Determinação

31 4° Temp. - Domingo sangrento


Antes

Sakura, Ino e Hinata tornaram-se boas amigas em um ano, a Hyuuga havia iniciado seu treinamento de ninjutsu médico com a Hokage, assim como a Haruno.

No calor do momento, enquanto bebia, Jiraiya propôs uma aposta contra a Tsunade. Eles deveriam se casar e viver uma vida juntos, o primeiro a anular o contrato teria que pagar um quarto da melhor fábrica de saquê do país do Fogo.

Por meio de suas memórias, Hitomiko se lembrou do dia em que foi sequestrada.

Hiashi que se revelou ser Poun, deixou evidente o seu propósito para o verdadeiro Hiashi, sua vingança era um plano de fundo para a sua missão principal, que era encontrar uma das ruínas da Yuezhi. Ele encontrou tal local e confiscou para si um estranho disco, que segundo ele era uma chave. Todo este plano havia sido orquestrado por sua mentora, mulher até então desconhecida.

Diante do apoderamento daquele disco, um mecanismo de defesa foi ativado e emitiu um feixe de luz vermelha em direção aos céus.

Agora

No subsolo do clã Hyuuga. Ao ver o seu carcereiro partir para um nível ainda mais abaixo de seu clã, o verdadeiro Hiashi pôs-se a se arrastar em direção a cela da Hitomiko, levando consigo o chaveiro que o falso Hiashi havia lhe entregado.

Reuniu forças e se agarrou a uma das grades das várias celas daquele lugar que antes de existir o selo de restrição da Bouke as celas serviam para aprisionar o ramo secundário, quando os mesmo se rebelavam contra a Souke.

Passou a locomover-se rente a parede, usando-a como apoio. Seus olhos demonstravam olheiras profundas, seu corpo quase esquelético evidenciava a falta de nutrição adequada, mas a simples ideia de que poderia encontrar novamente a sua amada, ainda em vida, lhe dava forças para continuar.

— Hitomiko. – Ele se deparou com a morena, a mesma estava deitada em sua cela.

— Me deixe em paz, eu não quero mais te ver. – Ela percebeu um timbre diferente na voz dele, a mesma parecia mais fraca, cansada. Hitomiko não viu-o chegar, pois estava de costas para a saída.

— Eu estou entrando, o tempo que me resta é escasso. – Ele utilizou uma chave para abrir o local e assim adentrou-o, aproximou-se dela e tocou-lhe o ombro, contudo a própria rebateu-lhe a mão. – Hime, por favor me ouça. – Ele agarrou seus ombros e a virou para si, estando sentado na cama.

— O que houve com você? – Ela indagou perplexa. Como ele havia emagrecido tão rapidamente e ficado nessas condições, sendo que acabará de vê-lo saudável? – Faz muito tempo que eu não o ouço me chamar de princesa, porque você mudou tão rápido?

— Aquele não era eu e sim um impostor. – Ele começou um relato de tudo que lhe acontecerá. De como fora sequestrado e enjaulado nesta solitária subterrânea e os recentes acontecimentos ocorridos nesta noite.

— Isso não tem cabimento. Se você não é aquele homem, onde ele... – Ela parou de falar ao ver um desconhecido passar em direção a saída daquele túnel. – Foi ele? – Ela se referiu ao Poun, Hiashi confirmou. Ambos se levantaram.

— Hitomiko, eu preciso que você saia imediatamente deste clã, pelo que eu sei daquele homem este lugar irá ruir. – O desespero era evidente. – Não sei como ele fara isso, mas eu preciso saber que você está a salvo para poder ir em paz. – Ele acariciou o seu rosto. Aos poucos a sua visão adquiria um tom mais nebuloso.

— O que você está dizendo não tem a mínima lógica, como o nosso clã pode ser exterminado por apenas um homem? – Ela não entendia, queria mais explicações, provas concretas de que ele dizia a verdade. E não era para menos, por anos fora enganada e agora acreditar novamente nele era irreal, mesmo as coisas apontando para a sua veracidade.

