Notas iniciais
Muito obrigada pelos comentários. Fiquei muito feliz com a recepção da minha história. Segue mais um capítulo para vocês!

Um mês atrás

Para meu horror encontro os irmãos dois dias depois. Ambos estão olhando um grande quadro de avisos com um bando de animadoras de torcida sorridentes, todas muito solicitas em ajudar os novatos.

Betas e seus sonhos impossivelmente românticos. Penso ao soltar um suspiro descontente.

E sim, é difícil não descobrir que ambos são alunos de transferência, quando tudo o que as mulheres desse campus comentam é sobre isso.

Tentei evitar ao máximo escutar qualquer coisa relacionada a eles, mas foi impossível. Até mesmo Bry comentou sobre eles.

Dos boatos que escutei, mesmo sem querer, confirmavam que ambos não eram apenas irmãos, eles eram irmãos gêmeos, e isso me chocou um pouco. Ambos são tão diferentes. Mas, não precisei ouvir nada sobre ambos serem Alfas, meu nariz confirmou isso na noite em que quase morri atropelado por eles.

Dylan Hunter, o Alfa bonitinho tem cabelos loiros e olhos sorridentes, seu físico atlético quase fez com as lideres de torcido jogassem suas calcinhas nele, e seu sorriso de lado apenas o deixava ainda mais lindo, ao contrário do irmão ele pouco usava roupas escuras.

Kane Hunter, o gigante tatuado que agredi, é muito diferente do irmão em relação ao estilo, sempre usando roupas escuras e uma jaqueta de couro preta, ele era uma visão. Principalmente as muitas tatuagens que cobriam o seu físico forte, ele é o homem mais tatuado que já vi. Seus olhos castanhos profundos gritam perigo, e isso apenas serve para lançar em seu caminho uma enxurrada de universitárias Betas sedentas por sexo fácil.

Quando você coloca os irmãos um ao lado do outro, as semelhanças ficam mais nítidas.
Ambos aparentam ter a mesma altura, suas mandíbulas são fortes, a cor de seus cabelos também é da mesma tonalidade de loiro sujo, embora o corte de cabelo seja diferente. Acredito que o traço mais parecido seja o sorriso, ambos possuem sorrisos predatórios. E exalam aquele orgulho Alfa típico da sua designação.

Por algum motivo, que não consigo explicar, comecei a ter um desconforto na presença dos dois, principalmente do cheiro. Por isso, e já sabendo que os irmãos problema estão estudando na mesma universidade que eu, passei a evitá-los a todo custo.

Mas não demorei em notar os olhos de Dylan me seguindo quando eu pedalava para cumprir meu turno de trabalho.

Eu ainda tive cerca de duas horas de tranquilidade organizando pilhas e pilhas de livros, quando o outro irmão entrou na biblioteca.

A primeira coisa que me atingiu foi seus feromônios, mesmo estando em um lugar infestado de outros odores. Depois a visão deliciosa dele.

Kane estava lindamente vestido em uma camiseta branca simples e jeans escuros. Parece que esse era o seu uniforme básico para a vida. Meu turno na biblioteca servia apenas para guardar a bagunça feito pelos estudantes e organizar os diversos setores.
Eu não atendia aos alunos, não fazia nenhuma pesquisa. Se o estudante tivesse esse tipo de interesse, ele deveria buscar um computador de busca ou perguntar para alguma das bibliotecárias presentes.

Ainda assim, não posso deixar de dizer que meus olhos queimaram na figura de Kane Hunter. Para não correr o risco de encontrá-lo preferi ir ao estoque da biblioteca, onde ficavam armazenado os livros de cortesia, e o acervo morto.

Ninguém entrava no estoque a não ser que não tivesse opção, até as bibliotecárias se mantinham afastadas . O lugar era escuro, cheio de caminhos estreitos e tão cheio de pó que mesmo uma pessoa sadia, sai de lá com problemas respiratórios. Era uma tortura para o meu olfato.

Não sei se Kane reparou na minha saída sorrateira, e tentei não me importar com o fato de ficar espirrando a cada poucos minutos dentro da estoque.

Passei quase um quarto de hora organizando livros de filosofia. Até separei uma pequena pilha de livros para voltar ao setor de estudo e pesquisa da biblioteca.

Foi um alívio sair do confinamento empoeirado. Mas, foi ruim dar de cara com Kane em uma mesa próxima. Ele estava sentado todo largado em uma das mesas laterais. Entre duas fileiras grandes de livros de matemática. Em suas mãos havia um livro de direito constitucional, ele estava aparentemente concentrado na leitura.

Assim que coloquei meus pés para fora do estoque, seus olhos predadores me encararam com firmeza. Tentei muito ser o mais natural possível, mas foi desconfortável fazer meu trabalho com seus olhos me seguindo. Os seus feromônios dominavam os outros.

Tinha que ser esse Alfa? Não podia ser o bonitinho que todos chamavam de Dylan?
Aquele não me olha com tanto desprezo.

