Notas iniciais
Olá leitoras, tudo bem? Feliz 2021!!

— Você o quê? — Ouço a voz estridente de Valerie pelo telefone.

— Eu estou acasalada. — Respondo o mais séria possível.

— Emma, o que diabos aconteceu? Por que você entrou no calor e não me avisou? — Suas perguntas são punhais em meu consciente. É aterrorizante ter que contar toda uma série de eventos desde a chegada de Kane e seu irmão na Universidade e como continuávamos a nos esbarrar, em como a tensão subiu tanto ao ponto de esmagar a nossa racionalidade, até nos tornamos designação pura.

Ou pior, como a culpa foi toda minha.

Agora as lembranças são ainda mais nítidas em minhas memórias, e no final, consegui tudo aquilo que meus instintos mais primitivos desejavam.

O melhor Alfa do campus. Parabéns, Emma, você acerta toda vez. Pensei irritada, tenho que tomar uma dose de tylenol, para abafar um pouco a dor de cabeça esgotante que me abateu depois que saí do apartamento de Kane e Dylan.

Meu alfa ainda estava profundamente adormecido no ninho do meu calor.

Tive que me forçar a sair do pequeno apartamento, por mais que meus instintos me mandassem voltar e me estender ao lado do meu alfa. Talvez acordá-lo com longos beijos e carinhos preguiçosos, abrir minhas coxas e o deixar me tomar mais uma vez.

Afinal de contas, depois desse calor e das mordidas que compartilhamos, perante a lei das designações sou propriedade do alfa que me acasalou.

E agora, com uma mordida enorme na minha glândula de acasalamento, sou definitivamente propriedade de um alfa.

Ao contrário do que muitos pensam, esses listados são principalmente Betas, após uma mordida de acasalamento, principalmente uma que é compartilhada, o casal unido passa por algumas mudanças fortes, porém ao contrário do que se imagina, nossos feromônios não mudam se transformando no feromônio do parceiro. O que acontece é uma mistura Química muito sutil, meus feromônios vão continuar os mesmos, assim como os de Kane. Mas, passaremos a cheirar sutilmente ao outro, nossos perfumes mesclados em algo único, principalmente quando estivermos juntos.

E outros feromônios não nos trarão prazer, não sexual, estamos presos para desejar um ao outro pela eternidade.

Eu ainda não consigo acreditar que o fiz me morder.

— Não foi culpa dele, foi minha. Estamos nos cheirando a muitas semanas, sem agir, mas esqueci de tomar alguns supressores e meu calor nos dominou, ele entrou em rotina e não queria me acasalar, tentou me fazer ver e entender, mas no momento eu não consegui pensar em nada a não ser em ser dele. Então, eu o acasalei primeiro, o que desencadeou seu próprio descontrole, e ele me mordeu. — Expliquei entre lágrimas.

Chorar era inevitável, uma tolice em um momento tão delicado.

— Eu gosto dele, ele se chama Kane Hunter, tem um cheiro incrível e olhos castanhos intensos, sua voz é grossa e ele é bastante protetor. É o Alfa mais bonito que já vi, sempre me tratou com respeito...

— Emma, acasalamento vai muito além do que belos olhos castanhos. — A voz de Valerie ao me interromper, está cheia de decepção.

— Eu sei, não sou tão tola assim. — Resmungo uma resposta rapidamente. — Você não o conhece, Valerie, e existe mais do que apenas um perfume alfa bom. Eu escutei o irmão dele dizer que somos um par altamente compatível.

O silêncio em seguida segue por alguns segundos, aumentando consideravelmente a minha ansiedade.

— Não pode ser, pares altamente compatíveis são um a cada milhão...

— Eu sei, e em um primeiro momento também acreditei ser loucura, mas isso explica muita coisa, quando eu estou perto de Kane, não consigo agir direito, meus pensamentos são tomados pela minha designação. Estou certa de que os feromônios dele mexem mais intensamente comigo. Estou aqui a quase dois anos, Valerie, e estou acostumada a lidar com os Alfas do campus, porém Kane é diferente de tudo o que eu já senti. Parece que o cheiro dele foi feito para mim. — Continuo a minha explicação, estou ofegante e chorosa, quero meu alfa perto de mim. Nosso vínculo ainda é muito jovem para estarmos separados.

Me sinto desconfortável em minha própria pele. Meus instintos Ômega insistem que preciso encontrar meu alfa, enquanto meu lado racional briga que tenho muitas coisas para resolver, sou um ser independente, sempre tive a capacidade de lidar com qualquer situação sozinha. Sou forte e esperta, não preciso de homem nenhum ao meu lado me dizendo o que fazer.

E é exaustivo ouvir Valerie em seu discurso de como fui irresponsável, que feromônios não são tudo em um acasalamento, que ela não acredita que fui tão ingênua em acreditar em um Alfa, e tantas outras coisas que estou chorando abertamente agora.

Me sinto arruinada aos seus olhos, e isso machuca.

A situação já é difícil o suficiente sem que eu precise ouvir um sermão sobre isso. Não que eu não mereça, afinal, depois do meu descontrole, Kane se tornou meu guardião legal perante a lei.

Afinal, somos um par acasalado e as leis Alfas ainda não misóginas.

Meu destino está na mãos dele, estou tão aterrorizada, é tão bombardeada por sensações contrárias que não sei o que fazer.

— Estou comprando uma passagem para te encontrar. — A declaração de minha irmã depois de um longo suspiro, me traz de volta aos meus pensamentos coerentes.

— Não, Valerie, você não precisa arriscar seu emprego, ainda não estamos em período de férias e não quero te prejudicar. — Digo rapidamente, por um lado, ter minha irmã por perto é tudo o que eu mais quero, mas nesse exato momento não me sinto bem em trazê-la para a minha confusão de vida.

