Notas iniciais
Olá pessoas, Gostaram do primeiro capítulo? Decidi postar o segundo para animar vocês!!! ;**

Um mês atrás

— Mas, você nem tenta. — Bry me diz de forma exasperada. — Estamos aqui à dois anos e você não teve nenhum namorado. Isso é quase um sacrilégio para a sua vida acadêmica. E não ouse usar a desculpa da designação. A universidade serve justamente para isso, conseguir um diploma e transar com gostosos do time de futebol.

Escutar as palavras da minha amiga me faz rir. Brigitte sempre me diverte. Ela é tão autêntica e dramática. A rainha do clube de teatro.

Bry tem uma linda pele negra, seus olhos chocolate são grandes e expressivos. Seus cabelos crespos, tem um charme invejável. Ela é cheia de alegria, não sei porque nos tornamos amigas, eu sou tão diferente dela, talvez tenha sido por ela ser uma das poucas Betas que aparentam estar seguras e contentes com a sua designação.

Minha pele pálida não aguenta uma manhã de sol sem ficar vermelha, meu rosto então, uma infinidade de sardas cobrem as minhas maçãs do rosto, bochecha, testa e nariz.

Quando criança eu as odiava, principalmente quando me chamavam de dálmata ou diziam que eu não tinha me lavado direito.

Na adolescência foi um pouco melhor, e agora as pessoas não comentam nada, algumas ainda me encaram e eu noto os seus olhos seguindo as minhas sardas, mas já estou acostumada com essa situação. Fico mais incomodado quanto percebo alguém tentando farejar o meu odor ômega.

Meus cabelos são bem cacheados e tenho orgulho deles. Adoro o volume a o modo com que os cachos moldam o meu rosto.

Entretanto, sou incrivelmente ordinária se comparado a Bry. Se eu não possuísse a designação que tenho, provavelmente nenhum homem do campus me olharia duas vezes.

Acredito que possuímos um humor muito parecido, assim como vários traços da nossa personalidade.

A grande diferença é que Bry é bastante comunicativa, ela é capaz de puxar uma conversa com qualquer pessoa, logo, tem muitos amigos.

Bry também possui um radar para encontrar namorados bem melhores do que Lisa, minha colega de quarto, todavia seu coração parece ser impenetrável.

— Não tenho interesse em nenhum cara dessa universidade. — Afirmo depois de dar um grande gole no meu achocolatado.

— Esses dias eu vi Luke Turner olhando para a sua bunda, sabe, naquele dia que você estava com seus Jeans de cintura alta. — Bry diz com os olhos brilhando. — Ele é um tesão, você deveria investir.

— Ele é jogador de futebol e Alfa. — Digo como se isso explicasse tudo.

— Melhor ainda, você viu o corpo que ele tem? Eu sei que não tenho o seu super olfato, mas ele deve cheirar muito bem. — Minha amiga insiste, seu sorriso sonhador parece iluminar o quarto todo.

— Ele é lindo, mas não faz o meu tipo. Não quero me envolver com nenhum Alfa, isso destruiria meus planos acadêmicos e de carreira. — Respondo depois de um suspiro prolongado.

Nesse momento Brigitte também suspira, mas o seu suspiro é de frustração.

— E qual seria o seu tipo, senhorita "Homens malhados e gostosos não fazem o meu tipo"? — Bry insiste ao me lançar um de seus olhares cruéis. — É você está sendo dramática.

— Eu não estou sendo dramática e nunca disse que homens malhados e gostosos não fazem o meu tipo, eu disse que Luke Turner não faz o meu tipo. — Explico ao também lançar um dos meus olhares de "não enche". — E não, ele não cheira tão bem assim, pelo menos não para mim. E sim, eu não sei qual é o meu tipo, mas apenas um corpo malhado e um rosto bonito não me conquistam.

— Nossa, como ela é exigente. — Bry me alfineta e logo fico brava.

— Isso não é ser exigente e você sabe disso. — Retruco mal humorada. — Eu não me importo com a aparência física, desde que o homem tenha, não sei, intensidade ou paixão. E é pedir muito que o cara não seja um maldito Alfa?

