Notas iniciais
Olá pessoas, voltei com mais um capítulo para vocês! ViikiiSALVATORE. obrigada por favoritar! =)

Nada pode assustar mais um alfa do que a incapacidade de fazer algo.

E foi exatamente assim que acordei de manhã, me sentindo incapaz e sozinho.
Meu ômega tinha me abandonado.

Emma não estava no quarto, o seu lado da cama já estava frio, mesmo que seus feromônios permanecessem presos aos vários tecidos, sua presença já não era mais sentida ao meu lado.

É claro que isso me levou a enlouquecer, meus instintos bateram tão fortes em minha cabeça, forçando o meu corpo e responder a um chamado urgente, que não pude recusa.
Em um momento eu estava deitado sonolento e no outro estava correndo pelo meu apartamento, seguindo o cheiro do meu Ômega.

Minhas glândulas no pescoço queimavam irritadas, até encostar nelas era doloroso. Todo o meu corpo implorava por uma coisa, enquanto meu cérebro em total estado Alfa gritava comigo.

Encontre o Ômega! Encontre o Ômega!

Rosnados deixavam a minha boca sem controle.

O seu perfume perfeito me levou até a cozinha. Onde a minha gatinha estava.

Ômega! A voz alfa em meu cérebro celebrou. Encontramos.

Emma estava curvada sobre a pia, seus olhos grandes me encarava, enquanto um pedaço fofo de panqueca estava em suas mãos.

A cozinha inteira cheirava a Emma e comida, era delicioso o que me levou diretamente para ela.

— Ômega, eu acordei e você não estava na cama. — Minha acusação é certeira e vem direto da minha designação. Um lembrete muito vivo do predador de sou.

Mantenho os meus olhos nela, seu rosto suave, seus cabelos dourados e frisados pela manhã sonolenta, esses lábios rosados implorando por beijos. Às vezes olhar para Emma me deixa assim, irracional de desejo.

— Eu acordei mais cedo, Alfa. Fiz o café da manhã, para agradá-lo. — Sua resposta vem inteiramente da sua designação. Posso sentir com muita força seu cheiro subir e aumentar para algo suave e doce, chamando por mim.

— É meu dever prover para você, Emma. — Retruco ao passar um dos meus braços por seus ombros delicados, não consigo me impedir de puxá-la para o meu peito. — Você não é obrigada a nada disso.

Meu Ômega quis agradar, prover algo para mim, isso é desconcertante e maravilhoso. Me enche de orgulho alfa.

— Não fiz por obrigação, fiz porque quis. — Escutar a sua resposta sela o que eu já sentia, meus olhos presos em seu rosto delicado e salpicado de sardas.

Estamos muito próximos, e me seguro para que nossos corpos se toquem somente de modo sutil, minhas mãos passeiam em seus ombros, clavícula e pescoço, estou quase roçando em suas glândulas de acasalamento.

E isso devia me assustar até a morte, o tanto que eu quero essa mulher, o tanto que pensar em tocar suas glândulas de acasalamento não me causam repulsa, apenas animação e um sentimento persistente de antecipação.

Todo o meu corpo vibra ao tocá-la. Seu perfume ômega é tão delicioso, que não me importo se ela o esfregar em minha pele. Na verdade meus instintos alfa anseiam por isso.

Carregar seu cheiro em minha pele seria uma conquista digna de um Alfa. Seria a grande vitória. Talvez eu devesse me abster de gostar tanto disso, ou ter a decência de fingir que tudo o que ela faz não me fascina. Mas, não consigo fazer isso. Não quando o seu cheiro é um convite para mim.

— O seu cheiro me chama, ômega. É o melhor perfume que já senti. Faz meu corpo queimar de necessidade. — Minhas palavras sussurradas quase como um segredo, estão cheias de sentimentos. Saboreio as promessas que sinto em seu perfume Ômega, seus olhos de corça e as sardas em seu rosto são lindos. Os pequenos pontos parecem uma constelação, sua própria constelação e me pego desejando mais que tudo desvendar seus segredos e me entranhar em sua vida. — Você é tão linda.

— Não. — Emma nega as minhas palavras. O que me faz rosnar mas uma vez, minha gatinha não consegue se enxergar com clareza. — Eu não sou.

— Sim. Você é. — Tenho que insistir ao pegar o seu pulso e levar até o meu rosto. Com meus olhos castanhos presos nos dela, levo o seu pulso até os meus lábios, lambendo languidamente a sua glândula de feromônio, saboreando a explosão que isso causa em minha boca. O que faz com que um calor estrondoso queime em todo o meu corpo, como uma febre que não tem fim. Força minhas próprias glândulas a queimarem em resposta.

Minha língua dança em sua pele, provando a suavidade aveludada de seu pulso.

Imediatamente o rosto de Emma se torna corado, sua pele de pêssego se torna rosada nas maçãs do rosto, o que torna a sua aparência ainda mais deliciosa.

— Desde o momento em que coloquei os meus olhos em você, que senti seu cheiro, eu sabia que você iria significar o mundo para mim. — Sussurro para ela, minha voz tem um toque de carência que não posso impedir, não quando deixo o meu coração aberto para ela, estou entregue languidamente nos braços do meu Ômega, meus pensamentos giram para todas as direções.

Sentimentos doces lutam com a selvageria de desejos de curvá-la na mesa da cozinha, abaixar a sua calça e me enfiar em sua boceta molhada, fazendo o meu pau doer, implorando por atenção. Me pego desejando amarrar sua boceta no meu nó, quase enlouqueço de vontade com a imagem do prazer que vou sentir.

Ela deve ser melhor do que todas as mulheres que já transei. Eu a pegaria por trás, a colocaria de quatro no chão, da maneira que tem que acontecer e entraria com força em seu sexo molhado. Depois curvaria o meu corpo no dela e prenderia meus dentes nas glândulas de acasalamento em seu pescoço, morder seria tão fácil e correto.

Meu ômega estaria entregue e quente, gemendo por mais, implorando pelo meu pau e meu nó.

Imagens muito nítidas disso surgem em minha imaginação.

E mal posso controlar meus impulsos quando Emma se inclina para frente e me puxa para seus lábios rosados.

Estou grunhindo igual a um animal selvagem, nem sei de onde todos esses barulhos veem, pois nunca os fiz antes. Ainda uso a minha força para prender seu corpo curvilíneo na parede.

Seu cheiro, seu gosto, os curvas de seu corpo, seus gemidos inocentes e o brilho apaixonado em seus olhos. Não sei expressar qual dessas coisas me deixa com mais tesão.

Beijar Emma, é uma experiência de mudança de vida. É inacreditável o sentimento que corre em minhas veias, a potência que sinto ao apertar meus braços em volta dela.
Sua língua dançando da minha, os lábios quentes e molhados da nossa paixão, o monstro possessivo dentro de mim não pode ficar mais feliz com tudo o que está acontecendo e a linha de pensamentos que meu cérebro resolve seguir.

A verdade é que não existe uma comparação, não quando o meu ômega é o meu paraíso em forma de mulher, somente posso adora-lá.

É assustador, mas nunca estive mais feliz por seguir meus instintos mais básicos e ao passear minhas mãos pelas curvas mais recatadas da minha gatinha, fazendo com que ela incline suas costas para mim, unindo ainda mais o seu corpo no meu, e posso dizer que sei como é estar no céu, no instante em que Emma esfrega o seu corpo no meu.

Posso sentir suas mãos em minhas costas e me pego a um passo de rasgar as roupas de nossos corpos, com a certeza de que ela me aceitará, aqui mesmo, no chão dessa cozinha.

Pensamentos incoerentes de acasalar Emma, nadam em meu cérebro, toda a força do meu instinto Alfa me queima de dentro para fora, se minha gatinha continuar a se esfregar assim, estou certo de que posso gozar nas calças, igual a um adolescente sem controle do próprio tesão.

E fodido deus, eu vou deixar que ela faça.

Estou prestes e jogar tudo para o alto e acasalar Emma, quando sinto a mudança repentina em sua atitude.

Seu delicioso corpo para de se mexer e seus lábios viciantes deixam os meus.

Seus olhos queimam de paixão e algo que identifico sendo medo. Seus cheiro continua a dar água na boca. Posso dizer com toda verdade que nunca estive tão excitado em minha vida. O monstro dentro de mim ruge para agarrá-la a força, todavia estou enjoado com o rumo dos meus pensamentos. Algo está errado, e vou estar amaldiçoado e indo direto para o inferno, antes de forçar Emma em um ato sexual.

Ao encarar seus olhos expressivos sei que prefiro arrancar meu pau fora, do que tocá-la com agressividade.

Com gestos tímidos, Emma me afasta de seu corpo. Quero praguejar e rosnar em descontentamento, mas engulo tudo isso é presto atenção nela.

— Não posso fazer isso, Kane. — Escuto o seu sussurro ao tentar voltar ao seu fôlego normal. — nós mal nos conhecemos e já estamos tão próximos um do outro, existe algo em nossa designação que está deixando tudo aflorado, eu quero mas não posso...não posso...