Tenho que aprender a não envolver minha irmã nos meus problemas, é claro que um acasalamento é algo mais sério que um problema, e Valerie é a única família que possuo, então me abrir para ela é lógico e correto. Estou aterrorizada com o que aconteceu, mas tenho que resolver isso sozinha.

— Nada do que você me disser vai me impedir de ir te encontrar, vou encarar esse alfa que te assaltou e dizer umas boas verdades na cara dele, quero conhecê-lo e talvez castrar o filho da puta. — Sua voz é cheia de certeza, então não posso negar sua vinda.
Agora, mais do que nunca, tenho que encontrar um lugar para ficar.

Ao terminar minha ligação, volto os meus olhos para o quarto ao meu redor. Durante quase dois anos esse foi o meu lar e agora não era nada a não ser um espaço vazio.

O lar está junto ao alfa. Meus instintos me dizem, o que me leva a chorar e soluçar em meus velhos lençóis.

Não sei se Kane já acordou, acredito que não ou ele já teria me ligado. Um alfa recém acasalado tem pouca tolerância em se separar de seu cônjuge, os instintos nos governam mais ferozmente até o vinculo se solidificar.

Por isso, não estranho a sensação avassaladora de pânico que esfria meus membros, preciso do meu alfa, ficar afastada dele apenas me trará sofrimento e dor. E Kane sofrerá de uma forte angústia.

Dois lados sofrendo por imaturidade não faz sentido, eu posso estar aterrorizada pelo que o obriguei a fazer, e agora as consequências vão durar uma vida inteira.

Após a ligação para a minha irmã, não sei muito bem para onde ir. Por isso, me enrolo debaixo dos meus lençóis e me encolho.

Estraguei tudo dessa vez, forcei um alfa a me acasalar, tenho que sair do meu dormitório, já que minha relação com minha coleção de quarto, Lisa, se tornou insustentável. Minha irmã está voando para me encontrar, e depois desse calor minha vida independente foi jogada em um penhasco, tudo porque não consegui resistir a um perfume perfeito de Alfa.

Meu companheiro, agora Kane de certa forma também pertence a mim. Afinal, com a minha mordida sendo correspondida, nossos feromônios se ligaram para sempre.

Minha cabeça dói tanto, meus membros tremem e a cada minuto me sinto mais desconfortável, quando não posso mais suportar estar parada me levando e começo a organizar meu espaço, retirar lembretes do meu curso de graduação que estão presos no meu quadro de avisos, guardando tudo em uma pasta plástica. Depois abro o meu notebook e inicio uma árdua tarefa de escrever para a secretária da universidade e para todos os meus professores, pedindo perdão pelas minhas faltas e os avisando que tive que me isolar para passar por um calor inesperado. É constrangedor admitir isso para meus professores, mas não tenho outra opção, minha designação me protege contra as mais rígidas normas de assiduidade impostas pelos professores.

Alfas e Ômegas podem pedir uma licença antes ou depois de uma Rotina ou Calor. Por isso, preenchi os formulários necessários e encaminho para todos os meus professores e secretaria do campus.

Tenho pouco tempo para ficar ociosa, existem tantas coisas para serem feitas.

Quando tenho alguns minutos sobrando, entre minha tarefa de ligar para a fraternidade Ômega e esvaziar meu guarda roupa, começo a procurar online, no site do governo, pelos documentos necessários para validar meu acasalamento. Tenho que ler cada pequena regra e saber exatamente o que impus para Kane e eu.

Não que eu não saiba da maioria das leis, todavia me envergonho em admitir que não conheço nenhuma delas profundamente. E agora, preciso de um intensivo sobre tudo isso.

Aos poucos, vou me sentindo cada vez pior, minha dor de cabeça não passou em nada, mesmo com o medicamento, agora também sinto náusea. Meus instintos choram para eu procurar Kane, por isso uso de toda minha força de vontade para não agir a favor desses desejos.

Quando sinto que é demais, pego uma toalha e me encaminho para o grande banheiro comunitário no meu andar. Todo o lugar está vazio, as pessoas devem estar na aula ou algo assim, não posso me importar menos com isso.

A água escaldante faz maravilhas para a minha pele, mesmo que me sinta levemente febril, o calor relaxa os meus músculos e clareia a minha visão.

Levo um tempo apenas debaixo dos jatos de água, quando saio, não tenho coragem de me olhar no espelho, sei que estou cheias de marcas do meu acasalamento, das mãos, dedos e boca de Kane, e não às olho porque estou desgostosa delas, é justamente o contrário, olhar para os pequenas pontos roxos apenas me lembram da paixão avassaladora do meu Alfa, e do modo maravilhoso que ele cuidou do meu Calor.

Estou em guerra com meus sentimentos e isso é aterrorizante. Todo esse querer, razão, emoção e designação brigando ferozmente dentro dos meus pensamentos.

O pior é que meu cérebro Ômega não se arrepende nenhum pouco do que aconteceu, mas não posso deixar de me envergonhar de o ter forçado.

Tenho que me lembrar de agir, vestir um pijama confortável de algodão e calçar minhas pantufas fofas.

Tento a todo custo não pensar em Kane Hunter é no nosso acasalamento, mesmo quando o meu sexo aperta em desejo ao lembrar do seu corpo grande em cima do meu, ao meu redor, dentro de mim, me prendendo e fornecendo.

Em algum momento o desconforto por estar longe do meu Alfa passa a ser agonia e tenho que me forçar novamente na cama para tentar adormecer.

Quando sai do apartamento de Kane, não levei nada comigo, apenas as minhas coisas. Agora choro desconsolada ao pensar que poderia ter pego pelo menos uma de suas camisetas cheirosas. Esse pequeno ato evitaria o meu descontrole hormonal.

Entretanto, tenho que me acalmar com as lembranças e em pensar que logo vou estar nos seus braços. Tudo o que preciso é de uma boa soneca e tempo para que meu corpo entenda a minha mais nova constituição.

