_Me desculpe, esqueci de me apresentar, sou Leo Valdez – disse ele quando já estávamos acomodados no ônibus a caminho da rodoviária.

_Meu nome é Allie... Allie Manson.

_Lindo nome... – disse ele e seus olhos brilharam com mais intensidade.

Por minutos eles ficaram em silencio. Mas um tique taque não parava, e estava vindo do garoto, como se ele fosse feito de engrenagens. Quando olhou, novamente ele estava mexendo na pecinha, completamente concentrado. Ela deitou a cabeça no encosto do banco e fechou os olhos. Estava feliz, pela primeira vez na vida. Nada poderia estragar aquilo...

_Lindo patinho.

Os olhos dela se arregalaram e se focaram em no rosto de Leo. Ele mexia agora no patinho pendurado na mochila da menina. Serio, ele não parava quieto nunca?, pensou ela.

_Como é o nome dele?

_Não é ele... é ela...

_Bem, ursinhos de pelúcia são todos meninos para mim... E não me trazem bons sentimentos.

Ela puxou discretamente o patinho de suas mãos e disse:

_O nome dela é Andrômeda.

_Garota, você definitivamente está me assustando. Ursos de pelúcia e ursos de pelúcia que se chamam Andrômeda...

_O que tem demais nisso?

_Ah, nada – ele deu uma risada – isso é uma longa historia.

O som de sua risada era reconfortante para Allie. O porquê de ela estar sentindo naquilo, nem mesmo ela sabia.

_Você sabe quanto tempo é daqui até onde você vive? – ela perguntou.

_Umas três horas, por aí... Eu acho – ele olhou mais atentamente e perguntou – seus pais sabem que você está aqui?

_Eles não precisam saber... nem quero que saibam. Não tive uma vida boa ao lado deles, e agora quero viver pela primeira vez...

Ela se censurou mentalmente: Porque estava contando aquilo para um estranho enigmático? Ele transmitia confiança. Ela podia sentir isso de uma forma que nunca sentirá.

_Te entendo. Minha história é meio difícil também, mas eu nunca tive uma família de fato...

Ela sentiu, mais uma vez, sinceridade em sua voz.

_Que estranho, parece que te conheço há muito tempo – disse ele.

_Sabe, tenho a mesma sensação – ela sorriu.

O ônibus parou abruptamente. Tinham chego à estação. Tudo era novo para Allie, e aquela realidade estava sendo bem melhor do que ela poderia uma imaginar ou planejar. Ela estava maravilhada com a estação. Ficou parada quando desceu, meio que atrapalhando a passagem das pessoas.

_Vamos, Allie!

Aquela voz doce a tirou do transe. E seguiu o garoto pra sei lá onde que ele estava indo.