristais de gelo microscópicos em seu sangue que nunca vão derreter. Ele vai sentir uma leve dor desconfortamte pelo resto de sua patética vida. Assim, jamais vai esquecer do que fez..."
"Uh... E... Essa parte não me contaram..." — Kuzuha diz, assustado. "Você consegue mesmo fazer uma coisa dessas ?"
O jovem cria um floco do seu gelo roxo em sua mão. "Quer descobrir ?"
"É… Eu vou ter de passar essa oportunidade..." — Kuzuha diz. "Eu chamei os agentes. Eles tão tomando conta e tudo. Daqui umas oito ou nove horas, todo mundo vai estar novinho em folha, graças aquela tecnologia que o cabeça de lâmpada vive falando. Mudando de assunto..." — Ele aponta para um lado com a cabeça.
Yselda está tomando conta de Fenrir e Vidofnir.
"Seu mordomo arranjou uma namorada." — Kuzuha diz.
"Patético." — Alucard diz.
"Você tá com ciúmes pelo seu empregado não estar te dando atenção ? Não se preocupa, eu dou~" — Kuzuha provoca. Ele começa a se aproximar de Alucard.
"Longe de mim, seu palito de fósforo desgraçado !" — Alucard exclama, bravo. "Se se aproximar de mim mais um centímetro, te corto em pedacinhos !"
"O príncipezinho quer um cafuné ?" — Kuzuha provoca.
"Grr ! Eu vou te esquartejar e alimentar aos porcos !" — Alucard exclama, furioso.
Algum tempo depois. Todos estão curados, graças a nanotecnologia da Devil Slayer. Kuzuha, Alucard, Karma, Nyra, Fenrir, Vidofnir, Yselda, Kala, Vanadiel, Isolde e a jovem humana de antes estão reunidos na frente de Ymir.
"Eu honestamente não sei o que dizer." — Ymir diz. "Este dia sempre pareceu ser um sonho distante, mas aqui estamos. Karma Lestalum. Obrigado por colocar uma nova esperança em meu coração."
"E ainda têm mais coisas pra fazermos juntos." — Karma diz.
"Kala Khromius e Isolde Valcroix. Vocês foram muito mais do que aliados, foram quase como uma família. Por anos, sempre me deram apoio em tudo que precisava e me animaram quando tudo parecia perdido." — Ymir diz.
"Foi, ainda é, e sempre será um prazer, Vossa Excelência." — Isolde diz, fazendo uma reverência.
"Eu quero um lugar no time científico." — Kala diz.
"E você terá." — Ymir diz. Ele se vira para Vanadiel, que está firmemente segurando a mão da jovem. "Meu velho amigo, eu estou tão feliz por finalmente ter se reunido com sua irmã."
"Eu nunca mais vou deixar nada de ruim acontecer com você, Anne. Prometo." — Vandiel diz.
"E eu prometo nunca mais fazer você se preo upar comigo, irmãozão." — Anne diz.
Ymir pega sua espada. "Vandiel. Se possível."
O Ürok se ajoelha na frente dele.
O príncipe encosta a espada em seus ombros. "Pela sua contribuição com a evacuação e o bem estar do povo, e pelos seus anos de serviço à coroa, eu, Ymir Rcules Oakrim III, declaro você, Vanadiel D'Argenteine, Chefe da Guarda Real de Yahren."
"Vossa Excelência, eu não sei se mereço. Mas farei de tudo em poder para não decepcioná-lo novamente." — Vanadiel diz.
"E você não vai, velho amigo." — Ymir diz. Ele se vira para Nyra. "Nyra, você arriscou sua própria vida para proteger um povo que sequer sabe da sua existência. Isso requer muito mais do que só coragem."
Nyra dá uma risada inocente e balança sua cauda. "Moço chique gosta de fala um monte de palavra complicada."
O príncipe força um sorriso. "Continue, uh, sendo você mesma..." — Ele limpa sua garganta e se vira para Yselda. "Seus serviços foram muito mais úteis do que pensa, senhorita Yselda. Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, eu farei."
"N-Não, Vossa Alteza ! Eu jamais poderia aceitar-" — Yselda diz, sendo interrompida por Vidofnir.