Suas palavras são baldes de água gelada no meu libido. Imediatamente sinto o pior do meu instinto recuar e diminuir, por mais que me doa, Emma está certa. Existe algo acontecendo com nós dois.

Estou dominado por ela, não posso machucar ou afugentar meu ômega e isso é a sensação mais estranha que já tive. Em um momento estou prestes a rasgar nossas roupas e foder da forma mais apaixonada que consigo. Então, com apenas algumas palavras dela, meu corpo muda para o modo proteção e cuidado.

E sim, meu pau ainda lateja de desejo para que me afunde nela. Todavia, não é algo irracional, é doloroso, mas controlável.

Minha preocupação dobra no instante em que vejo seus olhos bonitos transbordantes. Lágrimas escorrem pelo seu rosto e sou incapaz de não levantar minhas mãos e consolá-la.

— Você está segura, me desculpe, Emma. Não quero que você pense que estou me aproveitando de você, da sua fragilidade e nem do que aconteceu. — Minha voz está mais grave do que nunca, cheia de desejo reprimido e preocupação crescente. Muito lentamente, para não assustar ainda mais a minha gatinha, volto a apertar seu corpo no meu. Dessa vez, deixo a paixão de lado e ignoro a dor em mim.

Meu ômega precisa de mim. Penso ao acariciar Emma de modo preguiçoso.

— Não quero assustar você, Emma. E juro, que nunca vou te tocar contra a sua vontade. Mas, você tem que saber que sou feroz em minha paixão, amo loucamente, não sei ser de outra forma, não consigo controlar isso em mim. — Tenho que vomitar a minha confissão enquanto tenho coragem para fazer isso. Não posso esconder de Emma, o monstro que sou. Nunca vou fazer isso, não com ela. — E prometo que vou manter isso para baixo, por você.

Sinto Emma se aconchegar em meus braços, o seu calor suave é muito reconfortante. E me sinto forte por poder proporcionar isso para ela. Não importa o que aconteça sei que tenho a força necessária para protegê-la, mesmo que minha gatinha seja muito forte e determinada.

Nos afastamos no momento em que escutamos a fechadura da porta de entrada do apartamento.

Dylan não demora em nada para aparecer, ele entra no apartamento e logo seus olhos brilham em diversão.

Meu irmão parece que teve uma noite infernal, e posso notar que ele inspira profundamente, ainda tentando manter o ato de forma discreta. Deve estar sentindo o cheiro em volta do apartamento, os meus feromônios e os de Emma estão muito fortes agora, e se misturam em algo único a nossa volta, explicando exatamente o que estávamos fazendo um com o outro.

Eu não me importo que ele saiba, mas me irrita que ele pode sentir o cheiro delicioso da excitação dela. E o fato de não estarmos acasalados somente me deixa mais irritado e instável, mesmo ele sendo o meu irmão.

— Baixinha, que prazer te encontrar por aqui. — Dylan cumprimenta Emma de modo bem natural. E minha gatinha me olha muito rapidamente, seus olhos expressivos cheios de vergonha.

— Bom dia. — Ela o cumprimenta muito timidamente.

O seu cheiro alfa perto da excitação do meu Ômega não acasalado vai queimando o meu controle, é quase um desafio.

— Corte o papo furado, Dylan. Você sabia que ela estava aqui. — Não posso evitar de adotar uma postura mais dominante, sem perceber estou adotando uma postura que iguale ao desafio que ele representa.

— Sim, eu sabia. Mas, gosto de deixá-la corada, tanto quanto gosto de deixar você irritado. — A risada solta em sua declaração me faz ver vermelho, só o aceito perto dela porque ele é meu irmão, entretanto isso não significa que meus instintos Alfa não queiram agir para enfrentá-lo. — Você fez o café da manhã, baixinha. Tenho certeza que fez, meu irmão aqui não pode cozinhar nada que já não foi pré-cozido e vendido muito bem embalado em algum supermercado.

É claro que suas piadinhas não ajudam em nada. Por isso, antes de socar a cara dele, tenho que tirar Emma de suas vistas.

Ela é minha. É tudo o que consigo pensar com o ciúme recém adquirido.

— Vá se trocar, gatinha. Quando você voltar, nós todos vamos tomar café da manhã. — Digo para Emma, toco muito levemente suas costas e a comando com o tom Alfa, tenho que conversar com meu irmão e não a quero por perto.

Minha satisfação é gritante no instante em que Emma acena afirmativamente e obedece o meu comando.

Assim que ela deixa a sala, me volto para o meu irmão, meus olhos queimam nele, pela primeira vez na vida, seu odor alfa é desagradável para mim, quase uma ofensa. O que me aborrece, pois sei que ele é meu irmão e não faria nada para me prejudicar. Confio a minha vida, nele.

Porém, seu cheiro de interesse pairando no ar, me irrita.

— O que você descobriu? — Pergunto ao encará-lo, tento manter minha voz baixa, pois não quero que Emma entre mais nesse assunto.

O ataque contra ela não será esquecido. Meu ômega será vingado, e meu domínio sobre ela será estabelecido para todos os outros Alfas nessa Universidade.

— O nome dele é Robert Scort, está no segundo ano e curso engenharia. O bastardo está fisicamente em uma rotina, e depois que Emma saiu, tentou atacar uma outra estudante, desta vez uma garota Beta do terceiro ano. — As palavras de Dylan são baixas e controladas, ele também não deve querer que Emma saiba quem a atacou.- Josh Tunder está com ele. Uma reunião será feita esta tarde, já que o ataque ocorreu dentro da fraternidade e isso é um insulto pessoal ao líder.

— Bom, vou estar presente nessa reunião. — Resmungo uma resposta. Meu coração dispara em adrenalina.- Tenho coisas importantes para resolver e uma Lua Vermelha para pedir.

Os olhos de Dylan se arregalam em curiosidade e diversão. Odeio quando ele faz isso.

— Kane, eles também estão conversando sobre uma Lua Vermelha. Alguns caras estão pedindo isso por Emma...

— Porra! — Acabo grunhido irritado, minha visão fica escarlate com a perspectiva de outro homem tomar o meu privilégio da luta. Essa vingança é minha, assim como o Ômega é meu.

Violência e ciúme correm desenfreadas pelo meu corpo, estou prestes a atacar algo, talvez jogar o sofá pela janela ou socar mais algumas paredes, qualquer coisa para diminuir essa sensação de descontrole.

— Se acalme, sua reivindicação nela é bem forte. Depois de sentir o cheiro dela em você, ninguém vai discutir o seu direito.

Suas palavras conseguem por fim acalmar o pior da minha violência.

Ele está certo, carregar o perfume de Emma em meu corpo é o meu maior troféu.

— Ela não pode saber, não quero que Emma esteja mais envolvida nisso, ela já sofreu muito...

Sou interrompido pela volta de Emma. Agora seus cabelos estão trançados nas costas, deixando seu pescoço e suas glândulas de acasalamento expostas. A pele rosada nessa região prende a minha atenção, por isso não posso me segurar quando caminho para ela, passo os meus braços em volta da sua cintura estreita e a puxo para o meu corpo.

Não demoro em convencê-la para tomar café da manhã, faço questão de sentar ao seu lado, até puxo mais a minha cadeira para perto dela, meus instintos me dizem para estar próximo, perto, grudado no meu ômega.

Emma cozinhou bastante nesta manhã e tudo cheira tão bem que tenho vontade de ronronar de satisfação.

De modo natural, sirvo seu prato, seus olhos azuis cantam nos meus. Cuidar dela me traz uma satisfação estranha e maravilhosa no peito. Algo que nunca senti antes, mas essencial como respirar.

Pela próxima hora conversamos amenidades, qualquer assunto que deixe Emma confortável e animada.

Minha gatinha é muito esperta, sua dedicação nos estudos é notável e não posso deixar de me sentir orgulhoso e feliz.

E me sentir feliz ao lado de alguém nunca foi simples para mim. No geral, evito pessoas e multidões.

Entretanto, com Emma, parece que não consigo tirar minhas mãos dela. Os gestos são sutis, mas inegáveis para os meus instintos. O calor da sua pele na minha queima e acalma. O perfume de seus feromônios rodopiam a nossa volta e me deixam meio tonto de prazer.

Ela está satisfeita e feliz, não rejeita os meus toques e não discute a minha dominância. Não existe nada que meus instintos querem mais do que isso.

No final do nosso café da manhã, Dylan devolve para Emma, tudo o que conseguiu pegar de sua amiga Bry, a pequena cadela que deixou minha gatinha sozinha e desprotegida.

Faço tudo para não rosnar de indignação. Emma é muito doce para entender a malícia nessa amiga, o cheiro dela está errado, existe algo que não gosto nem um pouco.

Aos poucos a conversa dos dois vai deixando Emma desanimada e com um odor azedo de tristeza. Isso é o suficiente para me irritar mais uma vez.

— Não a chateie. — Rosno um aviso para Dylan, não posso evitar me levantar por ela.

— Tudo bem, eu pedi para saber. — Emma me diz ao se voltar para onde estou e estender sua mão na minha. — Tudo isso é uma bagunça e eu apenas quero que acabe.