Antes de me entregar nas garras de um sono conturbado, tenho que me esticar e colocar meu celular para carregar, sua bateria morreu dias antes, quando eu ainda estava no meu calor, por isso não consigo acessar nada dele.

Meu notebook não acende com nenhuma mensagem nova, então me forço a relaxar.

Tudo em meu ser me leva a crer que meu Alfa não ficará satisfeito quando descobrir que não estou no nosso ninho. Sou um mau Ômega, e estou decepcionando meu Alfa.

Ter esses pensamentos e sentimentos não é nada agradável, por isso me forço a engolir mais duas pílulas de um analgésico e me enrolo entre os meus cobertores.

Eles sempre me fizeram sentir segura, eram o meu pequeno ninho. Agora, nada fazem para me acalmar, o cheiro me desgasta, afinal apenas os meus feromônios estão nele, falta algo primordial, é igual a uma sinfonia onde todos os músicos sabem tocar, mas cada um toca uma melodia diferente.

O caos organizado e desorganizado, tudo ao mesmo tempo.

Em algum momento o medicamento deve ter começado a fazer efeito, pois sou sugada pelas garras do sono.

Os meus sonhos não são calmos e doces, mas isso é tudo o que tenho e pelo menos estou descansando.

Quando acordo novamente, estou sendo assombrada por fortes batidas em minha porta. As pancadas na madeira são rápidas, mal dando tempo entre um barulho e outro.

Rapidamente me sento, afasto meus cabelos do rosto e me forço a voltar a realidade.

— Emma, abra a porta! — Exclamou a voz potente que em um estágio entre o sino é a lucidez, pude reconhecer como Dylan. — Eu sei que você está ai.

Sem pensar duas vezes estou me movendo entre os cobertores do meu pequeno ninho, meu corpo grita de dor enquanto o desconforto volta a crescer através dos meus membros.

Me permito um alguns segundos para olhar no espelho e me certificar de que estou decente. Meu pijama cinza cobre boa parte do meu corpo, as mangas da camiseta são longas e a calça comprida é folgada o suficiente para não ser vulgar.

Meus cabelos estão armados e cheios, os cachos rebeldes brilham em vida e meu rosto está corado e inchado de sono. Fora isso, estou bastante decente.

Ao me encaminhar para a porta ainda me lembro de calçar uma sapatilha, chuto para longe o meu par de pantufas.

No instante que me sinto pronta vou até a porta que Dylan ainda continuava a esmurrar e a abro rapidamente.

Meu primeiro vislumbre do irmão de Kane e um borrão quando o sinto me empurrar para dentro do quarto para que ele pudesse entrar. Seu empurrão não foi agressivo, apenas inesperado.

O perfume de seus feromônios me ataca mais forte que seu toque em meus braços.

Seu cheiro é uma guerra em si. Violência, dor, preocupação, ansiedade, tristeza e determinação estão nadando para fora de seus poros, principalmente de suas glândulas, o que me faz tossir e fazer uma careta.

— O que aconteceu? — Questiono amargamente, meus olhos focados em seu rosto. E é com horror que noto as várias escoriações em sua bonita pele.

Um se seus olhos está começando a inchar com uma feia coloração avermelhada e arroxeada, seus lábios estavam cortados e também inchando, igual o seu maxilar.

Imediatamente sou tomada de terror, pois sei que alguém bateu nele.

Sua camiseta vermelha está rasgada na gola e ele parece um inferno de um homem.

— Quem te bateu? — Pergunto amargamente, com medo de analisar a situação e preocupada em confirmar as suspeitas que crescem em meu peito.

Dylan está ofegante e não perde tempo em me responder nada, ele apenas me puxa em seus braços prendendo o meu corpo no dele e usando uma de suas mãos para afastar a gola da minha camiseta de dormir.

Meus instintos me dominam e sem pensar claramente, me lanço em uma guerra para escapar e fugir, esse não é meu Alfa, ele não pode me tocar assim.

Ainda lutando para me soltar não noto que Dylan está encarando a minha glândula de acasalamento, onde o irmão dele mordeu mais de uma vez. Tudo o que quero é fugir de seu abraço e correr para meu Alfa.

A força de seus feromônios quase tem o poder de me colocar de joelho.

— Se acalme, baixinha. — Seu comando Alfa faz pouco para acalmar meus instintos Ômega em crescente terror. — Não vou te machucar, eu nunca faria isso, apenas precisava confirmar algumas coisas.

— Porra, Dylan, me solte agora mesmo. — Grito com ele em minha guerra pela liberdade.

— Não mesmo, baixinha. Você precisa vir comigo imediatamente. — Suas palavras arranham em minha pele.

— Não vou a lugar nenhum até você me explicar o que aconteceu. — Respondo ao conseguir me afastar de seus braços.

Seus olhos castanhos, tão parecidos com o do irmão gêmeo me encaram seriamente. E essa expressão em seu rosto sempre sorridente acaba comigo. Algo não está certo.

— Eu não tenho tempo para isso. Te explico no caminho. — Suas palavras não me assustam tanto, quanto a sua atitude de vir novamente em minha direção e me pegar em nos braços, ao contrário do que muitos fariam, Dylan me suspende ao abraçar minhas coxas e me elevar até seus ombros.

Essa posição tira todo o fôlego dos meus pulmões. Seus ombros são largos o suficiente para encaixar minha barriga, minha cabeça fica solta em suas costas enquanto luto para me manter decente.

Não quero gritar, isso poderia trazer problemas para nós dois, aliás sua vinda até meu dormitório já nos causaria problemas suficientes se fôssemos pegos pelas inspetores do dormitório feminino.

Homens não são permitidos, muito menos aqueles de designação Alfa.

A universidade tem regras severas sobre isso.

