Notas iniciais
Olá pessoas, Lorena Santos e Syrenablue, muito obrigada por favoritar a minha história. =) Um grande abraço, ;)

Isso é ridículo. Não sei porque concordei com isso. Penso irritada ao me olhar no espelho.

Bry fez um ótima trabalho, estou linda. Mas me sinto deslocada e estranha.

Para ser sincera, tenho que admitir que já fazem alguns dias que estou me sentindo estranha, meus pensamentos estão lentos e uma preguiça fora do comum inunda o meu corpo.

Tenho tomado cochilos longos em vários momentos do dia, e tenho me alimentado muito pouco.

Acredito que estou entrando em um estado de gripe. O que é uma grande porcaria, já que não gosto de ficar doente.

Mas, hoje, justamente nesta noite, não pude evitar de ceder e sair com Bry e Samuel.
Já adiei tantos outros encontros que não tive nenhuma desculpa realmente boa para recusar o seu convite.

Bry se preocupou um bocado e deixou que me trocasse no apartamento dela. O meu quarto de dormitório é tão minúsculo que não teríamos qualquer espaço para andar e nos mover.

Sem contar que com a presença de Lisa, minha colega de quarto. Não teríamos nenhuma privacidade para fofocar e sermos bobas.

Samuel não estaria presente. As regras do dormitório são severas em relação as visitas do sexo masculino. Mesmo Samuel sendo gay e não tendo nenhuma atração sexual em nenhuma mulher. Em um contesto total ele ainda é um homem.

Bry, nasceu em uma família abastarda e nunca precisou se preocupar com dinheiro. Todavia, ela não é esnobe, acreditando sem superior aos outros pelo valor da sua conta bancária, então conseguimos ter uma boa amizade.

Seus pais alugaram um estúdio inteiro para ela, e o aluguel está pago durante todo o período de sua graduação.

É um local bem confortável para se viver. E sei que minha amiga é muito grata pelos privilégios que possui.

Ela até já me chamou para morar com ela. Porém não consigo aceitar. Nem se dobrasse todos os meus períodos de trabalho, ainda não conseguiria ter a quantia necessária para pagar pelo aluguel desse tipo de apartamento.

Já tenho uma rotina bem cheia cuidando das minhas finanças atuais.

Sem contar, que eu sempre pensaria nisso como alguma espécie de esmola ou que estaria me aproveitando de sua boa vontade. Estou ciente que esse é um pensamento ridículo.

Talvez eu seja mais orgulhosa do que acredito que sou.

Para a nossa saída de hoje, estou vestindo um short de cintura alta na cor vermelho, e uma cropped da mesma cor, é um conjunto simples e bem bonito. Foi um dos presentes de Samuel para mim, que ele trouxe da sua última visita à Nova York.

Eu adorei, é um lindo conjunto e combinou muito comigo. Samuel é ótimo em presentear as pessoas, ele parece entender perfeitamente seus amigos, e é muito generoso.

Para não me sentir tão exposta , me vesti com um casaco longo de malha branca, com pequenos detalhes em renda.

Bry queria que eu usasse uma de suas sandálias douradas e delicadas, me recusei, preferindo usar meu tênis branco.

Não sei o que esperar dessa festa, mas pelo menos estarei confortável com meus tênis.

Bry está deslumbrante em um vestido de seda e renda na cor vinho. Ele é curto e se agarra as suas curvas generosas.

Eu deixei que ela fizesse o meu cabelo, e devo admitir que minha amiga caprichou bastante. Agora ostento um belo rabo de cavalo alto, e meus cachos loiros escorrem pelas minhas costas. Enfatizando a curva do meu pescoço e a suave coloração bronzeada das minhas glândulas de feromônios.

Minha pele sardenta praticamente brilhava. Nunca me senti tão bonita. Porém, não estou surpresa, Bry tem um dom em transformar qualquer coisa ao seu redor em beleza pura.

Fui maquiada e recusei qualquer perfume. Meus sentidos apurados não suportariam nada disso.

Sem que perceba, a noite corre rapidamente e logo estavam na frente de uma enorme fachada abarrotada de estudantes.

Em dois anos, essa é a primeira festa Universitária que frequento. Não posso impedir que meu coração dispare dentro do peito. Ainda me sinto formigar em antecipação.

