Notas iniciais
Pov. Kane. Espero que gostem!!!

A primeira vez que notei algo de estranho na minha família, eu tinha cinco anos, acredito que Dylan demorou um pouco mais para notar. Ainda muito pequeno acreditei que as brigas dentro da minha casa eram normais, que todos os papais e mamães no mundo tinham uma rotina igual a da nossa família.

Minha mãe, Lavínia Hunter, possuía longos cabelos brilhosos, olhos grandes e expressivos e era uma mulher muito doce, o que muitos dizem hoje ser uma pessoa romântica.

Ela vivia lendo seus romances, sempre com um livro por perto e um olhar sonhador no rosto. Ela normalmente estava sorrindo para seus filhos, mesmo depois que meu pai batia nela.

Enquanto crescia, perdi a conta de quantas vezes a vi sentada em frente a sua penteadeira cobrindo com a ajuda de maquiagem o pior do seus hematomas.

Quando era muito ruim, ela ficava alguns dias de cama, com meu pai nos mantendo afastados e tínhamos muita comida congelada.

Uma vez, no dia em que entendi que tudo estava errado, Dylan e eu estávamos na casa de um colega de creche, comemorando um aniversário, havia muitas crianças espalhadas e todas gritavam e corriam, eufóricas pelo excesso de açúcar.

Os pais do aniversariante se tratavam de um modo estranho aos meus olhos. Mesmo não entendendo muito bem sobre as designações, eu sabia que eles eram um casal Alfa e Ômega, igual aos meus pais.

Mas, o cheiro deles eram engraçado, combinavam de uma maneira que nunca tinha sentido antes, e seus gestos eram quase uma dança, o Alpha adorava o seu ômega e fazia questão de todos soubessem, parecia que eles se comunicavam por pensamentos de tão sincronizados que eles estavam.

O tempo todo em que os observei, eles se tocavam, acarinhavam e sorriam para o outro com olhos cheios de sentimentos.

Mesmo achando nojento, afinal eu tinha cinco anos, era inegável o carinho que ambos sentiam. O Alfa beijava o pescoço de sua esposa Ômega, às vezes cheirava seus pulsos, e a acariciava de modo reverente.

Antes desse aniversário, nunca tinha parado para notar a interação de outros casais, meu ponto de referência era unicamente os meus pais. Então, ao chegar em casa, Dylan estava praticamente rolando no chão em agitação por ter comido muitos doces, enquanto eu fui refletir sobre o meu papai.

Meu pai, também um Alfa, trabalhava para a agência de polícia e estava sempre ocupado.

Mas, quando estava em casa, ele nunca tratava minha mãe do modo que aquele outro Alfa fazia com sua esposa.

A dinâmica deles era completamente diferente, nunca houve beijos no pescoço, cheiro nos pulsos, ou carinhos cuidadosos.

Quando meu pai chegava do trabalho, minha mãe tinha que estar com o jantar pronto, a casa em ordem e todos devidamente de banho tomado, não havia jogos ou brincadeiras, ninguém podia ficar em cima dele, e ele sempre tinha o controle do que assistimos na televisão.

Eu nunca o vi tendo nenhum gesto doce para ela. Mas, havia críticas, demandas e regras que não podiam ser nevadas.

Qualquer pedido dele tinha que ser rapidamente atendido por ela.

Qualquer coisa fora do lugar, uma resposta espertinha, ou apenas porque ele não tinha tido um bom dia no trabalho, era seguido por agressão verbal e física.

Ele sempre teve que vir em primeiro lugar.

Então, as agressões, o choro é o constante cheiro de medo dos feromônios da minha mãe, passaram a ser inaceitáveis para mim.

Aquela noite também foi a primeira vez que apanhei violentamente dele. No dia em que me meti em sua briga com minha mãe.

Dylan tinha adormecido no sofá da sala, mas eu fiquei acordado e quando ele foi para cima dela, eu interferi e levei toda a surra.

Minha mãe estava arrasada ao me ver machucado, e me fez jurar não me intrometer, e eu tentei muito, mas às vezes, quando ele se voltava para ela, eu rapidamente me metia em alguma confusão, ou agia de algum modo que pudesse trazer a atenção dele para mim, e não para ela.

Quando Dylan entendeu o que estava acontecendo, logo tratou de me ajudar, ou tomar a iniciativa. Algo que nem minha mãe e nem eu aprovamos.

Acredito que as nuances de medo e sofrimento manchadas em seu cheiro, acabavam por me fazer mais forte e mais corajoso, ano após ano.

Infelizmente, minha mãe não conseguiu suportar muito do abuso que sofria, e poucos anos depois morreu.

