Deu tudo errado... De novo (Heróis do Olimpo Fic)
29 Voltando para Casa
Allie acordou com dor de cabeça, estava deitada em uma das camas do chalé de Hades, Leo abraçado a ela, como sempre. Abriu os olhos e todos estavam ali dormindo. Percy e Annabeth dormiam no colchãozinho ao lado da janela, Hanzel dormia na cama de Nico, com Frank ao chão, segurando a mão dela. Piper e Jason, assim como Percy e Annabeth. Ela não viu Nico e muito menos Rachel.
Um movimento na porta fez Allie prestar atenção, era Nico, que entrava lentamente pela porta. Ele viu a menina acordada e fez um sinal de silencio com o dedo indicador esticado nos lábios e então se deitou no colchão vazio, ao lado de Hanzel, o lado oposto em que Frank estava deitado.
Allie tentou se levantar, mas Leo se prendia mais nela a cada movimento. E então a porta abriu com toda a força, acordando a todos em um susto:
_Bom dia, festeiros! – era Thalia, irmã de Jason – fico um dia longe daqui e vocês fazem a maior farra.
_Thalia, qual é... – reclamou Percy, lhe tacando o travesseiro.
_Que bonito, hein, Perseu – ela olhou para todos, rindo – vocês estão deploráveis. Levantando! Preciso de vocês urgentemente – ela disse e saiu.
_Maldita seja a sua irmã, Jason! – gritou Leo.
Todos riram e foram lentamente se levantando. Meia hora depois estavam todos na frente da casa grande. Quíron, em sua cadeira de rodas, e Sr. D, em sua camisa havaiana, esperavam, ansiosos. Bem... Sr. D nem tanto, mas o centauro sim. Thalia também estava ao lado deles, com mais duas caçadoras, assim pensou Allie.
_Allie, querida, foi um prazer tê-la aqui conosco – começou Quíron – quando estiver pronta para partir, é só nos dizer.
_Eu estou indo – ela anunciou.
_Está bem, sua carona a espera – e ele sorriu, estendendo os braços – venha até aqui...
Ela andou até ele e o abraçou, Sr. D bufou. Quando ela soltou o centauro, virou para o diretor do acampamento e disse:
_Obrigada, Sr. D. por me acolher e tudo o mais.
_Tá, tá. Boa sorte, garotinha.
Ela simplesmente sorriu.
_Piper, Jason, Hanzel e Nico – anunciou Thalia – preciso da ajuda de vocês.
_E de mim? – perguntou Percy, como uma criança que ficava fora da brincadeira.
_Agora não, Percy. Somente esses que chamei.
_Já que estão tomando os rumos – começou Frank – eu vou tomar o meu. Tenho que voltar ao acampamento Júpiter – Quíron assentiu com a cabeça e Frank se virou para Hanzel – nos encontramos lá, amor?
_Sim, claro. Eu vou voltar bem. – ela sorriu.
Eles se beijaram e Frank se despediu de todos e partiu colina acima.
_Bem, acho melhor eu ir também – Allie anunciou – Leo, você vem comigo?
_Claro. Só vou pegar minhas coisas – ele disse e correu para o chalé de Hefesto.
_Leo, pegue as minhas! – Allie gritou para ele.
Allie permaneceu parada onde estava, Nico se aproximou.
_Vou sentir saudades – ele confessou.
_Eu também, Nico. Mas logo vamos nos ver e podemos conversar sempre.
_Obrigada por ontem... Eu...
_Não precisa agradecer – ela estendeu a mão e bagunçou seu cabelo.
Leo vinha correndo na direção deles. Ele carregava sua mochila nas costas e uma mala de bronze na mão esquerda.
_Pronta? – ele perguntou feliz.
_Sim! – ela disse entusiasmada.
Allie se despediu de todo mundo novamente, estava com o coração apertado, mas sabia que aquela não seria uma despedida para sempre. Leo e ela subiram a colina de mãos dadas. Ao chegar no topo ela olhou de para o acampamento.
_Calma, vamos voltar – Leo disse.
_Eu sei... Só queria... Ah, nem sei mais o que queria – e sorriu.
_Vamos lá, mocinha... temos mais coisas a decidir, não?
Ele passou o braço pelos ombros delas e desceram a colina em direção a estrada onde a carona esperava.
Allie reconheceu o carro, era o mesmo que trouxeram eles de volta ao acampamento depois da missão. Leo abriu a porta para ela entrar e depois entrou.
_Bom dia, Butch... Rapidinho pra Nova York hein!
Allie observou o tal Butch, ele era um cara largo com a cabeça raspada. Em seu braço tinha uma tatuagem de arco íris.
