Allie nunca esteve em um hotel. Na verdade nunca tinha saído de Nova York. Desde seu encontro com Jason, ela não parará de andar: entrou em becos e ruas estranhas, assim como avenidas superlotadas, tudo ali a fascinava, então nem percebeu a distância. Só foi notar que tinha algo estranho com ela quando parou em frente à um hotel completamente colorido e com flores em led. A placa não dizia i nome do local, somente o grande letreiro escrito: HOTEL. Ela entrou, já estava anoitecendo e suas economias davam o suficiente para ela dormir naquele hotel.

Assim que entrou ficou maravilhada: um enorme salão escuro com luzes de led rosa pink espalhadas por todo o ambiente. Foi logo para o balcão, que ficava a uns dois metros da porta de entrega. A recepcionista vestia um terninho escuro (pelo menos Allie pensou que era escuro, não dava pra distinguir cores ali), cabelo bem preso em um coque. Foi logo se adiantando:

_Boa noite. Gostaria de um quarto.

_Boa noite, garota. Temos poucos quartos, mas é para uma ou mais pessoas? — ela perguntou olhando para além de Allie.

_Somente uma pessoa. Só eu.

_Certo — ela começou a digitar — sabe como é, as pessoas entram aqui e dificilmente saem. Esse lugar é muito bom — ela dizia sem tirar os olhos do computador.

_Uhum... — Allie concordou sem ao menos saber o porque daquele comentário — você num quer os meus dados?

_Allie Manson, dezessete anos. É tudo que preciso saber — ela sorriu.

Allie quase caiu no chão. Como ela sabia seu nome?

_Não fique assustada, querida, aqui nós sabemos tudo sobre nossos clientes. — ela se levantou e foi até um quadro de chaves que ficava atrás de onde ela sentava — quarto 198. Tenha uma boa estadia.

Allie pegou a chave meio atônita. Saia!!! Saia daqui agora!!! seu cérebro gritava sem parar.
Foi na direção dos elevadores e seguiu as instruções da recepcionista e logo já estava no seu andar. O corredor era a mesma coisa que o hall de entrada: escuro e com luzes de led pink. A recepcionista disse que estavam cheios, mas num vira ninguém nos corredores ou mesmo no elevador. Encontrou seu quarto, abriu a porta e seu queixo caiu com a enormidade daquele ambiente.

Era um quarto totalmente diferente do lado de fora, era claro, com cores brancas e pasteis combinando. No centro do quarto tinha uma cama gigante, tão branca como a neve. O carpete aos seus pés era bege e parecia ser bem macio. Uma cômoda estava posta a frente da cama, com o controle do ar condicionado em cima. Os criados mudos, um de cada lado da cama, tinha um lindo abajur, com uma luz amarelada fraca. O ambiente era aconchegante. A janela estava tampada por uma cortina de renda branca. Ao lado da janela tinha uma porta, Allie pensou ser o banheiro, então correu para lá, a primeira coisa que ela precisava era de um banho.

Entrou pela porta e estava certa, mas não completamente, o banheiro era extremamente luxuoso, com uma banheira de canto, uma pia bonita de mármore e decorada com lírios. O espelho era enorme. Sim, era estranho, mas Allie estava adorando aquilo. Então resolveu aproveitar.

***

Meia hora depois ela já estava de banho tomado e deitada na cama olhando para o lindo lustre que estava preso majestosamente no teto. Fechou os olhos e viu Leo Valdez sorrindo. Sim, definitivamente ela tinha se apaixonado por um estranho e em tão pouco tempo.

Alguém bateu a porta, tirando Allie de seu devaneio. Quando abriu a porta se deparou com um... garçom? Ele segurava uma bandeja, parecia um robô. Sua cara era pálida e usava um terno escuro, assim como a recepcionista, mas no lado esquerdo do paletó tinha uma flor, ela não sabia identificar qual o tipo.

_Entrega para a senhorita Mason — disse ele com um tom firme.