— Você está segura, baixinha. — Dylan diz ao encará-la.

— Obrigada, vocês dois. — Ela nos responde ainda segurando a minha mão.

Pouco depois estamos saindo do apartamento, Emma quer voltar para o seu lugar e vou deixá-la lá.

Tento muito manter minhas mãos em controle. Mesmo mantendo uma postura tensa, quero dar a Emma espaço suficiente para respirar e se acalmar sem a minha interferência, ou a influência do meu cheiro Alfa.

Mesmo morrendo por continuar a tocar sua pele cremosa e seus cabelos de seda dourada, não posso deixar meu monstro interior livre para agir.

No momento que chegamos às portas prédio onde vivo, sinto o corpo de Emma buscar o meu, suas mãos se aproximam dos meus braços buscando apoio e carinho.

Imediatamente passo os meus braços por sua cintura e a prendo ao meu lado. Minha tensão some no mesmo instante e posso dar um suspiro tranquilo. É natural ter Emma em meus braços e mesmo o nosso silêncio não atrapalha em nada o momento.

Quando estamos no carro já em direção ao seu complexo estudantil, deixo a minha mão passear pela pele exposta da sua coxa. Não a toco de modo vulgar, não é essa a minha intenção, por isso, continuo a acarinhar meu ômega, beijo suas mãos, esfrego sua glândula de feromônio com os meus lábios, sempre me cercando do perfume dela.

Sei que perfumar alguém é um ato muito íntimo, e não posso evitar de fazer isso com Emma, na minha cabeça ela já é minha, para cuidar, prover e proteger.

Emma não me afasta em nenhum momento. Seus olhos sempre são suaves ao encarar os meus, suas bochechas rosadas e expressão envergonhada apenas aumentam a minha necessidade por ela.

É meu desejo que ela continue sentindo o meu cheiro por todo o dia, logo, tiro a minha jaqueta e a coloco sobre os seus ombros, invento qualquer desculpa para que Emma a use, para a minha alegria ela não demora a vestir minha peça de roupa que fica muito larga em seu corpo esbelto.

— Obrigada por ter cuidado de mim, Kane. — Seu agradecimento é música para mim. — E pela carona.

Suas palavras me levam a agir sem pensar em nada.

Emma me encontra na metade do caminho, e logo estamos abraçados e compartilhando mais um beijo.

Nos encaixamos muito bem, ela e eu. Seus lábios são macios e molhados, seu gosto é ambrosia para mim. Mesmo no aperto do meu carro, conseguimos nos movimentar o suficiente para ter acesso de um para o outro.

Minhas mãos passeiam pelas curvas da minha gatinha, memorizado cada pequeno detalhe, não a toco como realmente quero, tento ser o mais respeitoso possível, para não assustar o meu ômega.

Minha virgenzinha.

Somente pensar nisso faz com que um estrondo feroz saia do meu peito. Emma cheira a excitação e calor, mel e delícias, um verdadeiro banquete para um homem faminto.

E pensar que apenas três meses atrás eu estava fugindo de qualquer contato com outros Ômegas, e agora me vejo implorando por Emma.

Meus instintos mais profundos festejam de alegria, meu corpo ilumina com o toque e o gosto de minha gatinha. E com cada lambida, cada pequena mordida e sugada dos meus lábios nos dela fazem com que Emma derreta em meus braços, eu poderia transar com ela nesse carro, agora mesmo e meu ômega se entregaria com prazer e necessidade.

Os pequenos barulhos que ela faz, apenas alimentam o monstro possessivo em meu peito.

Quero fazê-la gemer, quero Emma gritando de prazer, gozando ao chamar meu nome, enquanto estou comendo a sua boceta doce.

— Temos que parar, gatinha. Ou vou transar com você dentro desse carro. — Nunca foi tão difícil parar um beijo. A sensação é de que estou sendo rasgado por dentro, meus instintos martelam dentro do meu cérebro e queimam o meu peito. Me controlar é quase um milagre. Tudo em mim grita por esse ômega, quer esse ômega. — Prometo que vamos nos ver mais tarde, ainda hoje, não vou conseguir esperar até amanhã.

Estou fazendo promessas que não sei se consigo cumprir. Estou balbuciando sem sentido algum, todo o sangue do meu cérebro foi reunido em outro lugar, na base do meu pau, onde meu nó inchado insiste em crescer mais e mais.

Vou ter o pior caso de bolas roxas da história Alfa.

Mesmo quando Emma sai do carro e vai embora ainda vestida na minha jaqueta, o carro permanecesse com o odor excitado da sua boceta macia. Deus, eu nunca quis tanto foder alguém em minha vida.

Emma seria perfeita, a bunda redondo e cheia dela, aquele cintura estreita e seios empinados. Minha insatisfação continua batendo forte dentro de mim, meus instintos mais Alfas me maltratam imaginando Emma nua, de quatro em um ninho aconchegante que ela construiu, sua pele quente escorrendo suor, enquanto seus gemidos imploram pelo meu nó, por acasalamento e mordidas.

É torturante, ao ponto do masoquismo.

Sinto o meu pau latejar de necessidade de me afundar dentro dela e gozar até fazê-la escorrer com o meu gozo.

Para tentar controlar esse desejo desenfreado de dar a volta no carro e sequestrar o meu ômega de volta para o meu quarto, tenho que focar em dirigir até a fraternidade Alfa onde aconteceu a festa.

Não importa quem pediu uma Lua Vermelha por Emma. Ninguém é mais digno dela do que eu.

Algum alfa se levantou e quase tirou Emma dos meus braços, mas não o odeio tanto quanto me odeio.

Se eu tivesse agido antes, nada disso teria acontecido, se tivesse marcado Emma antes, reivindicado o que é meu, ela não teria sido atacada ontem a noite.

Chegar lá não foi difícil, e exatamente igual meu irmão disse, a casa estava cheia.

Muitos Alfas homens e mulheres andando de um lado para o outro, conversando em sussurro e exalando raiva e agressão, todos tentando dizer e se sobressair sobre os demais.

Uma grande competição de quem tem o maior ego, quem é o melhor.

Estar fechado entre tantos Alfas somente nos faz mais agressivos e irritados. Os feromônios são demais para aguentar, logo começamos a competir e medir nossos paus, em algum momento disputas vão surgir, é inevitável, unicamente nossa natureza mais selvagem vindo a tona.

Por isso, demonstrar fraqueza atiça a fera em nós.

Por sorte e mesmo tendo pouco tempo neste campus, já conheço bem algumas das maiores fraternidade, e sou reconhecido pelos líderes da casa.

Logo, não demoro em encontrar Josh Tunder, o bastardo é enorme, tão grande e largo quanto eu. Sua expressão está fechada e nervosa.

Outros três homens estão com eles, eles discutem e insistem em algo.

Não demoro a entender o que está sendo discutido quando me aproximo deles, eles estão falando sobre o pedido da Lua Vermelha. Estão decidindo quem será o escolhido para executar a sentença.

Rapidamente me faço presente e não me intimido com nenhum dos olhares.

— A Lua Vermelha é minha. — Afirmo ao caminhar até o centro da discussão.- Emma Carter é minha, e qualquer ataque a ela é um insulto pessoal, e ontem alguém tentou tirá-la de mim, isso não vai acontecer, quero o sangue desse alfa nas minhas mãos.

— Todos sabem que Emma não tem namorado. — Um dos rapazes que estavam na discussão com Josh, me diz, seus olhos castanhos brilham de indignação. Ele aparente ser mais jovem que eu, talvez esteja no primeiro ano. — Qualquer um pode assumir a luta.

Imediatamente avanço sobre o rapaz e deixo os meus dentes a mostra, o forço a me encarar.

— O ômega é meu. — Retruco em um rosnado. Logo sinto feromônios de violência crescer ao meu redor. Parece que a luta vai começar mais cedo.

— Ele está certo, Harry. — O outro Alfa da discussão, entra em nosso meio, seu cheiro Alfa também é ofensivo para mim. Todos eles são adversários em busca ganhar Emma. — Sinta o cheiro dele.

Isso não vai acontecer, eu não me importo de pedir uma lua vermelha para cada alfa presente hoje. O ômega é meu, e nada vai me afastar dela.

Logo, noto vários narizes se inclinando para mim. Mal posso esconder o sorriso satisfeito quando a realização do que aconteceu bate em cada rosto.

Eu carrego o perfume do meu Ômega, esse é meu orgulho.

— Vocês nunca foram vistos juntos. — O homem chamado Harry, ainda continua indignado ao retrucar.

— Eu estava dando tempo para ela, deixando-a se acostumar a minha presença, Emma é tímida, mas é minha. E não me importo de lutar com essa universidade inteira por ela, e o alfa que tentou machucá-la será o primeiro que vou abater. — Recito minhas ameaças como poesia doce.

— Vamos lá, irmãozinho, não precisa declarar guerra contra todos os Alfas da universidade. — Não sou surpreendido pela presença de Dylan, é lógico que ele estaria aqui.

Sua chegada acalma um pouco o ânimo ao meu redor.

