Devil Slayer Chronicles
23 As peças começam a se mexer
Notas iniciais
Kuzuha e Karma estão no meio da multidão desesperada.
"Você tem certeza disso ?" — Kuzuha pergunta.
Karma lentamente concorda, sem tirar seus olhos molhados da pena dourada. "Mais do que qualquer coisa na minha vida..." — Ela seca suas lágrimas e segura a pena com força, determinada. "Precisamos achar ele."
"Alguém aqui deve saber de alguma coisa." — Kuzuha diz. Ele se aproxima de um guarda e finge estar assustado. "O-O que foi aquilo, cara !?"
"Acalme-se. Não há o que temer. Eram apenas os Jotuns. Um grupo de criminosos que se rebelam contra a Vossa Eminência. Nós da guarda real iremos detê-los." — O guarda afirma.
"B-Beleza." — Kuzuha diz. Ele volta para Karma. "Não consegui informação nenhuma. Só sei que aquele grupo se chama de 'Jotuns '."
A Orgen está perdida nos pensamentos. Ela coloca os dedos em suas têmporas, tentando forçar algum pensamento ou uma memória perdida. E então, Karma se lembra de algo. "Eu já sei ! Bom, eu ACHO que sei. Tem um lugar que talvez ele tenha ido. Um lugar que ninguém jamais suspeitaria."
"Então vamos." — Kuzuha diz.
"São só algumas horas de caminhada daqui. Vamos." — Karma diz, indo embora.
O delinquente a acompanha, reclamando. "Lugarzinho irritante. Eu tenho que andar pra todo lado. Já tô cansado disso."
O Anfíbio chega no esconderijo, na floresta. Todos descem e se reúnem dentro da cabana.
"É bom vê-lo novamente, jovem mestre Alucard." — Fenrir diz, se curvando.
"Você é patético. Perdeu para o inimigo." — Alucard diz, friamente.
"Você é escroto até com os próprios empregados. Fica cada vez melhor." — Kala reclama, cruzando seus braços e rolando seus olhos.
"Não vamos começar uma briga, por favor. Nosso objetivo está mais perto do que nunca." — Ymir diz.
"Na verdade, jovem mestre Alucard, foi proposital. Eu estava contando com meu salvamento." — Fenrir diz. "Sabia da existência de vocês, e sei que viriam atrás do inimigo de seu inimigo."
"Então fomos usados, huh." — Isolde diz, soltando um suspiro e dando de ombros. "Touché."
"Me entreguei para poder infiltrar a base inimiga e observar o comportamento dos guardas. Sei quando trocam os postos, e os guardas que trocam." — Fenrir diz.
"Muito bem. Dessa vez, deixarei sua falha passar. Mas fique avisado, não terá uma próxima vez." — Alucard ameaça.
Fenrir se curva. "Perdão, jovem mestre Alucard. Jamais irei falhar com o senhor novamente."
"Dramático." — Kala murmura.
"Whoa... Eu... Eu não sei o que dizer. Fizemos um enorme progresso em questão de dias. Logo, Yahren será liberta !" — Ymir exclama, confiante.
"Temos de juntar as informações e bolar um plano." — Isolde diz.
"Precisamos arranjar uma maneira de entrar no castelo sem sermos notados. Não temos recursos o suficiente para fazermos um confronto direto contra todos os soldados e os generais." — Kala diz.
"Moça pequena sabe quantos generais tem ?" — Nyra pergunta.
"Moça pequena ?!" — Kala exclama, brava.
"São quatro." — Isolde rapidamente confirma, tentando apaziguar a briga iminente.
"Tem..." — Nyra diz. Ela começa a contar nos dedos. "…cinco ? Da gente. Dá pra ganhar."
"Se fosse tão fácil assim..." — Ymir diz.
Alguns "BEEPS" podem ser ouvidos.
Kala imediatamente se aproxima de uma tela, nervosa. "Descobriram a gente !"
