Devastação
8 Aquele Olhar
Notas iniciais
Kane
Desde a morte de minha mãe, tenho me mantido afastado de Ômegas. Não me leve a mal, não tenho repulsa por essa designação. Esta e uma designação das mais difíceis, para homens e mulheres, e não sei lidar com eles.
A grande verdade é que para um alfa, Ômegas costumam cheirar bem. O que muitos betas acreditam é que qualquer ômega cheira deliciosamente bem e nós Alfas, somos impelidos em nos aproximar e dar um nó.
E isso é uma mentira.
Já conheci e observei alguns Alfas que agem exatamente dessa forma. O que apenas aumenta os estigmas da nossa designação.
Minha mãe nasceu Ômega, ela sempre teve um odor agradável para mim, algo que cheirava a conforto e amor incondicional, principalmente nos nossos piores momentos.
Os seus feromônios suaves também cheiravam a tristeza, medo e dor. Algo que meu pai proporcionava para ela.
Depois de sua morte e durante o meu crescimento, cheirei outros Ômegas, alguns poucos homens e mulheres. Muitos já acasalados.
Nunca me aproximei de nenhum ômega que o cheiro fosse irresistível. Os seus feromônios sempre eram agradáveis, alguns até fizeram o meu nariz coçar, ou me deixaram com a sensação de arrepio na pele.
Nada que pudesse me controlar e me afastar.
No leito de morte da minha mãe, com um Dylan choroso ao meu lado, jurei que nunca daria a nenhum ômega o destino que minha mãe teve.
Se fechar os meus olhos e me concentrar muito, ainda posso me lembrar no sorriso dela, ou ter uma rápida lembrança do que o cheiro dela era para mim.
É claro que também posso me lembrar com muita clareza dos gritos histéricos do meu pai, brigando com os médicos e os enfermeiros por não conseguir salvá-la. Fingindo não notar as marcas agressivas que ele colocou em seu corpo. Ou os seus socos quando percebeu que somente Dylan e eu sobraríamos para ele.
Perdê-la é a minha lembrança mais aterrorizante. Então, quando ela deu seu último suspiro, prometi não infligir em mais ninguém o monstro obsessivo que sabia estar dentro de mim.
Afinal, tenho muito de meu pai. Entre os seus filhos, sou o que mais se parece com ele.
Não posso negar que quando me apresentei senti uma enorme curiosidade na designação ômega. E quando comecei a conhecer as mulheres, e a sentir o prazer que um corpo feminino pode proporcionar ao meu, em uma longa foda quente e suada, me questionei sobre o quão mais grandioso o prazer sexual seria ao estar com um Ômega.
O biologia diz que é enorme. Os Alfas acasalados se tornam muito obsessivos com os seus parceiros ômega, e garantem que não existe nada melhor.
Sabendo do meu potencial destrutivo, preferi me manter afastado. Por isso, somente fodo mulheres betas.
Durante vinte e dois anos, consegui manter meus princípios, sem muita dificuldade.
Isso foi até conhecer Emma Carter.
Minha mãe costumava dizer que um dia, Dylan e eu acasalaríamos com um Ômega, e que seriamos muito felizes.
Meu irmão, um sonhador, esperava com emoção, sempre a questionando sobre como saberíamos escolher. Minha mãe respondia que tudo estava nos feromônios, que deveríamos ficar atentos.
Não sou um sonhador, estou mais focado na realidade e não sonhando com o que poderia ser. E na minha opinião, nenhum feromônio é forte o suficiente para prender a minha atenção, ou me fazer entrar profundamente em um estado alfa.
Então, encontrar Emma foi um grande choque de realidade.
Se ela fosse beta, estou certo de que ainda chamaria a minha atenção, pois ela é inegavelmente linda. Mas, sei que os Ômegas costumam ser assim. Lindos e cheios de pequenos talentos e habilidades para encontrar um parceiro ideal para acasalar. Não me leve a mal, a constituição alfa também é construída assim.