— Dylan, você enlouqueceu? Me ponha no chão. — Estou grunhindo para ele. Seus sacolejos ao me carregar forçam a ar para fora de meus pulmões, me deixando ofegante e irritada. — Você não tem direito nenhum de me carregar por ai...

— Você é acasalada ao meu irmão, tenho todo o direito. — Sua resposta também é um grunhido afiado.

— Me ponha no chão Dylan Hunter, ou juro que vou te castrar com uma faca cega. — Volto a ameaçar ignorando completamente o seu conhecimento sobre o que Kane e eu somos um para o outro.

Minhas palavras são ocas em seus ouvidos, para minha eterna vergonha passamos por alguns estudantes que nos olham curiosos.

Minha cabeça gira com vergonha e esforço de me manter ereta, não é uma tarefa fácil, mas pelo menos consigo que meu tronco não esteja tão curvado.

Os passos de Dylan são rápidos pelos corredores, e meu peso não parece afetar em nada o seu fôlego ou ritmo.

Quando saímos do prédio, volto a insistir que ele me coloque no chão, mais uma vez sou ignorada enquanto seus passos largos me levam para o estacionamento ao lado no meu prédio estudantil.

Quando ele enfim me põe no chão, estou um pouco tonta de ficar com minha cabeça baixo por tanto tempo.

Estamos ao lado de sua moto vermelha, e ele está me entregando um capacete.

— Não vou colocar nada e nem subir nessa moto até você me contar o que está acontecendo. — Rosno irritada, meu batimentos cardíacos estão a milhão dentro do peito. Meus olhos o encaram esperando uma resposta e o vejo passar as mãos pelo rosto e cabelo, de modo bem frustrado, ainda ao me encarar. Seu desconforto aumenta em seus feromônios.

— Escute bem Emma, hoje eu recebi uma ligação de Kane, perguntando onde você estava, ele estava desesperado porque você abandonou o ninho e foi embora. Quando cheguei no apartamento, ele tinha destruído o seu quarto, e estava correndo para te encontrar, eu tentei detê-lo mas seus instintos estavam muito fortes. Nós dois lutamos e ele conseguiu escapar. — A história que ele me conta é especialmente tirada de um filme de terror da minha imaginação.

Meus olhos se abrem de modo assustado e estou tremendo levemente com a perspectiva de Kane e Dylan lutando por minha causa.

— Ele está descontrolado, tomado pelo Alfa e não consigo trazê-lo de volta. Agora mesmo ele está se encaminhando em cada fraternidade alfa, te caçando. Pois em sua mente, algum alfa deve ter raptado o ômega dele...

— Ele não pensou em me procurar no meu dormitório? — Questiono rapidamente, um pouco de irritação cobre as minhas palavras, mas ainda estou em choque por tudo o que ele me disse.

— Depois de todas as tentativas de ligar para o seu telefone, ele meio que se deixou dominar pelo instinto. Por isso não temos tempo para perder. Só existe uma pessoa que vai acalmá-lo, Emma, e essa pessoa é você. — Suas palavras agitadas queimam em meu corpo, meus instintos Ômega gritando para encontrar meu Alfa, ele precisa de mim.

Estou chocada demais para responder, então aceito o capacete que Dylan me oferece e com ajuda subo na garupa de sua moto.

Como nunca andei de moto antes, me agarro ao tronco do Alfa em minha frente e me seguro o mais forte possível.

Estou sentindo tantas coisas ao mesmo tempo que é difícil classificar e separar apenas uma.

A minha sensação ao andar de moto é preciosa, estou voando em duas rodas, o vento bate em meu corpo e não consigo evitar minha animação, mesmo que ela seja pequena e esteja presa embaixo de todo o resto.

Dylan dirige rapidamente pelo campus, e mesmo sabendo que ele possui experiência com esse tipo de veículo, fico feliz em apenas não morrer tragicamente.

Quando ele para em um farol, tento chamar a sua atenção.

— Você sabe onde Kane está? — Questiono o mais alto que posso, pois quero ser ouvida através do capacete.

— Sim, um amigo alfa me mandou uma mensagem e eu pedi para ele juntar um grupo e distraí-lo. — Não entendo bem o que juntar um grupo significa para Dylan, será que eles o estão machucando? Quem sabe o contendo, ou pior, eles podem tentar distraí-lo com a presença de outro Ômega.

Apenas imaginar isso já faz com que um sentimento amargo sobreponha todos os outros. Então, não seguro o rosnado que escapa por meus lábios.

Encontre o Alfa, encontre o Alfa agora é o morda novamente. O Alfa é do Ômega.

Meu cérebro dança com a infinidade de modos que posso chamar a atenção do meu alfa, afastando qualquer falsa concorrência. Minha boca saliva com a vontade que tenho de afundar meus dentes na glândula de acasalamento já reivindicada de Kane. Me sinto necessitada em lembrar do gosto de seus feromônios na minha língua.

Não sei por quanto tempo dirigimos pelo campus, mas não demora muito e Dylan para a moto em uma grande República Alfa.

A mesma da festa anterior e onde ocorreu a Lua Vermelha.

A fachada da grande casa esta a mesma, está é uma bonita e clássica mansão, e parece que não consigo me livrar de vir aqui.

Uma parte de mim não deixa de pensar que se eu não tivesse ido naquela maldita festa, todos os meus problemas atuais não teriam acontecido, e eu estaria vivendo a mesma vida rotineira de sempre.

Dylan entra na casa como se fosse o dono, de cabeça erguida e cheio de atitude Alfa, e me arrasta com ele.

Estou uma bagunça nada apresentável para estar nesse lugar o cheiro potente de muitos feromônios alfa em um único ambiente ainda mexe com a minha cabeça. Não consigo sentir o cheiro de Kane em lugar nenhum, todavia a casa está uma bagunça.

Escuto uma algazarra acontecendo em algum lugar, muitos gritos e urros se erguem ao mesmo tempo.