Meu pai, sendo da polícia, conseguiu abafar e esconder o caso. Dylan e eu ainda éramos muito jovens, e sequer tínhamos apresentado.

O cheiro de sua medo e sofrimento sempre será uma lembrança amarga em meu peito.

Por isso que no instante em que sou assolado novamente pelo cheiro de um Ômega colocado nesta situação, sinto o meu mundo girar fora do seu eixo.

A verdade é que eu ficaria incomodado com qualquer ômega em extrema dificuldade, mas todos os meus instintos mais Alfas foram agressivamente bombardeados.

Tudo começou com uma festa, que eu nem queria estar. Me forcei a ir, meramente porque meu irmão estava indo e nos últimos dias não parou de me irritar sobre Emma, acasalamento e pares altamente compatíveis.

Então, me forcei a estar em uma festa que não queria, apenas para provar que ele estava errado e que eu ainda era o mesmo de sempre. Talvez sair de lá com uma estudante beta e transar durante toda a noite, me fariam esquecer da necessidade que sentia por minha gatinha.

Encontrar alguém para conversar e flertar, não foi nada difícil.

Sheila era bonita, divertida, e eu podia dizer que estava cem por cento a fim de uma noite de sexo sem amarras.

Em algum ponto da festa, fiquei sabendo da chegada de uma garota Ômega, todos os Alfas estavam animados com isso, já que as moças e rapazes dessa designação não participam das festas do campus.

Logo, a participação de um, levaria a participação de outros.

Entretanto, não me incomodei em saber quem era o tal Ômega corajoso em se aventurar numa festa de fraternidade Alfa.

Continuei meu flerte seguro com Sheila, e pouco depois, fui assaltado por alguém pulando em cima de mim.

Soube quem era imediatamente, meu nariz nunca me enganaria com qualquer feromônio que não fosse da minha gatinha.

Esse, sem dúvida, foi um dos momentos mais aterrorizantes da minha vida. Ela me escalando e implorando pela minha proteção. Seu cheiro perfeito me cercando e subindo pelo meu nariz, destrancando tudo por dentro e liberando o pior dos meus instintos Alfa.

Tudo depois foi uma incrível bagunça, seus olhos azuis estavam praticamente pretos, com suas pupilas dilatadas ao máximo, cada parte dela exalava medo e sofrimento.
Enquanto o feromônio azedo de um outro Alfa se agarrava em suas roupas e levemente em seus cabelos.

Pela primeira vez, depois que abandonei a casa do meu pai, entrei em um estado de pânico e agressão.

Eu queria o sangue desse alfa nas minhas mãos, queria quebrar o filho da puta em um milhão de pedaços, talvez desmembrá-lo de modo violento e depois entregar sua carcaça amaldiçoada nos pés do meu ômega, uma oferenda digna ao destruir alguém que a agrediu.

Entrei em uma maré de raiva e destruição, meus instintos mais profanos nadando comigo nesse mar se vingança.

Meu sangue exigia isso, nunca senti uma raiva nessa proporção. Nem por minha mãe.

Emma foi quem me segurou na realidade caótica dos meus piores pensamentos, porque eu precisava que ela estivesse em segurança. Não adiantava nada eu não me segurar na razão, em não estar próximo dela, em negar meu alfa interior e todos os impulsos voltados para o ômega em meus braços.

Não foi difícil desligar o meu controle e me abandonar nos instintos de cuidar, proteger e prover.

De certo modo foi um alívio de todo o controle que estava mantendo nos últimos dias. De toda distância que nos impus.

Ter que me separar dela por um segundo, foi aterrorizante para mim. Todavia, precisava colocá-la dentro do carro, e correr para entrar ao lado dela.

Emma mal pode esperar pelo fechamento da porta antes de pular sobre mim.

Seu corpo inteiro tremia, enquanto ela voltava a escalar o meu corpo, suas curvas femininas se encaixando em mim.

O vermelho de sua roupa era um contraste delicioso com a tonalidade cremosa de sua pele exposta. Tive que controlar tudo o que sou para não reagir aos seus avanços, seus olhos vidrados me aterrorizavam.

Era inegável que seus instintos Ômega estavam no controle. Minha gatinha exigia as glândulas no meu pescoço, sua língua me lambia onde nunca permiti que alguma mulher encostasse.

Para um alfa e um Ômega, as glândulas no pescoço são as mais frágeis e um dos principais pontos eróticos, pois são elas que acasalam. Uma mordida e tudo está feito, perante a lei e por toda uma vida, o casal Alfa e Ômega é casado.