— Chega! Você tem que ir, encontre as nossas filhas. – Ele utilizou as suas últimas forças para empurrá-la para fora daquela cela. Pegou a chave e se trancou. – Elas estão em segurança longe do clã, procure-as e explique tudo, mas principalmente diga que eu às amo. – Com um sorriso terno ele disse. – Assim como você. Agora vá!

Não tinha coerência tudo o que estava ocorrendo, era muito rápido para assimilar essa mudança drástica. De uma cativa passou a liberdade em tão pouco tempo, e com muitas perguntas sem respostas ela se dirigiu a saída daquele ambiente que lhe trouxera só desgraça.

Hitomiko tinha um plano arquitetado às pressas por seu marido, mesmo havendo pormenores nele, ela buscaria a perfeição. Encontraria as suas filhas e tentaria seguir com a vida, porém o que ela não sabia era as condições que a vila estaria.

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O clã Hyuuga encontrava-se tranquilo até o momento, com os seus habitantes dormindo e poucos guardas vigiando as imediações do mesmo.

Três Hyuugas jaziam incumbidos de guardarem o portão principal de entrada no clã, os mesmos dessa época do ano. O tédio reinava entre eles, não que eles quisessem uma ação, longe disso, mas o simples fato de ficar olhando para aquele branco da neve sem fazer nada era depressivo e o frio só piorava as coisas.

Um raio vermelho subiu aos céus, vindo do núcleo do clã a partir do chão. Esse raio tinha uma espessura de um metro quadrado, tendo uma forma cilíndrica. Os guardas assustaram-se com isso e iniciaram uma corrida para averiguar tal claridade que não se extinguia.

O brilho vermelho iniciou uma dilatação velozmente, engolindo tudo em seu caminho, em menos de dez segundos a sua espessura atingiu todo o clã Hyuuga, porém cerca de quatro casas ficaram longe desse alcance, essas casas estavam nos extremos superior esquerdo e direito, inferior esquerdo e direito do distrito.

Ao serem atingidos pela luz, que por acaso não era mortal, os guardas sentiram uma dor latente na cabeça e vieram a desabar inconscientes. Esta luz causou gradativamente uma paralisia no cérebro, em uma região específica do córtex frontal ventro-lateral que é dividida em doze partes, denominada polo frontal lateral do córtex pré frontal. A sua localização especifica é na testa.

Esta região do cérebro é o que nos torna humanos, dando-nos a capacidade da tomada de decisões e planejamento estratégico, assim como a consumação de múltiplas tarefas.

O segundo efeito da luz foi o agravante aumento de uso dos lobos temporais, levando a um uso maior do lado esquerdo, resultando num temperamento agressivo, assassino e primitivo. Os lobos temporais localizam-se abaixo das têmporas e atrás dos olhos.

A terceira decorrência colateral foi a mudança anatômica de algumas partes do corpo, as presas acentuaram-se tornando-as mais afiadas, as unhas cresceram e adquiriram uma semelhança com as garras felinas. As escleróticas dos olhos ganharam uma tonalidade avermelhada brilhante.

Os efeitos do raio levaram cerca de uma hora para atingir o seu ponto máximo, ocasionando no desligamento de uma parte da massa cinzenta e na outra um aumento de seu uso, se isso continua-se o cérebro entraria em conflito.

Assim que o efeito passou, todos os guardas levantaram-se desnorteados. Eles mudavam o seu campo de visão toda hora, buscando algo. Detectaram uma pessoa correndo pelas ruelas em frente aos portões do clã. De imediato eles avançaram sobre aquilo que determinavam ser uma presa.

O sujeito de cabelos esbranquiçados tinha em posse um pergaminho de alto valor. Ele escutou rosnados abafados atrás de si e ao se virar ficou surpreso por ver uma pessoa de olhos vermelhos. Ainda mais sendo um Hyuuga que estava em pleno salto, o mesmo caiu sobre si e lhe desferiu um golpe com as garras.