Conforme ultrapassamos a sala principal e nos encaminhamos para a grande cozinha, os cheiros ficam cada vez mais fortes. A cozinha está toda bagunçada, com cadeiras viradas e pratos quebrados em todo lugar.

Temos que ultrapassar objetos jogados para sair do ambiente sem causar mais destruição. Meu coração dói com a possibilidade de Kane estar envolvido em todo esse caos.

Quando saímos para o pátio traseiro, uma grande área de estar com piscina, churrasqueira e um grande gramado, meus olhos são tomados pelo horror em minha frente.

Agora sei de onde os urros, gritos e conversas agitadas veem. Acredito que todos os Alfas dessa fraternidade estão reunidos em volta de um círculo de luta. E são tantos que mal posso ver o centro da batalha.

Eles riem e agitam os braços no ar. Conversam altos e estão tão concentrados no que está acontecendo que não notam a minha chegada. Ou pelo menos foi o que pensei até que um grande homem se aproximasse de Dylan e eu.

Seus olhos castanhos grudam em mim por alguns segundos e depois se voltam para o irmão de Kane.

Posso reconhecê-lo imediatamente, ele é o líder dessa fraternidade, mas não lembro de seu nome. Sua expressão é ao mesmo tempo fechada e animada. Uma estranha feição para se ter no meio do caos, e seu cheiro demonstra a mesma coisa.

— Você demorou. — Sua acusação sai direto para Dylan e bufa em irritação.

— Como ele está? — Escuto Dylan perguntar ao ignorar completamente a acusação do outro Alfa. Meus olhos correm entre os dois para a bagunça de Alfas ainda concentrados em outra coisa.

— O bastardo já derrubou quatro dos meus melhores lutadores, ele é a porra de uma máquina de matar. — Responde o homem que esqueci do nome, talvez seja John ou George. Eu estava tão distraída quando Kane nos apresentou, que não me concentrei em mais nada a não ser na Lua Vermelha que ele iria lutar. — Uma boa distração, os rapazes estão gostando do show.

— Apenas quatro? — O riso na voz de Dylan me irrita, e no instante que ele me olha estou fervendo de raiva. — Será que meu irmãozinho perdeu o jeito?

— Isso não tem graça, Dylan. — Respondo ao dar um passo para longe dele. — Onde ele está? Está servindo de saco de pancada para alguns outros Alfas?

Quando o alfa moreno ao seu lado ri, não posso deixar de o encarar carrancuda, e em um estalo me lembro de seu nome.

É Josh. Josh Tunder.

— Você está enganada. Meus homens são sacos de pancada para ele. — Josh me diz ao esticar seus lábios em um sorriso esperto. Seus olhos castanhos são mais escuros do que os dos gêmeos, e me encarando do jeito que está, enche o meu peito de desconforto. Ele parece um tubarão cheirando uma presa.

E eu sei porquê. O meu calor terminou a pouco tempo, menos de vinte e quatro horas atrás, ainda estou cheirando a necessidade Ômega, e tesão. Mesmo que meu estado de espírito esteja muito diferente do que meu odor.

Eu não deveria estar aqui. Não cercado por uma fraternidade inteiro de jovens Alfas no auge da líbido.

E agora sei que mesmo que Dylan não tivesse me arrastado, ao saber o que estava acontecendo com Kane, teria vindo de qualquer maneira.

— Escute, Emma. Vou tentar pará-lo e quando conseguir o imobilizar, você se aproxima lentamente e faz sua mágica. — Dylan me diz, ao me puxar para a beira do círculo. Agora muitos outros homens se tornam cientes da minha presença, todos eles me olham com surpresa e malícia ao notar meu odor, é constrangedor.

Eles abrem caminho para Dylan e eu, e sinto o meu coração disparar dentro do peito com a proximidade iminente do meu Alfa.

Ainda não consigo sentir o perfume perfeito de seus feromônios. E estar rodeada de tantos Alfas aterroriza algo dentro dos meus instintos mais primitivos.

A minha primeira visão de Kane tira todo o fôlego do meu peito. Ele está sem camisa, com sangue manchando sua pele, sangue que escorre de seus lábios e de uma ferida próximo a sobrancelha esquerda. Seus olhos são ferozes e totalmente insanos.

Ele nem ao menos fala alguma coisa, apenas grunge e rosna de modo selvagem. Seu corpo suado da atividade física e músculos saltados são assustadores de se olhar.

É claro que por dentro, no fundo mais instintivo da minha designação, estou emocionada com sua ferocidade.

Alfa forte, o melhor entre todos. Vai me proteger e me encher com bebês fortes. Meus pensamentos são incontroláveis, então fecho os meus olhos e rezo para não começar a manchar minha calcinha com excitação Ômega.

Isso seria um desastre de proporções históricas, com o potencial de me expulsar da universidade.

Por isso, não me concentro em quão maravilhosamente delicioso meu Alfa parece em seu máximo de força, e sim em seus machucados e na brutalidade em que está envolvido.

E isso parece funcionar. Em todo instante evito olhar para os Alfas ao meu redor, e me finjo de surda quando escuto seus sussurros ao meu respeito.

Sim, eu sou Emma, sou ômega, e Kane está massacrando seus companheiros por acreditar que algum de vocês me raptou do meu ninho de calor.

— Você fica aqui, Josh vai te proteger até eu imobilizar meu irmão. — Dylan me diz ao me puxar para mais próxima de onde Josh estava parado, não é muito atras de onde estou, o que me deixa visivelmente envergonhada.

Levo o meu olhar para onde Kane está lutando com dois homens ao mesmo tempo, ele é balístico em se esquivar e atacar. Enquanto os outros dois se esforçam para conseguir acertar um golpe, Kane os acerta com uma certeza tão grande de movimentos que os pobres coitados nem conseguir ver o ataque.

Quando um deles cai meio desmaiado no chão, sendo retirado imediatamente da arena improvisada, eu volto os meus olhos incrédulos para seu irmão.