Na verdade é pior do que um casamento Beta, pois entre os betas ou qualquer formação de casal que não seja a alfa e ômega, os feromônios não estão envolvidos, logo, você não sente uma necessidade física de ter o seu parceiro por perto, de perfumar seu cônjuge, e principalmente seus instintos não são massacrados quando vocês são separados.

Não sou acasalado com Emma e antes de conhecê-la, sabia exatamente para onde a minha vida estava indo, meus planos para o futuro nunca envolveram um Ômega em meu caminho, ou me apaixonar por um deles, ficar obcecado com um feromônio dessa designação e sofrer por não tê-la ao alcance dos meus olhos.

Desde que conheci Emma, me transformei em alguém que jurei não ser, mas sou puxado para ela. Deus sabe o quanto tentei me manter afastado, sabe de todas as noites em claro, ou dormindo muito pouco por não estar perto dela.

E jurei nunca revelar, nem mesmo para meu irmão gêmeo, que é minha metade, todas as vezes em que a segui, ou apenas me aproximei de algum lugar onde ela estava, meus instintos gritando para conseguir uma breve visão dela, ou um rápido cheiro de seus feromônios.

Sei que meu pai fez exatamente isso quando acasalou minha mãe a força, ela era jovem e estava na universidade, meu pai gostou do jeito que ela cheirava e decidiu tê-la. O bastardo adorava nos contar essa história, de como ele foi esperto e conseguiu um Ômega somente para ele. Minha mãe nunca pode terminar a universidade.

Tenho certeza que o filho da puta nunca parou para pensar que a tinha assaltado sexualmente e mais para frente a estuprou, forçando-a a carregar seus filhos e espancando-a sempre que desejasse.

Me odeio por não ter controle, me odeio por me tornar exatamente o que meu pai foi, seguindo seus passos diabólicos e riscando o meu destino exatamente como ele fez o dele.

Mas, não consigo recusar o ômega em meu colo. Seu corpo feminino se esfregando no meu e implorando pelo meu gosto alfa e pela proteção do meu corpo. Não sei como consegui me concentrar a suficiente para tirar meu celular do bolso da minha jaqueta e para, em seguida, ligar para o meu irmão.

Ele mal tinha atendido quando comecei a gritar uma infinidade de comandos, meus instintos estavam martelando por dominância e banho de sangue. Meu corpo estava rígido com adrenalina, enquanto tentava desesperadamente trazer conforto para meu ômega.

— Alguém atacou Emma, porra. Descubra quem foi. — Estou gritando no celular, não sei se Dylan consegue entender algo que digo, afinal, metade do tempo estou xingando e na outra estou rosnando, no final, tenho que desligar meu celular e voltar minha atenção para Emma.

Seus olhos de corça assustada são enormes e cheios de emoção, o ômega nela gritando por ajuda.

O seu perfume é inacreditável e está manchado pelo cheiro de algo amargo e violento, um odor que mistura luxúria de uma rotina em pleno desenvolvimento e agressão. Isso mexe diretamente com meus instintos mais profundos, aqueles que a todo custo tento afogar. Mas, que agora, estão chicoteando dentro de mim com todas as forças.

Tenho que perfurmar suas glândulas de feromônio, o meu cheiro deve ser a prioridade nela, nossos odores tem que estar mesclados em um só. Meus dentes e gengiva doem de vontade de morder seu pescoço, quebrando a sua pele perfeita e acasalando esse ômega.

Por isso, no instante em que Emma me oferece seu pescoço, me sinto tremer inteiro de necessidade, lutando comigo mesmo por controle. Não posso fazer isso, não dentro de carro no estacionamento de uma festa.

—Alfa não quer ômega? — Sua voz doce me questiona cheia de medo e dor. Seu pescoço esta erguido e meio inclinado para que eu tenha espaço em alcançar sua pele. As pequenas e arredondadas glândulas, estão rosadas e a forma em que minha gatinha se inclina para perto do meu rosto me faz selvagem por ela.

—Deus, Emma. Não faça isso. — Minha última suplica de controle é morta, não sei em que momento aconteceu, mas no instante seguinte estou me afogando em seu cheiro é gosto.

Se eu achei que enlouqueceria ao provar as glândulas de seus pulsos no dia em que ela esteve em meu apartamento, as que estão na base de seu pescoço são verdadeira ambrosia para o meu paladar.

É como tentar descrever o paraíso, e seu gemido entregue de prazer, arranha e ao mesmo tempo acaricia meus instintos.

Me sinto poderoso, forte, um verdadeiro Alfa. Estou fazendo aquilo que nasci para fazer, estou protegendo o meu ômega, provando de sua pele e dando conforto para ela.

