_CINCO DIAS? — Allie deu um grito, chamando atenção de todos.

Frank tapou a sua boca com a mão e então disse em um sussurro:

_Sabe, pelo que eu ouvi falar, eles não gostam de clientes insatisfeitos. Promete não mais gritar? Ou nunca mais sairemos daqui e, garota, não estou afim de ter uma vida eterna dessa maneira.

Allie conseguiu assentir com certa dificuldade e quando ele destampou a sua boca ela se aproximou dele e perguntou:

_Mas... O que é isso aqui?

_Bem, parece que você descobriu um segundo Hotel Lótus. O principal fica em Las Vegas, é um hotel onde pessoas ficam presas por muitos anos, e isso sem perceberem. Você mesmo, se assustou com o fato de estar aqui há cinco dias.

_Tem mais hotéis como este? — ela se assustou — meu Deus.

_Deuses — Frank corrigiu baixinho.

_Quê?

_Nada. Bem... Há coisas que você precisa saber antes de tentarmos sair...

Ele falava ainda mais baixo, Allie pôde ver a aproximação de alguns seguranças.

_Vamos para o meu quarto — ela se levantou puxando Frank e saindo do salão de jogos.

Já no quarto, ela o fez contar tudo o que sabia e como, milagrosamente, sabia seu nome e onde estava. Allie não ia mais aceitar a mesma ladainha de sempre: pessoas como nós...

_Allie, é bem mais complicado do que você imagina. Estou em Detroit há dois dias tentando te encontrar.

_Mas quem é você? Comece por isso!

_Sou amigo do seus amigos: Leo e Jason... Ambos estão loucos de preocupação, eles conseguiam te ver até antes de você entrar nesse prédio e depois não mais. Leo não parava de te olhar pela mensagem de iris... se saíamos para tomar café, lá ele estava com...

_Mensagem do que? — ela o interrompeu.

_Calma, chegarei lá.

_Então fale de uma vez.

Ele suspirou e olhou para Allie como se sentisse certo desconforto, mas então ele se ajeitou e começou:

_Eu, Leo, Jason e os outros somos semideuses...

_Semideuses? Mas o quê? — ela o interrompeu novamente.

_Ah não, garota! Agora estou perdendo a paciência e olha que para eu perder a paciência demora muito. Me deixe falar!

Allie se assustou com aquela explosão de Frank, mas então se sentou na poltrona ao lado da cama, prestando atenção:

_Somos semideuses, temos parentescos com os Deuses, alguns são filhos de deuses romanos e outros dos deuses gregos. Eu sou filho de Marte, deus da Guerra. Leo é filho de Hefesto, deus do fogo e...

_Eu sei! Conheço todos — ela disse alegremente ao interrompe-lo, mas Frank sorriu e continuou.

_E Jason é filho de Júpiter, mais conhecido como Zeus. Enfim, os outros do grupo também tem parentescos divinos. E nós, normalmente, estamos envolvidos em missões contra monstros, mas faz tempo que não nos encontramos com nenhum. Essa mensagem de íris que te falei é um tipo de mensagem utilizada por semideuses, como se fosse uma mensagem holográfica, podendo a pessoa que pediu para Deusa do Arco-Íris a tal mensagem falar ou não com a outra.

_Uau!

_Sim, é incrível. E Leo vem gastando muitos dracmas para poder te ver.

_Dracmas?

_Moedas dos Semideuses. Bem, agora você sabe, e que fique entre você e nós, nunca é bom um monte de gente ficar sabendo quem realmente somos.

_Entendido. O segredo de vocês está seguro comigo — ela sorriu.

Frank sorriu também.

_Bem, logo vão descobrir que um semideus está aqui, e eles adoram hospedar semideuses. Vamos achar logo uma maneira de sair. Arrume suas coisas. Tem uma pessoa que quer te ver.

_Quem? — disse ela se levantando e ir caçando suas coisas pelo quarto.

_Adivinha?

Ela sorriu, claro que sabia quem era. Ela se apressou guardou seu patinho de pelúcia dentro da mochila, porque não queria de maneira nenhuma perde-lo, assim como seu caderno, então resolveu pegar algumas coisas para beber de dentro do frigobar. Não demorou muito para tudo estar pronto.

_Pronto — ela anunciou.

Frank parecia nervoso, andava de um lado para o outro do quarto e de vez em quando abria a porta para espiar lá para fora.

_O que está acontecendo?

_Sinto que eles estão desconfiando da minha aparição aqui. Logo, logo eles baterão na porta.

_Eles quem?

_Os funcionários do Hotel. Eles te alguns "poderes" e sabem identificar semideuses, e já disse a você que eles são maluquinhos para capturar pessoas como nós e pessoas que os acompanham.

Ela deu risada.

_Credo, parece aquelas histórias de terror. — e deu ainda mais risada.

_Não é brincadeira, Allie, não pague para ver. Devemos ter perdido mais uns vinte dias aqui com essa conversa toda — ele parecia mais agitado e então espirou fundo, parecia estar se concentrando em algo — Vamos logo.

