Notas iniciais
Olha só quem resolveu aparecer. Me perdoem pelo atraso, muita coisa está acontecendo na minha vida.


Negativo.

Acredito que uma palavra nunca foi tão bonita.

Meu suspiro de alívio é tão alto quanto o de Kane ao meu lado. Nossos olhos estão presos na folha de papel timbrada do hospital, onde o resultado do meu exame de sangue para o meu teste de gravidez está em minhas mãos.

Essas duas horas que passamos esperando pelo resultado nunca foram mais longas ou mais tensas. Assim que Kane entendeu porque eu estava tão nervosa e agitada ele logo se colocou no modo Alfa e tentou muito me dar todo o apoio possível, um resultado positivo mudaria ainda mais as nossas vidas e colocaria ainda mais lenha em uma fogueira sem controle.

Temos muita coisa para lidar e a chegada de um bebê não é algo que particularmente me agradaria, e mesmo meu alfa me tratando de maneira gentil e firme, tranquilizando o pior dos meus medos, mesmo em seu silêncio, não podia esconder a tensão em seus músculos.

Entretanto, em nenhum momento Kane me acusou ou brigou comigo, ou me olhou estranho como se a culpa do meu calor e uma possível fertilidade fossem minha culpa.
Os enfermeiros do hospital me trataram muito bem e Kane e eu fomos encaminhados para um médico ginecologista responsável por acasalamentos e hormônios Ômega.

Em algum momento entre a minha coleta de sangue e meu primeiro exame de papanicolau, Kane que antes estava gloriosamente sem camisa, ostentando suas tatuagens e muitos machucados de sua luta impensado, com seriedade e orgulho, apareceu com uma camiseta branca esticada em suas constituição ampla e com o logo da ala infantil do hospital.

Quando o questionei após o meu desconfortável exame, ele apenas me olhou e com um sorriso de lado me disse que encontrou um pequeno quiosque no terceiro piso, antes da lanchonete e que vendiam apenas um modelo camisetas.

Bom, era melhor isso do que eu ter que me irritar com mais alguma enfermeira babando descaradamente no corpo do meu Alfa. Mais de uma vez Kane teve que me acalmar com beijos suaves, e tentou ao máximo manter nossas mãos juntas. Apenas isso, em qualquer outro momento da minha vida já me daria um aneurisma, essa proximidade, os pequenos toques íntimos, toda a pinta de casal que estávamos mostrando para o mundo aberto.

Andamos de mãos dadas, dedos entrelaçados e muitas vezes com Kane se inclinando para cheirar meu pescoço onde sua mordida estada exposta, ou um pequeno roçar de lábios no meu rosto e cabeça. Gestos que nunca tivemos um com o outro e que agora eram tão naturais quanto os batimentos do meu coração.

E mesmo o meu coração disparando e minha mente nublando de ansiedade, não me impediram de sorrir para a estranheza de ter Kane Hunter vestido em algo tão bobo, para falar a verdade essa era a primeira vez que ficamos tão juntos, e os dias do meu calor não contam nisso. O meu medo de uma gravidez era bem lógico em minha cabeça, aquele tinha sido o meu primeiro calor compartilhado com alguém e Kane sendo um alfa, o seu nó após o nosso coito me prende a ele durante quase meia hora, e isso significa meia hora de esperma alfa fértil sendo jogado no meu útero ômega também fértil, aos meus vinte e um anos não me sinto nenhum pouco preparada para ser mãe.

Estou na Universidade, no meio do meu curso de graduação, não tenho nenhuma reserva de dinheiro significativa, sou acasalada apenas a alguns dias e não mal conheço o homem que me acasalei. Graças a deusa sou um ômega e a fecundação acontece mais rápido em nosso organismo, em cerca de quarenta e oito horas após o ato sexual, ou no término de um calor, os nosso hormônios já indicam pelo sangue se um bebê está crescendo ou não dentro do ômega.

E é claro que por dentro eu estava rezando para a Deusa Ômega não deixar isso acontecer comigo, não agora, não estou preparada para acrescentar mais esse problema na minha pilha já grande de situações para resolver.

Então, quando meu nome foi chamado, o resultado foi posto nas minhas mãos e Kane e eu ficamos sabendo do resultado, deixei que longas lágrimas de alivio escorressem pelo meu rosto.

Meu cérebro ômega não estava feliz. Ômega ruim, seu trabalho é fazer bebês para o seu Alfa, construir uma família com ele.

Parece que nunca vou conseguir me manter inteiramente em equilíbrio com os instintos mais selvagens da minha designação. As vezes penso que sempre vou estar em guerra comigo mesmo. Mas, todos os meus medos de Kane ficar decepcionado comigo foram embora quando notei o alivio em seus olhos castanhos. E ali, com o exame nas mãos nos abraçamos apertados, ambos perdidos no cheiro calmante um do outro.

— Algum dia, ômega, vamos formar uma família. Você e eu vamos trazer uma vida para o mundo, mas fico feliz que não é hoje. — Sua resposta cheia de verdade, foi um bálsamo para o meu coração.

— Eu também, alfa. Mas, Kane...- Digo ao levar minha mão esquerda para a sua glândula de acasalamento, acariciando a pele machucada com cuidado, mas fazendo meu alfa sentir prazer com o gesto. — Nós dois já somos uma família e depois de alguns anos será um prazer aumentar o que já temos, mas hoje não.

Minhas palavras juntamente com meu carinho em sua marca acasalada o faz ronronar e sorrir. Seu rosto se enche de satisfação ao me olhar, seu olhar é quente e acolhedor, lendo a minha alma, me ligando a ele. E mesmo machucado da briga, com o maxilar e olhos feridos, ele ainda é o homem mais bonito que já conheci.

— Você está certa, minha gatinha, já somos uma família. — Seu beijo é profundo e quente, faz com que meus dedos dos pés se curvem em desejo o sentir tão perto, sua língua acariciando a minha do modo mais lascivo e apaixonado possível. É assim que o doutor Dener nos encontra.

— O amor jovem entre um alfa e um ômega é lindo de ver. — Sua voz grossa nos interrompe. — Não é atoa que o cinema e os romances continuem usando nossa designação como temática para novas histórias.

Unicamente com um fungada no ar descubro que o doutor Dener é um homem ômega, a versão masculina da minha designação não é tão encontrada quanto a versão feminina, eles são quase raros, assim como a versão feminina de um alfa, e em um contesto geral sua dinâmica é tão estudada ou hostilizada quanto qualquer demi humano, ou seja, qualquer pessoa que não nasceu na designação mais comum, a Beta.