Como ainda tinha algumas horas de trabalho, tive que aturar os seus olhares carrancudos. Em algum momento fiquei me perguntando se eu estava muito horrorosa, será que minha roupa estava rasgada ou manchada de comida?

Eu sei que tomei meus supressores de modo correto, então o pior do meus feromônios estava controlado. Meu cheiro não devia ser a causa disso.

Em uma pequena pausa, fui ao banheiro e chequei minha aparência. E nada estava errado comigo, meu vestido amarelo claro era de um tecido leve e solto, preso por uma fileira de pequenos botões, também na cor amarela.

Meu cabelo loiro escuro estava preso em um rabo de cavalo alto. Minha maquiagem era a mesma de sempre, rímel, delineador em formato de gatinho e batom nude rosado.

Hoje, eu ainda estava usando meus óculos de descanso, os mesmos que uso para estudar quando sei que estou forçando a minha vista.

Kane deve estar me encarando por outro motivo. De repente meu corpo todo fica gelado quando me pego pensando que deve ser pelo tapa que lhe dei. Ele deve me odiar por isso.

Encosto o meu corpo na pia do banheiro e suspiro alto quando me lembro da marca vermelha dos meus dedos em seu rosto.

Eu estava tão possessa de raiva que apenas agi, não pensei. Em minha defesa ele quase me matou atropelada com aquele carro infernal.

É isso, Kane Hunter veio direito do inferno me atormentar. Ele é Hades, belo e terrível.
Volto a suspirar quando me forço a sair do banheiro.

Estou voltando para minha pilha de livros para organizar e guardar quando sou surpreendida por braços que envolvem a minha cintura por trás e me giram rapidamente, por alguns segundos vejo tudo rodando enquanto meus pés saem do chão.
Quando olho para trás me pego em surpresa e alegria ao ver que quem me abraçou foi meu amigo Beta, Samuel Clark.

Imediatamente e sem pensar em mais nada, passo os meus braços pelo seu pescoço e me esforço em esmagá-lo em um abraço de urso.

Samuel me abraça também e por alguns momentos meus problemas somem e sou novamente Emma Carter, uma ômega estudante e anônima.

— Sam, que saudade.- Expresso meus sentimentos ao meu amigo. Bry e Sam são meus únicos amigos neste campus, eu não sei como, mas ambos ultrapassaram as minhas barreiras mais profundas e hoje os considero insubstituíveis.

— Eu também Em, Nova York é uma porcaria nessa época do ano, meus pais mal ficaram em casa pelos diversos compromissos, então fiquei perambulando pelas grifes, aliás, te comprei um presente lindo. — O seu cheiro Beta é escondido pelos perfumes caros que usa. Esse é o Sam que conheço, um tagarela de primeira. — minha nossa Em, o que aconteceu com o seu braço?

Imediatamente noto seus olhos azuis brilhantes de preocupação nas ataduras em meu braço. A queda não me quebrou nada, entretanto, fiquei com a pele bem esfolada em alguns lugares. Por isso precisei cobrir o pior dos arranhados com medicamentos e uma tala leve.

— Nada demais, apenas cai da Blue. — Disse dando de ombros ao encobrir o meu acidente. Com a popularidade dos gêmeos crescendo desenfreada dentro do campus, não quero ser associada a nenhum deles.

— Você e essa sua insistência com esse veículo do século passado. Se você quiser vou ter prazer em esmagar aquela sucata velha, passo com meu carro por cima em dois minutos. — Samuel me diz ao afastar, muito delicadamente algumas mechas de cabelo que estão pendendo no meu rosto.

— Não ouse fazer nada disso ou vou partir para agressão. Você pode ser grande, mas eu sou ruim. — Afirmo ao sorrir para ele. Sei que Samuel seria incapaz de fazer algo tão drástico com a minha Blue. Ainda assim, ele gosta de me testar.

— Me diz quem é o gostoso que está nos encarando naquela mesa ali. — Samuel me sussurra. Seus olhos espertos brilham de interesse.

Não preciso olhar para trás para saber exatamente de quem ele está falando. E mesmo sem querer acabo por me virar e olhar para onde Samuel me indicou.

Os olhos de Kane me encaram intensamente, não demoro dez segundos para voltar minha atenção para meu amigo. Não quero saber nada de tatuados grandes e com olhar malvado.

Eu não sei porque ele insiste em me encarar com raiva em sua expressão. Ele tem sorte de eu não tê-lo denunciado na reitoria.

— Não faço a mínima ideia. — Digo, e não posso dizer que minto, afinal, sei tão pouco sobre os gêmeos problema, que afirmar que não tenho ideia de quem eles sejam, não é nem de longe uma mentira.

— Ele é gostoso. — Samuel retruca em um sorriso sofrido. — Pena que é hétero.

— Como você sabe que ele é hétero? — Pergunto curiosa ao me voltar para os livros e tentar me distrair da curiosidade gritante.

— Acredite Em, eu sempre sei dessas coisas. Preciso apenas de um olhar para saber a verdade. — Sua declaração é cheia de certeza o que me faz rir imediatamente.