Allie saiu do quarto atrás de Frank, assim como ele a instruirá. Andavam silenciosamente pelos corredores escuros. Pelo menos chegaram até o elevador em segurança. A descida parecia eterna. Frank estava imóvel, parecia pronto para entrar em um campo de guerra. Estava de olhos fechados e murmurava algo silenciosamente, somente mexendo os lábios. O sinal do elevador tocou e eles saíram para um hall lotado de seguranças vestidos de terninhos pretos com a flor de lótus bordada no lado esquerdo do paletó.

Frank saiu com cuidado do elevador, Allie fez o mesmo e se pôs ao seu lado.

_Bem vindo, Frank Zang, é uma honra ter um herói do olimpo conosco! — entoou a menina que atendeu Allie no momento em que ela chegará ali.

_Bem, acho que só estou de passagem. Sabe como é, né... Missões e essas coisas... Vocês entendem como são — ele dizia com tom descontraído.

_Entendemos, mas acreditamos que você não aproveitou direito nossa estadia.

Frank foi caminhando pelo meio ciclo que se formou em todo deles, Allie estava em seu encalço.

_Temos que declinar da oferta. Temos mesmo que ir. Missão especial em nome do acampamento Júpiter.

_Buscar essa aí? — a mulher apontou para Allie como se ela fosse um nada.

_Veja lá como fala. — Frank se inflamou — você pode se arrepender de cada palavra, Medeia.

_Então sabe meu nome? E sabe muito bem que não deixarei você ir, não é mesmo?

_Bem, aí veremos.

Allie queria gritar. Aquela mulher era perigosa, não conhecia muito bem de mitologia, mas já ouvirá falar dela. Frank só poderia estar brincando.

_Agora quero ver, filho de Marte, o quão grande é o seu poder — ela sorria maliciosamente, com certa incerteza de que Frank era forte.

Allie também não sabia sobre poderes que semideuses poderiam ter, nem sabia que existia semideuses e muito menos que os Deuses estariam por aí fazendo filhos. Ela olhou para Frank, estava com medo agora, nunca virá nada do tipo... Era emoção que queria? Sair da vida pacata para enfrentar tudo? Bom, agora era hora dela sentir aquilo na pele.

Frank fechou os olhos, parecia se concentrar e então... puff! Frank se tornou um enorme elefante, iguais aqueles que se vê na Africa. Ele, ou o elefante, acenou para que Allie subisse em seu dorso. Sério? Ele soltou um grunhido exasperado e a tromba do enorme elefante agarrou a cintura de Allie e a colocou encima dele, e a real cena de luta começou.

Os guardas lá embaixo tentavam inutilmente lutar contra o Elefante, Medeia somente dava risada, parecia que ela queria era ver sangue do que realmente impedir que eles saíssem. Frank, ou elefante, balançava a cabeça de um lado para o outro, empurrando os soldadinhos (sim, para Allie aquilo tudo parecia soldadinhos de brinquedo) para longe do caminho. Frank caminhava em direção a porta, mais soldadinhos apareceram, mas logo foram derrotados pelo enorme dente de marfim que aquele elefante tinha.

Em menos de alguns segundos, Frank já se aproximava da porta de saída. Allie se abaixou para que pudesse passar e não ficar para trás batendo com a cara na parede acima da porta. A porta se arrebentou, uma explosão de vidro e madeira, Allie sentiu sua perna direita doer, mas não se arriscou a olhar para baixo.

A luz do dia quase a cegou, o transito era intenso e as pessoas se assustaram com um elefante enorme andando pela rua. Frank teve grandes dificuldades para andar por ali sem esmagar alguns carros estacionados. Quando chegaram a uma praça, Frank retirou Allie de cima dele e se voltou a ser o Frank.

Ela o olhou acusadoramente, ele percebeu e olhou para ela com a mesma intensidade:

_Tá, sei que escondi algumas coisas, como essa — disse ele apontando para si mesmo — mas agora não é hora. Não querendo te assustar, mas olhe para a sua perna.

Allie abaixou o olhar, esquecerá completamente da dor, mas quando olhou a dor voltou com uma intensidade maior. Sua perna direita estava com um enorme rasgo, não tão profundo, mas sangrava. Um corte que ia do tornozelo até um pouco abaixo do joelho. Ela cambaleou em direção a Frank.

_O que faço? — lagrimas escorriam pelos seus olhos.

_Sente-se aqui primeiro — Frank apontará para um banco próximo.

No momento em que sentou no banco ouviu uma voz familiar:

_Vocês conseguiram!

Ela ouviu vários passos apressados e quando olhou viu o grupo todo que virá na rodoviária de Nova York, só que agora tinha mais uma pessoa, uma menina com cabelos encaracolados e pele morena, seus olhos eram dourados. Mas o que notou mesmo foi Leo vindo mais rápido que os outros. Ele se adiantou empurrando Frank, que estava de frente para Allie, e então segurou seu rosto e olhou em seus olhos:

_Nunca mais eu vou deixar você viajar sem mim! Quer uma aventura? Eu posso te dar isso e muito mais!

Ele a beijou e ela voltou a sentir aquele calor confortável que sentirá no dia em que ele beijará ela pela primeira vez. A dor sumiu, as pessoas sumiram e o lugar também. Ela se deixou levar e viajou naquele beijo.