Não importa que meu pau esteja mais duro do que nunca, o que é muito doloroso, tudo é para Emma. Estou na palma de suas mãos, a satisfação de enfim poder escutar seus gemidos entregues me faz sentir gigante.

Quero prover para ela, quero acariciá-la, quero juntar minha vida com a dela. Porra, eu construiria uma casa para ela, quero um maldito cercado branco, grama cortada e Emma, todos os dias. Por uma eternidade.

Eu realmente me tornei a porra de um romântico de merda.

Mas, talvez, por Emma, tudo valha a pena.

No momento que consigo acalmar a guerrilha de emoções vindas diretamente da minha designação, consigo notar uma mudança significativa em Emma.

Seus feromônios selvagens passaram para algo mais doce e controlado, ainda não é o que reconheço ser dela, mas está próximo o suficiente para que eu permita que ela se afaste de mim.

É claro que minha Emma está petrificada com tudo o que aconteceu, sua expressão envergonhada é gritante.

— Kane? — É a primeira palavra lógica que escapa de seus lábios.

—Olá, gatinha. Bem-vinda de volta. — Digo, sem pensar muito, estou sem fôlego, mas realizado, por ter conseguido trazê-la de volta.

Não gosto quando ela sai do meu colo e se senta ao meu lado. Não gosto de não poder tocar sua pele e me enterrar em seus feromônios Ômega.

Aos poucos observo o constrangimento da situação crescer em seu rosto, suas face se torna rosada e seus olhos se arregalam de vergonha.

Seus lábios rosados se abrem muito lentamente. E não posso me conter, quando me inclino em sua direção e levo a minha boca para a dela.

Meus instintos mais selvagens ronronam de prazer, especialmente depois que a sinto derreter em meus lábios, sua submissão é deliciosa, igual ao gosto dos seus lábios. Parece que Emma é doce em toda parte, provar o gosto da sua boca é quase religioso, mesmo que nosso beijo seja o mais casto possível.

A todo o momento tenho que me lembrar de não invadir de modo brutal o espaço dela, e a assustar ainda mais. Afinal de contas, Emma sofreu um abuso hoje. Tudo o que ela não necessita é outro alfa super excitado em cima dela.

Quando me afasto da minha gatinha, digo qualquer coisa apenas para tirar a minha cabeça da questão fundamental de voltar para ela, e beija-la de modo nada casto.

E isso me leva a outra luta interna pela supremacia entre os meus instintos Alfa, e quem sou.

Decido levar Emma para um restaurante italiano, não é nada chique ou extremamente caro, afinal estamos ao redor de um centro universitário, todavia a comida é boa e é um ambiente agradável.

Sei que minha Emma vai gostar, e não posso afogar meus instintos o suficiente para não me preocupar em prover e proteger. Eu preciso fazer isso por ela, tanto quanto preciso respirar.

Posso dizer que trazer Emma de volta para a consciência, longe dos seus piores instintos Ômega, foi uma grande vitória para mim. Poder vê-la, recuperada e bem é algo que me aquece por dentro. Estou quase ronronando de prazer por poder novamente ver o brilho de céu em seus olhos azuis.

Eu não consigo explicar em palavras o que prover para minha Emma, faz comigo. Ter a honra de ajudá-la, de mantê-la segura, de ver o brilho voltar para as suas feições delicadas. Esse sentimento que não consigo nomear cresce em meu peito, se espalha por meu corpo, até chegar as pontas dos meus dedos da mão e dos pés, e me faz querer rugir se satisfação.

Por isso, quando ela questiona os meus motivos para ajudá-la, alegando que nada disso era minha obrigação, tenho a coragem de dizer a verdade.

— Você nunca será um fardo, Emma. Poder te ajudar é uma honra, é o dever mais bonito que tenho. Você não imagina o que prover para você faz comigo. — É um alívio poder dizer a verdade, deixar meu instinto e todos os meus sentimentos por ela escapar de mim. Poder sentir sua pele na minha, quando nossas mãos estão se tocando.

Posso sentir seus feromônios ao meu redor, eles nadam em calmaria e prazer. O que apenas reforça meus próprios sentimentos.

Nesse momento me lembro de Dylan dizer que somos um par altamente compatível, e quando estou assim, tão pertinho dela, acredito nisso.

— Alfa. — Sua resposta chamando pela minha designação é um carimbo perfeito para selar meu destino em direção a ela.

Se somos mesmo um par Alfa e Ômega altamente compatível, logo, não importa em que circunstância nós nos encontraríamos. Emma e eu ainda estaríamos em rota de colisão um para o outro.