O doutor nos pede para acompanhá-lo até o seu consultório, ele é um homem baixo, um senhor de pele morena e já um pouco acima do peso, com cabelos grisalhos e olhos espertos e gentis. Me sinto a vontade ao seu redor, principalmente com Kane me acompanhando em todos os momentos.

Minha consulta não foi demorada, o doutor nos explicou algumas coisas sobre o nosso acasalamento recente e as mudanças hormonais que devemos esperar nas próximas semanas.

Ao meu pedido, me transcreveu um novo supressor, esse formulado para também funcionar como anticoncepcional e nós pediu cautela nas semanas seguintes, pois se não quero engravidar, então é melhor que Kane não me dê um nó. Pelo menos até que o novo medicamento comece a agir no meu organismo.

Kane rosnou irritado com a parte de não dar um nó. Sua indignação ficou clara em seu expressão, o que fez o médico rir. Ele é tão fofo. Penso ao encarar sua expressão indignada. Deusa ômega, estou mais apaixonada do que penso.

— Segure seu nó por duas semanas, rapaz, e logo vocês vão poder desfrutar de seu prazer sem medo de uma gravidez não planejada. — O médico retruca com um sorriso carinhoso e paciente. — E durante esse período, vocês podem continuar a desfrutar de seu recente acasalamento, apenas evitem o nó.

Ele também nos receitou uma pomada para curar mais rapidamente nossas marcas de acasalamento. E nós deu um formulário assinado por ele, indicando a veracidade do nosso acasalamento, um papel de extrema necessidade para levarmos na Universidade.

Em um todo, gostei muito da consulta. Ela e o exame não foram tão caras e Kane, com seu orgulho e instintos de provedor, não me deixou pagar por nada. Saímos do hospital com um ar mais leve e de volta aos problemas que já tínhamos. Porém, riscando um dos maiores da lista. Somos Kane e eu, sem nenhuma feto crescendo em meu ventre. Graças a Deusa Ômega.

Após saímos do hospital, Kane e eu fomos direto para uma farmácia, adquirir tudo o que o médico nos receitou. Ainda no carro tomei minha primeira dose do novo supressor. Enquanto dirigíamos de volta para o campus, Kane me leva para tomar um café da manhã tardio, no mesmo restaurante em que jantamos após o meu ataque na festa da casa de fraternidade Alfa. Comemos panquecas doces, que estavam deliciosas. Não tínhamos motivos para tagarelar, logo permanecemos a maior parte do tempo em silêncio, todavia nunca afastados. Seus braços estavam ao meu redor e seus lábios nos meus mais vezes do que posso contar.

Nossos olhos estavam presos um no outro, enquanto nossas mãos acariciavam discretamente nossos corpos. E quando conversamos falamos sobre nossos cursos e no que esperamos nos formar. Kane quer ir para a policia, e aspira uma posição de alta dentro do departamento. Eu respondo que quero trabalhar no mercado editorial, lançando livros e descobrindo autores, fazendo traduções e lidando com literatura, quem sabe algum dia poder trabalhar em promover cultura.

Nossos sonhos de carreira são bem diferentes e é tão estranho ver alguém verdadeiramente interessado no que tenho a dizer, engolindo cada uma de minhas palavras, como se elas fossem preciosas, com olhos brilhantes ao me dizer que tenho todo o potencial para ser bem sucedida e que vai torcer e estar comigo em cada passo da minha jornada.

É emocionante saber que nunca mais vou estar sozinha, então faço o mesmo por ele. E sei no fundo do meu coração, que vou apoiar as decisões do meu Alfa. Meu peito se enche de esperança e feroz calor, e é quando percebo que não vai demorar muito para que meu estado apaixonado por esse homem, se transforme em um forte amor.

E pensar que a alguns dias atrás eu estava fazendo todo o possível para não entrar no caminho de Kane, agora estamos fortemente ligados pelos laços mais sagrados do acasalamento, com mordidas fortes, e ferormônios se mesclando.

Quando terminamos nosso café da manhã, Kane quer me levar para seu apartamento, mas com a vinda de Valerie, tenho que resolver minha situação na casa de fraternidade Ômega o mais rápido possível, por isso, peço para ele me deixar lá.

Por motivos óbvios, Alfas não são permitidos dentro dessa fraternidade, logo tenho que ir sozinha, mas Kane aproveitará esse momento para iniciar nossa papelado de união na secretaria do campus.

Mesmo parando na entrada da casa de fraternidade Ômega, ele não deixa que eu me afaste de seus braços ou lábios. Estamos fortemente ligados em um beijo quente e úmido, seus lábios deixam a impressão de que ele não quer que eu me afaste nunca e isso é delicioso para a minha biologia.

Eu nunca pensei que beijos pudessem trazer tanto prazer, é quase como se Kane tivesse a chave para desvendar todos os prazeres do meu corpo, seus músculos sólidos se apertam nos meus, enquanto suas mãos passeiam pela minha coxa e cintura, do jeito que as coisas andam não vai demorar muito tempo até que eu esteja viciada nos lábios do meu Alfa, fazendo qualquer coisa por um de seu beijos.

Kane rosna e geme enquanto nossas línguas de provam, suas mãos ficam mais desesperadas e não consigo segurar que pequenos choramingo de necessidade escapem de meus lábios.

— Você sabe que ainda quero que você more comigo, não sabe? — Ele interrompe nosso beijo para sussurrar suas intenções entre beijos languidos . — Não sei se consigo ficar muito longe de você, Emma.

— Eu sei, também quero estar com você, mas agora não é o momento, não com a minha imã vindo e com toda essa loucura de graduação, vamos arrumar algumas coisas antes que possamos pensar em mudar juntos. Por favor. — Peço em resposta ao tentar trazer minha mente de volta para o momento presente, é difícil sair da terra do prazer e voltar a realidade dos meus problemas.

E seu pedido é muito tentador, mas tenho que ser realista agora. Muitas mudanças já ocorreram conosco, e nos mudar juntos será algo que certamente acontecerá em um momento ou outro, não quero apressar uma situação apenas porque nossos acasalamento aconteceu.

— Não quero pular a fase do namoro direto para a do casamento. Eu quero te namorar Kane Hunter, quero te conhecer e quero que você me conheça também. Algum dia estaremos prontos para dividir um lar, você e eu. — Concluo o meu pensamento, sei que será um desafio nos manter separados, e não estou certa de quanto tempo será necessário até que tudo caia por terra e eu esteja morando com ele, mas vou tentar segurar o máximo possível.