— Entendi, você gosta dos caras complicados. — Ela me diz ao continuar a me alfinetar. Agora Bry está sendo má apenas para me irritar.

— Não, eu não gosto de homens complicados, e tudo o que eu não quero é problemas, você me conhece. Mas, se for para ficar com alguém, espero que a pessoa tenha uma profundidade maior do que uma colher de chá. Sem contar que namorar requer uma atenção e disposição que no momento eu não tenho. E para um Ômega as coisas não são tão fáceis.

— Quem disse alguma coisa sobre namoro? Eu quero dizer sexo, Emma. Uma foda gostosa e quente que te deixe suspirando de prazer. — Bry demanda com gestos expressivos, o que me faz rir. — Você não precisa namorar o cara ou se acasalar com ele, apenas receber alguns orgasmos.

— Eu não sei fazer isso, não consigo ser tão atirada e desinibida. Ou esquecer que meu cheiro vai influenciar qualquer esquisito por ai. Eu nem ao menos sei fletar e você quer que eu chegue em algum cara e pergunte se ele pode me dar alguns orgasmos. Desculpe Bry, mas não vai rolar. — Explico o melhor possível.

E falei sério quando disse que não sei flertar, é ridículo até mesmo tentar. E tenho receio de meu cheiro influenciar algum cara, o pior é que quando tento flertar me enrolo toda e tudo acaba em desastre no final. Eu não sou tímida, e não tenho problemas em conversar com as pessoas. Porém, não fui feita para jogar esse tipo de jogo. Devo admitir que o mais importante é que quero que alguém me queira por mais do que meus ferormonios ômega.

Sim, também sou sincera em dizer que tenho problemas de confiança, mas depois do que vivi, não existe outra forma de existir, seria como não ser quem sou.

— Você é frustrante, Emma. E ficar sozinha por tanto tempo não faz bem, eu me preocupo com você. E Emma, você nem ao menos tenta, apenas estuda e trabalha. — A confissão de Bry doe em meu coração, quero dizer para ela que gosto da vida que tenho e que ficar sozinha não me incomoda, porém estaria mentindo para ela. Meu cérebro ômega carente, insiste em martelar na solidão.

Eu quero encontrar alguém, me envolver, amar, ronronar plenamente nos branços de um homem, que vai me amar além da minha designação. Viver toda essa coisa romântica, quem não quer amar e ser amado?

Entretanto, não sei ser assim. Para mim é difícil confiar em um homem o suficiente para me entregar, principalmente os Alfas, que deveriam me fazer sentir segura e protegida. Tudo é tão complicado.

— Que tal isso, vou tentar encontrar alguém. — Falo para a minha amiga. Meu chocolate quente, já esta frio em minhas mãos e não tenho mais vontade de continuar tomando.

— Desculpe, Emma. Porém, Samuel e eu concordamos que não é o suficiente. Nós dois vamos te arranjar alguns encontros. — Ela me diz com olhos espertos e um sorriso feroz.

Me sinto muito traída nesse momento. Samuel, meu amigo Beta, deveria ficar do meu lado.

— Não, Bry. Por favor. — Imploro com meu peito gelado de expectativa. — Quando é que eu vou ter tempo de sair em encontros?

— Nós vamos encontrar alguns horários. — Bry continua a sorrir de forma feroz. Tentar dissuadir Brigitte de fazer algo é igual tentar afastar a lua a orbita da terra.

— Você é insuportável. Te odeio. — Digo com um suspiro cansado.

— Eu também te odeio. — Bry diz ao me abraçar apertado e me dar um longo beijo na bochecha. — Esse semestre vai mudar a sua vida para sempre. E não fique preocupada. Vou encontrar alguém bem intenso e profundo para você.

—Nenhum Alfa, por favor. — Peço já resignada.

Não posso deixar de rir com a sua frase, na verdade, nós duas caímos em um ataque de riso, depois do meu único pedido.

Bry e eu passamos uma boa parte da tarde conversando, mas conforme a tarde ia se alongando tive que avisa-la sobre a aula de monitoria que eu aplicaria para uma aluna beta de primeiro ano.