Mas, existe algo nela. Alguma coisa que não consigo negar ou deixar de lado.
Desde o primeiro momento em que coloquei meus olhos nela e senti o poderoso odor de seus feromônios, sabia que algo irremediável estava acontecendo comigo.
Eu nunca senti um feromônio ômega mais delicioso do que o dela. O seu cheiro doce, acordou algo selvagem dentro de mim.
É desconcertante o modo que me afeta. No começo fiquei irritado, pensei até que ela era louca o suficiente para não usar supressores.
Todavia, sei que estou errado. Já a vi tomar as pequenas pílulas cor de rosa, e sei que Emma é esperta e responsável o suficiente para não errar em algo tão básico.
Desde que a conheci, tive que dobrar a minha dose de supressores alfa, pois comecei a perder meus sentidos básicos de controle, para o monstro selvagem que ela despertou.
Meus instintos gritam por ela, o que me leva a um novo nível de descontrole interno.
Tenho medo do que posso fazer, das características que herdei de meu pai. De me tornar algo tão odioso quanto ele.
Não consegui esconder isso de Dylan, meu irmão gêmeo sempre foi a minha outra metade, a pessoa que mais me conhece no mundo. Não tenho vergonha de admitir que somos muito próximos.
Além de toda babaquice gêmea, tivemos que nos unir para sobreviver a nossa infância e adolescência. O que apenas solidificou o nosso vínculo.
Eu morreria por Dylan, não importa a circunstância.
Ainda temos um irmão mais velho. Alguém que não sou próximo, alguém que nos abandonou.
Depois da morte da minha mãe, Dylan é a única família que me restou e que me interessa.
Nunca tive namoradas de longo prazo. Apenas sexo casual me interessa. Possuo alguns princípios intransponíveis em meu caráter. Todas as minhas relações são abertas, não engano nenhuma mulher com joguinhos de conquista, e não fodo menores de idade.
Dylan segue princípios parecidos, então, nos damos bem na maioria das vezes.
Nascer Alfa é algo muito bizarro. Ninguém que nasceu sem essa designação pode entender verdadeiramente o que é ser dominado por instintos avassaladores que controlam o seu pensar e agir.
Constantemente parece que estou duelando comigo mesmo. As emoções são voláteis e os instintos poderosos. Controle é a palavra chave na vida de quem nasceu alfa.
E tudo piorou quando coloquei meus olhos em Emma Carter.
O cheiro de seus feromônios me lembram de aconchego em dias ruins, pertencimento e calor. Tudo isso com um toque doce que me faz salivar de vontade de usar meus lábios e língua nela.
Já sei exatamente por onde começaria, suas glândulas de feromônios, todas elas receberam lambidelas, seus lábios cheios e bem desenhados. Tremo somente ao pensar em provar a língua dela na minha. E não ouso pensar no tesouro escondido entre suas pernas.
Sua boceta deve ser a mais bonita de todas, ela cheira bem, cacete. Eu passaria horas lambendo seu doce mel, comeria ela uma e outra vez e tenho certeza que nunca me fartaria.
E agora depois que tive um pequeno gosto dela, meus instintos alfa gritam a arranham por minha gatinha. Me pego em um constante estado de excitação.
Com uma maldita ereção dolorosa e um desejo que não consigo saciar, não importando com quantas mulheres betas eu esteja.
Confesso que desde que a conheci, tive que dobrar o número de mulheres com quem saio. A não satisfação é a pior sensação que tenho.
O pior de tudo é que ela responde para mim. Seu corpo, seu cheiro, suas expressões faciais de confusão e desejo virginal.
Emma é uma maldita virgem. Pelo amor de Deus. Amaldiçoou em pensamento.
Isso é terrível e maravilhoso em níveis alarmantes.
Eu nunca estive com uma virgem. Todas as mulheres com quem transei eram experientes. Não gosto de virgens, nunca tive paciência para ensinar nada na vida, e seu estado me assusta e emociona.