Kane suspira audivelmente e depois me dá um de seus melhores sorrisos. Suas mãos traçam suavemente a pele do meu rosto.

— Vou te convencer do contrário, namorada. — O escuto dizer com travessura em sua expressão.

— Eu não duvido disso. — Respondo também com travessura em minha voz.

Tenho que me forçar a sair de seu carro ou corro o risco de mudar de ideia em menos de alguns minutos. Estou levando o meu celular comigo, logo meu namorado, e não posso deixar de rir com nossa atual denominação, pois sei que somos muito mais do que apenas namorados, me manterá informada de tudo o que acontecer na secretaria, depois Kane insiste em me buscar aqui.

Mal tenho tempo de bater na porta de entrada quando ela se abre na minha frente e uma ruiva bonita me olha com um sorriso doce.

— Olá, você é Emma Carter, muito prazer. — A moça me diz e sua voz é animada ao abrir a porta e me deixar entrar na casa.

— Muito prazer e obrigada por me receber. — Respondo ao esticar minha mão para um cumprimento educado.

— Sua visita já era esperada, na verdade nosso presidente Christopher queria te receber pessoalmente, mas agora ele está ocupado conversando com os pais de um candidato, assim que terminar a chamada no Skype ele ira nos encontrar. — A moça me diz, ao se sentar em um dos sofás e me deixar a vontade para escolher onde sentar.

— Alias, meu nome é Penny Spike, eu sei, parece nome ruim de atriz pornô, o que posso dizer em minha defesa é que minha mãe sempre foi uma mulher excêntrica e criativa. Você pode me chamar de Penny. Eu sou a concelheira dessa universidade, depois de Christopher, sou a responsável por nossa honorável casa. — Ela vai me contando e seu bom humor é tão legitimo que me enche de animação, tenho pouca convivência com pessoas da minha designação, então falar com ela é uma boa novidade. Me sinto acolhida nesse ambiente e ainda nem moro aqui. — Nós recebemos o seu pedido de mudança e eu tenho trabalhado duro para que tudo ocorra bem.

— Você deve saber que somos a única fraternidade ômega do campus, atualmente temos 30 membros que moram aqui na fraternidade e cada aluno ou aluna ômega que conseguimos para a casa, aumenta o nosso subsidio perante a Universidade, por isso a sua mudança é muito importante e desejada. — Sua conversa é franca e o cheiro dos seus feromônios estão cheios de verdade. Penny tem uma bonita pele clara e tantas sardas na pele quanto eu, seus olhos verdes são brilhantes e ela usa óculos redondos de aro fino que aumentam o seu charme, seus cabelos ruivos são mais escuros do que os de Lisa.

Eu já a tinha visto no campus, porém nunca nos falamos pessoalmente. Gosto bastante de seu jeito aberto e simpático. A cada instante me sinto mais em casa, os odores ao meu redor também são agradáveis mesmo pertencendo a vários ômegas diferentes.

A sala de estar possui dois longos sofás caramelos, paredes brancas e móveis rústicos em madeira, um quadro grande na parede principal mostra o simbolo ômega pintado a óleo em uma tela grande. Na parede lateral existe um grande mural com várias fotos oficiais dos membros da fraternidade, todos posam com a mesma pose e tem bonitos sorrisos no rosto, existem alguns rapazes e isso me surpreende muito, afinal, Ômegas homens são raros.

As janelas do recinto são grandes e permitem que muita luz natural entre, tudo é tão bonito e organizado que tenho uma grande vontade de conhecer todo o resto da casa.

Logo começamos a conversar, Penny responde todas as minhas dúvidas e em um momento, uma moça morena e baixinha entra na sala e deixa sobre uma bancada ao nosso lado um bule com chá e refresco.

Fico sabendo que seu nome é Naome, e ela é uma das residentes da casa. Como a fraternidade é pequena, todos que moram nela são responsáveis pela manutenção e limpeza do ambiente, mesmo que duas vezes por semana a casa tenha empregadas contratadas para realizar o serviço mais forte. Sobre os dormitórios, unicamente o quarto do presidente e da consultora são individuais, os outros moradores residem em quartos duplos.

Existem vários banheiros na casa, então esse espaço é dividido entre um certo número de residentes, é proibido a utilização de um espaço que não é designado para você.

Ela me conta como é a convivência nas áreas comuns, como são os programas culturais propostas para a socialização dos integrantes, as principais normas impostas de horários ou barulho. As reuniões obrigatórias mensais para todos os membros, e todo o programa ômega imposto pela Universidade.

Muito do que Penny me conta eu já sabia, pois acontece de forma semelhante nos dormitórios femininos. E as novidades não são grandes desafios para mim.

Fico feliz em descobrir que ao me mudar, posso parar de pagar pela hospedagem aqui na Universidade, já que a fraternidade entrará com um pedido de auxilio perante a secretaria e o governo do nosso estado, estando com eles estarei respaldada pelas leis que protegem a minha designação e o direito recente que permite que pessoas com a minha designação estudem e se graduem.

— Eu recentemente me acasalei com um alfa, isso impede a minha vinda para cá? — Questiono ao levantar minha principal dúvida. Vejo seus olhos se encherem de surpresa, mas sem demora ela retorna para sua expressão leve.

— Na verdade não, se vocês decidirem ficar separadas nesse período de graduação, as regras governamentais de hospedagem ainda te protegem financeiramente até o final da graduação. Mas, eu tenho que te avisar que alfas não são permitidos para morar aqui, visitar tudo bem, nos dias certos e nas áreas de convivência. Como vocês são acasalados, talvez possamos ter um pouco mais de liberdade nas regras para o seu alfa. — Penny me responde ainda sorrindo, seus olhos curiosos agora caem no meu pescoço, onde a mordida de Kane é visível.

Suas palavras são um alívio para mim, tudo o que precisava ouvir. Continuamos conversando por mais alguns minutos, até Penny se levantar e se oferecer para me dar um passeio pela casa. Aos poucos vou conhecendo o novo ambiente, e me encanto cada vez mais pelo espaço, encontro alguns residentes em suas atividades diárias, e todos são educados comigo.