Essa é a primeira vez em anos que tento algo desse tipo. Pois, desde o momento em que me apresentei Ômega, deixei de sair para atividades que envolvem um grande número de pessoas.

E agora estou prestes a entrar em uma festa de fraternidade cheia de homens e mulheres Alfas. Me expor assim, me assusta um pouco. Todavia, prometi a Bry e ao Samuel que tentaria. Então, não custa nada tentar. O pior que pode acontecer é algum idiota me morder e eu acabar acasalada com um alfa que nem sei o nome.

— Ok, aqui vai as últimas recomendações. — Sou tirada de meus pensamentos assustados quando Bry, segura o meu braço. — Você não aceita bebidas de estranhos, de ninguém, apenas de Samuel ou eu. Não permita que ninguém te leve para os quartos no andar de cima, lá é onde o sexo acontece e vou estar com você o tempo todo, ou Samuel. De resto, basta se divertir.

— Vou tentar, e entendi. Apenas prometa que não vai me deixar. Tenho pavor de acabar acasalada com um Alfa que nem conheço. — Respondi ao encara-la.

Depois disso, entramos na festa, logo noto que há música alta ensurdecedora em todo o ambiente abarrotado de estudantes, muitas fraternidade estavam presentes, parecia um mar de gente. Betas e Alfas se misturavam em conversas animadas e danças. A maioria das pessoas estava segurando um copo vermelho, cheio do que parecia ser cerveja, ou alguma mistura de batidas alcoólicas.

Muitos outros fumavam sem se preocupar enquanto alguns casais se agarraram em abraços cheios de braços e saliva.

O cheiro era como nada que eu pudesse comparar. Muitos feromônios misturados, muito suor e emoções, excitação e calor de corpos se misturando. Muitos Alfas juntos. Feromônios que não conseguia distinguir muito bem, mulheres e homens, todos suprimidos, mas ainda cheirando fortemente a sua designação.

E betas com todo tipo de perfume, tanto homens quanto mulheres impregnados em cheiros artifíciais.

Bry me arrastou pela festa, cumprimentando pessoas e sorrindo sem parar, eu a seguia me sentindo desconfortável. Ela não percebia.

Mas, eu podia sentir cada par de olhar Alfa nas minhas costas.

Tentei muito não permitir que meu desconforto transparece-se pela meu cheiro, ou face. Faz muitos anos que não participo de uma festa com pessoas da minha idade. Mas, ainda sei como agir.

Esse é um mar cheio de tubarões e não pretendo ser a refeição de nenhum predador. Posso ter nascido com a pior designação de todas, mas não sou um peixinho indefeso.

E hoje é um dia para alegrar os únicos amigos que possuo nesse lugar. Eu prometi que tentaria me divertir, e é isso que pretendo fazer.

E do jeito que todos me encaram, apenas me fazem ter certeza de que sou a primeira Ômega a frequentar uma festa de fraternidade.

O meu desconforto também foi gerado porque deixei todas as minhas coisas no apartamento de Bry, ela prometeu que não me deixaria, e que vamos embora juntas. Ainda assim, me sinto estranha sobre isso.

Consigo começar a relaxar quando nos encontramos com Samuel. Mais uma vez ele me da um abraço de urso, me girando no lugar.

É claro que seu gesto dramático chama a atenção de muitos a nossa volta. Me fazendo ficar vermelha igual a tomate. Ele apenas ri e me aperta ainda mais em seus braços.

— Você veio, não posso acreditar. E está mais linda que nunca. — Ele praticamente tem que gritar para mim. Já que a música está bem alta.- Eu tenho tantas pessoas para te apresentar...

Mal tenho tempo para falar qualquer coisa. E logo sou jogada em um furacão de apresentações.

Eu sempre soube que Samuel e Bry eram populares, mas nunca esperei que fosse tanto assim. Estou chocada com a quantidade de pessoas que sou empurrada para uma apresentação.

Alfas praticamente ronronam quando os cumprimento. Betas fazem festa e cantam a boa sorte de ter um ômega na festa.

Todos querem me conhecer, é ridículo. Muitos me reconhecem da biblioteca, uma boa parte eu já tinha visto perambulando pelo campus.