— Prazer, sou Dylan Hunter, e esse maluco aqui é meu irmão, Kane Hunter. — Sua apresentação para os dois Alfas apenas me irrita mais, estou um poço de raiva hoje, o que não é inédito, afinal não sou muito sociável, mas o controle que tenho sobre meus sentimentos está bem fragilizado.- O que ele está tentando dizer, sem todas as ameaças, é que o direito da Lua Vermelha é dele, pois Emma Carter o escolheu.

— Sou Breno Alexander e esse é meu amigo Harry Salt. — Os outros Alfas se apresentam, mas mantenho um olhar atento naquele que me desafiou, Harry Salt. — Nós estávamos na festa, e após o ataque, Emma passou por nós dois para tentar fugir do seu atacante.

Suas palavras estavam cheias de verdade, mas nada nelas me interessava.

— Isso mexeu com nós dois, o cheiro de terror dela foi algo que nunca sentimos antes, por isso estamos pedindo pela Lua Vermelha. Eu tenho uma irmã que acabou de se apresentar ômega, e eu gostaria que alguém estivesse lá por ela, e a defendesse de algum alfa que acha que pode tomá-la a força, mas rezo para que ela nunca tenha que passar por isso.

A confissão de Breno é capaz de abaixar o pior do meu mal humor, ele não está tentando tirar Emma de mim.

— Isso é uma porra de confusão. – Josh rosna para todos nós, a sala está bem mais silenciosa, muitos olhos estão grudados no nosso grupo, curiosos sobre os eventos que estão se apresentando. – A Lua Vermelha será realizada, isso é certeza, o desgraçado não vai sair dessa com uma advertência, ele precisa sofrer na pele a ofensa que fez para cada alfa nesta universidade e principalmente dentro da minha fraternidade. Todos nós sabemos o quando a comunidade Ômega é pequena nesse campus, o quanto eles são tímidos e arredios com nós, alfas.

Cada pessoa na sala está ouvindo o que ele diz, sua declaração, queima nos ouvidos de todos, e emociona a todos da mesma maneira.

— Ter um ômega em nossa festa era uma conquista para cada cada alfa nessa universidade. E uma porcaria com tensão quase arruinou para sempre a vida de uma garota, além de manchar o nome dessa nobre fraternidade, eu não aceito estupradores nessa casa, e em nenhum canto desta universidade. – Seu suspiro cansado é um reflexo de todo o sentimento preso na sala. – Não posso baixar meus olhos para isso, mas a porcaria que se diz alfa está em uma rotina, então seu ataque é justificável, mas não aceito, por isso Kane Hunter, você ganhou o direito a essa Lua, mas não quero que mate o desgraçado, apenas faça-o lamentar ter encostado em Emma Carter.

Uma onda de aceitação queima pela sala.

Ainda não estou totalmente satisfeito com as decisões, acredito que o alfa tem que sofrer bem mais do que apenas uma surra. Meu alfa interior clama por desmembramento e tortura.

— E que fique o aviso, qualquer ataque a estudantes designados ômega, será violentamente repreendido. A essência de nossa designação é proteger, isso é ser um alfa. — Sua última frase é quase um grito de guerra, e a sala se enche de uma euforia de poder.

Passamos as próximas horas decidindo sobre onde seria realizado a Lua Vermelha, e os trâmites necessários para esconder e proteger todos os envolvidos.

Eu estava no meio de tudo, não aceitei qualquer desculpa para me afastar.

Olhos curiosos me encaravam a todo minuto, as vezes pegava um ou outro estudante me cheirando, os mais curiosos não conseguiam esconder sua vontade de sentir o perfume de Emma em mim. Alguns até ousaram me perguntar como consegui chamar a atenção dela. Meu rosnado de advertência os mantinham longe.

Dylan saiu para nos comprar comida e a maioria dos Alfas presentes foram embora, com o intuito de se prepararem para a batalha que ocorreria mais tarde.

O alfa que atacou Emma, estava preso em um dos quartos superiores, e permanecia fortemente vigiado.

Alguns amigos mais próximos tentaram intervir na luta, mas suas palavras foram esquecidas imediatamente.

A Lua Vermelha era sagrada para os Alfas. Mesmo sendo proibida, ainda era um ato comum, que resolvia divergências e brigas entre os Alfas. E pelo que entendi, nesta universidade a Lua Vermelha de hoje seria a primeira por um Ômega

Quando o sol estava baixando, fui para casa para me trocar para uma roupa mais confortável. Durante a minha luta não quero ser atrapalhado por roupas, tive que tomar banho, o que me deixou com os instintos a flor da pele, pois estava tirando o perfume de Emma do meu corpo, e isso me deixava agitado, irritado e ansioso.

No instante em que eu acabar com o alfa inimigo, quero ter o cheiro de Emma em mim mais uma vez, para mostrar a esse filho da puta, quem minha gatinha escolheu.

Para me sentir mais tranquilo, pedi que Dylan ficasse no andar de baixo, apenas no caso de algo dar errado e Emma aparecer. Eu sei que ela não vai gostar de ninguém pedindo uma Lua Vermelha por ela, mas esse é um assunto alfa, e deixar um ataque desses passar em branco é o mesmo que pedir que outros alfas façam o mesmo, uma autorização de impunidade. E isso não vai acontecer, depois dessa noite, todos irão saber que não se deve mexer com Emma Carter.

Não demorei para voltar para a fraternidade de Josh, ele já estava me esperando e fomos direto para um dos quartos no andar de cima, lá encontrei os mesmos alfas de antes, Breno e Harry.

Não nos falamos muito, pois mantive a minha conversa em Josh.

O atacante de Emma já estava no porão e em sua meia lucidez, aceitou a luta, o maldito continua gritando por Emma, em nenhum momento demonstrou ressentimento pelo que fez, apenas raiva por ela o ter machucado.

Durante todo o dia me mantive afastado de Emma, sei que ela ainda está em seu dormitório, então, fico tranquilo com isso, mas o jantar que esperava ter com ela, terá que ser adiado até amanhã.

As horas passam tão rápido que nem sei ao certo quanto tempo já passou, sei que a casa está cheia, que haverá uma plateia significativa, todas as outras fraternidades alfa do campus foram convidadas.

Nada disso me interessa, somente obter minha vingança no desgraçado que tentou tirar Emma de mim.

De repente sou surpreendido com o cheiro de seus feromônios.

A porta do quarto está aberta, e minha gatinha está ofegante na entrada, mal noto Dylan atrás dela.

E no instante que prendo meus olhos nos dela, estou me movendo em desespero. Meus braços famintos coçam para apertar suas curvas femininas no meu corpo.

Os lábios rosadas do meu Ômega sobem para os meus, e não posso negar o beijo. Minha boca devora a dela. E seu cheiro me dá um vislumbre do paraíso.

Não posso controlar os barulhos de satisfação que faço, Emma é deliciosa demais, e seu choramingar de necessidade me queima de dentro para fora.

— Não faça isso. — Ela me pede, no segundo em que nos separamos. — Não lute.

— Gatinha, vai acontecer. Aquele alfa vai pagar por tocar em você. — Minha voz está tão grossa de desejo que mal posso expulsá-la da minha garganta.

— Mas eu não quero isso. Não quero que brigue por mim, já passou, ele não conseguiu fazer...

— Ele tentou, ele te machucou, o maldito precisa aprender uma lição. — Eu sabia que Emma não ficaria satisfeita com pessoas lutando por ela, mas tenho que agir de acordo com o que acredito ser certo.

— Eu não estou pedindo vingança, Kane. Você não é obrigado a lutar por mim. Não quero que você se machuque, ou que vá preso. — Sua voz suave é um canto em meus ouvidos, uma carícia para a minha audição, por isso não me seguro no momento em que sinto a necessidade trazer Emma para mais perto.

Agora, mais do que nunca, Emma parece brilhar em perfeição, seus feromônios estão mais fortes, o que pode ser um reflexo do seu nervosismo. Toda a sua aura parece ter recebido uma luz especial. Olhar para ela é quase cortante, e acariciar sua pele macia e quente é assustador.

Me sinto ofegante ao observá-la.

— Nada vai acontecer, estamos seguros. — Respondo ao tentar colocar certeza em minha voz. O seu cheiro pede que eu a acalme, e meus instintos estão totalmente de acordo com isso.

Emma Carter é o Ômega mais forte que conheço, qualquer outra pessoa em seu lugar, ou estaria abalado demais para agir, ou iria querer a morte de quem lhe fez mal. Emma não, ela é generosa com sua preocupação e carinho. Por isso que sua próxima declaração gela o meu peito, me enchendo de terror.

— Eu vou com você, tenho que estar lá...

— Sem chance, Emma, quero você segura. Dylan vai ficar com você até tudo acabar, ele não vai sair do seu lado, você não precisa ter medo, vai ficar segura. — Minha negativa para ela não parece agradá-la, e pela primeira vez não me importo com isso, minha gatinha é preciosa, não posso expor sua perfeição em um tanque cheio de tubarões ferozes, ela seria despedaçada.

— Eu não temo pela minha segurança, temo pela sua. A Lua Vermelha é proibida, não quero que você se machuque ou seja preso. Por favor, Kane. Alfa, não me deixe. — As palavras que escapam de seus lábios me paralisam de várias maneiras.