A mão atingiu o pescoço e logo o sangue respingou sobre a neve. Os outros dois amontoaram-se sobre este homem, lhe desferindo incontáveis golpes, que por consequência destroçavam-lhe a carne. Seus gritos eram altos e agonizantes, porém em pouco tempo ele havia parado de respirar.

Vendo o seu alvo morto, eles o deixaram e se espalharam em busca de mais carnificina. Por consequência dos berros daquele homem, algumas pessoas da região acordaram.

Dentro das imediações Hyuuga, todos os seus moradores saíram de suas casas, eles apresentavam efeitos idênticos ao dos guardas, transitavam de um lado para o outro em busca de um alvo, aos poucos deram início a saída das dependências do clã. Crianças, idosos e adultos, todos tinham sido afetados.

Porém não foram todos os Hyuugas que tinham sido afetados, quatro famílias estavam a salvo, estas foram as mesmas citadas anteriormente.

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Cinco de novembro de sete mil e onze. A vila da Folha estava acordando para mais uma manhã fria de domingo. E alguns poucos moradores preparavam-se para trabalhar, contudo eles nem sabiam da real situação da vila, e os que tinham esse conhecimento estavam mortos, feridos ou em batalha contra as bestas que sugiram após aquele estranho clarão vermelho.

Tsunade já estava a par dos recentes acontecimentos em sua vila, ela convocou com extrema urgência os ninjas disponíveis na mesma. Os mesmo encontravam-se em frente ao prédio do Fogo esperando as ordens da Hokage.

— Meus ninjas. Recentemente uma informação preocupante chegou aos meus ouvidos, os integrantes do clã Hyuuga parecem estar iniciando uma guerra civil. – Murmúrios eram escutados. – Eu ainda não sei a veracidade desta notícia, porém algo trágico está acontecendo neste momento. Por isso devemos iniciar rapidamente a busca por mais informações. – Ela respirou fundo. – Vocês estão incumbidos de irem até as imediações Hyuuga e descobrirem o que está acontecendo, quero um ninja em minha sala com estas informações o mais rápido possível. Não tomem medidas desesperadas sem a minha permissão. Vão! – Todos os shinobis naquela área se dirigiram ao clã Hyuuga.

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Hitomiko caminhava com dificuldade pelas vielas da vila, seu corpo desacostumou-se do simples ato rotineiro de andar, tendo em vistas o seu longo tempo cativo. A morena utilizava a mão para bloquear os raios solares que prejudicava em demasia a sua visão.

Já tinha algum tempo que ela havia saído do clã, e neste período os gritos que ela escutava aumentava cada vez mais que ela se direcionava ao centro da vila. Seu objetivo era achar o terceiro Hokage, porém ela não sabia que ele havia falecido.

Em um telhado próximo um dos Hyuugas afetados pelo raio espreitava por uma presa, ele avistou a Hitomiko caminhado por aquele beco e logo saltou sobre ela.

— O que aconteceu com você? Por que está fazendo isso? – Ela perguntou inutilmente, o Hyuuga a sua frente não entendia nada do que ela dizia, ele era guiado pelos seus instintos predatórios.

A morena tinha caído no chão com a besta por cima de si. Ela segurava os braços do seu adversário, a força dele era tamanha que estava vencendo a sua. As garras de seu inimigo aproximavam-se cada vez mais de si, assim como a boca que queria dilacerar a carne de seu corpo.

A morte se aproximava, isto lhe afligiu. Em fim conseguira sair daquela masmorra, não queria morrer ainda, não antes de ver as suas filhas. Reuniu forças e aumentou a distância entre si e aquela fera, impulsionando o corpo dele para trás com os seus pés. Ela faria de tudo para viver, conseguiu empurrá-lo para longe.

Levantou-se depressa tentando ativar o Byakugan, sem sucesso. Ainda não tinha chakra para isso e o seu corpo debilitado não à ajudaria, porém ela não desistiria fácil. Ouviu uma melodia bela, vindo de um local próximo, parecia com o som de uma flauta.