A onda de feromônios que sou submetida é devastadora para os meus sentidos. Me sinto uma boneca de pano sendo jogada de uma lado para o outro, ou um cachorro em uma competição de raça.

Para a minha surpresa, os Alfas que conheço, entre uma apresentação e outra, são pessoas legais e me tratam com respeito.

Samuel e Bry parecem ter feito um acordo silencioso de não e apresentar para nenhum Alfa babaca. Ainda assim, posso notar as pupilas dilatando quando chegam muito perto de mim, ou os suspiros prolongados de alguns deles.

Bry ficou particularmente animada em me apresentar para Luke Turner, quer dizer, eu sei quem ele é.

Luke Turner é apenas a estrela do futebol americano da nossa universidade. Todos o conhecem, ele é um Alfa muito bonito. Alto, de pele lustrosa em uma tonalidade chocolate, maxilar quadrado e intensos olhos castanhos.

Seu cheiro Alfa é almiscarado, quase cítrico. Não é desagradável, mas também não o sinto irresistível.

Ele me cumprimenta de modo educado, em nenhum momento me perfuma ou tem alguma reação estranha ao meu cheiro.

Bry e ele iniciam uma conversa animada sobre o último jogo que o time teve e da gigantesca vitória para a nossa universidade. Eu não sou uma grande fã de futebol, então passo metade da conversa sem saber o que falar.

Imediatamente noto os intensos olhos castanhos de Luke, brilhando para a minha amiga. E não demoro em perceber o grande erro que ela cometeu.

Bry pode se achar muito esperta, mas seus jogos não são desconhecidos para mim. Ela, como a maioria dos Betas, acredita que a felicidade de um Ômega está em se emparelhar com o Alfa perfeito.

Então, minha amiga tirou a primeiro hora dessa festa apenas me apresentando para o maior número de pessoas com essa designação. Na esperança de que vou encontrar o meu Alfa. O homem da minha vida e todas as baboseiras românticas que Betas lêem em romances, ou assistem nas novelas e cinema.

Sim, alguns Alfas cheiram muito bem, e nesta festa fui apresentada para um ou outro que possuem um feromônio particularmente agradável para o meu instinto.

Mas, nada que acordasse os instintos mais profundos. Aqueles que apenas um Alfa que evito pensar, já conseguiu acordar.

Entregando, não é esperto fantasiar sobre o odor da Alfa mais mulherengo que conheço.

Quando consigo encontrar Samuel passando para a cozinha, logo dou uma desculpa para Bry e Luke, e corro atrás do meu amigo.

Levo alguns instantes para atravessar o mar de corpos dançantes. Tenho que agradecer ao meu tamanho mediano, assim consigo me esgueirar entre as pessoas, e passar o mais rápido que consigo de um ponto ao outro da grande sala.

É claro que me afastar de meus amigos foi a pior decisão que tomei.

Eu estava passando por uma corredor cumprido, quando senti braços fortes me puxarem violentamente para um corpo quente.

O odor Alfa que me abraçou era nojento. As notas eram tão fortes que lembravam algo podre e azedo. Não pude reconhecer o meu agressor pelos feromônios que ele me lançava. Esse era alguém que eu não conhecia.

— Ômega! — Um voz grossa rosnou em meus cabelos. — Eu esperei muito você ficar sozinha, estou perto de uma rotina e você irá me servir. Depois dessa noite, nunca mais estará sozinha...

Um terror como nenhum outro cresceu em meu peito. O meu pior pesadelo estava se tornando realidade.

— Não grite, ou vou te morder aqui mesmo. — O rosnado ficou ainda mais maligno, quase um sussurrar do mal. — Vou te acasalar, cadela de nó. Estou te escolhendo para carregar meus filhos, então, me obedeça e vamos sair daqui sem chamar atenção.

Quando tentei me soltar, senti os braços em volta do meu corpo apertarem ainda mais. O odor do Alfa desconhecido estava me deixando tonta de enjoo. Isso era um pesadelo, tantas pessoas nessa festa, tantas pessoas passando por esse corredor e ninguém consegue perceber que estou sendo atacada.