Visitamos a cozinha, a sala de televisão, a sala de estudos que contém longas mesas e bastante espaço para trazer meus livros e estudar. O tempo todo fico ligada em meu celular, mas sei que Kane não vai me mandar nenhuma mensagem se não for importante, ele também tem muita coisa para responder.

A casa tem três andares e é enorme para uma casa de Universidade. Todos os banheiros são bem sinalizados e existem pelo menos dois quadros de avisos em todos os andares. Ao sair da área comum e subir para os quartos, vejo cada vez mais os membros da fraternidade, todos são jovens e simpáticos, na mesma faixa etária que eu, eles sorriem ou acenam educadamente.

Penny é muito popular entre o pessoal da casa, durante o nosso tour algumas moças a abordam perguntando sobre assuntos da casa, e a consultora não deixa ninguém sem resposta.

Em um certo momento, um jovem moreno, muito bonito e alto nos aborda.

Logo descubro que ele é Christopher o presidente da fraternidade, seus olhos são incrivelmente verdes o que é um grande contraste para a sua pele chocolate e seus cabelos pretos cacheados, ele é muito bonito e seu cheiro ômega é mais quente que o odor feminino, quase cítrico para mim, mas não é desagradável. Seu sorriso é incrível e sua presença é bem marcante, mesmo sendo tão jovem, ele deve ficar entre vinte e três e vinte e quatro anos, não mais do que isso.

— É um prazer ter você aqui, Emma. Já recebi toda a sua documentação e já passei para a secretária, acredito que hoje mesmo você já possa mudar. — Christopher me diz ao me cumprimentar com um aperto de mão. Sua postura é muito séria para alguém tão jovem, todavia, ele ainda mantém uma expressão de acolhimento no rosto. Estou eufórica com suas notícias, muito feliz em poder resolver mais este problema. Se eu nunca mais ver Lisa Davies na minha frente, ou escutar qualquer de seus insultos, minha vida já estará muito melhor.

Christopher não fica surpreso quando digo que sou acasalada, ou ele disfarça melhor do que Penny, em nenhum momento me sinto julgada ou menosprezada. Ele e Penny me mostram o meu futuro dormitório, o quarto é maior que o meu nos dormitórios femininos comuns, possui duas camas de solteiro dois guarda-roupas de duas portas com três gavetas e uma áreas de estudos separadas, vou dividir espaço com uma outra moça chama Kate.

Ela não está na fraternidade, mas pelo que posso notar, seu espaço dentro do quarto é bem colorido é bonito, tão organizada quanto eu sou, o que me deixa aliviada. Tirando a minha irmã, nunca fui amiga de ninguém com a minha designação, mas tenho esperança que mudando para uma fraternidade Ômega, isso vai mudar. Já que toda a minha documentação está pronta, Penny se oferece para buscar as minhas coisas e me ajudar com a mudança.

Sei que Kane gostaria de me ajudar, mas prefiro fazer isso sozinha e de certa forma manter a minha individualidade e responsabilidade sobre os meus assuntos. E como todas as minhas coisas estão arrumadas no meu dormitório, aceito a ajuda que me foi oferecida.

Primeiro tenho que assinar alguns documentos no escritório de Christopher, depois Penny e eu nos encaminhamos para meu dormitório para pegar as minhas coisas. Enquanto isso, conversamos sobre nossos cursos, ela está se formando em psicologia com enfase em designação.

Sua conversa animada continua por toda a nossa viagem, graças a deus ela tem seu próprio carro, ou eu precisaria pedir um Uber para levar todas as minhas malas, que não são tantas, mas com toda a certeza não cabem na grade branca da minha bicicleta Blue. Lisa não se encontra em lugar nenhum o que é ótimo já que não tenho nenhuma disposição para me despedir de alguém que me odeia.

Penny e eu conseguimos colocar minhas malas em seu carro, tivemos que fazer duas viagens e logo eu estava entregando a chave do meu antigo quarto no escritório dos dormitórios.

Para finalizar, recebo a ajuda para prender a minha bicicleta nos suportes traseiros do carro de Penny, e com um último olhar para o grande prédio onde fica situado o maior dormitório feminino do campus, me despeço dessa parte de minha vida.

Penny e eu terminamos de levar minhas malas até o meu novo quarto quando as primeiras mensagens de Kane aparecem no celular. Com toda a documentação em dia, meus pertences já em meu novo quarto, e toda a ajuda que poderia ter de Penny, decido deixar minhas malas sobre a cama e ir de encontro ao meu alfa, com as horas em que estamos afastados já sinto uma dor de cabeça e um profundo desconforto surgir em meus membros.

Penny ainda tem a gentileza de me ajudar a retirar minha bicicleta da traseira do seu carro, apenas então e a agradecendo um milhão de vezes, monto em Blue e pedalo até o prédio onde Kane e Dylan mantém um apartamento.

O ar frio em meu rosto e o exercício me ajudam no trajeto, desde o meu acidente no dia em que conheci os gêmeos, estou bem mais atenta nas ruas, já não uso mais fones de ouvido e presto total atenção em possíveis carros que passem ao meu lado. Não é meu desejo estar envolvida em outro acidente de carro, e posso afirmar que nunca mais quero passar por isso.

Enquanto pedalo penso em Brigitte e em meu Samuel, duas pessoas que sempre considerei melhores amigos e que depois do ataque na festa Alfa, deixaram de me procurar. Não que antes eu fosse muito procurada pelos dois, mas é diferente agora, desde que os gêmeos entraram na Universidade tenho um contato cada vez menor com meus amigos betas.

Uma parte do meu coração aperta em saber que no primeiro problema verdadeiro eles tomaram um lado e se afastaram, a outra parte não se importa nenhum pouco. Talvez eu fosse uma novidade para eles, a moça ômega que é minha amiga, mas nunca entendendo verdadeiramente o que é estar na pele de um nascido alfa ou ômega.

Esse é mais um problema na minha lista constante de coisas para resolver, parece que sempre que consigo colocar alguma coisa em ordem, logo sou puxada para resolver outra coisa. E também tenho que ver um lugar para Valerie passar seus dias. Ela não me mandou mais nenhuma mensagem, porém conheço a minha irmã e sei que quando ela diz que fará alguma coisa, ela faz.

Com tanta coisa em minha mente quase passo reto pelo prédio onde Kane mora. E quando estou prendendo blue no minúsculo espaço destinado à bicicletas, noto que Kane começa a me ligar.

— Olá, Kane. — Respondo ao me arrumar e começar a andar em direção ao seu apartamento.