Allie se apressou a pegar a bandeja, não queria mais ficar na presença daquele homem, ele a incomodava. A bandeja era extremamente leve. Tinha um prato e uma cúpula de proteção acima dele. Ela se sentou na cama e puxou a cúpula e se deparou, meio decepcionada, com um bilhete dobrado, a letra cursiva escrita com seu nome, que estava fora do envelope, fez seu coração palpitar, sem saber o porquê.

Abriu o bilhete e quase não entendeu a mensagem... Na verdade não tinha entendido nada mesmo, mas ficou nervosa mesmo assim. O bilhete dizia:

"Cara, Mason.

Bem vinda ao hotel Lótus. Esperamos que sua estadia seja longa e muito produtiva.

Com carinho,
Calypso"

Quem diabos era Calypso? Allie não entendeu nada daquele bilhete, com certeza era algum bilhete da recepção ou direção do hotel. Mesmo nervosa com aquele bilhete esquisito, ela resolveu larga-lo no canto da comoda junto com a bandeja e voltou a deitar naquela cama fofa.

Acordou três horas depois, pelo menos ela achou que seria três horas, e se levantou. Aquele hotel era incrível e queria conhece-lo, por isso desceu até o térreo para explorar o local. Devia ter algum salão de jogos ou algo do tipo.

O hall estava vazio, assim como quando chegara. Foi andando para além da recepção e encontrou uma porta dupla de madeira escura, em cima tinha um letreiro luminoso escrito: Diversão na Certa.

_Quer algo mocinha? — alguém chegou por trás dela e a assustou.

Ela se virou e viu o rapaz que falava, ele era igualzinho ao cara que lhe entregará o bilhete, só que um pouco mais baixo que o normal. Ela se acalmou do susto e perguntou:

_Gostaria de entrar. Você é o segurança do local?

_Sim. Para entrar basta abrir a porta, senhorita — ele disse secamente.

Ela se virou e entrou. O salão era enorme, enorme mesmo. Com várias maquinas caça-niqueis e outros jogos, como vídeo game. Ela estava espantada, havia muitas pessoas naquele local. Um bar a esquerda estava lotado de... adolescentes? Sim, eram adolescente, e pareciam ter a mesma idade dela. Ela começou a caminhar por entre as pessoas e os jogos. Ela estava fascinada, agora aquela aventura estava começando a ficar interessante. Foi ao bar e se espremeu entre um garoto mais alto que ela e outro mais baixinho. Allie estava com a garganta seca. Quando conseguiu alcançar o balcão pediu um refrigerante ao barman que estava atendendo a todas as pessoas com agilidade que Allie jamais tinha visto. Seu refrigerante venho acompanhado com uma linda flor rosinha e amarela, ela olhou para o garçom querendo alguma explicação.

_Por conta da casa, mocinha. Para os iniciantes nesse local. — ele disse rapidamente, sorrindo, e logo saiu para atender os outros.

Allie então provou o refrigerante e deu uma mordiscada na florzinha que estava ao lado do copo. No momento em que mastigava aquele bolinho fofo, ela se lembrou dos momentos bons de sua infância, quando era uma pessoa ainda normal. Sentiu uma quentura agradável correr por seu corpo no momento em que se lembrou do abraço e do beijo de Leo, e então foi comendo mais e mais daquele bolinho para que essa ultima lembrança nunca mais sumisse dela.

Quando estava no seu quinto bolinho e no terceiro copo de refrigerante, viu um rapaz se aproximando. Ela não conseguia identificar quem era. Ele se sentou ao seu lado e sorriu.

_Allie Manson? — ele começou com a voz terna.

Como todo mundo naquele local sabia seu nome?

_Sim. E você, é...?

Ela prestou atenção no garoto, ele tinha feições orientais, alto e musculoso. O cabelo no estilo militar combinava perfeitamente com sua postura. Parecia um guerreiro. Mas seu rosto era a contradição, tinha carinha de bebê.

_Prazer — ele estendeu a mão — sou Frank Zang. Sinto informar, mas você está aqui a cinco dias e vim aqui para te salvar.