O ambiente fia mais pesado.
"São quantos guardas ?" — Ymir pergunta.
"Dois- Não, três ! E já estão bem perto." — Kala afirma.
"Preparem-se." — Ymir ordena.
Todos se viram para a porta e assumem uma posição de combate.
"No momento que aquela porta abrir, atacaremos." — Ymir diz.
A tensão aumenta. Passos podem ser ouvidos, amassando o mato e se aproximando, até pararem perto da porta. A maçaneta começa a se virar. A porta se abre. Todos atacam. Não há ninguém.
"Epa ! Eu conheço esse gelo feio." ??? diz.
Alucard solta um suspiro, indignado. "Justo quando eu achei que estava livre..."
Kuzuha e Karma chegam.
"Yo, cubo de gelo. Sabia que você não aguentava ficar longe de mim por muito tempo~" — Kuzuha diz, provocando o jovem.
A Orgen e o príncipe estão estáticos, olhando um para o outro. Eles caminham lentamente um na direção do outro, em silêncio e incertos, como se estivessem vendo fantasmas. O momento é quebrado com um abraço e lágrimas de ambos. Os dois choram por poucos minutos, até se acalmarem.
"Eu achei que você tinha morrido..." — Ymir diz, ainda se recuperando.
"A mana me salvou... Foi a última coisa que eu vi ela fazer..." — Karma diz, enxugando suas lágrimas.
"Uh... Esse aí é aquele seu amigo que você falou ?" — Kuzuha pergunta.
"Vossa majestade, eu também gostaria de uma explicação." — Isolde diz.
Karma se vira para Kuzuha. "Eu prometi que te contaria tudo, na hora certa. Essa é a hora." — Ela respira fundo, juntando coragem. "Meu nome é Karma Lestalum. Eu sou a princesa do reino de Lovreth. Ymir é meu cunhado."
"Você é o quê !?" — Kuzuha exclama, surpreso.
"Eu queria te contar, juro ! Mas não podia... Se a informação de que eu sou de uma linhagem nobre se espalhasse, coisas ruins poderiam acontecer tanto comigo, quanto com as pessoas perto de mim." — Karma diz. "Além disso, as informações podiam acabar parando nos ouvidos DELE e ele ia voltar para terminar o trabalho."
"Uh... Legal que você é uma princesa, e tudo mais..." — Kuzuha diz, confuso. "Eu, uh, tenho de me curvar, ou alguma coisa assim ?" — Ele percebe a situação e se desespera. "C-Cacete ! Eu coloquei uma princesa pra dormir na minha cama e deixei ela tomar água da torneira !"
"C-Calma ! Não precisa agir diferente. Eu não mudei absolutamente nada. Ainda sou a mesma. E eu quero que você continue sendo o mesmo comigo, por favor." — Karma diz. Ela se envergonha. "Além disso, sua cama... me deixa mais confortável..."
"Como sobreviveu ao ataque ?" — Ymir pergunta.
"Isso me traz ao outro motivo que vim aqui." — Karma diz. Ela olha profundamente nos olhos do príncipe com determinação. "Ymir, Meina ainda está viva."
"C-Como é !?" — Alucard exclama, surpreso.
"Mas eu vi o estrago pessoalmente. Todos foram brutalmente congelados, incluindo ela." — Ymir diz.
"Eu sei que parece horrível, mas eles estão vivos. Todos eles." — Karma diz. "Antes de Genesis congelar ela, Meina me escondeu na passagem secreta debaixo do trono. Por uma fresta, eu vi tudo. Toda aquela tortura horrível… Minha irmã lutou o melhor que pôde, mas obviamente não era párea para uma Raíz de Yggdrasil. No fim, ela também acabou sendo congelada. Mas, uma coisa que aquele monstro disse não saiu da minha cabeça: 'Agora você vai ver a ruína do seu reino patético, pouco a pouco, até eu decidir que me cansei da sua vida.'"