— Gatinha, estou saindo para te buscar. — Sua voz grossa não deixa de ascender algo dentro de mim.

— Não precisa, já estou na porta do seu prédio. — Respondo ao puxar a maçaneta de ferro das longas portas de vidro, dou dois passos para dentro quando vejo Kane vindo em minha direção, imediatamente ele abaixa a telefone e sigo em seguida. Seus olhos estão iluminados quando ele me olha, e seus braços são rápidos em me capturar em um abraço apertado, seu rosto desce para o meu pescoço, passando lentamente pele minha pele até minha marca de acasalamento.

Meus instintos me comandam a levar minha cabeça para o lado, abrindo espaço na busca de meu alfa, facilitando o seu trabalho de encontrar minhas glândulas de feromônios. Sinto seus lábios roçarem a minha pele ainda inflamada e cicatrizando de sua mordida, seu beijo é como o bater de assas de uma borboleta, faz meu coração disparar e meus braços apertarem o seu tronco tonificado.

O suspiro de alívio que escapa de meus lábios é impossível de ser contido. O cheiro de Kane me envolve transmitindo segurança, calor e necessidade alfa. Nuances fortes para mim e que gosto cada vez mais.

— Eu senti sua falta, Emma. — Kane me diz ao levar sua boca até meu ouvido. Meus coração está a milhão dentro do peito, logo um ronronar manhoso escapa de meu peito, o que o faz rosnar de satisfação.

— Eu também senti sua falta. — Deixo escapar sem controle nenhum dos meus sentimentos. O instinto muito próximo a superfície para negar qualquer coisa para o homem em meus braços.

— Você pegou um Uber? Eu poderia ter buscado você. — Sua pergunta ainda é macia em minha audição, o que me faz responder no mesmo nível.

— Não, vim pedalando. — Respondo ao buscar seus lábios. Um beijo é tudo o que quero agora, porém Kane se afasta e me olha atentamente.

— Não gosto de você pedalando aquela bicicleta mortal, vai que você sofre um acidente. Quem sabe o predador que está por ai na busca de uma gatinha esperta. — Não posso deixar de rir com a insinuação de Kane do nosso primeiro encontro.

— Bem, posso te garantir que sei lidar com qualquer predador malandro. Você não precisa se preocupar e não vou deixar minha blue de lado apenas porque meu alfa tem carro, gosto de pedalar. — Respondo ao arrastar meus lábios pelo queixo dele, deixando pequenos beijos aqui e ali e curtindo a maciez que encontro. Até hoje de manhã, Kane ainda estava com a barba por fazer, agora ele aparece todo barbeado, o que eu adoro.

Escutar Kane rir sempre será um prazer para mim, antes de nos envolvermos, ele quase nunca sorria, e quando acontecia sempre era um sorriso de malícia ou desafio, nunca por real diversão. Logo, ser capaz de tirar um verdadeiro riso de seus lábios é inacreditável de tão bom, uma pequena vitória.

E me surpreendo quando Kane me pega no colo em estilo noiva, começando a me levar para o seu apartamento.

— O que você está fazendo? Eu sei andar. — Grunho irritada, mas também divertida ao passar meus braços em torno de seus ombros, abraçando o seu pescoço e me mantendo firme em seu agarre.

— Eu sei que você sabe, mas gosto de te carregar e gatinha, estou afim de fazer algo doce. — Kane me diz ao caminhar para as suas escadas, em nenhum momento ele estremece com o meu peso ou diminui a velocidade de seus passos com o intuito de descansar.

Volto os meus lábios para o seu maxilar e pescoço e permito que minha designação aflore em meu corpo. Me lanço na biologia e no perfume de desejo do meu alfa.

— O que você quer fazer? — Questiono em sua pele cheirosa, minha voz é quase um sussurro manhoso.

— Quero te devorar, Emma. — Sua resposta é um rosnado que faz minha pele arrepiar, enquanto meu cérebro ômega ronrona dentro de mim.

Sim, alfa me quer, devo mostrar meu pescoço e me despir para o alfa. Quero tanto o seu nó. Os pensamentos são caóticos dentro de mim, minha mente começando a ficar nublada pela necessidade e sei que com medo ou sem medo, vou acabar me entregando para o meu alfa e com ele falando assim, não vou conseguir esperar até a noite.

Quero Kane agora, desejo estar em seus braços sem demora. Construir um ninho aconchegante em sua cama, algo para nós dois.

— Então me leve para o seu quarto, Alfa, estou pronta! — Exclamo o mais discretamente possível em meu ouvido, até permito que minha língua explore a sua pele quente, deixando que seu gosto exploda em minha boca. Para minha satisfação Kane me agarra com mais força, enquanto dobra o esforço de me carregar e correr de volta para o seu apartamento.

Entramos em seu lugar com Kane quase derrubando a porta na animação de me levar para dentro, tenho que rir e pedir para ele se acalmar. Todavia, sei que é uma tarefa difícil, principalmente porque estou ciente do cheiro da minha excitação, que para qualquer alfa já causaria um pico de adrenalina e ansiedade, mas para o meu alfa acasalado é mil vezes pior, assim como o cheiro de sua excitação também leva os meus instintos mais promíscuos ao limite.

Tenho até de lembrá-lo de trancar a porta atrás dele e em nenhum momento Kane me coloca no chão, mesmo com a dificuldade de usar as mãos na tranca para abrir e fechar a porta.

Para a minha surpresa, quando estamos enfim sozinhos, Kane não se lança em meu corpo igual a um desesperado, muito pelo contrário. Sua boca é macia em seus beijos, sua língua explora a minha com tal devoção que quase me faz cair no choro.

Suas mãos são fortes e delicadas ao passearem pelo meu corpo, explorando a pele dos meus braços e pernas, sentindo a minha cintura e quadris. Todo o seu toque é cheio de devoção, ele explora a minha pele com tal maestria enquanto seus lábios me devoram, que quase não sinto quando chegamos em seu quarto e seu cheiro me abraça de todos os lados.

A cama em que ele me deposita é suave e fofa e logo quando seus braços se afastam começo a puxar os tecidos em minha volta, afastando o seu corpo e criando um pequeno ninho, o mais simples que já criei, mas especial para a primeira vez que faço amor.

Kane me observa com total adoração, seus olhos nunca desgrudam do meu corpo em movimento, e ele não tenta intervir em nenhum momento. Estou cada vez mais sendo levada pela excitação e somente olhar para ele me faz querer chorar e derreter, suas roupas são escuras e contrastam com sua pele clara cheia de tatuagens e seu cabelo loiro escuro.