— Então, o seu Gaydar nunca falha? — Pergunto de forma presunçosa. Até coloco uma de minhas mãos da cintura e inclino a minha cabeça em divertimento.

— O meu o quê? — Samuel questiona ao sorrir.

— Gaydar, sabe? Gay com Radar, um Radar de Gays. — Explico ao sentir minhas bochechas queimarem.

No mesmo instante vejo Samuel inclinar a cabeça para trás e gargalhar ruidosamente, enquanto me puxa para outro abraço.

— Gaydar? Isso foi a coisa mais engraçada da minha semana. Em, me prometa que não vai mudar. — Ele diz sorridente e em seguida me da um beijo estalado na bochecha, o que me faz rir. Samuel é o tipo de pessoa carinhosa, que gosta de tocar e acarinhar.

Nosso momento é interrompido quando escutamos uma voz grossa bravejar dentro da biblioteca, seguida por um forte odor de raiva.

— Eu disse para sair da minha frente, porra. — Me sinto arrepiar no mesmo momento, ao encarar um Kane Hunter bem bravo ao quase lançar um calouro Beta cheio de livros para fora do seu caminho no corredor de saída da biblioteca.

Posso ver apenas suas costas largas e sua postura orgulhosa ao praticamente forçar o garoto para longe de seu caminho.

Ainda em silêncio o vejo ir embora com passos decisivos.

Algo dentro do meu corpo grita para que eu vá acalmar o Alfa bravo. Ele precisa de mim.

Me assusto com esses pensamentos, com o instinto acordando tão subitamente.

— Oras, oras temos um selvagem aqui? — Samuel me sussurra ao ouvido. — O zoológico está completo agora.

— Viu como ele é arrogante? — Deixo a pergunta escapar dos meus lábios e me arrependo logo em seguida, meu cérebro Ômega ainda em conflito, então seguro na última exclamação do meu amigo e tento continuar a conversa desse ponto. — Quer dizer que você considera todos aqui animais em um zoológico?

— Oh, sim. Exatamente isso. Um grande zoológico cheio de macacos, galinhas e pavões, alguns crocodilos e muitas antas. — Meu amigo responde ao sorrir.

— Que tipo de bicho o novato é? Você disse um selvagem. Ele é o que, um leão? -Tento manter a conversa no humor, mas estou verdadeiramente curiosa.

— Não, ele é um lobo, um verdadeiro Alfa. Eu não o conheço, mas tenho a sensação de que ele é um grande lobo sedutor que parece ter um gosto por gatinhas.

Ainda sorrindo olho em volta e tento determinar quem das estudantes a nossa volta é uma gatinha aos olhos do meu amigo.

Existe uma morena bem bonita sentada com algumas outras alunas. Se eu levar a minha imaginação ao máximo posso colocá-la no perfil animal que Samuel determinou.

— E você é que tipo de animal? — Minha curiosidade é verdadeira ao encarar os olhos azuis de Samuel.

— Tendo o cabelo ruivo muitos diriam que sou um raposa, mas me vejo mais como um belo labrador. — Sua perspectiva de si é incrível. Realmente eu posso imaginá-lo sendo um labrador, um gigante amigável, curioso e cheio de carinho para o mundo.

— E eu? — Questiono toda faceira. Estou muito curiosa para saber que tipo de animal sou em sua imaginação.

— Oh, Em. Você é uma gata. Silenciosa, observadora, independente e um pouco arisca. — Ele me diz ao colocar um de seus braços pelos meus ombros. Me apertando em um abraço forte.

Fico surpresa com seu comentário sobre mim. Ainda mais quando coloco seu comentário sobre Kane ser um lobo propenso a gostar de gatinhas, e eu ser uma gata em seus olhos.

— Você já pensou em fazer Stand Up? — Digo ao fechar a minha expressão e me afastar de seus braços. — É sério, você tem talento. Essa coisa Alfa e Ômega não vai rolar.

Depois me afasto para continuar meu trabalho em paz. Samuel disse isso apenas para me irritar. Ele deve ter percebido a minha hostilidade em relação ao novo aluno. Já me disseram algumas vezes que sou péssima em esconder meus sentimentos.

Meu amigo não insiste no assunto, muito pelo contrário, suas perguntas agora são direcionadas sobre Bry, o que me alegra imensamente.

Naquele dia não vi Kane ou seu irmão problema em nenhum lugar. E mais uma vez fiquei aliviada. Passei uma tarde maravilhosa com meu amigo, depois do trabalho fomos comer alguma coisa e Bry nos encontrou no final do dia para assistir um filme no cinema na cidade.

Tentei muito não pensar em Kane Hunter, e em alguns momentos consegui afastá-lo de meus pensamentos.

Antes de dormir, meu coração foi tomado pela sensação esmagadora de que com a chegada dos gêmeos no campus, minha vida tranquila e anônima tinha acabado para sempre.

Eu apenas podia rezar para que tudo isso fosse somente uma sensação.

Notas finais
Gostaram? Por favor, me deixem amor, fico mais motivada!!