"Hmm... Isso realmente é estranho." — Isolde diz.
"Se ele congelou ela, não teria como ver nada." — Kala diz. "A não ser..."
Karma concorda. "A não ser que ela não esteja realmente congelada."
"Se Genesis congelou o corpo, mas deixou a mente intacta, isso significa que ainda existe uma chance dessa Meina estar viva." — Kala diz.
"E eu creio que se derrotar-mos aquele monstro, todos irão descongelar." — Karma diz.
"I... Isso é uma notícia maravilhosa. Eu não sei... Não sei nem o que dizer..." — Ymir diz, ainda processando as informações. Ele junta seus pensamentos e limpa sua garganta. "Karma, sei que não nos vemos há anos, e, confie em mim, o que eu mais gostaria nesse momento é poder passar dias conversando e festejando com você, mas teremos de deixar tudo isso para outra hora. As peças finalmente começaram a girar ao nosso favor. Não tenho tempo para distrações, sejam elas boas ou ruins."
"Eu entendo. E estou aqui para ajudar." — Karma diz.
O príncipe imediatamente nega. "De maneira alguma. Isso não é uma daquelas suas breves aventuras, é uma guerra. Mortes serão inevitáveis, e eu não quero que a sua seja uma delas. Você me deu esperanças novamente, não me faça perdê-las."
"Ymir, olha pra mim, eu não sou mais aquela garotinha indefesa de antes, sei cuidar de mim mesma. Passei anos treinando, sobrevivendo." — Karma diz. Yoko rasteja até o ombro dela. "Viu ? Até domei Dainsleif, uma coisa que a mana jamais consegui ! Me dá uma chance de finalmente poder te ajudar !"
"Karma, eu..." — Ymir diz, soltando um suspiro.
"Olha, cara. Dá uma chance pra ela." — Kuzuha diz. Ele aponta para Fenrir e Alucard. "Se serve de alguma coisa, eu ganhei daqueles dois ali mais de uma vez, e a Karma me dá medo."
Ymir está confuso. Ele bate seu pé no chão algumas vezes, enquanto tenta se decidir. Com um suspiro, o príncipe relaxa seus ombros. "Certo. MAS você terá de prometer que não vai se arriscar. Já te perdi uma vez, não quero ter de passar por isso novamente."
Karma pula de alegria e abraça ele. "Obrigada ! E não precisa se preocupar, eu não vou deixar nada acontecer comigo. Não até salvar Meina..."
Alucard limpa sua garganta. "Não têm assuntos mais importantes do que baboseira sentimental para discutir ?"
"Tem razão." — Ymir diz. "Precisamos organizar um plano perfeito. Oportunidades não aparecem do ar. Se falharmos ou conseguirmos, Fafnir vai ficar em alerta. Por enquanto, ele está se preparando. Mas, daqui algumas horas, Yahren terá guardas por todos os lados, incluindo os generais."
"E qual é esse seu plano aí ?" — Kuzuha pergunta.
"Tomar Yahren de volta é o objetivo principal." — Isolde diz.
"MAS, por enquanto, precisamos só fazer uma varredura nas coisas." — Kala diz. "Pra resumir, eu quero investigar uma coisa estranha acontecendo dentro do castelo, mas, pra isso, preciso entrar lá. Não sou lá a melhor lutadora, mas..." — Ela aperta um dispositivo em seu pulso e fica invisível. "…consigo despistar eles facilmente."
"Então, uh, vai sozinha." — Kuzuha diz.
"O problema é…" — Kala diz. Ela aparece. "…dura só uns segundos."
"Não podemos perder Kala. Além de uma amiga e aliada incrível, ela é minha engenheira/inventora de confiança." — Ymir diz.
"Enquanto estavam conversando, bolei um plano." — Fenrir diz.
"Às vezes, eu esqueço que você é muito útil. Manda aí." — Kuzuha diz.