Algo terrível em mim, o alfa possessivo que escondo no fundo de quem sou, vibra com o conhecimento de sua pureza, de ser o primeiro e último.
Sei que meus sentimentos são terríveis, minha fome por ela não é nada virginal.
Emma é inteligente, esperta, curiosa e possui um sorriso doce cheio, com covinhas em suas bochechas. Seus olhos expressivos são da cor do céu em um dia de verão.
Seu cabelo de cachos volumosos me fazem ter vontade de enterrar meu rosto neles, de me afogar nas ondas de seda dourada e seu delicioso cheiro. Seus cabelos cheiram a morangos, esse deve ser o shampoo que ela usa.
Suas curvas femininas sempre me deixam um pouco desnorteado. De seios médios e empinados, uma cintura fina, quadris largos e uma bunda redonda que me deixa com vontade de ajoelhar e implorar por um pouco de atenção, sou constantemente lembrado que preciso me afastar dela.
Entretanto, mesmo com sua inteligência apurada, seu corpo de deusa e seu cheiro ômega que gruda em mim, viajando através do meu sangue e queimando em minha natureza alfa. O que mais gosto nela são as sardas em sua pele, a pequena coloração que tinge sua pele perfeita, seu rosto é cheio delas, e adoro que Emma não esconda nenhuma.
Gostaria de lamber sua pele, exatamente onde as sardas estão, desnudar seu corpo e explorar todos os outros lugares onde ela pode ter sardas escondidas. Minha boca saliva por isso, meus instintos gritam por fazê-la minha.
Todavia, não me atrevo em fazer um movimento. Eu a contaminaria com a feiura do meu desejo e do meu passado.
Estou certo que no fim acabaria por destruí-la. Do mesmo modo que meu pai destruiu a minha mãe.
O seu desejo por ela era doentemente possessivo. Meu pai exigia tudo de seu ômega, seu temperamento ciumento e sua agressividade foram aos poucos destruindo o ser lindo que minha mãe era.
O monstro tinha ciúme de seus próprios filhos, toda a atenção e vida dela, tinha que estar voltada para ele. Sua agressividade não tolerava nada menos. No fim, ele tomou tudo dela, até mesmo a sua vida.
De todos os seus filhos, sou o mais parecido em personalidade. Deve ser por isso que o bastardo sempre me odiou.
E serei condenado se impor a perfeita Emma, o mesmo destino que meu pai impôs a minha mãe.
No fundo sei que devo me manter afastado dela. Mas, como posso fazer isso quando Dylan continua com suas malditas aulas de monitoria, praticamente esfregando seus feromônios embaixo do meu nariz.
Ele não precisa dessas aulas, faz isso com o intuito de me irritar, de me levar ao limite.
E é claro que ele conseguiu exatamente o que queria quando a trouxe para dentro do nosso apartamento.
Eu nunca esperei chegar em casa e encontrar Emma Carter de quatro no chão da minha sala de estar.
Com a bunda perfeita dela empinada no ar, seus feromônios queimando no ambiente e meu irmão babando enquanto a observava.
Foi demais para mim. Em segundos fui dominado pelos meus instintos mais selvagens, e não pensei em nada quando saltei para Dylan e o agredi.
A próxima coisa que percebi é que estava com Emma em meus braços enquanto esfregava meu rosto no mais maravilhoso cheiro.
Esse ômega perfeito me ofereceu sua glândula de feromônio. Minha postura foi ficando cada vez mais protetora, enquanto meu cérebro alfa se deliciava em seu odor ômega.
Nada nunca foi tão poderoso, quanto experimentar essa sensação, eu me sentia entorpecido e realizado da maneira mais estranha. Meu sangue fervendo nas veias. Enquanto não conseguia evitar que ronronados fortes de elogios para Emma, e de ferozes avisos para Dylan, escapasse dos meus lábios.