"Se me permite a intromissão, Vossa Alteza. Eu e minha mãe temos uma padaria, mas, infelizmente, ela foi completamente destruída na batalha contra Fafnir. Nós temos dinheiro para comprar os ingredientes, mas não temos para reconstruir todo o estabelecimento." — Vidofnir diz.
"Então que seja feito. Sua padaria será reconstruída maior e melhor do que antes. E irei garantir que tenha os melhores utensílios." — Ymir diz.
"V-Vossa Alteza, eu... eu não sei como agradecer." — Yselda dá um sorriso sincero, com seus olhos lacrimejando.
"Uma fornada de pães frescos será o suficiente. Eles combinarão bem com um belo chá matinal." — Ymir diz. Ele se vira para Vidofnir e Fenrir. "Vocês dois. Se não fosse por vocês, Iron Maiden teria reduzido Yahren a cinzas. Minha gratidão, e a do povo de Yahren, é e sempre será eterna."
"Fico feliz que eu tenha ajudado alguém." — Vidofnir diz.
"Eu apenas fiz o que meu jovem mestre me ordenou. Nada mais, nada menos." — Fenrir diz.
Ymir se vira para Kuzuha e Alucard. "Palavras não conseguem descrever a grandeza de seus feitos. Alucard. Você derrotou Boreanis, o general mais forte de Fafnir. Uma coisa que milhares sequer imaginaram ser capaz. E Kuzuha. Você derrotou um D.E.V.I.L e salvou o reino-- Possível toda Azeroth. --de uma catástrofe horrível. Não existe absolutamente nada que eu possa fazer para acabar com essa dívida imensa que lhes devo."
"Seja forte por Meina. É o suficiente." — Alucard diz, seco.
"Quem-" — Kuzuha é interrompido por Alucard antes mesmo de terminar.
"Quieto, troglodita." — Alucard diz.
Kuzuha limpa sua garganta. "Honestamente, eu só queria pedir duas coisas."
"Eu ficarei mais que grato em conceder seus desejos." — Ymir diz.
"A primeira é… Tem alguma dica pra eu ser rei ? É que meu sonho é ser rei ! E eu quero muuuito uma dica de um rei de verdade !" — Kuzuha diz, com um brilho infantil em seus olhos.
"Eu, uh..." — Ymir limpa sua garganta. "Continue no caminho que está seguindo e logo será um rei tão formidável quanto pensa que será."
"Jura ? Legal !" — Kuzuha comemora, animado.
"Você me envergonha." — Alucard diz.
"E qual seria seu próximo desejo ?" — Ymir pergunta.
Kuzuha se aquieta e limpa sua garganta, tomando um tom mais sério. "Eu sei que você tá aí. Pode sair."
Grieth sai da sombra de Kuzuha, sua expressão neutra como sempre. "Muito astuto da sua parte."
"Depois de você entrar em mim, eu meio que fiquei mais alerta com a sua presença." — Kuzuha diz.
Todos olham para ele.
"É uma longa história." — Kuzuha limpa sua garganta. "Tá tudo bem, gente. Ela é inofensiva... Eu acho." — Ele se vira para Ymir. "Se for possível, por favor, ajude ela a ter uma vida nova."
Todos ficam chocados, incluindo, para a surpresa de todos, Grieth.
"Por um breve momento, naquela nossa conversa, eu vi você de verdade. Uma pessoa triste, que não estava feliz com a vida que vivia. Além disso, você não hesitou quando eu ordenei para ajudar as pessoas." — Kuzuha diz.
"Por quê... ?" — Grieth pergunta.
"Você me disse que eu lembrava alguém que conhecia. E eu tenho certeza que essa pessoa não ia querer ver você machucando os outros." — Kuzuha diz. "Mas isso não depende só do Ymir. Você também precisa começar a fazer as coisas para a pessoa mais importante..." — Ele aponta para o peito dela. "…você mesma."
"Eu... Obrigada." — Grieth dá um sorriso genuíno.