A primeira coisa é a sua legítima preocupação por meu bem estar, tirando Dylan e minha mãe, acredito que não existe outra pessoa no mundo que se preocupe comigo. Somente isso já me deixaria desnorteado.

A segunda coisa, foi dita diretamente para a minha designação.

Alfa, não me deixe. Emma só usou seu lado Ômega na noite do seu ataque, logo quando ela me encontrou e seus instintos Ômega dominaram sua razão. Mas agora, ela acessou espontaneamente sua voz ômega, e quase conseguiu partir meus instintos alfa ao meio.

Tenho que reunir toda a minha força de vontade para não ceder ao seu pedido, é uma verdadeira guerra travada em meu interior, o que me torna surdo para as coisas ao meu redor, estou rosnando e ronronando e grunhido e tremendo, tudo ao mesmo tempo.

Ontem, quando Emma veio a mim, foi mais fácil, eu obedeci ao chamado, e permiti que meus instintos ficassem razoavelmente soltos.

Não posso fazer isso agora, o que me machuca, logo minha escapatória é me agarrar ao ômega em meus braços. Enquanto meus hormônios queimam em posse e reivindicação, e tudo isso já seria terrivelmente difícil de lutar, sem sentir que Emma responde ao meu cheiro, sua própria excitação crescendo para encontrar a minha.

Nosso próximo beijo foi ainda mais ardente, tive que batalhar para não ter uma ereção completa, e usei a minha frustração para alimentar a minha força interna, vou precisar dela para acabar com o alfa que a machucou.

— Antes que você perceba, estarei de volta. — Prometo em um comando alfa. Seus olhos brilhantes são as luzes que guiarão o meu caminho. Depois me volto para o meu irmão, mas ainda mantenho meus olhos nos dela. — Dylan, fique com ela, e não a permita em nenhum lugar fora desse quarto.

Sei que Dylan vai ficar de olho em Emma, e não vai permitir que ela se afaste dele.

Para me despedir dou outro beijo suave em seus lábios rosados. Língua, saliva e feromônios. Vou terminar essa luta o mais rápido possível, não quero estar muito tempo afastado de minha gatinha.

Saio da sala imediatamente e não olho para trás.

Chegou a hora da Lua Vermelha.

Andar pelos corredores e me afastar de Emma são duas coisas estranhas de se fazer.

Ao longo do caminho vejo muitos Alfas me cumprimentando, o cheiro de euforia dança pelo ar.

A casa está lotada, ainda mais do que no dia da festa.

Sem cumprimentar ninguém, sigo atravessando a multidão e desço as escadas até o porão, as pessoas abrem passagem para mim.

Josh Turner, presidente da fraternidade faz a abertura da Lua Vermelha. Ele tagarela algo sobre honra e força, dever e proteção.

E depois dita a sentença do alfa que atacou Emma. A Lua Vermelha não será sua única punição, o alfa já não é bem vindo no campus e deve sair ou pedir transferência para outra Universidade. Nada menos será aceito.

Todos levantam os punhos no ar e gritam em concordância. O ar chega a vibrar com a mistura ansiosa de mais de cem alfas despejando o pior de seus feromônios.

Apostas estão sendo feitas, e sussurros são ouvidos em todo o lugar, todos tentam uma aproximação do pequeno e improvisado ringue.

Mas, meus olhos não estão nisso. Meu olhar está focado no homem que está sendo segurado por outros Alfas.

O homem chamado Robert Scort está visivelmente em uma rotina, seus olhos são injetados e ele mostra os dentes para qualquer um que chegue perto demais dele. Suor escorre por sua pele, todavia seus olhos permanecem presos onde estou, ele parece farejar o ar, e logo está gemendo e se debatendo para ficar livre de suas restrições.

— Robert Scort, você tem alguma última declaração a fazer? — Josh pergunta ao alfa em rotina.

A multidão se cala, ninguém quer perder uma palavra do que o homem vai dizer.

Depois de alguns rosnados irritados e novas tentativas de se soltar, Robert volta a farejar o ar e ainda gemendo, foca seus olhos de pupilas dilatadas em mim, me encarando cheio de maldade.

— Vocês podem me expulsar o quando quiserem, depois de derrotar esse filho da puta, vou atrás do meu Ômega, eu a escolhi e ela será minha. — Seu rugido de dor e necessidade queima em meus ouvidos. E alimenta o meu ódio por esse homem.

A diferença curiosa entre uma Rotina e um Calor, é que mesmo durante uma rotina, o alfa não perde sua capacidade de pensar racionalmente. Ficamos mais agressivos e temos uma intensa necessidade de foder, todo o corpo do alfa queima e pinica com esse desejo, enquanto nossos instintos mais antigos estão batendo com força.

Já um calor ômega é muito diferente. Os Ômegas perdem seus sentidos de racionalidade, e precisam de ajuda para passar por esses dias.

Logo, a rotina de Robert não o impede de dizer a verdade, e para o imenso azar dele, o bastardo escolheu o ômega errado para mexer.

— O ômega é meu! – Respondo o mais alto que posso, estou grunhido de raiva.

A multidão em nossa volta também está grunhindo de ansiedade e expectativa, por isso, Josh não enrola mais. As pessoas se afastam do ringue, dando um espaço significativo para a nossa luta.

As regras são passadas e em segundos o silêncio que antecede a luta reina. No segundo seguinte os punhos de Robert estão vindo em direção ao meu rosto.

Desviar de seu ataque é rápido, e passo os próximos movimentos dele analisando o seu estilo de luta. Logo, fica claro que o bastardo não tem estilo nenhum, o que seria cômico se eu não estivesse com tanta raiva.

Passo alguns minutos apenas me desviando dos seus socos, enquanto ele não vai ficando cada mais mais cansado e irritado. Seus feromônios coçam nas minhas narinas, o cheiro é nojento é revoltante.

No instante em que canso de brincar com o filho da puta, desfiro um ataque certeiro na lateral da sua cabeça, uso toda a minha força para atordoá-lo.

E tive um prazer sombrio ao sentir que apenas com um soco já o deixei desnorteado.

— Você não aguenta um soco meu e quer reivindicar meu ômega? – Pergunto ao desferir outro soco, dessa vez em seu maxilar. O seu sangue espirra em meu rosto, enquanto a multidão vibra e grita. – Você não é alfa suficiente para ela, você é um rato, uma porcaria estupradora que tentou machucar o meu ômega, mas adivinha, você nunca mais vai chegar perto dela.

E me permito soltar o pior dos meus instintos possessivos, todo o meu corpo e mente querem vingança, conquista e submissão.

Não sei quanto tempo passo nessa luta, estou usando tudo o que tenho para destruir o Alfa na minha frente. É o que ele merece.

Poder me soltar e agir da forma mais animalesco e destrutiva é um grande alívio. Os feromônios a minha volta são poderosos é o barulho da multidão é quase ensurdecedor.
No momento em que sinto que Robert está desacordado e se transformou em uma poça ensanguentada aos pés, me forço a parar o ataque e me levanto sobre o alfa indigno.
Ainda ofegante, levanto meus punhos no ar e solto o maior som de vitória, o que se transforma em um rugido.

Os Alfas em minha volta estão gritando e comemorando. Não me importo quando alguns outros Alfas se reúnem e retiram o Robert do ringue.

Queria que Emma estivesse aqui, gostaria de oferecer o corpo derrotado de seu atacante. Eu o largaria aos seus pés.

Seria uma oferenda digna para o meu ômega.

— O ômega é meu! — Volto a rosnar, os odores ao meu redor são sufocantes em admiração, respeito, inveja, desejo e violência, são apenas algumas coisas que posso identificar quando respiro.

— Em respeito a Josh Turner, presidente desta casa, o rato imundo sai com a sua vida, mas garanto que qualquer um que ousar chegar perto do meu Ômega, não me encontrará tão misericordioso. — Me sinto gigante ao afirmar minha posse sobre Emma. Meus instintos rugem e arranham dentro de mim, calor queima a minha pele de dentro para fora, enquanto inspiro profundamente. Minha mente viaja em um milhão de direções, todas elas me levam até o andar de cima, onde Emma está me esperando.
Ela é minha e é melhor que os outros saibam.

Deixo os trâmites finais da Lua Vermelha para Josh e seu irmãos de fraternidade cuidar.

Tenho coisas mais importantes para fazer, sinto que estou muito tempo afastado da minha gatinha e não aguento mais o desconforto de estar afastado dela.

Pela forma com que meu corpo está agindo, eu poderia jurar que estou entrando em uma Rotina, o que é impossível já que tomo religiosamente os meus supressores.

Sem eles e com o cheiro maravilhoso de Emma, não conseguiria me segurar. Seria um milhão de vezes pior do que Robert Scort.

Emma nunca conseguiria se afastar ou escapar de mim. O monstro possessivo dentro dos meus instintos exigiria por ela e não se contentaria com nada mais.

Ninguém entra em meu caminho quando me afasto do porão e subo as escadas em direção ao andar superior. Recebo alguns tapas nas costas e gritos de reconhecimento.
O cheiro de euforia continua muito potente no ar. Todavia, não me importo, já não me importo com nada disso.