"Fico agradecido pelo... elogio ?" — Fenrir diz, confuso. Ele limpa sua garganta. "Iremos nos dividir em três grupos." — O mordomo aponta para Isolde, Kala e Alucard. "O jovem mestre e você, cavaleiro, vão escoltar a Ürok até chegarem no objetivo."
"Você não manda em mim, EU sou seu mestre." — Alucard reclama.
"Perdão, jovem mestre Alucard, essas jamais foram minhas intenções." — Fenrir diz. "Se o jovem mestre não acha que consegue, posso colocar alguém em seu lugar."
Alucard permanece em silêncio. "…Prossiga."
O mordomo aponta para Kuzuha e Karma. "Vocês dois causarão uma distração. O povo não iria ignorar uma princesa que 'voltou dos mortos', e Fafnir jamais irá ignorar um aliado dos Jotuns."
"Jamais. Ela estaria se expondo a muitos perigos." — Ymir diz.
"Não se preocupe, eu vou ficar bem." — Karma diz.
"Relaxa, cara. Eu vou estar junto. Prometo socar a cara de qualquer um que tentar encostar um dedo nela." — Kuzuha afirma, confiante.
"Sobraram Ymir e Nyra. Vocês dois ficarão aqui." — Fenrir diz.
"Mas eu sou o príncipe de Yahren. Não posso abandonar meu povo assim." — Ymir diz.
"Se pensa que isso é abandono, você é patético." — Fenrir diz, friamente. "Você é uma das peças principais, não pode sair como se fosse um plebeu. E um líder não sai para o campo, ele manda suas tropas e continua criando estratégias para o futuro. Você vai ficar aqui e planejar os próximos passos."
"Eu nunca parei para olhar por esse lado..." — Ymir diz.
"Isso num é justo ! Quero ir também !" — Nyra reclama.
"Você é, uh… única. E isso é de extrema importância para o resultado final do plano. Fique ao lado de Ymir." — Fenrir diz.
A Viridy dá uma risada inocente. "Ahahaha ! O moço educado fala um monte de palavra grande que eu num entendo, mas me chamou de alguma coisa boa. Então, eu vô fazê o meu melhó."
"E onde você se encaixa nesse plano ?" — Isolde pergunta. "Não vi mencionar seu próprio nome."
"Não se preocupe, também irei à cidade. Tenho... meus próprios planos. Conheço aliados que podem ajudar." — Fenrir diz.
"Beleza, o plano tá pronto. Agora que a gente já sabe o que vai fazer, o que, uh, a gente faz ?" — Kuzuha pergunta, coçando sua nuca confuso. "Tipo, a gente começa agora, ou... ?"
"Quanto mais rápido melhor. Não podemos nos dar o luxo de esperar Fafnir se preparar." — Ymir diz.
"Mas já passou da hora do almoço. Eu fiquei horas andando até aqui, sem parar. Dá pra gente comer alguma coisa antes ?" — Kuzuha reclama.
"Você é patético." — Alucard diz.
O delinquente fica um pouco constrangido. "Não custava perguntar, pô…"
O príncipe limpa sua garganta, mudando o assunto. "Estou contando com todos vocês. Somos a última esperança de Yahren. O povo está contando conosco. Não podemos falhar."
"E não iremos, vossa majestade." — Isolde se curva. "Vamos. Ficaremos nas proximidades do castelo, esperando os guardas entrarem em ação."
Kala, Isolde e Alucard se cobrem com os mantos e vão embora.
"Boa sorte, cubo e gelo !" — Kuzuha diz, acenando.
"Morra." — Alucard diz, no seu tom frio de sempre.
Kuzuha se vira para Ymir. "Relaxa. Esse é o jeitinho carinhoso dele." — Ele pega a mão de Karma e a puxa. "Simbora. A gente tem que distrair um povo... e eu tô com fome."
"Até logo, Ymir." — Karma acena, se despedindo.
