Allie estava encostada no batente da porta ouvindo, descaradamente, a conversa dos dois. Os assuntos principais: vida de Jason, aventura que tivera a pouco com a irmã e... Quando Jason voltaria? Sim, até isso estava envolvido. A menina reparou que em nenhum momento ele comentara de Piper, a quem sempre, apesar dos deslizes dele, demonstrava carinho e amor.

Allie tinha guardado certa mágoa desde o episodio com Calypso. Ele a tratara de modo rude quando ele soubera que Allie não pode fazer nada para impedir a garota má de levar Piper e até hoje ele nunca falara com ela sobre o jeito que ele tinha a tratado. Na verdade, Allie se importava bastante, ele fora seu melhor amigo e quase namorado. Ela sempre sentiu a falta dele desde que se fora. Mas agora estava realmente magoada. Seu nome foi citado na conversa e então ela prestou atenção, Jason dizia:

_... preciso conversar com ela a sós, Dinda, se importa?

_Claro que não, querido... – sua mãe se retirou da cozinha.

_Allie, vamos até o jardim, pode ser?

Allie concordou com a cabeça, meio emburrada.

_Não posso demorar – ela avisou – Leo logo virá.

Eles fizeram a curtíssima caminhada até o jardim e então Jason fechou a porta de acesso. Vindo em sua direção rapidamente, ele prendeu os braços dela para trás e a beijou, um beijo possessivo, que até poderia ser maravilhoso se ela não pensasse tanto em Leo.

A menina tentou se soltar de todas as formas possíveis, mas Jason era forte demais. Allie não retribuía ao beijo e se remexia tentando se soltar, e então mordeu com todas as forças os lábios de Jason, que a soltou imediatamente, colocando a mão na boca para estancar o sangue que escorria do lado direito.

_Você está louca? Por que me mordeu? – ele dizia, meio irritado.

_Por quê? Você só pode estar de brincadeira, seu idiota! – ela gritou.

_Eu estava tentando pedir desculpas! Pelo que fiz... Por tudo o que fiz!

_Eu já te descupei, tá bom? Não se aproxime mais de mim, Jason! Não quero isso que você quer, não mais! Você tem sua namorada, que é uma pessoa ótima...

_Tinha... – ele a cortou.

_Não importa! – Allie tentou espantar o choque.

_Agora eu posso ficar com você, era isso que eu queria te contar...

_Eu não quero...

_Allie? – a voz de sua mãe ecoou pelo jardim e a porta de acesso se abriu – o que está acontecendo? – ela vinha caminhando e encarou Jason – Meu Deus, Jason, o que aconteceu?

_Nada, Dinda – ele disse, seu rosto vermelho pela raiva – meu problema foi amar a pessoa errada – e olhou furioso para Allie.

_Allie me disse que estava namorando uma menina maravilhosa, está com problemas com ela? Quer conversar? – Sandra se mostrava prestativa.

_Não, Dinda, o problema é a sua filha... E eu, querida Allie, não tenho mais namorada.

Jason desviou de Sandra e foi em direção a porta de acesso.

_O que deu nele? – sua mãe perguntou, o rosto repleto de duvida e preocupação – e por que ele está sangrando?

Quando Allie ia responder, um grito veio da sala:

_ATÉ VOCÊ!

Allie e sua mãe correram para a sala e virão o que estava acontecendo. Jason encarava Leo, que parecia ter acabado de entrar. Eles se olhavam com certa raiva.

_O que quer aqui? – Leo disse, com raiva, parecia ser a segunda vez que ele tinha feito a pergunta.

_Sabe o que eu queria, Valdez? O que você roubou de mim!

Leo o olhava confuso e aquilo só estava aumentando a raiva dele.

_Seja especifico, Jason!

_Sua Allie, a minha Duckline! Eu a amo, Valdez! E você a roubou de mim! Você sabia que eu era apaixonado por ela!

_Eu soube só depois que você reapareceu no acampamento, mas não sabia que era ela! – ele gritava no mesmo tom que Jason – E adoraria saber o que Piper acha disso!