Praticamente corro pela casa, desvio das pessoas em meu caminho.

Preciso de Emma e preciso agora mesmo. Meus instintos só vão desacelerar quando a ter em meus braços, quando respirar os seus feromônios suaves e beijar seus lábios cheios.

Abro a porta do quarto onde Dylan a guarda e não encontro nada.

Meu irmão e Emma não estão lá dentro, inspirando profundamente noto que o cheiro de ambos é muito fraco aqui, eles já saíram a algum tempo.

O ar é frio a minha volta.

Estou confuso e irritado, meu peito queima em indignação por não ter o meu prêmio me esperando, por não ter a calma que preciso e que somente Emma pode me proporcionar.

Minhas mãos doem dos socos que dei, minha carne está cortado em alguns lugares e estou dolorido da luta. Meus pensamentos voltam a correr desenfreadas.

Aconteceu alguma coisa, eu tinha um combinado com meu irmão, e ele não levaria Emma para longe de mim, não sem um bom motivo.

Com rapidez, recolhi todos os meus pertences e saio em busca dos dois. As primeiras tentativas de ligar para Dylan não levam a lugar nenhum, seu telefone chama e chama, depois vai direto para a caixa postal.

Sair da casa foi mais fácil do que imaginei, talvez minha expressão fechada tenha mantido as pessoas fora do meu caminho.

Do lado de fora, um céu estrelado iluminava a noite.

Onde vocês estão? Minha mente pergunta sem parar. Meus instintos mais uma vez sobem, pensar em Emma sozinha com outro alfa, mesmo que esse seja meu irmão, me tira do sério. Tenho vontade de bater em alguma coisa, gritar e grunhir. Tudo ao mesmo tempo, estou descontrolado igual a um menino de doze anos.

Não sou assim, tenho que me controlar.

Mas, a cada segundo fica mais difícil, minha pele continua a queimar, minhas glândulas coçam e pinicam, estou sobrecarregado com os instintos.

Alguma coisa dentro de mim, talvez minha intuição, diz que algo está errado com Emma.

Encontre o Ômega! Encontre o Ômega, agora! Os pensamentos giram dentro de minha mente.

Me sinto mais alerta e acordado. E sem perceber entro em modo de caça.

Ao virar a esquina da casa da fraternidade, descubro que meu carro já não está mais no lugar. Procuro dentro do bolso do meu moletom e descubro que as chaves sumiram.
Dylan, ele levou meu ômega embora.

Volto a ligar e dessa vez sou atendido.

— Onde ela está? — Grunho minha pergunta, sem ao menos esperar uma palavra do meu irmão.

— Boa noite, irmãozinho. Tudo bem com você? Sua luta foi boa? — A resposta de Dylan me deixa mais nervoso.

— Você levou o carro, onde está Emma? — respondo ao ignorar suas perguntas estúpidas.

— Eu tive, fui obrigado pelas circunstâncias. — É a única resposta que tenho. Pelo menos ele deixou o deboche de lado.- Venha para o apartamento, Kane. A baixinha está aqui.

Estou prestes a responder quando escuto um choro suave, algo que gela o meu sangue.

— Emma está chorando? — O questionamento escapa de meus lábios, por isso aperto o meu celular em meu ouvido, em uma tentativa patética de escutar melhor. — O que aconteceu?

Não tenho certeza do choro, mas o que escutei acaba por alimentar ainda mais os meus instintos enlouquecidos.

— Isso é uma porra de uma bagunça. — Dylan rosna do outro lado da linha. — Venha para casa Kane, temos algo para resolver.

A linha fica muda imediatamente. O desgraçado desligou na minha cara.

Tenho que controlar meu desejo de estourar o meu celular no chão. Eu sabia que algo não estava certo, meu ômega está sofrendo, chorando.

O que aconteceu? O que aconteceu?

Preciso encontrar Emma e resolver o que quer te a tenha deixado triste.

E se ela estiver machucada? Apenas esse pensamento me faz correr desesperado pelo campus.

Esqueço que posso chamar um uber, ou um táxi. Esqueço que moro nos prédios mais distantes do campus e continuo a correr. O sangue bombeia em meus ouvidos, estou suando e hiperventilando, rosnando para o vento.

Medo, preocupação e terror embalam a minha corrida, estou assustado e ansioso.

Cada passo que dou em minha corrida me faz chegar cada vez mais perto do meu Ômega, por isso, ignoro o cansaço e a dor nas minhas panturrilhas e pernas, nunca tive o hábito de correr tanto.

Tento não pensar no meu desconforto ou na sede que faz a minha boca ter um gosto amargo.

Me mantenho focado e na caça, preciso de Emma, preciso que ela esteja bem. Nada mais vai me acalmar hoje.

Estou queimando de dentro para fora e não me importo.

Quase meia hora depois, chego na calçada do prédio onde moro com meu irmão.
Parece que corri uma maratona, estou molhado de suor, meus feromônios estão tão fortes que até posso sentir o odor potente nadando ao meu redor.

Praticamente derrubo a porta de entrada do nosso apartamento.

Assim que fecho a porta atrás de mim, inspiro profundamente e caio de joelhos no chão.
Meus instintos Alfa estouram em minha cabeça quando o cheiro de dentro do apartamento é processado em minha mente. Começo a tremer visivelmente e grunhidos animalescos saem do meu corpo.

Por um momento acho que estou tendo um infarto ou derrame. Ou qualquer dessas doenças incapacitantes e fulminantes.

Suspiro profundamente e tento de todo modo manter o perfume de Emma dentro do meu corpo, meus pulmões doem com a força que faço para manter o ar dentro.

Ômega. Ômega. Ômega. Ômega. Ômega.

Não sei se estou chorando apenas na minha cabeça, ou se as palavras finalmente escapam dos meus lábios.

Nunca senti um perfume mais maravilhoso, mais perfeito em toda a minha vida. Estou certo de que esse é o único cheiro que preciso sentir para continuar vivo.

E a implicação de um cheiro tão perfeito significa somente uma coisa.

Calor. Que Emma está em seu calor.

— Ei, ei...- Sou acordado dos meus pensamentos por meu irmão, que está abaixando na minha frente, com um grande copo de água gelada.- Beba, você vai precisar.

Não sei como, mas obedeço. Ainda estou muito confuso para conseguir me mover.

A frieza da água acalma alguma coisa dentro de mim. Ainda estou longe de me sentir eu mesmo. Estou em guerra com o meu corpo e a minha mente.

— O quê? O que está acontecendo? — Minhas voz está tão grossa que quase não consigo fazer com que as palavras saiam.

— Me escute bem, eu sei que o cheiro dói, mas você precisa me escutar. — Dylan começa, sua voz também é tão grossa quanto a minha.

Continuamos ajoelhados na entrada, e aos poucos um cenário de filme de terror é exposto para mim.

Meu irmão me conta tudo o que aconteceu após a minha saída do quarto.

Do modo em que o cheiro de Emma foi subindo e queimando mais forte. Da suspeita inicial de que ela estaria entrando no calor, e a descoberta da verdade. Dos supressores esquecidos, e da passada deles em uma farmácia, onde Emma tomou uma pílula de emergência. Ele me contou o porquê de tirá-la da fraternidade alfa e da chegada deles ao apartamento.

— Onde ela está? — É a primeiro coisa racional que consigo pensar.

Se ela estiver no quarto de Dylan, não sei como vou reagir.

— No seu quarto. Ela foi para lá assim que entramos no apartamento. — Sua resposta é mais séria do que nunca, e é quando percebo o quanto o cheiro dela também o está afetando. — E você precisa verificá-la, a baixinha fica estranha toda vez que entro no quarto, da última vez ela me mostrou os dentes e rosnou para mim.

Não posso deixar de sentir satisfação com a sua última declaração. Essa é minha gatinha! Meu ômega sabe quem é o alfa dela.

Quando consigo me levantar, ainda respiro e suspiro fortemente. Não sei o que fazer agora.

O curso de tudo isso é muito simples. Alfa encontra o Ômega perfeito, ela entra no calor, o alfa a atende, eles se acasalam e vivem felizes para sempre.

É isso que o que se vende nos filmes e livros. A vida real é muito diferente.

— Ela não tem onde ficar até o calor passar, sua irmã mora em outro estado e Emma não tem parentes ou amigos próximos aqui. — Escuto a voz de Dylan, sua nova afirmação me entristece e preocupa. — Ou ela fica aqui, ou no dormitório dela.

Emma é tão solitária quanto nós dois.

Para um alfa a rotina é insuportavelmente dolorosa, mas temos condições mentais de passar esse tempo sozinhos. Já, o calor de um Ômega é mais intenso, logo, é muito arriscado deixar um Ômega sozinho em seu calor, essa designação exige um cuidado, eles precisam ser lembrados e incentivados a se alimentar, a se hidratar e todos os pequenos cuidados para a sua segurança.