"Bom, por mais que eu quisesse estalar meus dedos e esquecer das coisas que você fez, isso será impossível. E eu jamais forçaria meus súditos a te aceitarem como se nada tivesse acontecido." — Ymir diz. "CONTUDO. Yahren precisa de todas as mãos que conseguir, no momento. Então eu digo que com trabalho comunitário, talvez você possa conseguir a confiança do povo. Mas é como Kuzuha disse. Você tem de fazer coisas por si própria, não porque alguém mandou."
"Certo. Irei começar agora mesmo." — Grieth desaparece nas sombras.
"Isso foi generoso da sua parte, Kuzuha." — Ymir diz.
"Ninguém é inútil. Todos merecem uma segunda chance na vida." — Kuzuha diz. "Eu ajudei o Alucard e olha só pra ele. Virou pai de uma menina raposa."
"E-Eu não sou pai de ninguém, seu troglodita desgraçado !" — Alucard reclama.
"O que é uma rasposa, irmãozão ?" — Nyra pergunta.
"Nada que lhe diga respeito." — Alucard diz.
"Nem todos merecem uma segunda chance. Fafnir pagou pelas atrocidades que cometeu." — Ymir diz. "Eu só estou grato que o pesadelo acabou."
"Então, sobre isso... Assim... Meio que, uh... Meio que Fafnir não morreu." — Kuzuha diz.
Todos ficam chocados.
"K-Kuzuha ! Tem certeza do que está falando ? Eu vi o corpo dele explodindo todinho !" — Karma diz.
"Bom..." — Kuzuha pega um cubo de seu bolso. Menor que a palma de sua mão. "Depois da luta, eu achei isso aqui."
"I-Isso é…" — Vanadiel diz.
"O Núcleo de Fafnir." — Fenrir diz.
"Por que não distruiu na hora ?!" — Vidofnir pergunta.
"Foi o que eu pensei em fazer. Mas aí eu pensei: Vidofnir teve uma segunda chance e ganhou uma família. Fenrir teve uma segunda chance e ganhou um filho. Fafnir também merece uma segunda chance." — Kuzuha diz.
"Kuzuha, eu sei que você é bondoso-" — Karma diz, sendo interrompida por Kuzuha.
"Não, não. Eu não vou colocar o Núcleo desse cara em ninguém. Mas nem fudendo. Eu tava falando em usar ele de uma forma que beneficie o reino." — Kuzuha diz.
"Mas de que forma ?" — Isolde pergunta.
"Hmm... Na verdade, eu acho que tenho uma ideia." — Kala diz. "As chamas dele serviram para criar energia o suficiente para alimentar Yahren inteira E Iron Maiden. Eu consigo converter a máquina que criava a fumaça em uma máquina que gera energia térmica usando o Núcleo como fonte."
"Isso não é uma má ideia." — Ymir diz.
Kala se anima. "Eu vou fazer isso é agora !" — Ela vai embora.
Isolde, Vanadiel e Anne vão ajudar ela.
"Temos de ir também. Precisamos ver o que conseguimos recuperar da padaria e ver se mais alguém precisa de ajudar." — Yselda diz.
"Certo." — Vidofnir diz.
Elas vão embora, mas param, quando vêem que Fenrir não está as seguindo.
"Oh, é verdade... Você… Você pertence a outro lugar, não é mesmo ?" — Yselda pergunta, cabisbaixa.
"Bom, foi legal ver você de novo. Volta mais vezes, tá ?" — Vidofnir diz, compartilhando da mesma tristeza que sua mãe.
Fenrir abre sua boca, mas hesita e desiste.
Vendo essa situação, Alucard solta um longo suspiro. "Se pensa que vai voltar comigo, está muito enganado."
"Jovem mestre Alucard ?" — Fenrir diz, surpreso.
"Você quase morreu lutando contra uma lata velha gigante. Não necessito de pessoas fracas assim ao meu lado." — Alucard diz. "Vá com essas duas simplórias."
Fenrir dá um leve sorriso. "Jovem mestre Alucard, eu..." — Ele se curva. "Eu sinto muito pela minha demonstração de fraqueza. Prometo que irei treinar o suficiente para trazer o próprio mundo aos seus pés, jovem mestre Acluard."