_Eu não estou com ela, seu idiota!

_Eu vou te mostrar o idiota!

Leo se adiantou para cima de Jason e Allie se colocou na frente de Leo.

_Não, amor, para! Não vale a pena, ele está transtornado!

O que pareceu errado no momento em que ela fizera, deu certo. Leo parou e a encarou.

_Tudo bem...

Leo se endireitou e sua atitude fez Jason fazer o mesmo.

_Jason, volte ao acampamento, pelo menos lá você é mais útil. Volte para Piper, que deve estar tremendamente arrasada por você ter terminado com ela.

_Possivelmente – desdenhou Jason.

_Jason, querido – começou Sandra – sei que um dia você sentiu algo forte por minha filha, mas está na hora de seguir em frente. Você deve estar impressionado por vocês voltarem a convivência, mas sua vida não é com ela, filho.

Jason encarou a mãe de Allie com tristeza, sabia que as palavras que ela dizia era verdade.

_Me desculpe o transtorno, Dinda – ele beijou Sandra na testa e saiu pela porta da frente, sem olhar para Allie e Leo.

Ao ouvir o som da porta bater, Leo se jogou no sofá. Ele vestia a roupa da oficina, que, por milagre, estava até que limpa. Carregava na cintura o seu enorme cinto cheio de bolsos, que Allie nunca entenderá como aquilo funcionava, mas já viu Leo tirar coisas grandes daqueles bolsos.

_Ok, quero explicações – ele suspirou – o que aconteceu, meu amor?

Allie se sentou ao seu lado e sua mãe na poltrona.

_Ele apareceu aqui e... – Allie começou a contar, e quando chegou à parte do jardim, Leo quase enlouqueceu de raiva.

_Calma, Allie mordeu forte o lábio do menino para se soltar – Sandra tentava apazigua.

_Eu vi – ele retrucou – desculpe, Sandra, mas não tem como reagir de outra forma... Mas estou orgulhoso de você, Allie.

Ela assentiu.

_Eu amo você e o que eu senti por Jason já acabou faz muito tempo.

Leo a beijou no rosto e se levantou,

_Então vamos? – ele perguntou sorrindo.

_Vamos – disse Allie, se levantando também.

Leo pegou duas malas que estavam na sala e Allie pegou mais duas. Quando estavam próximos a sair, Allie disse a mãe:

_Venho mais tarde, para o jantar de despedida e boas vindas a vida nova.

_Tudo bem, querida, então... Até mais tarde? – perguntou a mãe.

_Sim! – Allie sorriu e beijou a mãe no rosto, saindo logo em seguida.

Já na rua, enquanto caminhavam, Leo dizia:

_Por quê? Por que isso acontece comigo?

_O que, amor?

_Ter uma namorada tão perfeita que todos querem.

Allie gargalhou.

_Perfeita, só que não. O caso de Jason não é tão grave, parece que ele já se curou.

_Eu espero – disse Leo sério.

Caminharam o restante do caminho em silencio, um caminho que não era muito longo e logo eles chegaram. A casa estava um pouco diferente desde que ela decidira mudar para lá. Quando chegaram a cidade há dois meses atrás, Allie ajudara Leo a mudar muitas coisas ali: agora eles tinham um sofá grande, substituindo os sofás; a mobília do quarto dos dois mudaram por completo e o quarto agora não tinha nenhuma lembrança antiga, somente as atuais, entre os dois.

_Bem vinda ao lar, mocinha...

_Obrigada, meu amor – ela sorriu, deixando as malas próximas ao sofá.

_E agora... – ele se encaminhava em direção a ela – precisamos resolver uma coisa...

Ele a segurou nos braços e subiu as escadas, indo em direção ao quarto de ambos. Abriu a porta do quarto com a ponta do pé e proclamou:

_Enfim, sós!

Ele a jogou na cama e então aproveitaram as primeiras horas juntos antes do jantar em família.