Já houve casos de Ômegas hospitalizados em estado grave de desidratação, alguns chegaram a entrar em uma espécie de coma. Outros que saíram na rua implorando por um nó para qualquer alfa que encontrasse, gerando conflito e violência urbana, já que muitos Alfas começaram a lutar para ver quem era o mais forte é o mais digno de montar o Ômega em necessidade.

Pelo cheiro de Emma, ela já está muito avançada para sequer cogitar a hipótese de movê-la para outro lugar. E pensar em afastá-la de mim pode me levar a um ato de violência contra qualquer pessoa que entrar no meu caminho.

Mas, transar com ela agora é força-la, Emma não quer isso.

Porra, porra, porra. Xingo em pensamento. Isso é um caralho de uma bagunça sangrenta.

Estou eufórico e aterrorizado, tudo ao mesmo tempo.

Vou até a entrada do pequeno corredor que divide os dois quartos, e paro abruptamente.

— Dylan, não sei se consigo fazer isso. — Meu sussurro aterrorizado chama a atenção do meu irmão. — Se eu transar com ela, vamos nos acasalar, não vou conseguir me controlar, Emma mexe muito comigo, seus feromônios são muito fortes. Vou me tornar igual e ele, vou ser igual ao nosso pai.

— Não, você não é nada parecido com ele e sabe muito bem disso. Quantas vezes vou ter que te dizer isso? — A resposta de Dylan vem na mesma hora, um pouco irritada, mas controlada para não alertar a nossa convidada no outro quarto. — E Emma quer isso, acredite. Ela reage a você, prefere o seu cheiro sobre qualquer outro, até mesmo o meu cheiro não a afeta, mas o seu a faz florescer, vocês dois são a porra de um casal altamente compatível, daqueles que as pessoas só escutam lendas. Esse calor é para você, Kane.

— Não, você não entende. Emma é pura e boa, ela é uma maldita virgem. — Continuo retrucando o que ele diz, permaneço nos sussurros enquanto meu corpo continua a tremer e suar. — Eu não sou bom o suficiente para ela, vou machucá-la vou fazer com que ela me odeie.

Correr até meu prédio não foi nada comparado a estar mergulhado nos feromônios do Calor de Emma, sem poder agir sobre isso.

Os olhos de Dylan queimam ferozes nos meus, o estado intocado de Emma parece afetar meu irmão, tanto quanto me afetou. Por alguns segundos ele treme e geme um choramingo, enquanto solta uma infinidade de maldições e palavrões.

— Você não é um monstro, Kane. Não importa o quanto o nosso pai tenha tentado colocar isso na sua cabeça. Ele era um monstro e está morto agora, provavelmente no inferno. Mas, você não é um agressor filho da puta. Hoje, você defendeu Emma, lutou por ela, a protegeu de um bastardo agressor. — As palavras de meu irmão fazem pouco para me encorajar, mas continuo a escutá-las. — Se você não quer amarrá-la, basta apenas ficar ao lado dela, cuidar para que ela não morra de fome ou sede e dar muitos orgasmos para ela, use sua boca e seus fodidos dedos.

Sua última declaração enfim abre uma luz em meio ao meu mundo escuro. Eu não preciso transar com ela, apenas cuidar dela. Começar isso certo, sem acasalar a força a minha gatinha.

Dylan parece perder ver para onde meus pensamentos estão indo, pois um pequeno sorriso surge em seus lábios.

— Você vai conseguir. — Agora sobre outra perspectiva, sua afirmação é um encorajamento poderoso. Eu sou forte o suficiente para manter meu desejo baixo e cuidar unicamente de meu ômega. — Emma é um presente, Kane. E você a merece, vá cuidar dos seu ômega.

Não posso responder pois já estou em movimento. Meu cérebro torcendo com a ideia de comer a boceta perfeita de Emma com os meus lábios. Eu posso satisfazer suas necessidades, minha boca já saliva com a ideia de provar entre as suas coxas.

Sim, eu posso fazer isso. Por dentro meus instintos ronronam e se esticam em satisfação alfa.

Vou cuidar de Emma, prover para ela e a proteger na duração de seu calor.

Quando abro a porta do meu quarto sou atingido por uma nuvem invisível de calor ômega.

Emma está sentada em minha cama, abraçando seus joelhos. Seu rosto está vermelho, e sua pele praticamente brilhava de suor, seus olhos cintilam intensamente nos meus.

— Kane. — Seu chamado faz com que eu me mova para o seu lado, fechando a porta atrás de mim e nos trancando. Por alguns instantes tenho que lutar intensamente com o desejo de rasgar suas roupas e montá-la. Algo dentro de mim, que vem dos meus instintos alfa mais antigos me barra ao dizer que ela ainda não está pronta, mas logo mais estará, e esse pensamento me faz grunhir de desejo.

— Emma. — Digo ao me sentar perto dela. — Dylan me contou o que está acontecendo.

— Me desculpe. — Emma sussurra com sua voz doce. Seus olhos azuis estão cheios de lágrimas. — Parece que não existe um limite na ajuda que preciso de você. Estou tão envergonhada por esquecer meus supressores, isso tudo é culpa minha.

— Você não precisa pedir desculpas, isso pode acontecer com qualquer um. — Respondo ao me aproximar dela, nossos corpos estão separados por um palma de mão, pouquíssimos centímetros.

Não tenho escapatória do seu perfume, sinto o seu gosto nos meus lábios, na minha língua. Muito lentamente vejo lágrimas grossas escorrerem de seus olhos.

— Dói tanto. — Emma me diz ao se encolher e passar um dos braços por sua barriga. — Eu posso tocar em você?

Sua pergunta tímida e chorosa faz com que me mexa em sua direção.

Logo, estou com Emma em meus braços. Meu queixo descansa no topo de sua cabeça, evito enfiar meu nariz nos cachos dourados, mesmo que isso seja tudo o que mais quero.

Emma passa um de seus braços pelo meu torço, enfiando seu rosto no meu peito. Sua respiração é dolorida, enquanto ela funga em minha camiseta. A mantenho em um abraço apertado, minhas mãos passeiam por suas costas. Acariciando e dando conforto.

— Você está segura, Emma. Prometo cuidar de você, e garanto que não vou te forçar a nada. — Digo em seus cabelos, um calor queima meu peito com a certeza do que estou dizendo. Se não for do desejo de Emma, não vou agir sobre ela. Prefiro cortar meu pau fora do que me forçar sexualmente nela. Não importa o quanto eu a desejo.

— Eu não sei quanto tempo vou ter de lucidez, por isso quero que você me faça um favor. — Emma me pede ao afastar sua cabeça do meu peito e me olhar atentamente. — Durante o meu calor, não deixe que ninguém me veja assim, apenas você, não Dylan ou qualquer outra pessoa, só você, Alfa. Por favor.

— Eu prometo. — E tenho certeza de que vou cumprir isso.

— Eu sei que pedir isso para você é muita coisa. Mas, eu quero que aconteça. — Sua voz continua chorosa e seu rosto queima em rosa.

— Não tenho certeza que entendi o que você quer dizer. — Respondo depois de pensar pouco, minhas mãos continuam a acariciar suas costas.

Desde que nos abraçamos meus instintos baixaram o suficiente para não ser um incômodo.

Emma ainda leva alguns instantes para respirar longamente e voltar a me olhar.

— O que eu quero dizer é que meu calor apenas acelerou isso, porém desejo estar com você, me deitar com você...

— Você está falando sobre sexo? — Questiono ao encará-la, meus batimentos cardíacos duplicam ao imaginar que minha gatinha esteja me pedindo isso.

Emma me responde ao acenar positivamente com a cabeça, e sinto um grunhido se formar em meu peito.

— Você não pode me pedir isso, Emma. Não no seu calor. O que você está sentindo é hormonal, é uma reação do seu calor e o fato de eu ser alfa...

— Não, isso não é verdade. — Ela me interrompe ao puxar o meu rosto para mais perto do dela. — Até você chegar, Dylan estava comigo, mesmo sendo um alfa, o cheiro dele é ofensivo para mim, errado. E não estou confusa pelo calor, ainda não. Eu vejo você Kane, não é apenas porque você é alfa, é por ser você.

Quando seus lábios encontram os meus, mal posso recusar o seu chamado de sereia. Então, não luto contra isso, me entrego ao seu cheiro e gosto, a maciez de sua pele na minha, e aos instintos que me comandam a retribuir.

Quando nos soltamos, Emma encosta sua testa nas minha é durante alguns segundos, respiramos o ar do outro.

— Eu estou tão cansada. Você ficaria comigo até eu adormecer? — Sua pergunta doce é uma ordem para meu pensamento Alfa.

Durante o seu calor, serei um escravo dela e me entregarei a isso de corpo e alma.

— Claro, você precisa descansar um pouco e eu também. — O que ficou implícito era o motivo para descansar.

Chutando o sapato dos meus pés, me aninho ao lado de Emma no ninho que ela fez na noite passada.

Nos aconchegamos nos braços um do outro. Abraçados firmemente. Por fim, vejo que suas lágrimas já não existem, mesmo que sua expressão ainda seja de dor.