"Tem algum daqueles mantos para alguém do meu tamanho ?" — Fenrir pergunta. "Imagino que não possa mais mostrar meu rosto em Yahren."
"Na verdade, tenho." — Ymir diz. Ele vai embora e traz um manto maior. O príncipe hesita, mas entrega o manto. "Era de um... amigo. Pelo menos, eu o considerava um. Se não for pedir muito, peço que tome cuidado com ela."
"Certo. Farei o possível." — Fenrir diz. Ele põe o manto e vai embora.
"Sobramos apenas eu e você, agora. Vamos começar a bolar um plano ?" — Ymir pergunta.
Nyra concorda com entusiasmo. "Eu vô ajuda. O que é um plano ? É de comê ?"
O príncipe fica confuso. "Uh... Perdão ?"
"Ah ! Deve sê de vesti !" — Nyra diz.
Ymir respira fundo e fecha seus olhos lentamente, aceitando a situação em que está.
Kuzuha e Karma estão em uma praça.
"Bom, a gente só precisa chamar atenção, né ?" — Kuzuha pergunta. Ele põe uma mão em seu queixo, pensativo. "Só gritar que você é uma princesa perdida não vai funcionar."
Os dois pensam por um instante, até que Karma tem uma ideia. "Eu sei de uma coisa que pode funcionar. Quando eu terminar de falar, você mostra os dentes e faz cara de mau."
Kuzuha inclina sua cabeça, confuso. "Uh... Eh ?"
"Confia em mim. Ah ! E, por favor, tira seu Vizer por um segundinho. Acho melhor você não ouvir isso..." — Karma diz.
O delinquente estranha, mas o faz. "Ok..."
"Dankon." — Karma diz. Ela respira fundo. "ĈI TIU HOMO ESTAS RADIKO DE YGGDRASIL !"
Kuzuha rosna e faz a careta mais ameaçadora que consegue. Todos começam a correr, desesperados.
O delinquente põe seu Vizer de volta. "Huh, funcionou mesmo. O que você disse ?"
"Nada, uh, muito importante." — Karma diz, disfarçando o olhar. "Mas você meio que nunca mais vai poder dar as caras aqui de novo, depois disso..."
"O-O que você disse !?" — Kuzuha se espanta.
Alguns guardas chegam.
"Alí está a ameaça !" — Um guarda diz.
Karma pega Yoko, que imediatamente se transforma em um chicote. "O que importa é que conseguimos o que queríamos."
Enquanto isso, perto das paredes do castelo. Kala, Isolde e Alucard estão escondidos, observando os guardas.
"Atrás daquele portão, tem um pátio com uma fonte. O que significa que também tem um sistema de drenagem. Por sorte, ele leva para todo canto no castelo." — Kala diz. "Se vocês distraírem os guardas e fazerem eles pedirem reforços, o portão vai abrir e eu vou poder me infiltrar. Além disso, vocês dois são grandes demais para o sistema de drenagem, então eu sou a única que vai poder entrar."
"Podemos bolar um plano elaborado para derrubarmos os guardas sorrateiramente, sem causar nenhuma comoção extremamente alarmante." — Isolde diz.
"Não vai rolar." — Kala diz.
"Por que acha isso ?" — Isolde pergunta.
A Ürok aponta para trás dele. Alucard saiu do esconderijo e está indo diretamente para o portão. A presença do jovem imediatamente alerta os guardas, que cercam ele.
"Escória Jotun !" — Um guarda com uma lança diz.
"Aquele idiota imprudente não consegue seguir um comando ?!" — Isolde reclama.
"Não vamos deixar que cause problemas para Vossa Eminência !" — Um guarda com uma espada diz. "Morra !"
Todos os guardas avançam em Alucard com armas preparadas.
O jovem permanece imóvel. "Hmpf. Vermes patéticos."