E quando estou olhando nos olhos do meu Ômega, posso afirmar que não existe nada mais doce que isso. Me sinto o homem mais forte da terra, o alfa mais poderoso.

Emma Carter é rara e especial. Preciosa.

Não sei o que nos espera no dia de amanhã, mas durante esta noite, Emma é minha para cuidar, proteger e prover.

Voltar para o apartamento não foi tão difícil quanto esperava, eu até sugeri deixar Emma em seu dormitório estudantil, e se ela tivesse aceitado, sei que passaria minha noite inteira do lado de fora do seu prédio. Mas, Emma, igual a mim, ainda estava muito ligada nos hormônios, logo uma separação entre nos dois seria dolorosa e difícil.

Eu já estava no limite do meu controle, se Emma não estivesse ao meu lado, não sei de que modo conseguiria amarrar o pior dos meus instintos.

Se eu não estivesse naquela festa, o que seria se Emma? Quem a ajudaria e protegeria? Para os braços de qual alfa ela se lançaria, totalmente dominada pelos instintos e sem controle do seu pensamento lógico.

Quando penso em outro alfa com suas mãos nela, sinto violência queimar em meu sangue.

É assustador admitir, mas para protegê-la, eu colocaria fogo nessa universidade. Enfrentaria todos os Alfas do campus, qualquer um que se atrevesse a entrar em meu caminho até ela.

É melhor que Emma não saiba disso ou ela correria para nunca mais voltar. Porque tenho a possessividade de um lunático, a mesma que corre nas veias do meu pai.

Quando Emma está sentada no sofá do meu apartamento, é que consigo dar meu primeiro suspiro tranquilo da noite.

Antes de entrar em meu quarto, ainda dou uma espiada nela e fico sem fôlego pela sua beleza. Seu cheiro transmite certa tranquilidade e confiança.

Já eu, entro em um estado alfa difícil de sair. E mesmo não me entregando inteiramente a ele, ainda o sinto dominar muito dos meus movimentos.

Quando estou na busca de algo que pode trazer prazer e vínculo para seus instintos Ômega, me chega em memória uma lembrança de minha mãe, é o que ela costumava fazer para se sentir segura depois de levar uma surra do meu pai.

Imediatamente, começo a revirar meu guarda roupa, retiro todos meus lençóis, cobertores e edredons.

Todos são novos, afinal de contas, Dylan e eu não trouxemos nada quando saímos da nossa antiga casa, então tivemos que comprar tudo novo.

Meus instintos ainda gritam que são poucos, que todos esses tecidos não serão capazes de fazer um bom ninho.

É estranho me pegar pensando em nidificação. Nunca tive esse instinto gritando em mim antes, é desconfortável e necessário. Mas, ainda preso em minha estranheza não faço mais nada, apenas deixo os tecidos sobre a cama e olho em volta mais uma vez.

Minha outra opção seria invadir o quarto de Dylan e conseguir mais cobertores para ela. Entretanto, meus instintos gritam que não. Não quero os feromônios do meu irmão misturados no ninho de Emma. Pensar nisso me faz rosnar de frustração.

Estou ficando louco. Isso é ser altamente compatível com alguém? Essa tsunami de sentimentos conflitantes que me assola de todos os lados.

Tenho que respirar profundamente para começar a me acalmar. No instante que me sinto abaixar a agressividade do meu corpo, chamo o nome da minha gatinha e peço que ela venha até mim.

Eu pareço um menino em minha espera por Emma, meus instintos gritam que ela tem que gostar do que ofereço.

Quando ela aparece, ainda muito tímida na porta de meu quarto, sua face rosada de vergonha enquanto seus olhos curiosos analisam tudo ao seu redor.

No momento que seus olhos se fixam na pilha de tecidos em cima de cama, sinto meus lábios abrindo em verdadeira supresa.

— Sei que Ômegas quando passam por momentos difíceis, gostam de se aninhar para se sentirem seguros. — Minha voz é firme, mas ainda sai errada em meus ouvidos, quase posso ouvir meu pai me chamando de viadinho, por baixar meu tom alfa para satisfazer um Ômega. — Eu não tenho muitos cobertores e nem tecidos macios, mas espero que um pequeno ninho possa te trazer conforto.

O rosto se Emma passa por uma enxurrada de emoções, até que a vejo dar um primeiro passo em minha direção, depois um segundo e um terceiro. Com rapidez ela se joga em meus braços.

É claro que a recebo de braços abertos, meus instintos praticamente gritam para nunca mais a soltar.

Suas lágrimas não me incomodam de maneira alguma, elas se tornam o combustível que preciso para me vingar do seu ataque.

