Deuses e Monstros
5 Yayo
Lana estava muito elegante, mas seu vestido seria até vulgar se fosse outra pessoa que estivesse o usando, ela era inocente e dócil forçando sensualidade.
Seus cabelos estavam platinados agora, o nariz corrigido, e ela tinha um modo de andar único que atraía a todos os olhares, os homens a desejavam e as mulheres agora queriam sê-la.
Insegura, jovem, bonita, a festa que seu agente deu em sua mansão era voltada para ela.
O presidente e sua esposa estavam, ela era muito bonita, mas os olhos dele estavam em Lana.
—Ei Lana, tenho alguém para lhe apresentar. – um milionário que conheceu Lana na festa depois de algum tempo de conversa disse.
—É mesmo ? – ela sorriu carinhosamente com uma taça de champagne caro entre os dedos.
—Venha comigo – ele disse
Lana andava um pouco desajeitada com aqueles saltos tão altos, e seu companheiro andava tão rápido a sua frente que ela quase caiu.
—Este é Arthur, e essa, Arthur, é a garota mais bonita que você provavelmente verá.
Lana sorriu tímida e estendeu uma mão para lhe cumprimentar, ele a abraçou.
—É bom depois de uma festa tão chata conhecer alguém tão bonita – ele disse gentil.
—Me deem licença, minha esposa está me chamando do outro lado do salão – o homem que havia os apresentado se afastou.
—Você já deve conhecer meu irmão...
—E quem seria? – ela sorriu tão espontânea
—Edgar Kennedy, o presidente.
—Ainda não tive a oportunidade.
Lana foi interrompida pela chegada do presidente, tão carismático.
—Você é muito bonita – ele a elogiou.
—Obrigada, ainda bem que nosso país é cuidado por alguém tão bonito quanto o senhor.
Ele sorriu.
—Vou lá fora fumar. Se quiser me acompanhar.
Lana e o presidente estavam com uma bela vista do mar, naquele terraço, e era uma noite muito agradável.
Ele lhe ofereceu o charuto e ela aceitou um trago.
—Então quer ser atriz... bonita assim até o céu lhe abriria as portas
Ela sorriu e ele a beijou nos lábios. Um pouco assustada ela se deixou levar.
...
“Querido diário;
Um dia recebi uma visita. Eu estava na sala de tv, vendo Lisa assistir televisão, quando Misty veio me avisar.
—Tem uma visita para você — ela disse – Um homem.
Não era meu pai, pois ele sempre vem todo mês no mesmo dia, assim com a menstruação... e nem eram meus namorados, já que fazia alguns dias que estava saindo com o presidente, o irmão dele e um fotografo... mas nenhum deles teria essa ousadia. Nem era meu agente, ele estava muito ocupado.
Ele estava de pé junto à janela, alto como uma girafa, ombros caídos, acadêmicos, pulsos aparecendo pelas mangas do paletó, cabelos claros. Ao me ver chegar, virou-se.
Era Thomas Paulson. Fiquei contente em vê-lo ali, pois ele descobrira o segredo da vida, e talvez agora me contasse qual era. E eu o conhecera em uma festa outro dia desses.
—Thomas! – exclamei.
Ele se aproximou levitando. Quando conversava com alguém, levitava, bastante e se anulava, e eu tinha simpatizado com ele exatamente por isso.
—Você está ótima – ele disse
—E você esperava o que? – perguntei.
Ele sacudiu a cabeça
—O que você faz aqui?
—Nada – respondi – Não faço nada.
—Isso aqui é horrível – ele disse olhando para o hotel.
A sala onde eu estava é uma parte bem decadente, era imensa, entulhada com gigantescas poltronas forradas com vinil, que peidavam quando alguém sentava.
—Não é tão ruim assim – afirmei. Contudo, eu estava acostumada, ele não.
Ele levitou de novo até a janela e olhou para fora. Após uma pausa chamou-me com um gesto comprido.
—Olhe – disse, apontando para alguma coisa.
—O que?
Aquilo ali – apontava para um carro, um carro esporte vermelho – É meu – disse
Como ele era dono de uma das maiores produtoras de filme do mundo, com certeza adquiriu pelo fruto de seu árduo trabalho.
—Bonito – observei – Muito bonito.
—Você pode ter um.
—Hã?
—Você pode deixar aquele filme bobo da qual está perdendo tempo e trabalhar para mim.
—Na sua produtora, você quis dizer? – Eu estava perplexa. Seria esse o segredo a vida? O Segredo da vida é trabalhar juto dos famosos e mais bem sucedidos – Eu não posso aceitar. – falei
—Claro que pode, e vai.
—Obrigada – respondi – obrigada por oferecer. É muita gentileza sua.
—Você não quer? Você pode se destacar, ganhar um oscar... ser conhecida em todo o mundo.
Durante cerca de dez segundos fiquei imaginando aquela vida que começava comigo entrando em um carro esportivo vermelho só meu, e sendo idolatrada pelo mundo todo, meu rosto em todo lugar. A parte de trabalhar para ele não me parecia clara. Aliás, nada parecia claro. As cadeiras de vinil, as produções de filme baratos e independentes, o anonimato: essas coisas, sim, eram claras.
—Eu quero – falei hesitante.
—Tudo bem. Mando um de meus lhe entregar o contrato depois.
Deu uma ultima olhada no hotel e sacudiu a cabeça.
Fiquei ali junto à janela. Minutos depois , vi-o entrar no carro vermelho e ir embora, o escapamento soltando baforadas. Em seguida, voltei para sala de tv.
—Oi, Lisa – falei. Era bom encontra-la ainda ali.
—Humm – disse ela.
Eu e ela nos acomodamos para ver um pouco mais de Tv.”
...
Lisa estava com Jim, enquanto ele jogava em um cassino e fazia suas apostas. Ela bebia e observava tudo avidamente, daria uma boa jogadora se se arriscasse, mas o dinheiro de shows em pubs estava acabando.
Observando seu interesse, Jim a colocou para jogar.
—Ei, não posso. – ela disse
—Não esquente.
Ela conseguiu ganhar muitas vezes, e ele sorriu para ela, seus olhos estavam diferentes, depois de algumas semanas, ele estava se apaixonando.
—O que acha de atirar?
—Não sei... – ela sorriu tímida.
—Vamos tentar.
Eles foram a um local de tiro ao alvo, e ele atirou algumas vezes, ele não era dos melhores, ela notou.
—Então, agora faça você... tente ser igual.
Ela pegou a arma nas mãos.
—Não tenha medo, querida... – ele disse – você consegue, é só colocar a mão aqui e.. – ele disse lhe mostrando e sua voz parou quando ela atirou o alvo em cheio.
Espanto em seu rosto.
—O que? – ela perguntou.
—Já atirou antes?
—Não – ela respondeu tentando não olhar nos olhos dele.
—É que me surpreendeu...
—Pura sorte. – ela disse.
No estacionamento de trailers, o céu estava muito estrelado e Jim usava regata, deixando seu braços fortes a mostra.
—Eu gosto da serpente em sua tatuagem... eu gosto da hera e da tinta azul.
Ele retirou um pacote de seu bolso.
—Cocaína...
—Você tem que me levar agora deste sombrio estacionamento para trailers... Coloque-me em sua moto preta, só leva duas horas até Nevada.
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