Um monstro humanoide surgiu, ele usou a sua clava para atingir a besta. O golpe lançou-o contra uma casa. Outro monstro surgiu, este utilizava como armas, algo semelhante a garras acopladas aos seus braços, por meio de ataduras. Ele perfurou o peito do Hyuuga.

— Muito bem, meus Doki’s. Este filho da puta não vai mais incomodar. Está tudo bem, senhora? – Uma garota ruiva havia aparecido, seu nome era Tayuya, uma antiga integrante do quarteto do som.

— Sim, muito obrigada. ­– Hitomiko disse com extrema gratidão.

— Eu queria saber que droga esses Hyuugas de olhos vermelhos estão fazendo. – Ela fitou bem a morena a sua frente. – Ei, espera um minuto. Por que diabos você não está participando do golpe Hyuuga? Mesmo você sendo uma. – A ruiva fitava a morena a partir do telhado, seus três monstros de invocação aguardavam por novas ordens.

— Eu não tenho motivos para isso. – Ela olhou para cada um dos monstros humanoides, um tinha os cabelos longos cobrindo o rosto, outro careca e com cicatrizes na cabeça com vendas nos olhos, o ultimo tinha ataduras acima do quadril chegando até a cabeça, cabeça está que estava invertida. – Mas eu posso ser útil para o Hokage, tenho informações sobre o que está acontecendo, por isto eu lhe peço, escolte-me até o prédio do Fogo? – Ela suplicou.

— Certo! Mas sem drama, eu odeio essa merda. Vamos Hyuuga. – O Hyuuga que Tayuya havia atingindo se levantou e partiu para o ataque, em seu peito havia um buraco exatamente no local do coração, a ruiva agiu de imediato. Ela tocou a sua flauta e o Doki com a clava atacou, a arma atingiu a cabeça dele, esmagando-a por completo. – Morre desgraçado! Eu quero ver você levantar-se agora, seu purê de batata. – O Doki continuou a bater no corpo daquele homem até o mesmo perder a forma.

— Eu acho que não precisava de tudo isso. – Hitomiko dissera. – “Como ele conseguiu continuar atacando, mesmo sem o seu coração”.

— Quem está lutando aqui sou eu, então cale a sua boca e me siga. – A Hyuuga apenas concordou, olhou com pesar para o seu parente de clã, lamentava-se por isso. – “Essa mulher parece muito com a Hinata, será que elas tem um grau de parentesco maior?”.— Tayuya pensou. – “Ela deve ser louca, Orochimaru matou o velho Hokage”.

A ruiva tinha saído da prisão a alguns meses e havia aceitado a oferta da Hokage, desde então ela passou a ser uma ninja da folha, mas até agora nunca teve uma missão, pois a confiança se ganha com o tempo.

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Após percorrer muitos quarteirões e verem uma matança sem igual, ambas chegaram ao escritório da Hokage.

— Entre. – Depois de bater na porta Tayuya entrou, acompanhada da Hitomiko.

— Hokage-sama, eu trouxe uma pessoa que diz conter informações sobre o que está acontecendo na vila. – Tayuya proferiu.

— Pode se retirar. – Logo ela saiu. – Então diga-me o que você sabe. – Tsunade fitava a morena, ela tinha certeza de que a conhecia, só não lembrava-se de onde. Pediu para que ela se senta-se e assim o fez.

— Você é a nova Hokage, onde está o Sandaime? – Ela questionou.

— Você deve ter batido a cabeça, Hyuuga. Sarutobi Hiruzen morreu protegendo a vila, a cerca de um ano. Agora diga-me logo o que está acontecendo com o seu clã, por que vocês estão fazendo isso? – Tsunade estava perdendo a paciência, a cada minuto que passava mais cidadãos morriam

— Eu não sei todos os detalhes do que está acontecendo no momento, mas sei quem foi o causador desse desastre. – Hitomiko iniciou. – Seu nome é Poun, não sei os motivos que o levou a fazer isso. Ele me sequestrou a alguns anos e se infiltrou na vila, tomou o lugar de meu marido, Hiashi, e passou a comandar o clã Hyuuga.