Todo o seu relato detalhado do que aconteceu, parece um filme de terror. E o tempo todo penso que quase a perdi.

Pela imposição de um estuprador, eu quase a perdi. Se Emma não fosse uma mulher astuta, inteligente e capaz de se defender sozinha. Eu não poderia fazer nada por ela, minha gatinha viraria estatística, nem as autoridades ou a medicina conseguiriam reverter seu acasalamento. Ela estaria sozinha, vivendo uma vida infernal na mão de um lunático.

O perfume dos seus feromônios perfeitos, agora estavam manchados com dor e medo, um odor amargo de solidão e desamparo. Fazia o meu nariz coçar e violência queimar ainda mais intensamente em meu sangue.

— Eu quebrei o nariz dele. — Suas palavras doces e chorosas acendem meu peito em orgulho. — Fiz uma das manobras de escape e quebrei o nariz dele em minha fuga.

Não posso expressar o orgulho imenso que tive dela, Emma é um Ômega no estilo mais clássico, doce brilhante, mas em seu interior ela é feroz e astuta. E nem vou começar a falar de sua inteligência e capacidades, posso passar uma vida admirando a mulher maravilhosa que ela é, e ainda assim depois de uma vida inteira, estou certo de que ainda estaria curioso sobre ela.

Em algum momento ela decide que quer tomar banho, o que aprovo, assim o cheiro desagradável do alfa que a atacou irá embora.

Quando Emma sai para o banheiro e inicia o seu banho, tenho coragem de tirar o meu celular do bolso e iniciar minha investigação.

Primeiro mando mensagens para Dylan e depois para Josh Tunder, presidente daquela casa Alfa. Posso não demonstrar com clareza, pois não quero assustar minha gatinha, mas estou furioso. Homicida.

"Estou caçando. O desgraçado ainda não apareceu, mas existe um cheiro podre no ar.
D."

Não consigo evitar que um rosnado escape de meus lábios, meu corpo vibra com violência e vingança, meus instintos batalhando por controle.

"Procure alguém de nariz quebrando e muito sangue na roupa. Emma conseguiu machucá-lo.
K."

A resposta de Dylan não demora nada para chegar.

"A baixinha está bem? Ele conseguiu mordê-la?
D"

Sua mensagem apenas me irrita mais.

"Ela está bem, o bastardo morto não conseguiu mordê-la. Encontre o desgraçado.
K."

"Ele não vai sair dessa festa sem passar por mim.
D."

Ainda trocamos algumas mensagens sobre Emma, Dylan me informou sobre Bryanna, a amiga que levou, minha gatinha para a festa. Mal termino as minhas mensagens para meu irmão e já estou entrando em contato com Josh Tunder.

Todavia, não consigo escrever uma mensagem para ele, não quando sou tomado por uma fragrância de medo e agitação.

Posso afirmar que meu corpo reage e se mexe antes que eu tenha tempo para pensar nisso. Emma está na porta do meu quarto, exalando preocupação com a amiga que deixou na festa e que a abandonou sozinha sem pensar duas vezes.

Seus incríveis olhos azuis são muito expressivos, seus sentimentos são um livro aberto para mim, por isso que ao notar seu lado Ômega acender para mim, decido que é hora de me afastar ou posso fazer uma barbaridade.

Emma não precisa de uma porra excitada ao lado dela, um imbecil que não consegue se controlar, minha gatinha precisa de conforto e seja qual for ele, vou fazer o possível para ela conseguir.

— Eu quero que você se sinta confortável, então deite e saiba que está segura, amanhã você irá conversar com sua amiga. — Minha voz é muito segura no momento que sussurro essas palavras para ela, não posso me impedir de tocar sua pele perfeita e o contraste entre minha pele tatuada e a sua em tom de pêssego é delicioso. Sinto que minha gatinha está satisfeita e curiosa, algo maravilhoso e aterrorizante para mim. — Vou tomar meu banho. Então, fique tranquila, você está segura.

Porra, mesmo vendo casais acasalados, nunca pensei que os instintos eram tão fortes. Ao mesmo tempo que sinto uma clareza extrema em meus pensamentos, uma nuvem tóxica alfa de desejo e posse luta para me dominar.

Cuidar, prover, proteger, e acasalar. Não são mais palavras em meus pensamentos, agora não necessidades básicas do meu corpo. Tudo por ela e para ela.

Estou a um passo de roubar outro beijo de seus lábios rosados, quando me afasto quase que bruscamente e corro para o banheiro com uma desculpa patética de tomar banho.