Então, minha amiga foi para o seu próprio dormitório e eu enfim pude me arrumar para encontrar a garota. A noite não estava tão fria, então coloquei uma meia preta de lã, um vestido vermelho e um casaco leve preto. Resolvi deixar os meus cabelos soltos, já que o aperto das presilhas sempre me incomodava.

Passei uma maquiagem suave, a que eu sempre usava. Que consiste em um batom neutro, delineador e máscara de cílios.

Não demorei em pegar minha mochila, meu celular e correr para pegar minha Blue.

Antes do início desse semestre juntei o suficiente para mandar a minha bicicleta querida para uma nova pintura.

Agora, blue exibi um azul tão lindo. Sua cesta branca está um charme. sendo o meu principal meio de transporte aqui na universidade, Blue é muito importante para mim.

O início da noite estava particularmente claro, então não demorei em começar o trajeto até a casa de fraternidade onde a aluna morava. Logo, coloquei Amy Winehouse para tocar e segui o caminho já conhecido.

Já estava muito próxima de chegar a fraternidade da aluna que eu daria aula, quando ao pedalar por um cruzamento fui surpreendida por um forte clarão de um farol de carro.

Algum imbeciu estava dirigindo acima do limite de velocidade do campus. Para não me chocar de frente com o carro, tive que desviar Blue para a esquerda de um encampado cheio de pequenas pedras no solo. Com isso, acabei me desequilibrando da bicicleta e ao cair com força, rolei algumas vezes no chão.

Tudo isso aconteceu em questão de segundos. Mas, durante o acidente vi tudo em uma espécie de câmara lenta.

Foi aterrorizante, todavia depois do susto inicial, fui tomada de um torpor estranho. Acho que o surto de adrenalina em meu corpo me deixou um pouco tonta e levemente ofegante.

Eu estava no processo de me levantar quando senti braços fortes puxar o meu corpo, primeiro sentada e depois em pé.

Um par de olhos castanhos me encaravam cheios de terror, enquanto a expressão forte de um homem me encarava intensamente.

Nós não falamos nada um para o outro, apenas ficamos nos encarando, ambos carregando expressões assustadas. E foi naquele momento que senti o mais maravilhoso cheiro Alfa, que me deixou levemente tonta de surpresa, prazer, desejo e medo.

Os braços fortes do homem na minha frente continuavam a me segurar e por alguns segundos senti que era somente isso que me mantinha em pé. Sua força e seu cheiro. Foi assustador. Principalmente no instante que senti algo acordar e ronronar dentro de mim.

Não sei quanto tempo ficamos nesse troca de olhar, mas quando dei por mim, pude notar uma infinidade de coisas. O mundo a minha volta estava mais uma vez vivo. Enquanto olhos ferozes e cheios de algo primitivo me encaravam.

Com destreza me afastei dos braços que me seguravam e me lancei para longe do estranho sem nome. Não sei o que deu em mim, apenas que meu corpo foi tomado por sentimentos conflitantes, e no mesmo momento senti que meu corpo estava começando a mandar sinais de dor. Mas ao olhar para o carro parado na estrada, sua porta ainda aberta, o estranho ao meu lado e minha Blue jogada de qualquer jeito no chão de grama e de pedras, fui tomada por uma raiva fervente.

Alfa estúpido. Pensei irritada.

Sem preocupar comigo. Corri para verificar o estado da minha bicicleta. Fora alguns arranhões na tinta nova, Blue parecia intacta. Minha mochila continuava presa a cesta branca. Nada parecia seriamente danificado.

Ao que parece, levei o pior do acidente.

— Acabei de chamar uma ambulância. — Ouvi uma voz dizer ao se juntar aonde o estranho e eu estávamos parados.

Um cara incrivelmente lindo vinha rapidamente em nossa direção, sua expressão assustada ao guardar um celular no casaco me indicavam que ele também estava no carro que quase me matou, e pior, quase destruiu minha bicicleta.

Imediatamente fui tomada por outro odor Alfa, esse também muito agradável para os meus sentidos Ômega. Mas, nada tão delicioso quanto o primeiro.