— Eu preciso que você saiba, que estou consentindo passar esse calor com você. Eu não escolheria ninguém mais. — O seu bocejo é alto e profundo e se esperar uma resposta minha, Emma volta a enterrar seu rosto no meu peito, respirando o meu cheiro, e aos poucos sinto que ela está sendo puxada para a terra dos sonhos.

É claro que não demoro em também adormecer.

Não sei por quanto tempo dormi, mas quando volto a acordar o quarto está iluminado pelas luzes do amanhecer. O sol está nascendo do lado de fora, e um choro insistente me coloca em alerta máxima.

Ômega, ômega, ômega.

Tenho que me concentrar muito para não ser dominado pela necessidade, minha rotina está batendo na minha cabeça, meu corpo dói pelo perfume do calor de Emma.

E se antes eu acreditei que o cheiro dos seus feromônios era forte, agora eu estou me afogando nele.

Quando olho em volta não a encontro. Mas, a porta do meu guarda roupas embutido na parede está aberta e vejo coisas voando para fora dele.

Um choro insistente continua. Enquanto me sento e passo as mais pelos meus olhos, em uma tentativa para afastar o sono.

De repente vejo Emma sair de dentro do pequeno closet e voltar para a cama.

Ela me ignora ao puxar alguns lençóis e dois edredons grossos, abraçando todos eles e ainda chorando volta para o closet.

Posso jurar que a escuto sussurrar algo entre seus soluços. Entretanto não pude ouvir o que era.

Lentamente me levanto e levado pelo instinto pego todos os outros cobertores e tecidos do antigo ninho de Emma. Levando-os para ela no guarda-roupa.

Ao chegar nas portas de madeiras me ajoelho e observo o que ela está fazendo.

Todo o espaço foi remodelado para dar lugar a um grande ninho, Emma está no centro de tudo, praticamente mergulhada entre lençóis, edredons e minhas roupas.

Seu rosto está inchado de tanto chorar, e finalmente consigo entender o que ela está sussurrando.

— Ninho perfeito. Tem que ser perfeito. Ninho perfeito para bebês grandes. Os bebês não podem ter frio. Proteger os bebês no ninho. — Suas palavras são sussurradas quase como um mantra, parecem uma oração que escapa de seu peito entre soluços de dor.

Para qualquer homem jovem, suas palavras seriam assustadoras. Todavia, para mim em minha rotina atual, as palavras de Emma são o melhor afrodisíaco que existe.

Sim, bebês gordos, meu ômega inchado com a minha semente. Acasalados pela vida.
Isso é tudo o que meus instintos mais antigos querem. Meu ômega inchado em uma gravidez, amarrada ao meu lado por uma vida toda.

Calor feroz. Cuidando do meu Ômega. Amarrando ela no meu nó.

Porra, é difícil me controlar. Estou suando muito, e minhas glândulas queimam irritadas, ao levar minhas mãos até elas, posso sentir o inchaço e a sensibilidade na pele.

Emma também está suando muito, de seus cabelos descem grossas gotas de suor, enquanto posso sentir o gosto da sua lubrificação pairando no ar. Ela deve estar pingando de excitação.

Fico ajoelhado do lado de fora do meu guarda roupa. Observar Emma em seu calor construindo um novo ninho é mais do que somente assustadoramente erótico. É divino, algo sagrado.

Ninguém mais a viu assim, e ninguém mais a verá.

O seu calor e a construção de seu ninho, em um local escuro que ela acha seguro, é apenas para os meus olhos, pois sou o alfa dela.

É impossível que pequenos rosnados de satisfação escapem pelos meus lábios. Às vezes Emma para o que está fazendo e me encara. Seus olhos azuis estão com as pupilas dilatadas, sua expressão não é mais assustada.

Agora sei que encaro o Ômega, mais do que encaro Emma.

Seus lábios estão mais cheios, seus olhos brilhantes e sedutores. Meu pau nunca esteve mais duro do que agora.

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— O ninho é perfeito, Ômega. Você fez muito bem! — As palavras escaparam de meus lábios e sei que nascem da minha designação. Algo me diz para elogiar o Ômega, elogiar seu esforço e trabalho, o ninho é aconchegante e bom. — É seguro e aconchegante, para nós dois.

— Sim, alfa. Um ninho bom, para nós dois. — Emma diz com aquela sonoridade Ômega que me faz tremer e gemer.

Parece bobo, mas por alguns instantes tenho a certeza de que ficaria nesse momento para sempre. Emma construindo um ninho, e eu a protegendo em seu calor.

Muitos minutos se passam, o céu já é claro e azulado com o sol. Não me movo nenhum passo para longe do meu Ômega. E Emma não para em nenhum instante de construir o seu ninho. Ela move edredons e meu cobertor, afofando tudo com suas mãos, puxa lençóis e amassa minhas camisetas sempre esfregando sua glândulas de feromônio nos tecidos.

Vejo que sua calça de moletom cinza tem uma grande mancha molhada na região da virilha, e isso me faz salivar de excitação.

Devo ter gemido alto, pois os olhos espertos do meu Ômega voltam a grudar nos meus.
Pela primeira vez noto que Emma largou os tecidos que estava afofando no chão e suspira longamente.

Ela parece que está farejando o ar, e um pequeno sorriso abre em seus lábios rosados.
É um maldito tormento ver as mãos de Emma passearem por seu corpo curvilíneo.
Meu ômega está ajoelhado no centro do ninho. Ainda de costas para mim. Seus longos cabelos cacheados estão soltos a sua volta, enquanto suas mãos sobem vagarosamente por suas coxas grossas.

Ela solta gemidos de dor ao voltar seus olhos para os meus.

— Alfa, por favor...- Não sei o que ela iria pedir, pois no instante em que observo sua mão entrar para dentro de sua calça, indo direto para a sua boceta molhada, perco o meu controle e me lanço sobre ela.

Entrar no ninho não foi problema nenhum, o lugar é pequeno, mas cabe nós dois e Emma o deixou aconchegante para se estar.

— O seu prazer é meu, ômega. — Rosno em seu ouvido. — O ninho está perfeito, agora me deixe cuidar de você.

— Sim, alfa, dói tanto. — As palavras escapam de sua boca, Emma volta a chorar quando se dobra no próprio corpo.

E meros segundos depois quando parece não suportar mais estar em suas roupas, ela começa a se mexer em meus braços, rebolando e se torcendo. Tudo no intuito de tirar as peças de roupa do seu corpo.

Não consigo me afastar muito dela, mesmo nesse momento.

Aos poucos seu corpo vai desnudado para o meu olhar. E se eu já não estivesse de joelhos ao seu lado, eu certamente cairia de joelhos ao seus pés.

Emma é perfeição pura, ela é Helena de Tróia e é Afrodite encarnada. Sua pele cremosa e pontada de sardas, as mesmas que cobrem o seu rosto, se espalham por seus ombros e descem pelo seu corpo de deusa.

Minha primeira visão de seus seios desnudos me faz salivar e querer chorar. Os globos cheios são lindos, com pequenos mamilos rosados, da mesma cor de rosa dos seus lábios. Seu estômago plano e a visão de pequenas dobrinhas de pele me fazem suspirar e rosnar de desejo.

Sua camiseta e sutiã são jogados no canto mais afastado do ninho.

Emma parece alheia ao meu olhar cobiçoso, estou salivando sem parar. Quero lamber todas as suas sardas.

Suas glândulas no pescoço estão avermelhadas e inflamadas, enquanto gotas de suor escorrem de seu corpo.

Meus punhos estão fechados no meu colo, estou tentando respirar unicamente pela boca, não me arrisco inspirar pelo nariz, o seu cheiro é mais forte assim.

Depois de se livrar da parte superior de suas roupas, Emma começa a tirar a peças de baixo. Sua calça de moletom e sua calcinha seguem para fora dela, em um único puxão.
E posso jurar que nunca vi nada mais bonito que a boceta molhada do meu Ômega.

Seu sexo é cheio, de poucos pelos loiros bem aparados, sua carne rosada e molhada, ela é como uma fruta madura pronta para ser devorada.

Suas coxas grossas e bunda cheia, são poesia em meus olhos, sua feminilidade me chama intensamente.

Deus, quero devorá-la não faço a mínima ideia de como vou sair desse Calor vivo.

Depois de jogar as novas peças de roupa no mesmo canto da camiseta. Emma se deita no ninho, se espalhando como uma oferenda para um deus pagão.

Seus olhos se fixam nos meus, ainda cheios de lágrimas de dor, mas cheios de expectativa. Tudo o que posso ver é o Ômega me esperando.

Pronto, maduro e meu. Minha gatinha nua, cheia de calor.

Por alguns instantes evito tocá-la. Chego a ter medo disso pois sei que no momento que colocar minhas mãos nela, serei incapaz de tirar, me tornarei escravo de seus desejos e viciado em seu corpo, no seu cheiro é no seu gosto.

Para falar a verdade, sei que eu poderia ter destinos piores, então, a entrega de Emma é um privilégio, algo que não tomo levianamente.

E no instante em que ela abre suas pernas, espalhando suas coxas e apresentando seu sexo molhada para mim, sei que estou perdido.

Nada no mundo pode me afastar dela agora.

Notas finais
Gostaram? Por favor deixem amor!