Assim que tranco a porta do pequeno cômodo atrás de mim, gemo e rosno. Todo o ambiente cheira a Emma, inocência, calor e Ômega não marcado.

Deus, isso é um paraíso da porra de um inferno.

Ainda rosnando, praticamente rasguei as roupas do meu corpo. A intoxicação do cheiro de Emma é tão forte que mal tenho tempo de abrir minhas calças, quando meu pau salta para fora, orgulhoso e exigindo a atenção do meu Ômega.

Meu nó está inchado e eu nem me toquei ainda. Me masturbar cercado pelos feromônios Ômega é algo que nunca fiz antes. É delicioso, melhor do que qualquer sexo que já tive. Nenhum perfume de mulher beta se compara a isso, não chega nem aos pés do cheiro em meu banheiro, e se ter prazer com o cheiro ômega de Emma me faz rosnar e implorar, imagina estar enterrado profundamente em sua boceta cremosa.

Tenho que morder o meu lábio inferior até sangrar, para evitar gritar meu orgasmo.

Minhas mãos são rápidas em me dar prazer, e quando fecho os meus olhos e inspiro com força, trancando o cheiro de ômega em meus pulmões, consigo chegar a um orgasmo fulminante.

Jatos e mais jatos de porra são atirados do meu pau, estou fazendo uma bagunça no banheiro e não me importo nenhum pouco com isso.

O nó localizado na base do meu pênis é grande, maior do que o meu normal. E muito sensível para tocar, agora que saciei um raspa do meu desejo por Emma, posso notar o quanto dolorido estou, o quanto esse orgasmo não faz nada para diminuir minha necessidade por dela.

Me pego ridiculamente ajoelhado no chão do banheiro, com minhas calças ainda presas em minhas cochas. Estou arfante e ainda cheio de desejo.

Não é o suficiente, apenas o cheiro dela não é o suficiente.

Entretanto, por agora tem que bastar.

Não demoro muito para me livrar da minha bagunça, depois caio em um banho quente, deixo a água escorrer pelo meu corpo, e fico embaixo dela até ter certeza que meu pau voltou ao normal e que o nó se foi.

Meu instinto demanda que eu não fique afastado do ômega por muito tempo. Então, me movo o mais rápido possível.

Mal terminei de me secar e já estou colocando meu pijama, não me importo que a camiseta fique grudada em algumas partes, tenho que estar perto de Emma e minha demora apenas aumenta a minha ansiedade.

No instante em que estou indo escovar os dentes, noto um odor doce preso no cabo da minha escova de dentes, as cerdas também estão um pouco molhadas, não levo muito tempo a entender o que aconteceu e não posso deixar de sorrir com isso.

Minha gatinha é esperta e astuta, mas não pode me enganar.

Quando volto para o quarto me pego preso na porta de entrada. Não ouso dar um passo até entender o que está acontecendo.

Emma corre de um lado para o outro sobre a cama, amassando os tecidos e montando o seu ninho.

Quando criança, meu pai nunca permitiu que Dylan e eu víssemos nossa mãe na montagem do ninho, ele considerava algo estrito dele, um presente para ele. Nós só podíamos nos aproximar depois que ele estava feito.

Logo, ver um Ômega entregue nessa tarefa mexe com o alfa em mim, não tenho palavras suficientes para descrever. Não é erótico, mas também não deixa de ser.

Sensual, talvez seja a palavra mais correta. Seu ninho é um canto de sereia para mim, algo que não quero negar. Ela esfrega suas glândulas dos pulsos nos tecidos, marcando cada pequeno pedaço, depois ronrona satisfeita e volta a amassar tudo novamente.

Assistir Emma na construção do ninho é mais erótico para mim, do que qualquer experiência sexual que já tive. É íntimo e bonito.

Me enche de satisfação Alfa, então não consigo controlar que um ronronar escape por entre os meus lábios.

Quando Emma, para o que estava fazendo e me nota, seus olhos crescem de vergonha e prazer. Algo queima por detrás das suas íris azuis, e decido me aproximar.

— Você se sente segura agora, pequeno Ômega? — Deixo escapar pelos meus lábios, meu tom está cheio do comando Alfa e não consigo controlar isso.

Emma não me responde, apenas abaixa a sua cabeça enquanto o seu rosto queima de vergonha.

—O que te aborrece, gatinha? — Pergunto mais uma vez mantendo o meu tom alfa.

Quando ela volta a me olhar no olhos, vejo que existe medo em sua expressão.

—Você vai me deixar sozinha, alfa? — Sua pergunta me pega desprevenido.