— Era você que estava dirigindo? — Minha voz gelada foi para o primeiro estranho, aquele que tinha me pegado em seus braços, e que ainda me olhava com assombro nos olhos.

Ele apenas acenou afirmativamente com a cabeça quando eu o ataquei.

Eu nem ao menos percebi o meu movimento até sentir a palma da minha mão queimar, e a vermelhidão crescente no rosto do homem. Não sei de onde tirei força para afogar os instintos ômega e me levantar sobre um Alfa.

Em seguida os meus punhos estavam em seu peito. Tentei soca-lo o mais forte que consegui. Todo o meu treinamento em autodefesa foi esquecido pela selvageria da minha raiva.

Em nenhum momento ele tentou parar o meu ataque ou desviar dos meus golpes. Seus olhos assombrados me encaravam com puro assombro.

— Ei gatinha. — Fui subitamente afastada do objeto de minha raiva, por braços fortes que davam a volta em minha cintura e me puxavam para longe do alvo dos meus golpes. — Não bata no meu irmão.

— Seu desgraçado. Você quase me matou. — Grito para o foco da minha raiva. Ainda tento me soltar mais algumas vezes, porém começo a me cansar depois de mais algumas tentativas infrutíferas.

Minha revolta também começa a ceder. O que não gosto nenhum pouco.

Estou rodeada de odores Alfa, tão deliciosos para os meus sentidos. O que me confunde tremendamente.

— Você já pode me soltar. — Rosno para a cara bonito me segurando. — Não vou machucar seu irmãozinho.

Meus olhos ainda estão presos no homem a minha frente. E agora posso notar outros detalhes da sua aparência.

Ele tem tatuagens, muitas. E está vestindo uma blusa branca e calças jeans escuras. Sua aparência me lembra de James Dean, perigoso e delicioso. Seus olhos castanhos queimam nos meus, antes com assombro, agora com um fogo difícil de não notar. Suas narinas de expandem e sei que o ele está sentindo o meu odor Ômega.

Quando o cara bonito me larga eu me afasto de ambos e volto para onde Blue está largada.

Começo a me afastar quando sinto uma mão grande e quente segurar o meu braço.

— Espere, você está machucada e sangrando. Deixe-me te ajudar, chamamos uma ambulância. — O Alfa tatuado me diz, e me surpreendo com a profundidade da sua voz. É grossa e arranha nas sílabas, imediatamente me sinto desconfortável de um jeito diferente.

— Eu não quero nada de vocês dois, me deixem em paz. — Forço o meu braço de seu agarre e abaixo para colocar Blue em pé.

— Eu não fiz de proposito, porra. Você apareceu do nada. — O tatuado parece irritado agora. O que deveria me fazer encolher, mas apenas inflama algo dentro se mim.

Antes de me afastar completamente, paro e tento melhorar o pior da minha aparência machucada. Vejo que esfolei a pele do meu joelho. E meu braço também tem um longo corte. Não parece ser fundo, mas possui um sangramento continuo.

— Porcaria. — Praguejo em voz alta, não olho para nenhum dos irmãos Alfa. Estou irritada e dolorida demais para qualquer coisa que não seja ir embora e me afastar dos odores fortes que eles exalam.

Nem sei como vou pedalar até o meu dormitório. Acredito que nada tenha quebrado em meu corpo, vou apenas ficar dolorida e arranhada por alguns dias.

— Ei baixinha, meu irmão está certo. Nos deixe cuidar de você. — O cara bonito pede ao se aproximar de onde estou. — Meu nome é Dylan Hunter, e este carrancudo ao seu lado é meu irmão, Kane Hunter. A ambulância já deve estar chegando.

— Não, ela não está. — Afirmo mal humorada. — O hospital mais próximo é no final da cidade, depois de quatro quilômetros do campus, seu irmão idiota quase me matou, então me deixem em paz.

Dessa vez não espero nada dos irmãos estranhos. Subo o acampado levando Blue comigo, quando chego na rua vejo que o carro deles chegou a derrapar na pista, as portas continuam escancaradas enquanto os faróis piscam indicando algum problema.

