Detenha-me
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Boa Leitura ^^
Minha voz nitidamente é firme. Eu falo a verdade, a mais pura verdade, meu mais profundo desejo, abafado por todos esses anos em que tentei agradar todos mesmo que isso implicasse em abandonar meus desejos, minha própria vida. Em prol dos outros eu deixei muitas coisas acontecerem e nunca deu certo pra mim, e muitas vezes nem para os outros ao meu redor. Chega de ser inferior, de ser insegura. Ainda tenho uma longa caminhada pra mudar meu estilo de vida e algumas decisões não serão mudadas mesmo que eu queira.Meus pais nunca voltarão.
- Nem que eu tenha que ir pro inferno todos os dias, você vai viver amor! – Suas palavras são seguras, carregadas de emoção. E seus olhos me prendem de novo, aquelas esmeraldas brilhantes. Tenho certeza que ele faria qualquer coisa por mim.
Eu chego mais perto dele, passo uma mão pelo seu rosto e ele fecha os olhos como se esse simples gesto pudesse ser memorizado como se isso fizesse a sensação durar mais tempo. Isso é tão doce, nem imagino as atrocidades que Anderson o obrigou a fazer, mas nesse momento, Warner é tão vulnerável quanto aquele cão que vi ele alimentar e aquecer nas ruas do distrito.
- Muito obrigada.
É a única coisa que posso dizer, minha voz vai se perder a qualquer momento é bom senti-lo perto de mim. De certa maneira me sinto mais segura. Permito-me relaxar e soltar o ar de meus pulmões. Viro-me de costas para ele puxando seu braço num abraço para me manter consciente de sua presença. Ele me puxa mais perto de seu corpo e posso senti-lo por todos os cantos, suas pernas de alguma maneira conseguiram se conectarem as minhas. Seu tórax se movimenta com a respiração e posso sentir seu cheiro doce que me acalma. E assim derivo ao sono tranquilo.
Acordo com a claridade da manhã, possivelmente está muito frio lá fora, ou aqui dentro está muito quente, pois as janelas parecem embaçadas. Pisco algumas vezes até me dar conta que Warner ainda está abraçado á mim. Ele devia estar tão exausto quanto eu para nem se mexer durante a noite. Sua respiração é tão serena, tão profunda que me deixa em duvida se devo acordá-lo. Sua mão esta relaxada a minha frente embaixo da minha.
Movimento meus dedos nas costas da mão dele e posso sentir algumas veias. Seus dedos se mexem como se meu toque os despertasse pra vida, sua respiração muda sutilmente. Ele fuça meu pescoço e atrás da minha orelha. Acordei ele sem querer. Não queria acordá-lo e sair de seus braços.
- Bom dia amor. – Porque ele teima em me chamar de amor? Isso se torna ainda mais estranho pelo fato de eu estar dormindo com ele, na cama dele.
-Amor. – minha voz não deixa claro se é uma pergunta ou uma afirmação apenas repete a palavra como se testasse o som. Uma palavra que não digo com tanta frequência.
- Meu dia vai ser muito melhor agora. – Ele faz um movimento para se levantar da cama, mas eu não quero que ele vá, não sei porque, ainda não quero sair daqui mesmo que seja perigoso.
Sem pensar duas vezes, sem esperar que ele saia de perto levo sua mão aos meus lábios e beijo a palma. Nem sei porque fiz isso, nunca fiz isso. Ele para de se mexer e suspira. Beijo cada um de seus dedos. Ele me vira de barriga pra cima e metade de seu corpo esta em cima de mim. Ele esta me encarando muito perto. Seus olhos estão brilhando tanto, acho que ele pensa ser um sonho eu estar aqui ainda. Dessa vez eu não o machuquei.
Ele se apoia em um braço e o outro segue a lateral do meu corpo, subindo até meu rosto. Seu nariz chega a tocar o meu. Tenho certeza que estou derretendo. Pelo menos tenho a noção onde estou, mas não tenho a mínima ideia de que horas são, não contei quantos segundos já se passaram.
Escuto passos atrás da porta, mas deliberadamente eu ignoro e levanto minhas mãos passando por seus braços até chegarem aos seus cabelos próximos da nuca. Quando ele me beija. Algo acontece comigo, algo quente sobe pela minha coluna e minhas pernas começam a formigar, subo uma delas o máximo que posso sobre o corpo dele.
Como uma explosão a porta se abre, por ela vejo um dos soldados de Warner e as gêmeas entrarem. Elas perderam instantaneamente a capacidade de falar, andar e provavelmente respirar. Já o soldado fica tão vermelho que me preocupa se o sangue vai coagular em sua face
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