—Você quer ficar sozinha?- Tenho que forçar essa pergunta, pois se Emma quiser que eu vá embora, eu vou. Passarei a noite toda no corredor, cuidando dela, mas não vou forçar a minha presença nela.

Para a minha alegria, Emma assentiu negativamente.

—Você já fez muito por mim, não quero te forçar a mais nada. — Sua insistência nisso é cansativa, mas ela não vai me fazer desistir. Em algum momento, minha gatinha entenderá que tudo o que faço por ela é um direito meu.

Quando me afasto de Emma, vou para a porta do quarto e a fecho, nos isolando do resto do apartamento. Desligo a luz do quarto e somente com a iluminação da lua, volto para o meu ômega.

Nós nos deitamos e sem controle sobre o meu querer, estou avançando para ficar mais próximo de Emma.

Para a minha surpresa ela também avança em minha direção, o que nos faz encontrar no meio do caminho.

Seu corpo quente é acolhedor em meus braços, sua cintura estreita cabe perfeitamente em meu abraço, enquanto seus feromônios nadam em contentamento e calor acolhedor.

— Você usou minha escova de dentes. — Sussurro próximo ao seu ouvido. Não posso deixar de alfinetar minha gatinha, seu rubor é um presente.

Emma ainda tenta se desculpar, eu quase posso sentir o rubor escaldante exalando de seu rosto. Então a asseguro de que tudo está bem, de que não me importo com isso.

Estar com Emma em meus braços, em um ninho feito por ela, com nossos feromônios misturados em uma dança antiga. Nada pode ser mais perfeito que isso.

E é quando me dou conta que faria qualquer coisa por esse ômega.

— Obrigada, Alfa. Obrigada por cuidar de mim. — Ouvir seu sussurro tão entregue, é aconchegante de uma maneira que nunca tive. Meus olhos queimam em surpresa no instante em que a vejo puxar um dos meus braços para a frente de seu rosto, lambendo minha glândula de feromônio.

Não posso evitar que rosnados escapem de meus lábios, ou de puxar o rosto de Emma para o meu.

Exijo seus lábios carnudos em um beijo longo e molhado, exploro a sua boca com devoção, enquanto saboreio seu gosto doce.

Minha gatinha está entregue, macia e suave, do jeito que tem que ser, meus instintos cantam com posse.

Mal noto que a estou prendendo em meus braços, nossos corpos começam a se enredar, suas curvas femininas se encaixam com perfeição no meu corpo.

Isso é correto, ela e eu.

Estou ficando excitado novamente, já posso sentir meu pau se contrair revoltado por atenção, mais um pouco disso e não vou conseguir me controlar.

Quando o perfume de Emma muda, agora com notas fortes de desejo, o que infla o alfa em mim, tenho que tomar uma atitude.

Parar de provar sua boca doce é um verdadeiro desafio para a minha força de vontade.

— Me prometa, Emma. — Exijo com minha voz cheia de comando Alfa. — Prometa que sua virgindade é minha, que você é minha. Prometa, Ômega!

Mesmo no escuro, consigo ver com muita clareza o brilho dos seus olhos azuis, tão próximos aos meus, e tão cheia de desejo virginal.

Os segundos que se passam entre a minha demanda e sua resposta são irritantes. Muito torturante para o meu Alfa interno.

—Sim, alfa. Sou sua. — Suas resposta é o fósforo jogado na gasolina do meu desejo por ela.

Sei que não deveria impor meus desejos e minha demandas nela. Emma é uma moça inocente.

Mas, imaginar qualquer outro tendo o que é meu por direito, me faz selvagem.

— Vamos dormir gatinha. Amanhã resolvemos essa bagunça. — Digo para ela, meu peito está explodindo de orgulho Alfa. O ômega me escolheu, sou digno dela.

Estamos entrelaçados em minha cama, nossos feromônios giram em uma dança antiga. Não sei como será o dia de amanhã e enquanto Emma cai no sono, estou preso em tudo o que tenho que fazer.

Para começar, devo conversar com Dylan E Josh Tunder. O insulto aconteceu em sua casa de fraternidade, ele vai querer estar envolvido.

Nada no mundo vai me fazer abaixar a cabeça e seguir com a humilhação de não proteger meu Ômega.

Esse ataque não pede somente um ajuste de contas comum, ainda menos uma denúncia. Preciso de algo mais. Algo que mostre a todos os outros Alfas dessa universidade que Emma está fora dos limites ou as consequências serão gravíssimas.

Amanhã a lua irá sangrar para o filho da puta que se atreveu a encostar na minha gatinha.

Uma Lua Vermelha é a resposta para o meu desejo de vingança.

Notas finais
Gostaram? Por favor, me deixe saber!