— Então você é a Hitomiko. – Ela estava surpresa. – Até onde eu sabia, você havia sumido numa missão diplomática do seu clã.

— Poun descobriu uma ruína no subsolo do clã e ao chegar lá, ele ativou alguma coisa que afetou a população do clã. Isso é tudo o que eu sei Tsunade-sama.

— As informações que tenho até o momento são poucos, mas valem muito. Esse cara não deve estar sozinho nisso, com certeza existem mais envolvidos e provavelmente gente do próprio clã Hyuuga que ajudou-lhe a encontrar este lugar.

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Hinata corria com muita pressa em direção ao seu clã. Se os Hyuuga’s estavam realmente implementando uma guerra civil, o seu pai seria o mentor disso. Não havia cabimento em algo deste calibre, ele não seria capaz de fazer isso, ou seria?

Quanto mais se aproximava do clã, maior era a quantidade de corpos retalhados que ela encontrava. A neve antes branca, agora era toda preenchida pela coloração avermelhada.

Repentinamente ela parou de correr, pois foi abruptamente interrompida por uma das feras que havia lhe derrubado no chão. A garota segurava os braços de seu inimigo para impedir de ser atingida. Fitou bem o seu rosto e o reconheceu no mesmo instante.

— Kou. – Ser agressivo não fazia parte da personalidade dele, havia algo de errado nisso. – Kou, sou eu Hinata. Por favor pare com isso e me diga porque todos estão participando dessa loucura? – Ele não respondeu, apenas continuava a tentar atingi-la.

Outra pessoa apareceu e tirou de cima dela aquela fera, jogando-o longe.

— Você está bem? – Neji havia aparecido.

— Eu não entendo, por que todos estão assim?

— Para essa pergunta eu não tenho uma resposta, Hinata-sama. – Ele se preparou para a luta. – Apenas vá, eu cuidarei dele. Ela acatou a sua sugestão. – Conversar com ele não vai resolver nada, então vou colocá-lo para dormir. Hakke Sanjuuni Shou.— Em posição característica do seu clã, Neji iniciou os golpes suaves que transferiam chakra para o corpo do inimigo, a fim de fechar os pontos de pressão.

Após finalizar a sequência dos trinta e dois golpes o seu inimigo foi arremessado bruscamente contra as paredes de uma casa e por consequência do impacto o seu corpo penetrou nas imediações.

— Agora eu só tenho de imobiliza-lo. – Neji se aproximou de Kou, porém de maneira inesperada ele recebeu um corte na sua barriga, proveniente das garras do Hyuuga afetado pelo raio. – Arrh! – Urrou de dor e logo recuou alguns metros.

Ao voltar seus olhos para Kou, ele percebeu que por conta do impacto com a parede o seu corpo havia sido perfurado por uma das vigas de ferro da casa. O sangue jorrava, porém ele não esboçava expressão alguma em relação a isso.

No entanto a face de Neji evidenciava o seu desconforto com aquele corte que ardia e sangrava. Ele deveria estanca-lo logo, se não os problemas seriam maiores.

— Parece que você está preso e continua vivo. Não sei como, mas continua. – Neji disse. Kou tentava inutilmente tirar o seu torço daquela viga, mas os seus esforços eram inúteis. Neji resolveu ignorá-lo por hora, pois as coisas estavam ficando sobrenaturais demais para o seu gosto. – Algo assim não acontece toda hora. – Ele fazia pressão no local do corte, enquanto buscava por um tratamento adequado.

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Era noite e Mizuki corria incansavelmente, ele havia conseguido roubar um dos pergaminhos contendo jutsus dos antigos Hokages. Naquela época do ano a guarda do prédio do Fogo era menor e para ele que conhecia bem uma rota alternativa foi fácil se infiltrar sorrateiramente e sair sem ser notado.

Fugir da vila pelo portão principal não era uma alternativa viável, visto que a esse horário, as pessoas somente poderiam sair da vila com permissão da Hokage. Então ele pegou outro trajeto, uma saída próxima ao clã Hyuuga.