Quando sinto o alfa começar a me arrastar para uma porta lateral, estou em pânico, todavia faço de tudo para ficar focada.

Sei que fazer um escândalo não vai me levar a lugar nenhum, talvez o desgraçado até consiga ter sorte e morder a minhas glândulas de acasalamento, me ligando a ele até o final da minha vida. Tenho que ser esperta e colocar o meu cérebro para pensar direito.

Não demoro muito e encontro o momento exato de atacar. Lembrando das aulas de defesa corporal que fiz durante muitos anos, consigo jogar a minha cabeça para trás, com o máximo de força que possuo.

Uso uma das minhas mãos para apertar com força o nervo ciático na cocha do meu agressor. Com a pancada que desferi usando a minha cabeça, ouço o som horrível de algo se quebrando.

A coisa toda é maluca e dura apenas alguns segundos, então quando o desgraçado me solta pela reflexo da dor que lhe causei, corro o mais rápido que consigo.

Empurro corpos que estão atrapalhando o meu caminho, e deixo para trás o meu agressor, noto que agora consigo chamar a atenção de alguns pessoas, mas isso também não me importa, meus instintos Ômega me dominam e gritam que tenho que fugir e encontrar um lugar seguro.

Por isso, não fico surpresa quando sinto o mais maravilhoso odor Alfa, e sem que eu perceba estou correndo para ele. Em uma caçada frenética, liderado pelo meu olfato.

Não levo muito tempo em encontrar o alvo do delicioso odor, e logo me jogo no corpo de um macho Alfa alto e tatuado, empurrando sem cerimônia a mulher Beta que ele estava conversando.

Não noto os seus olhos espantados, nem a sua expressão atordoada, quando me lanço em seus braços, praticamente escalando o seu corpo e o forçando a me pegar no colo. Passo as minhas coxas por sua cintura estreita e me aperto em seu corpo quente, enterrando meu rosto em seu pescoço para esconder a minha expressão aterrorizada.

— Alfa, me proteja. — Sussurro em seu ouvido, me forçando a respirar seus feromônios fortes. O tipo certo de cheiro, que queima em meu corpo.

Estou dominada pelos meu cérebro Ômega, e todo o meu corpo grita que esse Alfa vai me proteger. Eu nem sabia que Kane estava na festa, não tinha pegado nenhuma nuance do seu cheiro.

Ouço em meu ouvido um barulho alto de rosnar, enquanto os braços fortes do meu alfa me seguram possessivamente. Kane me aperta tanto em seu corpo que quase sinto minhas costas estralarem. A sensação deveria me deixar ainda mais nervosa, porém tudo o que sinto é uma centelha de alívio em meu peito, ainda estou muito dominada pelo instinto para voltar a pensar com clareza.

Todavia, agora consigo me sentir segura.

— Quem é a vagabunda, Kane? — Ouço a voz chorosa da moça beta que empurrei para poder chegar até meu alfa.

Sua resposta é apenas um rosnar grave e irritado.

— Você é uma vagabunda, Sheila. Ela não. — Sua voz de trovão arranha em cada palavra, enquanto seus braços ainda me apertam. Imediatamente sinto um aumento possessivo em suas emoções, algo que apenas seu cheiro deixa transparecer. — Não me siga.

O ataque da moça somente faz com que enterre ainda mais o meu rosto no pescoço de Kane, estou com meu nariz grudado em seus glândulas de feromônio. Meu coração martelando descontrolado em meu peito.

Quando o sinto começar a andar, ainda me segurando como um tesouro. Fecho os meus olhos e não consigo controlar que pequenos choramingos escapem de meus lábios.

Meu cérebro Ômega continua me martelando que preciso de segurança, que não posso me afastar desse Alfa, que ele vai me proteger. São tantas informações que não consigo focar em nada mais do que o Alfa em meus braços.

— Me proteja, Alfa. Por favor, por favor...- Meus lábios voltam a implorar, ainda estou sussurrando, mas a sonoridade ômega com que falo, faz meu alfa estremecer.

Em qualquer dia comum, eu estaria mortificada com as palavras que sussurro para ele, ou o modo com que estou agarrada em seu corpo. O forçando a me segurar.