Quando Emma tentou se afastar, imediatamente a barro, exigindo em um comando Alfa que ela permaneça aonde está.
Apenas a solto quando meu ômega sinaliza que está ferida, o que me assustou tremendamente. Em um primeiro momento pensei que a tinha machucado, o que quase tirou o inferno de mim. Mas minha gatinha me assegurou que não foi esse o caso, depois de me acalmar do susto inicial não pude me controlar, já que estava dominado por meus instintos alfa, então lambi seu corte, provando o gosto de seu sangue e curando a sua ferida com a minha saliva.
Ouvir a voz doce de Emma me chamar de Alfa, fez coisas grandes acontecerem dentro de mim. Não demorei em levar os meus lábios para o verdadeiro paraíso que é a glândula de feromônio que ela me ofereceu. Seu cheiro Ômega preenche o ar a nossa volta. Ela me reconhece como seu alfa, seus instintos se submetem aos meus, enquanto nossos feromônios dançam no ar.
No momento que escuto o mais delicioso gemido saindo de seus lábios sei que estou condenado. Meus instintos nadam em ondas de prazer, todos me dizem que esse ômega é meu, que devo protegê-la e cuidá-la. Me assegurar que nossos cheiros estejam mesclados.
Marcá-la como minha.
Eu devo perfumá-la com mais força, minha doce ômega, todos tem que saber que ela é minha.
Meus pensamentos estão girando em torno disso quando sou mais uma vez trazido para a realidade pela voz do meu irmão.
—Kane, que porra você está fazendo? — Sinto seu cheiro preocupado e surpreso, e me assusto tremendamente quando volto a realidade.
Os próximos acontecimentos voltam a me assustar. Pois no instante em que somos interrompidos, noto puro horror nos olhos de Emma, ela se afasta de mim, puxando seu pulso frágil do meu agarre.
Logo que ela se afasta, levo tudo para segurar a vontade do meu corpo de impedir que ela vá muito longe. Mas, no último segundo consigo amarrar minhas vontades alfa.
Tenho vergonha de admitir que não consigo me controlar de todo, ainda a sigo muito de perto até nosso banheiro, suas pernas torneadas gritam para mim. E sua bunda cheia parece suculenta envolta daquela saia xadrez.
Uma maldita saia xadrez. Suspiro exasperado, quem ainda usa saia xadrez na universidade?
E agora que estou longe do frenesi alfa, posso admirar todo o contesto do seu visual.
Desde que coloquei meus olhos nela, sei que Emma se veste com roupas confortáveis e que não são programadas para chamar a atenção para as suas curvas femininas. Ao contrario das muitas mulheres desde campus, minha gatinha não é uma escrava da moda.
Por isso, sua blusa cor vinho simples e uma saia xadrez com tons escuros, a fazem parecer muito inocente e apetitosa.
Eu sempre tento manter um olhar respeitoso sobre ela. Não ficar secando o seu corpo igual a um tarado.
Mesmo que tudo nela chame a minha atenção, as vezes sinto que sou uma mísera mariposa, presa na luz de algo maravilhoso. Sem conseguir me afastar, cego pela pureza e calor.
Quem diria que aos vinte e dois anos, descobriria que sou um fodido poeta. Volto a pensar irritado. Se Dylan descobrir o caminho dos meus pensamentos, serei atormentado pelo resto da minha condenada vida.
Com suas bochechas escarlates, Emma me questiona sobre a quantidade de camisinhas nas gavetas. É a menção do seu corar que me move a questioná-la.
É mais que claro que nunca esperaria obter a resposta que ela me oferece. E não me envergonho em admitir que usei um comando alfa, nela.
Com o gosto de seus feromônios Ômega em minha boca, ainda me fazendo salivar, admito que meus instintos mais profundos estavam no comando.
Virgem. Minha doce gatinha é uma virgem. A batalha interna que travei por controle, apenas me fez perceber o quão poderoso posso ser sobre os meus desejos.