Dylan parece entender meus pensamentos, pois sorri ao passar seus dedos pela minha bochecha.

— Não se preocupe, baixinha. Sou ótimo em colocar meu irmão no chão. Ele tem a cara de mau, mas eu tenho a esperteza para contê-lo. — Suas palavras não fazem nada para me acalmar, ainda mais quando foco em seus machucados, que a cada minuto que passa estão com uma aparência pior.

Ele não leva muito tempo para se virar e me deixar sozinha. E no minuto que se lança para seu irmão, estou cheia de apreensão.

Os urros continuam em minha volta, e logo percebo que muitos dos que assistem a luta estão apostando dinheiro. Isso é tão errado em grandiosos níveis de falta de sensatez.

Estou roendo minhas unhas de ansiedade. Gelada até os ossos.

Se Kane lutando com dois outros ao mesmo tempo era assustador, a coisa piora muito quando assisto sua luta com seu próprio irmão.

— Ei irmãozinho, te trouxe um presente. Mas, só vou entregar se você se acalmar. — As palavras de Dylan são combustível para a agressão de Kane, que imediatamente se lança sobre o irmão.

Para a surpresa de todos, Dylan não apanha como os Alfas anteriores. Ele é rápido com movimento ágeis e precisos, Kane contrapõe com o aumento da agressão.

É assustador assistir, é a minha volta as apostas sobem exponencialmente, enquanto um cheiro de euforia cresce no meio de todos. Estou presa pelos meus pés, assustada demais para me mover. E sendo bem sincera, não quero nunca mais ver os dois brigando desse jeito.

A luta parece durar uma eternidade, porém sei que se passaram poucos minutos, minhas mãos doem com o aperto de meus punhos, e sinto meus músculos tensos.

A luta toda parece um filme de terror, quero que acabe o mais rápido possível, todavia não consigo desviar meu olhar. Me sinto ansiosa e preocupada.

Quando Dylan consegue imobilizar Kane, a coisa acontece tão rapidamente, em um piscar de olhos.

Em um instante vi Kane avançar sobre seu irmão e no outro Dylan estava grudado em suas costas, colocando Kane de joelhos.

Seus braços em volta do pescoço e tronco, prendendo suas mãos de modo tão forte que Kane pouco tinha o que fazer a não ser se debater e rosnar ainda mais alto.

— Prontinho irmão, agora se acalme, respire profundamente e sinta o perfume do presente que te trouxe. — Todos nós pudemos ouvir as palavras de Dylan, ou quando Kane inspirou profundamente e seu corpo todo se paralisou em surpresa.

Seus olhos se abriram como pratos, enquanto ele farejava o ar com tanto sofrimento que senti grossas lágrimas escorrerem por meus olhos.

— Esse é o seu momento, Emma. — Ouvi Josh sussurrar em meus cabelos.

Meus pés se movimentam antes que perceba o que estou fazendo, outros homens abrem espaço para que eu possa passar por eles sem encostar em ninguém.

Ser o centro das atrações nunca foi algo que gostei, evito me expor ao máximo, e normalmente corro de situações onde tenho que me apresentar para um grande grupo.

Entretanto, nesse momento, ao atravessar um grupo de homens para curar o meu alfa, entrar no centro da arena improvisada e caminhar até onde seu irmão o estava prendendo é uma experiência única.

Não sinto medo ou ansiedade. Apenas um senso de dever e responsabilidade. Esse homem ficou assim porque tomei uma decisão errada de me afastar, sem dar a oportunidade de uma conversa, sem me importar com nosso laço recém construído.

Uma atitude egoísta depois da outra. Porque entre todos os Alfas presentes, o único que escolheria para me morder e prender por uma vida, está ajoelhado indefeso por minhas escolhas ruins.

Um sofrimento bobo e desnecessário.

Olhar em seus olhos me enche de confiança e arrependimento, e seus bonitos olhos castanhos me encaram com uma necessidade tão avassaladora que imediatamente sinto meus cérebro Ômega reagir a ele.

Meu corpo treme em necessidade de colocar minhas mãos nele, passar meus braços em torno do meu corpo e me esfregar em seus feromônios. Uma carência difícil de controlar, então permito que mais algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto. Nós dois presos no tempo por nossos olhares, ansiando um pelo outro com ferocidade.

Sigo calmamente até ele, um passo de cada vez e no momento que me ajoelhou em sua frente, estou perdida em seu cheiro perfeito, mesmo que estava envolto de ansiedade, descontrole e violência.

Preciso desse cheiro, como preciso de ar para respirar.

O meu corpo inteiro se acalma ao me aproximar dele, meus instintos confiam inteiramente neste alfa. Sabe que ele não vai me machucar ou macular. Kane é meu alfa e sou sua Ômega, agora não estamos mais sozinhos, somos um par acasalado por todo vida.

Seus olhos perseguem cada pequeno movimento que faço, as pupilas de seus olhos estão tão dilatadas que todo o castanho é tomado pelo preto. Olhos de um predador.

Alfa está aflito, tenho que acalmar o Alfa. Tenho que fazer um novo ninho para nós dois, deixar ele cuidar de mim, me proteger e prover.

Sim é exatamente isso que eu quero, com esse alfa, aqui e agora.

É assustador compreender que meu futuro está preso em seus olhos. Quando os nosso mundos colidiram não foi culpa dele ou minha. Talvez tenha sido o destino ou apenas o acaso.

Eu não posso mudar o passado, conhecer ou não conhecê-lo, mas eu posso mudar o nosso presente e quem sabe o nosso futuro.

Muito lentamente levo minhas mãos para o seu rosto e Kane geme quando nossas peles se encostam, a sensação é eletrizante, como encontrar a minha polaridade exata, a peça perfeita do meu quebra-cabeças. Logo, permito que meus dedos passeiam por seu rosto, acariciando os machucados que outros deixaram em seus bonitos traços.