"Não espero menos de você." — Alucard diz.
Fenrir vai embora com Yselda e Vidofnir.
"Patético. Eu não preciso ficar aqui mais nenhum segundo." — Alucard diz, também indo embora.
"Epa ! Eu não posso tirar o olho dele, se não, já sabe, né ?" — Kuzuha diz. Ele segue Alucard.
Nyra segue os dois.
"Bom, eles não vão mais voltar." — Karma diz.
Ymir nota a hesitação de Karma em seguir seus amigos. "Vá."
"Eu queria ficar e conversar mais um pouco, mas..." — Karma diz.
"Karma, eu entendo. Você não é mais aquela garotinha risonha que mau conseguia se defender. Você tem uma vida, agora. E você tem de viver ela. Deixe a situação de Meina comigo." — Ymir diz, sorrindo.
"Eu jamais poderia-" — Karma diz, sendo interrompida por Ymir.
O príncipe põe uma mão no ombro de Karma. "Karma. Você viveu sua vida inteira se preocupando com sua irmã. Deixe que eu me preocupo, agora. Você precisa viver por você. Sabe que Meina ia querer o mesmo."
A Orgen desvia o olhar. Ela tenta responder, mas não consegue. Karma solta um longo suspiro, relaxando seus ombros. "Eu... vou tentar."
"Por favor. Agora, vá. E, não se preocupe, eu andei conversando com aqueles agentes, e, possivelmente, vou criar uma aliança com essa Devil Slayer." — Ymir diz. "Preciso de toda ajuda que conseguir, agora que Fafnir me tirou da Aliança, e o Conselho definitivamente não vai querer nos aceitar de volta."
"Isso é uma notícia incrível !" — Karma se anima. "Se precisar, eu posso te ajudar com todo o processo burocrático. Minha experiência na empresa é pouca, mas serve para algo."
Ymir solta um suspiro. "Já voltou a falar como uma princesa."
"A-Ah... Está na minha natureza." — Karma diz, envergonhada.
"Anda, vá embora. Seus amigos estão te esperando." — Ymir diz.
"Certo..." — Karma diz, incerta. Ela respira fundo e abraça Ymir com força. A Orgen o solta e vai embora. Ela dá uma última olhada e um sorriso, antes de realmente partir. Karma se aproxima de seus amigos.
"Por favor ! Por favor ! Por favor ! Por favor !" — Nyra suplica.
"Eu já disse que não !" — Alucard diz, seco.
"O que está acontecendo aqui ?" — Karma pergunta.
Kuzuha solta um suspiro. "Nyra quer voltar com a gente, mas o rabugento ali não quer levar ela."
"Bom, ele tem razão. Eu até me pareço com uma humana, mas Nyra é bem mais diferente. Isso causaria uma certa comoção. Mais ainda pelo fato de que Alucard é famoso. Isso traria ainda mais atenção para ela." — Karma diz.
"Mas meu irmãozão me prometeu que ia me treina !" — Nyra diz, seus olhos lacrimejando.
"Esquece, Nyra. Ele não consegue cuidar de uma criança." — Kuzuha diz.
O olho de Alucard começa a tremer. "O que disse, troglodita... ?"
"Nah, cara. Eu te entendo. Eu tenho uma filha também. É bem complicado. Quando ela começa a fazer birra pra comer alguma coisa, eu tenho de fazer um monte de palhaçada pra fazer ela comer. Às vezes, eu tenho de ficar acordado a noite inteira porque ela não consegue dormir. Não é uma responsabilidade que muitos conseguem ter." — Kuzuha diz.
"Grr ! Você me acha inferior, seu simplório maldito ?!" — Alucard explode de raiva. "VOCÊ é o inferior ! Qualquer responsabilidade que você tem, eu aguento em dobro !" — Ele pega a mão de Nyra. "Nyra ! Mudei de ideia ! Você vai vir comigo e vamos treinar até seu nome ser pronunciado por todos os mundos !"
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Nyra abre um sorriso enorme e sua cauda começa a balançar. "Jura, irmãozão ?"
"Esse troglodita maldito vai ver !" — Alucard diz, furioso.