O Alfa tatuado me segue atentamente, quase esbarrando a pele de seu braço no meu. É impossível ignorar o seu cheiro. Seus olhos escuros estão cravados em mim, espiando meus machucados e a expressão de dor em meu rosto.

Em sua bochecha direita está a marca do meu tapa que ainda brilha escarlate, e por um breve momento, gostaria de ter batido com mais força.

Ignoro o gigante tatuado e seu irmão bonitinho e monto em Blue, sem olhar para trás deixo os irmãos perplexos aonde estão.

Tenho que trincar meus dentes por causa da dor em meu joelho. Pedalar não está fazendo nada de bem para a minha pele esfolada.

Estou dolorida e machucada, por isso pedalo mais lentamente que antes. A única coisa que me alegra é saber que minha Blue não sofreu um trauma pior.

Quando estou próximo a um segundo cruzamento noto que um Impala preto está bem atrás de mim. Quando percebo que os irmãos problemas estão me seguindo, fico extremamente irritada.

Por que Alfas são tão estúpidos?

Desse vez a irritação combinada com a dor dos meus machucados e contusões me faz ficar muito emotiva. O meu cérebro Ômega está começando a tomar conta. Tento muito segurar as lágrimas, mas é impossível. Ainda assim, faço o melhor para não me entregar ao choro.

Com irritação sinto uma humidade escorrer pelo meu rosto, porém finjo que não é nada demais. Agora que a adrenalina finalmente passou e não estou mais sufocada em odor Alfa, começo a me sentir assustada pelo que aconteceu. Se eu não tivesse notado os faróis cegantes a tempo e desviado a Blue para o acampado de pedras, certamente estaria dando meus últimos suspiros no asfalto.

Sinto o meu corpo inteiro tremer em resposta ao que aconteceu. Nunca passei por algo parecido antes, sou muito cuidadosa ao pedalar a minha bicicleta.

O carro dos irmãos problema para exatamente ao meu lado e sei que estou sendo vigiada de perto pelo Alfa tatuado.

Por um momento chego a pensar que ele deve estar tão assustado quanto eu. Mas o pensamento é logo afastado pelo meu lado perverso. Ele e seu irmão que se danem.

Continuo a pedalar do modo mais seguro que conheço. Mesmo em minhas lágrimas, ainda mantenho uma atenção extrema ao meu redor. Não quero ser pega de surpresa mais uma vez.

Antes de chegar nas ruas mais movimentadas do campus, vejo o meu caminho ser bloqueado por um Impala preto, enquanto um Alfa muito grande sai do banco do motorista e me faz parar quase que abruptamente.

— Escute aqui gatinha. — O escuto rosnar enquanto ele segura o guidão da minha Blue com força. Mais uma vez sou tomada por seu cheiro, o que acaba por impedir de continuar o meu caminho. — Eu não sei o seu nome, e posso fodidamemte jurar que não foi a minha intenção te machucar, agora você vai ser uma boa menina e entrar na porra do meu carro para que eu posso te levar ao hospital?

— Foda-se, Kane, porra. Deixe a garota em paz. — Escuto o alfa bonitinho sair do carro e correr para o lado do irmão. Os cheiros são muito fortes, e a irritação de ambos deixa o odor levemente amargo, é desagradável ficar perto de Alfas com raiva.

— Você não é meu dono, babaca. Não preciso te obedecer em nada.- Retruco de forma venenosa ao encarar os seus olhos escuros. Não vou abaixar a minha cabeça para nenhum dos dois, e para falar a verdade, mal percebo a presença do outro irmão. — Agora largue a minha bicicleta e se afaste, ou ao invés do meu dormitório. Eu vou direto ao prédio da reitoria e te denuncio por agressão.

Para a minha surpresa sinto uma mão grande e quente em meu rosto, e no mesmo instante meu corpo parece cantar com o seu toque, a coisa é extremamente surreal, mas não posso negar o efeito calmante que tem sobre mim, e me pergunto se isso é um sonho, realidade ou apenas o meu cérebro Ômega, fodendo comigo.