Seu corpo relaxa visivelmente enquanto continuo a minha exploração, o mundo deixa de existir e ficamos apenas ele e eu. Tudo o que importa está aqui ao alcance dos meus braços.

— Alfa. — Sussurro ao encostar a minha testa na dele, sua pele quente queima na minha. — Me desculpe, eu fugi, fiquei com tanto medo do que fizemos que corri, mas estou aqui agora. Preciso de você, que você volte para mim. Abandone o estado Alfa e volte para mim. Por favor.

O seu ronronando alfa brinca com meus instintos, acabando todos os sintomas de abstinência que tive ao me separar dele. É como se eu pudesse respirar pela primeira vez, a sensação viajando pelos meus membros, amaciando meus temores e fortalecendo nosso vínculo.

No instante que sinto a necessidade de beijá-lo, me entrego do modo mais doce. Meus lábios dançando nos seus, tomo um cuidado excessivo com seus machucados, mas nem mesmo a pele ferida consegue me afastar, levo meus beijos para cada contusão em sua pele, pequenos beijos de borboleta.

Quero passar meus braços ao seu redor, mas Dylan ainda o está prendendo.

Consigo ignorar os olhares curiosos em minhas costas, enquanto continua a amansar o meu Alfa.

Depois dos beijos, suspenso minhas mangas, deixando meus antebraços livres, depois passeio minhas glândulas de cheiro em seu corpo, quando passo meu pulso esquerdo levemente em seu rosto, Kane abre a boca e lamber minha pele, sempre gemendo e choramingando. Sua língua molhada e quente desliza por minha glândula, e por alguns instantes permito que ele chupe a minha pele, seus olhos rolam de prazer e em alguns instantes suas pupilas dilatadas voltam ao normal.

Tirar meu pulso do alcance dos seus lábios é doloroso, pois um prazer secreto começa a florescer dentro de mim.

Ele reclama imediatamente, tentando me alcançar e falhando.

— Emma, ômega. — Suas primeiras palavras são arrastadas e grossas, como se ele estivesse saindo de um resfriado. Mas, meu nome e designação em sua voz é inegavelmente um comando alfa. — Isso é um sonho? Você está realmente aqui?

— Sim, Alfa. Eu estou aqui com você. — Sussurro ao arrastar meus lábios pelos seus. — O que posso fazer para você voltar de vez para mim?

Kane ainda leva algum tempo para responder, as pupilas de seus olhos se dilatam e voltam ao normal com sua luta interna pelo controle. E de repente me pego disposta a qualquer coisa para trazer meu alfa de volta ao normal.

— Eu preciso de você, preciso te morder mais uma vez. — Suas palavras não me chocam de forma alguma, em meus instintos sabia que algo assim estaria por vir. — Ter minha reivindicação na língua, seu gosto na minha garganta.

Leva tudo de mim para desviar meus olhos de Kane e encarar seu irmão.

A expressão de Dylan está tão cheia de choque que mal posso descrever, seus olhos também se abrem como pratos, enquanto ele tenta disfarçar seus próprios sentimentos.

— Você pode soltá-lo. — Digo com firmeza.

Sem me responder, Dylan solta o seu irmão de seu aperto de ferro. E segundos depois sinto as mãos do meu alfa em volta da minha cintura, me puxando para seus braços. Colando o meu corpo ao dele.

Eu poderia dizer que fiquei constrangida com tanto afeto ser assistido, porém o único sentimento que tive foi de plenitude.

Meus braços com vida própria se enrolam em seus ombros. Kane volta a compor em meus ouvidos sua melodia alfa, cheia de ronronados e rosnados satisfeitos. Não posso julgar, já que estou fazendo meus próprios ruídos de aprovação.

Kane parece ignorar as pessoas a nossa volta e agora que estou em seus braços, eu também ignoro todo mundo. Inclusive não faço a mínima ideia para onde Dylan foi, já que minha atenção está focada em Kane.

As mãos de Kane estão em meu corpo, não de modo vulgar ou sexual, seu toque é possessivo mas não intimidador.

Ele me manipula e aceito suas ministrações. Estou tão presa em minha bolha de felicidade por estar nos braços do meu alfa que quase não o sinto puxar a gola da minha camiseta para trás, praticamente rasgando o tecido para alcançar minhas glândulas.

E é um prazer sentir seus lábios na minha carne, mesmo que ele já tenha mordido antes, sua língua quente faz minha pele arrepiar em novo desejo. Meu cérebro ômega cantando em contentamento.

O Alfa me quer, sou seu ômega e ele é meu alfa. Me morda alfa, me morda na frente de todos os outros Alfas, todos eles são fracos e irrelevantes. Você é meu escolhido.

Sentir seus dentes afundaram na minha carne é uma dor que dificilmente consigo esconder, então viro meu rosto e libero o máximo de espaço que consigo.

Kane geme em contentamento, enquanto estou sendo invadida por um turbilhão de hormônios, todos voltados à calmaria, entrega e devoção. Algo mais quente nada em meu peito, um sentimento de amor, ligação, família.

Posso ouvir várias expressões de espanto em minha volta, mas estou mergulhada em sensação, então todo o resto é irrelevante.

Uma vida depois sinto Kane largar sua mordida, lambendo minha pele sangrenta com sua língua. Nosso elo brilha em tons quentes, enquanto estou derretida em seu braços, sou massa de modelar em suas mãos.

Quando nosso olhos se encontram, Kane está de volta, seus piores instintos, os mais dramáticos e difíceis estão subjugados pela sua força interna. Ele lambe os lábios sangrentos, saboreando a mistura de sangue e feromônios liberados das minhas glândulas com sua mordida.

Tudo a nossa volta parece um cemitério, as vozes foram silenciadas em choque e surpresa. Enquanto um forte cheiro de desejo e inveja queima entre todos os presentes.