Tudo, exatamente todos os meus instintos queimaram para alcança-la.
Uma febre ardeu no meu corpo para tornar Emma Carter minha. Amarra-lá ao meu lado por toda uma vida.
Minha gatinha não parecia notar meu estado de descontrole e a guerra que estava travando para não assusta-la.
Os feromônios de Emma cheiram a paraíso. Seus olhos grandes, me encaram, enquanto noto sua respiração aumentar.
Essa saia xadrez não é barreira nenhuma para o meu desejo, e com um estalo sei que tudo o que preciso fazer para ter essa mulher é dar um passo até ela. Meus instintos Alfa gritam que Emma não me negaria.
Infelizmente nosso momento é interrompido por meu irmão, ao anunciar que a pizza que ele tinha pedido, tinha chegado.
Tive que agir rápido, ou Emma escaparia de minha atenção. Por isso, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, liberei meus instintos para fazer exatamente o que queria. E naquele momento foi garantir que ela não estivesse ferida de modo algum.
Ainda me lembro da sensação horrível de pensar que a agredi. Fui tomado de um amargor que rivalizava com o terror correndo em minhas veias.
Depois de descobri que não fui o culpado, a sensação de alívio foi relaxante e bem-vinda.
Emma parecia assustada quando voltei a tocá-la. E não posso culpá-la, nossos instintos estavam batendo fortemente em nossas cabeças.
Seu olhar desfocado e cheio de calor, continua a queimar dentro de mim. E confesso que daria qualquer coisa para ouvi-la me chamar de Alfa, com essa voz doce e lábios rosados.
Apenas imaginar isso faz meu pau doer. E essa é uma parte da minha anatomia que naquele momento, não queria dar atenção. Não com ela tão pertinho de mim, e estando tão assustada e certamente não com minhas mãos em sua pele macia.
Lembro que o tempo todo evitei lançar meu olhar em sua saia xadrez, seria tão fácil, me ajoelhar em seus pés, puxar sua saia para cima, descer sua calcinha pelas pernas e devorar a sua boceta cheirosa.
Seus feromônios eram tão fortes ao meu redor que quase pude sentir seu sabor em minha boca.
Pelas reações da minha gatinha loira, posso jurar que tenho um efeito parecido nela.
Estamos fodidos, Emma. Pensei ao encarar seus olhos de céu.
— Não conta para ninguém, o que eu disse para você. — Seu pedido envergonhado é adorável de ver. — Não gosto de me expor.
—Seus segredos estão seguros comigo. — Fiz o juramento, e me assustei com a certeza das minhas palavras. Quando suas bochechas voltam a corar, levei tudo que tenho para não abraça-lá. — Minha saliva deve ajudar no corte. Amanhã já não existirá nada.
Apenas me afastei quando terminei o seu curativo. E depois de um agradecimento envergonhado, Emma se afastou e voltou para a sala do nosso apartamento.
Me irritou poder ouvi-la conversar com meu irmão de modo tão fácil.
Estava lutando com todos os meus instintos. Nossas interações anteriores nunca foram tão fortes e agora que sabia exatamente o gosto das suas glândulas, o mel perfeito escondido em sua pele, fiquei me perguntando que força teria para me manter afastado dela.
Meu fracasso começou depois de alguns segundos, ao me olhar no espelho e ver o modo enlouquecido da minha aparência, meus olhos estavam injetados e minha mandíbula chegou a estralar com a força que fiz para manter meus desejos sobre controle.
O final da noite é um borrão terrível. Estava ciente que acompanhei minha gatinha até seu bicicleta, pedi desculpas por meu comportamento. É fiquei longos minutos sozinho no estacionamento, olhando para o caminho que ela seguiu.
Tudo dentro do meu corpo gritava que vê-la se afastar era errado. E a minha incapacidade de controle tomou o melhor em meu comportamento.