Sei que tenho muito a contar, tenho que dizer que me mudei para a fraternidade Ômega e que já levei meus pertences para lá, quero dividir cada pedaço do meu dia com ele, porém tudo isso fica secundário quando olho em seus olhos e vejo o desejo queimar.

Quando termino de arrumar nosso ninho perfeito, paro o que estou fazendo, me ajoelhando em sua cama e o encaro.

— Sei que durante o meu calor nós fizemos isso, transamos e você levou minha virgindade, mas quero fazer diferente agora. — Começo a explicar quando lentamente deslizo as alças finas do meu vestido vermelho de verão, permitindo que o tecido escorra pelo meu corpo deixando minha pele nua para o seu deleite. — Sou seu ômega, Kane Hunter. E quero que você me ensine a fazer amor.

O que se segue a seguir foi um dos momentos mais bonitos da minha vida. Nunca pensei que a relação entre um alfa e seu ômega pudesse ser tão sensual e passional ao mesmo tempo, cheio de desejo, mas também de carinho e sorrisos.

Kane obedece ao meu pedido, mesmo eu sendo um ômega e no instante em que me deita em sua cama, com seus lábios nos meus, suas mãos desfazendo o penteado em meus cabelos e seu corpo levemente pressionado ao meu, sinto que ninguém além deste homem, poderia me ensinar a fazer amor.

Levamos um tempo nos explorando, lentamente tirando nossas roupas e sentimos a pele um do outro, tudo é como um voto, um para o outro. Sua boca passeia pelos meus braços, beijando cada pedaço de pele que ele encontra, louvando cada uma das minhas curvas e dobras. Seu cheiro sobe tanto que é sufocante de tão delicioso.

Meu corpo é dele para fazer o que quiser e o prazer que queima em minhas veias, dançando no meu ventre e subindo para os meus seios, é nada como já senti. Minhas masturbações solitárias não chegam aos pés do que Kane consegue com seus lábios. Meu pescoço é sua fonte de desejo e seus beijos me despertam quase que dolorosamente.

Não sou forçada a nada, tudo é dar e receber, então aceito com bom gosto seus toques, mesmo sua mão sendo tão grande e me apertando as vezes para acalmar, e as vezes para incendiar.

Descubro que Kane tem uma fixação em meus seios, suas mãos exploram os meus montes, prestando uma homenagem aos meus mamilos eretos, ele gosta de apertar, acariciar e beliscar minha carne e no instante que sua boca desce para meu tronco, sou tomada de um prazer tão grande que é impossível manter qualquer gemido dentro de mim.

Minhas mãos tem vida própria e logo me pego agarrando seus cabelos, levando sua cabeça e boca para onde mais desejo, fazendo-o adorar meus seios de acordo com meu prazer. E quando estou satisfeita, arranho a pele de suas costas, aperto seus braços fortes e me contorço embaixo dele. Não faço a mínima ideia onde jogamos nossas roupas, tudo o que importa é a sensação de seu corpo sobre o meu, sua boca faminta me devorando em beijos lascivos e apaixonados, nossos olhares se encontrando e os sorrisos compartilhados.

Somos duas peças que se encaixam, que se apaixonam e que se exploram na dança mais antiga do mundo. Quero lamber sua pele, seu peito firme e explorar oralmente todas as tatuagens que meu alfa possui. Kane me permite ir até certo ponto, depois me joga novamente na cama e domina o meu corpo. Entretanto, em nenhum momento me sinto subjugada sexualmente, o que fazemos é um baile de sensações.

E Kane me mostra exatamente o que eu queria, ensinando cada passo dessa dança de prazer.

Sinto que ele está aproveitando tanto quanto eu. Seus elogios são famintos e quentes. Meu alfa elogia minha pele, minhas curvas, o meu cheiro, o meu gosto, o quanto molhada estou, o quão quente meu corpo está ficando para ele. O tanto que ele quer entrar em mim, ou devorar o meu sexo até eu gozar em seu rosto.

Depois de muitos beijos apaixonados e alguns até mesmo brincalhões, me pego deitada de costas, com minhas coxas afastadas ao máxima e meu alfa comendo meu sexo do melhor jeito possível.

Durando meu período de calor compartilhado com ele, sei que senti muito prazer, mas também estava sobrecarregada com muita dor, hormônios, e odores para me concentrar verdadeiramente sobre o ato sexual. Kane fez seu trabalho perfeitamente ao me levar.

Porém, agora, nessa primeira relação é que percebo o quanto é maravilhoso me entregar ao sexo.

Na minha cabeça tudo funciona quase como uma melodia, com notas altas e baixas, e uma sonoridade tão única que sei que nunca vou me esquecer desde primeira vez com meu alfa.

Kane me explora com seu língua, lábios e dedos, levando a meu primeiro orgasmo em seu boca. Tenho que morder meus lábios para não gritar com toda a minha força quando o prazer viaja através dos meus membros, me fazendo suar e choramingar ao gozar.

Minhas mãos em seus cabelos o segurando onde preciso dele, e seu nome em meus lábios como uma oração. É delicioso, um incêndio e logo me derreto na cama, suspirando e tentando recuperar minha respiração.

— Minha gatinha manhosa, meu bom ômega. Tão gostosa para o seu alfa, tão boa para mim. — Escuto seus elogios com verdadeira adoração. Meu orgasmo mal terminou e já estou cobiçando um próximo.

— Dentro de mim, Kane, eu preciso de você dentro de mim. — Estou balbuciando ainda sem fôlego, meus olhos devem estar brilhantes de emoção e sinto um fogo crescer em minhas veias, principalmente por ver meu homem desfrutar tão avidamente do meu gosto.

Kane sorri abertamente ao lamber os lábios e subir pelo meu corpo, ele é tão bonito, cheio de músculos firmes, grande e forte, me perco embaixo dele, porém é inacreditável o quanto os nossos corpos se encaixam perfeitamente.

Quando Kane entra em mim me sinto mais cheia do que nunca, seu sexo tão grande dentro no meu, esticando meus músculos internos ao limite, é muito mais do que eu poderia sonhar que seria, agora longe do calor, não existe uma necessidade tão brutal que chega a dor, agora a sensação é de estiramento, a posse ainda existe, mas o prazer de ter ser corpo em cima do meu é algo indescritível, a expressão de prazer dele se torna o meu mais forte desejo. Estou sendo alimentada por ele, por esse momento.