O cheiro triplica no momento que me lanço sobre Kane o forçando a minha vontade enquanto minha boca procura desesperada por suas próprias glândulas rosadas. Minha mordida está inflamada em sua pele, o que não me impede de me lançar em uma nova mordida ainda mais forte do que a anterior, marcando profundamente sua marca de acasalamento.

Estou ronronando ferozmente em seu pescoço, meu peito vibra de alegria ao notar Kane gemendo entregue a minha reivindicação.

Seus braços me apertam tanto que sinto falta de ar com a pressão que seus braços tatuados fazem no meu tronco.

— Sim, porra, sim! — Suas palavras são toucas, e seu rugido de Vitória é esmagador para os meus instintos.

Alfa está feliz, eu fiz isso. Sou um bom Ômega.

Também preocupada, lambo a minha mordida, não quero que meu alfa sofra e seu gosto desce por minha garganta alimentando minha designação.

— Puta merda, ela mordeu de volta?

— Caralho, eu nunca vi um acasalamento antes...

— Eu também não, isso foi foda.

— Você viu como ela é feroz?

— Esse é o desgraçado mais sortudo que eu conheço.

— Na aulas de história nós estudamos como alguns Ômegas conseguiam acalmar os bastardos Alfas mais brutais.

— Aquiles era um deles, não era?

— Porra, eu também quero acasalar um ômega.

A enxurrada de conversas explodem ao nosso redor. E aos poucos Kane e eu voltamos a realidade.

— Olá, gatinha. — Kane sussurra quando estamos frente a frente.

— Olá, Alfa, bem-vindo de volta. — Sussurro minha resposta, minha boca tem gosto de sangue e alfa, minhas mãos passam vagarosamente em sua pele. É tão delicioso estar em seus braços que não consigo achar em meus sentimentos espaço para vergonha.

Depois de mais alguns momentos de contemplação, permito que Kane nos levante.
Meus joelhos ainda estão bambos pelo prazer que ainda corre em minhas veias. Mas as mãos dele nunca se afastam da minha cintura.

E não me importo se estou de pijama, e meus cabelos estão com seus cachos rebeldes, não quando os olhos de Kane afirmam que sou a criatura mais bonita do universo, e brilham cheios de devoção.

No momento em que ele desvia os seus olhos dos meus, me aconchego ainda mais em seu peito largo, seus músculos são suculentos de se tocar, tão firmes e macios, cheios de suas tatuagens. O deixando com uma aparência perigosa e predatória.

Meu alfa é tão forte e bonito.

— Vou levar meu Ômega embora. — Kane se dirige para todos os outros Alfas. Sua voz soando mais perigosa e rouca do que nunca. Pois carrega em cada sílaba um inegável comando alfa. — Qualquer palavra sobre minha Emma, que não seja absolutamente respeitosa, será vista por mim como um chamado para guerra, e garanto de não vou derramar apenas sangue em uma Lua Vermelha, o bastardo que desrespeitar meu Ômega não vive um dia a mais do que o necessário, estejam avisados.

Silêncio é tudo o que posso notar, meu olhar agora é mais tímido, porém tento manter um ar confiante. A ameaça que Kane parece boba, mas crescendo da forma que cresci, suas palavras enchem o meu peito de afeto. Estou entorpecida pelos hormônios e mal posso sentir a palpitação da carne machucada em meu pescoço.

Sinto um calor gostoso se arrastar pelos meus membros, esquentando tudo por dentro e afastando o meu desconforto. Ainda estou chapada pela mordida.

— Josh, venho amanhã para conversar e acertar minhas dívidas com você e a fraternidade. Prometo pela designação. — As palavras de Kane estão cheias de verdade.
E ao levar minha atenção para o presidente desta casa, o vejo acenar afirmativamente em acordo. Seus olhos escuros presos intensamente no meu alfa.

— Não se preocupe Hunter, meus novatos vão ter o que fazer hoje a noite e foi divertido socar a sua cara. — Sua resposta arranca uma careta de Kane, mas não o sinto infeliz com as palavras do outro. — Agora Dylan e você estão em dívida comigo, e posso garantir que vou cobrar essa dívida.

Suas palavras são aterrorizantes, principalmente quando os seus olhos escapam para os meus.

Não sei o que ele está tramando, mas com certeza estou envolvida nisso.

Sem demora, Kane me leva para longe de todos os integrantes da casa, sinto seus olhos grudados em mim, mas nenhum se atreve a dar um passo em minha direção ou soltar algum comentário esperto.

Não vejo Dylan em lugar nenhum, mas não estou preocupada, ele sabe se virar sozinho e agora que ele já me entregou ao seu irmão, a sanidade de Kane está salva.

Os braços de Kane são quentes ao meu redor, sua pele suada e machucada não me causa asco, meus instintos estão batendo com força em minha cabeça, meu cérebro Ômega nadando em hormônios do acasalamento. Com cada mordida nossa vinculo se torna mais forte.

Não que isso seja necessário, normalmente uma boa mordida na glândula de acasalamento de um ômega, já o liga para sempre ao alfa.

Mais de uma mordida fortalece os laços e amarras hormonais que nos ligam um ao outro.

E sei que tenho que ter uma longa conversa com Kane. E essa conversa não vai poder esperar até nossos instintos baixarem totalmente, afinal minha irmã está chegando e Valerie sempre foi um furacão, com o bônus de odiar pessoas nascidas na designação alfa.

E mesmo que uma centena de medos e dúvidas se arrastem em meus pensamentos, ao olhar nos olhos de Kane, me sinto confiante de que podemos passar por tudo isso.

Juntos, ele e eu.

Alfa e Ômega.

Notas finais
Obrigada pelos comentários! Vocês são incríveis e me motivam a continuar as postagens aqui no Nyah! Gostaram do capítulo? Me deixem amor... =)