Mizuki escutou rosnados atrás de si e ao se virar deparou-se com um Hyuuga de olhos vermelhos, o mesmo em pleno salto lhe atingiu um golpe no pescoço com as suas garras, outras duas pessoas com aparência de feras juntaram-se a carnificina, acertando incontáveis golpes com as garras.

Assim que perceberam que ele havia morrido, eles perderam o interesse e foram embora. Seu sangue tingia de vermelho aquela bela neve alva. Sua ambição e azar trouxera a sua morte.

As horas passaram-se e o dia surgiu, Hinata continuava com a sua corrida em direção ao clã Hyuuga. Já em frente ao mesmo ela viu Mizuki dilacerado no chão frio, a que ponto o seu clã tinha chegado para se voltar contra Konoha e iniciar aquele massacre.

Ela adentrou na mansão principal, iria confrontar o seu pai e descobrir o porquê dele ter iniciado essa rebelião. Chegou ao seu escritório e encontrou uma passagem aberta, ela não tinha conhecimento daquele lugar, desceu as escadas e caminhou pelo estreito corredor repleto de celas.

— Eu não sabia da existência desse subterrâneo, será que há mais coisas escondias em meu clã? – Ela avistou alguns respingos de sangue em frente a uma das celas, ficou de frente para a mesma e o que viu não lhe agradou. – Otou-sama! – Gritou profundamente, viu se pai inerte com um pouco de sangue saindo de sua boca. – O que ouve aqui? – Ela chorava incessantemente. Tentou abrir a cela, porém a mesma não abria. – Eu preciso de ajuda. Isso... um médico servirá.

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As horas transcorreram-se initerruptamente, os ninjas enfrentavam com bravura aquelas feras que não paravam de atacar, mesmo estando sem um braço. A única maneira que eles encontravam para derrota-los era atingir a cabeça com um golpe forte o bastante para danificar o cérebro.

Nesse meio tempo muitos civis eram mortos pelos Hyuugas que estavam loucos. Eles atacavam todas as pessoas em seu caminho, os animais eram deixados de lado.

Em cima do monte Hokage duas pessoas vislumbravam a vila em guerra. Um era um velho conhecido, Poun, aquele que tinha tomado posse da vida de Hiashi e a destruído por vingança, enquanto procurava pelas ruínas da Yuezhi. A outra pessoa era uma mulher desconhecida até o momento, de belas madeixas brancas e olhos azuis.

— Mentora, o meu trabalho está concluído. – Ele lhe entregou aquele disco estranho que emitia um intenso brilho.

— Muito bem, Poun, os poderes que lhe concedi foram de grande valia para a conclusão desta missão. – Essa mulher estendeu a mão direita sobre a vila.

Ela tinha em posse uma espécie de cubo prateado com pequenos buracos rasos espalhados irregularmente por sua extensão. Dentro dele, cristais translúcidos dourados de um mineral chamado olivina estava presente, brilhavam entre um favo de mel prateado constituído de níquel e cobre.

Uma espécie de líquido azul claro podia ser visto dentro dele, em pouca quantidade, mas existia.

— O fim chegaste para aquelas pobres almas. – Poun disse. Na mão direita daquela mulher havia um estranho anel de ouro maciço com um corvo entalhado nele, a ave negra continha uma cruz vermelha penetrando o seu peito.

— É triste ter que tirar as vidas de tantos inocentes num curto período de tempo, mas eu comecei com isto a muito tempo e não será agora que irei desistir, principalmente depois de ter eliminado todo o meu clã. — A mulher de cabelos brancos disse. – Eu irei encontrar todas as chaves e terei os meios necessários para confronta-lo, eu serei a primeira a fazer isso e depois a ordem virá a este mundo impuro. – Suas emoções eram demonstradas em lágrimas, ela sentia um grande pesar em seu coração. – Que o pai da sabedoria me conduza.