Por isso, no instante que senti meus dedos queimando foi que entendi que na minha subida de volta para o apartamento, em algum momento é descontrole dos instintos alfa, devo ter socado uma parede, pois agora carregava comigo, dedos sangrentos e uma provável cicatriz em minhas juntas.
Mas a dor foi benéfica, ela me ajudou a colocar meus pensamentos em ordem.
Quando entrei no apartamento que divido com meu irmão, o encontrei confortavelmente sentado em nosso sofá, duas pizzas grandes abertas ao seu lado, enquanto ele mastigava preguiçosamente uma fatia.
— Você é um idiota, sabia? — O escutei dizer com um sorriso sarcástico, típico de Dylan. — Mas, não se preocupe, eu sei o que esta acontecendo aqui, então, você pode ficar tranquilo. Não vou contar o seu segredinho para ninguém.
Antes que eu pudesse me irritar com suas piadas, e não me interessando nenhum pouco no que ele tinha a dizer, me afastei para o banheiro e comecei a cuidar do meu corte, minha mão ardia severamente, mas não é nada comparado com o que acontecia dentro de mim, ao continuar a sentir o perfume de Emma em todo o meu apartamento.
Isso é uma doce tortura.
— Sabe, eu nunca suspeitei que você cairia assim. — Sua voz me seguiu e me irritava terrivelmente. — De todos os fodidos Hunters, você é uma verdadeira surpresa.
Não pude evitar que um rosnado irritado sai-se de mim.
Eu nem me importava mais com o meu machucado. Já estava com vontade de estourar alguma coisa com os meus punhos.
Dylan estava me provocando. Eu sabia que estava. Ele queria me ver perder o controle, ou assumir coisas que nem sequer cheguei a refletir.
Conheço o seu jogo, então decidi que não iria entrar nele.
— O mais engraçado é que não posso te culpar, é difícil resistir a uma Ômega tão doce. — Escutei Dylan continuar a vomitar coisas que não queria ouvir. — E também sei que decidimos não foder com nenhum Ômega mas, Deus todo poderoso, Emma Carter ajoelhada com aquela bunda perfeita dela no ar, é algo impossível de ignorar.
Sem nem mesmo notar meu movimento, me virei e vi que meu irmão estava agora encostado no batente da porta do banheiro, sua postura solta, enquanto mastigava mais um pedaço de pizza.
Suas palavras acordaram algo selvagem em meus instintos Alfa.
Ele está me provocando. Me forcei a pensar de forma mais coerente, não queria atacar meu irmão, e me tirar do sério é algo que Dylan adora fazer.
— Emma é muito boa, ela não fez aquilo de forma deliberada, você sabe o quanto ela se abstém da presença Alfa. Será que algum outro Alfa já a fodeu de forma tão podre que agora ela já não quer chegar perto de nenhum de nós? — Sua pergunta me irritou mais que tudo, pensar em outro homem com as mãos na minha gatinha, queimou meu sangue, gerando violência.
E sei que estou sendo um tolo. Emma é virgem, nunca permitiu nenhum homem em seu corpo.
A satisfação dessa descoberta ainda agita meus sentimentos possessivos. Sou uma coisa patética.
— E o cheiro da excitação dela, enquanto você chupava a glândula em seu pulso...- A voz de Dylan foi se misturando com um forte gemido de necessidade. — Eu não fazia ideia de que uma mulher poderia cheirar assim. É impossível não me imaginar pegando ela de quatro e a fodendo com tanta força, até que...
Algo dentro de mim quebrou ao ouvir sua confissão. Nem percebi que agi, até ter meu punho na parede ao lado do rosto do meu irmão, em um piscar de olhos segurei sua camiseta em minhas mãos, apertando o tecido e o forçando a me encarar, enquanto um rosnado assustador escapava entre os meus lábios.
Estava fora do controle e não conseguia me importar com isso.