Em perfeita harmonia com meus instintos mais fortes passo minhas pernas em volta de seus quadris o prendendo dentro de mim e permito que Kane me ame.

Sentir o corpo dele pesando sobre o meu me abre para sentimentos que nunca pensei em explorar, é tão bom e está em todas as partes, nas suas mãos segurando minhas coxas e seios, na sua boca que devora a minha.

Nossos gemidos juntos formam uma melodia tão bonita que me pego querendo ouvir isso por toda a minha vida. Então me agarro ao homem nos meus braços e deixo que ele me penetre da forma que gosta. As vezes é rápido e forte, outras e cheio de um rebolado que me faz ver estrelas.

Não demoro a chorar em seu ouvido, implorando por mais e para que ele nunca pare. Kane rosna intensamente com cada um dos meus lamentos, jurando louvores em meus pescoço, enquanto acelera suas estocadas em mim. Meu próximo orgasmo estoura em meu corpo, queimando igual a uma estrela de nêutrons e me remexo tanto em seus braços que Kane tem que me segurar mais firmemente. Sei que estou chorando seu nome em um gemido que é quase um grito.

Kane me acompanha logo em seguida, mas no instante em que seu próprio orgasmo acontece, ele se retira rapidamente do meu sexo, se impedindo de me dar um nó. O que é um lamento para o meu corpo desejoso. Nem sei como ele teve a força para se lembrar disso. Seu gozo explode em minha barriga se concentrando em uma pequena poça no meu umbigo.

Não sinto nojo, é lindo ver meu Alfa gozando, seu rosto em uma careta de intensa emoção, enquanto mantém seus olhos calorosos nos meus, e seus lábios abertos enquanto ele geme e navega nas ondas do orgasmo. Meu nome um lamento doce.

Estamos ofegantes e risonhos depois de fazer amor. Mesmo não estando dentro de mim, seu nó na base do pênis incha e a coloração é tão vermelha em sua pele dourada, que parece realmente doloroso. Minha curiosidade vence, e com um olhar maroto, levo meus dedos até sua pele sensível, acariciando o que deve ser um doloroso nó.

— Isso foi...

— Delicioso. — O interrompo ao continuar acariciando seu nó. Meu coração está disparado dentro do peito, meu corpo está banhado em suor, tanto de Kane quanto o meu. Estou nadando em satisfação orgástica e estou bastante saciada. Tenho meu alfa em meus braços, seus olhos castanhos presos nos meus enquanto suas mãos passeiam por minhas curvas, nossos feromônios estão emaranhados de tal maneira que mal posso diferenciar o cheiro um do outro.

Durante os próximos minutos passamos conversando sobre amenidades, nos descobrindo um pouco mais.

Descubro que a cor favorita de Kane é vermelho, que ele nunca foi muito interessado em filmes, então não tem um preferido, mas ama assistir documentários de qualquer assunto. Sua comida favorita sempre foi hambúrguer e ele normalmente não consegue resistir a sorvete de uva.

— Qual seu cheiro preferido no mundo todo? — Continuo com meu questionário.

— O seu. — Sua resposta é imediata o que me faz rir.

— Me conta um lugar para onde você quer viajar. — Insisto ao evitar seu comentário anterior.

— Qualquer lugar onde você vai estar. — Novamente sua resposta é imediata.

— Nem tudo pode ser sobre mim, Kane. — Retruco ao beijar seus lábios, suas respostas são doces, mas não podem ser reais.

— Errado. — O escuto dizer ainda preso em meu abraço. — Você é meu ômega, tudo é sobre você. Eu não sei se você já ouviu esse ditado, mas ele é muito real. Se o ômega está feliz, o alfa estará feliz.

É claro que já ouvi esse ditado, sempre acreditei ser uma besteira enorme.

— Não quero que você se anule para me fazer feliz, temos que ser um time, não é somente a minha felicidade que importa, os seus sentimentos importam. — Respondo ao encarar sua expressão sonhadora. Quando Kane está tão relaxado assim, toda a energia ao seu redor muda para algo acolhedor, e mesmo sendo irmão gêmeo de Dylan, ambos possuem expressões bem distintas.

No momento em que Kane se inclina em meu corpo, seus lábios buscando os meus, nos perdemos novamente em sensação, seus beijos são sempre cheios de intensidade e desejo.

Estou ficando cada vez mais viciada no gosto de seus lábios, no toque de suas mãos em meu corpo e no modo que seu cheiro se mistura com o meu. Não é apenas erótico, mas cheio de um sentimento de lar e aconchego.

E não me envergonho em dizer que passamos o restante da noite nos amando, descobrindo nossos corpos e aprendendo sobre prazer e companheirismo. Não saí do quarto em nenhum momento e quando tive fome, Kane foi atrás de algo para nos alimentar. Uma pizza recém assada foi mais do que suficiente para me deixar feliz.

Enquanto comíamos, Kane me falou o que fez com o ninho do meu calor, olhando para o armário eu não podia ver nada fora do lugar, então estava curiosa, um leve odor ainda permanecia no local, mas nada desagradável ou em intensidade, somente um suave resquício marcando o que aconteceu naquele local. Kane me disse que após me deixar na fraternidade ômega, ele voltou para o apartamento e começou a limpeza, ao todo ele encheu três vezes a máquina de lavar, mas agora estava certo de que tudo já estava limpo e entre uma lavagem e outra, ele estava resolvendo toda a nossa situação na secretaria do campus.

Quando o questionei sobre Dylan, afinal já fazia um tempo considerável que não o via, e eles dificilmente se separavam, Kane me contou que seu irmão estava passando um tempo com uma de suas muitas conquistas.

Era estranho começar a ter tanta intimidade com alguém, mas a todo momento meus instintos ronronavam em jubilo, tudo porque eu estava na presença do meu alfa, por que ele estava provendo e cuidando de mim, porque estávamos seguros e bastante satisfeitos sexualmente.

Quando fomos dormir, Kane se agarrou ao meu corpo, me abraçando firmemente, seus braços tatuados em volta da minha cintura e tronco, uma de suas mãos entre as minhas pernas e seu rosto preso em meu pescoço. Eu mal podia me mexer para lugar algum, e para qualquer Beta, essa posição tão impositiva dele pode parecer incrivelmente desconfortável. Para meu cérebro ômega, não consigo encontrar posição melhor, meu alfa me quer tanto que mal pode manter suas mãos longe de mim e mesmo em seu sono me deseja ardentemente. Ao refletir sobre nosso posição, chego a conclusão de que apenas seria melhor se eu estivesse presa em seu nó, isso sim seria um paraíso de conforto para minha designação.