Ela mordeu o polegar da mão esquerda e fez um triangulo contendo três linhas curvas no centro, em cima do cubo. O mesmo emitiu um brilho dourado, para depois liberar um som semelhante a “clicks” que se espalhou em todas as direções.

Em Konoha o caos reinava, os ninjas lutavam bravamente contra as feras Hyuuga, eles pareciam não ter consciência de seus atos, os ninjas tentaram diversas dialogar com os mesmo, porém era inútil a conversa.

De maneira inesperada um som semelhante ao dos golfinhos era ouvido, era um estalar de alta frequência, chegando a ser ultrassônico, na faixa de 150 kHz — Quilo Hertz (150000 Hz). Era um som desagradável, pois o ouvido humano escuta perfeitamente até 5 kHz e no mínimo 20 Hz, ao passar disso a nossa audição não consegue identificar perfeitamente o som.

O som espalhou-se pela região, ao tocar qualquer tipo de objeto o mesmo enviava uma imagem em três dimensões do objeto em questão para a mente daquela mulher, essa era uma boa maneira de se identificar locais desconhecidos.

Tal habilidade era similar à dos sonares utilizados pelos golfinhos, morcegos e baleias. Conhecida como ecolocalização ou biosonar.

Algo de estranho estava acontecendo, o sonar havia penetrado nos tímpanos dos Hyuugas que tinham sido expostos naquela luz vermelha. Todos levaram as mãos aos ouvidos e se ajoelharam, suas bocas se abriram, seus olhos reviravam-se em direções distintas. Olhos, Narizes, bocas e ouvidos sangravam.

A partir de suas bocas, uma fumaça azulada brilhante saiu, todas subiram aos céus indo em direção ao monte Hokage. A mão contendo o cubo estava estendida. As fumaças que haviam saído dos Hyuugas foram absorvidas pelo cubo, uma a uma, vagarosamente entravam naquele artefato.

— Está feito. – Ela disse. Mesmo tendo os cabelos brancos o seu corpo era de uma jovem com um grande conhecimento. – O Fukang funcionou perfeitamente, ele conseguiu sugar e concentrar todas as almas daqueles afetados pela radiação da luz vermelha. – Ela sorria. O Fukang era o nome do cubo.

— A próxima localização das ruínas da Yuezhi já está em progresso, mentora. – Poun curvou-se. – Um ano será o tempo máximo para que os outros encontrem a próxima chave.

— Muito bem, Poun. – Sua mão tremia, pois tamanho era o poder daquele simples cubo, um poder capaz de tirar incalculáveis vidas em segundos. O líquido que estava em seu interior havia aumentado com a adesão daquelas almas. – Eu sabia que você seria útil para os meus propósitos e foi por este motivo que eu lhe concedi estes poderes daquele Shinigami. E não se esqueça que ao término da nossa busca pelas chaves, eu terei poder suficiente para reviver o seu filho.

— Sim, senhora. Eu acredito nisso. – Ambos sorriam.

— Você é o meu peão, assim como o significado do seu nome. Eventualmente você pode adquirir uma promoção, então continue alcançando resultados positivos.

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— O que aconteceu aqui? – Tsunade havia chegado em um ponto da vila, após aquele estranho sonar alguns ninjas requisitaram a presença da Hokage.

— Eu não sei Tsunade-sama. – Um dos ninjas disse. – Me parece algum tipo de doença. Repentinamente todos os Hyuugas cessaram o combate.

— Isso não é normal. – Tsunade verificou os olhos de um dos afetados e constatou o escurecimento do mesmo.

Três horas se passaram e de repente um imprevisto aconteceu. Impulsos elétricos eram transmitidos dos cérebros, por consequência o corpo começou a evaporar todo o líquido contido em si, os Hyuugas assumiram uma aparência mumifica e seus corpos se tornaram pó, restando apenas os ossos e vestimentas para trás.

— Mas que droga foi essa! – Tsunade esbravejou. Os ninjas estavam assombrados com o ocorrido. Aquele dia ficou marcado na história de Konoha, ele se tornou conhecido pelo nome de “Domingo Sangrento”.

Continua...