— Ela é minha! — Rosnei em seu rosto. Todo o meu corpo gritava que devia proteger meu Ômega.
Dylan não se moveu, apenas me encarou seriamente.
— Eu sei. Estava te provocando. — Suas palavras eram seguras, enquanto seu cheiro transmitia verdade.
Ainda levei alguns instantes para me acalmar e por fim soltar meu irmão.
— Porra, Dylan. Não fode com a minha cabeça, eu não quis dizer o que disse. — Tentei me explicar. Pois agora que as palavras saíram de meus lábios, senti o mundo girar veloz ao meu redor.
— Sim, você quis. Você está territorial desde o momento que colocou os seus olhos nela. Eu já vi você interagindo com outras mulheres Ômega, porém você sempre manteve uma distância, e eu entendo o porque. — Dylan começou a discursar, tentei ignorar o que ele dizia, entretanto, sua voz penetrava profundamente em minha mente.
— Mas, Kane, você não é nosso pai, não importa o quanto você acredite que seja, e Emma é mais durona do que aparenta.
— Pare de falar besteiras, isso não vai acontecer. — Resmunguei o mais poderoso que consegui. Tenho que proteger Emma, sei que sou a pior coisa que pode acontecer para ela.
— Já está acontecendo, seu idiota. E acredito que ela também tem sentimentos por você, Emma nunca cheira a excitação, eu já a vi conversando com outros Alfas, nem mesmo o meu cheiro a desperta. Mas, toda vez que você aparece, ela floresce em excitação Ômega, respondendo ao seu cheiro Alfa.
— Cale a boca, porra. Eu não quero ouvir isso. — Voltei a rosnar para ele. A verdade é que meu irmão está errado, sou muito destrutivo para impor a perfeita Emma, minha presença.
— Aposto tudo o que tenho que vocês são um daqueles raros pares altamente compatíveis, e você já deve ter notado isso também. — As palavras de Dylan me assustaram tremendamente.
Pares altamente compatíveis são muito raros, a dinâmica Alfa e Ômega nessas relações são mais fortes que o normal, e esse tipo se relacionamento e a forma com que surgem ainda são estudados pela ciência A/B/O.
— Você enlouqueceu. — Rosnei para meu irmão, meus olhos seguiam o seu rosto expressivo, enquanto ele insistia em algo que não queria me aprofundar.
— E você está se acasalamento com Emma. E o pior de tudo é que finge que não está acontecendo, ignorando o melhor presente que a vida pode te dar, e causando dor para vocês dois. — Suas palavras criaram um inferno dentro de mim. Senti gelo e terror correr em minhas veias. — O que você vai fazer quando ela entrar em calor? Ou quando algum outro Alfa decidir investir?
Antes que Dylan continue seus questionamentos, me afastei dele, praticamente correndo para fora do apartamento, ainda estava destrancando a porta de entrada quando sua voz volta a me atormentar.
—Você não vai conseguir fugir para sempre. Não depois de perfuma-la tão forte...
Fui deixando a voz de meu irmão para trás, quando meus passos apressados me levavam para longe do apartamento.
Minhas glândulas de feromônios coçavam irritadas, enquanto eu caminhava para a noite fria. Meus pensamentos giravam nos últimos acontecimentos, tentando por em ordem o inevitável.
Nos dias que se seguiram, eu a vi de longe, sempre distante no campus, e não me permiti chegar perto.
Estamos acasalando? Ainda me pergunto internamente, todos os dias, depois daquela noite. Meus instintos Alfa ronronam de prazer, a cada nova manhã, com a perspectiva e meu cérebro se enche de terror em pensar que pode ser verdade.
A verdade real é que está cada dia mais difícil me manter afastado de Emma. Não poder tocá-la, ouvir o som suave e melodioso de sua voz, beijar aquela boca esperta e prover para seu conforto e proteção, estão me deixando cansado e ansioso.
Ainda não sei o que fazer, mas vou descobrir algo.
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