Notas iniciais
Planejei dois capítulos para esse estória, cada um do ponto de vista de um dos personagens. O próximo será postado provavelmente amanhã.
E sim, o título do capítulo é o nome do outro! Ou seja, esse é um capítulo do ponto de vista do Kojiro (essa estória é delicada e sentimental nesse nível).

Boa leitura, e obrigada por estar aqui. Viva Matchablossom!!

Cabelo

A mais notável de suas características, foi claro, a primeira que chamou sua atenção. Eles eram apenas crianças, em uma época onde nenhum deles tinha sequer visto um único skate na vida.

Por ambos morarem em uma das ilhas pertencentes à província de Okinawa, e por terem condições sociais semelhantes, foi natural que eles tivessem estudado na mesma escola. Sendo ocasionalmente colegas de turma.

Quando viu Kaoru pela primeira vez, Kojiro era um garoto de oito anos. Ele era alto para a idade, e tinha uma personalidade expansiva que atraiam colegas para perto dele. Pode-se dizer que ele era uma criança popular, se é que esse termo faz sentido em crianças dessa idade.

Kaoru de oito anos era uma criança baixa e introvertida. Ele mal olhou nos olhos de outros alunos nos seus primeiros dias. Concentrado na maior parte do tempo em seu caderno de atividades, com um lápis nas mãos, ora escrevendo, ora mordendo a ponta superior.

Em sua apresentação à turma, Kaoru não falou uma única palavra. Então você não pode culpar Kojiro por achar que ele era uma garota. Ele apenas escreveu seu nome no quadro na frente na sala, e sua caligrafia – já impressionante para a época – foi a única coisa que ele comunicou nesse dia. Dias depois, durante sua primeira interação, foi extremamente constrangedor para Kojiro chamar Kaoru de fofa e então receber uma cadernada na cabeça.

Pele

Muitas vezes Kojiro teve contato direto com a pele de Kaoru. Elas diminuíram progressivamente conforme eles cresciam e subitamente pararam em algum momento da adolescência.

Eles se aproximaram de forma mais definitiva pelo skate, por volta dos onze anos. Antes disso, apesar de se verem com frequência e trocarem palavras, eram em geral mais provocações do que diálogos. Eles não tinham amigos em comum, pois Kaoru não tinha amigos. Além de também não ter interesse nas brincadeiras dos meninos, parecendo preferir ficar sozinho com seus livros. E Kojiro não tinha interesse em assuntos de escola e matemática. Então não havia interseção entre seus interesses. E para uma criança isso significava que não havia motivo para insistir.

Então houve o momento onde um garoto começou a andar de skate, pois seu irmão também andava. E então todos os outros também queriam, Kojiro e Kaoru incluso. Eventualmente o interesse da maior parte deles acabou. Outros se desmotivaram pelo talento e esforço de alguns, e um ano depois, poucos ainda andavam.

Em uma pista de skate na vizinhança de sua casa, foi onde a amizade/rivalidade deles começou e se fortaleceu. Eles iam para esse lugar, religiosamente, todos os dias. Uns dois ou três também apareciam, mas nunca ficavam por tanto tempo ou iam todos os dias.

Kaoru e Kojiro andavam de skate, se provocando frequentemente, reforçando e incentivando a rivalidade e o esforço do outro. As palavras realmente não importavam, apesar de serem divertidas. O importante e significativo era que eles olham constantemente um para os movimentos do outro. Eles treinavam a mesma manobra ao mesmo tempo, mesmo sem que nenhum deles tenha sugerido isso. Quando um deles chegava com um novo movimento em mente e treinava para conseguir fazer, o outro fazia o mesmo, e a próxima manobra que algum deles tentaria só aparecia quando os dois tinham conseguido executar a anterior.

Esse foi o local onde ocorreram quase todos os toques que Kojiro conseguia se lembrar. Sua mãe o fazia carregam kit de primeiros socorros na mochila, e o havia ensinado a usar. A ideia de ser responsável pinicando na sua mente. Então era ele quem fazia todos os curativos em Kaoru e em si mesmo.

Os toques então naturais, pelo que Kojiro conseguia se lembrar. Não existia constrangimento por estar tocando seu amigo. Haviam apenas os insultos trocados com brincadeiras, e no fundo da sua mente a satisfação de estar cuidando de alguém.

Mas eles acabaram, eventualmente. Kojiro não sabe dizer se foi pelo fato deles crescerem, e se sentirem envergonhados com esse cuidado e vulnerabilidade, ou se era porque eles pararam de se machucar com frequência.

Boca

Kojiro culpou os piercings por esse.

Seja à luz do dia, com o raiar do sol. Ou fosse à noite, sob a luz de lâmpadas. Os piercings nos lábios e língua de Kaoru brilhavam ao refletir a luz, chamando sua atenção, como se o provocasse.

Às vezes era difícil desviar o olhar. Os lábios de Kaoru se esticavam em um sorriso presunçoso ou provocador, completamente dentro do seu personagem rebelde adolescente. Demorou algum tempo até Kojiro perceber onde exatamente estava sua atenção. Seus olhos fixos nos lábios finos e rosados, o piercing já era apenas um detalhe. A secura de sua boca quase imediata, e a razão para essa reação se perdendo dentro do hiperfoco na imagem à sua frente e no pânico pela realização disso. Será vergonha, culpa ou desejo? Ou todos os três?

Olhos

O objetos olhos não importava muito para Kojiro, tanto que ele não registrou muito como eles eram, se contentando em saber sua cor. O que foi registrado, e re-registrado e re-re-registrado (etc) foi o verbo, o olhar.

Existiam muitas facetas diferentes do seu olhar, cada uma tinha um... Significado.

Existia o olhar de neutralidade e profissionalismo, que era mais um olhar de concentração do que qualquer coisa. Concentração para se fechar, concentração para se portar como deveria.

Existia o olhar de vulnerabilidade, que era extremamente raro. Kojiro tinha presenciado algumas vezes. Às vezes seu comportamento era consistente com a vulnerabilidade. Kaoru diminuía seus movimentos como se fosse difícil se mover, falava mais baixo, mais cansado. Não brincava, não provocava, não andava de skate. Às vezes ele mal conseguia falar, pois sua respiração era muito difícil e parecia que ele estava prestes a desmaiar, e nesses momentos Kojiro o abraçava e Kaoru se agarrava a ele como se ele fosse uma taboa de salvação. Às vezes seu comportamento não fazia sentido, e ele fervia de raiva.

E tinha o olhar (provavelmente) preferido de Kojiro, apesar dele ainda não ter encontrado um nome para defini-lo. Era um olhar de divertimento, mas não era só isso. Era o olhar quando ele fazia um trabalho excepcional em caligrafia. Era o olhar que estava enquanto eles andavam de skate juntos anos e anos. Os dois esticando o máximo os seus toques de recolher para ficar o máximo de tempo possível. Kojiro só sabe que Kaoru realmente gosta dele porque em todas suas discussões ele ainda tinha aquele olhar. Como se nunca quisesse ir embora.

Notas finais
Se você encontrar algum errinho gramatical, se sinta a vontade para me avisar! Eu ainda não revisei o texto uma última vez, mas estava muito animada para postar logo, então foi assim mesmo.
Também estou fazendo uma fanart simples para essa fanfic, que colocarei de capa quando finalizar. Ela também será postado no meu twitter, onde posto outras fanarts (desse shipp e de outros), então se sinta a vontade para me seguir @simpde2D. Venha gritar comigo sobre Matchablossom!!

Até muito breve, fiquem bem.