O delinquente está com um sorriso presunçoso em seu rosto.
Karma apoia seu rosto em sua mão e respira fundo, indignada. "Vocês dois são demais, às vezes. Só vamos embora logo." — Ela abre uma fenda.
Eles passam pela fenda, saindo no saguão da Devil Slayer.
Kuzuha respira fundo. "Hah… Ar não tão fresco. Senti falta disso."
"Quanta coisa esquisita !" — Nyra diz, maravilhada.
"Temos de reportar para o King o relatório da missão e cadastrar Nyra na empresa." — Karma diz.
"Agora ?" — Kuzuha pergunta, com preguiça.
"Agora." — Karma diz.
"Tch. Vamos logo com isso." — Alucard diz, incomodado. Ele caminha até o elevador, reclamando.
Os quatro sobem até a sala do King. Nyra está observando tudo com brilho em seus olhos.
"Tô de volta, cabeça de lâmpada !" — Kuzuha diz.
"Oh ! Agentes Joker, Galahad, Phobos e... viridy ?" — King diz, confuso. Ele solta um longo suspiro. "Agente Joker. Quantas vezes eu tenho de te dizer que minha identidade é um SEGREDO ? Além disso, onde está o D.E.V.I.L ?"
"Fenrir é padeiro agora. Nyra é a irmãzinha do cubo de gelo. E eu recuperei meu fogo." — Kuzuha diz. "Isso resume tudo que aconteceu."
"Irmã !? Mas eu achei que sua irmã estava-" — King diz, sendo imediatamente interrompido por Alucard.
"Cuidado com sua língua. A não ser que queira perdê-la." — Alucard ameaça, sério.
King limpa sua garganta. "Se ela é uma nova agente, iremos fazer todos os testes de saúde e providenciaremos um Vizer e um codinome."
"Sua cabeça brilha bastante." — Nyra diz, sorrindo.
King dá um sorriso quebrado. "Mas é claro que essa é a primeira coisa que você nota..."
"E é isso. Eu não faço a mínima ideia do que falar mais." — Kuzuha diz. "Bom, eu tô cansado de aventuras, e vou dar uma relaxada, antes de partir pra fazer aquilo lá que eu definitivamente não me esqueci e não quero mencionar. Mudando de assunto. Yasumi perguntou muito sobre mim ?"
King evita contato visual. "Ela... Não, ela não perguntou."
"Ei... O que tá rolando ?" — Kuzuha pergunta, preocupado.
"Não tem um jeito fácil de dizer isso." — King diz. "Yasumi... não está mais aqui."
Toda e qualquer felicidade desparece do rosto de Kuzuha. Ele não sabe se sente ódio, confusão, ou tristeza.
King percebe a situação. "Oh ! Não me interprete mau. Ela está viva. Só não está aqui."
Kuzuha sente um alívio imenso. "Olha como você diz as coisas, na próxima vez. Pra onde ela foi ?"
"Para... Bem, ela foi para... a França." — King diz.
"F-França !?" — Kuzuha diz, surpreso.
"Isso é de come ?" — Nyra pergunta.
"Como foi que isso aconteceu ?" — Karma pergunta.
"Quando vocês partiram daqui, o casamento foi adiantado para amanhã." — King diz. "Agentes Excalibur, Sol, a Hanako e a Yasumi foram para lá, para resgatar a agente Lancelot. E elas fizeram isso sem que eu percebesse."
"Me põe no próximo avião pra lá !" — Kuzuha diz.
"Agente Joker, eu não acho que isso é uma boa-" — King diz, sendo interrompido quando Kuzuha dá um soco na mesa.
"Agora !" — Kuzuha exclama.
"…Certo." — King diz. Ele aperta um botão em seu Vizer. "Sora irá cuidar da viagem."
"Eu também vou-" — Karma diz, também sendo interrompida por Kuzuha.
"Não. Isso é uma responsabilidade minha. Tô cansado de ficar parado, me fingindo de coitado." — Kuzuha diz. Ele cobre um punho com suas chamas vermelhas e vai embora. "Eu vou trazer todo mundo de volta. E eu prometo que vai ser todo mundo."
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