Quando os guardas se aproximam mais, o jovem cria uma katana com seu gelo e rapidamente se defende de um golpe em suas costas. Ele se abaixa, desviando de um ataque com uma lança, que acaba acertando o guarda que o atacou pelas costas bem no peito. Num movimento rápido, Alucard usa sua katana para cortar fora o braço do guarda que o atacou com a lança. Ele pega essa lança e se joga para cima com ela, desviando do ataque de três outros guardas. O jovem cai em cima de um com sua katana, cortado seu pescoço. Ele desvia de outro ataque, enfia sua katana no estômago desse guarda e o corta ao meio, sua lâmina atravessando a armadura como uma faca quente na manteiga. Alucard cria um espinho e gelo no chão e dá uma rasteira em um guarda, fazendo ele cair empalando sua cabeça. Não há mais guardas vivos perto dele. Alguns guardas chegam no topo da muralha e disparam rifles. Em um rápido e preciso movimento, o jovem desliza as balas pela sua lâmina e devolve elas, acertando a cabeça de cada guarda em cheio.
Isolde e Kala se aproximam.
"Eles são inocentes, seu monstro ! Só estão sobre o controle de Fafnir !" — Isolde reclama.
"Quieto. A não ser que queira ser o próximo." — Alucard aponta sua katana para o cavaleiro, o ameaçando.
Isolde range seus dentes. "Ora, seu-" — Ele é interrompido quando vários passos, seguidos de passos pesados, começam a se aproximar, atrás do portão.
"Matem esse desgraçado !" — Um dos guardas grita.
O portão começa a se abrir.
"Vocês brigam depois !" — Kala se agarra em Isolde. Ela deixa os dois invisíveis.
O portão termina de se abrir. Vários guardas chegam e outros sobem na muralha, apontando seus rifles para Alucard. Um guarda em especial é bem maior e mais musculoso que os outros, e está com bolas de demolição nas mãos. Ele bate essas bolas, jogando faíscas para todos os lados e tremendo o chão.
"Aquele que empunha uma arma também está preparado para cair por causa de uma." — Alucard diz. Ele aponta sua katana para a multidão de guardas. "Dê um passo à frente, aquele que deseja a morte primeiro."
Todos os guardas avançam na direção dele.
Kala e Isolde conseguem se infiltrar no pátio e se aproximam da fonte.
"Aqui, o sistema. Eu só preciso-" — Kala diz, sendo interrompida quando um guarda os vê.
"Chamem mais reforços ! Têm mais Jotuns aqui !" — O guarda grita.
Uma voz masculina forte e comandante pode ser ouvida, vindo de um corredor. "Isso não será necessário." — O barulho de uma armadura pesada se aproximando também pode ser ouvido. Do corredor, aparece um Ürok grande e musculoso de pele verde escura, de postura ereta e poderosa, com tatuagens tribais em seu rosto, dreads curtos pretos, uma barba curta também preta, olhos azuis, com um olhar sério e focado e uma grande cicatriz cruzando seu olho esquerdo, usando uma armadura pesada dourada, com detalhes em azul cobalto e vermelho-cinábrio, e com uma espada de cabo vermelho com uma lâmina grande negra, retangular e grossa, como um simples retângulo de ferro negro. A presença imponente dele é o suficiente para fazer o guarda se curvar e ir embora.
A feição de Isolde muda para uma mais séria. Traumatizada, até. "...Eu sabia que viria. Era só uma questão de tempo." — Ele puxa seu florete dourado da bainha e o põe na frente de Kala. "Vá. Eu cuido das coisas aqui."
"Beleza. Mas toma cuidado com essa parede aí. A gente sabe que ele não é brincadeira." — Kala diz. Ela enfia uma de suas ferramentas em uma grade, arrebenta ela e entra no sistema de drenagem.
"Assim que terminar com você, ela será a próxima. Saia do meu caminho, e irei te poupar." — O Ürok diz. "Ambos sabemos que, mesmo que consiga penetrar minha armadura, não tem a capacidade para matar seu mestre."