_Vamos então, Valdez! – ele disse entusiasmado – Você deve ser Allie... – ele disse olhando pelo retrovisor e pisando fundo no acelerador.
_Sou... Prazer... – ela tentava dizer enquanto o carro trepidava pela estrada e rangia.
_Esse carro é muito seguro – Butch disse a mesma coisa que Nico dissera.
_Já conheci sua segurança – ela sorriu.
Durante algum tempo o carro ficou em silêncio, Allie agarrava a mão de Leo como se ela fosse uma taboa de salvação.
_Fique calma, mi amor – ele sussurrou para ela.
Allie nunca confessara a ele, mas sempre que ele falava palavras em espanhol ela ficava toda arrepiada. Pensando melhor, ela nunca tinha confessado aquilo nem para ela mesma.
_O que Thalia queria com os outros?
_Alguma coisa que as caçadoras estão envolvidas, elas nunca dizem o que é, nós só sabemos depois que eles voltam... Elas sempre estão metidas em problemas – ele sorriu.
_Você já foi em alguma?
_Não... Thalia não gosta muito de mim...
_Como? Você é incrível!
Allie pensou ter visto coisas, mas era a primeira vez que Leo ficava constrangido na sua frente.
_Que fofos! – comentou Butch.
_Hey, mané, presta atenção no caminho! – Leo o censurou, brincando.
Os dois riram.
_Sabe, me lembro da primeira vez que vi o Valdez. Um menino ainda mais magricela e piadista. Lembra, Valdez?
_Lembro... Eu nem mesmo sabia o que era, aquela ataque no Grand Canyon... Depois te conto tudo – ele disse as ultimas palavras a ela.
Allie sorriu para ele.
_Quero ir ao Grand Canyon – ela disse a ele.
_Nós vamos, mas primeiro temos que nos estabilizar e fazer umas coisas.
_Claro, mi amor...
Ele a olhou de lado, espantado.
_Ah, nem vem...Mi amor não é difícil de aprender.
_Eu sei, mas... – seus olhos transbordavam alegria – eu nunca fui tão feliz, Allie.
Allie o puxou e o beijou.
_Hey, posso parar no primeiro hotel para que vocês possam terminar isso aí.
Eles se soltaram e juntos repreenderam Butch. A viagem ficou silenciosa mais uma vez, Allie se encostara em Leo e ele, com o braço direito apoiado em seu ombro, fazia carinhos leves em seu braço, e assim permaneceram até chegarem a movimentada cidade de Nova York.
***
O carro parou em frente a casa da família de Allie e a garota não parava de tremer. Desde que entraram nos limites da cidade, ela não conseguia se controlar. Tremia e a todo momento insistia que queria voltar, mas depois mudava de ideia. Quando o carro parou, sua ideia já estava convicta.
Ela pôs a sua mochila nas costas e desceu do carro.
_Eu espero? – perguntou Butch
_Não, pode ir, muito obrigada cara – disse Leo descendo do carro também.
Allie se despediu de Butch e voltou para frente da casa. Ela não mudará nada desde que partirá, apesar de não ter sido tanto tempo assim. Ela parou ao lado de Leo, que também contemplava a casa, ela segurou a sua mão.
A luz da sala estava acesa, era a única acesa.
_Agora, vamos... – Leo disse, dando o primeiro passo.
Ela o seguiu, os pés se arrastando no chão. Subiu as três escadinhas da sacada e bateu na porta. Movimentos rápidos foram ouvidos, vinham de dentro da casa. Passos ligeiros e vozes exaltadas também eram ouvidos. Alguém abriu rapidamente a porta, com cera rispidez e então Allie o viu.
Era seu pai, estava com uma cara péssima, sua barba enorme e com olheiras. Nunca na vida Allie o via daquela maneira. Suas roupas estavam amassadas.
_Allie? – ele perguntou fracamente – Allie! É ela! Allie!! – ele agora gritava para dentro da casa.
Mais passos rápidos foram ouvidos e mais rostos apareceram. Ela viu tio Pip e Helena, sua esposa e Tia Helga e seus filhos. Seus únicos tios, irmãos de sua mãe e de seu pai, respectivamente. Viu seus primos Chris e Brenda. Seu pai saiu do caminho e foi de encontro a Allie e então ele o abraçou e depois todos os outros que ela virá fizeram a mesma coisa, formando quase uma cabana apertada ao redor da menina. Allie chorou e pela primeira vez desde que saíra da cidade, ela se sentiu culpada e se permitiu ficar parada, recebendo o carinho que ela tanto sentia falta e que só agora ela valorizara.
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