Mas, nesta noite, não posso me controlar. Se me concentrar posso sentir o cheiro azedo e podre do Alfa desconhecido que tentou me fazer mal. O que me leva a uma serie se arrepios. Sinto o meu corpo sacudir de terror.

— Vou te proteger, gatinha. Eu juro, não vou te deixar sozinha. Você está segura comigo. — As palavras que Kane sussurra em meus ouvidos, é um alento necessário para os meus nervos, mas pouco faz para me tirar do meu torpor de terror, meu ômega precisa de mais do que isso para me tirar do torpor.

Não sei muito bem para onde Kane está me levando e não me importo. Tudo que quero é ir embora desse lugar e ficar segura.

Com apenas os meus instintos no comando mal percebo quando Kane, me faz solta-lo para me colocar dentro do seu carro. Eu luto contra ele, e tento me impor novamente em seus braços, mas ele é mais forte que eu, então, acabo entrando em pânico quando noto que estou sentada sozinha em um banco frio. Com tudo fechado ao meu redor.

Estou tão dopada que tenho certeza que Kane teve que usar um comando Alfa, para que eu pudesse solta-lo. Todavia, não me lembro dele fazer isso.

Começo a choramingar fortemente, minha pele pinica e sinto coceira em minhas glândulas de feromônio, meus gemidos tortuosos acontecem até Kane entrar e se sentar no banco do motorista ao meu lado. Imediatamente me lanço sobre ele, e volto a me apertar em seu colo.

Dessa vez ele me recebe em seus braços, passando-os em volta do meu torço e me apertando nele.

Volto a investigar seu cheiro diretamente das glândulas em seu pescoço. Não consigo me envergonhar por ser mais ousada, pois meu cérebro Ômega me obriga a isso, então, não noto que estou lambendo suas glândulas, até senti-lo estremecer e gemer em baixo de mim.

Algo forte e rico enche as minhas papilas gustativas.

O seu ronronado é definitivamente um som de prazer e saber que estou agradando um Alfa forte que vai me proteger, faz com que meu corpo comece muito lentamente a relaxar.

Ouço Kane conversando com alguém, sua voz de trovão é feroz, enquanto ele praticamente grita ordens.

— Descubra quem fez isso com ela, porra. Eu não vou deixá-la, ela está completamente em pânico. — Suas demandas soam estranhas em meus ouvidos, pois ainda estou travando uma guerra com minhas emoções bagunçadas. Enquanto continuo provando dele. — Quero o filho da puta vivo, sim, você pode brincar um pouco, mas deixe o desgraçado para mim no final.

—Alfa? — Chamo a sua atenção ao passar minhas mãos por seus cabelos curtos, os fios fazem minha pele arrepiar. Logo depois solto suas glândulas e meu corpo se enche de prazer quando sinto o seu gosto forte em minha língua, sinto nossos gostos mesclados é isso é o paraíso.

Vejo que ele desliga o celular no mesmo momento, e me encara de modo selvagem, sua expressão é tão fechada que daria medo em qualquer pessoa normal.

—Alfa protege? — Meu cérebro Ômega questiona ao encara-lo sem medo.

—Sim, vou te proteger Ômega. — Sua voz está cheio com o comando, transbordando de verdade e suas mãos que passeiam pelas minhas costas, me fazem ronronar em seus braços.

Lágrimas chegam a escorrer pelos meus olhos enquanto, lentamente levo o meu rosto ao dele esfregando minha pele na sua, tocando sua face com os meus lábios. Não deixo nenhum pedaço de fora, beijo seus sobrancelhas, depois seus olhos, suas marcas fortes e suas bochechas, seu maxilar e o topo do seu nariz. Dou a ele uma infinidade de pequenos beijos, acariciando-o de modo reverente.

É um momento praticamente sagrado para mim. Já que nunca me permitir esse nível de intimidade com nenhum homem, sendo ele alfa ou não. Kane, é o primeiro.

— Gatinha, você não precisa fazer isso. — Sua voz ronrona quando me torço em seu colo e coloco meu pescoço, exatamente onde minhas glândulas de cheiro estão, em direção a sua boca. Imediatamente sinto suas mãos apertarem a minha cintura em resposta ao meu ato. Um suspiro sofrido escapa de seus lábios.