"Não me impede de tentar." — Isolde responde, friamente. "Não sei porquê traiu a vossa majestade, aquele que lhe deu tudo, que te fez o homem honroso que foi no passei, mas não vou deixar que continue. Por isso, eu digo novamente..." — Ele aponta seu florete dourado para o Ürok com determinação e angústia em seus olhos. "…Vanadiel D'Argentine, seus crimes contra a realeza de Yahren não serão perdoados ! Eu, Isolde Valcroix, membro dos Lâminas Imortais, irei executá-lo pessoalmente, aqui e agora !"
Ymir e Nyra estão sentados à mesa.
"Eu acho que deveríamos tentar um ataque surpresa por aqui, na próxima vez." — Ymir diz.
"Tipo, chega bem pertinho e pega esse Faf... Faf... Esse véio malvado de surpresa ? Concordo." — Nyra diz.
"Você, uh... Você não tem nada a adicionar ? Vai apenas concordar ?" — Ymir pergunta, confuso.
"Cê quer que eu faça o quê ?" — Nyra pergunta.
"Me dê seu ponto de vista sobre a situação para podermos comparar as ideias e vermos qual hipótese é a melhor." — Ymir diz.
Nyra dá uma risada inocente, enquanto balança suas pernas e cauda. "Ahahaha ! Moço pássaro disse uma monte de palavra grande."
O príncipe solta um longo suspiro, desapontado. Ele nota que Nyra está batendo na mesa com uma garra, de uma maneira hipnótica e rítmica. "Tudo bem com você ? Está ansiosa ?"
"Tô bem." — Nyra diz. Ela percebe o que sua garra está fazendo e para. "Esquisito... Agora que ocê falou... Eu tô sentindo uma coisa ruim..."
"Seria uma sensação de desconforto repentino, sem saber de onde vem ?" — Ymir pergunta.
"Num sei explica... Acho que sim ?" — Nyra responde, confusa.
O príncipe fica sério. "…Porque estou sentindo a mesma coisa."
As orelhas da Viridy começam a se mexer.
"Ouviu alguma coisa ?" — Ymir pergunta.
Nyra apenas concorda em silêncio. Os dois ficam em silêncio, olhando para todos os lados. O ambiente fica mais tenso. De repente, Nyra pula da cadeira, se jogando para trás, e Ymir faz o mesmo. Algo cai na cabana, destruindo o local violentamente.
A Viridy se protegeu com sua armadura. Ela tira alguns destroços de cima do príncipe e o ajuda a levantar. "O-Ocê tá bem !?"
"Não se preocupe. Minhas asas são mais resistentes do que parecem. São boas para me proteger." — Ymir responde.
"Devo admitir, confesso tê-los superestimado. Pensei que aquele golpe seria o suficiente, por isso, me segurei. Mas esse erro não se repetirá." — ??? diz.
Nyra se vira. Ela vê um homem humano de cabelo castanho até os ombros, amarrado em um rabo de cavalo bagunçado, com os olhos vendados por uma venda branca, barba curta, vestindo um robe branco, uma jaqueta de couro por cima, sandálias também de couro, usando um longo cachecol preto, cheio de cruzes douradas por ele, e segurando um livro velho com uma capa de couro vermelha e adornos dourados.
"Astrarion, eu presumo." — Ymir diz, sério.
Astrarion abre seu livro e passa o dedo por ele. "Que o senhor todo poderoso, Fafnir, abençoe meu corpo para que, com ele, eu possa destruir todo mau que assombra nosso paraíso..." — Terminando de dizer isso, o homem fecha seu livro e o guarda. "Que a Vossa Eminência tenha piedade pelas suas almas..." — Ele começa a forçar. De repente, seu corpo começa a se transformar. Astrarion um metro maior, e pelos brancos, chifres e cascos de carneiro começam a crescer no seu corpo. "…porque eu, sua ferramenta divina, não terei."
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