No outro dia, acordamos cedo, tomamos banho juntos e somente nos separamos quando Kane me levou para a minha nova casa na fraternidade ômega. Ao chegar lá, com meu alfa me esperando dentro do carro, corri para meu quarto e sem acordar minha colega, que estava devidamente afundada em seu próprio ninho, procurei dentro das minhas malas uma nova roupa para o dia e meu material escolar.

O plano era que Kane me deixaria em minha primeira aula, depois correria para a sua, nos encontraríamos para almoçar e seguiríamos o nosso dia separados até termos uma folga depois das aulas. Ou seja, ambos temos um longo dia pela frente e encaixar um companheiro na minha rotina já cheia, será um grande desafio, não somente meu, mas também dele.

Tudo ocorreria devidamente com o plano se não fosse pela surpresa desagradável que tive. Tomei a péssima decisão de caminhar sozinha para minha primeira aula de reposição durante a manhã, uma das várias que faria durante toda a semana quando fui abordada por Julian Stuart, a coisa aconteceu tão rapidamente que não tive nenhuma oportunidade de me defender, gritar, correr ou qualquer outra coisa.

Em um momento estava andando apressada por entre dois prédios e no outro estava caída no chão com uma forte dor no estômago e na cabeça, já que com a força do soco que ele me desferiu no abdômen, eu cai imediatamente no chão, batendo a minha cabeça no concreto. Meus olhos cheios de lágrimas enquanto tentava recuperar o fôlego e entender o que tinha acontecido. Minha mochila caída ao meu lado.

— Sua puta, prostituta ômega. Eu te falei que você era minha, eu deixei claro que não queria que ninguém encostasse em você. — Ele rosnava para mim, seus olhos claros cheios de maldade e rancor ao me olhar, eu estava tão ofegante pela dor do soco que não tinha reunido forças para me levantar e correr, meus olhos estavam embaçados pelas grossas lágrimas. — Cadela maldita, abrindo as pernas para o primeiro alfa que viu, deixando outro te acasalar quando você era minha.

A expressão em seu rosto estava descontrolada de raiva, pior do que qualquer coisa que eu já tivesse visto, o que encheu meus instintos de puro terror.

Esse não é meu Alfa. Não deveria me tocar e machucar. Onde está meu Alfa. Kane, me ajude.

Meus pensamentos corriam a milhão quando me levantei e tentei correr. É claro que não fui longe, apenas senti mãos fortes grudarem nos meus cabelos apertando tanto que novas lágrimas surgiram.

— Você não vai fugir, cadela. Eu disse que você era minha, que se arrependeria de me ignorar, eu sou seu verdadeiro Alfa. — Continuei a escutar suas ameaças com meu coração batendo a milhão dentro do peito, sua mão esquerda estava me segurando firmemente pelo cabelo, enquanto a direita estava em minha boca, me mantendo calada. — Olha essa mordida nojenta e você ainda tem coragem de mostrar para todo mundo como se fosse um prêmio. Eu deveria te morder, ômega, sua boceta era minha para foder e encher de filhotes.

O fedor de seus feromônios eram absurdamente ruins para os meus sentidos, tudo o que eu queria era me afastar e encontrar meu alfa, estar segura em seus braços, e não nas mãos desse lunático.

Seu aperto estava cada vez mais doloroso e era impossível escapar, mesmo chutando e me debatendo. Em uma última tentativa e reunindo toda a minha força consegui abrir minha boca e morder a sua mão. Usei todo a minha vontade de escapar para realmente o machucar e somente quando ele estava distraído com a dor na mão, foi que consegui desferi uma potente cotovelada em sua lateral, abaixo das costelas e muito rapidamente enquanto ele se curvava de dor, eu o soquei na virilha, esse último movimento foi o suficiente para ele me soltar.

Julian caiu ajoelhado no chão, minha boca estava cheia de seu sangue, mas não o suficiente para sujar minhas roupas. Enquanto cuspia o gosto odioso, concentrei todos os meus esforços para correr, até consegui recuperar minha mochila com os livros de estudo do dia e sai daquele lugar o mais ligeiramente possível.

— Maldita cadela, você vai se arrepender muito disso, você não sabe o que reservei para você. — Ainda o escutei gritar e rosnar atrás de mim, mas Julian ainda estava muito incapacitado de dor para se levantar e me perseguir, ainda assim, continuei a acelerar pelos corredores entres os grandes prédios.

Tive que parar quando esbarrei em um estudante que estava atravessando uma das portas de saída laterais. Seu porte grande, jaqueta azul marinho e cabelos castanhos, me disseram quem era antes mesmo de eu olhar para o homem que me segurava. Não posso dizer se esbarrei nele de propósito ou me joguei em seus braços em puro terror.

Entretanto, no instante em que Dylan Hunter me segura totalmente desnorteada, eu desmorono em seu aperto. Estar em sua presença não é o motivo por eu ficar sem fôlego, talvez a corrida excessiva, o soco que levei e que ainda doía infernalmente, ou o terror de ser atacada em pleno dia, não me deixem falar por alguns instantes.

Então, fico o encarando cheia de terror e machucada, seus olhos castanhos são tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes dos de seu irmão. Mas a expressão crescente de raiva é a mesmo nos dois. Sua face muda em vários sentimentos sendo surpresa, desconfiança e raiva as maiores, e seus olhos sempre tão expressivos e a crescente rigidez em seu corpo me contam tudo o que preciso saber.

— Emma, porra, o que aconteceu? Quem te bateu? — Sua pergunta me amedronta em mais de um modo. E agora, o que faço? Conta a verdade ou não?

Tenho menos de cinco segundos para pensar. Então abro a minha boca e nada sai, apenas mais lágrimas e um soluço cheio de dor, me agarro a Dylan e agradeço a Deusa Ômega por o colocar em meu caminho.

Começo a chorar, sem conseguir me controlar.

Agora tenho uma importante decisão para tomar. Então, fecho meus olhos e rezo por força.

Notas finais
Chegamos ao antepenúltimo capítulo. O início do fim de Devastação. Tanta coisa para escrever em tão poucos capítulos. Peço perdão por qualquer erro ortográfico que deixei passar, fiz uma revisão. Estão curiosas? Gostaram?