— Alfa não quer ômega? — Questiono manhosa, minhas palavras ainda estão dominadas pelo meu ômega interno, então soam estranhas quando as falo, me assusto no instante em que não o sinto colocar seus lábios nas minhas glândulas de feromônio.

— Deus, Emma. Não faça isso. — Meu Alfa geme em meu pescoço, tão perto de onde o preciso.

Mas, não preciso implorar. Para o contentamento dos meus instintos primais, primeiro sinto os lábios de Kane em minha pele, depois sua língua me lambe, e deus, essa é a melhor sensação que já tive.

Estar entregue nos braços de um Alfa forte, do Alfa certo, sentir sua língua em minha pele, e seus braços me apertando em seu corpo. A proteção intensa e a intimidade, quase me fazem chorar de contentamento.

Mal posso controlar meus gemidos entregues. E aos poucos começo a voltar a realidade de tudo o que aconteceu nessa noite. Ele era tudo o que eu precisava para voltar.

Kane parece notar que estou mais calma, por isso, tira seus lábios do meu pescoço e volta a me encarar. Ficamos apenas nos olhando, aos poucos meu corpo para de tremer e começo a ter alguns pensamentos lógicos, quando os instintos começam a descer, dando espaço para a lógica.

— Kane? — É a primeira palavra sensata que escapa de meus lábios.

—Olá, gatinha. Bem-vinda de volta. — Seu olhar é caloroso em meu rosto. Ele é tão bonito que me faz suspirar.

Ainda com meus pensamentos bagunçados e começando a me encher de vergonha, saio de seu colo e volto a me sentar ao seu dele. Kane não resiste ao meu desejo de se afastar, mas sua expressão se torna dolorida, enquanto o vejo mastigar internamente suas bochechas.

Não sei o que dizer, ainda estou muito tomada por toda uma enxurrada de emoções e pensamentos caóticos.

Meu cérebro ômega quer que eu volte para o colo de Kane, insistindo que vou estar protegida com ele, que ele é segurança, e ainda é muito difícil controlar meus instintos mais básicos.

Apenas sei que, até agora, consigo sentir o sabor rico e perfeito dos feromônios que lambi do pescoço de Kane. Eu não sabia que Alfas podiam ter essa gosto de céu.

Deus, o que fiz? Me questiono em completo horror, assim que começo a me dar conta de tudo o que fiz, e o que o forcei a fazer por mim.

Posso sentir minhas próprias glândulas latejarem de desejo. No local exato onde seus lábios estavam.

Eu o forcei a fazer isso, o coagi a estar comigo.

Um novo tipo de pânico começa a crescer em meu peito.

— Kane, eu, eu...- Começo a gaguejar uma desculpa patética pelo meu comportamento. Mas sou imediatamente interrompida por ele.

Em um piscar de olhos, Kane me puxa novamente para ele, seus braços me seguram, e seus lábios descem nos meus, rapidamente me entrego ao beijo roubado, sem pensar duas vezes.

Seus lábios são macios e quentes nos meus. Não consigo impedir meu corpo de derreter por ele. O beijo é rápido e termina muito cedo.

— Vou te tirar desse lugar e vamos ter tempo de conversar. Ouviu, Emma? — Sua voz de trovão após nosso beijo casto, é capaz de me fazer concordar com qualquer coisa.

Então, apenas aceno afirmativamente com a cabeça e espero sua próxima atitude.

Com uma delicadeza que nunca pensei que ele teria dentro de si, Kane me coloca mais uma vez no banco ao seu lado e passa o cinto de segurança pelo meu corpo, depois ele mesmo se arruma ligando o carro e começando a dirigir para longe da festa.

Mantenho meus olhos na estrada, meu coração disparado dentro do peito, não sei o que dizer sobre todos os acontecimentos dessa noite. Tudo parece ao mesmo tempo ser um sonho ruim e maravilhoso.

Não sei para onde ele está me levando, e no mais profundo do meu coração, admito que não me importo com o lugar de destino, ou da conversa que terrenos quando chegarmos lá. É aterrorizante compreender que vou para qualquer lugar, desde que Kane Hunter, esse Alfa forte e gentil, esteja ao meu lado.

Notas finais
Gostaram?