De acordo com a dor que sinto, a coisa é muito real.

É tudo fica ainda mais estranho quando escuto o seu peito vibrar com um ronronado profundo e masculino, típico de Alfa.

O meu corpo responde ao seu chamado e sem que eu consiga controlar, algo vibra dentro de mim, respondendo ao Alfa.

— Vamos lá Kane, você está assustando a moça. — Diz o irmão bonitinho ao segurar no braço do irmão.

Estou assustada, com raiva e provavelmente me sentindo acuada. Meus instintos Ômega estão batendo em mim de modo violento.

— Você está chorando, sinto muito passarinho, não quis te machucar, eu juro. — Sua declaração envolvida em um ronronado calmante de Alfa, mexe com meu cérebro ômega, enquanto sinto o toque de seus dedos tatuados enxugarem de modo delicado, às minhas lágrimas. — Me diz o seu nome, me deixa te ajudar.

Olho de esguelha para o irmão bonitinho e o vejo com uma expressão de descrença ao observar o seu irmão. Quando ele me olha, parece que viu um assombração em sua frente, seus olhos castanhos estão cheios de curiosidade ao me encarar.

— Quantas vezes tenho que dizer que não quero a sua ajuda. Eu não quebrei nada, ok? Estou apenas dolorida e irritada. Perdi sessenta dólares em uma aula de monitoria e quase morri. Minha noite não estar sendo nada boa, por isso agradeço se você se afastar. — Retruco ao me afastar de modo suave, das mãos tatuadas do homem parado em minha frente. O toque quente faz falta no mesmo momento, principalmente o seu ronronar calmante. Entretanto, ignoro essa esquisitice de sentimentos martelando em meu peito. Não serei dominada pela minha designação. — Eu não preciso da sua ajuda, cuido de mim mesma muito bem, então me faça um favor e fique longe de mim.

Quando volto a pedalar, dessa vez mais rápido, tenho que ignorar a dor latejante dos piores machucados.

Dessa vez não sou seguida pelo Impala preto, o que alivia algo em meu coração.

Não demoro em chegar no meu dormitório, mesmo machucada, tenho o cuidado de guardar a Blue no lugar de sempre, pegar minha mochila e subir para o meu quarto de dormitório.

Tenho a sorte de encontrar os corredores desertos. Ninguém espia o meu estado lastimável, o que me possibilita seguir mancando levemente para o meu quarto.

Lisa não está em lugar nenhum, deve estar com o novo namorado. Por isso tenho a privacidade de me cuidar sem alguém tagarelando a minha volta.

Tomo um banho demorado apenas para tirar o cheiro Alfa dos irmãos.

Para a minha sorte, meu celular está intacto dentro da mochila, já o fone de ouvido foi quebrado no meu impacto com o chão.

Xingo por vários segundos. Principalmente quando tenho que passar antisséptico nos ferimentos.

Estou um bagaço, toda roxa e com arranhões. Demoro uma eternidade para desembaraçar os meus cabelos.

Quando penso nos irmãos tenho vontade de socar alguma coisa, gritar e chorar. A raiva já está diminuindo dentro de mim, dando lugar ao constrangimento de ter me rendido ao pior lado do meu temperamento e ter cedido a agressão. E não me permito pensar na minha resposta aos seus ronronados.

O que diabos ele pensou que estava fazendo? Você não ronrona para pessoas desconhecidas, é falta de educação.

Por mais que o homem tatuado mereceu, eu não devia ter batido nele. Não sou esse tipo de pessoa, e agora me odeio um pouco por ter surtado.

A única coisa que desejo é nunca mais encontrar os irmãos. Quero esquecer que essa noite aconteceu.

Quando enfim durmo, depois de tomar algumas pílulas para dor e aumentar discretamente a minha dose de supressores, não quero nunca mais responder a nenhum tipo de ronronado Alfa, tenho os mais estranhos sonhos. Acordo várias vezes durante a madrugada e me sinto mais solitária do que nunca.

Notas finais
Não esqueçam de me deixar amor, isso faz toda a diferença!! Até a próxima semana. ;)